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terça-feira, 23 de novembro de 2010

PERFEITO AZEVEDO!

Às 23h40 de ontem, o Globo Online pôs no ar uma reportagem que talvez esteja na edição impressa de hoje do jornal. Consulta uma série de “especialistas” sobre os ataques que a bandidagem vem fazendo no Rio nos últimos dias. Todas as pessoas ouvidas proclamam o sucesso das UPPs — as unidades da dita polícia pacificadora — e entendem que o narcotráfico está reagindo à ação bem-sucedida da Secretaria de Segurança. Assim é se lhes parece, mas, até onde sei, não é assim. Até porque, e isto é uma informação, o tráfico não foi banido das áreas a que chegaram as UPPs coisa nenhuma! Essa é uma doce ilusão de acadêmicos, ONGs e da imprensa. Como é uma ilusão que reforça alguns de seus preconceitos ditos humanistas, então é proclamada por aí. Mas é mentira.
Os pauteiros dos jornais, das revistas e das TVs deveriam dar um jeito de pôr repórteres nessas áreas. Os meus — os da rede — me contam que houve, sim, um ordenamento do tráfico de drogas, que agora opera de maneira bem mais sutil, nada ostensiva, mas continua a fazer normalmente o seu “trabalho”. Tanto é assim que o preço da mercadoria que vendem continua o mesmo. Também o narcotráfico opera segunda a lei da oferta e da procura. Quando esta é muito maior do que aquela, a droga fica mais cara. E ela não está. O fornecimento do bagulho está regularíssimo, e os preços, estáveis. Vale dizer: chega normalmente às bocas e narizes. O problema é que as áreas ditas “pacificadas” precisam é de menos mão-de-obra de segurança. A “Narcotráfico Inc.” vive um momento de enxugamento de quadros e de corte horizontal de pessoal.
Os trabalhadores dos outros setores, quando dispensados, vão para a fila do seguro-desemprego. Os desse ramo optam pela Bolsa-Madame. E saem barbarizando. Eu já tinha escrito aqui que Sérgio Cabral e seu secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, haviam descoberto a quadratura do círculo: a sua política de ocupação das favelas operaria o milagre do sumiço do bandido: oficialmente, a PM avança nas áreas dominadas pelo narcotráfico, levam a “paz”, e os bandidos somem — ou se convertem. A guerra do estado do Rio contra o narcotráfico nem mata bandidos nem faz prisioneiros. E isso excita o espírito humanista dos nossos “intelectuais”, que passam, então, a acreditar em milagres. Ora…
Há gente querendo aterrorizar a população e passar a sensação — que, ademais, é real — de insegurança? Sem dúvida nenhuma! Mas o que se tem aí é evidência do “sucesso” da política de segurança? Ora… “Humanistas” e “intelectuais” costumam não gostar de cadeia. Até prova do Enem traz hoje em dia questão sobre Michel Foucault… Esses poetas bucólicos acreditam que, quando uma UPP “ocupa” um morro sem dar um tiro, entamos  diante de uma operação bem-sucedida. Foi do que se orgulhou Beltrame no dia 15 do mês passado, quando a unidade subiu o Morro dos Macacos. Ora, o silêncio significava um tiro no bom senso. O único barulho que se ouviu foi o dos aplausos. Dilma se animou. O Rio virou modelo de segurança pública para o resto do país… Meu Jesus Cristinho!
Desculpo-me por desafinar esse doce consenso. Bandido não desaparece. Se não é preso nem morre, então está “trabalhando”. Se a mercadoria que ele vende continua a abastecer o mercado normalmente sem nem sequer uma variação no preço, alguma coisa há de errado. Lamento perturbar o idealismo dos “especialistas”, mas o problema é maior do que se pensa. Saiam dessa zona de conforto que se conforma com a explicação simples e errada de que se trata apenas de uma “reação” às ocupações dos morros — até porque não foram tantas assim, não é? O problema é mais complexo. O narcotráfico “pacificado” está liberando mão-de-obra, que, ociosa, foi à luta.
Ou bem a polícia do Rio começa a fazer “prisioneiros” ou se cria, então, a Bolsa Pó: tenta-se convencer o traficante a deixar o vida bandida em troca de uma prebenda oficial — sempre lembrando que o crime paga mais.
Por Reinaldo Azevedo

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