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quinta-feira, 25 de novembro de 2010


Um notável assassino da verdade


Se você é do tipo que tem apreço pelos fatos, não faz o que fez a TV Cultura só para provar que, não tendo telespectadores, não tem também preconceitos nem se subordina ao PSDB: chamar Franklin Martins, o ministro da Supressão da Verdade, para um debate. Porque ele há de exercitar a sua especialidade, ora essa: suprimir a… verdade! Assim, independentemente da questão partidária, há um óbice de natureza ética: raposas não arbitram sobre galinheiro. Este gigante moral deixou claro ontem o que entende por liberdade de imprensa: armou uma entrevista do presidente Lula, que é figura pública, com blogueiros. Mas havia uma exigência: eles tinham de ser “progressistas”. E o evento — bisonho, constrangedor — reuniu os blogs que fizeram campanha para Lula, alguns deles financiados, de modo oblíquo, por dinheiro público. “Queria ser convidado, né?” Não queria. Tivesse sido, não teria ido. Há outros que não têm o nariz marrom. Mas não servia.

Franklin é autor de algumas teses famosas no jornalismo. A mais ousada, sem dúvida, é aquela que assegura que o mensalão nunca existiu — e vocês verão daqui a pouco como ele continua a investir de modo determinado contra os fatos. Essa “coragem” lhe garantiu o apreço de Lula. No poder, sua mais obstinada tarefa tem sido tentar se vingar da Rede Globo, que lhe pregou um pé no traseiro. Tenta transformar a sua vendeta pessoal numa causa pública. E o faz com o caráter sem fronteiras de sempre. Franklin é aquele homem capaz, ainda hoje, de relatar, às gargalhadas, que a ordem era mesmo matar o embaixador americano Charles Elbrick se o governo não atendesse às reivindicações dos seqüestradores. O filme está aqui. Ele era um dos chefetes da ação e foi quem redigiu o manifesto anunciando a operação e fazendo as exigências. Talvez fosse candidato a fazer com Elbrick o que faz cotidianamente com a verdade.

Quem garante?

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