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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PARTIDOS FINANCIADOS

Os mais exaltados perguntam o que tenho com isso e questionam a minha legitimidade para fazer as críticas que venho fazendo à consistência ideológica de mingau das oposições. O que tenho com isso? Ora, tudo! Como todo brasileiro, eu também financio a oposição, que recebe, a exemplo dos partidos do governo, uma verba oficial milionária PARA FAZER OPOSIÇÃO. Verba milionária? Sim, já existe financiamento público de campanha no Brasil, que se dá por intermédio do fundo partidário.
No Orçamento deste ano, os partidos, por acordo, votaram um acréscimo de 62% da bufunfa, que saltou de R$ 165 milhões para R$ 265 milhões — bem acima da inflação, como se nota. O DEM encolheu, mas a verba aumentou: passou de R$ 12,15 milhões para R$ 19,48 milhões. A do PSDB saltou de R$ 18,93 para R$ 30,34 milhões. O PMDB é o segundo que mais recebe: de R$ 20,65 milhões para R$ 33,09 milhões. O PT, claro!, leva a maior bolada: de R$ 26,74 milhões para R$ 42,85 milhões. Não é só isso, não. O horário político dos partidos custa aos cofres públicos quase R$ 250 milhões.
Logo, não venham me perguntar “o que tenho com isso”. Tudo! A oposição é um fundamento das democracias. As sociedades pagam caro para ter partidos e instituições funcionando. Vênia máxima, o DEM e o PSDB recebem aquela bolada para se opor ao governo petista — é claro que tem de ser um oposição com conteúdo, princípios etc e tal. Nem vou entrar no mérito do quão propositivo deva ser um partido da minoria. Isso é um dado da equação. Esse negócio de garantir “oposição construtiva” é retórica balofa do século passado. É claro que será construtiva e construtora da democracia, não é mesmo? Afinal, só nas democracias existem oposicionistas e é possível dizer “não”!
Não só o eleitorado decidiu que o DEM e o PSDB fariam oposição como financia essa operação, que não é privada dos partidos, não! Tampouco pertence a indivíduos ou a “projetos”. Oposições são instituições dos regimes democráticos. Se elas se negam a exercer o seu papel, outros vêm e tomam o seu lugar — ou, então, o eleitorado decide que elas são mesmo dispensáveis. Se é para ter a ditadura do consenso, pra que pagar caro pelo PSDB e pelo DEM? Melhor que saiam de cena!
Postura ridículaA postura desses dois partidos, por ora, tem sido de um ridículo ímpar. O PT e o PMDB, vá lá, vão cumprindo o que deles se espera, entre o exercício do mando e um assalto ou outro aos cofres públicos. Tucanos e democratas assistem impassíveis à disputa indecorosa na Funasa, por exemplo. Vêem agora a presidente Dilma Rousseff adiar a compra dos aviões e dos navios porque, descobriu-se, as contas públicas não suportam. Quais? Aquelas que estavam arrumadíssimas? O Enem, pelo segundo ano consecutivo, joga milhões de alunos na incerteza. Um técnico do governo admite no Congresso que o governo federal falhou miseravelmente na tragédia do Rio.
E o que fazem as oposições? Com  os milhões que vêm, entregam-se a frufrus e salamaleques com os adversários e ficam promovendo guerrinhas internas para ver quem será o senhor da varinha curta. E aí vêm me perguntar o que eu tenho com isso???
Ora, decência, por favor! Cumpram o papel para  o qual são regiamente pagos: vigiar o governo e apresentar alternativas, acusando os eventuais desvios de conduta em relação àquilo que vai na lei. Mesmo em países menos generosos no financiamento público de partidos, é o que fazem as oposições. Pagamos caro para ter oposição, e elas têm de prestar esse serviço. Ou serão demitidas pelo eleitor!
Por Reinaldo Azevedo

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