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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A “arte da paz” da União Europeia maquiavélica

Eu não vou nada com as ideias de Maquiavel, mas tenho que convir que a sociedade europeia actual tem muito de maquiavélica.
Por exemplo, o “ataque” do directório europeu às nações multi-seculares, como é o caso de Portugal, fez-se através da “arte da paz” que Maquiavel refere nos Discursos (II, 25): a arte da paz pode ser tão maquiavélica como a arte da guerra. Segundo Maquiavel, quando os habitantes da cidade de Veius — inimigos fidagais de Roma — verificaram que os cidadãos romanos estavam desunidos, procuraram [inteligentemente] oprimi-los com a “arte da paz”, esquecendo a guerra.
Para Maquiavel, o exagero em crescendo das ambições privadas [das elites] é um sintoma de corrupção pública, e constitui a causa da desunião de uma nação — é interessante como existe aqui uma quase-contradição de Maquiavel em relação ao restante da sua teoria. E, por outro lado, as causas da união de um povo são, segundo Maquiavel, o medo e a guerra.
É certo que a “arte da paz” pode oprimir um povo tanto ou mais do que a arte da guerra — isto, se essa “arte da paz” tiver um cariz escandalosamente assimétrico. A paz entre um pequeno Estado e uma grande potência pode ser, em determinadas circunstâncias, uma espécie de derrota militar já consumada mesmo antes de esta acontecer. O que se tem passado na União Europeia tem sido, claramente, a consumação da “arte da paz” assimétrica e maquiavélica levada a cabo pelo directório europeu, e que está a destruir as nações europeias mais pequenas.
Por fim, também é verdade que o medo une os povos. Quando um povo sente uma ameaça real à sua existência e sobrevivência [o medo], tende a unir-se através do rigor da disciplina. O que se terá que fazer em Portugal é incrementar essa disciplina, ao mesmo tempo que as ambições privadas das elites terão que ser, de algum modo, sacrificadas. E se não for o regime democrático a fazê-lo, outro regime o fará, porque não creiam as elites actuais que o povo português alguma vez deixará de ser português; que não se iludam…!