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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um mau debate

Maicon Damasceno
Uma constatação saltou aos olhos de quem assistiu à sessão desta quarta-feira na Câmara, que decidiu pelo aumento de 17 (ou 21) para 23 vereadores em Caxias do Sul: faltou tempo para o debate. Sequer se conseguiu mostrar o que é cobrado por quem não quer mais parlamentares: os limites da atuação da Câmara e a importância de sua existência.
Outra constatação: o debate na sessão foi de mal a pior. Descambou o tempo todo para agressões pessoais que não valem ser reproduzidas ou analisadas, estabeleceu-se em um nível de agressividade nada recomendável e desviou do essencial. Ainda por cima, contou com a participação coadjuvante de alguns dos assistentes, que a todo momento interrompiam as manifestações, o que obrigou o presidente da Casa, Marcos Daneluz (PT), a suspender a sessão por duas vezes.
Do caldo que se extraiu do debate, ficou uma situação engraçada: quem era favorável à manutenção dos 17 vereadores foi carimbado de defender a demonização do parlamento. E a isso foi reduzido o debate de um tema que é altamente complexo. Ora, é possível ser contra o aumento e pretender, com isso, fortalecer a política. Claro que, entre os favoráveis aos 17, há aqueles que defendem o “parlamento mínimo”, ou até sua extinção, mas essa evidência acabou apagando as luzes do debate, que deveria consistir na capacidade do Legislativo em ouvir a população para, assim, reforçar sua representatividade e a importância da função política. Mas não, lá se foi a oportunidade.
Agora vamos aos 23. A mesma emenda constitucional que garante o aumento de cadeiras define que, em Caxias, o Legislativo deve conter seus gastos em 5% do orçamento do município, e não mais 6%. A representatividade vai aumentar, por certo, o que é bom. Pausa aqui para a reiteração necessária: mesmo entre quem defendia 17 vereadores, há sim, diferentemente do que se tentou fazer crer no debate, gente que concorda que o aumento de representatividade é bom, e nisso não há contradição.
O que resta é, em vez de se afastar da escolha, é escolher como lupa o vereador em 2013. O E, aos participantes da sessão desta quarta (foto acima), recomenda-se que, no embalo, estejam atentos e sejam capazes de mobilizar também diante de outras questões essenciais da comunidade. Como a greve dos médicos, por exemplo, que clama há quase dois anos por uma solução. E, pelo visto, está faltando pressão popular.