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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

11 trapalhadas econômicas históricas

Controle de preços sempre será algo estúpido, independente da época, mas é necessário um enorme grau de imbecilidade para se praticá-lo quando sua região está sitiada.
Em 1584, as forças controladas por Alessandro Farnese, Duque de Parma e Piacenza, estavam cercando a maior cidade da Holanda, Antuérpia, durante a Revolta Holandesa (Guerra dos oitenta anos). De início, o cerco foi em vão, pois as formações em linha do exército do duque eram porosas, e a Antuérpia conseguia receber suprimentos por via marítima.
Mas o duque era sortudo, pois a cidade decidiu voluntariamente se bloquear a si própria. Os magistrados da cidade decretaram um limite de preços para os cereais.
Como consequência, os contrabandistas, que até então vinham furando o bloqueio, se tornaram consideravelmente menos entusiasmados para fazer entregas de alimentos. Em meio à fome geral que se seguiu, a cidade teve de se render no ano seguinte.
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Em 1984, o fracasso da colheita na Etiópia apresentou um novo conjunto de problemas para a junta marxista, chamada "Derga", que controlava o governo. Os programas de estatização e de controle de preços, que eles haviam implantado há anos, pareciam mais ineficazes que nunca.
Obviamente, o problema todo estava nos vestígios de capitalismo que ainda infectavam a economia. Portanto, a junta resolveu adotar medidas ainda mais vigorosas, como a proibição do comércio de cereais. Por mais estranho que pareça, tal medida não acabou com a fome.
O ditador Mengistu Haile Mariam, inspirado pelo brilhante sucesso agrícola do camarada Stálin na década de 1930, imediatamente promulgou um novo conjunto de ideias batizado de "vilagização". Sob esse plano, os dispersos habitantes rurais da Etiópia seriam aglomerados em vilas modernizadas com infraestrutura de ponta.
Como era de se esperar, nem todos os beneficiários desse plano compreendiam o charme utópico dessas vilas, o que fazia com que eles tivessem de ser levados à força para o local — para o bem deles próprios. Infelizmente, o esperado aumento na produção agrícola nunca se materializou, e milhões morreram de fome.
O país sucumbiu a um permanente estado de guerra civil, que só acabou em 1990, após a União Soviética ter parado de subsidiar a Derga. Mengistu fugiu para o Zimbábue, onde se tornou um proeminente conselheiro dos governantes daquela nação.
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Na ânsia de inovar, o presidente brasileiro José Sarney achou-se capaz de dar uma lição em Diocleciano. Em 1986, após anos de crescente inflação, Sua Excelência baixou um decreto congelando os preços de todos os bens e serviços da economia brasileira. Já que era impossível atacar as causas da febre — isto é, reduzir a expansão monetária praticada pelo Banco Central —, então que se quebrasse o termômetro: o simples congelamento de preços bastaria para acabar com os efeitos dessa inflação monetária.
O resultado foi maravilhoso. Carros usados tornaram-se mais caros que carros novos, as carnes desapareceram dos açougues (mas prontamente reapareciam tão logo o comprador ofertasse uma quantia extra por baixo do balcão) e o governo acabou tendo de literalmente prender bois no pasto para impedir suas exportações, que eram bem mais vantajosas.
Após noves meses de desabastecimento e escassez, o governo abandonou seu decreto. Como a expansão monetária jamais houvesse sido interrompida, os preços dispararam imediatamente e o presidente chegou a ser apedrejado dentro de um ônibus. Saiu do governo com 6% de aprovação.
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Após quase uma década de crescimento econômico impulsionado por políticas macroeconômicas sensatas, a presidente do Brasil Dilma Rousseff decide inovar. No caso, "inovar" significa "regressar" a políticas econômicas que já haviam sido amplamente desacreditadas nas décadas de 1970 e 1980.
Adotando políticas econômicas que se resumem a estimular o consumo sem estimular a oferta, aumentar os gastos públicos, maquiar as contas do governo, aumentar as tarifas de importação, aumentar o crédito concedido por bancos estatais, tabelar o lucro de empresas, congelar o preço da gasolina e baixar os preços da energia elétrica na caneta, a mandatária fez com que um país que até então apresentava bons indicadores econômicos passasse a apresentar dois anos seguidos contração econômica, taxa de inflação de preços próxima a dois dígitos, desemprego crescente e sem perspectiva de melhora, taxa de câmbio em forte desvalorização, custo de vida em forte ascensão, gasolina e tarifas de utilidade pública em disparada, endividamento recorde da população, e investimentos há quase dois anos em contração.
Sua taxa de aprovação despenca a níveis próximos aos do Diocleciano brasileiro da década de 1980. Os apoiadores do seu partido, outrora os mais fanáticos do país, batem em retirada, envergonhados. Apenas os militantes pagos ainda se arriscam a fazer defesas pontuais da presidente e do partido, mas sempre enfatizando que se opõem vigorosamente à política econômica. Gera-se o movimento dos "contrários a favor".
Após implantar o seu museu de grandes novidades, a mandatária corre o risco de nem sequer completar seu mandato.
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