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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Como pensava o cidadão comum durante o Nacional-Socialismo?

“Se havia a impressão junto aos cidadãos comuns que durante o período anterior à guerra, eles estavam submetidos a uma tirania, não se deixa comprovar pelo número de campos de concentração documentados historicamente e de seus respectivos detentos.” Com esta conclusão, o psicólogo social originário de Frankfurt, Fritz Süllwold, refuta uma imagem distorcida dos dias atuais e apresenta corretamente como pensavam os alemães durante o Nacional-Socialismo.
Ele investigou minuciosamente como pensavam os cidadãos alemães comuns durante o período do Nacional-Socialismo nas mais diferentes áreas. Para saber suas convicções e reações, foram entrevistadas pessoas qualificadas da geração daquela época. Mas eles não deveriam externar suas próprias posições, mas sim documentar a partir de um ponto de vista mais afastado de “um observador da época”, as impressões subjetivas de seu ambiente social. Assim foi obtido um quadro das opiniões fiel à verdade.
Segundo a pesquisa, no período anterior à guerra, “quase todos” estavam convencidos que a redução do desemprego e o crescimento econômico, a partir de 1933, era resultado direto da política de emprego do governo. A confiança no valor do Reichsmark foi pouco percebido apenas por 2% dos entrevistados. Salário e preços, gastos sociais e previdência social pareciam justos. O auxílio aos pobres e menos favorecidos foi avaliado como suficiente.
“Sobre a administração federal e comunal, assim como sobre a justiça e a polícia durante o Nacional-Socialismo, na época anterior à guerra, existe uma ideia hoje em dia junto à nova geração, que não corresponde àquilo que viveram as pessoas daquela época.”, conclui Süllwold. Na realidade, os funcionários públicos eram considerados corretos e prestativos. A impressão de se estar vivendo em uma ditadura sanguinária, não predominava no senso comum. A maioria dos cidadãos se sentiam protegidos suficientemente pelo executivo (“O policial – seu amigo e protetor”). O governo foi muito estimado pelo fato de se poder andar pelas ruas durante a noite em segurança e despreocupadamente. A justiça era considerada correta e independente, oportunista em processos com motivação política – não havendo alteração aqui quando comparado à atualidade.
A ideia da Volksgemeinschaft (Comunidade do Povo) era a linha-mestra; “Utilidade pública precede individual” não era uma frase vazia, mas sim um princípio praticado no dia a dia. Consideração e respeito norteavam o convívio social. O culto à juventude dos nacional-socialistas não significava o desprezo dos idosos. A relação entre os sexos estava submetida a uma severa condição moral: caso ocorressem relações antes do casamento, este era providenciado rapidamente. Esta hierarquia que norteava tais comportamentos, valores e virtudes não eram especificamente nacional-socialistas, mas baseavam-se em antigas tradições. Isso valia principalmente para o corpo de oficias.
A vida religiosa e as igrejas tinham um papel importante no Nacional-Socialismo, mais do que é suposto atualmente. Segundo a impressão das testemunhas da época, muitos membros do partido, mas longe de sua totalidade, tinham um sentimento anti-igreja. Diferenças e profundos conflitos entre a igreja e o partido eram percebidos pela população. Todavia, a participação nas missas não era considerado oposição ao partido.
No campo político, o Ditado de Versalhes foi considerado uma grande injustiça. A política revisionista de Hitler foi bem recebida. Os esforços em recuperar os territórios perdidos foi vista por muitos como algo justo. Diante da união com a Áustria e da libertação dos Sudetos, a maioria reagiu “com alegria e orgulho”. Os abusos e repressão contra os alemães na Tchecoslováquia e na Polônia provocaram uma onda de “indignação e revolta”.
Ao eclodir a guerra contra a Polônia em 1939, não havia um patriotismo do “já ganhou”, mas sim um clima de abatimento e aflição. Apenas uma minoria estava segura da vitória. A tese oficial, segundo a qual a Alemanha foi forçada à guerra, teve crédito limitado, porém, apenas uma minúscula parcela acreditava que o governo do Reich arquitetou a guerra. Os relatórios da Wehrmacht apareciam em geral como um relato honesto, todavia, a partir da segunda metade da guerra, menos crível. Apesar da rigorosa punição, o programa britânico de rádio para a Alemanha foi ouvido por muitos, porém, conscientes de que se tratava de propaganda errante destinada à desmoralização dos alemães.
As rápidas vitórias sobre a Polônia, na França e nos Bálcãs provocaram uma grande surpresa: “Se uma população é pega de surpresa pelo desenrolar da guerra, pois ela pelo menos não esperava um sucesso rápido, a inclinação inicial pela condução de uma guerra não poderia ter sido tão grande assim”, conclui Süllwold. “A inclinação por uma guerra pressupõe invariavelmente um rápido e tranquilo sucesso militar.” A ocupação da Dinamarca e Noruega foi visto por 39% como uma medida defensiva, para se antecipar ao ataque dos aliados. A invasão da Holanda e Bélgica na campanha ocidental foi visto menos como parte de uma guerra de ocupação, mas sim como algo inevitável.
No início da campanha russa, reagiu-se com preocupação diante da ampliação do conflito. A perda do 6º Exército em Stalingrado, em 1942, foi considerada uma catástrofe devastadora, não raramente considerada como um ponto de inversão do curso da guerra. As retiradas na frente oriental indicavam a “perda da soberania alemã”, e não foram poucos aqueles que viam nisso “o desenhar do caminho para a derrota generalizada”. Dois terços da população era da opinião de “que a guerra contra os partisanos forçava a uma brutalidade sem misericórdia“. Considerava-se possível “que através de um tratamento equivocado da população civil, provocava-se inimizade e resistência.”
A entrada dos EUA na guerra foi considerada por dois terços como “grave”. Para uma minoria esclarecida, ela era o reconhecimento de uma situação que já estava em prática. O sensacional sucesso japonês provocaram uma momentânea euforia. A posterior invasão dos aliados no sul da Itália não foi apenas considerada “como resultado da incapacidade italiana”, mas também “como grave ameaça contra a Alemanha”. A queda da Itália como parceira no Eixo era vista como “comportamento esperado de um aliado incapaz e não confiável”.
Uma parcela significativa da opinião pública se ocupava com os ataques aéreos da coalizão anglo-americana contra a população civil alemã. Em sua grande maioria, reinava a opinião de que se tratava de um explícito ataque terrorista para quebrar a moral da população. Muitos estavam conscientes que os ataques eram dirigidos principalmente contra os bairros residenciais. Segundo as observações de dois terços das testemunhas da época, a guerra aérea despertou em apenas alguns cidadãos o desejo de “um término imediato da guerra a qualquer preço”. Ódio e sentimento de vingança contra britânicos e norte-americanos eram percebidos na maioria das vezes apenas aos atingidos diretamente, ou seja, aos bombardeados.
O desembarque dos aliados na Normandia foi classificado pela população como “decisivo” e “o início do fim”. A ofensiva das Ardenas, em dezembro de 1944, foi classificada por alguns como “chance para um cessar fogo na frente ocidental”. Muitos a consideravam um “enfraquecimento da defesa oriental”, e não poucos a consideravam algo sem sentido. O anúncio do emprego de armas secretas despertaram uma certa esperança, mas era considerada também como mera propaganda. O uso subsequente dos foguetes V1 e V2 foi considerado como o início do uso das anunciadas armas de retaliação. Não se acreditava mais na vitória, mas esperava-se que as novas armas possibilitassem condições suportáveis para um armistício.
O atentado de 20 de julho de 1944 foi visto como uma tentativa de encerrar a guerra através da eliminação de Hitler. As ofertas públicas de paz por parte dos alemães após as campanhas da Polônia e França não passaram desapercebidas da população alemã. Como os adversários não as aceitaram, representou para a grande maioria a “prova para a animosidade bélica dos aliados”. Com a possibilidade da Alemanha perder a guerra, contavam com isso uma grande parte da população desde a entrada dos EUA na guerra e principalmente com as retiradas na Rússia. A guerra pareceu perdida definitivamente após o desembarque dos aliados na Normandia. Esta convicção aumentou após os aliados terem ultrapassado as fronteiras do Reich. As últimas dúvidas quanto à iminente derrocada desapareceram após o transpasse aliado no Reno e do Oder.
Diante da pergunta sobre possibilidades plausíveis de terminar a guerra, após estar claro que ela não poderia mais ser ganha, responderam 52% das testemunhas como “não”. Principal obstáculo foi “o conhecimento da exigência por uma capitulação incondicional e o medo de ser entregue à boa vontade de um inimigo inescrupuloso, principalmente no caso dos soviéticos”. Bastante disseminada foi também a opinião “de que após os combates, o que viria a seguir só poderia ser muito pior do que já estava.” “Medo e vingança por crimes cometidos” não preocupava. Não apenas foi alimentada pela propaganda a esperança de que “crescia o antagonismo entre soviéticos e os aliados ocidentais, e os alemães poderiam se aproveitar disso caso aguentassem por mais tempo”.
Diferentemente do que é apresentado nos dias de hoje, os judeus não estavam no centro das atenções do cidadão comum. A minoria judaica representava menos de um porcento do total populacional e os judeus estavam além disso distribuídos irregularmente pelo território. Apenas poucos cidadãos conheciam pessoalmente ou tinham relações com eles. Judeus e questões judaicas foram relevantes apenas em situações marginais. Somente em situações excepcionais como após a famosa Noite de Cristais em 1938, os judeus foram objetos das conversas. O antissemitismo estatal foi rejeitado pela maioria, o jornal antissemita de Julius Streicher – Der Stürmer – era considerado “primitivo” (67%) e não foi levado em conta pela maioria. Com a alegação atual de que os alemães olhavam de lado ou por uma falta moral dos alemães, isso não tem qualquer relação.
“Na segunda metade da guerra, onde a perseguição dos judeus tomou um rumo drástico, com risco à vida, muitos cidadãos comuns foram atingidos por problemas existenciais, que lhe tomaram a atenção e os perturbaram espiritual e emocionalmente. Dentre eles destacam a constante preocupação com o marido, filhos, pais, irmãos e amigos, que atuavam como soldado nas ações militares.” Com isso, Süllwold coloca as condições subjetivas em seus devidos lugares. “Além disso apareceram inúmeras tarefas pesadas que tinham que ser feitas no lugar dos homens recrutados. Principalmente preocupava… os inúmeros ataques aéreos, onde não apenas deveria contar-se com a perda da casa ou apartamento, mas também com ferimentos graves e perda da vida. Os cidadãos comuns viviam naquela época literalmente em um mundo em ruínas. Tais aspectos periféricos são invariavelmente esquecidos ou ignorados pela avaliação histórica das questões judaicas durante a época da guerra”.
Fred Duswald
Fritz Süllwold, Deutsche Normalbürger 1933-1945. Erfahrungen, Einstellungen, Reaktionen. Eine geschichtspsychologische Untersuchung, Herbig, München 2001.
Der Grosse Wendig, Artigo 542, Vol. 3