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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

O mau caritismo jornalistico historico que nos é apresentado para consumir!

O meios midiáticos dominados por jornalistas, historiadores e sociólogos de esquerda criaram uma historia sobre o nacional socialismo e seu personagem ícone, Hitler que se perpetua por décadas. 
Em época eleitoral. esses militantes midiáticos aproveitam para resgatar a mentira histórica e tentam comparar com os cenários atuais.
Vejamos o que esse meio midiático especializado em historia, nos apresenta como matéria de interesse e onde está o mau caratismo na matéria apresentada para consumo de uma sociedade que apenas replica e não tenta entender e muito menos buscar a verdade, já que sofre de preguiça intelectual endêmica.

"No dia 2 de agosto de 1934, Adolf Hitler assumiu o poder na Alemanha, fundindo as funções de presidente e de chanceler, passando a se auto-intitular de Líder (Führer), em medida aprovada pelo parlamento. Alguns dias depois, em 19 de agosto de 1934, ele foi confirmado nesta função por 89,9% do eleitorado em um plebiscito. Hitler aproveitou-se da situação econômica miserável em que se encontrava a Alemanha após o Tratado de Versalhes para usar os meios de comunicação e conquistar o apoio da população."

Analisamos algumas citações:

"Adolf Hitler assumiu o poder na Alemanha, "fundindo" as funções de presidente e de chanceler, passando a se auto-intitular de Líder (Führer), em medida aprovada pelo parlamento. Alguns dias depois, ele foi confirmado nesta função por 89,9% do eleitorado em um plebiscito."

Tal fato aconteceu, mas não com a conotação autoritária que o redator tenta passar. Afinal, ele se tornou o Führer através dos votos do parlamento eleito pelo povo e reiterada decisão em plebiscito. Aí, pergunto....se tal fato fosse com a esquerda ou a social democracia seria visto como algo nocivo para a sociedade?
Por obvio que não, afinal a esquerda tem solução para salvar o planeta.

"Hitler "aproveitou-se" da situação econômica miserável em que se encontrava a Alemanha após o Tratado de Versalhes para usar os meios de comunicação e conquistar o apoio da população."

O redator na sua tendenciosa maneira de expor o fato utiliza o termo aproveitou-se para tentar demonstrar a esperteza ou a maldade na ação.
Só tem um detalhe...um politico de oposição como foi Hitler, não pode e nem se aproveitou de nada, apenas se apresentou com projeto para tirar o país e a sociedade do caos que a social democracia mantinha desde que foi empossada pelos aliados após final da 2ª guerra.
Outra pergunta que desmonta a afirmação do redator:
Que politico ou partido pode ser visto e ouvido se não através dos meios de comunicação disponíveis?

É claro e simples a tendenciosa maneira de apresentar e contar fatos históricos que diz respeito aos que combateram e extirparam a esquerda marxista do cenário com trabalho e prosperidade real.
Mas se todos esses fatos tivesse acontecido com a esquerda ou a social democracia seria festejada como algo natural  e nada negativo.

Para os interessados, abaixo alguns links para conhecer e aprofundar na verdade histórica do Nacional Socialismo e o único debate público com registro entre Hitler que era oposição e o social democrata da oposição.

http://inacreditavel.com.br/wp/fundamentos-economicos-do-nacional-socialismo

http://inacreditavel.com.br/wp/como-hitler-se-livrou-da-escravidao-dos-juros

http://inacreditavel.com.br/wp/nacionalismo-e-socialismo-por-hermann-goering

https://www.youtube.com/watch?v=x3rVx0aIXlQ




sábado, 14 de julho de 2018

BELEZAFOBIA?! Pode isso?



Não é de hoje que se tenta estabelecer como natural uma agenda que só atende a propósitos de nichos muito particulares da sociedade. É claro que ninguém é obrigado a aceitar ou se submeter a qualquer padrão de beleza, seja ele qual for. Mas daí a proibir e censurar imagens belas há um longo e perigoso caminho.
Descartada a justificativa oficial, o que explica esse surto explícito de belezafobia? Hoje se dissemina de forma assustadora uma sanha censora e rancorosa típica de uma mentalidade autoritária, que replica as atitudes repressivas que afirma combater. Curiosamente, as mesmas pessoas que defendem a FIFA são aquelas que adotam o discurso da tolerância, afirmando que cada um pode ser o que desejar – exceto, é claro, se não servir aos seus propósitos e à sua narrativa. No caso: você, mulher, pode ser o que quiser; mas não pode ser bonita, porque sua beleza me oprime e desagrada.
Em qualquer lugar e em qualquer época a beleza sempre foi um fato da vida. Um passeio pela História da Arte mostra que os padrões variam, mas sempre haverá pessoas que se destacam – e despertam inveja – por serem bonitas. Mas, se o belo sempre incomodou e até ofendeu, pela primeira vez na História o ressentimento de quem não suporta a beleza alheia ousou sair do armário.
Vocalizados e amplificados pelas redes sociais, o ressentimento ganha ares de virtude, e o “ódio do bem” prospera em um ambiente onde todos sentem prazer em apontar o dedo para o outro. Vinicius de Moraes seria hoje linchado em praça pública se pedisse desculpa às feias e afirmasse que a beleza é fundamental. Porque, na nossa sociedade, são as bonitas que devem se desculpar. Morte ao belo, morte a tudo que agrada aos sentidos: serão estes os lemas da nossa época?
Perguntas que não querem calar: qual será o tribunal que definirá o limite além do qual a beleza é inaceitável? Adotada essa norma, as mulheres que forem filmadas nos estádios devem entender que são consideradas feias? Isso não será uma forma de bullying? As jornalistas e apresentadoras atraentes estarão ameaçadas de perder seus empregos?
Em uma sociedade onde tudo ofende e todos se fazem de vítima, o alvo, desta vez, são as mulheres bonitas. Qual será o próximo passo? Proibir imagens de jovens, para não ofender os idosos? Proibir imagens de pessoas magras, para não ofender às gordas? Proibir imagens de pessoas altas, para não ofender as baixas? Proibir imagens de pessoas saudáveis, para não ofender às doentes? Proibir imagens de pessoas bem-sucedidas, para não ofender as fracassadas?
O mundo está doente, em vários aspectos. Mas, neste caso, a doença não está na beleza: está em quem se incomoda e se ofende com ela.
Luciano Trigo

Progressistas, reacionários, histeria e a longa marcha gramscista



Por que a esquerda sempre faz uma oposição histérica a toda e qualquer ínfima medida ou iniciativa que seja por ela tida como “antiprogressista” ou, pior ainda, “reacionária” e contrária ao seu “projeto de poder”?
Seja no quesito dos “direitos” dos homossexuais (“direitos”, no linguajar esquerdista, nada mais são do que deveres impingidos aos pagadores de impostos), nos privilégios raciais e sindicais, no feminismo, no desarmamento, no aborto financiado pelo estado, e até mesmo em tímidas propostas de reformas assistencialistas, a esquerda progressista sempre reage com um furor frenético contra qualquer pessoa — seja político, comentarista político ou apenas alguém da mídia alternativa — que se atreva a fazer algo que leve a um pequeno recuo destes sagrados esquemas socialistas.
O frenesi progressista que vem varrendo o mundo começou realmente no final dos anos 1930. Naquela época, vivendo em Nova York, minha família, meus amigos e meus vizinhos, todos esquerdistas, haviam chegado ao paroxismo do medo e da raiva por causa da contra-revolução de Franco e da iminente derrocada do governo espanhol esquerdista durante a Guerra Civil Espanhola. Superabundavam denúncias e vituperações lacrimosas contra Franco, além de contínuas exortações para que “alguma coisa fosse feita”. Houve a criação de organizações especializadas em enviar de tudo para a Espanha, desde leite até armas e soldados. Era a “Brigada Internacional”, criada para defender a esquerda espanhola (alcunhada de “Legalistas” pelo sempre simpatizante The New York Times e por outros veículos da mídia “respeitável”).
Vale enfatizar que estas pessoas jamais — nem antes e nem durante — haviam demonstrado qualquer tipo de interesse pela história, cultura ou política espanhola. Logo, por que repentinamente passaram a se preocupar com o país?
O historiador esquerdista Allen Guttman chegou até a documentar e celebrar esta histeria em relação à Espanha em seu livro A Ferida no Coração (o título já diz tudo). Certa vez perguntei ao meu amigo Frank S. Meyer, que havia sido um proeminente comunista americano, a respeito deste enigma. Ele deu de ombros: “Nós [os comunistas] nunca conseguimos entender o porquê. Mas tiramos proveito do sentimentalismo progressista da questão”.
A explicação ortodoxa dos historiadores é que os esquerdistas da época — cujo quartel-general, a fonte de financiamento, estava nos EUA — estavam especialmente temerosos quanto à “ameaça do fascismo”, e defendiam freneticamente a esquerda espanhola porque viam a Guerra Civil daquele país como um prenúncio de uma inevitável Segunda Guerra Mundial.
Mas o problema com esta explicação é que, embora a esquerda progressista houvesse defendido entusiasmadamente a “boa” Guerra contra o Eixo, ela nunca realmente arregimentou a mesma emotividade, a mesma exaltação, o mesmo furor que demonstrava em relação a Franco contra Hitler, por exemplo.
Então, qual a verdadeira explicação para a atual postura da esquerda em relação a temas cultural e economicamente progressistas?
Creio que uma pista pode ser encontrada na mini-histeria que a esquerda demonstrou a respeito da contra-revolução ocorrida contra o regime esquerdista da Salvador Allende no Chile, uma contra-revolução que colocou o General Augusto Pinochet no poder. A esquerda, até hoje, ainda não perdoou a direita chilena e a CIA por este golpe. Allende ainda é considerado um mártir querido pela esquerda, e sua filha Isabel, um ícone (embora ainda percam para Che Guevara).
Seria esta raiva tão duradoura só porque um regime comunista foi derrubado? Quase, mas ainda longe. Afinal, a esquerda não demonstrou grandes emoções, não demonstrou nenhum desespero, quando os regimes comunistas entraram em colapso na União Soviética e no Leste Europeu.
Logo, sugiro que ‘A Resposta’ para este mistério é a seguinte: a esquerda é, em sua essência, “progressista”, o que significa que ela acredita, à moda marxista, que a história consiste em uma ‘inevitável marcha ascendente’ rumo à luz, rumo à utopia socialista.
A esquerda progressista acredita no mito do progresso inevitável; ela acredita que a história está ao seu lado, sempre conspirando a seu favor. Sendo ela formada por social-democratas (mencheviques), primos dos comunistas (bolcheviques) — com quem vivem entre tapas e beijos —, a esquerda progressista possui um objetivo similar ao dos comunistas, mas não idêntico: um estado socialista igualitário, gerido totalmente por burocratas, intelectuais, tecnocratas, “terapeutas” e pela Nova Classe iluminada, geralmente em colaboração com — e sempre sendo apoiada por — credenciados membros de todos os tipos de grupos vitimológicos, aquela gente que se diz perseguida e que vive lutando por “direitos iguais” — sendo que o ‘iguais’ significa na verdade ‘superiores’. Estes grupos são formados por negros, mulheres, gays, lésbicas, trans, índios etc.
A esquerda progressista acredita que a história está marchando inexoravelmente rumo a este objetivo. Uma parte vital deste objetivo é a destruição da família tradicional, “burguesa” e composta de pai e mãe, que deve ser substituída por um sistema em que as crianças são criadas e educadas pelo estado e por sua Nova Classe de orientadores, tutores, terapeutas e demais “cuidadores” infantis.
A utópica marcha da história, objetivo dos social-democratas, também é similar à dos comunistas, mas não exatamente a mesma. Para os comunistas, o objetivo era a estatização dos meios de produção, a erradicação da classe capitalista, e a tomada de poder pelo proletariado. Já os social-democratas entenderam ser muito melhor um arranjo em que o estado socialista mantém os capitalistas e uma truncada economia de mercado sob total controle, regulando, restringindo, controlando e submetendo todos os empreendedores às ordens do estado. O objetivo social-democrata não é necessariamente a “guerra de classes”, mas sim um tipo de “harmonia de classes”, na qual os capitalistas e o mercado são forçados a trabalhar arduamente para o bem da “sociedade” e do parasítico aparato estatal. Os comunistas queriam uma ditadura do partido único, com todos os dissidentes sendo enviados para os gulags. Já os social-democratas preferem uma ditadura “branda” — aquilo que Herbert Marcuse e a Escola de Frankfurt, em outro contexto, rotularam de “tolerância repressiva” —, com um sistema bipartidário em que ambos os partidos concordam em relação a todas as questões fundamentais, discordando apenas polidamente acerca de detalhes triviais — “a carga tributária deve ser de 37% ou de 36,2%?”.
Liberdade de expressão, de imprensa e de ideias é tolerada pelos social-democratas, mas desde que ela se mantenha dentro de um espectro de opiniões pré-aprovadas. Os social-democratas repelem a brutalidade dos gulags; eles preferem fazer com que os dissidentes padeçam da “suave” e “terapêutica” ditadura do politicamente correto, na qual eles forçosamente têm de aprender as maravilhosas virtudes de ser educado na “dignidade de estilos de vida alternativos”, sempre submetidos a um intenso “treinamento de sensibilidade”. Em outras palavras, Admirável Mundo Novo em vez de 1984. A “marcha ascendente da democracia” em vez da “ditadura do proletariado”.
Também típica é a distinção, nas duas utopias, acerca de como lidar com a religião. Os comunistas, como fanáticos ateístas, tinham o objetivo de abolir por completo a religião. Já os social-democratas preferem uma abordagem mais suave: subverter o cristianismo de modo a fazer com que a religião se torne aliada da social-democracia. Daí a sagaz cooptação da esquerda cristã pelos social-democratas: enfatizando o modernismo entre os católicos e o evangelicalismo esquerdo-pietista entre os protestantes — este último objetivando criar um Reino de Deus na Terra na forma de uma coerciva e igualitária “comunidade de amor”.
Trata-se de uma estratégia muito mais astuta: cooptar religiosos em vez de assassinar padres e freiras e confiscar igrejas — esta última feita pelo regime republicano espanhol e por seus partidários trotskistas e anarquistas de esquerda, algo que não gerou absolutamente nenhum grito de protesto por parte de seus devotos defensores progressistas e social-democratas ao redor do mundo.
Esta distinção nos objetivos — totalitarismo brando vs. radical — também é refletida na acentuada diferença entre as estratégias e os meios utilizados. Os comunistas, ao menos em sua clássica fase leninista, ansiavam por uma revolução violenta e apocalíptica que destruiria o estado capitalista e levaria à ditadura do proletariado. Já os mencheviques — social-democratas ou neoconservadores —, fieis ao seu ideal “democrático”, sempre se sentiram um tanto desconfortáveis com a ideia de revolução, preferindo muito mais a “evolução” gradual produzida pelas eleições democráticas.
Para os mencheviques, o estado deve ser totalmente aparelhado por intelectuais partidários e simpatizantes, de modo a garantir a continuidade da longa marcha gramsciana da conquista das instituições culturais e sociais do país. Daí a desconsideração pelos gulags e pela revolução armada. Por isso o desaparecimento de seus primos (e concorrentes) bolcheviques não ter sido lamentado pelos social-democratas. Muito pelo contrário: os social-democratas agora detêm o monopólio da marcha “progressista” da história rumo à Utopia.
O que me traz de volta à minha ‘Resposta’ sobre o porquê da histeria da esquerda progressista: ela se torna histérica sempre que percebe a ameaça de uma pequena reversão na Inevitável Marcha da História. Ela se torna histérica quando visualiza alguns empecilhos e, principalmente, retrocessos nesta sua inexorável marcha ao poder total, retrocessos estes que sempre são rotulados, obviamente, de “reações”. Na visão de mundo tanto de comunistas quanto de social-democratas, a mais alta — desde que “progressista” — moralidade é se mostrar não apenas um defensor, mas também, e principalmente, um entusiasmado fomentador da ‘inevitável próxima fase da história’. É ser a “parteira” (na famosa expressão de Marx) desta fase.
Da mesma forma, a mais profunda, se não a única, imoralidade é ser “reacionário”, ser alguém dedicado a se opor a este inevitável progresso — ou, pior ainda, alguém dedicado a fazer retroceder a maré, a restaurar costumes enraizados, a “atrasar o relógio”.
Este é o pior pecado de todos, e ele gera todo este frenesi justamente porque qualquer retrocesso bem-sucedido colocaria em dúvida aquele que é o mais profundo e o mais inquestionavelmente aceito mito “religioso” da esquerda progressista: a ideia de que o progresso histórico rumo à sua Utopia é inevitável.
Trata-se, no mais profundo sentido, de uma guerra não apenas cultural e econômica, mas religiosa. “Religiosa” porque social-democracia/progressismo de esquerda é uma visão de mundo passional, uma “religião” no mais profundo sentido, pois guiada unicamente pela fé: trata-se da ideia de que o inevitável objetivo da história é um mundo perfeito, um mundo socialista igualitário, um Reino de Deus na Terra, seja este deus “panteizado” (sob Hegel e os adeptos do Romantismo) ou ateizado (sob Marx).
Esta é uma visão de mundo em relação à qual não deve haver concessões ou clemência. Ela deve ser contrariada e combatida veementemente, com cada fibra de nosso ser.
Quem vai vencer essa guerra? Não se sabe. De que lado está a maioria da população? Certamente perdida, disponível para quem chegar primeiro. A maioria está confusa, vagando de um lado para o outro, dividida entre visões de mundo conflitantes. Ela pode pender para qualquer lado.
Durante suas inúmeras batalhas faccionárias dentro do movimento marxista, Lênin certa vez escreveu que há dois grupos batalhando, cada um formado pela minoria da população, sendo que a maioria está no centro, e é formada justamente pelas pessoas confusas, às quais ele se referiu como O Brejo. A maioria da população hoje está confusa e constitui O Brejo; estas pessoas estão no terreno no qual a maioria das batalhas será disputada. E a metáfora é corretamente militar. A batalha iminente é muito mais ampla e profunda do que apenas discutir alíquotas de impostos. Trata-se de uma batalha de vida e morte pelo formato do nosso futuro. Daí se compreende o frenesi que acomete a esquerda sempre que uma medida “reacionária” parece ser favorecida pela sociedade.
A esquerda progressista não se importa muito com — na verdade, ela até gosta de — pequenos revezamentos de poder: uma década de governos abertamente progressistas, nos quais a agenda esquerdista é avançada, seguida de alguns anos de governo “oposicionista” ou “conservador”, no qual há apenas uma consolidação ou simplesmente uma redução na velocidade do avanço. O que ela realmente teme é a perspectiva do conservadorismo se tornar reacionário, no sentido de realmente fazer retroceder alguns ganhos “progressistas”. É isso que a apavora.
Daí a histeria em relação a Franco e a Pinochet; daí o linchamento de Joe McCarthy, que realmente ameaçou ser bem-sucedido em fazer recuar não apenas os comunistas, mas até mesmo os progressistas e social-democratas. Ameace retroceder “direitos” obtidos por grupos de feministas, de gays, de negros, de desarmamentistas, de funcionários públicos, de sindicalistas ou de qualquer outro do ramo vitimológico, e você verá o que é uma fúria progressista.
Portanto, o combate requer, principalmente, coragem e nervos para não ceder e não se dobrar perante as totalmente previsíveis reações caluniosas e difamantes dos oponentes. Acima de tudo, o objetivo não deve ser o de se tornar querido e bem aceito por progressistas ou pela Mídia Respeitável. Tal postura irá gerar apenas mais rendição, mais derrotas. Igualmente, o objetivo não é apenas o de fazer retroceder o estado leviatã, sua cultura niilista(doutrina filosófica que indica um pessimismo e ceticismo extremos perante qualquer situação ou realidade possível. Consiste na negação de todos os princípios religiosos, políticos e sociais) e estas pessoas que querem se apossar do estado e impor sua agenda sobre nós. O objetivo tem de ser a eliminação completa e irreversível deste monstruoso sonho de um Perfeito Mundo Socializado gerido por “pessoas de bem”.
Que a reação ocorra, que os “direitos” sejam retrocedidos, que esta gente recue, entre em órbita e finalmente perceba que, na realidade, sua religião é maléfica.
Murray N. Rothbard
(1926-1995)

URSS: feminismo, aborto, divórcio, amor livre



Em 1920, a União Soviética tornou-se o primeiro país do mundo a garantir às mulheres o direito ao aborto legal. Dois anos antes, em 1918, o Código da Família, promulgado pelos bolcheviques, havia instituído o casamento civil em substituição do casamento religioso e estabelecido o divórcio a pedido de qualquer um dos cônjuges. O governo que emergiu da Revolução Comunista de 1917 também incentivou a educação feminina e encorajou as mulheres a assumirem os mesmos postos de trabalho que os homens pelos mesmos salários.
A ambição dos bolcheviques ia além de garantir às mulheres os mesmos direitos dos homens. Os revolucionários acreditavam que, na sociedade socialista, seria possível libertar a mulher das tarefas domésticas que, segundo Lenine, embruteciam a mulher e a impediam de participar da vida social e política.
Segundo a historiadora americana e professora da Carnegie Mellon University, Wendy Goldman, os ideais de emancipação da mulher e o amor livre que inspiraram o movimento feminista ocidental nos anos 60 e 70 já eram debatidos nos primeiros anos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), na década de 1920. Em «Mulher, Estado e Revolução: política familiar e vida social soviética entre 1917 e 1936», escrito em 1993, mas publicado agora no Brasil, Goldman reconta a história do “verão do amor” soviético.
As leis que garantiam os direitos das mulheres soviéticas eram tão avançadas que, segundo Goldman, até hoje algumas delas ainda não foram adoptadas por países ocidentais. A legislação soviética previa a igualdade entre homens e mulheres. «As legislações de muitos países não dizem que homens e mulheres serão tratados igualmente. Nos Estados Unidos, nos anos 70, nós tentamos aprovar uma emenda constitucional que afirmasse que a igualdade entre homens e mulheres, mas ela não foi aprovada», diz.
Para libertar as mulheres, foi proposta a socialização do trabalho doméstico. As tarefas realizadas em casa – e de graça – pelas mulheres passariam a ser feitas por profissionais assalariadas em creches, restaurantes comunitários e lavandarias públicas. O fim do trabalho doméstico era apenas um passo, o objectivo dos bolcheviques era o fim da família, pelo menos como figura jurídica. «Os revolucionários marxistas viam a família como uma organização que mudava com o passar do tempo. As famílias dos tempos das cavernas eram diferentes das famílias que viviam sob o feudalismo, que eram diferentes das famílias do capitalismo», afirma. Os bolcheviques acreditam que as condições do socialismo possibilitariam o desaparecimento da família como ela existe no capitalismo. «O que não significa que as pessoas deixariam de se amar, de se relacionar umas com as outras e de se relacionar com seus filhos. Mas a família baseada na dependência financeira e na coacção desapareceria.»
Na década de 1920, as mulheres soviéticas começaram a ocupar mais e mais postos de trabalho nas indústrias e creches e os restaurantes estatais se encarregavam das tarefas antes consideradas domésticas. As novas condições materiais somadas à facilidade para se casar e se divorciar e o acesso ao aborto permitiram o surgimento de novos arranjos familiares, baseados no amor livre, e não na dependência económica.
No entanto, «a experiência de liberdade foi muito dolorosa para as mulheres», afirma Goldman. A facilidade para divorciar levou muitos homens soviéticos a terem relacionamentos breves com mulheres, engravidá-las e abandoná-las. A irresponsabilidade masculina tornou as mulheres mais conservadoras. Elas passaram a exigir o fortalecimento da família e que os homens fossem obrigados a pagar pensão alimentícia, já que o Estado soviético não tinha recursos para cuidar de todos os filhos do amor livre.
Em 1936, o governo de Josef Estaline decretou um conjunto de leis cujo objectivo era valorizar a família, dificultar o divórcio e proibir o aborto. A proibição, que só vigorou até 1955, não resultou na diminuição do número de abortos. «Em 1938, o número de abortos era tão alto quanto em 1935, quando ainda era legal», afirma Goldman.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

VAI CROACIA!

Uma acusação de neonazismo aqui, uma crítica ao “nacionalismo exacerbado” ali, e pronto: a Croácia, finalista da copa do mundo de futebol a duras penas — sobreviveu a três prorrogações e venceu duas disputas de pênaltis — , virou a representante oficial da extrema-direta no torneio, em mais um episódio de pura distorção e omissão de fatos históricos que ajuda a entender porque a credibilidade da grande mídia despenca a cada dia.

Até 1991, quando recuperou sua condição de nação independente, a Croácia, juntamente com Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro, Sérvia e Eslovênia, fazia parte da República Socialista da Iugoslávia, um leviatã comunista formado logo após o desfecho da segunda guerra mundial. O povo croata reconquistou sua liberdade às custas de muito derramamento de sangue durante embates contra o governo central, e sua saída do bloco marxista-leninista seria o estopim para a total dissolução posterior, em 2003.

Imperdoável: os croatas foram responsáveis diretos pela queda de um regime coletivista, marcado pelo dirigismo estatal. Aqui já dá para começar a entender a ira da imprensa tradicional com o pequeno país do Leste Europeu.

Mas não é só isso.

Cerca de 87% dos croatas são católicos romanos batizados. Como em qualquer lugar tomado por comunistas, a fé cristã foi alvo de perseguições e restrições estatais durante quase meio século.

Em 1946, o ditador iugoslavo Josip Broz “Tito” introduziu a “Lei dos Livros de Registro do Estado”, que permitiu o confisco de registros da igreja e outros documentos similares. Em 1952, foi proibida toda a educação religiosa em escolas públicas. Naquele ano, o regime também expulsou a Faculdade Católica de Teologia da Universidade de Zagreb, o qual não foi restaurada até as mudanças democráticas no inícios da década de 1990.

E não é difícil de compreender este notável antagonismo: ora, o catolicismo representa um obstáculo à implantação da agenda revolucionária. A título de exemplo, 20 mil pessoas marcharam contra o aborto na Croácia em 2017, protestando contra uma lei que permite o assassinato de bebês no útero materno até a décima semana de gestação, a qual foi aprovada, vejam vocês, em 1978, pela ditadura comunista.

Mas tem mais caroço neste angu.

O adversário da Croácia na final do campeonato mundial é a “multicultural” França, uma equipe formada por um sem número de estrangeiros naturalizados — para delírio daqueles que defendem a total abertura das fronteiras nacionais.

Sabedora dos efeitos nefastos da imigração em massa — Suécia, Alemanha, Inglaterra e a própria França experimentam graves elevações em todos os índices de criminalidade e aumentaram substancialmente seus gastos com bem-estar social — , a Croácia, a seu turno, tem tomado precauções contra a entrada de imigrantes ilegais desde 2015.

Ou seja, a decisão da copa da FIFA será entre um time “fofo acolhedor de refugiados” contra um selecionado branco feito papel: tudo leva a crer que uma eventual vitória da Croácia será considerada “racista e xenófoba”, como ocorreu após a Inglaterra eliminar a Colômbia — sim, acredite; Paul Joseph Watson narrou a reação histérica da Europa na ocasião.

A corrupta FIFA, sob influência de entidades globalistas, não vai descansar enquanto um país sem tradição alguma no esporte ganhar a taça do mundo — já há propostas para incluir 48 seleções em 2026. Seria a criação de “cotas” nas finais o próximo passo para mudar esta realidade onde apenas “impérios colonialistas” decidem o torneio?

E não acabou por aí: Logo depois das quartas de final, o zagueiro Demogoj Vida e o assistente técnico Ognjen Vulkojevic apareceram em vídeos dizendo “Slava Ukraini”, expressão que pode ser traduzida como “Glória à Ucrânia”. É claro que o episódio foi suficiente para que militantes disfarçados de jornalistas caracterizassem a referência como “ultranacionalista”, e até mesmo punições e advertências foram aplicadas pela FIFA.

Ucrânia e Croácia viveram à sombra das dominações russa (na União Soviética) e sérvia (na Iugoslávia). A afinidade é, portanto, natural: os nacionalismos croata e ucraniano são uma questão de sobrevivência de suas culturas — idioma, costumes, referências históricas, e por aí vai.

Afirmação de identidade, aos olhos de quem “analisa” os fatos já com a pauta pronta, vira “fascismo”. Matérias com este teor servem ainda, por óbvio, como cutucadas indiretas em políticos como Donald Trump, Jair Bolsonaro ou qualquer outro agente político “ultraconservador” que cogite rejeitar a nova ordem mundial.

Para fechar com chave de ouro a opressão croata na Rússia, a presidente da Croácia é uma linda loira (para desespero das feministas cuja inveja da beleza alheia insuflou a organização da copa a proibir que mulheres bonitas sejam mostradas pela geração de imagens das partidas), que paga do próprio bolso seu ingresso para assistir aos jogos, banca suas próprias despesas e ainda abriu mão do salário durante o período — totalmente ao contrário de Dilma Roussef, que costumava hospedar-se em suítes presidenciais de hotéis caríssimos jogando a conta para os pagadores de impostos.

Ah, ela ainda presenteou Trump com uma camiseta da Croácia e tirou uma foto com ele. Só faltou perguntar aos esquerdistas de plantão: “como posso te irritar mais hoje?”.


Então ficamos assim: o ideal seria não misturar esporte e política, mas isso iria contra os princípios de ação da estratégia dos neomarxistas. Eles precisam problematizar tudo, dividir a sociedade a todo instante, e não nos deixam em paz nem na hora de ver um futebolzinho. Esta “copa da lacração”, onde até mesmo palhaçadas de turistas bêbados viraram crime e beijo na bochecha virou estupro, é um marco na história do movimento revolucionário, pois o entretenimento foi deixado de lado em nome da imposição de temas caros aos “progressistas”.

IDI HRVATSKOJ — VAI, CROÁCIA!!!!!!


Ricardo Bordin

Atua como Auditor-Fiscal do Trabalho, e no exercício da profissão constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde NÃO são os empreendedores. Formado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) como Profissional do Tráfego Aéreo e Bacharel em Letras Português/Inglês pela UFPR.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Quanto o governo federal brasileiro realmente gasta com a dívida? Não é o que dizem os demagogos

Eis um cenário:

Estou precisando de dinheiro. Algo em torno de R$ 800. Você me oferece esse valor emprestado com a condição de que eu lhe devolva R$ 1.000 daqui a dois anos.
Aceito a proposta.
Passam-se dois anos e, como combinado, eu lhe devolvo R$ 1.000.
Pois bem.
Primeira pergunta: qual foi o valor monetário que paguei de juros para você? Correto, R$ 200.
Segunda pergunta: qual seria a sua reação se, no momento da quitação do empréstimo, eu reclamasse dizendo que você está me gerando uma despesa de R$ 1.000?
Em outras palavras, como você reagiria se eu reclamasse dizendo que a quitação deste empréstimo gerou uma redução de R$ 1.000 em minha renda disponível?
Faz sentido eu dizer que o meu gasto total com ssa dívida foi de R$ 1.000?
O que é seu e o que é meu
Repare: você me emprestou R$ 800 e eu, depois de 2 anos, devolvi R$ 1.000. Destes R$ 1.000, R$ 800 eram seus. Esses R$ 800 são um valor que eu nem sequer teria se você não os tivesse me emprestado. Eles são a quantia que você me emprestou e que eu, agora, estou devolvendo.
Logo, o que eu realmente estou pagando a mais, e que não eram originalmente seus, são os R$ 200 de juros.
Portanto, não faz sentido eu dizer que a minha despesa com a dívida foi de R$ 1.000.
De novo: dos R$ 1.000 que devolvi para você, R$ 800 eram originalmente seus. Eu não teria estes R$ 800 se não fosse pelo seu empréstimo. Eu não teria como gastar R$ 800 se não fosse por você. Logo, devolver os R$ 800 que eram seus e que nunca foram meus não pode ser considerado uma despesa que irá consumir parte da minha renda. Esse dinheiro nunca foi meu. Não faz sentido computar como gasto o simples retorno de algo que não é meu.
Portanto, dos R$ 1.000 que paguei para você, apenas R$ 200 são realmente um gasto que irá afetar a minha renda.
Logo, minha verdadeira despesa com o serviço da dívida — no caso, a amortização total do empréstimo — é de R$ 200, e não de R$ 1.000.
O mesmo vale para uma amortização prematura
Continuemos com este mesmo cenário.
Se você me empresta R$ 800 e eu prometo devolver R$ 1.000 daqui a dois anos, então temos que a taxa de juros total durantes estes dois anos é de 25%.
E 25% de juros durante dois anos equivalem a 11,80% ao ano.
Pois bem.
Imagine que, depois de um ano, eu lhe ofereça R$ 900 para quitar todo o empréstimo. Ou seja, você me emprestou R$ 800 e eu, após um ano, ofereço devolver R$ 900 para encerrar a dívida.
R$ 900 sobre R$ 800 representam um ganho de 12,5% ao ano, que é mais que a taxa de juros original (que era de 11,80% ao ano). Sendo assim, você aceita a proposta.
Nova pergunta: qual foi a minha despesa com a dívida? Exato, apenas R$ 100. E não R$ 900.
Dos R$ 900 que paguei para você, R$ 800 eram seus e estou apenas devolvendo. Eu não teria como gastar esses R$ 800 se não fosse por você. Já os outros R$ 100 eu realmente tive de arranjar, e eles, de fato, representam uma despesa que afeta minha renda disponível.
Vamos agora ao último exemplo.
Refinanciamento
Suponha agora que, no dia de quitar a dívida, eu não tenha em mãos os R$ 1.000 para dar para você.
Porém, como tenho vários amigos, recorro a outro amigo e peço R$ 1.000 emprestados.
Ato contínuo, corro até você e lhe dou os R$ 1.000 e você fica satisfeito.
Observe que, neste cenário, duas coisas ocorreram:
1) Minha dívida não se alterou. Não houve amortização porque minha dívida total permaneceu a mesma. Eu apenas troquei de credor. Quitei meu empréstimo com você, mas agora terei de me virar com outro credor.
2) Ao contrário do que ocorre na amortização, não tive nenhuma despesa aqui. Simplesmente peguei dinheiro emprestado para saldar uma dívida que estava vencendo. Nada saiu do meu orçamento. Minha capacidade de gasto presente não foi afetada.
Isso se chama refinanciar a dívida.
Entendido tudo isso, vamos agora à prática.
Demagogia e má fé
Populistas e demagogos que dizem que o governo federal brasileiro gasta metade do seu orçamento com a dívida pública estão incorrendo no erro — extremamente amador — ilustrado acima. Eles misturam no mesmo balaio gasto com juros, amortização e refinanciamento.
Isso é ou ignorância ou má fé.
Comecemos pelo básico.
As rubricas que mais interessam são “Juros e Encargos da Dívida”, “Amortização da Dívida” e “Amortização da Dívida — Refinanciamento”.
A rubrica “Juros e Encargos da Dívida” se refere, como o próprio nome diz, aos juros que o governo paga sobre determinados títulos. Quem opera Tesouro Direto sabe que há títulos que pagam juros a cada 6 meses e há títulos que não pagam esses juros semestrais, pois pagam tudo (principal mais juros) na data de vencimento. Essa rubrica “juros e encargos da dívida” se refere exclusivamente os títulos que pagam juros semestralmente.
Já a rubrica “Amortização da Dívida” se refere exatamente à prática ilustrada no exemplo do início deste artigo. É quando o governo quita parte da sua dívida, recomprando títulos em posse de investidores (pode ser na exata data do vencimento ou pode ser uma amortização prematura). Como descrito no exemplo, ao fazer isso, o governo paga principal mais juros. Pagar o principal é apenas retornar ao proprietário aquilo que não é dele (do governo). O governo não teria como gastar não fosse o empréstimo desse principal. Já os juros, de fato, podem ser considerados “uma despesa que afeta o orçamento”.
Por fim, a rubrica “Amortização da Dívida — Refinanciamento” se refere também àquilo que foi descrito no exemplo acima. É quando o governo “rola a dívida”, ou seja, quando ele se endivida para quitar outra dívida. Neste caso, a dívida total não se altera. Tampouco se pode dizer que foi uma despesa que afetou o orçamento do governo, pois ele pegou emprestado um dinheiro que não estava em seu orçamento para quitar essa dívida. Ele não usou nenhum dinheiro de imposto para fazer essa rolagem.
Tendo entendido isso, a lógica nos permite concluir que a real despesa do governo com o serviço da dívida envolve apenas aqueles gastos com juros, e não com principal ou com rolagem. Dado que o governo nem sequer teria como gastar se não houvesse pegado emprestado o principal, a simples devolução deste principal não pode ser considerada uma despesa adicional. E dado que a rolagem da dívida é feita com mais empréstimos, e não com dinheiro do orçamento, não se pode dizer que tal prática representa um gasto do orçamento do governo.
Portanto, a real despesa do governo com o serviço da dívida seria a rubrica “Juros e Encargos da Dívida” mais uma parte (apenas os juros) da rubrica “Amortização da Dívida”.
Porém, dado que a rubrica amortização envolve o pagamento tanto de principal quanto de juros, é impossível separar ali o que é principal e o que é juros.
Por isso, pelo bem do debate, vamos fazer uma estimativa completamente exagerada e supor que, daquele valor amortizado (R$ 320,4 bilhões), 50% são juros. De novo, isso é extremamente exagerado, mas vamos supor assim pelo bem do debate.
Temos, portanto, que, em 2017, as reais despesas do governo com a dívida foram de R$ 203,11 bilhões (rubrica “Juros e Encargos da Dívida”) + R$ 160,20 bilhões (metade da rubrica “Amortização da Dívida”) = R$ 363,31 bilhões.
Dado que as despesas totais do governo (excluindo refinanciamento) foram de R$ 2 trilhões, temos que os gastos com o serviço da dívida, em uma estimativa bastante exagerada, representaram 18% dos gastos totais do governo.
É muito? Sim, é muito, mas bem menos do que gritam os demagogos, que afirmam que os gastos com a dívida representam metade do orçamento do governo.
E, ainda que você cometesse o erro técnico de somar a totalidade das amortizações, isso daria um total de R$ 523 bilhões. Logo, ainda assim você teria uma despesa com a dívida que seria de 26% do orçamento.
Alta? Bastante. Mas ainda muito longe dos 50% gritado pelos populistas.
E como então eles chegaram a esse valor de 50%? Simples: eles somaram tudo (juros e encargos mais amortizações e mais refinanciamento) e dividiram por R$ 2 trilhões (que é uma despesa que exclui o refinanciamento, o que deixa o denominador menor).
Aí dá 49% do orçamento do governo. Uma total impostura intelectual.
Conclusão
Vale ressaltar quatro obviedades:
1) Devolver o principal é devolver algo que nunca foi seu. Mais ainda: é devolver um valor que você nem sequer teria gasto caso não tivesse conseguido emprestado.
Mas isso ainda é o de menos.
2) A despesa do governo com os juros da dívida é de 18% do orçamento. É muito? Bastante. De cada 5 reais, aproximadamente um real vai para os juros.
Mas isso é muito menor do que os 50% dito pelos demagogos.
3) Mesmo que você cometa o erro de considerar a totalidade das amortizações como “despesa com a dívida”, essa despesa equivalerá a 26% do orçamento. Isso significa que, de cada R$ 5, R$ 1,30 vai para juros e amortização.
Mas agora vem o que realmente importa.
4) O governo gasta muito com os juros da dívida porque se endividou muito. E ele se endividou muito porque gastou mais do que arrecadou. E ele gastou mais do que arrecadou exatamente porque adotou as políticas populistas defendidas por esses mesmos demagogos que criticam os gastos com juros.
A dívida não surgiu do nada. Ela é a simples e inevitável consequência dos gastos. Foi exatamente para gastar mais que o governo se endividou.
Defender mais gastos públicos por meio de um estado intervencionista e onipresente — como fazem os demagogos e populistas —, mas xingar as consequências desses gastos (aumento da dívida e das despesas com juros) é sintoma de dissonância cognitiva.
É atitude de quem não compreende nem mesmo o princípio mais elementar da matemática contábil.
Thiago Fonseca