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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

A GRANDE MENTIRA


Depois do maior “fake” da História, do “Holofake”, temos que conviver agora com com a GRANDE MENTIRA do “clima fake”. Promovida principalmente por áreas que hoje se chamam de esquerda, globalistas, tem abrangência mundial e está influenciando negativamente muitas vidas e atividades. 
Criminaliza-se tudo que possa contribuir para um suposto Aquecimento Global através da emissão discriminada de CO₂ – Dióxido de Carbono. Aí começa a mentira, um aquecimento existe, sim, mas nada tem a ver com o CO₂, é resultado do ciclo das manchas solares e não é nada catastrófico. Medições feitas na Europa Central entre 1672 e 1988 mostram a coincidência da maior o menor temperatura média com a maior ou menor atividade na superfície solar. Ambas ocorrem de forma cíclica, sugerindo que uma influencia a outra. O gráfico abaixo deixa claro, que a maior diferença constatada entre maior e menor temperaturas médias foi de pouco mais de 1 grau. Isto, é bom lembrar, num período de 316 anos.
Enquanto isto a história do Dióxido de Carbono é fake desavergonhado. Imagine-se na nossa atmosfera terrestre, representada nas suas proporções no pequeno gráfico anexo, a participação atual do CO₂ sendo igual a 0,03 a 0,04%. Onde a composição total do ar é de 1/5 oxigênio, 4/5 nitrogênio e em doses mínimas,os gases árgon, hélio, crípton, xênon, dióxido de carbono, hidrogênio, ozônio. As camadas ainda têm temperaturas diferentes, aqui citadas em seu limite superior: A Troposfera na região polar de -40 a -65ºC , nos trópicos de -75 a -80ºC. A estratosfera mais ou menos constante de -50 a -60 ºC. A Mesosfera chega a registrar em sua parte inferior até +50, descendo na superior a -80ºC. Na Termosfera, como já diz o nome, a temperatura volta a subir. Na Exosfera a gravidade da terra praticamente deixa de exercer atração aos seus componentes que dissipam-se no espaço em intercâmbio com matéria cósmica.
Então é de perguntar: se hoje, com toda a alegada superprodução de CO₂ por fábricas, combustíveis fósseis, queimadas, puns de gado, escapando pelos vulcões e aberturas na crosta terrestre, etc. ainda assim representa no todo quantidade tão inexpressiva, como pode significar tamanho perigo para a humanidade?
Dióxido de carbono, vítima da destrutiva política ambiental, capitaneada pelos Macrons e Merkels da vida, trombeteada e promovida por centenas de organizações e ONGs, na verdade não faz mal a quem quer que seja, ao contrário, é parte indispensável da cadeia alimentar dos vegetais.
Frequentemente as autoridades vêm nos alertando para prestarmos atenção às “fake news”, pois haveria muita gente postando noticiário falso por aí.
É de dizer “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

sábado, 28 de setembro de 2019

Greta Thunberg e Izabella Nilsson Jarvandi



Nessa foto [acima – NT] figuram duas meninas suecas; a da esquerda chama-se Greta Thunberg, tem 16 anos e sofre de “Síndrome de Asperger”, uma perturbação do espectro autista com implicações ao nível do desenvolvimento. Esta menina tornou-se, entretanto, famosa porque tem vindo a ser utilizada de forma abusiva pela ONU e nomeadamente pelo seu secretário-geral – António Guterres – para divulgar e promover a agenda globalista [do ‘Aquecimento Global’ – NT].
Já a menina da direita chama-se Izabella Nilsson Jarvandi [1], tem 15 anos e é uma jovem ativista que vem se manifestando publicamente e de megafone em punho, junto a edifícios públicos suecos, em apoio às políticas de defesa da família e protestando precisamente contra o “Globalismo”, contra a imigração ilegal e descontrolada, contra a “Ideologia de Gênero” e a doutrinação LGBT e contra as correntes políticas e ideológicas que estão destruindo o seu país e a civilização ocidental.
Ou seja: ambas as adolescentes são suecas, as duas defendem publicamente as suas convicções, mas apenas a da esquerda – a Greta – é apoiada, acarinhada e mundialmente conhecida, ao passo que a da direita – a Izabella – permanece praticamente desconhecida, é completamente ignorada pelos meios de comunicação social e nunca foi chamada aos grandes palcos políticos para dizer sua posição!
Izabella Nilsson-Jarvandi em megafone em praça na Suécia. I Imagem: Nya Tider via GAB.
Resumindo e concluindo: Greta serve a agenda liberal, apoiada pelo “establishment” e Izabella representa a oposição a esses mesmos propósitos, é a nossa voz, a voz do povo cerceada .
Eu descobri a Izabella e vim aqui dizer-lhes que ela existe, que ela é corajosa, lutadora e determinada e que por tudo isso merece nossa atenção, o nosso carinho e o nosso apoio. Assim sendo, vão lá ao buscador (recomendamos o duckduckgo), cliquem e compartilhem sua mensagem, nossa voz!
Fonte: Ressurreição Nacionalista

É o Banco Mundial que está destruindo as Universidades Públicas no Brasil

Banco privado B.I.S. – o Banco Central dos Bancos Centrais com sede na cidade da Basileia, Suíça (paraíso fiscal) – através das suas instituições satélites – essencialmente, o Banco Mundial (BIRD), a Corporação Financeira Internacional (IFC – BIRD) e a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA – BIRD) – está re-configurando a Educação em todo o planeta, transformando-a em um Sistema Corporativo de Educação Privada, segundo os moldes desenvolvidos pelo BIRD. No final deste artigo demonstraremos com simples comunicados à imprensa liberados pelo Banco Mundial que, desde 2006, esta instituição financeira já injetou mais de R$ 1 bilhão em apenas algumas empresas brasileiras de educação privada. 


relatório do Banco Mundial, Um Ajuste Justo - Análise da Eficiência e Equidade do Gasto Público no Brasil (21.11.2017), encomendado pelo Governo Federal brasileiro, apesar de admitir que “o principal achado de nossa análise é que alguns programas governamentais beneficiam os ricos mais do que os pobres, além de não atingir de forma eficaz seus objetivos” e que “os subsídios previdenciários beneficiam principalmente a classe média e os mais ricos” e de afirmar o que já foi comprovadamente desmentido “O nível de gastos do sistema previdenciário tende a piorar rapidamente nos próximos anos devido à mudança demográfica. Se nada for feito, o aumento das despesas projetadas em RPPS (o regime de previdência dos funcionários públicos) em nível federal e RGPS (o regime de previdência geral) ocupará todas as despesas sob o teto de gastos até 2030” sugere, entre outras coisas, “alocação dos recursos públicos [para entidades privadas]” e “necessidade de introduzir o pagamento de mensalidades em universidades públicas para as famílias mais ricas e de direcionar melhor o acesso ao financiamento estudantil para o ensino superior (programa FIES).

Na 5ª Conferência da Educação Privada Internacional, realizada no Dubai (2012) IFC apresenta-se como “o maior investidor multilateral do mundo em educação privada em mercados emergentes” e esclarece que levanta “capital através de emissões de títulos no mercado internacional de capitais para financiar empréstimos a clientes e manter nossa força financeira”. O IFC investe no fortalecimento do sistema internacional de ensino privado em eventos internacionais, tais como: Global Business SchoolNetworkInternational and PrivateSchools Education Forum.

Entretanto, as Universidades federais e estatais do Brasil estão em risco de fechar as portas devido aos cortes orçamentais. O argumento usado para justificar tais cortes é exatamente o mesmo usado em defesa do modelo da Reforma da Previdência proposto pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes: a [fabricada] crise financeira.


Numa tão conveniente simultaneidade, eis que surge o Ministério da Educação (MEC) com o seu Programa Future-se, abrindo as portas para o financiamento privado das Universidades Federais e Estatais, apresentando-se como um meio de “fortalecimento da autonomia administrativa, financeira e da gestão das universidades e institutos federais” e de “propiciar os meios para que departamentos de universidades/institutos arrecadem recursos próprios, estimulando o compartilhamento de conhecimento e experiências entre eles; autorizar naming rights (ter o nome de empresas/patrocinadores e patronos na instituição) nos campi e em edifícios, o que possibilitaria a manutenção e modernização dos equipamentos com apoio do setor privado. (...) permite que universidades e institutos aumentem as receitas próprias por meio de fomento à captação de recursos próprios e com maior segurança jurídica”.

O Programa Future-se afirma que “As instituições que não aderirem [ao programa] continuarão a receber os recursos do governo federal como já acontece hoje (...) [e que] As universidades não serão privatizadas. O governo federal continuará a ter um orçamento anual destinado para as instituições. (...) [O programa] Trata-se de um fundo de direito privado que permitirá o aumento da autonomia financeira das instituições federais de ensino. O Fundo ampliará o financiamento para as atividades de pesquisa, extensão e desenvolvimento, empreendedorismo e inovação. A administração do fundo é de responsabilidade de uma instituição financeira privada e funcionará sob o regime de cotas.

Quando consideramos que, no mercado, um dos princípios de garantia de patrocínios é os patrocinadores não serem desagradados pelos patrocinados - caso contrário, estes perdem o apoio daqueles - pode o Programa Future-se significar o princípio da falta de autonomia das Universidades? As Universidades são espaços de livre troca de ideias, de liberdade de expressão, de liberdade de pensamento, mas se elas tiverem que tomar cuidado para não desagradar os seus patrocinadores, não estarão correndo o risco de ver tais esferas limitadas? Existirá, então, o perigo de ver as Universidades tornarem-se um espelho das filosofias das corporações que as patrocinam?


O comunicado de imprensa sobre a Estratégia de Paceria comPaís (CPF - 2017) entre o Banco Mundial e o Brasil para os anos fiscais de 2018 a 2023, esclarece que o “CPF está alinhado com os objetivos da estratégia de desenvolvimento do país, conforme descrito na Estratégia de Crescimento do Brasil [onde encontramos descrita de forma objetiva esta estratégia? Além do objetivo de privatizar todas as estatais, todos os demais objetivos são pouco claros] (...) [sendo o]  resultado de extensas consultas com os governos federal e estaduais, setor privado, sociedade civil e especialistas acadêmicos [onde? quando? com quem] (...) [tendo como uma das] 3 áreas principais (...) investimento e produtividade do setor privado. (...) [Com] crescente ênfase em Novos Modelos de Gerenciamento (...) o CPF procurará alavancar a iniciativa e o investimento do setor privado (...) mobilizar uma grande quantidade de investimentos de longo prazo em setores-chave da economia. (...) Ao longo da duração desta estratégia (2018-2023), o BIRDIFC e a MIGA trabalharão lado a lado para obter resultados tangíveis em gestão fiscal, proteção social, educação e saúde”. Os financiamentos do BIRD na educação privada brasileira acontecem de 3 formas distintas:

1. diretamente para as instituições de ensino privado
2. através de instituições financeiras para as instituições de ensino privado
3. crédito/empréstimos para alunos ingressarem nas instituições de ensino privado

Em relação ao ponto 3, “A IFC continuará apoiando os provedores privados de educação no Brasil, com o objetivo de atingir segmentos da população de baixo e médio renda”, ou seja, copiando o sistema americano de geração de endividamento das famílias dos estudantes e dos próprios estudantes já profissionalizados no período pós-graduação, durante 20, ou 30 anos e que já vai em US$ 1,5 trilhão = R$ 6 trilhões = R$ 6 mil bilhões.

A L G U N S   F I N A N C I A M E N T O S
D O   I F C – B I R D   N O   B R A S I L
Os detalhes destes financiamentos podem ser consultados na Tabela Cronológica
no final deste artigo


Existem fortes evidências de despotismo e de formação de cartel articulados entre o Governo brasileiro e algumas instituições nacionais diretamente ligadas à educação privada: enquanto Paulo Guedes, Ministro da Economia do atual Governo e sócio do Banco BTG Pactual, é o grande motivador da instauração da Reforma da Previdência no Brasil, a sua irmã, Elizabeth Guedes, é Presidente da Associação Nacional de Universidades Privadas (ANUP – 01.04.2019) e Mantenedora no Conselho de Participação do Fundo Garantidor do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES – MEC) - o chamado Novo FIES apresenta-se, de forma idêntica ao antigo FIES (criado em 2001) como (...) um programa do Ministério da Educação (MEC) que tem como objetivo conceder financiamento a estudantes em cursos superiores não gratuitos [privados] (...) ofertados por instituições de educação superior não gratuitas [privadas].” Os objetivos da Estratégia de Paceria comPaís são cada vez mais óbvios...

1. Fim do financiamento das Universidades Públicas com recursos do Governo Federal
2. Investimentos milionários no Sistema de Educação Privado

Simultaneamente, assistimos Corporações de Educação Privada converterem-se em valores mercadológicos na busca de cada vez mais lucro.

Quais as consequências de tais objetivos? Vale salientar que esta re-configuração do Sistema de Educação em prol do sistema financeiro privado, não é uma ação isolada: há pouco tempo demonstramos em um artigo que a Reforma da Previdência proposta no Brasil também tem a sua origem no Banco privado B.I.S. e nas suas instituições satélites – Banco Mundial (BIRD), Fundo Monetário Internacional (FMI), G10, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – cujo objetivo é a conquista da Supremacia dos Bancos Centrais sobre a Soberania das Nações e o enriquecimento ilícito da classe política e corporativa.


T A B E L A   C R O N O L Ó G I C A























sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Balzac e os judeus

As novelas de Balzac oferecem entretenimento e crônicas acentuadamente observadas de todas as facetas da sociedade francesa de 1789 a 1848 – da Revolução através do Primeiro Império de Napoleão I, a Restauração Bourbon, a Monarquia de Julho sob Luís Filipe a Segunda República. Essa era coincidiu com a entrada dos judeus na sociedade dominante na Europa Ocidental. De fato, Balzac pode ser creditado por ser o primeiro novelista a fazer judeus e não-judeus viver juntos no mesmo mundo.

Os judeus esmagadoramente apoiaram a Revolução Francesa de 1789 que lhes prometeu igualdade cívica e econômica. Eles foram oficialmente “emancipados” por uma proclamação da Assembleia Nacional Constituinte em 1791 – a culminação legal do universalismo moral do Iluminismo do século dezoito. Apesar da proclamação, muitos pensadores-líder do Iluminismo, incluindo Voltaire, Kant, d’Holbach e Diderot, consideraram os judeus como exploratórios e envoltos em superstições medievais e comportamento chauvinista, imoral e exploratório. Enquanto Voltaire se opôs a mira da Inquisição dos judeus, observou em seu Dicionário Filosófico que: Você encontrará nos judeus um povo ignorante, preguiçoso e bárbaro que por um longo tempo combinou a mais indigna avareza com o mais profundo ódio por todos os povos que os toleraram e os enriqueceram.” [5] Kant observou que os judeus foram “uma nação de usurários… povos enganadores entre os quais eles encontram abrigo… Deixaram o lema ‘deixa o comprador desconfiado’ seu maior princípio em negociar conosco.” [6]
Assembleia Constituinte: ao alto, o rei; à esquerda, embaixo, o clero; e em frente, o terceiro estado. Em primeiro plano, de negro, a nobreza. Imagem: Wikipedia.
Até a proclamação de 1791, muitos franco-judeus viveram em guetos, segregados das sociedades que os cercavam. Os direitos concedidos aos judeus na França foram mais tarde estendidos a judeus ao longo de grande parte da Europa Ocidental – Alemanha, Itália e Holanda – conquistando exércitos napoleônicos, e depois pelas revoluções que varreram a Europa entre 1830 e 1848. Após 1830, todas as carreiras foram liberadas aos judeus na França, e eles se inseriram completamente na sociedade dominante. A população judaica da França foi, contudo, comparativamente pequena: apenas um décimo da Alemanha e um quinquagésimo da Áustria-Hungria. Na zona de assentamento judaico na Rússia, os judeus foram cerca de cem vezes mais numerosos em relação a população nativa que foram na França, onde alcançaram apenas 75,000 ao fim do século dezenove. [7] Apesar disto, com o aumento da migração judaica para Paris, as pessoas foram cada vez mais confrontadas com os efeitos sociais e econômicos do semitismo irrestrito, e os judeus vieram a constituir um importante novo elemento da sociedade que Balzac estabeleceu para descrever.
Em sua perspectiva sociológica, Balzac, um reacionário político, viu paralelos entre a sociedade humana e o reino animal (Old man Goriot é dedicado ao zoólogo Geoffroy Saint-Hillaire). Como todas as espécies, os diversos tipos do animal humano tem uma origem comum, mas evoluem e diversificam de acordo com o ambiente. A frondosa calma das províncias francesas são o habitat natural da virtuosa família Rastignac de Balzac. A cidade de Paris, onde muitos judeus residem, foi, por outro lado, “como uma floresta no novo mundo”, infestada com “tribos selvagens, onde indivíduos gananciosos, desmarcado pela religião ou monarquia prosperam à custa dos fracos.” Os humanos, claro, são mais sofisticados que as feras: “No reino animal, há poucos dramas e pouca confusão; animais simplesmente atacam uns aos outros. Humanos atacam também a si mesmos, mas a inteligência que possuem em níveis variados faz a luta mais complexa.” [8] Balzac simultaneamente amava e odiava Paris como o centro do mundo francês, e suas novelas lá oferecem um quadro terrível de crueldade humana.
Cerca de trinta personagens judeus habitam as páginas de La Comédie Humaine, com poucos reaparecendo em diversas novelas. Apesar de compreender uma nova parte importante da sociedade francesa nos domínios das artes e ciências, o teatro e especialmente o mundo da finança, os personagens judeus de Balzac permanecem etnicamente distintos. Rashkin afirma que o generoso retrato de Balzac sobre os judeus (nenhum dos quais são dados nomes franceses), e sua ênfase implícita nos “judeus abertamente convertidos” e “judeus infiltrados invisíveis” é evidência de seu ser “assombrado pelo trauma da França de assimilação judaica.” [9] Balzac sempre salienta a singularidade dos judeus, retratando judaísmo como um traço forte e problemático. Conversão e assimilação de forma alguma apaga a identidade judaica que, para Balzac, foi fundamentalmente étnica.

Características físicas e psicológicas dos judeus

Os personagens judeus de Balzac nem sempre se identificam como judeus, embora suas origens sejam imediatamente aparente a não-judeus através da fisionomia, aroma ou aura. Um personagem não-judeu em Cousin Pons (1847), Rémonencq, é dito possuir olhos juntos que revelavam “astucia e ganância concentrada de um judeu”, embora, neste caso, “a falsa humildade que mascara o inexplicável desprezo hebreu para o gentio que estava faltando”. Outro personagem judeu, Moses Halpersohn, um físico judeu-polonês refugiado possui um nariz que é “hebraico, longo e curvado como uma lâmina de Damasco”. A fisionomia judaica estereotipada de Halpersohn reflete seu personagem judeu estereotipado: especializado no tratamento de distúrbios nervosos, se torna rico através da cobrança de preços exorbitantes por seus serviços – uma prática refletindo “seu desprezo por seus pacientes e a sociedade em geral… A medicina se torna um jogo de alta finança, um meio de adquirir ouro e poder”. [10]
A representação de Balzac da mulher judia reflete, ao contrário, “uma fantasia orientalista” característica da literatura romântica do tempo. As judias de Balzac, que estão restritas principalmente aos papéis (muitas vezes sobrepostos) de atriz e prostituta, exalam mistério, charme e exotismo, possuindo uma beleza além do convencional que evoca a atmosfera bíblica do Cântico dos Cânticos. Em Cenas da Vida de uma Cortesã (1838-47), Balzac alega que as mulheres judias, “embora tão frequentemente deteriorada por seu contato com outras nações”, muitas vezes exibe um “tipo sublime da beleza asiática”, e “quando não são repulsivamente horríveis, apresentam as esplêndidas características da beleza armênia”. Tal descrição se aplica a filha do vendedor de arte judeu Elie Magus, Noemi, “uma judia tão linda quanto uma judia pode ser quando o tipo semítico reaparece em sua pureza e nobreza numa filha de Israel”. A atriz Coralie é da mesma forma retratada como “uma judia do tipo sublime” que, apesar de sua aparência física, mantém “todo o instinto nativo hebreu por ouro e joias – para o bezerro de ouro”.
As judias de Balzac (muitas vezes atrativas) diferem não apenas fisicamente de seu masculino co-étnico, mas também moralmente em sua capacidade de generosidade e lealdade. Ao mesmo tempo, sua sexualidade exótica exerce sobre seus amantes não-judeus uma “fascinação paralisante que constitui um análogo obvio a dominância desfrutada por homens judeus no mundo das finanças”. [11] Para Balzac, uma inabilidade em detectar as características físicas judaicas e exercitar o cuidado necessário condena “um pobre companheiro de vinte e sete”, que “tinha a inocência de um rapaz de dezesseis” a ser roubado pelo vendedor de arte Magus. Um homem mais vigilante e experiente teria, afirma Balzac, “notado o olhar diabólico na face de Elie e visto os espasmos dos pelos de sua barba, a ironia de seu bigode e o movimento de seus ombros que traíram a satisfação do judeu de Walter Scott em burlar um cristão”.

O personagem de Balzac, Elias Magus, como representado pelo artista Charles Huard (1874-1965)

Magus é a exemplificação de Balzac de um tipo que ele cresceu para saber excessivamente bem devido a sua paixão por coletar arte e antiguidades – o comerciante judeu que, através de práticas comerciais afiadas e rede étnica, se torna imensamente rico:
“O nome de Elias Magus é muito bem conhecido na Comédia Humana para precisar de introdução. Se aposentou da negociação em imagens e obras de arte e, como negociante, adotou o procedimento que Pons seguiu como um coletor. Os celebrados avaliadores – o tardio Henry, os senhores Pigeot e Moret, Thoret, Georges e Roehn, de fato, os especialistas do Museu do Louvre – foram como bebês comparados a Elias Magus, que poderiam escolher uma obra prima debaixo da sujeira dos séculos, que conheciam cada escola e a assinatura de cada pintor. Esse judeu, que veio a Paris de Bordeaux, havia desistido dos negócios em 1835 sem desistir de sua aparência miserável: que ele manteve, de acordo com os hábitos de muitos judeus, tão fiel as suas tradições que esta raça permanece. Na Idade Média, a perseguição forçou os judeus a desarmar suspeitas andando em trapos, perpetuamente reclamando, choramingando e pleiteando pobreza.  O que foi uma vez uma necessidade tornou-se, como é sempre o caso, um instinto racial enraizado, um vicio endêmico. Pela força da compra e venda de diamantes, negociando imagens e renda, curiosidades raras e esmaltes, esculturas delicadas e joias antigas, Elias Magus chegou a desfrutar de uma imensa fortuna incontável, que adquiriu através deste tipo de comércio, tão importante atualmente.” [12]
Judeus que, como Magus, fingem pobreza enquanto são secretamente ricos fazem repetidas aparições nas novelas de Balzac. Em O Iniciado (1848), um personagem é surpreendido no luxo de um quarto em uma seção pobre de Paris, “mas sua surpresa durou apenas por um instante, pois ele tinha visto entre judeus alemães e russos muitas instâncias do mesmo contraste entre miséria aparente e riqueza acumulada.” Os ricos judeus de Balzac vivem frugalmente, e o agiota Gobseck até nega propriedade de uma moeda de ouro que ele larga para manter a ilusão da pobreza. As mulheres judias, por outro lado, desfrutam luxuria opulenta no mundo de Balzac. Como cortesãs e atrizes, vivem em casas decoradas pelos homens que as mantém. Quanto mais bonita a judia, mais rica é a morada que ela exige.

Rede étnica judaica, burla e avareza

Magus usa as redes étnicas judaicas para assiduamente para rastrear cada obra na Europa: “Magus tem seu próprio mapa da Europa com cada obra prima marcada, e em cada ponto relevante possuía co-religionistas que mantiveram olhos abertos em seu nome em troca de uma comissão – mas a recompensa magra pela quantidade de vigilância aplicada!” Balzac compara a monomania de Magus aos desejos dos reis: Magus é orgulhoso de seu poder de comprar as mais finas telas que ele acumula em sua mansão, assim privando a comunidade gentia de suas grandes obras de arte.
Em Cousin Pons (1847), a Magus é dada a oportunidade de roubar a coleção de arte de Sylvain Pons, um professor de música idoso, que cuidadosamente acumulou preciosas obras de arte ao longo de sua vida. Enganando o senhorio de Pons a vender quatro das obras primas do professor, enquanto seu dono se deita acometido em seu leito de morte, Balzac nos informa que, quando confrontado por tal coleção magnifica, “Admiração ou, para ser mais preciso, alegria delirante, tinha forjado tal caos no cérebro do judeu, que havia realmente resolvido sua ganancia habitual, e ele caiu de cabeça no entusiasmo, como você vê”. O negociante judeu, contudo, rapidamente retoma sua compostura:
“’Em uma média’, disse o velho judeu sujo, ‘tudo aqui vale mil francos’. ‘Setecentos mil francos!’, exclamou Fraisier em perplexidade. ‘Não para mim’, Magus respondeu prontamente, e seus olhos cresceram opacos. ‘Eu não me daria mais que cem mil francos para a coleção. Você não pode dizer quanto tempo podes manter uma coisa na mão… Há obras primas que esperam dez anos por um comprador, e, entretanto, o dinheiro de compra é dobrado por juros compostos. Ainda assim, eu deveria pagar em dinheiro”.
A habilidade dos comerciantes judeus para burlar seus ingênuos interlocutores gentios é um tema recorrente nas novelas de Balzac. Em Eugenie Grandet, por exemplo, o pai sovina de Eugenie é ensinado uma lição valiosa por um negociante judeu astuto:
“Alguns anos atrás, apesar de sua astucia, ele havia sido tomado por um israelita, que no curso da discussão segurou sua mão atrás de seu ouvido para capturar sons, e mutilou seu significado tão completamente na tentativa de expressar suas palavras que Grandet caiu vítima de sua humanidade e foi obrigado a pedir ao judeu astuto com as palavras e ideias que ele parecia procurar, para completar os argumentos do dito judeu, para dizer o que o judeu amaldiçoado deveria ter dito a si mesmo; em suma, para ser o judeu em vez de ser Grandet. Quando o tanoeiro saiu deste curioso encontro, concluirá a única barganha de que, no curso de uma longa vida comercial, ele já teve oportunidade de reclamar. Mas se ele perdeu no momento pecuniariamente, ganhou moralmente uma lição valiosa; mais tarde, ele colheu seus frutos. De fato, o bom homem terminou por abençoar aquele judeu por ter ensinado a ele a arte de irritar seu oponente comercial e deixa-lo esquecer de seus próprios pensamentos em sua impaciência, para sugerir aqueles sobre os quais seu atormentador estava gaguejando.”  [13]
Avareza, desejo de poder e desprezo pelos gentios são traços psicológicos que Balzac frequentemente atribui a seus personagens judeus, e eles frequentemente servem como paradigmas para a análise dos personagens gentios que manifestam traços similares. Um personagem não-judeu é dito ser como “ansioso para ganhar como um judeu polaco”, enquanto que em Illusions perdueso infeliz e pobre poeta, Lucian Chardon, é aconselhado que, a fim de suceder em Paris, ele precisa tornar-se tão “astuto e mesquinho quanto um judeu; tudo aquilo que o judeu faz por dinheiro, você deve fazer por poder”.
Essa caracterização da mentalidade judaica persistiu na literatura francesa até o final do século dezenove. Em Bel Ami (1885), de Guy de Maupassant, por exemplo, dois jovens jornalistas discutem seu chefe, um judeu proprietário de um jornal, nos seguintes termos:
“Eles foram a um café e pediram bebidas congeladas. Saint-Potin começou a falar. Falou sobre todo mundo e sobre o papel com uma profusão de detalhes surpreendentes. “O chefe? Um verdadeiro judeu. E você sabe, você nunca mudará os judeus. Que raça!” E ele citou exemplos incríveis de sua avareza, a avareza peculiar dos filhos de Israel, os esforços que fariam para salvar dez centavos, sua pechincha, sua forma descarada de pedir por descontos e pegá-los, toda a sua agiotagem, sua atitude penhorista. “E ainda com tudo isso, um bom tipo que não acredita em nada e engana a todos. Seu jornal, que é semioficial, católico, liberal, republicano, ‘orleanista’, humilhante e barato, foi apenas fundado para ajuda-lo a tocar o mercado de ações e apoiar seus outros empreendimentos. Ele é muito bom nisso e ganha milhões por meio de companhias que não têm um valor de dois centavos de capital… E a velha sovina fala como alguém fora de Balzac.” [14]
Na versão filme de Bel Ami (2012), a identidade judaica deste próprio de jornal foi totalmente apagada da história.
Enquanto o judeu é colocado por Balzac nas margens da sociedade francesa, ele permanece no centro das forças geradores de mudança social destrutiva. Isso particularmente se aplica a seus personagens judeus conectados ao mundo da finança. Tais personagens incluem os irmãos Keller, o agiota Gobseck e o financeiro Nucingen. Em Gobseck (1830-45), Balzac retrata “um usurário sentando-se como uma aranha no centro de sua teia e afirmando seu poder sobre as ‘socialites’ e malandros que vem a ele por empréstimos.” [15] Gobseck é um homem que usa ouro exercer influência e controlar os destinos de outros, e é o “modelo de Balzac do judeu sucedido cuja autodisciplina extraordinária o permite perseguir sua busca por ouro, apesar dos obstáculos.” [16]
Como o autonomeado historiador da vida social francesa na primeira metade do século dezenove, Balzac estava perfeitamente consciente do imenso e constante crescimento do significado do dinheiro. “Deus dos judeus, tu és supremo!”, ele cita Racine. Através da usura, ele observa: “Os judeus monopolizaram o ouro do mundo, que toda invenção poderosa devido ao intelecto judaico da idade média, que após seis séculos ainda controla monarcas e povos.” Em uma carta a sua irmã em 1849, da Ucrânia, um Balzac exasperado declarou: “Você não faz ideia da avidez dos judeus aqui. Shylock é um mero desonesto, um inocente. Lembre-se, é meramente uma questão de câmbio; os empréstimos são, às vezes, cinquenta porcento, mesmo de judeu para judeu!” [17] No mundo das novelas de Balzac, um “bom judeu” é alguém “que nos cobrou apenas cinquenta porcento do dinheiro que emprestamos.” [18] A propensão judaica a usura é encarada por Balzac como um traço étnico conectado estendendo de volta ao mundo antigo, onde mesmo “nos dias de Moisés havia agiotagem no deserto!” Na novela balzaquiana, o ouro é invariavelmente o emblema do judeu, simbolizando a rapacidade e riqueza da tribo.
Em The Rise and Fall of Cesar Birotteau (1837), Balzac apresenta a história de vida de um produtor de cosméticos que “torna-se uma presa a um grupo de banqueiros sanguessugas e especuladores”, enquanto que em sua novela de 1843, The Imaginary Mistress, conta a historia do Conde polaco Adam Laginski, “um dos grandes senhores polacos que se deixaram ser predados pelos judeus.” [19] Simbolizando a intima relação histórica forjada entre judeus e elites aristocráticas europeias contra os interesses do campesinato nativo, o Conde de Roche-Corbon em The Venial Sin (1832) pressiona seus judeus “só agora e depois, e quando ficarem saturados com a usura e a riqueza. Ele os deixa reunir seus despojos como as abelhas fazem mel, dizendo que eles eram os melhores coletores de taxas. E ele nunca os despojou, exceto para o lucro e uso dos homens da igreja, o rei, a província ou a ele mesmo.”
Balzac modelou seu financista judeu, Nucingen, que aparece em mais de suas novelas do que qualquer outro personagem, no Barão James Meyer de Rothschild, a quem conhecia pessoalmente. Balzac disse a sua futura esposa em 1844 que James, “o grande barão do feudalismo financeiro” foi “Nucingen até o último detalhe e pior.” [20] Nucingen é a personificação de Balzac do poder financeiro judaico e o atendente na corrupção política e social sobre o uso indevido desse poder. Em Splendors and Sorrows Of Courtesans (1838-47), Balzac, com Nucingen (e, assim, o barão James) em mente, declarou que “toda riqueza rapidamente acumulada é ou o resultado de sorte e descoberta ou o resultado do roubo legalizado.” [21] Nucingen é “o mais astuto de todos os desonestos na Comédia Humana: um banqueiro que pode coordenar a liquidação de seus próprios bens ou planejar um portfolio de investimento em nome de um cliente, simples e unicamente para aprofundar seus próprios fins – enriquecendo-se, mas falindo outros pelo que equivale a legalizar o crime.” [22]

Os Rothschilds: exemplares balzaquianos do poderio financeiro judaico

Balzac é o provável idealizador da reivindicação de que os Rothschilds fizeram sua fortuna através da obtenção de notícias antecipadas da derrota de Napoleão em Waterloo – usando esta informação para fazer um grande lucro no mercado de ações. A história é incorporada no enredo de A Casa de Nucingen (1838), onde descreve o segundo maior golpe empresarial do financista judeu como resultado de uma especulação massiva na Batalha de Waterloo. O banqueiro judeu-americano do século vinte, Bernard Baruch, alegou que foi esta história que “o inspirou a fazer seu primeiro milhão.” [23] Enquanto a escala do retorno dos Rothschilds sobre esta especulação tem sido exagerada ao longo dos anos, o terceiro Barão Victor Rothschild confirmou a exatidão básica da história, e o historiador econômico Niall Ferguson afirma que o retorno de Napoleão de Elba em 1 de março de 1815 pode ser considerado como “um imenso golpe de sorte para os Rothschilds”, com Bonaparte mergulhando a Europa novamente em guerra e assim “restaurando as condições financeiras em que os Rothschilds tinham até então prosperado.” [24]
A ideia de um grande lucro especulativo feito a partir de notícias antecipadas de um resultado militar chocou muitos dos contemporâneos de Balzac: “de fato, caracterizou o tipo de atividade econômica ‘imoral’ e ‘doentia’ que conservadores e radicais desgostavam quando contemplavam o mercado de ações.” Para o francês patriota, a especulação de Waterloo simbolizou a ganância, cinismo e cosmopolitismo desenraizado dos Rothschilds. Em seu livro Jews: Kings of our Time (1846), o escritor socialista Georges Dairnvaell afirmou que: “Os Rothschilds só ganharam com nossos desastres; quando a França ganhou, os Rothschilds perderam”, e observou que o barão James é “o judeu Rothschild, rei do mundo, porque hoje todo o mundo é judaico.” O próprio nome Rothschild, declarou, “representa uma raça inteira – é o símbolo de um poder que estende seus braços sobre a totalidade da Europa.” [25] Para o mentor político de Dairnvaell, Pierre Proudhon, financistas judeus como os Rothschilds foram “sempre fraudulentos e parasitas.” [26]
Os Rothschilds concederam grandes empréstimos a Áustria, Prússia e a França de Bourbon após 1815. Reis e ministros através da Europa puderam obter todo o dinheiro que precisavam sob pedido, deixando os Rothschilds lidar com os detalhes de onde o dinheiro veio e como seria reembolsado. Isso permitiu os Rothschilds a exercer extraordinária influência sobre os governos. Em Paris, James de Rothschild pressionou de forma eficaz o rei Luis Filipe, a quem teve o acesso constante, para rejeitar o governo de Jacques Laffitte, porque não gostara da política estrangeira do último. Quando, em 1830, Charles X foi derrubado do trono francês, o fato de que o barão James, seu judeu da corte, sobreviveu ileso apenas confirmou para muitos a existência de uma oligarquia judaica inatacável.
A habilidade de James Meyer de Rothschild de proteger do governo francês a concessão ferroviária para ligar Paris e Bélgica também irritou observadores de ambos os lados da política francesa. Em seu livro de 1846 The Jews, Kings of the Epoch A History of Financial Feudalism, Alphonse Toussenel criticou os termos sob os quais a concessão foi concedida. Acreditando que a conexão férrea deveria ser possuída e gerida pelo Estado, Toussenel argumentou que a França foi “vendida aos judeus” e particularmente ao “barão Rothschild, o rei da finança, um judeu enobrecido por um rei muito cristão… Assim a grande finança domina tudo; os interesses judaicos são visíveis sobre nós.” [27]
Niall Ferguson argumenta que, além do interesse próprio pecuniário, “os Rothschilds viram seu poder financeiro como um meio de adiantar os interesses de seus companheiros judeus.” Aos judeus mais pobres através da Europa, a ascensão extraordinária a riqueza de Nathan Rothschild teve “uma significância quase mítica” e sua riqueza “foi dirigida a um proposito maior: ‘vingar os erros de Israel’, protegendo ‘o reestabelecimento do reino de Judá – a reconstrução de tuas torres, oh Jerusalém!’ e ‘ a restauração da Judeia para nossa antiga raça.” [28] Os Rothschild desempenharam um papel crítico no projeto sionista. De fato, Walter Rothschild, o segundo barão de Rothschild, foi o destinatário pessoal da Declaração de Balfour em 1917, que comprometeu o governo britânico a estabelecer um Estado judeu na Palestina. O barão Edmond James de Rothschild fundou o primeiro assentamento judaico na Palestina em Rishon-LeZion, comprando dos turcos grandes partes da terra que agora compreende Israel. Em 1924, estabeleceu a Associação Judaica da Colonização da Palestina que adquiriu um adicional de 125,000 acres de terra.

Conclusão

Grodzinsky argumenta que, enquanto seus personagens judeus “mostram estereótipos comuns do mal e da avareza, Balzac não foi um simples antissemita.” Seu retrato dos judeus em suas novelas é preciso na medida que, na sociedade francesa do seu tempo, números desproporcionais de homens judeus foram usurários e mulheres judias foram cortesãs ou atrizes. Contudo, para Balzac “criar uma comunidade onde os judeus abundaram em cada profissão teria sido criar um mundo estranho ao leitor francês. O retrato de Balzac dos judeus reflete ambas realidade e tradição literária de Balzac.” [29]
Enquanto Balzac, seguindo sua prática habitual, pinta cada um de seus personagens judeus como uma única personalidade, permanece representativo dos judeus em geral e fundamentalmente separado da sociedade francesa dominante. Assim, enquanto Balzac, com personagens como Gobseck e Nucingen “pega o monstro financeiro judeu e cria um ser humano real, esta pessoa ainda é um marginal.” [30] Além disso, os personagens judeus masculinos de Balzac são invariavelmente “pessoas desagradáveis, caracterizados pela avareza, esperteza e falta de consciência.” [31] O judeu balzaquiano também exibe vontade feroz, e é uma figura multifacetada que rapidamente se adapta e muda para adiantar seus interesses. Nessa empreitada, ele, diferente de muitos dos personagens franceses de Balzac, efetivamente usa seu intelecto para ignorar suas emoções.
Balzac, na sua busca pelo realismo, deixa alguns de seus personagens judeus suceder apesar de suas personalidades e práticas misantrópicas. Lehrmann observa que Balzac “não gosta dos judeus, mas os admira; observa sem piedade seus vícios e idiossincrasias, mas reconhece gênio, graças ao qual eles se levantam acima da vulgaridade de sua profissão e condição social.” [32] Balzac reconheceu o poder do ouro para cortar através das barreiras sociais e para comprar o poder e o status, e apesar de sua “hostilidade franca para com os judeus”, permaneceu fascinado por um grupo cujo “ganancia odiada e astucia resultaram em riqueza admirada.” [33] Balzac não despreza as recompensas sociais e monetárias do sucesso, e seus anos de luta para estabelecer uma carreira literária apenas moldaram seu entendimento do poder do dinheiro – e do grupo étnico inseparavelmente ligado àquele poder.
Tradução de Diego Sant’Anna
Imagens e edição: André Marques

Notas

[1] Cousin Pons, Honoré de Balzac. Londres, Penguin, 1978, pg. 11.
[2] Citado em The Creators: A History of Heroes of the Imagination, Daniel J. Boortstin. Nova Iorque, Random House, 1992, pg. 359.
[3] Ibid., pg. 358.
[4] Balzac, Frederick Lawton. Londres, Wessels & Bissel Co., 1910, pg. 129.
[5] Voltaire citado em Antisemitism and Modernity: Innovation and Continuity, Hyam Maccoby. Londres, Routledge, 2006, pg. 55.
[6] Immanuel Kant citado em Wagner, Race & Revolution, Paul Lawrence Rose. New Haven CT, Imprensa da Universidade de Yale, 1992, pg. 07.
[7] Esau’s tears: Modern Anti-Semitism and the Rise of the Jews, Albert S. Lindemann. Cambrige, UK, imprensa da universidade de Cambridge, 200, pg. 208.
[8] Graham Robb em Introdução a Balzac, Old Man Goriot. Londres, Penguin, 1972, 06-07.
[9] Unspeakable Secrets and the Psychoanalysis of Culture, Esther Raskin. Nova Iorque, SUNY Press, 2009, pg. 133.
[10] The Golden Scapegoat: Portrait of the Jew in the Novels of Balzac, Frances Schlamowitz Grodzinsky. Nova Iorque, Whitson, 1989, pg. 48.
[11] Balzac em Antisemitism: A Historical Encyclopedia of Prejudice and Persecution, Susan Rosa, volume 1. Ed. Por Richard S. Levy, Chicago, ABC-CLIO, 2005, 54.
[12] Cousin Pons, de Honoré de Balzac, pg. 141.
[13] Eugenie Grandet, Honoré de Balzac. Londres, Penguin, 2004, pg. 115.
[14] Bel Ami, Guy de Maupassant. Londres, Penguin, 1975, pg. 64.
[15] Cousin Pons, Honoré de Balzac, pg. 10.
[16] The Golden Scapegoat, Grodzinsky, pg. 18.
[17] The Correspondence of Honoré de Balzac with a Memoir by his Sister Madame de Surville, Vol. 2. Londres, Richard Bentley & Son, 1878, pg. 345.
[18] Cousin Pons, Honoré de Balzac, pg. 123.
[19] Ibid., pg. 10.
[20] The House of Rothschild: Money’s Prophets, Niall Ferguson (1798-1848). Londres, Penguin, 1999, pg. 351.
[21] Ibid., pg. 15.
[22] Cousin Pons, Honoré de Balzac.
[23] The House of Rothschild, Niall Ferguson, pg. 15.
[24] Ibid., 96.
[25] Return of the Rothschilds: The Great Banking Dynasty Through Two Turbulent Centuries, Herbert R. Lottman. I.B. Tauris & Co. Ltd, 1995, pg. 269.
[26] Ibid., pg. 31.
[27] Ibid., pg. 31.
[28] The House of Rothschild, Niall Ferguson, pg. 21.
[29] The Golden Scapegoat, Grodzinsky, pg. 01.
[30] Ibid., pg .32.
[31] Ibid., pg .17.
[32] Ibid., pg .12.
[33] Ibid., pg .01.