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domingo, 7 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A esperança para a liberdade está na secessão - Hans Hoppe sobre economia, filosofia e política

Entrevista concedida ao instituto Association for Liberal Thinking, da Turquia.

secessao2.jpgComo o senhor se tornou um libertário e quais pensadores foram os mais importantes na formação do seu pensamento?
Hoppe:
Quando ainda jovem, estudante do ensino médio alemão, eu era marxista.  Depois, já como estudante da Universidade de Frankfurt, descobri a crítica de Böhm-Bawerk a Marx, e aquilo liquidou a economia marxista para mim.
Consequentemente, durante o período seguinte, tornei-me um tanto cético, atraído pela metodologia positivista e especialmente pela falsificacionista popperiana, bem como pelo programa gradual de engenharia social de Popper.  Como o próprio Popper, naquela época eu era um social-democrata de direita.
E então as coisas passaram a mudar rapidamente.  Primeiro, descobri Milton Friedman (muito bom), depois Hayek (melhor), depois Mises (muito melhor, devido à sua metodologia explicitamente antipositivista — apriorística) e, finalmente, o mais importante sucessor teórico de Mises, Murray N. Rothbard.
Até que ponto sua educação formal coincidiu com sua transformação libertária?
Hoppe:
Não aprendi nada de libertarianismo ou de livre mercado na universidade.  Meus professores eram ou socialistas ou intervencionistas.  Ocasionalmente (muito raramente), os nomes de alguns livre-mercadistas eram mencionados: Boehm-Bawerk, Mises, Hayek, e também Herbert Spencer como sociólogo.  No entanto, eles eram imediatamente descartados como antiquados e obsoletos apologistas do capitalismo, indignos da atenção de qualquer "intelectual sério".  Portanto, tive de descobrir tudo por conta própria, por meio de muita leitura.  Li praticamente tudo sobre economia — e hoje, analisando em retrospecto, grande parte do material lido representou uma total perda de tempo.
Nos primeiros anos do século XX, economistas 'capitalistas' estavam em posições mais defensivas.  Isso era particularmente explícito antes de Mises começar a criticar o socialismo em suas obras.  Os escritos de Mises foram decisivos em fazer com que os socialistas adotassem sua atual posição defensiva.  Os escritos de Mises também abriram caminho para uma economia distinta, fora do paradigma neoclássico.  Durante a sua educação formal, o senhor era da opinião de que a economia austríaca era, ou deveria ser, distinta do pensamento neoclássico?  Como foi o processo de deixar de ser apenas crítica para se tornar uma abordagem alternativa?
Hoppe:
Até os anos 1950, a maioria dos economistas compartilhava a mesma visão de Lionel Robbins a respeito da natureza da economia.  Robbins, que havia sido fortemente influenciado por Mises, apresentou, em seu famoso livro Nature and Significance of Economic Science (1932), a economia como sendo um tipo de lógica aplicada (Mises chamaria de 'praxeologia').  A análise econômica deveria partir de algumas premissas simples e evidentemente verdadeiras (axiomas) e chegar, por meio da dedução lógica, a várias conclusões irrefutáveis (teoremas econômicos). 
Essas conclusões ou teoremas, desde que nenhum erro houvesse sido cometido no processo da dedução, têm de ser logicamente verdadeiros, e seria um erro categorial se alguém quisesse 'testar empiricamente' tais teoremas.  (Nós também não testamos 'empiricamente' verdades e argumentos lógicos, ou mesmo proposições matemáticas.  Por exemplo, não testamos empiricamente a lei de Pitágoras; podemos prová-la dedutivamente.  E aquele que quiser 'prová-la' empiricamente, mensurando ângulos e comprimentos, não será considerado 'mais científico', mas sim alguém totalmente confuso).  Hoje, apenas os austríacos ainda defendem esta (correta) visão da ciência econômica como sendo uma lógica aplicada.
A partir da década de 1950, em grande parte devido à influência de Milton Friedman, a maioria dos economistas passou a adotar a visão 'positivista' de que a ciência econômica deveria tentar imitar os métodos utilizados na física.  Como resultado, a ciência econômica moderna foi transformada em uma simples matemática de baixo nível, não possuindo nenhum significado empírico e nenhum tipo de aplicação prática.  Os economistas de hoje se limitam a fazer duas coisas, ambas uma total perda de tempo: construir e testar 'modelos' para (na melhor das hipóteses) comprovar aquilo que já é óbvio para qualquer ser humano minimamente inteligente — como o fato de que a água corre para baixo — e demonstrar por meios empíricos aquilo que pode ser provado por meio da lógica (como confirmar a lei de Pitágoras empiricamente).  
No entanto, em muitos casos, e pelos mesmos métodos, eles também se esforçam para "provar" empiricamente que, em algumas situações, a água pode correr para cima e a lei de Pitágoras pode deixar de ser válida.  Isso acontece quando economistas defendem, por exemplo, o controle de preços para combater a carestia ou o aumento dos gastos para combater recessões, sempre sob o argumento de que "dessa vez será diferente".  E nunca é.  Em suma, a moderna economia convencional está em situação de total calamidade.
Quando eu comecei a estudar economia, ensinaram-me a metodologia positivista.  No entanto, desde o início, aquilo nunca me convenceu.  A lei da utilidade marginal, ou a teoria quantitativa da moeda, ou a afirmação de que um aumento no salário mínimo para $1.000 a hora resultaria em desemprego em massa não me pareciam ser hipóteses questionáveis que necessitassem de qualquer tipo de teste empírico, mas sim óbvias verdades lógicas.  Demorei um pouco para descobrir que esta era na verdade a visão clássica, defendida mais explicitamente por Robbins e Mises.  Descobrir Mises e Robbins, portanto, foi um grande alívio intelectual para mim, e foi o que me fez levar (e estudar) a ciência econômica a sério.
A atual economia convencional, chamada de mainstream, é totalmente irrelevante.  Pior ainda: está sempre aberta à perigosa ideia da experimentação e da engenharia social (qual outra forma de se testar hipóteses?), uma verdadeira tentação para políticos populistas.  É por isso que o moderno estado intervencionista sempre se mostra totalmente disposto a financiar toda uma seara de economistas.  O estado sabe que eles criarão justificativas para todo e qualquer programa intervencionista.  Por outro lado, a economia austríaca não apenas é de grande importância prática, como também se opõe rigorosamente a qualquer tipo de intervencionismo econômico por sabê-lo contraproducente.  Não é surpresa alguma, portanto, que a Escola Austríaca não receba nenhum apoio ou suporte financeiro. 
Não obstante, sou otimista quanto ao futuro da economia convencional: creio que ela desaparecerá devido à própria irrelevância (artigos acadêmicos publicados em famosos periódicos praticamente não têm leitores) e será desalojada pela Escola Austríaca.  Um bom indício disso é a proliferação espontânea de Institutos Mises ao redor de todo o globo, os quais têm mais leitores do que qualquer site sobre economia convencional.
Em sua versão moderna, a Escola Austríaca, com sua ênfase em direitos de propriedade, empreendedorismo e liberdade, possui aliados naturais entre as diferentes escolas de pensamento econômico.  Por exemplo, a abordagem sobre direitos de propriedade elaborada por Coase e Alchian é muito similar às posições dos austríacos.  O senhor acha que os escritos de Mises exerceram alguma influência sobre a ênfase dada aos direitos de propriedade e às soluções de mercado das outras escolas?  Há algum elo visível entre Mises e algumas destas pessoas?
Hoppe:
Desconheço qualquer elo intelectual entre Mises e a moderna Escola de Chicago, tanto a econômica quanto a jurídica.  Tampouco há algum elo entre o pensamento de Mises e as ideias de Coase e de seu sucessor, Richard Posner.  Por outro lado, Hayek foi um dos professores de Coase na London School of Economics.
A similaridade entre a visão austríaca e a visão de Chicago acerca da ciência econômica e do direito é meramente superficial.  Na realidade, ambas estas tradições intelectuais são fundamentalmente opostas umas às outras.  É um erro comum, mas extremamente sério, pensar que a Escola de Chicago é defensora dos direitos de propriedade.  Com efeito, Coase e seus seguidores são os mais perigosos inimigos dos direitos de propriedade.  Eu sei, isso pode soar inacreditável para algumas pessoas.  Sendo assim, permita-me explicar melhor esta posição, utilizando um dos exemplos oferecidos pelo próprio Coase em seu famoso artigo sobre "Custo Social".
Uma ferrovia passa ao lado de uma fazenda. O motor do trem emite faíscas, e as faíscas danificam as plantações do fazendeiro. O que deve ser feito?  Do ponto de vista austríaco (e também do clássico e também do bom senso), o que precisa ser estabelecido é quem estava lá primeiro: o fazendeiro ou a ferrovia?  Caso seja o fazendeiro, ele poderia então obrigar a ferrovia a interromper suas atividades (através de uma ordem de cessação), ou a parar de emitir faíscas ou então exigir compensação.  Caso seja a ferrovia quem se estabeleceu ali primeiro, então ela poderia continuar emitindo faíscas, e o fazendeiro teria de pagar à ferrovia caso ele quisesse se manter livre das faíscas.
Já a resposta de Coase e de Posner é totalmente diferente.  Segundo eles, é errado pensar no fazendeiro e na ferrovia em termos de "certo" ou "errado", de "agressor" e "vítima".  Permita-me citar o início do famoso artigo de Coase:
O problema é normalmente pensado como: 'A causa danos a B', e a decisão a ser tomada é 'Como deveríamos restringir A?'.  Mas isso está errado.  Estamos lidando com um problema de natureza recíproca.  Evitar o dano causado a B seria infligir dano a A.  A verdadeira questão a ser decidida é: deveria A ter permissão para prejudicar B ou será que B é quem deveria ter permissão para prejudicar A?  O problema é como evitar o dano mais sério.
Em outras palavras, o problema é maximizar o valor da produção ou a 'riqueza'.  De acordo com Posner, qualquer coisa que aumente a riqueza social é justa e qualquer coisa que não a aumente é injusta.  A tarefa dos tribunais, portanto, seria determinar direitos de propriedade (e responsabilidades legais) aos queixosos de tal maneira que a "riqueza" seja maximizada.
Para o exemplo acima considerado, isso significa que, se o custo de se evitar as faíscas for menor que o prejuízo da colheita, então o tribunal deveria ficar do lado do fazendeiro e responsabilizar a ferrovia. Por outro lado, se o custo de se evitar as faíscas for maior que o prejuízo da colheita, então o tribunal deveria ficar do lado da ferrovia e responsabilizar o fazendeiro.  Posner oferece outro exemplo. Uma fábrica emite fumaça e, por isso, diminui o valor das propriedades residenciais na vizinhança. Se o valor das propriedades cai $3 milhões e o custo de se remanejar a fábrica é de $2 milhões, a fábrica deve ser condenada e obrigada a se mudar.  Entretanto, se os números forem trocados — o valor das propriedades cai $2 milhões e os custos de remanejamento são de $3 milhões — a fábrica poderá continuar ali emitindo fumaça.
Ainda mais importante, tudo isso significa também que os direitos de propriedade (e as responsabilidades civis) não mais são estáveis, constantes e fixos; eles se tornaram variáveis.  Os tribunais designarão direitos de propriedade de acordo com os volúveis dados do mercado.  Se os dados mudarem, os tribunais podem rearranjar tais direitos.  Ou seja, circunstâncias diferentes levam a uma redistribuição dos títulos de propriedade. Nesse cenário, ninguém jamais está seguro de sua propriedade.  A incerteza jurídica se torna permanente.
Isso não parece ser justo nem eficiente.  Ademais, quem em sã consciência iria utilizar um tribunal que tenha anunciado que, no decurso do tempo, poderá realocar os atuais títulos de propriedade dependendo das voláteis condições de mercado?  Tal maneira de atribuir direitos de propriedade certamente não leva a uma maximização da riqueza no longo prazo.
O que o senhor pensa a respeito do papel do estado na sociedade?  O estado é uma necessidade prática ou ele é um mal necessário?  Como o senhor descreveria a transição de um modelo estatista para uma sociedade liberal-clássica?
Hoppe:
Antes é necessário definirmos rapidamente o que é o estado.  Eu adoto aquilo que pode ser chamado de definição padrão: um estado é uma agência que detém um monopólio da tomada suprema de decisões jurídicas para todos os casos de conflito, inclusive conflitos envolvendo o próprio estado.  Consequentemente, ele também possui o direito de tributar sem enfrentar resistência.
Em microeconomia aprendemos que monopólios são ruins do ponto de vista dos consumidores.  Monopólio, em seu sentido clássico, é entendido como sendo um privilégio exclusivo outorgado a um único produtor de um bem ou serviço — isto é, há uma proibição da livre entrada de concorrência em uma linha específica de produção.  Em outras palavras, apenas uma agência, A, pode produzir um determinado bem, x.  Qualquer monopolista desse tipo é ruim para os consumidores porque, pelo fato de estar protegido contra a entrada de potenciais concorrentes em sua área de produção, o preço do produto x do monopolista será mais alto e a qualidade de x será mais baixa do que seria em um ambiente concorrencial.
Por que este raciocínio deveria ser diferente quando aplicado ao monopólio estatal compulsório da jurisdição de seu território?  O estado detém o monopólio dos serviços jurídicos e policiais.  Por que esta lei econômica não se aplicaria a ele?  Dado que o estado é um monopolista clássico, é de se esperar que o preço de seus serviços (cuja aceitação é obrigatória) sejam mais altos e de menor qualidade do que seria em ambiente concorrencial.  Para piorar, uma vez que o estado é o juiz até mesmo dos conflitos em que ele próprio esteja envolvido, é de se esperar que o estado tenha interesse em causar conflitos para que ele os "resolva" de acordo com seus próprios interesses.  Isso não é justiça (um bem), mas sim injustiça (um mal).
Portanto, respondendo à sua pergunta: Não!  Considero o estado um mal desnecessário.  Em uma ordem natural, com uma variedade de agências de seguro e de intermediação, o preço dos serviços de justiça cairia e a qualidade destes serviços subiria.  Meu livro Democracia - o deus que falhou e meu artigo A produção privada de serviços de segurança explicam em detalhes consideráveis como sociedades sem estado — sociedades autônomas, geridas por si mesmas — funcionariam e gerariam uma prosperidade incomparável.
Agora, a respeito de metas de transição para a liberdade, a resposta é a mesma para qualquer país, seja ele a Turquia ou Alemanha, a França ou a China, a Colômbia ou o Brasil.  A democracia não é a solução — como também não foi a solução para os países do antigo império soviético.  Tampouco a centralização — como ocorre na União Europeia — seria a resposta.
Ao contrário, a maior esperança para a liberdade vem justamente dos países pequenos: Mônaco, Andorra, Liechtenstein, e até mesmo Suíça, Hong Kong, Cingapura, Bermuda etc.  Quem preza a liberdade deveria torcer e fazer de tudo pelo surgimento de dezenas de milhares destas entidades pequenas e independentes.  Por que não uma Istambul livre e independente, que mantém relações cordiais com o governo central da Turquia, mas que não tem de pagar impostos e nem receber repasses, e que não mais reconhece as leis impostas pelo governo central, pois tem as suas próprias?
Como seus antepassados clássicos, os novos liberais não buscam a tomada do governo.  Eles o ignoram e querem que ele os deixe em paz.  Mais ainda: querem se seceder de sua jurisdição para poderem organizar sua própria proteção.  Ao contrário de seus predecessores, que apenas tentaram substituir um governo grande por um menor, os novos liberais levam a lógica da secessão até seu extremo.  Eles propõem secessão ilimitada, isto é, a proliferação irrestrita de territórios livres e independentes, até que o alcance da jurisdição do estado se esvaeça.  Para este fim — e em completo contraste com projetos estatizantes como "Integração Europeia", ALCA, NAFTA, "Nova Ordem Mundial" —, eles promovem a visão de um mundo com dezenas de milhares de países, regiões e cantões livres, de centenas de milhares de cidades livres.  Ou, para serem ainda mais livres, distritos e vizinhanças completamente autônomos e integrados economicamente por meio do livre comércio.  Como será explicado a seguir, quanto menor o território, maior a pressão econômica para se aceitar o livre comércio.  E quanto menores as unidades políticas, maiores as chances de se adotar um padrão monetário baseado em alguma commodity, muito provavelmente o ouro.
Os apologistas de um estado forte e centralizado alegam que tal proliferação de unidades políticas independentes levaria à desintegração econômica e ao empobrecimento.  No entanto, não apenas a evidência empírica contradiz esta alegação — todos os pequenos países citados acima são mais ricos que seus vizinhos —, como também uma reflexão teórica mostra que tal alegação não passa de mais um mito estatista.
Governos pequenos possuem vários concorrentes geograficamente próximos.  Se um governo passar a tributar e a regulamentar mais do que seus concorrentes, a população emigrará, e o país sofrerá uma fuga de capital e mão-de-obra.  O governo ficará sem recursos e será forçado a revogar suas políticas confiscatórias.  Quanto menor o país, maior a pressão para que ele adote um genuíno livre comércio e maior será a oposição a medidas protecionistas.  Toda e qualquer interferência governamental sobre o comércio exterior leva a um empobrecimento relativo, tanto no país quanto no exterior.  Porém, quanto menor um território e seu mercado interno, mais dramático será esse efeito.  Se os EUA adotarem um protecionismo mais forte, o padrão de vida médio dos americanos cairá, mas ninguém passará fome.  Já se uma pequena cidade, como Mônaco, fizesse o mesmo, haveria uma quase que imediata inanição generalizada.
Imagine uma casa de família como sendo a menor unidade secessionista concebível.  Ao praticar um livre comércio irrestrito, até mesmo o menor dos territórios pode se integrar completamente ao mercado mundial e desfrutar todas as vantagens oferecidas pela divisão do trabalho.  Com efeito, seus proprietários podem se tornar os mais ricos da terra.  Por outro lado, se a mesma família decidir se abster de todo o comércio inter-territorial, o resultado será a pobreza abjeta ou até mesmo a morte.  Consequentemente, quanto menor for o território e seu mercado interno, maior a probabilidade de sua adesão ao livre comércio.
Por fim, irei apenas mencionar, mas sem no entanto adentrar em detalhes explicativos por pura falta de espaço, que a secessão também promoveria uma integração monetária e levaria à substituição do atual sistema monetário baseado em moedas fiduciárias nacionais — que flutuam entre si e se desvalorizam diariamente — por um padrão monetário baseado em uma commodity totalmente fora do controle dos governos.  Em suma, o mundo seria formado por pequenos governos liberais e seria economicamente integrado por meio do livre comércio e por uma moeda-commodity internacional, como o ouro.  Seria um mundo de prosperidade, crescimento econômico e avanços culturais sem precedentes.
O que o senhor tem a dizer a respeito do pensamento libertário em países em desenvolvimento?  Eles podem adotar uma economia de mercado mais livre?  O senso comum é o de que, quanto mais pobre um país, maior a necessidade de um governo forte e provedor.  O senhor é otimista quanto ao futuro destes países no que diz respeito aos valores liberais-clássicos?
Hoppe:
A humanidade foi dotada desta faculdade esplêndida que é a razão.  Por isso, sempre podemos ter a esperança de que a verdade irá vencer no final.  Agora, se é possível ser otimista em relação a um determinado país, isso vai depender totalmente da seguinte questão: quantos membros (em termos de proporção) da elite intelectual deste país possuem um conhecimento sólido a respeito de fundamentos econômicos?  Uma das tarefas centrais de um instituto que divulga ideias econômicas é produzir e multiplicar a quantidade destas pessoas, e assim criar motivos para o otimismo.
O que um país "em desenvolvimento" tem de entender é o seguinte: existem motivos pelos quais alguns países são ricos e outros são pobres — e tais motivos pouco têm a ver com a 'exploração' dos pobres pelos ricos (embora tal coisa indubitavelmente também ocorra).  Há apenas um caminho para a prosperidade geral: divisão do trabalho, poupança e investimento.  Países ricos são ricos porque, por meio de sua poupança e de seu investimento — ambos possibilitados pela divisão do trabalho —, acumularam uma grande quantidade de bens de capital per capita.  Países pobres são pobres porque acumularam pouco capital.  Por que há muita poupança, muito investimento e muito capital acumulado em alguns países e pouco ou quase nada em outros?  Porque em alguns países há, ou houve no passado, um grau relativamente alto de proteção e de garantias à propriedade privada, ao passo que em outros países a propriedade privada está ou já esteve sob constantes ataques, seja por meio da tributação, da regulamentação ou do confisco direto.  Onde a propriedade privada não está protegida, haverá pouca poupança e investimento.
Ademais, é essencial que um país 'em desenvolvimento' entenda que uma moeda forte e um sistema monetário sólido são também um aspecto essencial da segurança à propriedade.  Países com histórico de inflação alta não atraem investimentos e nem permitem a formação de riqueza.  Por isso, é de suprema importância entender a seguinte lei: um aumento na quantidade de papel-moeda criado pelo governo não pode — nunca, jamais — aumentar a riqueza social.  Isso é uma impossibilidade física.  Afinal, imprimir dinheiro significa apenas aumentar o número de pedaços de papel pintado na sociedade.  Tal medida não cria um único bem de capital ou de consumo.  Ela não aumenta o padrão de vida como um todo.  Se fosse fácil assim, se mais dinheiro de papel pudesse produzir maior riqueza, simplesmente não mais haveria uma só pessoa pobre ao redor do mundo.
A única coisa que a inflação pode fazer — e de fato faz — é uma sistemática redistribuição da riqueza social já existente, redistribuição esta que se dá em prol do governo (que é o produtor do dinheiro) e de seus clientes mais imediatos (estatais, funcionários públicos e empresários com boas conexões políticas), e à custa daqueles que recebem este dinheiro por último — e que, ao receberem-no, já estão com seu poder de compra reduzido, pois os preços dos bens e serviços da economia já aumentaram em decorrência desta inflação monetária.  Inflação monetária é o equivalente a roubo e confisco de renda, e os governos dos países 'em desenvolvimento' possuem o histórico de serem os piores agressores à segurança monetária de cidadãos e investidores.
Meu conselho aos países subdesenvolvidos: adquiram a reputação de ser um lugar que respeita a propriedade privada, um lugar em que a propriedade, inclusive o dinheiro, está garantidamente a salvo (pense na Suíça, por exemplo).  Assim haverá uma chance de prosperar.  Caso contrário, nada feito.

Hans-Hermann Hoppe é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo eThe Economics and Ethics of Private Property.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A História das Coisas - Versão em Português





Quem já foi doutrinado em sala de aula com este vídeo conspiracionista de Esquerda?
Eles querem manter uma densidade demográfica de 8 bilhões com as hortinhas do MST?
Puta que pariu...

ZIKA OU ZIca???



Que surpresa, não é verdade?
Vendem o vírus Zika a 599 euros, mas como são tão generosos, o estão inoculando grátis aos mais desafortunados do mundo.
Pode ser comprovado neste link da ATCC.
De acordo com o site, a ATCC se descreve desta forma:

ATCC é a líder em materiais e recursos biológicos e padrões de organização global cuja missão centra-se sobre a aquisição, a autenticação, a produção, preservação, desenvolvimento e distribuição dos microrganismos padrão de referência, linhas celulares, e outros materiais. Embora mantendo materiais de coleta tradicionais, a ATCC desenvolve produtos de alta qualidade, padrões e serviços de apoio à investigação científica e inovações que melhoram a saúde das populações mundiais.

É claro, a OMS já está com seus dedos longos colocando o medo nas manchetes dos grandes meios com a colaboração dos governos de turno, que para isso estão.
Aliás, para os fãs das casualidades, a zona do Brasil onde apareceu este vírus é a mesma zona onde soltaram os mosquitos genéticamente modificados em 2015.

A prefeitura anunciou nesta segunda-feira (2) um convênio com a empresa britânica Oxitecfabricante do inseto, para realizar um projeto de pesquisa na cidade.
Após testes em Juazeiro e Jacobina, na Bahia, a empresa obteve aprovação federal de biossegurança para soltar os animais. O aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para comercializar o serviço, porém, ainda não saiuPor isso o projeto em Piracicabaocorre como teste, subsidiado pela empresa.



Já sabemos, dos mesmos produtores da fraude da gripe aviária, aos que lhes saiu mal a campanha do Ebola, agora trazem ao mundo inteiro “Zika: Grave Ameaça Mundial”. Aplausos.
Texto e imagens acima de cronsub.com. Tradução: Caminho Alternativo


Estes mosquitos genéticamente modificados pertencem à britânica Oxitec, uma empresa de biotecnologia que foi comprada pela Intrexon, conforme noticiado em agosto de 2015. No Brasil a Oxitec foi contratada pelo governo, para “fornecer um pacote de serviços, que vai desde o treinamento de agentes públicos ao combate de possíveis epidemias de dengue”, uma contratação com a aprovação da Anvisa.
A Anvisa, vale lembrar, é o orgão que demonstrou estar atuando no boicote aos testes clínicos com a fosfoetanolamina sintética, a substância que é apontada como a cura do câncer. Enquanto boicota a fosfoetanolamina por “falta de testes clínicos”, aprova a soltura de mosquitos genéticamente modificados sem prova alguma de sua eficácia e qualquer estudo sobre as consequências futuras, como por exemplo, a mutação genética do mosquito e a potencialização do contágio.


Mas quem está por trás da Intrexon? Basta seguir o rastro do dinheiro, ou seja, quem financia a quem. Esta é a posição acionária da empresa de acordo com o site da NASDAQ:


Na lista estão a Vanguard GroupBlackRockMorgan StanleyState Street CorpThird Security, entre outras. São empresas/fundos de investimento e bancos que pertencem às dinastias de banqueiros Rothschild e Rockefeller. As mesmas empresas que são proprietárias dos grandes laboratórios e que lucram bilhões com a industria do câncer, através dos quimioterápicos e radioterápicos.


Tendo estes dados em mãos, é possível imaginar qual seria o plano. Algo parecido ou pior com o que aconteceu com o H1N1 e o Ebola. Espalhar o vírus, matar milhares de pessoas e em seguida lucrar com a “cura”, ou seja, as vacinas.
O Ebola por sinal, foi patenteado pelo governo dos EUA em 2009(link1 e link2), com a participação do exército dos EUA e o usureiro George Soros, que financia, através de suaFundação Open Society, os laboratórios militares em Serra Leoa e Libéria.
Outro vírus patenteado com fins de lucro, conforme revelado pelo leitor Fernando, foi o H1N1, cujo detentor dos direitos sobre a medicação e a vacina era Donald Rumsfeld, secretário de defesa dos EUA no governo Bush filho, comprou quase toda a produção de anis estrelado da China, componente indispensável para a fabricação do TamifluDepois que a relação entre ele e o Tamiflu foi descoberta tiveram que abrir a patente dos remédios para a gripe.
Recentemente informaram que o Zika, além de ser responsável pela microcefalia, poderia ser contagioso através de relações sexuais, leite materno e sangue. Sendo assim as mulheres evitarão engravidar e maior será o medo em ter relações sexuais ou trocar fluídos corporais. Uma ferramenta da elite globalista para promover a redução populacional e é claro, lucrar.
Tudo isto é parte de uma satânica agenda para chegar ao Governo Mundial, onde um seleto grupo de bilionários sionistas pretende governar o mundo com seus bancos e multinacionais.


https://caminhoalternativo.wordpress.com/2016/01/30/o-virus-zika-e-propriedade-da-fundacao-rockefeller/

Calor na bacurinha - A Putaria com dinheiro público continua!!!!





Trecho do "espetáculo" promovido com dinheiro do fundo cultural do Município de Belo Horizonte no festival Verão Arte e Cultura de 2016. ADVERTÊNCIA: conteúdo adulto, não visualize com menores de idade perto.
** a trupe é a mesma que promoveu aquela intervenção masturbatória em frente ao campus da UFMG.

BUNKER DA CULTURA WEB RÁDIO...A RÁDIO DIFERENTE QUE QUER SER DIFERENTE!



diga a verdade....e o capeta te pega!


“Apodreça Alemanha”

“Racismo mata. Apodreça Alemanha!”

“Tudo de bom vem de cima”

“Terror, ódio e derrocada para a pátria alemã”
“Apodreça Alemanha”

“Por mais estupros das alemãs nativas”
“…ainda amando a morte do povo”
“Pelo extermínio da herança genética alemã”

“Nunca mais Alemanha!”
“Se (a Alemanha) tornou-se vítima de um “processo de embrutecimento” e não destaca o holocausto dentre outros eventos trágicos, desaparece então a obrigação moral da Alemanha a aceitar todos que procuram refúgio dentro de suas fronteiras.” (Deborah E. Lipstadt, Leugnen des Holocaust, Rio Verlag, Zürich 1994, pág. 260)
Segundo o Ministério do Interior, a Alemanha tem “uma obrigação histórica e humanitária em aceitar refugiados.” Esta obrigação histórica resulta da política do Terceiro Reich que provocou a fuga em massa de muitas pessoas dentro do domínio da Alemanha naquela época, e aqueles que não conseguiram fugir, foram alegadamente assassinados aos milhões – no suposto holocausto…
Desde o final dos anos 60 (1960), o povo alemão apresenta um colapso demográfico. A política não faz absolutamente nada, pois as medidas que seriam necessárias para evitar a extinção do povo, lembram supostamente algumas das medidas da política populacional do Terceiro Reich. E por que isso é ruim? Por causa do holocausto…
Se o curso atual continuar, durará apenas ainda duas ou três gerações para que os alemães desapareçam como povo.
Desde 2015, imigrantes chegam aos milhões na Alemanha com o claro objetivo de tomar, dominar e repovoar o país.
O povo alemão não tem o direito de se defender. Ele não tem o direito à autodeterminação que é concedida aos outros povos. O que sobrar dos alemães deve se integrar, desistir de si próprio, desaparecer. Eles devem isso ao mundo após o que eles fizeram em Auschwitz.
A eles é somente permitido se curvar, empreender, trabalhar, para que possam gerar os impostos que são revertidos pelo estado “alemão” à inundação de imigrantes oriunda do terceiro mundo. Os alemães são trabalhadores forçados em seu próprio país. Assim que os servos alemães saldarem suas dívidas, eles desaparecerão coletivamente. O povo alemão está sendo erradicado, exterminado. E muitos alemães ajudam voluntariamente nesta empreitada. Eles estão felizes a pagar penitência por Auschwitz: “Apodreça Alemanha!”
Se não acontecer um milagre (ou uma revolução), não haverá mais alemães em 100 anos. Contudo, em 100 anos ainda existirão ainda milhões de judeus e seus aliados sionistas que contarão a história, como os alemães exterminaram os judeus. Quem observar atentamente, reconhecerá, todavia, que a verdade é exatamente o contrário.
Por que então a existência do Revisionismo do holocausto?
Quantos judeus você matou?
Nenhum?
Se você é um alemão ou austríaco, essa desculpa de nada serve. Você tem sua parcela de culpa coletiva, responsabilidade coletiva, solidariedade coletiva. Você não conseguirá escapar deste círculo vicioso! Se você quiser continuar a ser alemão, que a Alemanha continue a existir, então você é um nazista, um futuro potencial guarda de uma câmara de gás!
E se você for da Ucrânia, Letônia, Estônia, Lituânia, Romênia, Bulgária, Finlândia, Eslováquia, Croácia, Eslovênia, França, Itália, Espanha, Bélgica, Holanda, Suécia, Noruega, Dinamarca, então muitos de seus parentes colaboraram com os nazistas. Então você também está envolvido! Todos os europeus! Todos os europeus estão no mesmo barco!
Se um índio quiser permanecer índio e cultivar sua cultura, isso é louvável. Se um turco quiser permanecer turco, então está tudo em ordem! Mas um alemão? Nazista!!!
Continue a pensar assim, o holocausto não te interessa – até o próximo imigrante muçulmano xingá-lo de nazista, ofendê-lo, incomodá-lo, roubá-lo, assaltá-lo, violentá-lo e assassiná-lo, e as mídias mentirosas se colocarem ao lado do imigrante e estamparem de nazista e perseguirem todos aqueles que protestam contra isso.
“Em 1945 eu nem tinha nascido!
Eu não devo porcaria nenhuma!”
Rugiu alto, leão!
Mas enquanto os poderosos verem outra coisa, você não apita nada!
Se houvesse eleições no próximo domingo, segundo uma pesquisa atual, 85% dos eleitores votariam nos partidos que há mais de 40 anos permanecem displicentes ou executam um programa político para a eliminação da Alemanha e extermínio do povo alemão: CDU-CSU-SPD-Linke-Grüne. Mas ao mesmo tempo, 90% dos alemães são contra o extermínio de seu próprio povo.
Primeira pergunta: quantos alemães podem pensar por si só?
Segunda pergunta: Um povo merece sobreviver, onde 85% das pessoas não pensam de forma independente e consequente?
Eu acho que não!
Portanto, comece a pensar, ou não reclame se ainda hoje seu filho for atacado, amanhã sua filha ser estuprada, depois um imigrante terá um lugar compulsório em sua casa, e finalmente até sua casa ser confiscada para acolher mais imigrantes.
Democracia é uma forma de governo, onde o povo tem o governo que elegeu.
Até agora o povo alemão sempre elegeu seu próprio carrasco. Está mais do que na hora de abandonar este costume suicida!
Germar Rudolf

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

o socialismo clássico já era...o inimigo agora é outro!

O século XX testemunhou o surgimento, a expansão e o fim do mais trágico experimento da história humana: o socialismo.  O experimento resultou em significativas perdas humanasdestruição de economias potencialmente ricas, e colossais desastres ecológicos.  O experimento terminou, mas a devastação irá afetar as vidas e a saúde das futuras gerações.
A real tragédia deste experimento é que Ludwig von Mises e seus seguidores — que estão entre as melhores mentes econômicas deste século — já haviam explicitado a verdade sobre o socialismo ainda em 1920, mas seus alertas foram ignorados. — Yuri Maltsev (1990).
O socialismo está morto tanto como ideologia quanto como movimento político.  Trata-se de um exemplo de um deus que fracassou.
O socialismo é uma forma muito específica de opinião econômica.  Um socialista acredita que o governo deve ser o proprietário dos meios de produção.  É isso que o socialismo sempre significou: controle estatal dos meios de produção.
Quando Ludwig von Mises refutou o socialismo em 1920, ele tinha em mente exatamente esse enfoque econômico. 
Eis o seu argumento comprovando que o socialismo é uma impossibilidade prática: se o governo detém todos os bens de capital (máquinas, ferramentas, instalações etc.) de uma economia, então não há um mercado para esses bens.  Não havendo mercado para esses bens, não há uma correta formação de preços para eles.  Sem preços, os planejadores não têm como estabelecer o valor dessas ferramentas.  Consequentemente, não há como uma agência de planejamento central determinar quais são os custos de produção dos bens de consumo mais demandados.  Com efeito, não há sequer como determinar quais os bens de consumo mais demandados.  É necessário haver um livre mercado para que haja uma precificação dos bens de consumo e dos bens de capital.  Em uma economia socialista, não há nenhum dos dois.  Consequentemente, disse Mises, um planejamento econômico socialista é inerentemente irracional.
Esse argumento de Mises foi ignorado pela vasta maioria dos socialistas, e nunca foi levado a sério pelos keynesianos.
No entanto, quando a economia da União Soviética entrou em colapso no final da década de 1980, ficou claro pelo menos para Robert Heilbroner, professor de economia multimilionário e de esquerda, que Mises estava certo.  Ele próprio admitiu isso em um artigo na revista The New Yorker intitulado "Após o Comunismo" (10 de setembro de 1990). Ele literalmente disse a frase: "Mises estava certo". 
Ato contínuo, Heilbroner disse que os socialistas teriam de mudar de tática, parando de acusar o capitalismo de ineficiência e desperdício, e passar a acusá-lo de destruição ambiental.  Consequentemente, deveriam ser criadas inúmeras burocracias, regulamentações e leis com a explícita intenção de subverter totalmente as características do capitalismo a ponto de fazer com que, segundo os próprios socialistas, o novo arranjo social gerado não possa de modo algum ser considerado capitalismo. 
Adicionalmente, Heilbroner disse que o socialismo era simplesmente uma ideologia morta.
No momento, não há virtualmente ninguém fora da América Latina, da Coréia da Norte e do Zimbábue que abertamente argumente em favor do socialismo clássico.  Coréia do Norte e Cuba oficialmente são economias comunistas.  Como consequência, são assolados pela miséria.  Suas economias não têm influência nenhuma no mundo.  Ninguém mentalmente são utiliza esses países como modelo econômico.  O Zimbábue é gerido por uma tribo marxista, e também ninguém quer imitá-lo.
Embora os marxistas costumassem alegar que as deficiências da União Soviética nada tinham a ver com o marxismo, o fato é que a humilhante dissolução de um regime que sempre afirmou ser marxista representou um profundo e fatal golpe para a ideologia.
Conheci vários marxistas no norte da Nigéria.  Eles eram jovens e confusos, mas acreditavam em uma explicação vagamente marxista para seu descontentamento.  Eles não eram militantes, exceto mentalmente.  Se houvesse uma manifestação, eles talvez se juntassem a ela, mas não matariam ninguém pela ideologia.  Eles se contentavam meramente em proferir palavras.
Com o colapso da União Soviética, surgiu um vácuo ideológico para aquelas pessoas que buscavam uma explicação total para seu descontentamento — pessoas que, graças à difusão cultural, eram provavelmente mais numerosas e estavam mais desesperadas do que nunca.  A única alternativa disponível, e uma muito mais profunda do que o marxismo, era o islamismo fundamentalista.  O islã prospera naqueles locais onde o marxismo não mais possui grande influência.
O principal inimigo é outro
Com o colapso do socialismo clássico ocorreu o fortalecimento dos social-democratas. 
Estes aceitam a existência de uma economia de mercado e também aceitam a propriedade privada sobre a maior parte dos meios de produção.  Aceitam também que o mercado precifique grande parte dos bens de consumo de uma economia. 
Mas, assim como os socialistas, eles defendem políticas redistributivistas.  Assim com os socialistas, eles defendem o confisco de uma fatia da renda dos indivíduos produtivos da sociedade e sua subsequente distribuição para os não-produtivos.  Assim como os socialistas, eles acreditam que os burocratas do governo devem intervir no mercado e redistribuir riqueza.  Eles não se importam se isso irá reduzir o crescimento econômico.  Eles são motivados pela inveja.  Eles estão dispostos a ver uma economia produzindo menos desde que isso satisfaça sua demanda por algo que seja semelhante a uma igualdade econômica.
Mas há diferenças.
Ao passo que, para os socialistas clássicos, o objetivo era a estatização dos meios de produção, a erradicação da classe capitalista, e a tomada de poder pelo proletariado, os social-democratas entenderam ser muito melhor um arranjo em que o estado mantém os capitalistas e uma truncada economia de mercado sob total controle, regulando, tributando, restringindo e submetendo todos os empreendedores às ordens do estado. 
O objetivo social-democrata não é necessariamente a "guerra de classes", mas sim um tipo de "harmonia de classes", na qual os capitalistas e o mercado são forçados a trabalhar arduamente para o bem da "sociedade" e do parasítico aparato estatal.  Os social-democratas, muito mais espertos que os socialistas, entenderam que têm muito mais a ganhar caso permitam que os capitalistas continuem produzindo e gerando riquezas, ficando os social-democratas com a tarefa de confiscar uma fatia dessa riqueza e redistribuí-la para suas bases.
Politicamente, os socialistas clássicos queriam uma ditadura do partido único, com todos os dissidentes sendo enviados para os gulags.  Já os social-democratas preferem uma ditadura "branda" — aquilo que Herbert Marcuse, em outro contexto, rotulou de "tolerância repressiva" —, com um sistema bipartidário em que ambos os partidos concordam em relação a todas as questões fundamentais, discordando apenas polidamente acerca de detalhes triviais — "a carga tributária deve ser de 37% ou de 36,2%?".
E há características de atuação ainda mais nefastas.
Ao mesmo tempo em que os social-democratas mantêm os pequenos empresários sob restritos controles e regulamentações, eles fornecem trânsito livre para os grandes empresários, os quais, em troca de propinas e doações de campanha, usufruem a liberdade de fazer conluio com políticos e burocratas e, com isso, auferirem grandes privilégios e favores.  Políticos concedem a seus empresários favoritos uma ampla variedade de privilégios que seriam simplesmente inalcançáveis em um livre mercado.  Os privilégios mais comuns são restrições de importação, subsídios diretos, tarifas protecionistas, empréstimos subsidiados feitos por bancos estatais, e agências reguladoras criadas com o intuito de cartelizar o mercado e impedir a entrada de concorrentes estrangeiros
(E estamos aqui desconsiderando os privilégios ilegais, como as fraudes em licitações e o superfaturamento em prol de empreiteiras, cujas obras são pagas com dinheiro público).
Em troca desses privilégios (legais e ilegais), os grandes empresários beneficiados lotam os cofres de políticos e burocratas com amplas doações de campanha e propinas.
Ou seja, neste arranjo social-democrata, quem realmente arca com a fatura são os pequenos empresários e os assalariados que trabalham nessas pequenas empresas.
Economicamente, os social-democratas são keynesianos.  Mas é um grande erro dizer que o keynesianismo é socialista.  O keynesianismo claramente não é socialista.  O keynesianismo defende as características básicas do capitalismo.  Sempre defendeu.  O próprio Keynes poderia ser considerado um defensor do capitalismo.  Ele acreditava que, para aditivar a economia, o estado deveria intervir no mercado aumentando seus gastos.  Para isso, ele defendia que o estado ou criasse dinheiro do nada ou pegasse dinheiro emprestado dos capitalistas.  Keynes queria que o estado saísse comprando bens e serviços para estimular a economia.  Ele queria ver uma expansão do capitalismo, mas ele acreditava que os déficits orçamentários do governo e a inflação monetária do banco central seria a melhor maneira de restabelecer a produtividade econômica do capitalismo durante uma recessão.
Na prática, o keynesianismo é uma política que beneficia grandes empresários.  Sempre que o governo aumenta os gastos públicos e incorre em déficits orçamentários, ele aumenta os lucros de alguns empresários privilegiados (ou ineficientes) à custa dos pagadores de impostos.
Por exemplo, se o governo disser que irá gastar mais com assistencialismo, os bancos irão financiar o déficit e os pagadores de impostos ficarão com os juros.  Se o governo disser que irá gastar mais com saúde, além dos bancos, as empresas do ramo médico — desde as grandes fornecedoras de equipamentos caros aos mais simples vendedores de luvas de borracha — também irão lucrar mais. 
Quando o governo decide "estimular" a economia por meio de mais gastos, ele pode fazer duas coisas: ou ele pode contratar uma empresa privada para fazer alguma obra de infraestrutura, ou ele pode executar seus dispêndios por meio de alguma estatal, o que inevitavelmente também gerará toda uma série de lucros privados, não apenas em prol de seus empregados, mas também e principalmente em prol de empreiteiras, fornecedores, clientes etc.
Conclusão
Social-democratas são keynesianos e são defensores do estado assistencialista e do capitalismo de estado.  Eles defendem regulação da economia, impostos sobre todo o setor produtivo e privilégios para grandes empresas.  Isso custa caro em termos de impostos e regulamentações para os pequenos empresários.
Eles querem dirigir o sistema capitalista da mesma maneira que os fascistas da década de 1930
Eles defendem que os meios de produção sejam propriedade privada, mas querem especificar aos proprietários o que eles podem e o que eles não podem fazer com seu capital.  Eles querem dirigir a produtividade do capitalismo. 
Em troca disso, concedem favores e privilégios aos grandes empresários.
Eles, a princípio, não defendem estatização dos meios de produção (isso é um fetiche marxista).  Eles apenas querem ter o porrete para dirigir o sistema produtivo, mas não querem a responsabilidade por ter feito isso.
Eles estão satisfeitos em ter um sistema corporativo produtivo o suficiente para beneficiar o governo com grandes receitas.  Eles gostam dessa galinha dos ovos de ouro.  Parasitas não querem matar seus hospedeiros. 
Já o socialismo é, por definição, uma filosofia econômica na qual o hospedeiro é morto.  A esquerda atual é majoritariamente composta por parasitas, idealistas e bon vivants, e não por comunistas linha dura.  A esquerda atual quer manter os ovos de ouro fluindo para seus cofres.
O keynesianismo, a social-democracia e o conluio entre políticos keynesianos e grandes empresários são os inimigos atuais.
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Murray N. Rothbard (1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.
Gary North, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história.

13/01/2016 - Festa de colônia

CARNAVAL PRA QUEM E PRA QUE?

Na sexta/sábado próximo inicia a maratona do carnaval, mas em alguns locais já começaram aproveitando o verão e por ser area turística. Ao pensarmos sobre o Carnaval, temos o hábito de considerá-lo como uma típica festa brasileira.
No entanto, podemos afirmar que o carnaval não é uma festa brasileira.
O carnaval é originário da Roma Antiga e, incorporado pelas tradições do cristianismo, passou a marcar um período de festividades que aconteciam entre o Dia de Reis e a quarta-feira anterior à Quaresma. Em Roma, a Saturnália seria a festa equivalente ao carnaval. Nela um “carro naval” percorria as ruas da cidade enquanto pessoas vestidas com máscaras realizavam jogos e brincadeiras.

Segundo outra corrente, o termo “carnaval” significa o “adeus à carne” ou “a carne nada vale” e, por isso mesmo, traz em sua significação a celebração dos prazeres terrenos. Em outras pesquisas, alguns especialistas tentam relacionar as festas carnavalescas com os rituais de adoração aos deuses egípcios Ísis e Osíris.
Mesmo contado com a resistência de algumas alas mais conservadoras, o Carnaval passou a contar com um período de celebração regular quando, em 1091, a Igreja oficializou a data da Quaresma. Contando com esse referencial, o carnaval começou a ser usualmente comemorado como uma antítese ao comportamento reservado e à reflexão espiritual que marcam a data católica. Assim, a festa carnavalesca passou a ser compreendida como um período onde as obrigações e diferenças do mundo cotidiano fossem anuladas.
Durante a Idade Moderna, os bailes de máscara, as fantasias e os carros alegóricos foram incorporados à festa. Com o passar do tempo, as características improvisadas e subversivas do Carnaval foram perdendo espaço para eventos com maior organização e espaços reservados à sua prática. Grande parte da inspiração do nosso carnaval contemporâneo foi trazida com a grande influência que a cultura francesa teve no Brasil, principalmente, no século XIX.
Atualmente, o prestígio alcançado pelos desfiles de carnaval, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, e a disseminação das chamadas micaretas trouxeram novas transformações ao evento. Alguns críticos chegam a afirmar que o sentido popular da festa perdeu lugar. Apesar dessas mudanças, esse quatro dias do calendário são aguardados com muita expectativa. Seja pela expectativa do festejo, ou pelo descanso.
O que sempre foi uma festa espontânea e popular foi tomada pela intervenção estatal e seu paternalismo de promover tudo para todos. Para acabar com a festa dita mais elitizada nos salões de clubs e sociedades culturais, o Estado empurrou o povo pra rua patrocinando desfiles, blocos e estruturas criando a moda que carnaval é na rua e com todas as classes sociais juntas, ou seja, igualando a todos.

Impossível igualar desiguais...então, hoje temos uma sociedade que não sabe o que é e como brincar carnaval, apenas faz numero e cria estatísticas de público e violência. Aí vem o Estado e cria REGRAS para brincar o carnaval de rua como se fosse em um clube fechado.
E nos salões que era a opção para quem pudesse pagar para brincar, acabou esvaziado, porque ninguém quer ser politicamente incorreto e se achar preconceituosos de não ir pra rua com a massa e comandada pelas regras estatais.
Para mim brinca carnaval onde se quer e onde se pode. Não tem dinheiro, vai pra rua ou fica em casa, tem para pagar, vai para algum salão de clube, simples assim e sem a necessidade do Estado e a mídia comandar o modismo que matou a essência da festa.