Bunker da Cultura Web Rádio

terça-feira, 3 de março de 2026

O segregacionismo do governo Lula

 


A democracia, frequentemente celebrada como um sistema de representação igualitária e busca pelo bem comum, cada vez mais tem mostrado sua verdadeira face como um mecanismo para intensificar conflitos sociais. Essa visão, enraizada na tradição liberal clássica e na Escola Austríaca de Economia, argumenta que o regime democrático não elimina a exploração, mas a redistribui por meio de coerção estatal sancionada pelo voto.

Inspirados em pensadores destacam como o estado democrático se torna um campo de batalha, onde grupos organizados capturam o poder para transferir recursos e privilégios, fomentando antagonismos entre classes, ideologias e setores sociais. No Brasil contemporâneo, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), essa dinâmica se manifesta de forma evidente, com o uso de narrativas políticas e culturais para dividir a população, promovendo uma polarização que beneficia o poder estabelecido às custas da coesão social.

Para entender como a democracia pode alavancar divisões, é essencial distinguir a perspectiva liberal do conflito social da visão marxista tradicional. Enquanto o marxismo foca na luta entre burguesia e proletariado baseada na propriedade dos meios de produção, liberais clássicos como Charles Comte, Charles Dunoyer e Augustin Thierry identificam o verdadeiro embate entre produtores – aqueles que geram riqueza por meio de trocas voluntárias no mercado – e políticos, que se apropriam coercitivamente através do poder do estado.

No âmbito democrático, o sufrágio universal e o estado de bem-estar ampliam essa predação: decisões majoritárias, cobertas por um véu de legitimidade eleitoral, permitem a supressão de direitos individuais em nome de “benefícios sociais”. Como observa o professor Hoppe em Democracia, o Deus que falhou, o estado democrático incentiva grupos a maximizarem ganhos às custas dos outros, transformando a política em uma “pilhagem legalizada”.

No Brasil, essa crítica ganha contornos práticos com confete e enredos de samba. O governo Lula, em vez de promover harmonia, políticas e comunicações oficiais exacerbam antagonismos entre classes econômicas, grupos religiosos e ideologias políticas, criando uma sociedade fragmentada onde o “nós contra eles” sustenta o poder.

Um caso ilustrativo ocorreu em fevereiro de 2026, quando o perfil oficial da Casa Civil da Presidência da República no X (antigo Twitter) publicou um meme baseado em diálogos do reality show Big Brother Brasil. A postagem ironizava cidadãos com renda mensal superior a R$ 5 mil, rotulando-os como meros “playboys”, enquanto exaltava aqueles com rendas inferiores como possuidores de “carisma alto”, já que agora não mais precisariam pagar imposto de renda. Essa narrativa não apenas simplifica a complexidade econômica – ignorando que muitos “playboys” são trabalhadores que sustentam famílias e pagam impostos elevados –, mas reforça um conflito entre classes aos moldes marxistas.

O último episódio que pode ilustrar essa situação ocorreu durante o Carnaval de 2026, no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Financiado parcialmente com verbas públicas – o que levanta questões sobre uso eleitoral de recursos estatais –, o desfile incluiu uma ala chamada “Neoconservadores em Conserva”, retratando evangélicos, representantes do agronegócio, defensores de valores tradicionais e críticos do governo dentro de latas de conserva. Essa sátira, vista por muitos como deboche à fé cristã e ao conservadorismo, provocou reações imediatas de parlamentares e lideranças religiosas, que acusaram a encenação de ultrapassar a sátira para o preconceito.

Como argumenta a tradição, isso não apenas gera ressentimento – entre pagadores de impostos e beneficiários, ou entre grupos religiosos e seculares –, mas compromete a base produtiva da sociedade. Ao contrário da narrativa de que a democracia mitiga o conflito de classes, ela o perpetua no Brasil, transformando cidadãos em “inimigos” a serem combatidos e segregando a população entre “bons e maus” (dentro das considerações do governo atual). Como alerta Raico, a democracia moderna não promove justiça, mas um campo de antagonismo permanente. No fim, o povo dividido é um povo mais fácil de governar – uma lição que os governos aplicam com maestria.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Mentiras anti-fascistas

 

Esta inscrição permaneceu por décadas em Auschwitz,
enganando todos os visitantes do campo

R. A inveja humana não poupou nem as vítimas do Campo de Concentração de Auschwitz. Em 1989, quando os dinamarqueses e búlgaros também receberam uma homenagem em forma de lápide, embora lá não tenha morrido nenhum dinamarquês e apenas um búlgaro, as organizações judaicas reclamaram da falta de destaque em Auschwitz, pois os judeus tinham sido as principais vítimas do campo. Ainda por cima estava gravado falsamente nas lápides, que das 4 milhões de vítimas do extermínio, 2 milhões seriam polonesas. [191] Uma comissão, iniciada por causa desta polêmica, determinou finalmente, em 1990, que no campo de Auschwitz não morreram quatro milhões como até então era divulgado oficialmente, mas “apenas” 1,5 milhões de pessoas, dentre as quais 90% teriam sido da religião judaica. Consequentemente as antigas lápides de Auschwitz-Birkenau foram removidas, onde era divulgado o número de quatro milhões de vítimas.

P. A retirada das antigas lápides com a inscrição de quatro milhões não está relacionada a algum laudo, que foi elaborado nesta época por um instituto polonês?

R. Sem dúvida alguma, não. O resultado deste laudo pericial de Cracóvia, ao qual você se refere e sobre o qual eu ainda irei abordar, [192] não faz qualquer menção ao número de vítimas.


A nova lápide em Auschwitz-Birkenau:
“Este lugar é um grito eterno de aflição e alerta à humanidade.
Os nazistas assassinaram aqui mais de um milhão e meio de homens, mulheres e crianças.
A maioria foram judeus oriundos de diferentes países europeus. Auschwitz-Birkenau 1940-1945”


Antiga lápide do memorial de Auschwitz-Birkenau com a
cifra propagandística “anti-fascista” de “quatro milhões”,
apresentada em 19 idiomas:
“Quatro milhões de pessoas sofreram e morreram aqui nas mãos dos assassinos nazistas
nos anos de 1940 – 1945”

Interessante é a reação pública sobre a redução oficial do número de vítimas de Auschwitz, das quais eu gostaria de apresentar três exemplos:

Primeiro temos a declaração do publicitário polonês Ernest Skalski na revista Spiegel: [193]

“Agora parece estar seguro o que historiadores já conheciam há muito tempo: que o número de vítimas variava de um até um milhão e meio. Isso altera alguma coisa dentro de nós? Nada muda no quadro geral deste inimaginável crime. Ele continua a englobar ainda os seis milhões de judeus mortos pelos nazis. […]
Quanto a mim, como polonês, eu sinto antes de tudo constrangimento, pois a situação é extraordinariamente lamentável. O equívoco, embora tenha sido cometido por outras pessoas há muito tempo, permanece tendencioso. E foi “nosso” erro, pois esse “nosso” se refere aos adversários do fascismo e do racismo. […]
Eu admito que, às vezes, a verdade deve ser encoberta – ou seja, deve-se mentir, e às vezes até mesmo por motivos nobres, ou por compaixão ou para não ferir a sensibilidade das pessoas. Mas sempre vale a pena saber, por que se faz isso, o que nos traz o desvio da verdade. […]
Mesmo se a verdade não seja sempre o bem, muitas das vezes a mentira é o mal.”

R. A afirmação de Skalskis de que o número de 4 milhões é um equívoco, é claramente falsa, pois podemos comprovar por documentos, que o número de vítimas de Auschwitz baseia-se na propaganda soviética. [194] Para o polonês anti-fascista Skalski, a situação na ´[época foi “lamentável”. Aos meus olhos é lamentável em todo o artigo, ainda mais do que a descoberta do exagero propagandístico que era de conhecimento dos especialistas há décadas, a seguinte frase:

“Eu admito que, às vezes, a verdade deve ser encoberta – ou seja, deve-se mentir, e às vezes até mesmo por motivos nobres, […]”

P. “Às vezes deve-se mentir”: Isso se encaixa também sob o Ethos jornalístico?

R. Antes de tudo à falta deste, e vale refletir o quão o jornalismo se distanciou de seus próprios princípios. Mas não é sutil, como finalmente aqui as mentiras, exageros e relatos tendenciosos nesta questão do holocausto sejam admitidas e em algumas partes “convenientemente” defendidas pelos renomados anti-fascistas e mídias esquerdistas? Pelo menos sabemos o que se encontra nessas mídias!
Em 1998, Wáclaw Dlugoborski, curador de pesquisas do Museu de Auschwitz, descreveu os métodos com os quais o mito das quatro milhões de vítimas de Auschwitz foi mantido no bloco comunista: [195]

“Até 1989, na Europa Oriental, era proibido duvidar do número de 4 milhões de mortos; no memorial de Auschwitz, funcionários que duvidavam da veracidade da estimativa eram ameaçados com medidas disciplinares.”

P. Isso não se diferencia muito do comportamento de muitos países ocidentais, onde funcionários públicos não têm permissão também para duvidar dos aspectos centrais do holocausto, e não só sob ameaça de medidas disciplinares, mas até sob ameaça de processo criminal.

R. Exato. O mesmo vale ainda também hoje na Polônia, onde o dogma dos quatro milhões foi apenas substituído por um novo dogma de cerca de 1 milhão. Na Polônia, o revisionismo do holocausto é da mesma forma punível criminalmente, a exemplo dos países de língua alemã. Depois falaremos mais sobre isso.

A próxima publicação que eu gostaria de citar, é um artigo do Allgemeine Jüdische Wochenzeitung de 27/07/2012. Nele podemos ler que o Conselho Central dos judeus na Alemanha considerou a redução do número de vítimas como um jogo cínico de números. Ele declarou ainda em sua nota de protesto que os fatos históricos não foram discutidos seriamente. [196] Apenas dois anos depois, na ocasião da inauguração das novas lápides em Auschwitz com o número alegado de 1,5 milhões de vítimas, verificamos no mesmo jornal que, segundo os dados científicos, não 4, mas sim 1,5 milhões de pessoas foram assassinadas. [197] Após uma indignação inicial, eles se conformaram com o novo número de vítimas.


A velha e cansada cantiga de lamentações e indignações… – NR.

P. Mas eu li nos jornais que menos de um milhão de vítimas deve ter existido em Auschwitz.

P. E eu ouvi números que ultrapassam em muito os quatro milhões.

R. Auschwitz é visto comumente como o centro do holocausto e, como tal, é o centro das controversas do holocausto e das diferenças de opiniões. Isso se reflete principalmente no número de vítimas, que ululam na literatura e na mídia de massa. Me permitam apresentar uma tabela com uma lista, certamente incompleta, das publicações mais importantes de meios de comunicação públicos e pesquisadores respeitados, sobre o número de vítimas divulgado para o Campo de Concentração de Auschwitz. [198]


Tabela 4 – Alegado número de vítimas de Auschwitz

P. Olha ai, eles estão bem embaralhados, como se os números não tivessem sido comprovados, mas apenas obtidos nos jogar de dados.

R. Diante desta imensa variação do número de vítimas de Auschwitz, eu gostaria apenas de salientar que nunca houve um consenso público sobre quantas pessoas morreram de fato no Campo. Admite-se publicamente hoje que mentiu-se por razões tendenciosas. Diminui-se o número oficial, ou seja, o abençoado número “oficial” de vítimas em 20 a 30% daquele “oficial”, ou seja, a cifra soviética, todavia, sem corrigir o número total de vítimas do holocausto. Quando se conhece esse malabarismo numérico em outros locais do holocausto, que abordaremos futuramente, podemos apenas, impressionados, esfregar os olhos.

Diante deste caos numérico, sim, um amontoado de verdades e mentiras, quem aqui está em condições de fazer com segurança uma afirmação final absoluta, que justifica a perseguição criminal daqueles que pensam diferente?

R – Germar Rudolf

P – Público

Frases do texto original foram destacadas em negrito pela Equipe do Inacreditável – NR.

Quem é Germar Rudolf?


Lições sobre o Holocausto

[191] “Commission try to defuse Auschwitz controversy”, The Canadian Jewish News, 3.10.1990, S. 5.

[192] Compare com o capítulo 3.4.6.

[193] Ernest Skalski, “Ich empfinde Verlegenheit”, Der Spiegel, 30/1990, S. 111.

[194] C. Mattogno, “Die Viermillionenzahl von Auschwitz: Entstehung, Revisionen und Konsequenzen”, VffG 7(1) (2003), S. 15-20, 21-27.

[195] Frankfurter Allgemeine Zeitung, 14.9.98.

[196] “Zynische Zahlenspiele”, Allgemeine Jüdische Wochenzeitung, 26.7.1990, S. 2.

[197] “Neue Inschriften im KZ Auschwitz”, Allgemeine Jüdische Wochenzeitung, 11.6.1992, S. 1.

[198] Lista resumida, extraída da palestra de Robert Faurisson, “Quantos mortos existiram no Campo de Concentração de Auschwitz?”, VffG 3(3) (1999), S. 268-272.

[199] Historische Berater: die Historiker Henri Michel und Olga Wormser. Schwarzweiß-Film, 32 min.

[200] Eugène Aroneanu, Documents pour servir à l’histoire de la guerre. Camps de concentration, Office français d’édition, 1945, S. 7, 196. Als Gesamtopferzahl der Häftlinge deutscher Konzentrationslager wird die
Zahl von 26 Mio. angegeben, S. 197; vgl. die 26 Mio. Opferzahl am Anfang dieses Buches, S. 15.

[201] Tibère Kremer, Vorwort, in: Dr. Miklos Nyiszli, “SS-Obersturmführer Doktor Mengele. Tagebuch eines zum Krematorium von Auschwitz deportierten Arztes”, Les Temps modernes, März 1951, S. 1655.

[202] Bernard Czardybon im Krakauer Prozeß von R. Höß, laut F. Piper, Auschwitz. How Many Perished. Jews, Poles, Gypsies…, Poligrafia ITS, Krakow, 1992, S. 7ff.; “Manifestation du souvenir à Paris devant le mémorial
du martyr juif inconnu”, Le Monde, 20. April 1978.

[203] IMT, Bd. XXXIX, S. 241-261. Diese Zahl wurde später unzählige Male wiedergegeben.

[204] David Susskind, Präsident des Centre communautaire laïc juif de Bruxelles, Le Nouvel Observateur, 30.5.1986, S. 19.

[205] Kalifornische jüdische Wochenzeitschrift Heritage, 7. Juni 1993.

[206] Rudolf Vrba, Alan Bestic, I Cannot Forgive, Bantam, New York 1964, S. 269-272.

[207] Yehuda Bauer, A History of the Holocaust, New York, Franklin Watts, 1982, S. 215.

[208] Léon Poliakov, Bréviaire de la haine, Calmann-Lévy, Paris 1951, S. 496.; Georges Wellers, L’Etoile jaune à l’heure de Vichy/De Drancy à Auschwitz, Fayard, 1973, S. 290; Lucy Dawidowicz, The War against the Jews / 1933-1945, New York, Holt, 1975, S. 148f.

[209] Yehuda Bauer, “Auschwitz and the Poles/Fighting the distorsions”, The Jerusalem Post, 22. September 1989, S. 6; dentre eles 1.352.980 de judeus.

[210] Luc Rosenzweig, “Auschwitz, la Pologne et le génocide”, Le Monde, 27. Januar 1995, S. 1.

[211] Georges Wellers, “Essai de détermination du nombre des morts au camp d’Auschwitz”, Le Monde juif, Oktober-Dezember 1983, S. 127-159 ; dentre eles 1.352.980 judeus.

[212] Raul Hilberg, The Destruction of the European Jews, Quadrangle Books, Chicago 1961, S. 572; 2. Aufl., Holmes and Meier, New York 1985, S. 895.

[213] Yisrael Gutman, “Auschwitz – An Overview”, in: ders., Michael Berenbaum, Anatomy of the Auschwitz Death Camp, United States Holocaust Memorial Museum, Indiana University Press, Bloomington und Indianapolis
1994; F. Piper, “The Number of Victims”, ebenda, S. 71f.

[214] Jean-Claude Pressac, Auschwitz: Technique and Operation of the Gas Chambers, Beate Klarsfeld Foundation, New York 1989, S. 264 (http://holocaust-history.org/auschwitz/pressac/technique-andoperation/
pressac0011.shtml); Hachette (Hg.), Le Dictionnaire des noms propres, Hachette, Paris 1992.

[215] Gerald Reitlinger, The Final Solution, Sphere Books, London 1971, S. 500.

[216] Jean-Claude Pressac, Les Crématoires d’Auschwitz. La Machinerie du meurtre de masse, Éditions du CNRS, 1993, S. 148; dentre eles 630.000 judeus gaseados.

[217] Jean-Claude Pressac, Die Krematorien von Auschwitz. Die Technik des Massenmordes, München, Piper, 1994, S. 202; dos quais 470.000 até 550.000 judeus gaseados.

[218] Fritjof Meyer, “Die Zahl der Opfer von Auschwitz – Neue Erkenntnisse durch neue Archivfunde”, Osteuropa. Zeitschrift für Gegenwartsfragen des Ostens, Nr. 5, Mai 2002, S. 631-641 (www.vho.org/D/Beitraege/FritjofMeyerOsteuropa.html); dos quais 356.000 judeus gaseados.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O protocolo da Conferência de Wannsee

 

As falsificações em torno do protocolo da Conferência de Wannsee realizada em Berlim, em janeiro de 1942, onde foi discutida a evacuação dos judeus para os territórios do leste europeu.

“A mídia repete sempre aqui e ali a estória insensata de que o extermínio dos judeus tenha sido decidido em Wannsee.”– Yehuda Bauer

R. Agora, caros ouvintes, eu gostaria de dirigir uma pergunta a vocês. Eu peço o favor para levantarem a mão aqueles que, entre vocês, sabem o que é o Protocolo de Wannsee…

Isto é a grande maioria dos presentes. Agora, por favor, levantem a mão aqueles que presumem conhecer o conteúdo do Protocolo de Wannsee…

Agora são somente algumas pessoas. Eu escolho agora despoticamente, o senhor lá atrás. Você conhece o conteúdo do Protocolo?

P. Sim!

R. Então você poderá nos dizer brevemente, o sentido daquilo que está escrito no Protocolo.

P. Pelo que me lembro, foi decidido na Conferência de Wannsee o extermínio dos judeus europeus, assim como as necessárias medidas para isso.

R. Eu pedi para você me informar o que está escrito no Protocolo, e não o que foi decidido na Conferência. Então? Você leu o Protocolo?

P. Não, mas a gente sabe o que foi decidido lá.

R. Ah, a gente sabe! Então é de conhecimento público? Agora, me permita primeiro falar o que consta e o que não consta no Protocolo de Wannsee.

Este Protocolo trata sobre a dificuldade da definição de meio-judeu e um-quarto-judeu e o número de judeus dentro dos territórios de domínio alemão. Ele relata as medidas executadas até então para proceder com a emigração dos judeus que se encontravam nos territórios de domínio alemão, e explica que no lugar da emigração passou-se à sua deportação para o leste. No contexto, sugere-se que os judeus devam se deslocar para o leste construindo estradas, onde uma redução do contingente se daria em virtude das duras condições. [219]

No Protocolo não se menciona uma única palavra sequer sobre a colocação de judeus em Campos de Concentração ou de extermínio. Também não é mencionado de qual forma os judeus deveriam ser conduzidos a um extermínio sistemático. Já em 1982, o professor Yehuda Bauer, professor na Universidade Hebraica em Jerusalém, declarou textualmente: [220]

“A mídia repete sempre aqui e ali a estória insensata de que o extermínio dos judeus tenha sido decidido em Wannsee.”

P. Isso é exatamente o contrário daquilo que se percebe continuamente na mídia alemã.

R. Isso mesmo. Durou até o ano de 1992, para que a mídia alemã anunciasse pela primeira vez algo nesta direção, na ocasião quando o professor de história de tendência esquerdista, Dr. Eberhardt Jäckel, explicou publicamente que durante a Conferência de Wannsee não foi tomada qualquer decisão; segundo Jäckel, esta tomada já anteriormente, entretanto, ele não cita a fonte de tal premissa. [221] Tais correções de historiadores estabelecidos nada mudou no fato da Conferência de Wannsee ser representada, como de costume, no acontecimento decisivo para a “Solução Final da Questão Judaica”. Quem se interessa por fatos, quando se depara frontalmente com uma boa estória, citando espontaneamente Oscar Wilde?

E eu não gostaria de parar com isso. Há muito tempo existem laudos que passaram despercebidos, os quais demonstram dúvidas quanto à autenticidade do Protocolo de Wannsee. Dentre deste contexto, em 1987, foi publicado pelo Centro de Pesquisas de História Contemporânea, em Ingolstadt, um trabalho detalhado que levanta dúvidas substanciais sobre a autenticidade dos Protocolos. [222]

Um ano depois, o cientista político Udo Walendy publicou um estudo detalhado sobre os Protocolos de Wannsee. [223]

Ele se caracteriza, sobretudo pela investigação das declarações daqueles que participaram da conferência e por causa disso foram levados após a guerra aos tribunais militares dos aliados.

P. Então não é questionado se a conferência tenha acontecido?

R. Não, claro que não. Segundo as declarações dos participantes, nesta reunião foi apresentada a todos por Heydrich, através da procuração dada a ele por Hitler, uma palestra sobre a evacuação dos judeus nos territórios ocupados do leste. Nada foi mencionado sobre extermínio através do trabalho. O conteúdo do suposto Protocolo também não está correto, pois faltam alguns assuntos que foram discutidos, enquanto algumas coisas mencionadas não foram tema do encontro.

A mais recente abordagem na investigação da autenticidade dos Protocolos, em forma de laudo pericial, [224] levou a inúmeros indícios e provas que se trata de uma falsificação, sim, da “falsificação do século”. [225] Junto a vários erros estilísticos e formais, há um ponto central nestes protocolos: o caractere “SS”. É conhecido que a maioria das máquinas de escrever oficiais no Terceiro Reich possuía um caractere próprio com a forma rúnica “SS”. Não seria algo perturbador se na falta de tal máquina alguns dos exemplares do Protocolo – segundo este existiam 30 despachos – fossem escritos com máquinas de escrever comuns.

Torna-se desagradável, porém, quando dos 30 despachos, somente restou o 16° e logo este em pelo menos dois exemplares, um com a versão normal do caractere “SS” e outro com a versão das runas “SS”. Na tabela 5 estão expostas as primeiras variações das versões conhecidas atualmente. Somente uma delas deve ser a versão original, todos os outros exemplares não são autênticos.

De forma semelhante comporta-se com os adendos ao “Protocolo de Wannsee”, que se apresentam analogamente em dois exemplares, uma vez na versão normal da “SS” e outra na versão rúnica da “SS”. Todavia, aqui a coisa é clara: não se tenta apenas preservar os parágrafos, mas também foram copiadas as anotações feitas à mão por algum funcionário público na segunda versão. Infelizmente, em relação ao texto escrito à máquina, essas anotações estão deslocadas alguns milímetros, portanto, a falsificação é notória para qualquer um. A prova da falsificação de pelo menos um destes exemplares foi revelada sem dúvida alguma com isso. Sobre o sentido desta manipulação, pode-se apenas especular.

P. Sobre isso há alguma reação dos historiadores estabelecidos?

R. Prof. Dr. Ernst Nolte mostrou ter dúvidas quanto à autenticidade dos Protocolos [226], e o Prof. Werner Maser, em 2004, considerou a falsificação de pelo menos uma cópia do adendo com os mesmos argumentos sem mencionar, entretanto, o estudo anterior. [227]

P. Ele plagiou então?

R. Ou ele chegou à mesma conclusão por si próprio e não conhece o laudo de Bohlinger. Em todo caso, ele não mencionou quem encontrou primeiro os fatos, o que seria correto.

P. Mas então ele teria citado uma fonte suspeita e se tornaria ele mesmo suspeito.

R. Sim, a mesma escolha entre Cila e Caribdis. De resto, os demais historiadores, mídia e representantes oficiais, permaneceram calados.

P. Mesmo entre os Revisionistas, não há controvérsia se o Protocolo seja realmente uma falsificação?

R. O historiador italiano Carlo Mattogno, cujos trabalhos nós iremos conhecer a fundo mais tarde, tem de fato a visão de que pelo menos uma versão do Protocolo possa ser autêntica. Todavia, ele não vê contradição alguma entre o conteúdo do Protocolo e a principal tese revisionista – não há plano, ordem e execução de um assassinato em massa sistemático, e com isso ele tem razão sem dúvida alguma. Caso se comprove realmente que uma das versões conhecidas do Protocolo de Wannsee, ou alguma a vir ser descoberta, seja autêntica, seria somente afirmado, segundo o conteúdo, que a tese do extermínio não se deixa provar com este documento.

P. Mesmo que uma versão do adendo tenha sido falsificada, isso não prova que a outra seja falsa. E o mesmo vale também para o próprio Protocolo. [228] E além do mais, tudo isso não iria provar que o extermínio não existiu!

R. Está correto. Eu não excluí de propósito a relação do Protocolo de Wannsee à realidade ou não de algum acontecimento, mas somente disse que com isso não se deixa comprovar de forma alguma a tese do extermínio. Eu saliento, entretanto, que a possível falsificação do Protocolo de Wannsee não se trata de algo insignificante. Vejam, apresentando o conteúdo de um documento totalmente inadequado, durante décadas a fio, como prova principal para a própria tese, e este documento é falsificado, então recai-se na suspeita de porventura não possuir qualquer outra prova melhor. Sim, se expõe à suspeita de cumplicidade com o falsificador, ou até com a falsificação. A pergunta que se origina aqui é: alguém que está convencido da veracidade de sua tese, iria lançar mão de uma falsificação? Alguém que tenha a prova para a plausibilidade de sua tese, iria utilizar tal primitiva falsificação e apresentá-la doentiamente como verdadeira mesmo com a notória insustentabilidade?

Entendam-me bem: a prova de um Protocolo de Wannsee falsificado e adulterado, assim como de seu adendo, não prova que o Holocausto não existiu! Ele somente levanta a suspeita que algo está podre. Quem ainda assim impede a livre pesquisa à vista desta situação, depõe claramente contra os direitos humanos fundamentais da livre opinião e liberdade de pesquisa.

Retornando à pergunta colocada inicialmente, quem de vocês leu realmente o Protocolo de Wannsee? Eu vejo que ninguém se manifesta. Caros ouvintes! Eu discorro aqui sobre um tema que pesa sobre o povo alemão, ou seja, contra nosso povo, e para ser mais concreto, contra todos vocês que aqui estão sentados, com a mais terrível acusação criminal da história da humanidade! Eu reconheço que vocês, como acusados, nem ao menos se dão ao esforço em ler a peça principal da acusação.

P. Isso é bobagem. Ninguém acusa a geração do pós-guerra!

R. E a respeito da sempre novamente exigida vergonha coletiva e responsabilidade coletiva?

P. Isso é outra coisa. Isso recai em cada um, se ele aceita isso ou não.

R. Então eu quero ver o político ou o jornalista que renuncia isso publicamente e exige para os alemães o caminho digno e o orgulho nacional como normalmente se vê em outros países, e uma política que defenda os interesses nacionais! Desta forma não se faz na Alemanha nem carreira, nem amigos. Mas seja como for. O que eu queria salientar aqui, é que sejamos conscientes dos fatos aqui expostos; que qualquer um que se deixa levar sobre esse assunto por uma versão verdadeira da mídia e dos historiadores, justamente neste instante, estão abandonados. A repressão de fatos, a educação de jornalistas à censura e a divulgação reconhecida de mentiras não são indícios que nossa mídia nos informe de forma convincente. O que nós precisamos são pessoas racionais, críticas, esclarecidas e independentes, que confrontem nossa mídia e também nossos historiadores com uma boa força de desconfiança.

R – Germar Rudolf
– Público

Frases do texto original foram destacadas em negrito pela Equipe do Inacreditável – NR

Quem é Germar Rudolf?

[219] Compare com a reprodução do fax em Johannes P. Ney, “Das Wannsee-Protokoll”, em Ernst Gauss (Ed.) op. cit. [38], P. 182-189 (www.vho.org/D/gzz/8.html)

[220] “The public still repeats, time after time, the silly story that at Wannsee the extermination of the Jews was arrived at”, The Canadian Jewish News, 20.1.1982, P. 8

[221] Eberhard Jäckel, “Zweck der Wannseekonferenz umstritten”, Frankfurter Allgemeine Zeitung, 22.6.1992, P. 34

[222] Hans Wahls, Zur Authentizität des “Wannsee-Protokolls”, Publicação do Centro de Pesquisa para História Contemporânea, em Inglostadt, volume 10, Inglolstadt 1987; n atabela 5, P. 128, não foram apresentadas todas as versões comparadas de Wahls.

[223] U. Walendy, “Die Wannsee-Konferenz de 20.01.1942”, HT Nr. 35, Verlag für Volkstum und Zeitgeschichtsforschung, Vlotho 1988.

[224] R. Bohlinger, J. P. Ney, Gutachten zur Frage der Echtheit des sogenannten Wannsee-Protokolls und der dazugehöringen Schriftstücke, Deutscher Rechts- und Lebensschutz-Verband (Ed.)

[225] “Die Jahrhundert-Fälschung, das Wannseeprotokoll”, Huttenbriefe, Sonderdruck Junho 1992, como breve publicação do laudo acima de Bohlinger/Ney

[226] E. Nolte, Der Europäische Bürgerkrieg 1917-1945, Ullstein, Frankfurt am Main / Berlin 1987, P. 592;

[227] W. Maser, nota [83], P. 317 et. seq.

[228] Compare também Norbert Kampe, em: Mark Roseman, Die Wannsee-Konferenz, Propyläen, Berlin 2002, P. 157-164

O esquecimento de Schmitt e Heidegger

 

Martin Heidegger e Carl Schmitt

“Igualmente a Nietzsche em ‘O nascimento da tragédia’, Schmitt vê na trajetória parlamentarista a degradação da força da Alemanha. O espírito alemão apresenta sua abdicação mediante transição à democratização e às ‘ideias modernas’. O ‘progresso’ materialista, que parte do século XIX, aparece como uma tendência hostil contra a forte Alemanha.”

Carl Schmitt *

O destino da figura de Carl Schmidt, filósofo do Direito, é um dos tantos exemplos de extremos a que chegaram nas depurações subsequentes ao triunfo das Democracias, em 1945. Este homem, a quem seus próprios inimigos tiveram de reconhecer “duradouros conhecimentos jurídicos e políticos, análises exatas e profundas da sociedade, grande visão histórica, clara distinção entre sistemas políticos e simples formas de governo, erudição e conhecimento técnico”, foi expulso da Universidade e da Associação dos Professores Alemães e condenado à morte, como conseqüência da derrota da Europa durante a Segunda Guerra mundial. Encontraria segurança e exílio apenas na Espanha. Foi considerado culpado, pelo fato de denunciar a degradação do povo alemão frente à Republica de Weimar, e, posteriormente, pelo fato de ter sido um partidário incondicional do Nacional-Socialismo.

Já em sua primeira época, Carl Schmitt ataca violentamente a jurisprudência neokantiana e seu conceito de normas, através dos quais, a seu ver, constitui-se a farsa de Weimar. Partindo da ideia de que todas as representações essenciais da esfera espiritual do homem são existenciais e não normativas, critica o conceito do “metajurídico” de Jellnek e Kelsen. Isto, em outras palavras, diz respeito à interpretação imanente das normas jurídicas vigentes, no momento dado, que convertem o Estado em uma trama de relações vazias e destrói o preconceito que faz do Direito um campo de vigência autônomo, regido por suas próprias leis, sem levar em conta sua gênese social e racial. Desde o primeiro momento, mostra-se irredutivelmente hostil ao sistema parlamentar de Weimar e combate implacavelmente o status quo diante do qual se encontra.

Mediante um grande labor publicista, a seu próprio modo, Schmitt desenvolve uma crítica científica à ideologia liberal e expõe a crise do sistema parlamentar. A Democracia burguesa e o capitalismo liberal revelam seu caráter fortemente contraditório e oposto aos interesses do povo alemão. Ela carece totalmente de conteúdo, sendo a “igualdade” apenas um pressuposto formal. A essência do parlamentarismo consiste na independência dos deputados frente a seus eleitores; esta é a causa de sua própria riqueza, ou da de seu partido, o que pode ser chamado de plutocracia. É a ela que se conduz a ideia de “igualdade”, sempre em benefício das democracias burguesas. A respeito dos países de cunho marxista – em sua época, somente a URSS –, Carl Schmitt prediz lucidamente que “é precisamente uma pseudo-religião de igualdade absoluta que irá abrir o caminho para um terror humano”. Os “eternos direitos do homem” são produtos da mentalidade burguesa e quando esta for superada pela Revolução Nacional de 1933, já não haverá lugar para tais princípios. O pluralismo partidarista é um grave perigo para a formação da vontade estatal, ausentando opções. Assim o filósofo se expressou: “Aparecem cinco listas de partidos formados, de um modo extraordinariamente misterioso e oculto, ditadas por cinco organizações. As massas se repartem em cinco células previamente preparadas e aos resultados estatísticos disso tudo se chama eleição”. Toda a missão do parlamento se reduz a conservar um absoluto status quo e representa, portanto, a dissolução do Estado.

Igualmente a Nietzsche em “O nascimento da tragédia”, Schmitt vê na trajetória parlamentarista a degradação da força da Alemanha. O espírito alemão apresenta sua abdicação mediante transição à democratização e às “ideias modernas”. O “progresso” materialista, que parte do século XIX, aparece como uma tendência hostil contra a forte Alemanha. Como representantes degenerados desse materialismo no seu interior, ele aponta nomes como o de Thomas Mann, Remarque, Freud; comunistas judeus como Paul Lévy, Ruth Fischer e Leo Johisches; além de outros espécimes de reacionários. Mas Carl Schmitt não se limita a uma crítica no plano intelectual, pois é amplamente consciente: “Quando inimigos reais existem, há, também, uma razão em repudiá-los e, sendo necessário, fisicamente lutar contra eles (…). Pois é na guerra onde se está a essência de todas as coisas, sendo a categoria de guerra total um meio que determina o tipo e a estrutura de totalidade do Estado – a guerra total é nada mais que a conseqüência de um inimigo também total”.

Nesta luta contra Weimar, ele ataca toda veleidade restauracionista da volta reacionária ao passado e saúda o Movimento Nacional-Socialista como uma tentativa heróica de manter e fazer com que prevaleça a dignidade do Estado e a unidade nacional frente aos interesses econômicos, proclamando a impotência do socialismo marxista frente às ideias de base da Raça e Nação. Tendo em vista que o parlamento representa a dissolução do Estado (em 1932 demonstrou brilhantemente a arbitrariedade das ordens de 13 de Abril e 5 de Maio, dissolvendo as organizações paramilitares: SA e SS do Partido Nacional-Socialista), faz-se necessária uma ditadura democrática, posto que o máximo grau de identidade de um povo se produz quando este aclama por sua vontade. Tal ditadura é verdadeira; representa a verdadeira democracia, pois é originada do Povo. Em sua obra “Der Führer schütz das Recht“, Schmitt propugna para o Führer o direito e a força necessários, para instaurar um novo Estado em uma nova ordem. “O Führer tomará a decisão que defende o direito contra os piores abusos, dissolvendo a multiplicidade de ordens da unidade de ordem, a prezar pelos interesses do povo alemão”. Depois da guerra, Carl Schmitt seguiu à luta, especialmente contra o reconhecimento infame da linha Oder-Neisse, diante da qual se abateu o governo títere de Willy Brandt, o qual validou a condenação do autor à morte, bem como a postergação de sua obra (inclusive queima de livros). Nos dias de hoje, poucos o conhecem, à exceção de alguns círculos jurídicos.

Martin Heidegger **

“Não existe senão uma ‘classe de vida’ alemã, que é a classe do trabalho. Ela está fixada nos fundamentos de nosso povo, o qual permanece livremente submetido à vontade do Estado. Seu caráter, do mesmo modo, é relacionado ao Movimento do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães”.

“O saber e a posse deste, no sentido compreendido pelo Nacional-Socialismo, não se separa em classes. Pelo contrário, une-as de modo que membros da pátria e dos estados (corporações) representem a única e grande vontade do Estado”.

“É assim que as palavras ‘Saber’ e ‘Ciência’, ‘Trabalhador’ e ‘Trabalho’, receberam outro sentido, dotada de nova sonoridade. O ‘Trabalhador’ não é mais como o quer o marxismo, que dele faz uso como um simples objeto de exploração. O Estado de trabalho não consiste em uma classe de deserdados que devem tomar a responsabilidade completa na luta geral de classes”.

Martin Heidegger nasceu em Messkirch, sendo filho de um modesto sacristão e mestre torneiro, em 26 de Setembro de 1889. A casa paterna gerou-lhe um ambiente de espiritualidade que, por sua vez, terá ligação com praticamente todas as obras suas. A Floresta Negra, sua terra natal, formará parte de seu caráter. “Sein und Zeit” será escrita em boa parte em sua pequena cabana, localizada em Todtnauberg. O próprio Heidegger, mais tarde, afirmará que o fato de pertencer ao seu país, e à gente da Floresta Negra, brindava-lhe com um enraizar com a terra, ao solo e inclusive ao sangue. Teve, através destes preceitos, uma ligação com o também nacional-socialista Walther Darré.

Heidegger cursou seus estudos normais, através dos quais chegou à sua formação na Faculdade de Letras de Freiburg, onde se doutorou em 1914. A partir de 1923, passa a trabalhar como professor em Marburg. Sendo um neoescolástico, Heidegger é considerado o último grande filósofo romântico, bem como o último dos metafísicos clássicos. Confessa-se ele ser um discípulo de Nietzsche. Também estuda com profundidade ao poeta Hölderlin, assim como o fez com Mörike, Hebbel, Rilke, entre outros. Ele costumava dizer que a “Filosofia e a Poesia se mantêm em vales opostos. No entanto, sua mensagem é a mesma”. De Hölderlin recorda um verso: “Onde há o maior risco, há sempre a maior esperança”.


Figura polêmica e sugestiva, seus muitos inimigos não puderam esquecer sua obra, apesar do silêncio que fora provocado sobre sua pessoa. Na raiz de sua morte, ficara um novo renascer. Sartre, em sua covardia habitual, incapaz de silenciar as valiosas contribuições filosóficas de Heidegger, limitava-se a dizer: “O caso de Heidegger é demasiado complexo para expô-lo”. Constam entre suas primeiras obras “Die Lehre vom Urteil im Psychologismus” (1915), “Zur Zeitbegriff in der Geschichtswissenschaft” (1916), “Die Kategorien und Bedeutungslehre des Duns Scotus” (1916). De seu trabalho destaca-se “Sein und Zeit”, que publica em 1927, sendo considerada sua obra máxima e, nos dias de hoje, é bastante familiar em centros filosóficos e teológicos. Uma segunda parte desta obra está ainda por aparecer. Em 1928 publica “Vorbemerkungen der Herausgebers” e um ano depois “Kant und das Problem der Metaphysik”. Em 1936, “Hölderlin und das Wesen der Dichtung”. Em 1942, “Platons Lehre von der Wahrheit”; em 1943, “Vom Wesen der Wahrheit” e em 1944 “Erlanterungen zu Hölderlins Dichtung”. Nos anos do pós-guerra publica sua famosa “Carta sobre o humanismo”, e entre 1953 e 1957, uma série de obras curtas, embora profundamente importantes. Em 1961, aparecem seus dois volumosos tomos sobre Nietzsche, de onde Heidegger recorre à obra que difundiu através de seminários, trabalhos e conferências entre 1936 e 1956. Como ele mesmo afirma, “Para a extensa Filosofia, não pode avançar sem que se deixe de lado sua própria ótica, que é a Metafísica”. Sua preocupação por uma Metafísica será constante em sua obra. O super-homem de Nietzsche será influído por Ernst Jünger (e sua obra “Der Arbeiter”), identificando-o em boa parte com o trabalhador da nova Alemanha – um laço notável com as concepções do Nacional-Socialismo. “Esta Europa que, em incurável cegueira, se encontra sempre a ponto de apunhalar-se a si própria, está cercada por Rússia e América. Ambas, do ponto de vista metafísico, são o mesmo: o mesmo delírio sinistro da técnica desencadeada e da espectral organização do homem normalizado”.

Quando Hitler ganha as eleições que lhe dão o poder, em 30 de Janeiro de 1933, ele fala de trabalho, ética, arte e futuro. Sua linguagem corresponde significativamente às concepções de Heidegger. Neste sentido, é interessante recordar a Cassier que, em 1950, retratou a incontestável inclinação do filósofo pelo anti-semitismo. Möllndorf, membro do Partido Social-Democrata, até então reitor da Universidade de Freiburg, é destituído, sendo proposto a Heidegger a assumir tal posto. Suas ideias antiliberais e antiburguesas correspondem à corrente puramente antidemocrática das universidades alemãs, segundo as palavras de J.P. Cotten, em 1974. O novo reitor é eleito por unanimidade para o cargo, em 21 de Abril de 1933, o que o faz demonstrar publicamente seu apoio ao Nacional-Socialismo. Dez dias depois, ingressa no NSDAP. A imprensa difundiu a noticia comentando: “Sabemos que Heidegger está com seu coração para junto de nosso movimento”. O mesmo Heidegger, na ocasião do aniversário de um estudante morto, pronunciou uma alocução que terminaria com estas palavras: “Honremos o herói e como homenagem, levantemos nossos braços em silêncio”, referindo-se à saudação nacional-socialista. Durante alguns poucos meses, ocupou o cargo de reitor, mas logo se retirou de toda vida pública. Durante toda aquela época, Heidegger foi considerado o “pensador mais importante do nosso tempo”.

Heidegger demonstrou apoiar a Hitler. Por três vezes, nos dias 03, 10 e 11 de Novembro de 1933, se mostra publicamente a favor da retirada da Alemanha da Sociedade das Nações, tendo dito: “A Revolução nacional-socialista não é simplesmente a tomada do poder por outro partido que havia crescido para tal finalidade. Pelo contrário, esta Revolução significa a mudança total de nossa existência alemã”. E também: “Não busqueis as regras de vosso ser nos dogmas e ideias, pois o Führer por si só constitui, de modo único, a realidade alemã de hoje e amanhã; ele é a vossa lei”. Sem mudar em absoluto seu modo de pensar, Heidegger se pronunciou analogamente, dez anos depois, em plena guerra, no ano de 1943: “Nem os dogmas ou verdades racionais devem transformar-se nas normas de nossa conduta. Hoje e sempre, o Führer é o único capacitado para decidir o que é bom ou mal – ele é a nossa única lei”.

Para Heidegger, a Revolução Nacional-Socialista seria o caminho para um autêntico “Dasein”, uma vez próximo do Povo, e este seria unificado pelo Führer. Entre 1933 e 1945 pronunciaria numerosas conferências, entre as quais se destacam aquelas reunidas em torno das “Sendas perdidas”. No entanto, isto tudo não representaria valor ou benefício algum aos vencedores de 1945. Com o término da guerra, os inimigos da Alemanha suspenderam suas funções de professor. A Heidegger proibira-se-lhe lecionar na Universidade de Freiburg. Isto durou até 1951.

Um ano depois, voltou a viver em sua terra natal. Em entrevistas, manteve seu silêncio a respeito da colaboração exercida ao Nacional-Socialismo. Até 1969, nenhuma emissora de televisão da Alemanha ocidental o havia procurado. A respeito de algumas de suas declarações, selecionamos um trecho de uma entrevista publicada no jornal Der Spiegel, em 1966:

Heidegger: Pelo que sei, segundo nossa experiência humana e histórica, tudo o que há de grande e essencial surgiu quando o homem tinha um Lugar e estava enraizado em uma Tradição. A literatura atual em sua maioria é, a meu ver, destrutiva.

Der Spiegel: Se a arte não conhece lugar, não é ela destrutiva por si só?

Heidegger: Bem, deixemos isso de lado. Quero apenas esclarecer que não vejo horizontes na arte moderna – seu olhar, assim como sua busca, é abismal.

Na Alemanha, ao final de 1974, iniciaram-se os preparativos para disponibilidade de suas obras completas, das quais constam 70 tomos. Sem dúvidas, a mais completa e profunda obra filosófica do século XX, estando muito acima dos auto-intitulados “grandes filósofos” de nossa era.

Heidegger morreu longe da vida pública, no silêncio que somente as democracias sabem impor sutilmente, em Maio de 1976, aos 86 anos de idade, em sua terra natal na Floresta Negra. Em nenhum momento arrependera-se de um passado que já formava parte de sua própria vida.

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*Extraído do capítulo “A revolução conservadora”, entre as páginas 123 e 125;

**Extraído do capítulo “Escritos de líderes nacional-socialistas”, entre as páginas 143 e 145.

VÁRIOS AUTORES. THULE: La cultura de la otra Europa. Ediciones Bausp. Barcelona, 1980.

Tradução por Hermann Tholf.