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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Os problemas com o conservadorismo atual

 


Há dois sentidos possíveis para o termo “conservador”. O primeiro classifica como conservador alguém que normalmente apoia o status quo, ou seja, uma pessoa que deseja conservar as leis, as regras, as regulações e os códigos morais e comportamentais que existem em um determinado ponto no tempo.

Dado que diferentes leis, regras e instituições políticas existiram em tempos diferentes e/ou em locais diferentes, aquilo que um conservador apoia depende do lugar e do tempo, modificando-se de acordo. Portanto, nesse sentido, ser um conservador não denota nada de específico, exceto gostar da ordem existente, qualquer que seja ela.

O primeiro sentido, então, pode ser descartado. O termo “conservador”, portanto, deve possuir uma acepção diferente. O único significado que ele pode ter é este: “conservador” se refere a alguém que acredita na existência de uma ordem natural, de um estado de coisas natural, que corresponde à natureza das coisas; que se harmoniza com a natureza e o homem.

Essa ordem natural, é claro, pode ser perturbada por acidentes e anomalias: terremotos e furacões; doenças e pragas; pelo surgimento de desajustados e idiotas; e por guerras, conquistas e tiranias. Mas não é difícil distinguir o normal do anormal (anomalias); o essencial do acidental.

Um pouco de abstração dissipa todas as confusões e permite que quase todos “vejam” o que é e o que não é natural, o que se encontra e não se encontra de acordo com a natureza das coisas. Além disso, o natural é, ao mesmo tempo, o estado de coisas mais duradouro. A ordem natural das coisas é antiga e sempre a mesma (apenas anomalias e acidentes sofrem mudanças); portanto, ela pode ser reconhecida por nós em todos os lugares e em todos os tempos.

“Conservador” refere-se a alguém que sabe distinguir aquilo que é antigo e natural daquilo que representam anomalias e acidentes circunstanciais. Conservador é alguém que defende, apoia e ajuda a preservar o tradicional e o natural contra aquilo que é temporário e o anômalo.

No âmbito das ciências humanas, incluindo as ciências sociais, o conservador reconhece que as famílias (pais, mães, filhos, netos) e os lares familiares que têm base na propriedade privada e na cooperação voluntária com os outros lares familiares como sendo as unidades sociais mais fundamentais, mais naturais, mais essenciais, mais antigas e mais indispensáveis.

Adicionalmente, a família (o lar familiar) também representa o modelo da ordem social em geral. Assim como existe uma ordem hierárquica no seio de uma família, há uma ordem hierárquica dentro de uma comunidade de famílias — de aprendizes e servos, e de mestres, vassalos, cavaleiros, lordes, senhores feudais e até mesmo reis — vinculada por um elaborado e complexo sistema de relações de parentesco. E há uma ordem hierárquica dentro de uma comunidade de crianças, pais, sacerdotes, bispos e cardeais, patriarcas ou papas e, finalmente, um Deus transcendente.

Das duas camadas de autoridade, o poder físico terreno de pais, lordes e reis encontra-se naturalmente subordinado e submetido ao controle da máxima autoridade espiritual e intelectual de padres, sacerdotes, bispos e, por fim, Deus.

Os conservadores (ou, mais especificamente, os conservadores ocidentais greco-cristãos), caso eles apoiem alguma coisa, apoiam e desejam preservar a família, as hierarquias sociais e as camadas de autoridade material e espiritual/intelectual baseadas em — e decorrentes de — laços familiares e em relações de parentesco.

Os problemas com o conservadorismo contemporâneo

O conservadorismo moderno mostra-se confuso e distorcido. Essa confusão decorre em grande parte da democracia.

Sob a influência da democracia representativa, e com a transformação dos EUA e da Europa em democracias de massa após a Primeira Guerra Mundial, o conservadorismo, que era uma força ideológica anti-igualitarista, aristocrática e antiestatista, passou a ser um movimento de estatistas culturalmente conservadores: isto é, formado pela ala direita dos socialistas e dos social-democratas.

maioria dos autoproclamados conservadores contemporâneos está preocupada — como, na verdade, deveria estar — com a decadência das famílias, com o divórcio, com a ilegitimidade, com a perda da autoridade, com o multiculturalismo, com os estilos de vida alternativos, com a desintegração do tecido social, com a promiscuidade e com a criminalidade. Todos esses fenômenos representam anomalias e desvios escandalosos da ordem natural.

O conservador, com efeito, deve se opor a todos esses acontecimentos e tentar restabelecer a normalidade. No entanto, a maior parte dos conservadores contemporâneos (pelo menos a maioria dos porta-vozes do establishment conservador) não reconhece que o seu objetivo de restaurar a normalidade exige mudanças sociais mais drásticas — até mesmo revolucionárias e antiestatistas.

Os conservadores que estão genuinamente preocupados com a desagregação familiar ou com a disfunção e a devassidão cultural deveriam começar a centrar sua artilharia justamente naqueles órgãos estatais responsáveis pela proliferação da poluição moral e cultural — como o Ministério da Educação, o Ministério da Cultura, e todos os demais programas de governo que propõem políticas racialistas e feministas. Todos eles devem ser fechados ou diminuídos em tamanho.

O problema é que, entre os conservadores, ainda não se vê essa oposição inflexível ao envolvimento do estado no campo educacional. Não há o reconhecimento de que a ordem natural na educação significa que o estado não tem nada a ver com ela. A educação é um assunto totalmente familiar.

Além disso, não há o reconhecimento de que a degeneração moral e a promiscuidade cultural possuem causas mais profundas, não podendo ser simplesmente curadas por modificações no currículo escolar (impostas pelo estado) ou por exortações e declamações.

Pelo contrário: os atuais conservadores afirmam que a virada cultural — o restabelecimento (a restauração) da normalidade — pode perfeitamente ser alcançada sem uma mudança fundamental na estrutura do moderno estado de bem-estar social (assistencialista). Quase todos os conservadores defendem explicitamente as três instituições centrais do estado de bem-estar social: a previdência social (seguridade social), a saúde pública (estatal) e o seguro-desemprego.

Eles ainda desejam ampliar as responsabilidades “sociais” do estado, atribuindo-lhe a tarefa de “proteger” os empregos na indústria nacional — por meio de restrições à importação e desvalorizações cambiais.

Sendo assim, há uma questão fundamental a ser abordada: partindo do princípio de que o conservadorismo cultural e a economia social/socialista podem ser psicologicamente combinados (isto é, admitindo que as pessoas possam manter simultaneamente essas duas visões sem sofrerem dissonância cognitiva), será que eles podem também ser combinados em termos de eficácia e de prática (econômica e praxeologicamente)?

É possível manter o nível atual de socialismo econômico (previdência social, seguro-desemprego, saúde e educação estatais, entre outras coisas) e alcançar a meta de restaurar a normalidade cultural (as famílias naturais e as regras normais de conduta)?

A maioria dos conservadores não sente a necessidade de levantar esse tema, pois acreditam que a política é apenas uma questão de vontade e poder. Eles não acreditam em coisas como as leis econômicas. Caso as pessoas desejem alguma coisa e tenham o poder de implementar a sua vontade, tudo pode ser alcançado. Ludwig von Mises caracterizava essa crença como “historicismo”, que era a postura intelectual dos Kathedersozialisten alemães, os acadêmicos Socialistas de Cátedra, os quais justificavam todas e quaisquer medidas estatistas.

Mas o desprezo historicista e a ignorância da ciência econômica não alteram o fato de que existem inexoráveis leis econômicas. Nenhum desejo ou pensamento mágico pode fazer com que tais leis desapareçam. Acreditar no contrário somente pode resultar em fracasso real.

“Na verdade”, observou Mises, “a história econômica é um longo registro de políticas governamentais que fracassaram porque foram projetadas e implementadas com um ousado desrespeito às leis da economia”. À luz das elementares e imutáveis leis econômicas, o programa do conservadorismo atual é apenas um sonho ousado, mas impossível. Nenhum desejo pode alterar o fato de que a manutenção das instituições centrais do atual estado de bem-estar social (assistencialista) e o restabelecimento da família, das normas, da conduta e da cultura tradicionais são metas incompatíveis. Você pode ter ou um — o socialismo (o bem-estar social) — ou outro — a moral tradicional –, mas você não pode ter ambos simultaneamente, pois tais características socialistas (os pilares do atual sistema estatal de bem-estar social que alguns conservadores pretendem deixar intactos) é a própria causa das anomalias culturais e sociais.

A fim de esclarecer esse ponto, é necessário tão-somente recordar uma das leis mais fundamentais da economia que assevera que toda redistribuição compulsória de riqueza ou de renda, independentemente dos critérios em que se baseia, implica tomar à força de alguns — os ricos (os possuidores de algo) — e dar a outros — os pobres (os não possuidores de algo). Assim, o incentivo para ser um possuidor é reduzido, e o incentivo para ser um não-possuidor é estimulado.

Aquilo que o possuidor tem é, caracteristicamente, algo considerado “bom”; e aquilo que o não-possuidor não tem é algo “ruim” ou uma deficiência. Na verdade, esta é a ideia subjacente a qualquer redistribuição: alguns possuem muitas coisas boas, e outros não possuem o suficiente dessas coisas.

O resultado de toda redistribuição, portanto, é que serão produzidos menos bens e cada vez mais males, menos perfeição e mais deficiências. Com a prática de subsidiar com fundos públicos (recursos tomados à força de outros) as pessoas que são pobres, mais pobreza será criada. Com a prática de subsidiar determinados indivíduos porque estes estão desempregados, mais desemprego será criado. Com a prática de subsidiar as mães solteiras, haverá mais mães solteiras e mais filhos ilegítimos.

Obviamente, esse insight fundamental se aplica a todo o sistema (assim denominado) de Previdência Social, o qual foi criado ainda em 1880 na Europa Ocidental. Trata-se, em teoria, de um sistema de “seguro” governamental compulsório contra a velhice, contra a doença, contra os acidentes de trabalho, contra o desemprego, e contra a indigência (entre tantos outros problemas). Em conjunto com o (ainda mais antigo) sistema compulsório de educação pública, essas instituições e essas práticas equivalem a um ataque maciço contra a instituição da família e a responsabilidade pessoal (individual).

Com a prática de aliviar os indivíduos da obrigação de prover os seus próprios rendimentos, a sua própria saúde, a sua própria segurança, a sua própria velhice e a educação das suas próprias crianças, um comportamento mais imediatista passa a ser adotado em detrimento de um comportamento mais frugal e de uma visão mais voltada para o longo prazo. Igualmente, o valor do casamento, da família, dos filhos e das relações de parentesco também é diminuído.

A irresponsabilidade, o imediatismo, a aversão a uma visão de longo prazo, a negligência, a doença e o descuido são promovidos; e a responsabilidade, a visão de longo prazo, a diligência, a saúde e a conservação são desencorajadas e punidas.

O sistema de Previdência Social compulsório, com a sua prática de subsidiar os aposentados (os velhos) por meio dos impostos cobrados dos atuais assalariados e criadores de riqueza (os jovens), enfraqueceu sistematicamente o natural vínculo intergeracional entre pais, avós e filhos. Os idosos, caso não tenham feito qualquer poupança para a sua própria velhice, já não mais precisam contar com a ajuda dos seus filhos; e os jovens (os quais, em geral, possuem menos riqueza acumulada) devem sustentar os velhos (os quais, normalmente, detêm mais riqueza acumulada) — em vez de as coisas serem o contrário (como é típico no seio das famílias).

Assim, no mundo de hoje, as pessoas não só desejam ter menos filhos — e, de fato, as taxas de natalidade caíram pela metade desde o início das modernas políticas de Previdência Social (assistencialistas) –, mas também o respeito que os jovens tradicionalmente concediam aos seus anciãos é diminuído, e todos os indicadores de desintegração (e de disfunção) familiar — como as taxas de divórcio, de ilegitimidade, de abuso por parte dos filhos, de abuso por parte dos pais, de maus tratos conjugais, de família monoparental, de celibato, de estilos de vida alternativos e de aborto — aumentaram.

Ademais, com a socialização (estatização) do sistema de saúde e da regulação estatal do setor de seguros (restringindo o direito de recusa das seguradoras; isto é, o direito delas de excluir qualquer risco individual como impossível e de discriminar livremente, de acordo com métodos atuariais, diferentes grupos de riscos), criou-se uma máquina monstruosa de redistribuição de riqueza e de renda. E tudo à custa de pessoas responsáveis e de grupos de baixo risco e em favor de indivíduos irresponsáveis e de grupos de alto risco.

Os subsídios para os doentes (os enfermos) e os incapacitados (os inválidos) fomentam a doença (a enfermidade) e a incapacitação (a invalidez) e enfraquecem a vontade de trabalhar para o próprio sustento e de levar uma vida saudável. Não é possível fazer melhor do que citar Ludwig von Mises mais uma vez:

“Não existe uma fronteira claramente definida entre a saúde e a doença. Estar doente não é um fenômeno independente de vontade consciente e de forças psíquicas atuando no subconsciente.  A eficiência de um homem não é meramente o resultado de sua condição física; ela depende amplamente de sua mente e de sua determinação. 

O aspecto destrutivo do seguro-saúde e do seguro contra acidentes está, acima de tudo, no fato de que tais instituições promovem (subsidiam) acidentes e doenças, retardam a recuperação, e muito frequentemente criam, ou de alguma forma intensificam e prolongam, os distúrbios funcionais que se seguem às doenças ou aos acidentes.

Sentir-se saudável é bem diferente de estar saudável no sentido médico. Ao enfraquecer ou destruir completamente a vontade de estar bem e apto para o trabalho, a seguridade social cria doença e incapacidade de trabalho; ela produz o hábito da lamúria, que por si só é uma neurose, além de neuroses de outros tipos.

Como instituição social, ela adoenta as pessoas tanto corporeamente quanto mentalmente — ou, no mínimo, ajuda a multiplicar, prolongar e intensificar enfermidades. A seguridade social, dessa forma, fez com que a neurose do segurado se tornasse uma perigosa doença pública. Caso essa instituição seja ampliada e desenvolvida, a doença irá se espalhar. E não há reforma alguma que possa ajudar. Não se pode enfraquecer ou destruir o desejo de se ter saúde sem que isso acabe produzindo mais enfermidades”.

O que já deveria estar claro para os conservadores é que a maior parte, se não a totalidade, da degradação moral e da devassidão cultural — que são claros sinais de retrocesso civilizatório — que verificamos ao nosso redor são os resultados inevitáveis e inescapáveis do estado de bem-estar social (assistencialista) e das suas principais instituições.

Os conservadores clássicos, ao estilo antigo, sabiam disso; e eles se opuseram vigorosamente à educação pública e à Previdência Social. Eles sabiam que os estados em qualquer parte do mundo intencionavam deteriorar, e, em última análise, destruir, as famílias (bem como as instituições, as camadas e as hierarquias de autoridade que são a consequência natural das comunidades baseadas em famílias) para, então, aumentar e reforçar o seu próprio poder.

Eles sabiam que, a fim de fazê-lo, os estados teriam de tirar proveito da revolta natural dos adolescentes (dos jovens) contra a autoridade paternal. E eles sabiam que a educação socializada e a responsabilidade socializada eram os meios de atingir essa meta. A educação pública e a Previdência Social fornecem uma possibilidade para os jovens rebeldes de escapar da autoridade paternal (de escapar de punições por comportamentos impróprios).

Os velhos conservadores sabiam que essas políticas emancipariam o indivíduo da disciplina imposta pela vida familiar e comunitária apenas para submetê-lo, em vez disso, ao controle direto e imediato do estado. Adicionalmente, eles sabiam — ou pelo menos tinham um palpite sobre isso — que tais práticas conduziriam a uma infantilização sistemática da sociedade; a um retrocesso, tanto em termos emocionais quanto em termos mentais (intelectuais), da idade adulta para a adolescência ou a infância.

A ideia de combinar o conservadorismo cultural com o estatismo de bem-estar social (assistencialista) é impossível, sendo, portanto, um disparatado absurdo econômico. O estatismo de bem-estar social — na prática, não importando a maneira ou a forma, trata-se de previdência social — fomenta a degradação e a degeneração moral e cultural. Assim, se há uma genuína preocupação com a decadência moral da sociedade e se há o desejo de que se restabeleça a normalidade no tocante à sociedade e à cultura, é necessário opor-se a todos os aspectos do moderno estado assistencialista.

O retorno à normalidade exige, no mínimo, a completa eliminação do atual sistema de Previdência Social (do seguro-desemprego, da seguridade social, da saúde pública, da educação pública, e dos Ministérios relacionados a essas questões) e, em seguida, a dissolução completa do aparato estatal e do poder governamental atual. Se o objetivo é restaurar a normalidade, os recursos e o poder do governo devem diminuir até os níveis apresentados no século XIX ou mesmo ficar abaixo deles.

Portanto, os verdadeiros conservadores devem ser libertários de linha dura (antiestatistas). O conservadorismo de hoje é falso: ele deseja o retorno à moralidade tradicional, mas ao mesmo tempo defende a manutenção das próprias instituições responsáveis pela perversão e pela destruição da moral tradicional.

O problema com alguns autoproclamados libertários

A fim de restabelecer a normalidade social e cultural, os verdadeiros conservadores só podem ser libertários radicais, e eles devem exigir a demolição de toda a atual estrutura do aparato estatal, pois ela é uma perversão moral e econômica.

No entanto, há uma conhecida resistência de vários conservadores ao libertarianismo. Não desejo aqui aprofundar a análise ou a defesa da teoria libertária. Em vez disso, desejo voltar à questão da relação entre o libertarianismo e o conservadorismo (a crença em uma ordem social natural baseada e centrada nas famílias). Alguns comentaristas superficiais — principalmente do lado conservador –, como Russell Kirk, caracterizaram o libertarianismo e o conservadorismo como ideologias incompatíveis, hostis ou até mesmo antagônicas. [i] 

Na verdade, esse ponto de vista está completamente errado. A relação entre o libertarianismo e o conservadorismo é uma relação de compatibilidade praxeológica, de complementaridade sociológica e de reforço recíproco.

Para explicar isso, deixem-me enfatizar, em primeiro lugar, que a maioria — mas não a totalidade — dos principais pensadores libertários, como uma questão de dado empírico, era formada por conservadores sociais e culturais: por defensores dos costumes e da moralidade burgueses tradicionais.

Mais notadamente, Murray Rothbard — o pensador libertário mais importante e mais influente — era um assumido conservador cultural. Também o era o professor mais importante de Rothbard, Ludwig von Mises. (Ayn Rand, uma outra grande influência sobre o libertarianismo contemporâneo, é um caso diferente, é claro.) [ii] 

Embora isso não revele muito (prova-se apenas que o libertarianismo e o conservadorismo podem ser psicologicamente reconciliados), trata-se de um indicativo de uma afinidade substancial entre as duas doutrinas. Não é difícil reconhecer que a visão conservadora e a visão libertária da sociedade são perfeitamente compatíveis (congruentes).

Não irei me estender aqui em todas as explicações sobre o porquê de ser assim.  Irei apenas me limitar a dizer que a teoria libertária pode realmente fornecer ao conservadorismo uma definição mais precisa e uma defesa moral mais rigorosa do seu próprio objetivo (o retorno à civilização sob a forma de normalidade moral e cultural) do que o próprio conservadorismo jamais conseguiria elaborar. Ao fazê-lo, ela pode afiar e fortalecer a tradicional visão de mundo antiestatista do conservadorismo. [iii]

O problema que quero abordar é outro.

Ainda que os criadores intelectuais do libertarianismo moderno fossem conservadores culturais — e ainda que a doutrina libertária seja totalmente compatível (congruente) com a visão de mundo conservadora (não implicando, como alegam alguns críticos conservadores, um “individualismo atomístico” e um “egoísmo ganancioso”) –, o movimento libertário sofreu uma transformação significativa.

Em larga medida (e de forma completa aos olhos da mídia e do público), ele se tornou um movimento que combina o antiestatismo radical e a economia de mercado com o esquerdismo cultural, o multiculturalismo e o hedonismo pessoal. Ou seja, ele é exatamente o contrário de um programa culturalmente conservador: trata-se de um capitalismo contracultural.

Lamentavelmente, muito do libertarianismo contemporâneo é falso, sendo, na verdade, um libertarianismo contraproducente (assim como as atuais correntes predominantes do conservadorismo).

O fato de que grande parte do libertarianismo moderno é culturalmente esquerdista não se deve a inclinações dessa natureza entre os principais teóricos libertários. Conforme foi observado, eles eram, em sua maioria, conservadores culturais. Em vez disso, trata-se do resultado de uma compreensão superficial da doutrina libertária por muitos dos seus fãs e seguidores; e essa ignorância encontra a sua explicação em uma coincidência histórica e na mencionada tendência (inerente e ínsita) do estado social-democrático assistencialista (de bem-estar social) a promover um processo de infantilização intelectual e emocional (processo de descivilização da sociedade).

O movimento libertário moderno começou nos Estados Unidos na metade da década de 1960. Em 1971, o Partido Libertário americano foi fundado; e, em 1972, o filósofo John Hospers foi nomeado o seu primeiro candidato presidencial.  Era o tempo da Guerra do Vietnã.

Ao mesmo tempo, promovido pelos grandes “avanços” no crescimento do estado de bem-estar social (assistencialista) a partir do início e da metade da década de 1960 nos Estados Unidos e, da mesma forma, na Europa Ocidental (a chamada legislação dos direitos civis e a guerra contra a pobreza), surgiu um novo fenômeno de massa. Emergiu um novo “lumpenproletariado” de intelectuais e de jovens intelectualizados — os produtos de um sistema em constante expansão de educação socialista (pública) — “alienados” da moralidade e da cultura do mainstream “burguesa” (mesmo vivendo com muito mais conforto do que o lumpenproletariado de antigamente graças à riqueza criada por essa cultura dominante).

O multiculturalismo e o relativismo cultural (“viva e deixe viver”) e o antiautoritarismo igualitarista (“não respeite nenhuma autoridade”) deixaram de ser meras fases temporárias e transitórias de desenvolvimento mental (adolescência) e foram elevadas ao status de atitudes permanentes entre intelectuais adultos e os seus alunos.

A oposição íntegra (com princípios) dos libertários à guerra do Vietnã coincidiu com uma oposição pouco difusa da nova esquerda a essa guerra. Adicionalmente, a conclusão anarquista da doutrina libertária atraiu e agradou a esquerda contracultural. Afinal, a ilegitimidade do estado e o axioma da não agressão (segundo o qual não se permite a iniciação — ou a ameaça da iniciação — do uso da força física contra outras pessoas e os seus bens) não implicavam que todos tivessem a liberdade de escolher o seu próprio estilo de vida não agressivo?  Isso não implicava que a vulgaridade, a obscenidade, a grosseria, o uso de drogas, a promiscuidade, a pornografia, a prostituição, o homossexualismo, a poligamia, a pedofilia ou qualquer outra anormalidade imaginável, na medida em que constituíam crimes sem vítimas, fossem estilos de vida e atividades perfeitamente normais e legítimos?

Portanto, não é de se surpreender que, a partir do seu início, o movimento libertário atraiu um número anormalmente elevado de seguidores desequilibrados e perversos.

Subsequentemente, o ambiente contracultural e a “tolerância” multicultural e relativista do movimento libertário atraiu um número ainda maior de desajustados, de fracassados (tanto em termos pessoais quanto em termos profissionais) ou de simples derrotados. Murray Rothbard, em nojo, chamou-os de “libertários vazios” e os identificou como libertários “modais” (típicos e representantes).

Eles fantasiavam uma sociedade em que todos estariam livres para escolher e cultivar
quaisquer estilos de vida, carreiras ou características que não fossem agressivos e em que, graças à economia de livre mercado, todos poderiam fazê-lo em um nível elevado de prosperidade geral.

Ironicamente, o movimento que estabeleceu o objetivo de desmantelar o estado e de restaurar a propriedade privada e a economia de mercado foi, em larga medida, apropriado e moldado em sua face externa pelos produtos mentais e emocionais do estado de bem-estar social (assistencialista): a nova classe de adolescentes permanentes. [iv]

 

[i] Ver Russell Kirk, The Conservative Mind (Chicago: Regnery, 1953); e idem, A Program for Conservatives (Chicago: Regnery, 1955).

[ii] Sobre Murray N. Rothbard, ver os tributos a Rothbard: In Memoriam, editado por Llewellyn H. Rockwell Jr. (Auburn, Alabama: Ludwig von Mises Institute, 1995), especialmente o tributo de Joseph T. Salerno; sobre Ludwig von Mises, ver: Murray N. Rothbard, Ludwig von Mises: Scholar, Creator, Hero (Auburn, Alabama: Ludwig von Mises Institute, 1988); Jeffrey A. Tucker e Llewellyn H. Rockwell Jr., “The Cultural Thought of Ludwig von Mises”, em Journal of Libertarian Studies, 10, n. 1 (1991); sobre Ayn Rand, ver: Tuccille, It Usually Begins with Ayn Rand; Murray N. Rothbard, The Sociology of the Ayn Rand Cult (Burlingame, California: Center for Libertarian Studies, [1972] 1990); e, da perspectiva dos prosélitos de Rand (“randianos”), ver Barbara Branden, The Passion of Ayn Rand (Garden City, N. Y.: Doubleday, 1986).

[iii] Sobre a relação entre o conservadorismo (tradicionalista) e o libertarianismo (racionalista), ver Ralph Raico, “The Fusionists on Liberalism and Tradition”, em New Individualist Review, 3, n. 3 (1964); M. Stanton Evans, “Raico on Liberalism and Religion”, em New Individualist Review, 4, n. 2 (1966); Ralph Raico, “Reply to Mr. Evans”, em ibidem; ver também: Freedom and Virtue: The Conservative Libertarian Debate, editado por George W. Carey (Lanham, Maryland: University Press of America, 1984).

[iv] Murray N. Rothbard forneceu o seguinte retrato do “libertário modal” (LM):

Na verdade, o LM é homem. (…) O LM se encontrava na faixa dos seus vinte anos há vinte anos e, agora, encontra-se na faixa dos seus quarenta anos. Isso não é nem tão banal nem tão benigno como parece, pois significa que o movimento realmente não cresceu nos últimos vinte anos. (…) O LM é bastante promissor e bastante versado na teoria libertária. Mas ele não sabe nada e não se interessa pela história, pela cultura, pelo contexto da realidade ou pelos assuntos mundiais. (…) O LM, infelizmente, não odeia o estado por vê-lo como o instrumento social exclusivo da agressão organizada contra a pessoa e a propriedade. Em vez disso, o LM é um adolescente que se rebela contra todos ao seu redor: em primeiro lugar, contra os seus pais; em segundo lugar, contra a sua família; em terceiro lugar, contra os seus vizinhos; e, por fim, contra a própria sociedade. Ele se opõe especialmente às instituições da autoridade social e cultural: em particular, à burguesia da qual ele proveio, às normas e às convenções burguesas e às instituições da autoridade social (como as igrejas).

Para o LM, então, o estado não é o único problema; ele é apenas a parte mais visível e mais detestável das várias instituições burguesas odiadas: vem daí o estusiasmo com que o LM aperta o botão do ‘questione a autoridade’.

E daí se origina também a fanática hostilidade do LM ao cristianismo. Eu costumava pensar que esse ateísmo militante era apenas uma função do randianismo do qual a maioria dos libertários modernos surgiu há duas décadas. Mas o ateísmo não é a chave — pois aquele que anunciasse, em uma reunião libertária, que era um bruxo ou um adorador do cristal de energia ou de alguma besteira da Nova Era seria tratado com grande tolerância e respeito. Somente os cristãos eram os alvos dos abusos; e, claramente, a razão dessa diferença de tratamento não tinha nada a ver com o ateísmo.

Isso tinha tudo a ver com a rejeição (e o desprezo) pela cultura burguesa; e todo tipo de causa cultural maluca seria promovido a fim de torcer o nariz da odiada burguesia.

Na verdade, a atração original do LM pelo randianismo era parte integrante da sua revolta adolescente: que maneira de racionalizar e sistematizar a rejeição aos pais, familiares e vizinhos seria melhor do que aderir a um culto que denunciava a religião e que proclamava a superioridade absoluta de si mesmo (do ego) e dos seus cultuados líderes, em contraste com os robóticos ‘intermediários’ que supostamente povoavam o mundo burguês? Um culto que, além disso, conclama os seus prosélitos a desprezar os pais, a família e os associados burgueses e a cultivar a suposta grandeza do próprio ego individual (convenientemente orientado, é claro, pela liderança randiana).

 O LM também possui o ‘olhar longínquo’ dos fanáticos. Ele está apto a agarrar você pela força na primeira oportunidade e a discorrer extensamente sobre as suas próprias ‘grandes descobertas’ contidas em seu poderoso manuscrito que está clamando para ser publicado, mas que nunca será publicado — e ele diz que isso é uma conspiração do poder constituído. (…) Mas, acima de tudo, o LM é um vadio, um vigarista e, muitas vezes, um verdadeiro bandido. A sua atitude básica em relação aos outros libertários é ‘a sua casa é a minha casa’. (…) Em suma, articulem eles ou não essa ‘filosofia’, os [LMs] são comunistas libertários: alguém que possua propriedade automaticamente tem de ‘compartilhá-la’ com os demais membros da sua ‘família’ libertária ampliada.

(Murray N. Rothbard, “Why Paleo?”, em Rothbard—Rockwell Report, 1, n. 2 [maio de 1990]: 4–5; ver também: idem, “Diversity, Death and Reason”, em Rothbard—Rockwell Report, 2, n. 5 [maio de 1991]).


 

Patrulha sionista na internet

A batalha pelo controle da sua mente

Organização sionista procura diariamente por conteúdos não-conformes e são identificadas cerca de 200 páginas todos os dias, somente nas regiões de língua alemã. Nos grupos de patrulhamento trabalham essencialmente profissionais treinados: psicólogos, pedagogos e juristas.

Perseguição aos que pensam diferente

Há cerca de oito anos, membros da AKdH – “Aktion Kinder des Holocaust” (Ação Crianças do Holocausto) criaram a organização “Netzteil” com sede na Basiléia, Suíça, sob a direção do psiquiatra Samuel Althof. Eles utilizam a marca registrada “Internet-Streetworking” dedicando-se, entre outros, à perseguição daqueles que pensam diferente.

Sua atuação é descentralizada e anônima. No entanto, existem cinco funcionários parciais ativos, de diferentes formações profissionais. A organização foi apoiada através de verbas federais nos últimos dois anos.

Segundo declaram, a perseguição aos que pensam diferente não é a mesma destinada àqueles que fazem isto de forma programada – contra os quais são tomadas medidas políticas e jurídicas. Estes são, em sua grande maioria, compostos de jovens com pensamento sintomático, cuja oposição é entendida somente como a exteriorização da própria insegurança com relação à sua identidade, além de problemas pessoais.

Estes últimos são contatados diretamente, sendo logo submetidos a um processo de lavagem cerebral. Com isso, procura-se evitar o crescimento da oposição no longo prazo.

O grupo procura diariamente por conteúdos não-conformes em toda a área de língua alemã, e são identificadas cerca de 200 páginas todos os dias. Com programas especiais é detectado instantaneamente o surgimento de uma nova página. Com métodos semelhantes àqueles da Stasi (polícia secreta da antiga Alemanha comunista), os xeretas procuram determinar quem seria o autor ou autora, ou quem seria o editor da página encontrada.

Para Samuel Althof,

“o editor ‘fala’ através de seus textos além do layout da página e de seu Know-How técnico. Tudo isso é avaliado por nós. Então procuramos a existência de inseguranças em relação à sua própria definição como pessoa; se trata-se de um sintomático extremista da direita. Caso isto se confirme, decidimos observar para depois contatar o autor. Mas, se ele tiver cometido algum delito, tomamos todas as medidas legais cabíveis contra ele, mas também colocamos medo nele”.

Financeiramente, o projeto é financiado desde 2002 pelo “Eidgenössisches Departement des Innern” (Departamento Federal do Interior) em Berna, Suíça, com uma vultosa soma em dinheiro.

Sobre os funcionários da organização, não há foto alguma, nome ou endereço oficiais. Seu contato com o exterior se dá somente através de mídias pré-selecionadas e pessoas de confiança.

Ou seja, a “Netzteil” é estruturada da mesma forma que uma organização criminosa.

Em 2002, o historiador e professor universitário de Basiléia, Georg Kreis, membro do Instituto Europa, apresentou ao público o projeto da organização; em julho de 2004, Samuel Althof apresentou o mesmo plano durante uma conferência da OSCE, em Paris, juntamente com a “Schweizerischen Israelitischen Gemeindebund” (Federação israelita suíça). Esta, por sua vez, lançou seu próprio projeto, “Likrat” – seminários destinados a instrução ideológica dos jovens judeus.

“Sem o anonimato, nosso trabalho estaria comprometido”, justificam seus membros sobre a conduta seguida. Nos grupos da “Netzteil”, trabalham essencialmente profissionais treinados: psicólogos, pedagogos e juristas. E o grupo de peritos não se limita somente às ameaças.

A tropa de elite de sião

Quando xingamentos, ofensas ou outras provocações não produzem o resultado desejado nos fóruns de discussão, ou seja, os nacionalistas não se deixam levar a postar frases puníveis criminalmente, então tenta-se desarmar os líderes nacionalistas através dos especialistas citados acima.

Para isso entra em ação o “Comitê do Patronato” da AKdH.

Segundo Samuel Althof,

“nós também devemos agradecer o sucesso deste projeto aos membros do Comitê do Patronato, aos quais podemos nos dirigir a qualquer momento. Por exemplo, quando existem discussões em fóruns da internet sobre questões históricas que nossos Internet-Streetworker não conseguem responder com seu próprio conhecimento.

(…)

Via de regra, uma determinada pessoa de nosso grupo está familiarizada com um assunto específico. De acordo com a necessidade, podemos lançar mão de outras pessoas quando, por exemplo, for importante inserir uma mulher na discussão”.

Desviando a atenção

Porém, existem casos nos quais estes “especialistas” são desarmados pelos argumentos dos nacionalistas.

Quando isso acontece, é presumível que pouco tempo depois tal fórum nacionalista esteja inundado de afirmações descabidas.

Segundo Samuel Althof,

“Nossa atuação é eclética, sob a utilização de psicodramas e terapias”.

Ameaças e processos

Alguns foristas ou proprietários de sites também são contatados diretamente. Entretanto, antes da abordagem inicial, é feita uma pesquisa minuciosa. Quem está por de trás da página da internet? É algum jovem na puberdade ou algum oposicionista político? Onde este jovem mora ou trabalha? Como é seu habitat, seu dia-a-dia? “Para abordar uma pessoa individualmente, devemos saber com quem estamos lidando”, explica o porta-voz da Netzteil, Georg Kreis.

Um e-mail enviado a um jovem foi bastante claro nisso:

“Olá, webmaster, jovem do terceiro ano do curso técnico. É melhor você apagar sua página bem depressa. Dou-lhe 24 horas. Caso você não apague sua página, isso pode custar seu curso técnico + denúncia criminal”. O remetente desta ameaça era a “Netzteil”.

Não há nem mesmo o receio de denunciar anonimamente os menores de idade a seus pais.

Explica Samuel Althof,

“Quando identificamos o autor e mostramos nossas intenções, percebendo ser possível uma intervenção, nós informamos os pais do menor; às vezes isso acontece no anonimato”.

Não funcionando o esquema de dissuasão, eles apelam então ao parágrafo destinado à criminalização da opinião.

A denúncia de páginas da internet que defendem conteúdos críticos ao regime ou aos judeus, ainda permanece sendo a principal atividade da AKdH junto aos órgãos públicos. Como membro da associação sediada na Holanda, “International Networking Against Cyber Hate” (INACH), é possível empreender uma perseguição internacional efetiva.

A AkdH oferece em sua página a possibilidade de denunciar as páginas consideradas indesejáveis. Cerca de 300 denúncias foram efetuadas nos últimos anos, sendo que 20 delas se tornaram queixas-crime; outras destas foram denunciadas no estrangeiro pelos parceiros da INACH.

Sobre isso, Samuel Althof declarou,

“nós fazemos denúncias quando acontecem determinados delitos, que são definidos claramente. Diferentes provedores possuem seu próprio código de conduta que proíbem, por exemplo, a incitação odiosa. Quando vemos que alguém infringiu as regras do provedor, nós o notificamos para que remova a página.

(…)

Quanto aos provedores norte-americanos, a coisa é um pouco mais difícil, pois lá existem outras determinações em matéria de liberdade de expressão. Mas isso é um preconceito indevido. Se alguém hospeda uma página racista nos EUA, mas seu conteúdo é voltado aos leitores suíços, o provedor é orientado a seguir as regras suíças, ou do local específico. Mas nos EUA existem provedores que se declaram abertamente Nacional-Socialistas, tornando-se, então, muito difícil o processo penal”.

A República Federal da Alemanha já foi informada sobre esta nova modalidade de controle da internet e perseguição da juventude. O órgão de proteção ao jovem já mostrou interesse no trabalho da “Netzteil”.

A participação em fóruns de debate daqueles que já se despertaram e conseguiram entender esta Nova Ordem Mundial Sionista, deve se restringir ao essencial e de forma criteriosa. Divida seu tempo entre aprimoramento do conhecimento e avaliação deste nos fóruns. Adentrar no jogo dos dissimuladores da história contemporânea, alongando-se em infinitas discussões, é pura perda de tempo. Responda com fundamento, mas não entre no bate-boca, na retórica mesquinha e pueril dos lacaios de sião – NR.

Inside Israel’s million dollar troll army

www.akdh.ch/sozakt0704.htm

www.akdh.ch/tachlesISW20082004.htm#top

home.datacomm.ch/netzteil/Art2.htm

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

BUNKER PODCAST 04/02/2026

Como a justiça moderna falha tanto com animais quanto com seres humanos

 

Apelos por justiça costumam surgir após atos chocantes de violência, seja quando a vítima é humana ou animal. A indignação, porém, não produz justiça por si só. Em muitos sistemas jurídicos modernos, o fracasso não decorre de erros pontuais ou falhas procedimentais, mas da forma como o próprio direito foi sendo moldado para proteger instituições, e não aqueles que sofrem o dano.

Casos de crueldade extrema contra animais, assim como crimes violentos contra seres humanos, expõem esse fracasso com clareza perturbadora. As respostas legais frequentemente desviam o foco do ato cometido para o contexto social do agressor, as condições que supostamente moldaram seu comportamento e a promessa de reabilitação. Nesse processo, a vítima desaparece gradualmente do centro da discussão.

Esse padrão reflete uma transformação mais profunda da justiça. O direito afastou-se do reconhecimento do dano concreto para aproximar-se da gestão de sistemas abstratos. O crime deixa de ser tratado principalmente como uma ação moral que rompe vidas no tempo e passa a ser visto como uma disfunção social a ser classificada e administrada.

As raízes intelectuais dessa mudança podem ser rastreadas até a antropologia otimista de Jean-Jacques Rousseau, segundo a qual o homem nasce bom e é corrompido pela sociedade. Essa inversão moral adquiriu autoridade científica no século XIX por meio da criminologia positivista, especialmente na obra de Cesare Lombroso, que buscou marcadores biológicos da criminalidade, e de Enrico Ferri, que redefiniu o crime como fenômeno social.

Em ambos os casos, o agressor tornou-se um paciente, o crime um sintoma e a vítima passou a ocupar posição periférica. A justiça deixou de estar ancorada na responsabilidade e foi absorvida pela explicação.

Sistemas jurídicos moldados por essa tradição tendem a privilegiar a reabilitação e a coerência de políticas públicas. Atos de violência são reinterpretados como desafios administrativos. A punição torna-se simbólica, desvinculada da gravidade do dano causado, enquanto o tempo passa a ser tratado como um solvente capaz de dissolver a culpa.

Casos de crueldade deliberada contra animais ilustram essa lógica com especial nitidez. A violência sustentada e intencional contra animais é amplamente reconhecida como um indicador precoce de traços antissociais graves. Quando tais atos são minimizados por narrativas sistêmicas, a cegueira institucional substitui o juízo moral.

Para compreender por que os sistemas jurídicos modernos respondem tão mal ao dano real, é necessário examinar a concepção de direito que os sustenta.

A tradição em economia, direito e filosofia social parte de uma compreensão mais modesta do conhecimento humano e da ordem jurídica, articulada com particular clareza em Friedrich A. Hayek em Law, Legislation and Liberty. O direito não é concebido como uma sequência de comandos orientados a resultados específicos, mas como um conjunto de regras abstratas que permite aos indivíduos coordenar suas ações apesar da profunda ignorância recíproca.

Sob essa perspectiva, o crime não é principalmente a violação de uma norma legal pensada para conveniência administrativa. Trata-se de um ato real de agressão contra um indivíduo concreto, cujas consequências nenhuma autoridade central é capaz de medir ou reparar plenamente. Quando o crime é redefinido como uma ofensa ao estado, a justiça desloca-se da vítima para a instituição.

Isso reflete um erro recorrente identificado por Hayek e posteriormente desenvolvido por Bruno Leoni em Liberdade e a Lei, a crença de que a ordem social precisa ser conscientemente dirigida, em vez de sustentada por regras gerais aplicadas de forma igual e impessoal.

Uma concepção libertária de justiça restaura a responsabilidade ao nível em que a ação efetivamente ocorre. O agressor é tratado como agente moral que age no tempo, não como produto estatístico de forças sociais. A justiça opera por meio de regras gerais, não por ajustes discricionários voltados a fins socialmente desejáveis.

Essa abordagem é desenvolvida com especial clareza em Murray Rothbard em A Ética da Liberdade, onde a restituição e a responsabilidade precedem a conveniência institucional.

Essa distinção torna-se ainda mais relevante em casos de dano irreversível. A justiça estatal moderna frequentemente age como se penas padronizadas e mecanismos automáticos de progressão pudessem reparar o que foi rompido. Nenhum legislador ou instituição, contudo, possui o conhecimento necessário para desfazer a perda ou recalibrar seu peso moral.

A crítica não rejeita a ordem. Rejeita a pretensão de que a ordem seja fruto de um desenho consciente. A ordem jurídica, assim como a ordem econômica, emerge da observância de regras abstratas que restringem a agressão sem dirigir propósitos.

Quando a crueldade é absorvida por explicações sistêmicas, a injustiça não é acidental. Ela é o resultado previsível de sistemas jurídicos que substituem a contenção baseada em regras por ambições gerenciais.

A justiça só existe quando o direito responde a rupturas reais sofridas por seres reais, humanos ou animais. Quando essa realidade é substituída pela abstração, a justiça cede lugar à administração.