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sábado, 15 de agosto de 2026

Cientista do MIT: CO2 nada tem a ver com mudança climática

 

É tão frágil a afirmação de que a mudança climática é provocada pelo homem e está ligada ao CO2, que seria da mesma forma possível acreditar em magia. Quem escreveu isso foi um dos mais renomados pesquisadores e físico do mundo, Dr. Richard Lindzen, do MIT.

Os chamados autointitulados defensores do clima estariam criando pânico entre as pessoas para justificar a “muito cara” indústria em torno do clima. Segundo Dr. Lindzen, quando dizem que 97% de todos os cientistas do mundo acreditam no aquecimento global, a intenção é levar os incautos a acreditarem que não é necessário esmiuçar com mais afinco tal tema.

Do artigo datado de 25 de abril de 2017 (Thoughts on the Public Discourse over Climate Change), podemos extrair as seguintes passagens assinadas pelo professor emérito do MIT:

“Começam pelo ridículo pressuposto de que qualquer aquecimento (ou qualquer aumento do CO2) seria nocivo e serve como justificativa de que tudo vai piorar. Nós sabemos que nenhuma dessas suposições é verdade. As pessoas vão mais para o Equador do que para o Ártico. CO2 é bombeado nas estufas para que se acelere o crescimento das plantas.”

Segundo, não é verdade – como acreditam alguns idiotas – que o aquecimento global não cessou nos últimos 20 anos. Naturalmente, 1998 foi o ano mais quente e nos anos seguintes situou-se abaixo dos recordes daquele ano. Mas nada refuta o fato de que o aquecimento (ou seja, o aumento da temperatura) cessou.”

Maioria das afirmações são absurdas

Praticamente ninguém tem tempo e energia para se ocupar com a enorme quantidade de afirmações. Felizmente a maioria delas são absurdos – CO2 não é um veneno. Ao contrário, é importante para a vida em nosso planeta e partes acima de 5.000 ppm são consideradas seguras em nossos submarinos e nas estações orbitais.” (CO2 na atmosfera: 400 ppm; em estufas: >600 ppm – NR)

Há mais de 30 anos eu conduzo debates sobre a ciência das mudanças climáticas. Mas quando eu tenho contato com um público leigo e tento responder perguntas como a intensidade do clima ou a relação entre valores médios das anomalias térmicas globais e climas extremos, à medida em que afirmo que o aquecimento nos últimos 18 anos regrediu, o que recebo claramente são olhares céticos.”

“Embora eu apresente provas, por que a situação não é catastrófica e provavelmente venha a ser até útil, eu ainda recebo respostas confusas. É recorrente eu ser questionado, como isso é possível. Pois 97% dos cientistas são unânimes, que um dos anos mais quentes ocorreu nos últimos 18 anos, toda sorte de extremos tornaram-se mais frequentes, ursos desaparecem, assim como o gelo no Ártico, e assim por diante.”

Quem acredita nisso, provavelmente acredita também em magia

“Existe uma coisa que deveria levantar suspeitas em qualquer leitor inteligente. O sistema, que nós observamos, é composto de dois fluídos turbulentos que interagem entre si. Eles se encontram em um planeta em rotação, que é aquecido diferentemente pelo sol.”

“Um componente importante da atmosfera é a água, em suas formas fluída, sólida e gasosa, e as mudanças de fase têm enormes ramificações energéticas. A quantidade de energia deste sistema contém a absorção e remissão de cerca de 200 Watts por metro quadrado.”

“Se redobrarmos a quantidade de CO2, teríamos uma variação de 2%. Ou seja, pequenas alterações das nuvens e outras coisas, e tais mudanças representam o caso genérico. Neste complexo sistema de múltiplos fatores, as interações probabilísticas do clima (que compreendem diversas variáveis e não apenas valores médios de anomalias de temperatudas globais) são controladas pela variação de 2% de uma única variável?”

“Quem acredita nisso, provavelmente acredita também em magia. Ao invés disso, eles dizem a vocês que a ciência acredita nisso. Tal afirmação deveria servir de alerta de que algo não cheira bem. E como deveria ser, a ciência baseia-se em pesquisas e não em uma estrutura de crenças.”

Nada mais nos surpreende. O gado humano se tornou tão estúpido, que perdeu o mínimo e necessário senso crítico das coisas. O ser humano forma nos dias de hoje uma massa de idiotizados, alguns analfabetos, outros diplomados, mas no geral são apenas simplórios narcisistas ignorantes. Sugerimos um teste expedito para verificação do atual grau de idiotização das pessoas:

Eu acredito que a Terra é plana: boçal mirim

Eu acredito que o CO2 controla o clima do planeta: idiota júnior

Eu acredito que judeus morreram em câmaras de gás: tato, o desmiolado

Nosso inimigo comum

 

Aqueles que impedem isso e criam todos os problemas do mundo, não são apresentados através das mídias. Nós somos levados ao estado de dormência, somos distraídos, controlados e manipulados, e as mídias são as ferramentas, elas são nosso inimigo comum. Enquanto nós não tomarmos consciência deste fato, os criminosos do mundo irão nos governar e nos trarão somente desgraça.

É um show para entreter o público, uma ilusão.

Chamada de quarto poder no Estado, a mídia é protegida através da Constituição na maioria dos países democráticos do Ocidente. O motivo para isso é que os pais da Constituição assim quiseram, pois o objetivo principal da imprensa é justamente proteger esta Constituição.

A razão de ser da imprensa livre dentro de uma sociedade livre é fiscalizar as lideranças governamentais, pois indiferente como possa parecer, governos e aparatos estatais são compostos de pessoas e estas têm suas fraquezas, por exemplo, elas sucumbem ante a ambição por cada vez mais poder. Portanto, é tarefa da imprensa informar o povo sobre as atividades dos detentores do poder, seja nos aparatos estatais ou na economia. Porém, elas não cumprem esta tarefa; elas fracassaram totalmente.

A definição de uma mentira é de fato bem simples. Uma mentira é quando se deixa uma falsa impressão. Do ponto de vista dos poderosos, é tarefa da mídia construir uma falsa impressão sobre a realidade. Ela protege a elite estabelecida diante do povo, à medida que ela não permita às pessoas saberem o que a elite realmente faz.

Nós somos levados a acreditar que o problema da mídia é pressuposição e parcialidade. Notícias deveriam ser reportadas imparcialmente. A opinião dos jornalistas não deveria ser visível em suas notícias. Mas isso não é o real problema. O problema real é como funciona o sistema de notícias.

Fatos importantes são noticiados, os quais são chocantes por si só, e deveriam levar alguém a fazer algo. Estas notícias são partilhadas a todos de alguma forma, mas dependendo da forma como ela é compartilhada e distribuída, elas desaparecem no mar de informações. Os jornalistas reportam mais ou menos uma descrição exata dos acontecimentos, mas através da colocação e entonação pode-se sugerir sua importância. Desta forma, elas são escondidas em lugares menos importantes e exibidas uma única vez.

Isso funciona então na percepção pública exatamente como no conto “A roupa nova do Rei”. Por exemplo, a gente vai a uma reunião de cem pessoas, todos estão dispersos e conversam entre si, mas uma pessoa no salão está completamente nua. As pessoas vêem aquela que está nua, olham ao redor e notam que ninguém está chocado, todos se comportam como se nada tivesse acontecido. Então a gente pensa que se isso não incomoda ninguém, então eu também vou fazer de conta que tudo está normal. É óbvio que eu não devo me irritar com isso.

Assim funciona o engodo midiático. Lê-se e ouve-se uma notícia, se revolta com seu conteúdo, mas nota-se que os meios de comunicação se comportam como fosse algo sem importância, ou seja, a opinião da sociedade é levada nesta direção a respeito do fato. Além disso, isso é denominado de politicamente correto.

Exemplo de manipulação e leviandade midiática foi o episódio da brasileira na Suíça, que se cortou toda com o intuito de pedir indenização junto ao governo daquele país, bem aos moldes da Indústria do Holocausto – NR.

Análogo ao episódio dos crimes de guerra de Israel na Faixa de Gaza. Durante mais de três semanas a indefesa população civil foi bombardeada e alvejada, onde 1.350 palestinos foram assassinados, dentre eles 850 crianças, 5.450 feridos, 4.000 construções destruídas e 21.000 avariadas, dentre elas 40 mesquitas, 50 escolas e diversos hospitais, tudo isso foi reportado pela mídia, mas foi tudo. Embora as notícias fossem mais do que chocantes, nada aconteceu, a mídia continuou com a pauta do dia.

Toda pessoa pensante e com sentimento de solidariedade e consciência deve-se perguntar, o que está acontecendo afinal? Um genocídio acontece e a mídia se comporta como se isso fosse normal, os crimes são simplesmente ignorados, até mesmo justificados com a mentira da legítima defesa. Aqueles que criticaram o regime israelense foram destratados e difamados. Ninguém exigiu que os responsáveis fossem punidos. É feito de tal forma, como se a matança de civis fosse algo sem importância, fica tal impressão generalizada e as pessoas absorvem esta idéia.

Por isso, não importa quão importante seja para alguém, o que a gente pensa sobre os problemas do mundo ou como nós nos engajamos perante a fome na África, ou a preservação de espécies animais em extinção, ou evitar que as florestas seja desmatadas, exploração do terceiro mundo, ou ser contra as guerras ou se posicionar lutando contra o sistemático desmantelamento da liberdade individual e contra a tirania, todos nós estamos sentado no mesmo barco, temos o mesmo inimigo, e este é a mídia estabelecida. Pois a mídia é o escudo dos criminosos que criaram os problemas na sua gênese, que são responsáveis pela injustiça neste mundo. Eles nos mentem diariamente e escondem a realidade.

O que acontece aqui é claramente um direcionamento daquilo que podemos saber e como devemos pensar. Quem se ocupa um pouco mais com a mídia percebe como as mídias noticiam sempre a mesma coisa, da mesma forma e em seqüência semelhante. Quase não existe diferença. Seria exatamente se todos os alunos fornecessem a mesma resposta na prova. Aqui tem algo podre e foi copiado de uma fonte. Isso acontece diariamente na indústria da informação.

Durante todo o dia, as mídias recebem uma enxurrada de centenas de notícias. Somente quando a gente observa o que eles escreveram, todos se concentraram em cinco ou seis manchetes,… e eles ignoram as mesmas notícias. Existe pouca diferença, eles salientam a mesma declaração, avaliam as notícias da mesma forma e divulgam a mesma opinião sobre o acontecimento, se silenciam mortalmente sobre outros temas. Não é necessário ser adepto de teorias da conspiração para enxergar que a formação da opinião pública é dirigida a partir de uma central.

Eu já trabalhei para um jornal e por isso conheço o sistema como as reportagens são codificadas pelas agências de notícias. São necessárias apenas algumas poucas pessoas nos lugares importantes para direcionar as mídias na direção desejada. Quem controla o fluxo de informações, controla a percepção dos acontecimentos. Além disso, adiciona-se a influência que recebem editores e redatores através do sistema, sejam dos partidos, governos, militares, serviços secretos ou conglomerados. Quem tem dinheiro e poder, este dita o que a opinião pública deve ou não saber.

Mas o importante não é quem faz ou por que fazem, mas sim antes de tudo, que nós sejamos conscientes da ilusão, manipulação e mau direcionamento, e por isso devemos analisar as mídias de forma crítica. Tudo que a gente lê, ouve e vê, e também o contrário, aquilo que a gente não percebe, o que eles abafam e deixam de lado, isso eles fazem de propósito. Uma coisa tem que estar clara, as mídias não reportam enredos reais, mas mostram o mundo como a elite reinante quer que nós acreditemos.

Seria condizente alterar a descrição das mídias, não mais rotulando-as como agências de notícias ou organizações de jornalismo, mas sendo sincero e dizer que elas compõem o departamento de Relações Públicas dos conglomerados e órgão de propaganda do governo. Os jornais e revistas devem ser chamados de catálogos e os noticiários na TV de intervalo comercial ad eternum e Infotainment.

O governo mundial de fato da atualidade

 

O poder político levado ao anonimato através da influência do dinheiro alcançou tal proporção nos países com sistema partidário democrático, que frequentemente a “opinião pública” recebe somente “política hollywoodiana”. Não é o Estado que controla o Capital, mas sim o Capital que controla o Estado. Tenham em mente de que este artigo foi escrito em 2010! O que mudou?

Não é o Estado que controla o Capital, mas sim o Capital que controla o Estado.

Por intermédio da migração financeira e maçônica das casas reais e sua eliminação abrupta, a chamada democracia parlamentar apareceu por todo o planeta. O sistema partidário difuso, turvo e faminto por dinheiro ligado a ela, permite às Altas Finanças as maiores possibilidades de atuação, que poderiam ser alcançadas somente com muito esforço no caso de um país monárquico, e que deveriam ser improvisadas com muitos contragolpes.

Os partidos – hoje atuam como associações para privatização do estado – como instituições da corrupção organizada, oferecem todas as possibilidades para o domínio capitalista de um país. Estes partidos não são organizações enraizadas no seio dos municípios ou da vida produtiva do povo, mas sim aglomerados particulares de quadrilhas e bandos provenientes historicamente de associações golpistas, salões políticos ou de lojas secretas. Eles não representam de forma alguma a grande fatia da sociedade de um povo, mas sim aqui e ali um aglomerado de carreiristas e caçadores de cargos, abertos a todo tipo de corrupção através do “Big Money”. É a mais pura ilusão acreditar que a democracia partidária representa o direito de escolha do “pequeno eleitor”, mas – de facto – representa o interesse lucrativo do “Grande Capital”.

Até onde os políticos representam a vontade popular? Se existem políticos bem-intencionados, por que esses se misturam em partidos políticos infestados de corruptos e outras excrescências? Por que não denunciam a sujeira em seu próprio partido? Enquanto houver conivência entre homens de bem e “aloprados” dentro de um mesmo partido, não há muito sentido em participar de eleições, da “festa da democracia” – NR.

Um grande especulador como George Soros tem mais poder político do que todos os eleitores do mundo juntos. As únicas decisões determinantes não ocorrem através de eleições e à luz do dia, mas sim são pré-formuladas atrás de portas fechadas nos andares superiores dos grandes capitalistas e, em parte, blindados da opinião pública, em grêmios de consenso (CFR, Comissão Trilateral, Instituo Aspen, Ponte do Atlântico, Bilderberg e assim por diante), em parte também oficialmente nos parlamentos através dos “grupos de pressão” e “lobistas”, e ainda, se necessário, impostas com ajuda de pressão e ameaça dos grupos de influência do estrangeiro.

O poder político levado ao anonimato através da influência do dinheiro alcançou tal proporção nos países com sistema partidário democrático, que frequentemente a “opinião pública” recebe somente “política hollywoodiana”. Não é o Estado que controla o Capital, mas sim o Capital que controla o Estado. Não perdendo de vista as relações de interdependência internacional, o seguinte esquema pode ser construído:


Figura 1 – O governo mundial da atualidade
Os plutocratas dominam as nações

A influência determinante dos plutocratas é compreendida quando observamos as dívidas internas das nações. Aqui ganhamos a percepção de que os países mais industrializados, assim como aqueles ricos em matéria-prima, são os mais endividados. A tabela abaixo nos mostra isso:


Situação da dívida das nações, [welt-in-zahlen.de]
Dívida Pública / DP em relação ao PIB / DP por habitante

As 60 nações aqui listadas estão endividadas com a astronômica cifra de aproximadamente 30 trilhões de dólares, o que na média representa mais da metade do PIB e em relação à população, cada recém-nascido já nasce com uma dívida média de 10 mil dólares. A uma taxa de juros de apenas 5% resulta anualmente a soma de 1,5 trilhões de dólares em juros. Uma soma que não pode ser mais gerada economicamente, mas que deve ser refinanciada através de novos endividamentos. Por exemplo, a OMF-RFA deve refinanciar suas obrigações no valor de 70 bilhões em juros no ano de 2005, com cerca de 30 bilhões em novos créditos. Um termo bastante utilizado nos anos 20 – Escravidão pelos Juros – é hoje mais atual do que nunca. Quem pode ainda afirmar que essa loucura não tem um padrão, mesmo quando querem nos convencer que nós mesmos somos culpados, pois teríamos vivido acima de nossas condições. A mesma coisa vale para todos os outros países.

A tabela acima não representa a situação atual de endividamento interno das nações, pois a dívida pública mundial já está na casa do 70 trilhões de Dólares. A dívida pública brasileira, por exemplo, saltou para cerca de 10 trilhões de reais. Em outros países desenvolvidos e em desenvolvimento a situação não é diferente. Situação em agosto de 2026 – NR.

Não é difícil imaginar que os grandes capitalistas, os plutocratas, que tornaram suas fortunas anônimas com ajuda das sociedades anônimas, têm a real e determinante influência na política mundial. Com um único clique do mouse, os administradores de tais fortunas podem exterminar toda uma economia nacional ou então desencadear uma crise econômica mundial. Como podemos ver na figura 1, os plutocratas atuam diretamente com as sociedades de capital, bancos, fundos, trustes, bolsas de valores e nos grandes conglomerados transnacionais. Haja vista seu poder financeiro, eles podem atuar diretamente nos países e, por outro lado, formam o elo de ligação dos financiamentos, da classe política, mídia, dos serviços secretos, líderes religiosos e das capacidades de pesquisa.

Os grêmios internacionais extra-parlamentares, com suas estruturas formais e informais, se apresentam como plataforma de trabalho interativa também sob influência dos grandes capitalistas. Nestes grêmios internacionais extra-parlamentares são então desenvolvidos concepções políticas, planos e diretrizes. Entre outros, eles são ordenamentos como leis, tratados e acordos oficiais e informais que não apenas interferem na economia, comércio e finanças, mas também contêm diretrizes sócio-culturais, como tendências contemporâneas e desenvolvimento demográfico. O papel da população neste jogo torna-se claro. A ela é vendido uma adequada visão do mundo através de uma “política hollywoodiana” encenada pela mídia; ela é ainda mantida sob controle com “pão e circo”, tem permissão de escolher “democraticamente” a cada quatro anos entre três, quatro partidos, conferindo ao todo uma áurea de aparente legitimidade.

A esta altura podemos fazer uma chamada à consciência sobre o fato de que o banco central norte-americano, o “Federal Reserve Bank” é um consórcio de bancos privados. A soberania em relação à moeda não está nas mãos do Estado norte-americano, mas encontra-se nas mãos de um pequeno grupo de particulares. Além disso, o dólar alcançou o status de moeda de reserva mundial. O sistema bancário europeu tem constituição um pouco diferente, mas aqui o monopólio da criação de dinheiro – não o direito de cunhar moedas – não está nas mãos do Estado, mas sim junto aos bancos privados; as dependências estão claras.

Já no início do século XX, Walther Rathenau relatou:

“No campo de trabalho impessoal, democrático, onde para a liderança econômica qualquer palavra insensata compromete, qualquer fracasso pode levar à ruína, onde o público soberano de uma assembléia de acionários decide sobre nomeações e destituições, uma oligarquia formou-se ao longo do tempo, tão fechada como aquela da antiga Veneza. Trezentos homens, onde um conhece o outro, dirigem os acontecimentos econômicos do continente e procuram sucessores nos seus arredores. As estranhas causas deste fato estranho, que lança um pequeno lampejo sobre o futuro desenvolvimento social, não estão ponderados aqui.” [1]

É conhecido que tenha durado meio século para consolidar o sistema e aperfeiçoá-lo, assim como duas guerras mundiais para integrar com sucesso a Alemanha.

Finalmente, e para melhor compreender que a moderna e neo-primitiva sociedade de massas moderna é uma construção artificial, segue um trecho da crônica de Edward L. Bernays [2] intitulado “Propaganda”, de 1928:

“A consciente e inteligente manipulação dos hábitos organizados e opiniões das massas é um dos principais elementos das sociedades democráticas. Quem manipula os mecanismos ocultos da sociedade, forma um governo invisível que representa o verdadeiro poder em nosso país. Nós somos governados, nossa consciência forjada, nosso gosto formado e nossas idéias sugestionadas por homens, que nunca ouvimos falar. Isso é um resultado lógico de como nossa democracia está organizada.

[…]

Em quase todas as ações de nossa vida diária, seja na esfera política ou dos negócios, em nosso comportamento social ou em nossa idéia de ética, nós somos dominados por um pequeno número de pessoas, que entendem do processo mental e padrões sociais de comportamento. São aqueles que puxam os fios que controlam o pensamento público, que se utilizam das velhas forças sociais e indicam novos caminhos para sobrepujar e controlar o mundo.” [3]

BERNAYS se refere neste texto à democracia norte-americana. Como a sociedade do EUA se compõe de uma população multi-étnica miscigenada, a conseqüência que tiramos disto é que a manipulação científica da opinião pública, necessária para abafar o caos e conflitos na sociedade democrática, é compreensível e lógica. Em uma população multi-étnica miscigenada falta aparentemente, desconsiderando as necessidades básicas da vida humana, a união interna e a vontade comum.

[1] Walther Rathenau, artigo “Geschäftlicher Nachwuchs” no jornal “Neuen Freien Press”, Viena, 25/12/2009, republicado em Walther Rathenau “Zur Kritik der Zeit”, Berlim 1912, pág. 207, citado segundo Dr. H. Jonak Freyenland: Jüdische Bekenntnisse, Nuremberg 1941, pág. 186

[2] Edward Bernays nasceu em Viena a 22/11/1891 e é considerado por muitos como o “pai das relações públicas”. Ele marcou sua profissão com o rótulo Consultor-RP (Public Relations Counselor). Bernays era sobrinho de Sigmund Freud, o fundador da psicanálise. O sucesso do trabalho público de Bernays ajudou também a popularizar o trabalho de Freud nos EUA. Bernays foi pioneiro na utilização dos resultados das pesquisas da ainda jovem Psicologia e Ciências Sociais nos Trabalhos Públicos. Ele desenvolveu sua campanha para formação das opiniões sobre a base dos conhecimentos atuais da psicologia das massas. Bernays argumentava:

“Se nós entendermos os mecanismos e os motivos do pensamentos dos grupos, é possível agora controlar e dirigir as massas sem seu conhecimento, segundo nossa vontade.”

Ele caracterizou esta técnica da formação da opinião baseada na ciência como “engineering of consent”.

[3] Edward Bernays, Propaganda, Horace Liveright, New York 1928, pág. 9.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O que os conservadores entendem errado sobre a Revolução Francesa

 

Aquilo que hoje chamamos de “conservadorismo” no Ocidente surge, em grande parte, de uma reação contra a Revolução Francesa e outros movimentos revolucionários por ela inspirados. Os conservadores continentais— por exemplo, Joseph de Maistre, Friedrich von Gentz, Klemens von Metternich e Juan Donoso Cortés — abraçaram o monarquismo, muitas vezes incluindo suas variedades mais autoritárias e absolutistas, num esforço para evitar a repetição dos excessos da Revolução Francesa. Os conservadores também se opuseram ao liberalismo econômico na forma do livre comércio e dos “livres mercados”, porque estes estavam associados — erroneamente em muitos casos — aos revolucionários franceses.

No mundo anglófono, o conservador mais conhecido desse tipo é Edmund Burke. Comparado aos conservadores mais dogmáticos e autoritários — especialmente de Maistre — Burke é bastante moderado. Ainda assim, Burke também foi um inovador conservador, no sentido de que foi um dos primeiros comentaristas a condenar a Revolução Francesa em seu panfleto de 1790, Reflexões sobre a Revolução na França. Burke mostrou-se bastante profético em Reflexões, chegando a prever corretamente que a revolução terminaria com um homem forte militar tomando o poder, como de fato ocorreu quando Napoleão tomou o poder por meio de um golpe em 1799.

Burke também se tornou influente entre os conservadores americanos, graças à ascensão do movimento conservador nos Estados Unidos na década de 1950. Até aquele momento, a “direita” americana havia sido primordialmente o domínio do liberalismo laissez-faire — o que hoje chamaríamos de libertarianismo — descendente das escolas de pensamento jeffersoniana, jacksoniana e anti-imperialista. Nos anos cinquenta, Russell Kirk, seguido por outros do movimento de Bill Buckley, conseguiu inserir o conservadorismo burkeano na direita anticomunista. Interpretações históricas burkeanas — especialmente sobre a Revolução Francesa — permanecem influentes em alguns cantos da Direita americana.

Isso pode ser visto, por exemplo, nos esforços contínuos dentro de publicações conservadoras para promover a visão burkeana da revolução, como neste artigo de 2023 da National Review, ou neste artigo recente no National Catholic Register. Em ambos os casos, obtemos a habitual mensagem burkeana sobre a Revolução Francesa, que é a de que ela se compara desfavoravelmente à revolução americana, e que a Revolução Francesa produziu excessos sangrentos que colocam em questão a legitimidade moral da revolução como um todo.

Nesses dois pontos, há pouco a contestar. As Reflexões de Burke, no entanto, recebem crédito demais como uma análise confiável das causas da revolução. Isso se deve em grande parte ao fato das Reflexões terem estado muito corretas em algumas questões, especialmente em suas previsões de como a revolução degeneraria em uma bagunça violenta que só terminaria com um estado policial militarista.

Quando se trata, porém, da questão do que produziu a revolução, Burke demonstra muito pouca perspicácia. Isso é lamentável porque, se evitar a repetição da revolução é um objetivo importante, precisaremos de uma compreensão precisa de suas causas, e não apenas de seus resultados. Para isso, não podemos recorrer a Burke.

As duas causas da revolução segundo Burke

Talvez uma das críticas mais esclarecedoras às Reflexões de Burke venha do historiador britânico Alfred Cobban, o revisionista antimarxista. Em seu livro de 1968, Aspectos da Revolução Francesa, ele escreve:

“Na medida em que as Reflexões [de Burke] tratam das causas da Revolução, elas não são meramente inadequadas, mas enganosas. (…) Sobre as colônias americanas, ele havia sido um dos homens mais bem informados da Inglaterra (…) Por outro lado, sua única visita à França o deixara com fortes preconceitos, que as informações fornecidas pelos emigrados, especialmente os padres, não corrigiram. Seu conhecimento da França era limitado e é difícil acreditar que ele algum dia tenha compreendido a situação pré-revolucionária. Como literatura, como teoria política, como qualquer coisa exceto história, suas Reflexões são magníficas”1.

Então, o que Burke apontou como sendo as causas da revolução? Ele ofereceu dois argumentos principais. O primeiro era que o povo francês tinha se deixado levar pelas ideologias radicais do Iluminismo francês. Estas, na visão de Burke, haviam convencido o povo da França a se voltar contra seu regime geralmente benevolente e a derrubar todas as instituições da sociedade confiáveis e testadas pelo tempo. A segunda causa da revolução, nessa visão, eram os “interesses monetários”, pelos quais Burke se referia aos capitalistas, à burguesia e aos judeus. Esses últimos grupos foram fundamentais para minar a economia baseada no dinheiro antigo e na agricultura, que supostamente era instrumental na manutenção das virtudes do povo francês. Além disso, temos a impressão, a partir de Burke, de que apenas a terra era propriedade “real”, enquanto o dinheiro — e não apenas o papel-moeda inflacionário — era necessariamente falsa riqueza. Apenas os proprietários de terras do antigo regime deveriam ser considerados verdadeiros provedores de riqueza, nessa visão.

Nesta última afirmação, Burke também de certa forma lança as bases para narrativas marxistas posteriores da Revolução Francesa, nas quais uma “revolução burguesa” luta contra a antiga aristocracia “feudal”2. Como tal, a revolução é assim classificada como um tipo de conflito de classes entre a classe antiga e a nova classe.

Historiadores revisionistas posteriores, no entanto, questionaram fortemente essa visão burkeana e marxista. Os revisionistas Cobban e George Taylor, por exemplo, concluíram que há poucos dados que sustentem a ideia de que uma “classe ascendente” de capitalistas burgueses monetários teria sido responsável pela revolução. Em vez disso, a revolução foi primordialmente apoiada por uma quase-burguesia da “nobreza da toga” — a chamada noblesse de robe — que devia suas posições não à produção no mercado, mas à compra de cargos “nobres” do governo junto ao monarca. Por mais de um século, o monarca havia vendido acesso à baixa nobreza como meio de arrecadar receita. Essa baixa nobreza se tornaria a classe social mais empenhada por trás da revolução, e era a classe dos advogados, juízes e burocratas nomeados pelo estado3.

Ampliando ainda mais a visão de Cobban está o historiador econômico Taylor, que mostrou que a visão de Burke não é sustentada pelas evidências empíricas sobre o estado da economia francesa no final do século XVIII. Taylor observa que a classe mercantil na França naquele momento ainda era bastante pequena em relação ao que era na Inglaterra no mesmo período4. Taylor conclui que as realidades econômicas eram contrárias à alegação burkeano-marxista de que havia um conflito significativo entre os interesses econômicos e sociais da antiga alta nobreza e da baixa nobreza “burguesa”. Além disso, não houve uma verdadeira luta contra o feudalismo nesse período. O feudalismo havia desaparecido séculos antes, uma vítima da centralização sob o estado francês. O que ainda se chamava de “feudalismo” no século XVIII — tanto por apoiadores conservadores quanto por críticos liberais — era em grande parte um braço do poder real do estado central.

Além disso, a visão de Burke sobre os “interesses monetários” assume a forma de uma acusação que parece culpar os financistas pelo fato de o estado francês ter acumulado enormes dívidas. Na análise de Burke, foram os interesses monetários que estavam tirando proveito da enorme dívida pública do estado. É verdade que especuladores podem, de fato, lucrar com as dívidas do governo, mas os interesses monetários certamente não haviam forçado o estado francês a contrair essas dívidas. A maior parte fora assumida para financiar guerras eletivas escolhidas pelo monarca. Foi isso que levou à crise fiscal da década de 1780. A narrativa de Burke, no entanto, sugere que o estado francês — e, por extensão, o rei — era uma espécie de vítima nesse processo.

Os pensadores iluministas causaram a revolução?

Como Lord Acton mostrou no século XIX, os principais teóricos do Iluminismo francês não eram apoiadores da liberdade política, e é uma pena que eles tenham passado a ser associados, em muitos casos, à ideologia que hoje chamamos de liberalismo clássico5. Ou seja, não há razão para que nós, liberais laissez-faire, tenhamos em alta estima os teóricos do chamado Iluminismo. Contudo, apesar do que possamos pensar sobre pessoas como os escritores iluministas, a tentativa de Burke de lançar a culpa pela revolução estritamente sobre os intelectuais iluministas do século XVIII esbarra em muitos problemas.

Certamente, os pensadores iluministas fizeram a sua parte para minar o prestígio do monarca. Mas isso foi apenas um fator dentro de um contexto mais amplo em que a própria monarquia fez muito para minar sua própria posição. Por exemplo, o descontentamento com a monarquia não surgiu do nada, ou sem razão, no século XVIII. Como relatado por Murray Rothbard em sua história do pensamento econômico, a França havia sido convulsionada por uma série de revoltas e guerras civis durante grande parte do século XVII6. Muito disso foi em oposição aos contínuos esforços da monarquia francesa para centralizar mais poder político na França e para expandir ainda mais tanto o absolutismo quanto o mercantilismo às custas dos proprietários e dos pagadores de impostos. Para Rothbard, a revolução era quase inevitável assim que ficou claro que Turgot — e outros reformadores que tentaram frear o poder do estado e a prodigalidade financeira — haviam fracassado. A busca do estado por guerra incessante e opulência estatal o havia levado à beira da falência, e isso exigia novos impostos. Novos impostos exigiam que o rei convocasse os Estados Gerais, o que desencadeou uma corrida pelo poder político que acendeu o rastilho da revolução.

Em outras palavras, boa parte da oposição revigorada à coroa que surgiu na década de 1780 foi uma continuação dessas queixas contínuas sobre gastos, tributação, monopólio e centralização. Além disso, como mostrado por Taylor e Colin Lucas, entre outros, a disputa pelo poder entre os membros dos Estados Gerais, e nos parlementos locais, era motivada pela habitual e corriqueira política de privilégios comum na Europa dos séculos XVII e XVIII. O fato de os principais proponentes da revolução — isto é, a noblesse de robe e seus aliados da classe alta — terem usado slogans iluministas de Rousseau e Voltaire dificilmente provou que a causa primária do conflito teve origem com os filósofos da década de 1770.

A ideologia nunca é irrelevante, é claro, mas, como observa o historiador Ralph Raico, a ideologia sempre existe dentro do contexto de realidades históricas que ou trabalham a favor, ou trabalham contra, as afirmações ideológicas. Especificamente, Raico escreve que nenhuma ideologia se desenvolve no vácuo, e que a ideologia “começa a existir e se desenvolve ao longo do tempo, em estreita interação com a realidade social. As pessoas viam a sociedade tal como operava ao seu redor, refletiam sobre ela, destilavam suas ideias — isto é, iam a um estágio mais elevado do que aquilo que viam prevalecer na sociedade de seu tempo, mas era uma questão de interação constante”7.

Burke gostaria que acreditássemos que a “realidade social” — ou seja, os fatos dos impostos, das condições econômicas e do poder político — tinha pouco a ver com a formação do movimento revolucionário francês. Isto é, na visão burkeana, não podemos recorrer à tributação exploratória, aos monopólios governamentais ou a um setor agrícola completamente ineficiente (distorcido por incontáveis regulamentações governamentais) para uma explicação de por que muitos habitantes franceses se enfureceram contra a coroa. De fato, Burke sugere nas Reflexões que o estado da constituição francesa era, para usar as palavras de Cobban, “quase tão bom quanto se poderia desejar”8. Além disso, Burke sugere que a situação econômica, embora não perfeita, geralmente não era digna de quaisquer ataques mordazes por parte dos críticos. Consequentemente, Burke teve de argumentar que uma tempestade ideológica foi a causa avassaladora da revolução. Afinal, se o estado da política e da economia fosse tão maravilhoso em termos gerais, como Burke sugeria, a única causa possível seria uma febre ideológica totalmente divorciada das condições reais. Ou, como Cobban colocou, a visão otimista de Burke sobre a monarquia e o estado francês sugeria que o povo deveria estar bastante contente, e “havia muito de plausível nisso, mas, se representasse a história toda, até o leitor contemporâneo seria obrigado a perguntar por que houve uma revolução, afinal”9.

Motivações políticas antigas e tradicionais

Na verdade, as causas foram muitas, mas os ressentimentos da turba parisiense eram geralmente alimentados por problemas econômicos antigos e perenes do tipo que frequentemente provocara surtos de violência de multidões ao longo da história europeia. Não precisamos recorrer a filosofias inéditas para adivinhar as motivações dos massacres homicidas dos sans-culottes parisienses, como os dos Massacres de Setembro nas prisões de Paris em 1792. A maioria das vítimas dificilmente era membro da classe dominante — isto é, prostitutas e pequenos criminosos — e é improvável que a turba tenha visado esses coitados desimportantes por causa de algo que o público estivesse lendo nas páginas da Encyclopédie. Além disso, a ideia de que a filosofia iluminista unia a turba aos líderes da revolução é desmentida pelo fato de que, após o motim da Bastilha, os revolucionários da classe dominante imediatamente focaram no fortalecimento das milícias locais — isto é, a “Guarda Nacional”— para reprimir a turba sem lei e restaurar a ordem em prol dos proprietários10. Poderíamos notar que a Revolução Francesa foi, após o colapso inicial do poder real, na verdade uma série de golpes que jogou o país de um lado para outro entre regimes de populismo extremo e autoritarismo banal, terminando finalmente com uma protoditadura militar. Nunca foi um único movimento fomentado por uma ideologia coerente. Não há dúvida de que slogans iluministas foram usados para justificar a violência das multidões durante a revolução. Por outro lado, não está claro que esses mesmos slogans tenham sido a causa.

Longe de ser um movimento ideológico unido de radicais homicidas, a Revolução Francesa foi mais frequentemente uma parceria perigosa e instável entre os revolucionários donos de propriedades de classe mais alta e a turba de proto-comunistas sem propriedade que fornecia a mão de obra. Os piores excessos da revolução vieram quando o radicalismo da Comuna de Paris escapou das restrições impostas pelos revolucionários da noblesse-de-robe. Esse radicalismo, no entanto, foi provavelmente motivado ao menos tanto pelo desejo de acerto de contas político quanto por muitas conversas de café sobre o conteúdo encontrado nas Confissões de Rousseau.

A paranoia de guerra também alimentou o radicalismo. Como costuma acontecer, a eclosão da guerra impulsionou o regime dominante a intensificar seus ataques contra inimigos internos percebidos. Especificamente, quando a guerra estourou entre a Áustria e a França em abril de 1792, o estado reprimiu “traidores” e “contrarrevolucionários” que eram denunciados como agentes de governos estrangeiros. Prisões e execuções aumentaram, justificadas por alegações de que eram necessárias para a defesa da França contra invasores estrangeiros.

Não obstante, realidades práticas interferiam constantemente em quaisquer sonhos teóricos que os revolucionários mais ideologicamente motivados estivessem conjurando. É por isso que o Reinado do Terror foi seguido pela Reação Termidoriana e sua própria campanha de “Terror Branco” de retaliação contra os radicais da Comuna. Sim, a ideologia é sempre um fator-chave, mas os assassinatos políticos e os motins da revolução podem facilmente ser interpretados como o resultado de uma conveniência percebida no momento. Ou, como Cobban colocou: “As ações dos revolucionários foram na maioria das vezes ditadas pela necessidade de encontrar soluções práticas para problemas imediatos, usando os recursos disponíveis em mãos, e não por teorias pré-concebidas”.

O que iniciou a revolução?

Quais foram as causas imediatas da Revolução Francesa? Como vimos acima, a vanguarda da revolução foi a noblesse de robe, e o evento específico que iniciou o fervor revolucionário foi a convocação dos Estados Gerais em 1789. Tudo isso veio após anos de instabilidade fiscal, apelos por mais impostos e numerosas tentativas fracassadas de reforma. Devido a tudo isso, e não meramente aos escritos dos teóricos iluministas antirregime, o prestígio da monarquia havia afundado a um nível perigosamente baixo.

Não foi, porém, a mera convocação dos Estados Gerais que foi o estopim. Foi a maneira como os Estados Gerais deveriam ser organizados que ateou fogo à pólvora. Como aponta Lucas, a representação e a composição dos Estados Gerais deveriam ser aplicadas de acordo com as regras usadas para os Estados Gerais de 1614, mais de 150 anos antes. Isso teve o efeito de excluir um grande número de nobres menos ricos e privilegiados que pensavam ter entrado permanentemente no segundo estado11. Afinal, seus ancestrais haviam comprado seu caminho para uma posição privilegiada perante a monarquia francesa. No entanto, quando a composição dos novos Estados Gerais foi estabelecida, esses “nobres” viram-se enviados para baixo, ao terceiro estado, onde esses agora efetivamente ex-nobres sabiam que sua influência política seria enormemente reduzida. Ao mesmo tempo, a antiga alta nobreza, a noblesse de épée, tramava acabar com, ou reduzir enormemente, a prática de vender posições na nobreza em troca de receita para a coroa. A baixa nobreza e a alta burguesia politicamente conectada — agora cortadas do privilégio de novas maneiras — responderam com o tipo de alarme extremo que poderíamos esperar em tais casos. Afinal, a França não era uma terra onde o trabalho árduo frequentemente compensasse na ausência de privilégios aprovados pelo estado. Posições oficiais de privilégio dentro da máquina estatal importavam muito. Sabia-se que o primeiro e o segundo estados iriam votar para declarar-se isentos de novos impostos, o que significava que o fardo tributário recairia sobre o terceiro estado. No entanto, o terceiro estado — agora inchado com muitos membros da baixa nobreza — era muito mais numeroso do que os membros do primeiro e do segundo estados. Esse foi um grande ponto de disputa, e paralisou os Estados Gerais. Por fim, o terceiro estado rompeu e se constituiu como o “verdadeiro” legislativo — isto é, a “Assembleia Nacional” — desencadeando uma crise constitucional revolucionária.

Os teóricos liberais clássicos franceses da exploração que vieram posteriormente compreenderam que este era o verdadeiro fator-chave na ignição da revolução. Raico escreve que o terceiro estado

“se revoltou contra a aristocracia porque a aristocracia e a monarquia francesa haviam limitado o acesso a posições no governo e às burocracias civis e militares na igreja, e assim por diante. O terceiro estado era mantido fora dessas posições e teve de esmagar o poder das ordens privilegiadas para conseguir esses cargos. Essa é uma interpretação possível e frutífera da revolução, acredito eu”12.

Sim, esses revolucionários queriam uma nova constituição, mas não, como Burke gostaria que acreditássemos, porque estivessem tão apaixonados por alguma ideologia utópica sobre a igualdade total. De fato, foi amplamente demonstrado que a maior parte do terceiro estado em 1789 tinha pouca preocupação com a igualdade para as massas. Em vez disso, como observam Raico e Lucas, o terceiro estado queria acesso aos privilégios da classe dominante. A maioria dos membros do terceiro estado — e, mais tarde, da Assembleia Nacional — era de proprietários e certamente não estava interessada em tornar os pobres urbanos ou os camponeses rurais em “iguais” e, portanto, em rivais políticos.

Ao contrário de Burke, essa não foi uma revolução guiada por mera “teoria”. E, como sabemos pelos dados compilados pelos historiadores econômicos, essa não foi uma revolução da classe mercantil “monetária” buscando derrubar o “feudalismo” para impor os modos “desenraizados” dos capitalistas burgueses.

Burke ou desconhecia tudo isso ou achou inconveniente para sua narrativa. Cobban conclui:

“quanto à explicação oferecida nas Reflexões para a eclosão da Revolução, por ora basta dizer que nenhum estudioso sério poderia aceitar hoje as opiniões de Burke sobre a influência dos escritores do século XVIII sem as mais extensas ressalvas. O outro elemento revolucionário que Burke detectou na sociedade francesa foi o interesse monetário. Infelizmente, seja por falta de conhecimento detalhado, seja porque o dinheiro, afinal, era propriedade, e apresentar a Revolução como uma guerra civil entre duas formas de propriedade era difícil de conciliar com seu plano, Burke não fez nenhuma tentativa de dar seguimento ao seu argumento”13.


  1. Alfred Cobban, Aspects of the French Revolution (Nova York: Norton, 1968) p. 32. ↩︎
  2. Para um exemplo influente da visão marxista, ver Barrington Moore, Jr., Social Origins of Dictatorship and Democracy: Lord and Peasant in the Making of the Modern World (Boston, MA: Beacon Press, 1966) pp. 40-110. ↩︎
  3. Conclusões semelhantes vêm de Francois Furet e Denis Richet em seu livro The French Revolution (trad. Stephen Hardman). Furet e Richet sustentam que os primeiros revolucionários eram a classe dominante de Paris, uma classe não mercantil com visões políticas sofisticadas, mas sem qualquer verdadeira conexão com a burguesia capitalista. Ver Francois Furet e Denis Richet (trad. Stephen Hardman), The French Revolution (Nova York: MacMillan, 1970) p. 98. ↩︎
  4. Ver George V. Taylor, “Noncapitalist Wealth and the Origins of the French Revolution,” The American Historical Review 72, No. 2 (jan., 1967): 469-496. ↩︎
  5. A citação relevante de Acton é: “todas essas facções de opinião (na França pré-revolucionária) eram chamadas de liberais: Montesquieu, porque era um tory inteligente; Voltaire, porque atacava o clero; Turgot, como reformador; Rousseau, como democrata; Diderot, como livre-pensador. A única coisa comum a todos eles é o desprezo pela liberdade.” Fonte: Ralph Raico, The Place of Religion in the Liberal Philosophy of Constant, Tocqueville, and Lord Acton (Auburn, AL: Mises Institute, 2010) p. 150. ↩︎
  6. Murray Rothbard, An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, Vol. I (Auburn, AL: Mises Institute, 1995), pp. 255-274. ↩︎
  7. Ralph Raico, The Struggle for Liberty: A Libertarian History of Political Thought (Auburn, AL: Mises Institute, 2025) p. 55. ↩︎
  8. Cobban, Aspects, p. 30. ↩︎
  9. Ibid. ↩︎
  10. Micah Alpaugh, “A Self-Defining “Bourgeoisie” in the Early French Revolution: The Milice Bourgeoise, the Bastille Days of 1789, and Their Aftermath,” Journal of Social History (fevereiro de 2014): 17. ↩︎
  11. Ver Colin Lucas, “Nobles, Bourgeois and the Origins of the French Revolution,” Past & Present 60 (agosto de 1973):84-126. ↩︎
  12. Raico, Struggle for Liberty, p. 82. ↩︎
  13. Cobban, Aspects, p. 30. ↩︎