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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Como a justiça moderna falha tanto com animais quanto com seres humanos

 

Apelos por justiça costumam surgir após atos chocantes de violência, seja quando a vítima é humana ou animal. A indignação, porém, não produz justiça por si só. Em muitos sistemas jurídicos modernos, o fracasso não decorre de erros pontuais ou falhas procedimentais, mas da forma como o próprio direito foi sendo moldado para proteger instituições, e não aqueles que sofrem o dano.

Casos de crueldade extrema contra animais, assim como crimes violentos contra seres humanos, expõem esse fracasso com clareza perturbadora. As respostas legais frequentemente desviam o foco do ato cometido para o contexto social do agressor, as condições que supostamente moldaram seu comportamento e a promessa de reabilitação. Nesse processo, a vítima desaparece gradualmente do centro da discussão.

Esse padrão reflete uma transformação mais profunda da justiça. O direito afastou-se do reconhecimento do dano concreto para aproximar-se da gestão de sistemas abstratos. O crime deixa de ser tratado principalmente como uma ação moral que rompe vidas no tempo e passa a ser visto como uma disfunção social a ser classificada e administrada.

As raízes intelectuais dessa mudança podem ser rastreadas até a antropologia otimista de Jean-Jacques Rousseau, segundo a qual o homem nasce bom e é corrompido pela sociedade. Essa inversão moral adquiriu autoridade científica no século XIX por meio da criminologia positivista, especialmente na obra de Cesare Lombroso, que buscou marcadores biológicos da criminalidade, e de Enrico Ferri, que redefiniu o crime como fenômeno social.

Em ambos os casos, o agressor tornou-se um paciente, o crime um sintoma e a vítima passou a ocupar posição periférica. A justiça deixou de estar ancorada na responsabilidade e foi absorvida pela explicação.

Sistemas jurídicos moldados por essa tradição tendem a privilegiar a reabilitação e a coerência de políticas públicas. Atos de violência são reinterpretados como desafios administrativos. A punição torna-se simbólica, desvinculada da gravidade do dano causado, enquanto o tempo passa a ser tratado como um solvente capaz de dissolver a culpa.

Casos de crueldade deliberada contra animais ilustram essa lógica com especial nitidez. A violência sustentada e intencional contra animais é amplamente reconhecida como um indicador precoce de traços antissociais graves. Quando tais atos são minimizados por narrativas sistêmicas, a cegueira institucional substitui o juízo moral.

Para compreender por que os sistemas jurídicos modernos respondem tão mal ao dano real, é necessário examinar a concepção de direito que os sustenta.

A tradição em economia, direito e filosofia social parte de uma compreensão mais modesta do conhecimento humano e da ordem jurídica, articulada com particular clareza em Friedrich A. Hayek em Law, Legislation and Liberty. O direito não é concebido como uma sequência de comandos orientados a resultados específicos, mas como um conjunto de regras abstratas que permite aos indivíduos coordenar suas ações apesar da profunda ignorância recíproca.

Sob essa perspectiva, o crime não é principalmente a violação de uma norma legal pensada para conveniência administrativa. Trata-se de um ato real de agressão contra um indivíduo concreto, cujas consequências nenhuma autoridade central é capaz de medir ou reparar plenamente. Quando o crime é redefinido como uma ofensa ao estado, a justiça desloca-se da vítima para a instituição.

Isso reflete um erro recorrente identificado por Hayek e posteriormente desenvolvido por Bruno Leoni em Liberdade e a Lei, a crença de que a ordem social precisa ser conscientemente dirigida, em vez de sustentada por regras gerais aplicadas de forma igual e impessoal.

Uma concepção libertária de justiça restaura a responsabilidade ao nível em que a ação efetivamente ocorre. O agressor é tratado como agente moral que age no tempo, não como produto estatístico de forças sociais. A justiça opera por meio de regras gerais, não por ajustes discricionários voltados a fins socialmente desejáveis.

Essa abordagem é desenvolvida com especial clareza em Murray Rothbard em A Ética da Liberdade, onde a restituição e a responsabilidade precedem a conveniência institucional.

Essa distinção torna-se ainda mais relevante em casos de dano irreversível. A justiça estatal moderna frequentemente age como se penas padronizadas e mecanismos automáticos de progressão pudessem reparar o que foi rompido. Nenhum legislador ou instituição, contudo, possui o conhecimento necessário para desfazer a perda ou recalibrar seu peso moral.

A crítica não rejeita a ordem. Rejeita a pretensão de que a ordem seja fruto de um desenho consciente. A ordem jurídica, assim como a ordem econômica, emerge da observância de regras abstratas que restringem a agressão sem dirigir propósitos.

Quando a crueldade é absorvida por explicações sistêmicas, a injustiça não é acidental. Ela é o resultado previsível de sistemas jurídicos que substituem a contenção baseada em regras por ambições gerenciais.

A justiça só existe quando o direito responde a rupturas reais sofridas por seres reais, humanos ou animais. Quando essa realidade é substituída pela abstração, a justiça cede lugar à administração.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Holo-Show: “O filho do Holocausto”

 

Caetano Veloso, Pedro Bial e Jorge Mautner

Documentário O filho do Holocausto começa a ganhar trajetória internacional. Dirigido pelo “senhor BBB”, Pedro Bial, filme será exibido no Festival do Cinema Brasileiro de Paris. Ele conta a história de Jorge Mautner, filho de um judeu austríaco que se refugiou aqui no Brasil ainda no início da Segunda Guerra Mundial.

Foram cinco anos, consumidos entre pesquisa e preparação. Como havia pouco dinheiro para fazer O filho do Holocausto, documentário sobre Jorge Mautner, os diretores Pedro Bial e Heitor D’Alincourt prepararam a produção nos mínimos detalhes. Para garantir a melhor qualidade de imagem e som, filmaram num estúdio. Para reduzir os custos, concentraram tudo – as entrevistas e apresentações musicais – em quatro dias.

Apresentado recentemente no Festival do Recife (Cine-PE), O filho do Holocausto já começa a ganhar trajetória internacional, mesmo sem chegar às salas comerciais brasileiras, inclusive em BH. Em breve ele será exibido no Festival do Cinema Brasileiro de Paris, no Nouveau Latina, um cineminha de arte do Marais.

Durante sua juventude, Mautner atuou em uma célula do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro. Devido à fuga de seus pais do continente europeu, ele desenvolve uma ojeriza à cultura europeia e nutri desde então a crença de que as bases do futuro da humanidade estariam na América Latina, na África, na Ásia e na Oceania. Para Mautner, a homogeneidade da população branca europeia parece ter sido a responsável pela desgraça de sua família. Sua “lógica torta” é clara: “Ou o mundo todo se abrasileira ou a coisa vira nazista”.

Portanto, senhores leitores, se vocês permanecerem dentro de seus grupos naturais, tornar-vos-ei nazistas! Senhor Mautner, o Brasil é maior do que esta frase etílico-filosófica, digna de um “boteco cabeça” da boemia carioca – NR.

Na década de 80, em parceria com Gilberto Gil, foi iniciado o projeto Figa Brasil que corroborava uma idéia de cultura brasileira fundamentada pela noção de amálgama. Este termo, que faz alusão ao processo de mistura de metais na formação de ligas, foi utilizado por José Bonifácio de Andrada e Silva para se referir à capacidade de, no Brasil, as diversas culturas terem gerado algo para além da miscigenação. “A ideia de ‘amálgama’ vem desde os discursos e sermões do Padre Antônio Vieira, passa pelo Álvares de Azevedo, Castro Alves, continua com a antropofagia do Oswald de Andrade, que é a amálgama bem vociferante, com a Tropicália, e vem até os dias hoje. Isso se tornou nossa linguagem, tão complexa e tão incrível, de humanistas totais e sem diferenças apartheideanas”, definiu Jorge Mautner.

Manifesto Amalgamista

Somos todos mestiços. Não existem raças, existem etnias e culturas (porém, há aqueles que atestam o contrário – NR). Para José Bonifácio, cientista e patriarca da nossa independência, o Brasil é a Amálgama, sendo que isto o faz diferenciar-se de todos os outros países e culturas. E afirma: esta amálgama tão difícil de se fazer. Amálgama é miscigenação e mistura mas é muito mais do que isso: é a diversidade em combinação permanente causando esta flutuação de constante capacidade de adaptações e criatividades. É o que faz com que cada brasileiro tenha em sua alma a inata capacidade de reinterpretar todos os fenômenos da existência num só instante, com a maior receptividade e dadivosidade, absorvendo inclusive pensamentos contrários, resultando sempre num caminho do meio, que é a maior das sabedorias recomendada por quase todos os filósofos, de Aristóteles a Buda e Lao-Tsé.

Essa extrema sensibilidade metafísica vem por causa da Amálgama, o pensamento metafísico brasileiro representa a maior esperança de uma planeta sem guerras e de comunhão de todos em plenitude (e que nunca questionará o fato do país ser a eterna Colônia de Banqueiros – NR). A ciência atual que estuda os neurônios já chegou à conclusão de que quanto mais mistura melhor para a inteligência do ser! (e explica a extraordinária produção intelectual do país, juntamente com seus inúmeros prêmios Nobel… – NR). Quem pensa o contrário é racista, segue o auge dos equívocos e pretensões arrogantes da Eugenia, e da separação entre os seres humanos. É proto-nazista ou já totalmente nazista (Nós pensamos o contrário… e agora, José? – NR). O maior presente e novidade do Brasil para a Humanidade é esta Amálgama, e eu repito: “Ou o mundo se Brasilifica ou virará nazista!” e “Jesus de Nazaré e os tambores do candomblé!”.

Na musica “Outros viram” em parceria com Gil, eu cito Walt Whitman que celebra e exalta os USA e sua democracia, e que diz “No entanto, o vértice da Humanidade será o Brasil”. E também Rabindranath Tagore, poeta e pensador hindu que diz: “A civilização superior do amor nascerá no Brasil”.

Somos todos mestiços, graças a Deus!

JORGE MAUTNER é músico e escritor

Não, senhor Mautner, não somos TODOS mestiços. No Brasil ainda existem descendentes de europeus, asiáticos, africanos e índios que não se miscigenaram e talvez nem pensam nisso e queiram manter-se assim futuramente. O grande equívoco dos ditos “filósofos” atuais, adeptos dos preceitos da Nova Ordem Mundial Sionista, é querer expandir sua questionável escala de valores a todos os habitantes do país. Uma viagem para o sul do Brasil e outros enclaves regionais iria mostrar ao sr. Mautner, Bial & Cia. que nestes locais ainda existem povos orgulhosos de sua homogeneidade cultural e racial. Qual o problema? – NR.

O filme “O filho do Holocausto” é mais uma produção da Indústria do Holocausto, que há décadas repete uma versão da história que está longe de ser comprovada. Apoiando-se apenas em relatos fraudulentos ou parciais das testemunhas, de depoimentos de alemães torturados ou chantageados, o suposto “holocausto judeu” não tem qualquer sustentação documental e pericial. Ao contrário, as análises técnicas das alegadas câmaras de gás em Auschwitz e Maidanek revelaram que tais instalações nunca se destinaram ao “extermínio” de quem quer que seja

Nock e Mencken sobre democracia e igualdade

 

Nota da edição:

O artigo a seguir é uma adaptação de um paper acadêmico publicado pela autora no Journal of Libertarian Studies do Mises Institute. E possivel acessar o paper completo, com o título The Libertarian Legacy of the Old Right: Democracy and Representative Government [O legado libertário da Old Right: democracia e governo representativo] 


Albert Jay Nock (1870–1945) e Henry L. Mencken (1880–1956) foram os dois principais intelectuais libertários da Old Right (Velha Direita) durante a década de 1930 do século XX. Ambos defendiam o laissez-faire, mas se opunham ao New Deal, a qualquer ligação entre o governo e grandes empresas, à Primeira Guerra Mundial e à política imperialista dos Estados Unidos. Eles também foram extremamente polêmicos contra diversos movimentos voltados à elevação cultural e moral do povo, como a Lei Seca e a campanha em favor da educação pública.Com The Myth of a Guilty Nation (O Mito de uma Nação Culpada), publicado em 1922, Nock influenciou toda uma geração de liberais clássicos, opondo-se ao internacionalismo wilsoniano e defendendo o antimilitarismo. De 1920 a 1924, foi editor do jornal semanal The Freeman. Seus escritos são em grande parte elitistas, pois se baseiam no papel fundamental do indivíduo capaz de se elevar acima da massa do povo. Seu pensamento está ancorado em um forte individualismo, explicitamente crítico de qualquer forma de estatismo. Nock tinha uma abordagem desencantada com a democracia, baseada principalmente na ideia de que o rebaixamento do nível de cultura e de educação está relacionado à ideologia democrática. A ampliação do sufrágio não traria qualquer melhoria, e seu único resultado seria a destruição dos mais altos níveis da cultura. A política de educação universal, decidida pelo governo, baseia-se na teoria de que todos são igualmente educáveis e de que a educação deve ser estendida ao maior grupo possível. Mas, para Nock, isso não faz sentido, já que não somos todos iguais em atitudes e capacidades. O único tipo verdadeiro de igualdade é a igualdade de liberdade e perante a lei. Contudo, o sistema educacional se baseia em uma perversão da ideia de igualdade e na democracia. Antes de tudo, esclarece Nock, os Pais Fundadores escolheram o sistema republicano como a melhor forma de assegurar a livre expressão do indivíduo na política. Uma república na qual todos votam é considerada, ipso facto, uma democracia; porém, considerar “republicano” e “democrático” como sinônimos é simplesmente uma confusão de termos. Na verdade, falando estritamente, a democracia é apenas uma questão de contar votos, mas acabou se tornando uma ideologia. “O republicanismo”, escreve Nock, “não implica, por si só, sequer a democracia(…) A democracia não é uma questão de ampliação do sufrágio(…) É uma questão da difusão da propriedade; uma verdadeira doutrina da democracia é uma doutrina da propriedade pública”. E isso porque estamos “cientes de que não são, nunca foram e nunca serão, aqueles que votam que governam, mas aqueles que possuem”. Assim, a democracia, sendo um status econômico, é animada por um forte ressentimento em relação à elite, as pessoas social, econômica e intelectualmente superiores. A ideologia democrática rejeita a simples realidade de que algumas realizações e experiências estão abertas apenas a algumas pessoas, e não a todas. A democracia postula que todos devem desfrutar das mesmas coisas.

“Toda a vida institucional organizada sob a ideia popular de democracia, portanto, deve refletir esse ressentimento. Ela não deve almejar ideais acima dos do homem médio; isto é, deve se regular pelo menor denominador comum de inteligência, gosto e caráter da sociedade que representa”.

Em um sistema democrático, portanto, a educação seria “propriedade comum” e, assim, aquilo que não pode ser administrado por todos deve ser desconsiderado. Isso conduz a um nível baixo e pobre de educação e à destruição dos estratos mais elevados da cultura, da arte, do gosto e da própria vida. Além disso, a teoria de Nock sobre o estado, como uma instituição inimiga, fundada na exploração e no roubo, lança ainda mais luz sobre suas ideias a respeito da democracia. A doutrina da soberania popular foi uma alteração estrutural do estado, necessária para fazer as pessoas acreditarem que o estado era, literalmente, a expressão da vontade popular. A representação democrática tem sido um expediente destinado a submeter os súditos a um estado que eles acreditavam ser legítimo. O mais importante desses expedientes:

“(…)foi a introdução do chamado sistema representativo ou parlamentar, que o puritanismo introduziu no mundo moderno e que recebeu muitos elogios como um avanço em direção à democracia. Esse elogio, contudo, é exagerado. A mudança foi apenas de forma, e seu impacto sobre a democracia foi insignificante”.

Henry Louis Mencken foi um dos principais protagonistas da Old Right americana. No jornal semanal American Mercury, ele e seus colegas criticaram duramente os cruzados morais e toda a política wilsoniana que via os Estados Unidos como o guardião do mundo. Embora fosse uma figura literária e não tenha elaborado seu pensamento político de forma sistemática, ele pode, com razão, ser considerado um libertário. Tanto Murray N. Rothbard quanto [Justin] Raimondo estão convencidos de que há muitas boas razões para situar Mencken na tradição libertária. Rothbard o definiu como “o libertário alegre” por sua prosa espirituosa e satírica. Mencken era, nas palavras de Rothbard, “um individualista sereno e confiante, dedicado à competência e à excelência e profundamente devotado à liberdade, mas convencido de que a maior parte de seus semelhantes estava além de qualquer reparo”. Mencken exerceu grande influência sobre a Old Right durante a década de 1920, rejeitando a ideia de uma guerra mundial em nome da paz e da democracia, e defendendo o laissez-faire tanto na economia quanto na vida privada. Sua força libertadora e seus escritos não se destinavam às massas, mas a uma minoria inteligente capaz de compreender e apreciar sua mensagem. Mencken acreditava que:

“(…)o governo, em sua essência, é uma conspiração contra o homem superior; seu único objetivo permanente é oprimi-lo e debilitá-lo(…). Uma de suas funções primárias é regimentar os homens pela força, torná-los o mais semelhantes possível, buscar e combater a originalidade entre eles. O homem mais perigoso para qualquer governo é aquele que é capaz de pensar por conta própria, sem consideração pelas superstições e tabus predominantes”.

O governo “é um poder separado, independente e frequentemente hostil”. Mencken percebia “o profundo senso de antagonismo entre o governo e o povo que ele governa. Ele é(…) uma corporação separada e autônoma, principalmente dedicada a explorar a população em benefício de seus próprios membros(…), oprimindo os pagadores de impostos em para benefício próprio”. O melhor tipo de governo, escreve ele, “é aquele que deixa o indivíduo em paz, aquele que mal escapa de ser nenhum governo”.A perspectiva individualista de Mencken confere grande coerência às suas posições sobre muitos temas, entre os mais importantes dos quais está a democracia. Notes on Democracy, publicado em 1926, contém uma das críticas mais contundentes à ideia de que as grandes massas do povo têm um direito inalienável de governar a si mesmas e de que são competentes para fazê-lo. Um governo é considerado bom se consegue satisfazer rapidamente os desejos e as ideias das massas, isto é, dos homens inferiores. Um governo bom e democrático baseia-se na ideia da onipotência e da onisciência das massas. Contudo, afirma Mencken, “não há, na realidade, mais evidência da sabedoria do homem inferior, nem de sua virtude, do que há para a noção de que a sexta-feira é o dia do azar”. Mencken inicia sua análise da democracia examinando a psicologia do homem democrático e esclarecendo que, “em uma sociedade aristocrática, o governo é uma função daqueles que chegaram relativamente longe nos polos(…) Em uma sociedade democrática, ele é função de todos e, portanto, principalmente daqueles que chegaram apenas a alguns palmos do chão”. O homem democrático contempla, com amargura e admiração, aqueles que estão acima dele. Amargura e admiração formam um complexo de preconceitos que, em uma democracia, é chamado de opinião pública, a qual, sob a democracia, é considerada algo sagrado. Mas, pergunta Mencken:

“O que a multidão pensa? Ela pensa, obviamente, aquilo que seus membros individuais pensam. E o que é isso? É, em suma, aquilo que crianças um tanto espertas e desagradáveis pensam. A multidão, sendo composta, em sua esmagadora maioria, por homens e mulheres que não foram além das ideias e emoções da infância, paira, em idade mental, em torno do período da puberdade, e sobretudo abaixo dele. Se quisermos alcançar seus pensamentos e sentimentos, devemos buscar esclarecimento nos pensamentos e sentimentos dos adolescentes”.

O principal sentimento da humanidade é o medo, e o principal sentimento do homem democrático é a inveja. O “homem democrático odeia o sujeito que está se saindo melhor neste mundo” (Mencken 1926, p. 45); é por isso que, segundo Mencken, a inveja é a origem da democracia. Os políticos estão bem cientes da psicologia das massas, e aqueles que sabem como utilizar os medos da multidão são os mais bem-sucedidos. “A política sob a democracia consiste quase inteiramente na descoberta, perseguição e eliminação de bicho-papões. O estadista torna-se, em última análise, um mero caçador de bruxas”; de fato, “o povo comum, sob a democracia, nunca vota a favor de algo, mas sempre contra algo”. Na realidade, a política não é determinada pela vontade do povo, mas por pequenos grupos com interesses especiais, capazes de explorar os medos e de estimular a inveja das massas. “As políticas públicas são determinadas e as leis são feitas por pequenas minorias que jogam com os medos e as imbecilidades da multidão”. Aqueles que têm sucesso no campo da política não são os homens melhores e mais inteligentes, mas os demagogos mais hábeis e astutos. Antecipando Hans-Hermann Hoppe, Mencken afirma que, salvo por um milagre, seria muito difícil que um homem de valor fosse eleito para um cargo em um estado democrático. O problema é que as pessoas acreditam que “a cura para os males da democracia é mais democracia” ou algo mais próximo da democracia direta. As grandes massas de homens, embora livres em teoria, submetem-se à opressão e à exploração. De fato, segundo Mencken, a vontade popular permanece puramente teórica em toda forma de democracia. Além disso, não há razão para acreditar que sua realização alteraria os contornos principais do processo democrático, considerando o baixo nível de inteligência e de conhecimento da multidão.

Mencken examina a relação entre democracia e liberdade e observa que o homem democrático não luta para conquistar mais liberdade, mas por mais segurança e proteção. “O fato”, escreve ele, “é que a liberdade, em qualquer sentido verdadeiro, é um conceito que está bastante além do alcance da mente do homem inferior(…). Liberdade significa autossuficiência, significa determinação, significa iniciativa, significa a capacidade de viver sem dependências”. Mas essas não são as características das massas democráticas. Na realidade, o anseio das massas por bens materiais só pode ser satisfeito à custa da liberdade e dos direitos de propriedade. Não se pode negar que a liberdade é uma condição indispensável para o desenvolvimento da personalidade do indivíduo; porém, se observarmos as propensões das massas, descobrimos que, com frequência, elas preferem sacrificar a liberdade para desfrutar de vantagens materiais ou psicológicas. O homem médio quer sentir-se protegido até mesmo de si próprio. Escreve Mencken:

“A verdade é que o amor do homem comum pela liberdade(…) é quase inteiramente imaginário(…). Ele não é realmente feliz quando está livre; ele se sente desconfortável, um pouco alarmado(…). Ele anseia pelo cheiro quente e tranquilizador do rebanho e está disposto a aceitar também o pastor. A liberdade não é algo para alguém como ele(…). O homem médio não quer ser livre. Ele simplesmente quer estar seguro(…). O que o homem comum anseia(…) é o tipo mais simples e mais ignóbil de paz — a paz de um detento de confiança em um presídio bem administrado. Ele está disposto a sacrificar todo o resto por isso. Ele a coloca acima de sua dignidade e acima de seu orgulho. Acima de tudo, ele a coloca acima de sua liberdade”.

O homem médio tende a considerar a liberdade como uma arma usada contra ele nas mãos de homens superiores; mas, recordando Edmund Burke, Mencken escreve que:

“a herança da liberdade pertence a uma pequena minoria de homens(…). É minha convicção que tal herança é necessária para que o conceito de liberdade(…) possa sequer ser apreendido — tais ideias não podem ser implantadas na mente do homem à vontade, mas devem ser cultivadas, assim como todas as outras ideias são cultivadas(…). Leva tanto tempo para formar um libertário quanto para criar um cavalo de corrida”.

Se um dos principais propósitos dos governos civilizados é preservar e ampliar a liberdade do indivíduo, então, certamente, a democracia o faz de maneira menos eficiente do que qualquer outra forma de governo, já que “o objetivo da democracia é quebrar todos os espíritos livres”. Mencken descreve as consequências tirânicas das tendências de nivelamento cultural da democracia. Assim como Alexis de Tocqueville, ele percebe que a pressão de uma sociedade de massas, composta por homens todos semelhantes e iguais, leva ao ostracismo daqueles indivíduos superiores que estão “meramente pensando pensamentos impopulares”. “Uma vez” que um homem “é acusado de tal heresia, os procedimentos subsequentes assumem o caráter de um linchamento”. A sociedade democrática e igualitária está comprometida com valores culturais comuns que resultam em uma rigorosa homogeneidade das formas de pensar e de viver. Assim, “um homem que manifesta desprezo pela ideologia predominante não tem direitos sob a lei”. Em meados da década de 1930, a influência de Nock e Mencken começou a declinar. A Old Right, após desempenhar um papel importante na oposição ao New Deal e no contexto decisivo da Primeira Guerra Mundial, praticamente desapareceu. Durante os anos da Segunda Guerra Mundial, o governo baniu qualquer oposição à guerra, a Roosevelt e ao New Deal. “A Velha Direita foi para a clandestinidade durante toda a duração” da guerra e, quando os Estados Unidos emergiram do conflito, surgiu uma nova geração de libertários inspirados por esse estilo antigo. Eles acreditavam no laissez-faire e na não intervenção na política externa.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

E em 30 de janeiro de 1933....

 

Hitler, Chanceler do Reich!

Relato sobre os acontecimentos anteriores e posteriores a esta importante data, onde pela primeira e única vez, o capital especulativo internacional foi confrontado. Este dia é um divisor de águas da História do homem. Uma nova cosmovisão entrou em cena, uma concepção de mundo que estancou a ideia milenar de exploração do trabalho pela escravidão dos juros.

A vitória da verdadeira democracia

Em 30 de janeiro de 1933, apareceu no “Völkische Beobachter” o título: “Mensagem de Ano Novo de Adolf Hitler! O movimento Nacional-Socialista é a última força de nosso povo, última esperança e único futuro!” O Führer expôs neste pronunciamento sua visão geral sobre a situação na Alemanha e salientou que o movimento já tinha ultrapassado 12 eleições sem paralelo e apesar de tudo, o partido atingiu grandes êxitos e superou todos os obstáculos criados contra ele. Então o Führer reforçou mais uma vez os motivos pelos quais o levaram a abdicar, a 13 de agosto e 24 de novembro de 1932, sua entrada em um governo que não era Nacional-Socialista. Ele explicou: “O direito do primogênito de nosso movimento não será vendido”, e então prosseguiu: “Pois se nossos adversários nos convidam a participar de tal governo, então eles não o fazem com o intuito de nos passar aos poucos todo o poder, mas sim na convicção de tirá-lo de nós para sempre!” Sobre os projetos para o futuro, o Führer escreveu: “Nós saudamos o Movimento Nacional-Socialista, seus mártires mortos e os guerreiros vivos! Viva a Alemanha, o povo e o Reich!”

Já a 4 de janeiro de 1933, aconteceu uma conversa reservada entre o Führer e o antigo Chanceler do Reich, von Papen, na presença de Rudolf Heß e Heinrich Himmler, sobre a participação em um futuro governo. Apesar das necessárias negociações, o Führer sempre permaneceu consciente que a única força real para a renovação da Alemanha estava no próprio povo alemão. E por isso é que Adolf Hitler foi ao seio do povo a 15 de janeiro de 1933, nas eleições regionais no Lippe, e falou no período de 5 a 14 de janeiro em não menos de 16 locais desta pequena região. A eleição, em si nem tão importante, teve uma importância fundamental haja vista a situação geral da política. Desde a preocupante eleição para Chanceler do Reich a 6 de novembro de 1932, com a perda de quase 2 milhões de eleitores e a traição de Gregor Strasser, o movimento se encontrava em uma posição muito difícil. Os partidos contrários, dos nacionalistas até os comunistas, triunfaram sarcasticamente e publicavam diariamente em sua imprensa, que representava ainda naquela época 95% da totalidade da imprensa alemã, artigos de páginas e páginas sobre a suposta e contínua queda do NSDAP. Os aparentemente adormecidos partidos acordaram no verão de 1932 para novas atividades e confundiram novamente o eleitorado com sua forte convicção de vitória. Embora a situação fosse muito séria para o partido, os verdadeiros Nacional-Socialistas não duvidaram sequer um minuto na vitória final do Movimento. Mas como a personalidade não conta em uma democracia, mas sim a avaliação dos números, e a luta pelo poder deveria ser conforme as regras da democracia parlamentarista, nesta nova eleição não poderia acontecer uma nova queda do número de votos. Partindo-se desta premissa, o movimento utilizou-se de todos os meios disponíveis para angariar uma vitória nesta luta. Desta forma a eleição se transformou num acontecimento histórico, pois ela provou sem dúvida alguma que todas as especulações dos adversários fracassaram e que o povo alemão depositava novamente em Adolf Hitler toda sua confiança. O NSDAP conquistou lá 39.065 votos contra 33.038 votos da última eleição do Reichstag a 6 de novembro de 1932.

Este resultado foi a prova definitiva para toda a Alemanha de que a força do Movimento não tinha se exaurido, mas sim destinava-se a uma nova ascensão.

Mas Adolf Hitler ainda não estava no poder, e a miséria aumentava continuamente. Toda Alemanha reconhecia que se aproximava uma catástrofe inimaginável sobre todo o povo alemão, caso não se chegasse agora numa clara relação de poder. Não se tratava mais agora da vitória do Movimento, mas sim da existência do Reich alemão e da vida de milhões de cidadãos alemães. O marxismo internacional recebia diariamente o fluxo de pessoas amarguradas e revoltadas. Somente um completo hipócrita poderia ignorar que o bolchevismo chegava à Alemanha, para exterminar todo o povo com um assalto sangrento, e entregá-lo ao subdesenvolvimento.

Até mesmo o estrangeiro reconhecia a miséria irrestrita na Alemanha e publicava longos artigos sobre a situação delicada do povo alemão. Um jornal suíço escreveu sobre isso: “No momento, espera-se antes uma piora do que uma diminuição da miséria. O único consolo recai-se na convicção de que tal situação que rouba das pessoas o seu melhor, a capacidade produtiva, não pode permanecer para sempre, e deve encontrar seu final em breve – como, nós ainda não sabemos.”

Apesar daquela hora da catástrofe poder surgir sobre a Alemanha a qualquer momento, foram necessários vários dias de difíceis negociações para levar o círculo governante a passar o poder a Adolf Hitler.

A 17 e 18 de janeiro, o Führer e Hermann Göring negociaram com o Deutschnationalen Volkspartei e von Papen. De 20 até 28 de janeiro, a mando do Führer, Hermann Göring continuou as conversações com o Secretário de Estado do Presidente do Reich, Meißner, com o Stahlhelmführer Seldte e Franz von Papen, até chegar a um compromisso final a 28 de janeiro.

Finalmente, a 28 de janeiro de 1933, acontecia a renúncia do gabinete do General Schleicher, que ainda mantinha a audácia de exigir do Presidente do Reich uma assinatura para dissolução do Reichstag, sem solicitar a convocação para novas eleições. Ele acreditava que deste modo poderia continuar a governar contra o povo alemão. O conselheiro do Presidente do Reich von Hindenburg percebeu o terrível perigo que este novo experimento de governo poderia trazer, e chegaram finalmente ao consenso de que somente Adolf Hitler estava na condição de resgatar o povo alemão do abismo. (Em total ignorância da situação política, o Chanceler do Reich, General von Schleicher, exigiu do Presidente do Reich um decreto para uma nova dissolução do Reichtag sem convocação de novas eleições. Devido às conversações anteriores com Adolf Hitler, o Presidente do Reich recusou esta intenção, a qual sem dúvida alguma levaria à guerra civil.)

Hermann Göring levou avante sob ordens do Führer as necessárias negociações e manteve com os representantes de Hindenburg ainda algumas importantes conversas, onde foram sanadas os últimos obstáculos. A 29 de janeiro, ele pode anunciar ao Führer que sua designação como Chanceler do Reich era iminente.

Na manhã de 30 de janeiro de 1933, o Führer foi então recebido pelo Presidente do Reich von Hindenburg para uma conversa; em seguida, o Presidente do Reich nomeou Adolf Hitler para Chanceler do povo alemão e empossou-o, assim como os novos membros do novo gabinete. Ao mesmo tempo foram nomeados: Dr. Wilhelm Frick para Ministro do Interior do Reich e Hermann Göring para Ministro do Reich sem pasta específica.

Junto aos nacional-socialistas, os seguintes homens foram incorporados ao gabinete: Franz von Papen como Vice-chanceler, Freiherr von Neurath como Ministro do Exterior, Graf Schwerin von Krosigk como Ministro da Fazenda, General Werner von Blomberg como Ministro da Defesa, Alfred Hugenberg como Ministro da Economia, Alimentação e Agricultura, Freiherr von Eltz-Rübenach como Ministro dos Transportes, Franz SEldte como Ministro do Trabalho, Franz Gürtner como Ministro da Justiça e Dr. Gereke como Comissário do Reich para criação de empregos.

Com isso foi atendida a exigência de longa luta de Adolf Hitler para ocupar o cargo de Chanceler do Reich alemão. Mas com ele entraram somente dois nacional-socialistas no novo gabinete. Todos os outros ministros orbitavam nas esferas dos partidos populares nacionalistas.

A lista dos ministros de Estado mostrava claramente que foi feito um importante esforço para não permitir posições-chave ao NSDAP, uma prova de que alguns grupos políticos ainda não tinham percebido até aquele instante a surpreendente e grandiosa personalidade de Adolf Hitler, e tentavam criar dentro do gabinete certo contra-peso ao Nacional-Socialismo.

Os adversários da cosmovisão nacional-socialista salientavam o fato com satisfação; os nacional-socialistas sabiam, entretanto, que com a posse de Adolf Hitler como Chanceler, todas as dificuldades mais importantes para a formação de um novo Reich foram superadas.

O dia 30 de janeiro de 1933 entrará na história da Alemanha e do mundo como um divisor de águas histórico. A notícia da nomeação de Adolf Hitler como Chanceler do povo alemão provocou em todos os estados alemães uma imensa euforia. Aquilo pelo qual centenas deram suas vidas e milhões desejavam, finalmente aconteceu. Mas também a maioria dos antigos opositores do Movimento Nacional-Socialista saudou o acontecimento na esperança que agora uma derradeira mudança acontecesse. Na noite de 30 para 31 de janeiro de 1933, marchou na capital do Reich um grandioso desfile de tochas na presença do Führer e no idoso Presidente do Reich.

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Desfile de tochas pelo Portão de Brandenburg

Em 1º de fevereiro de 1933, o Presidente do Reich von Hindenburg dissolveu por ordem do Führer o paralisado Reichstag e determinou o dia 5 de março para eleições dos novos representantes do povo. No mesmo dia, Adolf Hitler falou pela primeira vez na rádio alemã e anunciou a “Conclamação do Governo do Reich ao povo alemão”. Após um retrospecto dos últimos 14 anos de desgraça e miséria geral, o Führer disse textualmente: “A tarefa que nós temos que solucionar é a mais difícil da história política alemã. Porém, a confiança em todos nós é ilimitada, pois nós acreditamos no povo e em seu valor ilimitado. Camponeses, operários e cidadãos, eles devem fornecer juntos o tijolo para o novo Reich!”

O Führer anunciou então o primeiro plano de quatro anos, onde disse:

“Em 14 anos, os partidos do novembro (de 1918) arruinaram a agricultura alemã.
Em 14 anos, eles criaram um exército de milhões de desempregados.
O governo nacional realizará com determinação de ferro e tenaz perseverança o seguinte plano:
Dentro de quatro anos o camponês alemão deverá ser retirado da miséria.
Dentro de quatro anos o desemprego deverá ser superado definitivamente.
Ao mesmo tempo, com isso, aparecem os pré-requisitos para o renascimento da economia.”

Ao final, Adolf Hitler explicou:

“Agora, povo alemão, nos dê o período de quatro anos e então nos julgue. Fiel à ordem do Marechal, vamos começar. Queira Deus Todo-poderoso tomar nosso trabalho em sua misericórdia, fortalecer nossa vontade, abençoar nossa visão e nos premiar com a confiança de nosso povo. Pois não queremos lutar para nós, mas sim pela Alemanha!”

Enquanto a grande massa estava ciente da seriedade da hora e da grande missão anunciada, os marxistas tentavam mais uma vez realizar seus planos através de assassinatos e do terror. E sendo assim, nas horas que se seguiram ao 30 de janeiro de 1933, durante o retorno do desfile das tochas diante do Palácio do Presidente do Reich, foram assassinados o Sturmführer Hans Maikowski e o chefe da polícia, em Charlottenburg, por comunistas de tocaia. Como sinal claro de que os ativistas do Movimento estavam sob proteção de todo o povo alemão, estas primeiras vítimas pós-tomada de poder receberam um festivo funeral de Estado. Apesar disso, a peste do assassinato não foi extinta. Em poucos dias morreram mais seis homens da SA e SS. Esta situação e a provocação barata da imprensa marxista obrigou o governo do Reich, a 4 de fevereiro de 1933, a decretar uma “Ordem para proteção do povo alemão”, a qual se aplicava contra a propaganda marxista e autorizava o governo a tomar medidas preventivas.

Fonte: Documentos da coleção Rehse dos anos de luta – Volume I e II. Dokumente der Zeitgeschichte, 1941 und 1942.

Mais impressionante ainda é a quantidade de “democratas” que só enxergam a “repressão violenta” dos terríveis “camisas-marrons de Hitler”, mesmo diante do atual emprego de violência gratuita por organizações “antifas”. Estas organizações impedem a livre demonstração de nacionalistas. O emprego da força para sua própria defesa é algo perfeitamente normal em qualquer organismo ainda saudável – NR.

Gramsci, Paulo Freire e a batalha da linguagem: o declínio começou com a deturpação das palavras



Afirmação! 

É a linguagem, o elemento mediante o qual expressamos nossos pensamentos, ideias, opiniões, expectativas e sentimentos. É o elemento comunicador por excelência: onde há comunicação, há necessariamente linguagem. A linguagem é o sistema de sinais que utilizamos para efeito de nos comunicarmos e a linguística é o estudo dos fenômenos segundo os quais as línguas evolvem.

Você pode ter uma ideia excelente, até mesmo genial, mas, se não souber comunicá-la, essa ideia não se espalhará e você perderá a batalha. Nunca é demais relembrar o velho José Abelardo Barbosa de Medeiros, mais conhecido como Chacrinha (1917 — 1988), um comunicador popular fantástico, que tinha como um de seus famosos motes “quem não se comunica se trumbica”. Pura sabedoria popular, sem qualquer pretensão de erudição, mas que, para determinados fins, vale mais do que certos tratados de Filosofia da Linguagem [1].

Pois bem, o ponto a que desejo chegar é que, fora do âmbito teórico, os liberais, no
Brasil e no mundo, vêm se trumbicando há muitos anos, simplesmente porque,
embora suas ideias sejam as melhores, não têm sabido comunicá-las devidamente
para a sociedade. Ou seja, até o presente momento nós simplesmente ainda estamos
perdendo a batalha da linguagem. E de goleada.

O que devemos, então, fazer, já que, neste bendito ano da graça de 2016, a esquerda — ao que parece — está perdendo rapidamente espaço em todo o mundo e sabendo que, se nada fizermos, ou se adotarmos alguma postura ineficaz, essa esquerda — que é bastante organizada — irá recuperar o terreno, com todas as consequências que isso trará em termos de obstáculos à geração de riqueza e da melhoria do padrão de vida em todo o planeta?

A paródia da “linguagem das doninhas”

Weasel word é uma gíria inglesa para designar palavras evasivas ou ocas. Em português usamos a expressão linguagem das doninhas, essa mesma ouvida incessantemente na TV, em bares e reuniões de intelectuais, na internet e nos jornais, e que cria em suas vítimas o hábito de não pensar, substituindo a lógica pelos chavões e palavras de ordem.

Ai de quem, sabendo pensar por conta própria, recusa-se a falar esse dialeto maldito. É logo tachado de ”elitista”, ”conservador”, “misógino”, “racista”, “machista”, “homofóbico”, “nazista”, “coxinha” e — ignomínia das ignomínias! — ”politicamente incorreto”, além de outros adjetivos “xingativos”.

Em Dilbert and the way of the weaselA Guide to Outwitting Your Boss, Your Coworkers, and the Other Pants-Wearing Ferrets in Your Life, um livro satírico de bastante sucesso, o economista e cartunista americano Scott Adams (1957) estabelece a proposição de que muitas pessoas — mais exatamente, as que se deixam dominar pela ditadura do ”politicamente correto” — agem como as doninhas ou mustelas, aqueles mamíferos capazes de sugar todo o conteúdo de um ovo, por um minúsculo furo que conseguem fazer, deixando-o aparentemente intacto. A humanidade, segundo essa sátira, não seria formada por pessoas boas ou más, mas sim por doninhas.

Assim, o autor introduz sarcasticamente a Zona da Doninha, uma gigantesca área cinzenta entre o bom comportamento moral e a criminalidade aberta, que é de onde nos ”exploram” sem parar: chefes, empresários, fazendeiros, executivos, países e pessoas ricos, banqueiros, Donald Trump, Angela Merkel, enfim, todos os que são bem sucedidos na vida. Em 27 hilariantes capítulos, Adams revela os segredos desses seres escorregadios, como reconhecê-los e como agem, denominando de weaseleze a língua oficial das doninhas, útil para ninguém entender racionalmente o que é dito e confundir os inimigos, como parte da estratégia gramsciana de implantar o socialismo sem recorrer às armas convencionais.

Passando da sátira ao mundo real, esse comportamento de bois ao som do berrante que domina a sociedade atual é certamente uma das etapas derradeiras do processo de degradação cultural, em que a linguagem se desconecta da experiência inteligente e emite apenas tênues sinais de vida social. Aquilo que quase todos se põem a dizer já se mostra inteiramente desconectado dos acontecimentos, fatos e ações racionais do mundo real, para refletir apenas opiniões conduzidas e sem qualquer embasamento, segundo a clivagem binária rudimentar entre nós e eles.

Imagine uma explanação qualquer feita por um professor e que atenda aos requisitos da lógica e suponha que o raciocínio desse docente o conduza a, por exemplo, defender as privatizações. O homem que é guiado pela linguagem politicamente correta, então, dirá simplesmente que discorda, sem qualquer preocupação quanto a explicar por que discorda. Muito provavelmente, se lhe perguntarem o motivo, ficará em maus lençóis.

Isso acontece porque aquilo de que ele discorda nada tem a ver com a sua vivência dos fatos reais, mas sim com o comando que lhe foi exarado — como que do além –, de que “privatizar é dilapidar o patrimônio público”. Logo, ele instantaneamente colocará o professor do lado deles e, portanto, contra o nós que lhe foi impregnado desde o ensino básico como o time dos bonzinhos.

Para usarmos a nomenclatura do filósofo alemão Eric Voegelin (1901-1985), essas pessoas vivem em umasegunda realidade, aquela que povoa seu imaginário e que é absolutamente alheia ao mundo real, formado pela primeira realidade, aquela que é factual, que de fato existe.

Temos, então, uma grave situação, em que os sons emitidos pelo professor são reconhecidos como característicos de uma linguagem racional, mas compreendidos — e passados adiante — como o de uma comunicação irracional, como a dos animais.

O veneno de Bakhtin, Gramsci, Piaget e Freire

A degradação da linguagem se dá quando essa anomalia se estende aos jornais, à TV, à internet, ao rádio, aos discursos dos políticos e — como é triste escrever isso! — aos intelectuais e professores universitários.

Argumentar para quê?, se esses teleguiados já dispõem dos chavões, das palavras de ordem e de todas as doninhas do mundo para protegê-los. Mostrar racionalmente por que se discorda dessa ou daquela afirmativa para quê?, se é suficiente buscar-se a leniência do grupo nós. Buscar convencer o outro lado para quê?, se é mais fácil intimidá-lo com a demonstração de que esse mesmo grupo é mais barulhento do que o grupo deles

Em suma, não há qualquer necessidade de demonstrar-se que se está com a razão, porque o que importa é amealhar o maior número possível de autômatos que compõem o nós e segregar os demais — mesmos que estes sejam a maioria — no curral utilizado para isolar a influência nociva de todos os mal-intencionados, ou seja, eles.

Mas é evidente que essa verdadeira ditadura das doninhas conhecida como linguagem politicamente correta não está acontecendo por acaso. Tudo isso foi pensado, planejado e executado pacientemente, durante décadas, como um incessante trabalho de formigas, pela esquerda em todo o mundo. Para não retrocedermos em demasia no tempo, vamos nos referir apenas ao filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895-1975) e ao também filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937), bem como aos educadores Jean Piaget (1896-1980), e Paulo Freire (1921-1997), todos comunistas.

Bakhtin enxergava a linguagem como um processo permanente de interação por meio do diálogo e não apenas como um sistema autônomo. Assim, a língua só existe mediante o uso que locutores ou escritores e ouvintes ou leitores fazem dela, em situações concretas de comunicação. Definiu noções de análise da linguagem com base em discursos e crônicas artísticos, filosóficos, científicos e políticos. Segundo ele, o ensino, o aprendizado e a linguagem deveriam subordinar-se ao sujeito, aquele agente dos acontecimentos responsável pela criação dos discursos e ideias. E — os negritos são meus — os enunciados sempre são trabalhados pelo sujeito tendo em vista os objetivos ideológicos, sociais, históricos e culturais.

Isso lembra a você alguns dos partidos de esquerda? Pois é.

As relações entre linguagem, ideologia e hegemonia de Gramsci e Bakhtin são bastante semelhantes. Analisando os conceitos bakhtinianos de heteroglossia (a diversidade social de tipos de linguagens) e dialogismo (o processo de interação entre textos, em que estes não são considerados isoladamente, mas concatenados com outras proposições similares) e a definição gramsciana de hegemonia (as relações de domínio de uma classe social sobre o conjunto da sociedade), conclui-se que as visões de linguagem e subjetividade de ambos são convergentes e que, a partir de uma discussão sobre os conceitos de poder, discurso e ideologia, consideram a linguagem e o sujeito como processos capazes de refutar e criticar os poderes e discursos prevalecentes.

O sardo de Ales, Antonio Gramsci, certamente é mais conhecido no Brasil do que Bakhtin como uma das maiores referências do pensamento esquerdista no século XX. Il Gobbo (o corcunda), assim apelidado por conta de um defeito físico, alinhava-se com o projeto político que visa à revolução proletária, mas se distinguia porque acreditava — e, novamente, os negritos são meus — que a chegada ao poder deveria ser antecedida por mudanças de mentalidade e que os agentes dessas mudanças deveriam ser os intelectuais e a ferramenta essencial deveria ser a escola.

Enquanto a maioria dos pensadores marxistas enfatizava as relações entre economia e política, Il Gobbo deu maior importância à ação ideológica nos campos da educação, da cultura e da intelligentsia no processo histórico de transformação. Muitos de seus conceitos permanecem atuais e — o que é pior — são postos em prática por governos e políticos esquerdistas em todo o mundo. Por exemplo, é dele o de cidadania, pois foi Gramsci que levou à pedagogia a “conquista da cidadania” como um dos objetivos das escolas. Estas deveriam ser manipuladas para o que denominou de “elevação cultural das massas”, alegoria que, segundo ele, representaria a libertação das populações da visão de mundo baseada em “preconceitos” e “tabus” (a religião seria um deles), bem como dos usos e costumes tradicionais que impediriam a crítica das “classes dominantes”.

A maior parte da obra de Gramsci foi escrita na prisão, por ordem de Mussolini e só veio a ser divulgada depois da sua morte. Desse período, há duas obras: as Cartas do cárcere, com mensagens a parentes ou amigos e os famosos 32 Cadernos do cárcere, que não eram originalmente destinados à publicação. Para esconder-se da censura fascista, adotou uma linguagem cifrada, repleta de conceitos originais, como bloco histórico, intelectualidade orgânica, sociedade civil e hegemonia, e de expressões novas, como ‘filosofia da práxis’ como sinônimo de marxismo. Sua escrita, a exemplo da de Nietzsche, é fundamentalmente fragmentada, com inúmeras passagens que se limitam a sugerir reflexões.  

Segundo Gramsci, “toda relação de hegemonia é necessariamente uma relação pedagógica”, isto é, de aprendizado. E obtém-se a hegemonia mediante uma luta de direções contrastantes, primeiramente no campo da ética e depois no da política. Para Il Gobbo, era necessário primeiro conquistar as mentes e só depois o poder. 

No campo da educação, duas influências consentâneas com essas ideias influenciaram a educação de maneira muito forte. A primeira foi a do francês Jean William Fritz Piaget, para quem as crianças só podiam aprender o que estavam preparadas a assimilar. Aos professores  caberia tão somente a tarefa de aperfeiçoar o processo de descoberta dos alunos. Piaget criticou acidamente a modalidade de ensino onde “o professor dita e o aluno copia e repete”.

Crítica endossada pela segunda das influências, o pernambucano Paulo Freire, o pedagogo endeusado pela esquerda de nosso país e autor de A pedagogia do oprimidoCom seu método dialético de alfabetização, Freire denominou jocosamente a então maneira tradicional de educar de “educação bancária”. Freire é — e não posso me furtar de aduzir — infelizmente, o patrono da educação brasileira. O que, certamente, explica as péssimas colocações do Brasil em todos os rankings internacionais divulgados anualmente. Mas trata-se, dizem seus adoradores, de pedagogia crítica, o que para mim não passa de uma antecipação do dialeto weaselese para designar o grande equívoco que é o marxismo.

Sempre que ouço ou vejo o nome de Paulo Freire, lembro-me de Roberto Campos, que não se cansava de se referir a ele como o educador que jamais educara uma criança sequer. Mas vale a pena verificarmos até que ponto suas divagações alucinatórias iam. À educação “bancária” ele contrapunha a educação “libertadora”.

A primeira seria uma relação “vertical” entre educador e educando. Um deteria o conhecimento e a capacidade de pensar, e o outro seria o objeto que recebe o conhecimento e segue o mestre. O educador “bancário”, então, “depositaria” conhecimentos nos alunos e estes passivamente os receberiam. Tal concepção de educação teria como objetivo intencional formar indivíduos acomodados, não-questionadores e que se submeteriam à estrutura de poder vigente, sem objetivos de crescerem na vida, e teria sido idealizada para acobertar os interesses dos “dominadores”.

Trata-se de uma trama muito bem urdida por Freire: ao mesmo tempo em que alerta que educar para pensar é algo perigoso para eles e que mudanças devem ser feitas, ele também propõe uma solução que, ao fim e ao cabo, bestializa os alunos, destruindo sua inteligência e sua própria capacidade de pensar como indivíduos autônomos. E, ao mesmo tempo em que critica a educação “vertical” ou “bancária”, sugere outra verticalidade de viés totalitário, a do estado sobre os indivíduos, transferindo a autoridade de pais e professores para seu exército de ideólogos ocupando as salas de aula.

Segundo sua nomenclatura, uma “educação libertadora ou problematizadora” seria aquela que não separasse professor e aluno, em que ambos seriam concomitantemente educadores e educandos. Em suas palavras:

“Desta maneira, o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. A educação libertadora abre espaço para o diálogo, a comunicação, o levantamento de problemas, o questionamento e reflexão sobre o estado atual de coisas e, acima de tudo, busca a transformação”.

Repare no recorrente estratagema dialético que consiste em dividir tudo o que existe no mundo na suposta dicotomia entre nós eles, sem a qual o socialismo-comunismo não pode existir: nós, os bonzinhos, os socialistas-comunistas de caráter ilibado e ótimas intenções e eles, os malvados defensores do capitalismo, da propriedade privada e da economia de mercado, de péssima índole e intenções escusas.

Bakhtin, Gramsci, Piaget e Freire, os dois primeiros em plano mais filosófico e os dois últimos invadindo (ou ocupando, segundo o dialeto weaselese) as salas de aula, podem ser responsabilizados pelo predomínio — dito cultural — que a esquerda vem exercendo há décadas em todo o mundo. A linguagem das doninhas é fruto, como escrevi no início, de um trabalho árduo, paciente e de longo prazo da esquerda mundial. Mas, como tudo o que é errado não pode funcionar bem durante todo o tempo, as coisas estão começando a mudar.

Alguns exemplos de weaselese

Eis alguns exemplos de palavras e expressões dessa novilíngua tão bem retratada por George Orwell (1903-1950) e que bem ilustram a importância dessa batalha, ao mesmo tempo em que nos exortam a eliminar esse lixo que vem contaminando seguidas gerações, destruindo sua capacidade de pensar, manipulando o idioma e cometendo enormes fraudes semânticas:

Homofobia, machismo, empoderamento, aquecimento global (ou mudanças climáticas), patriarcado, ressignificação da família, misoginia, o uso do em lugar dos artigos ou a, afrodescendente, opressão, luta de classes, golpista, democracia, estado democrático de direito, extrema-direita, mídia golpista, neoliberalismo, capitalismo selvagem, identidade de gênero, justiça social, dívida histórica, xenofobia, ocupação (no lugar de invasão), eurocentrismo, islamofobia, heteronormativismo, elite, classista, burguês, pobre de direita, negro de direita, direito social, distribuição de renda, cultura do estupro, apreensão (no lugar de prisão) de menores, função social da terra, desconstrução, poliamor, homoafetivo, medidas sócio-educativas, transexualidade, problematização, opressão do homem branco, medieval (aplicado à Igreja Católica), transfobia, consciência social, função social, desmatamento, ações afirmativas, minorias, elitista, preconceituoso, “pública, gratuita e de qualidade”, polícia cidadã, relativização, cidadãos críticos, neo (aqui basta acrescentar qualquer palavra), globalização (no lugar de globalismo), excluídos, presidenta, dieta balanceada, manifestantes, inclusão, interrupção voluntária da gravidez, espírito republicano, autonomia do corpo, direito da mulher ao próprio corpo, católicas pelo direito de decidir, sociedade justa e igualitária, saúde reprodutiva, questão de gênero, orientação sexual, autoritarismo (como sinônimo de hierarquia), cadeirante, indivíduos em situação de risco social (criminosos), demandas do nosso tempo, bom dia a todos e todas, pessoa em transição entre empregos (desempregado), sustentabilidade, hipossuficiência e muitas, muitas e muitas outras.

Poderia continuar (existem até dicionários com essas palavras), mas creio que isso já seja suficiente.

Combatendo o bom combate da linguagem

Todo esse discurso contaminado ideologicamente tem uma característica indisfarçável, que é a negação da verdade, o que se explica pela orientação marcantemente relativista do socialismo-comunismo e, no plano prático, pelo ensinamento de Lenin de acusar os adversários do que você faz e chamá-los do que você é.

Mas parece que uma nesga de esperança começa a se descortinar neste final de 2016, em que a esquerda brasileira foi batida e humilhada nas eleições municipais, a presidente petista foi destituída, a Inglaterra escolheu o Brexit, Hillary Clinton perdeu para Donald Trump, Hollande está com sérios problemas na França, a bandeira da responsabilidade fiscal está mais visível e as pessoas estão acreditando cada vez menos nas ditas soluções políticas.

A batalha das ideias aí está e o que devemos fazer para vencê-la, aproveitando-nos dessa aparente derrocada do esquerdismo?

A primeira coisa que devemos fazer para ganharmos a batalha da linguagem é nos insurgir contra a mentira. E, para combatermos a mentira, temos necessariamente de reconhecer que existe a verdade. Isso não quer dizer, em absoluto, que pretendamos ser seus donos; apenas que devemos mostrar todo o arsenal de embustes que se esconde atrás dessa linguagem politicamente correta da esquerda. A mentira não pode prevalecer durante muito tempo e, em se tratando das ideias socialistas, seu tempo já é mais do que passado.

Assim, reaja sem medo, tão logo você ouvir alguma dessas palavras ou expressões envenenadas, mostrando que você tem cérebro e que ele funciona, mesmo se você foi treinado na escola por professores do método Freire. Mostre que o socialismo-comunismo jamais funcionou em país algum, não funciona e nunca vai funcionar.

Para isso, é preciso que você faça um pequeno esforço, começando pela supressão dos jornais e documentários de TV e dos jornais impressos, que estão impregnados de doninhas. Busque outras fontes de informação. A internet aí está para isso. A lei da demanda funciona sempre e, portanto, caindo a demanda por esse verdadeiro lixo, os proprietários de TVs e de jornais terão que se livrar dos maus jornalistas, que são na verdade militantes. Se não agirem assim, vão quebrar. Mercado neles!

Se você tem filhos na escola, acompanhe tudo o que os professores estão fazendo com eles, porque a responsabilidade é toda sua. Se perceber a existência de professores militantes — e certamente isso vai acontecer — vá à escola e diga que seu filho não está ali para ser doutrinado por ideias de esquerda ou de direita, mas para aprender. Se a coordenação ou direção da escola não se mostrar receptiva, ameace trocar de escola. E se nem assim funcionar, troque. Aqui o mercado também funcionará.

Se você é universitário e está cansado dessa xaropada doutrinadora, desse lerolero esquerdista que domina os cursos de ciências humanas, especialmente nas universidades públicas, comece a contestar respeitosamente seus professores. Use argumentos e não se impressione nem com a idade, nem com a barba e a sandália do seu professor petista ou psolista ou com aquele vestido sempre comprido e os cabelos desalinhados da professora marxista, pois a maioria deles não tem argumentos. Os que eventualmente apresentarem alguns argumentos muito provavelmente irão respeitar também os seus. Se eles não respeitarem você, ficarão mal perante a turma.

E se você, tal como eu, é professor universitário, tenha sempre em mente uma famosa frase de Mises, a de que basta haver um solitário professor que tenha as ideias certas — e que saiba transmitir sua lógica — em um departamento, para que um grande número de alunos se interesse e busque aprofundar-se nelas. A esse respeito posso, por experiência própria, assegurar que o “bom velhinho” estava coberto de razão.

E, para incentivar seus alunos a não abandonarem seus intentos diante das enormes dificuldades representadas pela cultura predominantemente de esquerda, diga para eles que, se eles têm convicção de que suas ideias são corretas, então sigam a máxima: o sentido é mais importante do que a velocidade.