Bunker da Cultura Web Rádio

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Origens da tecnocracia moderna

 Em homenagem ao professor Antony Mueller, republicamos este artigo originalmente publicado em 2025, no qual analisa as origens intelectuais da tecnocracia moderna e o avanço da mentalidade intervencionista sobre a vida econômica e social.


O socialismo na forma de controle econômico centralizado pode estar morto, mas a ideia de planejamento social abrangente ainda é virulenta. O que os comunistas e nacional-socialistas tentaram fazer pela força, a tecnocracia moderna é bem-sucedida em fazer de forma sutil. Quem quiser compreender o espírito que prevalece em organizações como a Comissão da União Europeia não pode deixar de olhar para as origens deste pensamento.

Mesmo antes de Karl Marx causar sensação com suas ideias anticapitalistas, havia teóricos que pediam a organização da sociedade. Um dos primeiros a entender a sociedade não como uma ordem espontânea e natural, mas sim como uma organização, foi o fundador francês da sociologia, August Comte (1798-1857). Juntamente com seu compatriota, Henri de Saint-Simon (1760-1825), ambos seguem a tradição do planejamento estatal abrangente, iniciada por Jean-Baptiste Colbert (1619-1683), o Ministro da Economia do Rei Sol Luís XIV.

Impulsionado pelo desejo de aumentar a grandeza da França, Colbert entendeu sua tarefa como alinhar a economia francesa com as receitas do estado. Sob sua liderança, surgiu o moderno estado tributário. Jean-Baptist Colbert criou um sistema tributário uniforme para toda a França, o que permitiu que seu rei travasse guerras de conquista e mantivesse uma corte extensa. Colbert centralizou a administração estatal, distribuiu subsídios, introduziu tarifas protecionistas e iniciou projetos de infraestrutura. Para promover o progresso tecnológico, ele fundou uma Academia Real de Ciências. Essas medidas inicialmente mostraram um sucesso impressionante, mas não foram permanentes. Os cidadãos da França começaram a sofrer com a pesada carga tributária já em Luís XV. Quando a inflação chegou, a raiva do povo irrompeu. A Revolução Francesa (1789-1799) desferiu o golpe mortal na monarquia, e o bisneto do Rei Sol, Luís XVI, terminou sua vida no cadafalso em 1793.

O grande projeto de planejamento de Colbert terminou como tinha que acontecer. Mas pouco se aprendeu. Os herdeiros da revolução trabalharam ainda mais diligentemente para planejar e dirigir a sociedade de cima.

De Colbert, a trilha leva diretamente a Claude-Henri de Rouvroy (1760-1825), conhecido como Conde Saint-Simon. Ele é considerado o fundador do socialismo de estado e também pode ser descrito como o antepassado do movimento tecnocrático moderno. Como tal, ao contrário de Marx, ele era um oponente da luta de classes e acreditava que em uma sociedade baseada na ciência e na tecnologia, haveria cooperação e solidariedade entre as classes. Saint-Simon pediu uma reorientação de toda a sociedade para a “eficiência”. Ele viu a Revolução Industrial como uma oportunidade para melhorar as condições de vida das massas se a economia não fosse impulsionada pelo mercado e pela atividade empresarial, mas se cientistas e engenheiros assumissem a liderança no aumento da produção.

Na mesma linha, Auguste Comte proclamou sua teoria do positivismo. De acordo com isso, a era moderna é baseada no domínio da ciência. O conhecimento científico é capaz de previsão, e a capacidade de prever significa poder (“savoir pour prévoir et prévoir pour pouvoir“). Para Comte, no entanto, apenas o conhecimento produzido com a ajuda da metodologia positivista, ou seja, com base em observações e dados empíricos, é considerado científico. O positivismo de Auguste Comte consiste no modelo segundo o qual o progresso é uma questão de organização adequada. Em contraste com uma ordem espontânea, uma organização requer liderança. De acordo com essa visão, a sociedade deve ser controlada e, portanto, requer uma elite cujo planejamento seja baseado na ciência.

O fato de que esse mundo de ideias ainda seja tão eficaz hoje se deve também ao fato de que a ideia de planejamento social abrangente está florescendo não apenas na França, mas também na Alemanha.

Na série de pioneiros filosóficos da tecnocracia, o filósofo alemão Johann Gottlieb Fichte (1762-1814) não deve faltar. Seus pensamentos exerceram uma imensa influência em sua época, quando a consciência nacional alemã estava emergindo, e continuam a ter efeito hoje. Fichte pede uma educação autoritária do estado para implantar valores comuns e solidariedade nos cidadãos para alcançar o bem comum.

Em seu ensaio “Discursos à Nação Alemã” (1808), Fichte usa o termo “ditadura educacional” como uma forma de autoridade estatal necessária para criar uma identidade nacional uniforme e um sistema comum de valores. Tal ditadura era necessária para formar uma nação forte e unificada a partir dos estados alemães. Na medida do possível, todos os cidadãos devem identificar-se com os mesmos valores e princípios. Para isso, o estado deve obter controle abrangente sobre a educação e o sistema educacional. O estado deve educar as pessoas para se tornarem cidadãos (ou súditos). O objetivo da ditadura educacional é criar uma identidade nacional e um sistema de valores comum. As pessoas devem ser educadas para a solidariedade no interesse do bem comum. Este processo é contínuo e abrange toda a vida e todas as áreas da existência humana. A ditadura educacional é uma tarefa permanente do estado.

Para moldar a nação, também é necessária uma economia o mais autossuficiente possível, sem dependência de países estrangeiros. Em seu ensaio “O Estado Comercial Fechado” (1800), Johann Gottlieb Fichte lida com a questão de como um estado pode garantir sua independência. Ao fazer isso, ele elabora a visão de um estado autossuficiente que pode manter sua independência por meio de um ciclo econômico fechado e produção autossuficiente. Ele critica o livre comércio, que resultaria na dependência de outros países e, portanto, no enfraquecimento da própria economia. Ele pede um estado que garanta seu poder econômico por meio da produção autossuficiente e do controle abrangente do comércio e dos mercados.

“O estado comercial fechado” deve, portanto, ser caracterizado por um ciclo econômico autônomo e produção de autossuficiência. Para garantir a prosperidade e a independência, o estado deve controlar e regular de forma abrangente a economia de acordo com as ideias de Fichte. Fichte pede controles de preços e outras regulamentações para garantir uma distribuição justa de mercadorias.

Fichte considera tarefa do estado construir sua própria indústria. As restrições comerciais destinam-se a proteger a indústria doméstica da concorrência estrangeira. Para realizar o “estado comercial fechado”, de acordo com Fichte, é necessário um governo forte. É o estado que, em sua opinião, provê o bem comum. Para esse fim, o poder do estado tem o direito de restringir os interesses individuais. A educação entra em jogo para alcançar uma submissão “voluntária” do indivíduo. O estado de comércio fechado requer uma forte identidade nacional que exige solidariedade e lealdade de seus cidadãos. Não apenas o sistema educacional deve ser voltado para esse propósito, mas o governo também deve incluir toda a educação, arte e cultura nesse sentido.

As ideias de Fichte sobre uma ditadura educacional e um estado comercial fechado são profundamente autoritárias. Quer você goste ou não, essa abordagem inevitavelmente leva a uma visão de mundo totalitária. O ponto de partida dessa maneira de pensar é diametralmente oposto ao mundo liberal do pensamento. Mas não só isso: as ideias de economia de Fichte testemunham um extremo distanciamento da realidade econômica da vida. O eixo do positivismo francês e da ditadura educacional de Fichte é a suposição de que uma “elite” instalada pelo poder estatal é capaz de reconhecer o bem comum e realizá-lo de acordo. Assim que essa suposição cai, o edifício do pensamento desmorona.

Por mais que as ideias de planejamento social tenham ficado presas no mundo do pensamento dos círculos não econômicos na Alemanha, seu choque com a realidade é duro. No entanto, os crentes raramente estão dispostos a mudar seus pontos de vista e intenções quando falham diante da realidade. De acordo com sua arrogância resultante da “pretensão de conhecimento” (Hayek), os partidários do planejamento social continuam sua vontade de governar ainda mais obstinadamente e se opor à realidade da vida tanto mais rigidamente quanto mais claramente seu fracasso se torna aparente.

 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Repensando Churchill: Crimes de guerra encobertos, O lado sombrio de 1945 e o Triunfo do estado de bem-estar social



Crimes de guerra encobertos

Há diversos episódios ocorridos durante a guerra reveladores do caráter de Churchill que merecem ser mencionados. Um incidente relativamente menor foi o ataque britânico à frota francesa em Mers-el-Kébir (Orã), na costa da Argélia. Após a queda da França, Churchill exigiu que os franceses entregassem sua frota à Grã-Bretanha. Os franceses recusaram, prometendo afundar os navios antes de permitir que caíssem em mãos alemãs. Contra o conselho de seus oficiais navais, Churchill ordenou que os navios britânicos posicionados na costa argelina bombardeassem a frota francesa. Cerca de 1.500 marinheiros franceses foram mortos. Isso foi, obviamente, um crime de guerra, por qualquer definição: um ataque não provocado contra as forças de um aliado sem declaração de guerra. Em Nuremberg, oficiais alemães foram condenados à prisão por menos do que isso. Percebendo isso, Churchill mentiu sobre Mers-el-Kébir em sua história da guerra e suprimiu evidências sobre o episódio nas histórias oficiais britânicas do conflito1. Com o ataque à frota francesa, Churchill consolidou sua posição como o principal destruidor, ao longo de duas guerras mundiais, do sistema de regras de guerra que havia evoluído no Ocidente durante séculos.

Mas o grande crime de guerra que permanecerá para sempre ligado ao nome de Churchill é o bombardeio terrorista das cidades alemãs, que ao final custou a vida de cerca de 600.000 civis e deixou aproximadamente 800.000 gravemente feridos2. (Compare-se isso às cerca de 70.000 vidas britânicas perdidas em ataques aéreos alemães. Na verdade, houve quase tantos franceses mortos em ataques aéreos aliados quanto ingleses mortos pelos alemães3). O plano foi concebido principalmente pelo amigo e assessor científico de Churchill, Professor Lindemann, e executado pelo chefe Comando de Bombardeio da Força Aérea Real Britânica [RAF, na sigla em inglês], Arthur Harris (conhecido como “Bomber Harris”). Harris declarou: “No Comando de Bombardeio da RAF sempre trabalhamos com a premissa de que bombardear qualquer coisa na Alemanha é melhor do que não bombardear nada”4. Harris e outros líderes da força aérea britânica vangloriavam-se de que a Grã-Bretanha havia sido pioneira no uso massivo do bombardeio estratégico. J.M. Spaight, ex-Secretário Assistente Principal do Ministério da Aeronáutica, observou que, enquanto os alemães (e os franceses) encaravam o poder aéreo basicamente como uma extensão da artilharia, um apoio aos exércitos em campo, os britânicos compreendiam sua capacidade de destruir a base doméstica do inimigo. Foi com isso em mente que construíram seus bombardeiros e organizaram o Comando de Bombardeio da RAF5.

Mentindo descaradamente para a Câmara dos Comuns e para o público, Churchill afirmava que apenas instalações militares e industriais eram alvo dos ataques. Na realidade, o objetivo era matar o maior número possível de civis — daí os bombardeios “de área” ou os bombardeios indiscriminados — e, dessa forma, quebrar o moral dos alemães e aterrorizá-los até a rendição6.

Harris, ao menos, tinha coragem de assumir suas convicções. Ele defendia que o governo anunciasse abertamente que:

“o objetivo da Ofensiva Combinada de Bombardeio (…) deveria ser declarado sem ambiguidades [como sendo] a destruição das cidades alemãs, a eliminação dos trabalhadores alemães e a desorganização da vida civilizada em toda a Alemanha”7.

A campanha de assassinato aéreo arrasou a Alemanha. Uma cultura urbana de mil anos foi aniquilada, à medida que grandes cidades, célebres nos anais da ciência e da arte, eram reduzidas a montes de ruínas fumegantes. Houve momentos marcantes: o bombardeio de Lübeck, quando aquela antiga cidade hanseática “queimou como lenha”; o ataque de mil bombardeiros sobre Colônia e os ataques seguintes que, de alguma forma, milagrosamente, pouparam em grande parte a grande Catedral, mas destruíram o restante da cidade, incluindo treze igrejas românicas; a tempestade de fogo que consumiu Hamburgo e matou cerca de 42.000 pessoas. Não é de admirar que, ao tomar conhecimento disso, um europeu civilizado como Joseph Schumpeter, em Harvard, tenha passado a dizer “a qualquer um que quisesse ouvir” que Churchill e Roosevelt estavam destruindo mais do que Gêngis Khan8.

O ato mais infame foi a destruição de Dresden, em fevereiro de 1945. Segundo a história oficial da Royal Air Force: “A destruição da Alemanha já havia alcançado uma escala que poderia ter horrorizado Átila ou Gêngis Khan”9. Dresden, capital do antigo reino da Saxônia, era uma parada indispensável do Grand Tour, a joia barroca da Europa. A guerra estava praticamente encerrada, e a cidade encontrava-se repleta de massas de refugiados indefesos que fugiam do avanço do Exército Vermelho. Ainda assim, durante três dias e três noites, de 13 a 15 de fevereiro, Dresden foi bombardeada. Pelo menos 30.000 pessoas foram mortas, talvez até 135.000 ou mais. O Palácio Zwinger; a Igreja de Nossa Senhora (die Frauenkirche); o Terraço Brühl, com vista para o Elba, onde, em Fathers and Sons [Pais e Filhos], de Turguêniev, o tio Pavel foi passar seus últimos anos; a Ópera Semper, onde Richard Strauss regeu a estreia de Rosenkavalier; e praticamente todo o restante foi reduzido a cinzas. Churchill havia incentivado aquilo. Mas ficou abalado pela indignação que se seguiu. Enquanto em Georgetown e Hollywood poucos sequer tinham ouvido falar de Dresden, a cidade significava algo em Estocolmo, Zurique, no Vaticano e até mesmo em Londres. O que fez o nosso herói? Enviou um memorando aos Chefes de Gabinete:

“Parece-me que chegou o momento em que a questão do bombardeio das cidades alemãs simplesmente para aumentar o terror, ainda que sob outros pretextos, deve ser reavaliada. Caso contrário, acabaremos assumindo o controle de uma terra completamente arruinada (…) A destruição de Dresden continua sendo uma séria interrogação sobre a condução dos bombardeios aliados (…) Sinto a necessidade de uma concentração mais precisa em objetivos militares (…) em vez de meros atos de terror e destruição gratuita, por mais impressionantes que sejam”10.

Os chefes militares perceberam a manobra desprezível de Churchill: compreendendo que estavam sendo transformados em bodes expiatórios, recusaram-se a aceitar o memorando. Após a guerra, Churchill casualmente negou ter qualquer conhecimento do bombardeio de Dresden, dizendo: “Achei que os americanos tivessem feito isso”11.

E ainda assim os bombardeios continuaram. Em 16 de março, no intervalo de 20 minutos, Würzburg foi arrasada. Ainda em meados de abril, Berlim e Potsdam foram bombardeadas mais uma vez, matando outros 5.000 civis. Finalmente, tudo parou; como observou Bomber Harris, essencialmente já não restavam mais alvos a serem bombardeados na Alemanha12. Quase nem é necessário registrar que Churchill apoiou o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki, que resultou na morte de outros 100.000 civis, ou mais. Quando Truman fabricou o mito das “500.000 vidas americanas salvas” por evitar uma invasão das ilhas japonesas — a estimativa militar mais alta havia sido de 46.000 — Churchill superou sua mentira: os bombardeios atômicos teriam salvado 1.200.000 vidas, incluindo 1.000.000 de americanos, fantasiava ele13.

A disposição com que Churchill dirigiu ou aplaudiu a destruição aérea de cidades deveria levantar questionamentos para aqueles que ainda o consideram o grande “conservador” de sua época — ou talvez de todos os tempos. Fariam bem em considerar o julgamento de um conservador autêntico como Erik von Kuehnelt-Leddihn, que escreveu: “Os não britânicos não importavam para o Sr. Churchill, que sacrificava seres humanos — suas vidas, seu bem-estar, sua liberdade — com o mesmo elegante desprezo de seu colega na Casa Branca”14.

1945: O lado sombrio

E assim chegamos a 1945 e ao triunfo eternamente radiante do Bem Absoluto sobre o Mal Absoluto. Tão poderosa é a mística daquele ano que os insípidos estados de bem-estar social da Europa atual se agarram a ela a cada oportunidade, em busca de alguns fragmentos de glória de que tanto necessitam.O lado sombrio desse triunfo, contudo, foi quase completamente suprimido. Trata-se da história dos crimes e atrocidades cometidos pelos vencedores e por seus protegidos. Como Winston Churchill desempenhou um papel central na vitória aliada, trata-se também da história dos crimes e atrocidades nos quais Churchill esteve implicado. Entre eles está a repatriação forçada de cerca de dois milhões de súditos soviéticos para a União Soviética. Entre essas pessoas estavam dezenas de milhares que haviam lutado ao lado dos alemães contra Stalin, sob o comando do General Vlasov e de seu “Exército Russo de Libertação.” Foi assim que Aleksandr Solzhenitsyn escreveu, em The Gulag Archipelago [Arquipélago Gulag]:

“Em seu próprio país, Roosevelt e Churchill são reverenciados como encarnações da sabedoria estadista. Para nós, em nossas conversas nas prisões russas, sua constante miopia e estupidez se mostravam espantosamente óbvias (…) qual era o sentido militar ou político de entregar à destruição nas mãos de Stalin centenas de milhares de cidadãos soviéticos armados e determinados a não se render?”15

O caso mais vergonhoso de todos foi a entrega dos cossacos. Eles jamais haviam sido cidadãos soviéticos, já que haviam lutado contra o Exército Vermelho na Guerra Civil e depois emigrado. Stalin, compreensivelmente, estava particularmente ansioso para capturá-los, e os britânicos atenderam ao seu desejo. Solzhenitsyn escreveu, a respeito de Winston Churchill:

“Ele entregou ao comando soviético 90.000 homens cossacos. Junto com eles, também entregou inúmeras carroças cheias de idosos, mulheres e crianças (…) Esse grande herói, cujos monumentos um dia cobrirão toda a Inglaterra, ordenou que eles também fossem enviados para a morte”16.

O “expurgo” de supostos colaboracionistas na França foi um banho de sangue que fez mais vítimas do que o Período do Terror na Grande Revolução Francesa — e não apenas entre aqueles que, de uma forma ou de outra, haviam auxiliado os alemães: estavam incluídos quaisquer direitistas que os grupos de resistência comunista desejassem liquidar17.

Os massacres realizados por Tito, protegido de Churchill, também devem ser acrescentados a essa lista: dezenas de milhares de croatas, não apenas os Ustasha, mas quaisquer “inimigos de classe”, no clássico estilo comunista. Houve também o assassinato de cerca de 20.000 combatentes anticomunistas eslovenos por Tito e seus esquadrões da morte. Quando os Partisans de Tito devastaram Trieste, cidade que ele tentava tomar em 1945, outros milhares de anticomunistas italianos foram massacrados18.

À medida que as tropas do aliado soviético de Churchill avançavam pela Europa Central e pelos Bálcãs, começaram as deportações em massa. Algumas pessoas no governo britânico tinham escrúpulos, sentindo certa responsabilidade. Churchill não queria saber disso. Em janeiro de 1945, por exemplo, escreveu ao Ministério das Relações Exteriores: “Por que estamos fazendo tanto alarde sobre as deportações realizadas pelos russos na Romênia de saxões [alemães] e outros? (…) Não consigo ver erro algum no fato de os russos fazerem com que 100 ou 150 mil dessas pessoas trabalhem para pagar sua passagem (…) Eu próprio não considero errado que os russos levem romenos de qualquer origem que desejarem para trabalhar nos campos de carvão russos”19. Cerca de 500.000 civis alemães foram deportados para trabalhar na Rússia soviética, de acordo com o entendimento firmado entre Churchill e Roosevelt em Yalta de que esse trabalho escravo constituía uma forma apropriada de “reparações”20.

O pior de tudo foi a expulsão de cerca de 15 milhões de alemães de suas terras ancestrais na Prússia Oriental e Ocidental, Silésia, Pomerânia e Sudetos. Isso foi realizado em conformidade com os acordos de Teerã, onde Churchill propôs que a Polônia fosse “deslocada para o oeste”, e com a anuência de Churchill ao plano do líder tcheco Eduard Beneš de promover a “limpeza étnica” da Boêmia e da Morávia. Cerca de um milhão e meio a dois milhões de civis alemães morreram nesse processo21. Como escreveu o liberal húngaro Gaspar Tamas, ao expulsar os alemães da Europa centro-oriental, “cujos ancestrais construíram nossas catedrais, mosteiros, universidades e estações ferroviárias”, toda uma antiga cultura foi apagada22. Mas por que isso significaria alguma coisa para os devotos de Churchill que hoje se autodenominam “conservadores” nos Estados Unidos?

Então, para completar tudo isso, veio o Tribunal de Nuremberg, uma paródia da justiça condenada pelo grande senador Robert A. Taft, na qual juízes e promotores de Stalin — veteranos experientes dos expurgos da década de 1930 — participaram de mais um grande julgamento-espetáculo23.

Em 1946, Churchill passou a reclamar, em tom indignado, do que estava acontecendo no leste europeu: “De Stettin, no Báltico, até Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre a Europa”. Goebbels havia popularizado a expressão “cortina de ferro”, mas ela era suficientemente precisa.

O continente europeu agora continha uma única potência hegemônica. “À medida que as vendas da guerra eram removidas”, escreve John Charmley, “Churchill começou a perceber a dimensão do erro que havia sido cometido”24. Na verdade, as próprias manifestações de profunda dúvida de Churchill combinam de forma estranha com o triunfalismo retrospectivo de seus admiradores. Após a guerra, ele disse a Robert Boothby: “Os historiadores tendem a julgar ministros da guerra menos pelas vitórias alcançadas sob sua direção do que pelos resultados políticos delas decorrentes. Julgado por esse critério, não tenho certeza de que serei considerado alguém que se saiu muito bem”25. No prefácio do primeiro volume de sua história da Segunda Guerra Mundial, Churchill explicou por que estava tão perturbado:

“A tragédia humana atinge seu clímax no fato de que, após todos os esforços e sacrifícios de centenas de milhões de pessoas e das vitórias da Causa Justa, ainda não encontramos Paz nem Segurança, e nos vemos presos a perigos ainda piores do que aqueles que conseguimos superar”26.

No Dia da Vitória na Europa, ele havia anunciado a vitória da “causa da liberdade em todas as terras.” Mas, a seu secretário particular, refletiu: “O que existirá entre as neves brancas da Rússia e os penhascos brancos de Dover?”27 Era um pouco tarde para levantar essa questão. Afinal, o que devemos pensar de um estadista que durante anos ignorou o fato de que a eliminação da Alemanha como potência na Europa acarretava (…) determinadas consequências? Estamos lidando aqui com outro Bismarck ou Metternich? Ou seria um caso de um novo Woodrow Wilson — outro Príncipe dos Tolos?

Com o equilíbrio de poder na Europa destruído por sua própria política, restava apenas um recurso a Churchill: trazer a América permanentemente para a Europa. Daí suas ansiosas advertências aos americanos, incluindo seu discurso da “Cortina de Ferro”, em Fulton, Missouri. Tendo destruído a Alemanha como o contrapeso natural à Rússia no continente, agora se via forçado a tentar envolver os Estados Unidos em mais uma guerra — desta vez, uma Guerra Fria que duraria 45 anos, mudaria os Estados Unidos profundamente e talvez de forma irreversível28.

O triunfo do estado de bem-estar social

Em 1945, eleições gerais foram realizadas na Grã-Bretanha, e o Partido Trabalhista conquistou uma vitória esmagadora. Clement Attlee e seus colegas assumiram o poder e criaram o socialista estado de bem-estar social. Mas a socialização da Grã-Bretanha provavelmente era inevitável, dadas as circunstâncias da guerra. Ela foi um desdobramento natural do sentimento de solidariedade e da emoção coletivista do período de guerra, da sensação de que a experiência do conflito havia tornado a estrutura de classes e a hierarquia — características normais de qualquer sociedade avançada — obsoletas e indecentes. E havia um segundo fator: a sociedade britânica já havia sido amplamente socializada durante os anos de guerra, sob o próprio Churchill. Como escreveu Ludwig von Mises:

“Avançando cada vez mais pelo caminho do intervencionismo, primeiro a Alemanha, depois a Grã-Bretanha e muitos outros países europeus adotaram o planejamento central, o modelo Hindenburg de socialismo. É digno de nota que, na Alemanha, as medidas decisivas não foram adotadas pelos nazistas, mas algum tempo antes de Hitler tomar o poder, por Brüning (…) e, na Grã-Bretanha, não pelo Partido Trabalhista, mas pelo Primeiro-Ministro Conservador, Sr. Churchill”29

Enquanto Churchill conduzia a guerra, permitiu que Attlee presidisse diversos comitês do gabinete voltados à política doméstica e elaborasse propostas sobre saúde, desemprego, educação, etc30. O próprio Churchill já havia aceitado o grande plano diretor do estado de bem-estar social, o Relatório Beveridge. Como afirmou em um discurso de rádio:

“Vocês devem me considerar, juntamente com meus colegas, firmes defensores do seguro nacional compulsório para todas as classes e para todos os propósitos, do berço ao túmulo”31.

Que Mises estava correto em seu julgamento sobre o papel de Churchill é indicado pela conclusão de W. H. Greenleaf, em seu monumental estudo sobre individualismo e coletivismo na Grã-Bretanha moderna. Greenleaf afirma que foi Churchill quem

“(…) durante os anos de guerra, instruiu R. A. Butler a melhorar a educação do povo e aceitou e patrocinou a ideia de um plano quadrienal para o desenvolvimento nacional e o compromisso de sustentar o pleno emprego no período pós-guerra. Também aprovou propostas para estabelecer um sistema nacional de seguros, serviços de habitação e saúde, e estava disposto a aceitar uma ampliação do campo das empresas estatais. Foi por causa dessa política de coalizão que Enoch Powell se referiu à verdadeira revolução social ocorrida nos anos de 1942–44. Objetivos desse tipo foram incorporados à declaração de princípios do Partido Conservador emitida pelo Primeiro-Ministro antes da eleição de 1945”32.

Quando os Conservadores retornaram ao poder em 1951, “Churchill escolheu um governo que foi o menos reconhecivelmente conservador da história”33. Não houve qualquer tentativa de reverter o estado de bem-estar social, e a única indústria realmente reprivatizada foi o transporte rodoviário de cargas34. Churchill “deixou intacto o núcleo da obra [do governo trabalhista]”35. A vitória “conservadora” funcionou como as vitórias republicanas nos Estados Unidos, a partir de Eisenhower — consolidar o socialismo. Churchill chegou até mesmo a se comprometer a suprir “deficiências” dos programas assistenciais do governo trabalhista anterior, nas áreas de habitação e obras públicas36. Da forma mais insidiosa possível, orientou seu Ministro Trabalhista esquerdista, Walter Monckton, a apaziguar os sindicatos a qualquer custo. A rendição de Churchill aos sindicatos, “ditada por mera conveniência política”, preparou o terreno para o atoleiro das relações trabalhistas que prevaleceu na Grã-Bretanha nas duas décadas seguintes37.

Ainda assim, na verdade, Churchill jamais se importou muito com os assuntos domésticos, nem mesmo com o assistencialismo, exceto como meio de alcançar e manter o poder. O que ele amava era o poder, e as oportunidades que o poder proporcionava para viver uma vida de drama, conflito e guerras incessantes.

Existe uma forma bastante tentadora de enxergar Winston Churchill: a de que ele foi uma criatura profundamente falha, convocada em um momento crítico para combater um mal singularmente terrível, e cujas próprias falhas contribuíram para uma vitória gloriosa — de certa forma, como Merlin, no grande romance cristão de C. S. Lewis, That Hideous Strength [Aquela Fortaleza Medonha]38. Tal julgamento seria, acredito, superficial. Um exame honesto de sua trajetória, sugiro, conduz a uma conclusão diferente: a de que, ao fim de tudo, Winston Churchill foi um Homem de Sangue e um político sem princípios, cuja apoteose serve para corromper todos os padrões de honestidade e moralidade na política e na história.

  1. Lamb, Churchill as War Leader, pp. 63–73. Veja também Ponting, Churchill, pp. 450–54; e Hart, “The Military Strategist,” pp. 210–21.
  2. A “obsessão britânica por bombardeios pesados” também teve consequências para o esforço de guerra; levou, por exemplo, à escassez de caças em Cingapura. Taylor, “The Statesman”, p. 54. Sobre toda a questão, ver Stephen A. Garrett, Ethics and Airpower in World War II: The British Bombing of German Cities (Nova York: St. Martin’s Press, 1993). Ver também Max Hastings, Bomber Command (Nova York: Dial Press, 1979); David Irving, The Destruction of Dresden (Nova York: Ballantine, 1963); e Benjamin Colby, ‘Twas a Famous Victory (New Rochelle, N.Y.: Arlington House, 1974), pp. 173–202. Sobre o uso britânico do poder aéreo para “pacificar” populações coloniais, ver Charles Townshend, “Civilization and ‘Frightfulness’: Air Control in the Middle East Between the Wars”, em Warfare, Diplomacy, and Politics: Essays in Honor of A.J.P. Taylor, Chris Wrigley, ed. (Londres: Hamish Hamilton, 1986), pp. 142–62.
  3. Ponting, Churchill, p. 620.
  4. Hastings, Bomber Command, p. 339. Em 1945, Harris escreveu: “Não consideraria que todas as cidades restantes da Alemanha valessem os ossos de um único granadeiro britânico”. Ibid., p. 344. Mais tarde, Harris escreveu: “Os alemães permitiram que seus soldados ditassem toda a política da Luftwaffe, que foi concebida expressamente para auxiliar o exército em avanços rápidos(…) Muito tarde, eles perceberam a vantagem de uma força de bombardeio estratégico”. Hughes, Winston Churchill: British Bulldog, p. 189.
  5. J.M. Spaight, Bombing Vindicated (Londres: Geoffrey Bles, 1944), pp. 70–71. Spaight declarou que os britânicos deveriam se orgulhar do fato de que “começamos a bombardear alvos no território alemão antes que os alemães começassem a bombardear alvos no território britânico”. Hitler, embora estivesse disposto a recorrer ao bombardeio estratégico em certas ocasiões, “não queria que [isso] se tornasse prática comum. Ele havia feito o possível para que fosse proibido por acordo internacional”. Ibid., pp. 68, 60. Escrevendo durante a guerra, Spaight, é claro, mentiu aos seus leitores ao afirmar que civis alemães estavam sendo mortos apenas acidentalmente pelos bombardeios britânicos.
  6. Em 14 de fevereiro de 1942, foi emitida a Diretiva nº 22 para o Comando de Bombardeios, estipulando que os esforços deveriam agora ser “concentrados na desmoralização da população civil inimiga e, em particular, dos trabalhadores industriais”. No dia seguinte, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea acrescentou: “Com referência à nova diretiva de bombardeio: Suponho que esteja claro que os alvos devem ser as áreas urbanizadas, e não, por exemplo, os estaleiros navais ou as fábricas de aeronaves”. Garrett, Ethics and Air Power in World War II, p. 11. Ao mentir sobre o objetivo do bombardeio e tentar encobri-lo após a guerra, Churchill admitiu implicitamente que a Grã-Bretanha havia violado as regras da guerra. Ibid., pp. 36–37.
  7. Ibid., pp. 32–33. ↩︎
  8. Richard Swedberg, Schumpeter: A Biography (Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1991), p. 141.
  9. Garrett, Ethics and Air Power in World War II, p. 202. ↩︎
  10. Hastings, Bomber Command, pp. 343–344. Em novembro de 1942, Churchill propôs que, na campanha italiana: “Todos os centros industriais fossem atacados de forma intensa, fazendo-se todos os esforços para torná-los inabitáveis e para aterrorizar e paralisar a população.” Ponting, Churchill, p. 614.
  11. A um historiador que desejava verificar alguns detalhes, Churchill respondeu: “Não me lembro de nada a respeito. Achei que tivessem sido os americanos. O Marechal-Chefe da Força Aérea Harris seria a pessoa a quem se deve perguntar”. Rose, Churchill: The Unruly Giant, p. 338.
  12. Garrett, Ethics and Air Power in World War II, p. 21.
  13. Ver Barton J. Bernstein, “Um mito do pós-guerra: 500 mil vidas americanas salvas”, Bulletin of the Atomic Scientists 42, n.º 6 (junho/julho de 1986): 38–40; e, o mesmo autor, “Números errados”, The Independent Monthly (julho de 1995): 41–44. Ver também, idem, “Seizing the Contested Terrain of Early Nuclear History: Stimson, Conant, and Their Allies Explain the Decision to Use the Atomic Bomb”, Diplomatic History 17, n.º 1 (inverno de 1993): 35–72, onde se argumenta que um dos principais motivos da campanha de propaganda inicial da elite política para justificar o uso das bombas atômicas foi impedir um temido recuo para o “isolacionismo” por parte do povo americano. É interessante notar que Richard Nixon, às vezes conhecido como o “Bombardeador Louco” da Indochina, justificou “ataques deliberados contra civis” citando os bombardeios atômicos das cidades japonesas, bem como os ataques a Hamburgo e Dresden. Richard M. Nixon, “Cartas ao Editor”, New York Times, 15 de maio de 1983. ↩︎
  14. Erik von Kuehnelt-Leddihn, Leftism Revisited: From de Sade and Marx to Hitler and Pol Pot (Washington, D.C.: Regnery, 1990), p. 281. Esta obra contém inúmeras passagens perspicazes sobre Churchill, por exemplo, pp. 261–65, 273 e 280–81, bem como sobre Roosevelt.
  15. Aleksandr I. Solzhenitsyn, The Gulag Archipelago, 1918–1956: An Experiment in Literary Investigation, Thomas P. Whitney, trans. (New York: Harper and Row, 1973), 1–2, p. 259n.
  16. Ibid., pp. 259–60.
  17. Sisley Huddleston, France: The Tragic Years, 1939–1947 (New York: Devin-Adair, 1955), pp. 285–324.
  18. Ver, por exemplo, Richard West, Tito and the Rise and Fall of Yugoslavia (New York: Carroll and Graf, 1995), pp. 192–93.
  19. Ponting, Churchill, p. 665.
  20. Herbert Mitzka, Zur Geschichte der Massendeportationen von Ostdeutschen in die Sowjetunion im Jahre 1945 (Einhausen: Atelier Hübner, 1986). Sobre outros crimes contra civis alemães no pós-guerra, ver, entre outras obras, Heinz Nawratil, As perdas alemãs no pós-guerra entre deslocados, prisioneiros e deportados (Munique/Berlim: Herbig, 1986); John Sack, An Eye for an Eye (Nova York: Basic Books, 1993); e James Bacque, Verschwiegene Schuld: Die allierte Besatzungspolitik in Deutschland nach 1945, trad. Hans-Ulrich Seebohm (Berlim/Frankfurt a. M.: Ullstein, 1995).
  21. Alfred de Zayas, Nemesis at Potsdam: The Anglo-Americans and the Expulsion of the Germans. Background, Execution, Consequences (London: Routledge & Kegan Paul, 1977).
  22. Gaspar M. Tamas, “The Vanishing Germans,” The Spectator, May 6, 1989, p. 15.
  23. As críticas ao Tribunal de Nuremberg estão incluídas na obra de Lord Hankey, Politics, Trials, and Errors (Chicago: Henry Regnery, 1950), e na de F.J.P. Veale, Advance to Barbarism: The Development of Total Warfare from Sarajevo to Hiroshima (Nova York: Devin-Adair, 1968).
  24. Charmley, Churchill: The End of Glory, p. 622. ↩︎
  25. Robert Boothy, Recollections of a Rebel (London: Hutchison, 1978), pp. 183–84.
  26. Churchill, The Gathering Storm, pp. iv — v.
  27. Nisbet, Roosevelt and Stalin: The Failed Courtship, p. 106.
  28. Cf. Robert Higgs, “The Cold War Economy: Opportunity Costs, Ideology, and the Politics of Crisis,” Explorations in Economic History 31 (1994): 283–312.
  29. Ludwig von Mises, Human Action (New Haven, Conn.: Yale University Press, 1949), p. 855. ↩︎
  30. Charmley, Churchill: The End of Glory, p. 610, 618. Cf. Peter Clarke, Liberals and Social Democrats (Cambridge: Cambridge University Press, 1978), p. 281: “Quando a Coalizão de Churchill foi formada em maio de 1940, ela conferiu ao progressismo um papel político central que lhe faltava desde 1914(…) A guerra popular trouxe um governo popular no qual os trabalhistas comuns e os intervencionistas eram os elementos dominantes(…) O anti-apaziguamento era o mito dominante; ajudou a afastar os ‘Homens Culpados de Munique’; e preparou o terreno para a derrubada do consenso de Chamberlain também na política interna. Keynes passou repentinamente a ocupar uma posição central no Tesouro. A resposta patriótica do Partido Trabalhista à causa comum foi simbolizada pela presença marcante de Ernest Bevan como Ministro do Trabalho”.
  31. Addison, “Churchill and Social Reform”, p. 73. Addison afirma: “Na primavera de 1945, o governo de coalizão já havia elaborado projetos de lei para um sistema abrangente de previdência social, abonos de família e um serviço nacional de saúde.” Como líder da oposição nos seis anos seguintes, “em matéria de política social, [Churchill] contestou invariavelmente a pretensão do Partido Trabalhista de deter o monopólio das questões sociais e insistiu que o mérito pela concepção do estado de bem-estar social do pós-guerra deveria ser atribuído à coalizão do tempo de guerra, e não ao governo de Attlee”. Para uma visão contrastante, consulte Kevin Jeffreys, The Churchill Coalition and Wartime Politics, 1940–1945 (Manchester: Manchester University Press, 1991). ↩︎
  32. Greenleaf, The British Political Tradition, pp. 254–55.
  33. Roberts, Eminent Churchillians, p. 258.
  34. Ibid., p. 254. Roberts destaca que “quando as indústrias siderúrgicas foram privatizadas em 1953, elas continuaram, na prática, a ser administradas pelo Conselho Siderúrgico”.
  35. Roy Jenkins, “Churchill: The Government of 1951–1955,” em Churchill, Blake and Louis, eds., p. 499.
  36. Addison, “Churchill and Social Reform,” p. 76. ↩︎
  37. Roberts, Eminent Churchillians, pp. 243–85.
  38. C.S. Lewis, That Hideous Strength: A Modem Fairy-Tale for Grown-Ups (New York: Collier, [1946] 1965), p. 291.