A democracia, frequentemente celebrada como um sistema de representação igualitária e busca pelo bem comum, cada vez mais tem mostrado sua verdadeira face como um mecanismo para intensificar conflitos sociais. Essa visão, enraizada na tradição liberal clássica e na Escola Austríaca de Economia, argumenta que o regime democrático não elimina a exploração, mas a redistribui por meio de coerção estatal sancionada pelo voto.
Inspirados em pensadores destacam como o estado democrático se torna um campo de batalha, onde grupos organizados capturam o poder para transferir recursos e privilégios, fomentando antagonismos entre classes, ideologias e setores sociais. No Brasil contemporâneo, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), essa dinâmica se manifesta de forma evidente, com o uso de narrativas políticas e culturais para dividir a população, promovendo uma polarização que beneficia o poder estabelecido às custas da coesão social.
Para entender como a democracia pode alavancar divisões, é essencial distinguir a perspectiva liberal do conflito social da visão marxista tradicional. Enquanto o marxismo foca na luta entre burguesia e proletariado baseada na propriedade dos meios de produção, liberais clássicos como Charles Comte, Charles Dunoyer e Augustin Thierry identificam o verdadeiro embate entre produtores – aqueles que geram riqueza por meio de trocas voluntárias no mercado – e políticos, que se apropriam coercitivamente através do poder do estado.
No âmbito democrático, o sufrágio universal e o estado de bem-estar ampliam essa predação: decisões majoritárias, cobertas por um véu de legitimidade eleitoral, permitem a supressão de direitos individuais em nome de “benefícios sociais”. Como observa o professor Hoppe em Democracia, o Deus que falhou, o estado democrático incentiva grupos a maximizarem ganhos às custas dos outros, transformando a política em uma “pilhagem legalizada”.
No Brasil, essa crítica ganha contornos práticos com confete e enredos de samba. O governo Lula, em vez de promover harmonia, políticas e comunicações oficiais exacerbam antagonismos entre classes econômicas, grupos religiosos e ideologias políticas, criando uma sociedade fragmentada onde o “nós contra eles” sustenta o poder.
Um caso ilustrativo ocorreu em fevereiro de 2026, quando o perfil oficial da Casa Civil da Presidência da República no X (antigo Twitter) publicou um meme baseado em diálogos do reality show Big Brother Brasil. A postagem ironizava cidadãos com renda mensal superior a R$ 5 mil, rotulando-os como meros “playboys”, enquanto exaltava aqueles com rendas inferiores como possuidores de “carisma alto”, já que agora não mais precisariam pagar imposto de renda. Essa narrativa não apenas simplifica a complexidade econômica – ignorando que muitos “playboys” são trabalhadores que sustentam famílias e pagam impostos elevados –, mas reforça um conflito entre classes aos moldes marxistas.
O último episódio que pode ilustrar essa situação ocorreu durante o Carnaval de 2026, no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Financiado parcialmente com verbas públicas – o que levanta questões sobre uso eleitoral de recursos estatais –, o desfile incluiu uma ala chamada “Neoconservadores em Conserva”, retratando evangélicos, representantes do agronegócio, defensores de valores tradicionais e críticos do governo dentro de latas de conserva. Essa sátira, vista por muitos como deboche à fé cristã e ao conservadorismo, provocou reações imediatas de parlamentares e lideranças religiosas, que acusaram a encenação de ultrapassar a sátira para o preconceito.
Como argumenta a tradição, isso não apenas gera ressentimento – entre pagadores de impostos e beneficiários, ou entre grupos religiosos e seculares –, mas compromete a base produtiva da sociedade. Ao contrário da narrativa de que a democracia mitiga o conflito de classes, ela o perpetua no Brasil, transformando cidadãos em “inimigos” a serem combatidos e segregando a população entre “bons e maus” (dentro das considerações do governo atual). Como alerta Raico, a democracia moderna não promove justiça, mas um campo de antagonismo permanente. No fim, o povo dividido é um povo mais fácil de governar – uma lição que os governos aplicam com maestria.