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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Como o novo chefe do Fórum Econômico Mundial quer “reprogramar” o planeta

 Segundo a ONU, 900 milhões de pessoas no planeta não têm acesso à água potável. Para o austríaco Peter Brabeck-Letmathe, novo presidente interino do Fórum Econômico Mundial, esse dado não reflete apenas uma crise humanitária — é uma oportunidade de negócios. Segundo a ONU, 900 milhões de pessoas no planeta não têm acesso à água potável. Para o austríaco Peter Brabeck-Letmathe, novo presidente interino do Fórum Econômico Mundial, esse dado não reflete apenas uma crise humanitária — é uma oportunidade de negócios. 

Conhecido na internet por defender que a água deve ser tratada como uma mercadoria, o ex-CEO da Nestlé assumiu o cargo em um momento de turbulência na organização. No último domingo (21), o fundador e presidente do Fórum, Klaus Schwab, renunciou após ser acusado de usar fundos da entidade para fins pessoais (como massagens em hotéis e viagens de luxo para a esposa).

Vice-presidente da cúpula, Brabeck agora ocupa o lugar de Schwab enquanto um comitê seleciona o próximo líder. Mas há quem diga que ele mesmo pode se tornar o chefão da instituição, acusada de orquestrar a expansão do chamado globalismo — uma agenda que busca concentrar poder nas elites econômicas internacionais, enfraquecendo a autonomia das nações. 

Seu nome, no entanto, divide opiniões. Segundo os críticos, o austríaco de 80 anos é um estrategista frio, impiedoso e maquiavélico, focado apenas em resultados. Como executivo, ficou famoso por cortar custos, fechar fábricas e demitir sem hesitar. 

Graças a esse estilo duro, ganhou apelidos como “tubarão”, “máquina” e Terminator (no sentido de ser um robô programado para a eficiência máxima, porém desprovido de alma). 

Acontece que, para muitos membros do Fórum, essa personalidade implacável é justamente seu maior atributo para comandar a organização neste período de crise. Personificação do chamado “capitalismo sem remorso”, Brabeck seria o homem perfeito para a acelerar processos de interesse da entidade, como o Grande Reset. 

Essa reprogramação total, proposta por Klaus Schwab no livro “COVID-19: The Great Reset" (2020), consiste em mudanças estruturais pós-pandemia — com foco em sustentabilidade, tecnologia, diversidade e igualdade. Mas, para os opositores do globalismo, tudo não passa de um projeto autoritário para controlar sociedades sob o pretexto de “salvar o planeta”. 

Formado em economia, Peter Brabeck-Letmathe ingressou na Nestlé em 1968.  Sua primeira função, na verdade, foi numa subsidiária da companhia, como vendedor de sorvetes. 

Reza a lenda (e sua autobiografia) que ele não só prospectava fregueses como também entregava os produtos — dirigindo um caminhão frigorífico pelos alpes austríacos. “Foi uma das fases mais felizes da minha vida”, costuma dizer, destacando a liberdade desse trabalho e o contato direto com clientes. 

Sua ascensão na Nestlé é considerada meteórica. E atribuída, de acordo com ele, a seu “espírito aventureiro”, que o fez aceitar um cargo na América do Sul quando todos os seus colegas preferiam seguir carreira na Europa ou nos EUA. 

Designado gerente nacional de vendas no Chile, Brabeck chegou ao país em 1970. Logo de cara, enfrentou um desafio complicado, mas que o colocou em boa conta com a matriz suíça: evitar a ameaça de nacionalização das operações da empresa durante o governo de Salvador Allende. 

Nos anos seguintes, atuou no Equador e na Venezuela, onde implementou medidas drásticas de reestruturação (entre elas a redução de mais da metade das forças de trabalho locais). Em 1997, já era o CEO da Nestlé. Ou o “general”, como também costumava ser chamado pelos funcionários. 

Seus feitos na presidência incluem a redução significativa dos custos de fabricação, a aquisição de novas marcas e a entrada agressiva da multinacional num mercado controverso — o da água engarrafada. 

A Nestlé já tentava comercializar água desde a década de 1970, mas foi em 1998, sob o comando de Peter Brabeck-Letmathe, que a virada aconteceu. Naquele ano, a empresa inaugurou uma unidade dedicada exclusivamente ao setor e comprou marcas de dezenas de países, para ampliar seu alcance global. 

Rapidamente, a nova divisão passou a representar uma fatia expressiva do faturamento, chegando a responder por quase 10% das receitas totais do conglomerado. Mas o crescimento veio acompanhado de protestos. 

Governos e ONGs denunciaram a Nestlé por captar recursos hídricos em países pobres para depois vendê-los como um produto caro. Já Brabeck ganhou a fama de “super vilão global”, acusado de transformar a água numa commodity estratégica. 

O estopim da crise foi uma entrevista dele ao documentário “We Feed World” ("Nós Alimentamos o Mundo"), de 2005 — uma crítica à produção moderna de alimentos. Questionado sobre a privatização do abastecimento de água para a população, o executivo afirmou que “há duas visões diferentes sobre o assunto [contra e favor]”. 

Mas se complicou ao completar: “A única opinião que eu acho extremista é representada pelas ONGs, que insistem em declarar a água um direito público. Isso significa que, como ser humano, você deveria ter direito à água. Essa é uma solução extrema”. 

Ainda segundo ele, “a água é um alimento como qualquer outro — e como qualquer alimento, deve ter um valor de mercado”.

À frente da Nestlé, Brabeck foi acusado de captar água em países pobres para depois vender como um produto caro. (Foto: EFE/Laurent Gillieron)

O CEO que virou meme 

Embora Brabeck não tenha dito com todas as letras que “a água não é um direito humano”, a frase virou meme e até hoje é compartilhada nas redes sociais. Usada por ativistas para estimular boicotes contra a Nestlé, a declaração fez do austríaco uma espécie de símbolo do caráter cínico e exploratório das grandes corporações globais. 

A multinacional chegou a emitir um comunicado para “contextualizar melhor” a posição do executivo — porém a polêmica nunca foi superada.

“Peter Brabeck-Letmathe, acha que a água é um direito humano e que todas as pessoas, em qualquer parte do mundo, têm direito a saneamento e água limpa e segura para beber", afirma o documento, ainda disponível no site da companhia. 

“Mas as pessoas estão dizendo que Brabeck afirmou que todas as fontes de água deveriam ser privatizadas. Isso simplesmente não é verdade. O que ele defende, e sempre defendeu, é uma gestão de água mais eficiente por parte dos indivíduos, das indústrias, da agricultura e dos governos", diz a empresa em outra parte do texto. 

A questão da água, contudo, é apenas um dos múltiplos escândalos protagonizados pelo ex-CEO (e hoje presidente emérito) da Nestlé. 

Ao longo dos anos, ele foi acusado de espionar ONGs que denunciavam a companhia, criar uma "sala de guerra” para perseguir supostos inimigos, impor o leite em pó para bebês em regiões áridas, conceder salários nababescos para si mesmo, assediar funcionários e até explorar mão de obra infantil. 

A era da nutrigemônica 

Os opositores da agenda globalista ainda revelam outra preocupação com a ascensão de Peter Brabeck-Letmathe ao posto máximo do Fórum Econômico Mundial: sua disposição em promover a nutrigemônica — campo que estuda como a alimentação e os nutrientes afetam o funcionamento dos genes. 

O austríaco propõe que essa ferramenta seja utilizada para desenvolver dietas personalizadas a partir de dados científicos, com o objetivo de prevenir e tratar doenças. Nesse cenário, a indústria alimentícia de ponta desempenharia um papel central na saúde da população mundial, devido a sua capacidade de aplicar novas tecnologias e padrões nutricionais fundamentados. 

Ele inclusive assina um livro sobre o tema, “Nutrition for a Better Life: A Journey from the Origins of Industrial Food Production to Nutrigenomic” (“Nutrição para uma Vida Melhor: Uma Jornada das Origens da Produção Industrial de Alimentos à Nutrigenômica”), lançado em 2016. 

Os críticos, entretanto, veem a nutrigenômica como mais um instrumento para que as grandes corporações obtenham lucros extraordinários e controle social (por meio da patente de alimentos de alto custo baseados em DNA e da coleta massiva de dados genéticos).

Como diz outro meme antiglobalista que circula nas redes, “o Fórum Econômico Mundial não quer salvar o mundo — quer possuí-lo”.


quinta-feira, 1 de maio de 2025

FELIZ DIA DO TRABALHO OU FELIZ DIA DO CAPITAL???

 Ao redor de todo o mundo, hoje, celebra-se o dia do trabalhador.  Levando-se em conta a contínua e irrefreável expansão dos governos, cujo fardo tributário recai majoritariamente sobre os assalariados, achatando seus rendimentos, a data vem se tornando a cada dia mais emblemática e importante.


No entanto, o objetivo principal da data -- ao menos o seu original -- é celebrar o trabalhador como sendo o responsável pelo grande padrão de vida desfrutado pelas civilizações ao redor do mundo.  Mas este argumento possui várias falhas.

Nossa evolução

Por 10.000 anos, desde a antiga Suméria até a Revolução Industrial, o trabalho extenuante era o segredo da organização econômica. A agricultura era a principal atividade econômica, e se baseava totalmente na mão-de-obra física e no trabalho exaustivo. Um ser humano sem absolutamente nenhuma ferramenta ou maquinário (capital) tinha de furar um buraco no chão com seu próprio dedo e jogar ali dentro uma semente.

A mudança para o uso de gravetos e outros pedaços de pau foi um exemplo da evolução do capital. 

E a mudança deste arranjo para o uso de arados de metal representou uma imensa alteração na estrutura de produção, uma alteração totalmente baseada no uso intensivo de capital. 

O desenvolvimento de uma coleira de cavalo -- um pedaço de capital -- permitiu um enorme aumento na produtividade da agricultura. Literalmente, toda a mão-de-obra do mundo era incapaz de fazer aumentar a oferta de alimentos; porém, simples aprimoramentos no capital levaram a um substancial crescimento na produção agrícola.

Em um mundo baseado no trabalho, caçar animais era uma atividade precária, dado que animais frequentemente eram mais bem munidos de armas do que os seres humanos. Um ser humano utilizando apenas suas próprias mãos não é páreo para um búfalo; com efeito, um ser humano utilizando apenas a sua inteligência e suas próprias mãos dificilmente conseguirá capturar sequer um pequeno coelho. 

O desenvolvimento das armadilhas para animais, por exemplo, foi um progresso que permitiu que presas pequenas fossem capturadas com riscos mínimos para o capturador. 

O uso de lanças representou outro aprimoramento do capital, permitindo que um pequeno grupo de homens exitosamente caçasse grandes animais. E a invenção das armas de fogo permitiu que um homem pudesse matar até mesmo o maior dos animais a uma grande distância.

Em um mundo baseado inteiramente no trabalho, o comércio entre as regiões exigia que os homens levassem semanas, meses ou até mesmo anos para percorrer montanhas, áreas nevadas ou florestas inóspitas. E este trabalho excruciante gerava apenas pequenas quantidades de comércio, dado que os comerciantes -- limitados pela própria força física e pela necessidade de carregar comida e conduzir um enorme grupo de animais -- eram capazes de transportar, de forma segura e eficaz, apenas uma pequena quantidade de bens, frequentemente não mais do que uns 100 kg.

Já em nosso mundo baseado no uso de capital, o comércio é feito por meio de caminhões, aviões, trens e enormes navios com capacidade para várias toneladas. 

Com efeito, é muito provável que, neste nosso mundo baseado no capital, ocorra em um só dia um volume de comércio muito maior do que aquele que ocorria em um ano, em uma década ou, possivelmente, até mesmo em um século inteiro antes da Renascença. 

Hoje, usufruímos prazeres e magnificências que eram inimagináveis há até mesmo 100 anos. Dirigimos automóveis confiáveis, temos luz e inúmeros aparelhos elétricos em nossas casas, produzimos em massa e rapidamente, todos e quaisquer tipos de antibióticos e vacinas, temos ar condicionado, viagens aéreas, geladeiras, congeladores, televisão de tela plana, filmes sob demanda, celulares, motoristas ao toque da tela de um celular, computadores, notebooks, moradias confortáveis, comidas e roupas abundantes e de qualidade, medicina e odontologia modernas, máquina de lavar e secar, forno de microondas e por aí vai. E para não mencionar "raridades", como rádios, toca-discos, CD players, DVD e videocassetes.

Livros que antes tinham de ser meticulosamente reproduzidos um de cada vez -- com trabalho -- hoje são reproduzidos aos milhares tanto por meio de fotocópias e impressoras quanto por meios puramente digitais.  Com efeito, você pode ler este texto na internet por meio do seu computador, notebook, tablet, smartphone ou simplesmente por meio de papel e impressora. Você escolhe.

Um voo intercontinental de algumas horas substitui semanas de viagem dentro de um navio primitivo -- viagem esta que apresentava enormes chances de resultar em tragédia. E mesmo um navio primitivo havia ao menos tornado possível as viagens intercontinentais, algo que era uma impossibilidade em um mundo baseado exclusivamente no trabalho humano (imagine ter de nadar todo o Oceano Atlântico!). Uma mensagem que demorava dias para ser transportada por meio de cavalos é hoje instantaneamente entregue via celulares e emails.

Por meio de um celular ou de um notebook, podemos acessar absolutamente todos os cursos do MIT. Os portais de informações são infindáveis e impressionantes. Podemos jogar jogos e nos comunicar gratuitamente com qualquer outra pessoa que tenha acesso à internet. Mesmo o simples ato de ligar a televisão nos fornece acesso imediato a várias centenas de estações. A explosão da informação disponibilizada em tempo real em nossas vidas é tão vasta e profunda que é impossível de ser acuradamente descrita.

E eis o crucial: não mais é só para uma elite; é para todos. 

O que permitiu esta magnífica criação de riqueza foram investimentos em capital feitos por capitalistas, os quais geraram as mudanças tecnológicas que hoje nos permitem produzir mais com cada vez menos recursos. 

O trabalho é importante, sem dúvida, mas o que realmente nos faz ricos é o capital e a tecnologia que tornam o trabalho mais produtivo.

E um ótimo exemplo de como esta acumulação de capital favorece principalmente os trabalhadores pode ser observado na própria Revolução Industrial, contrariamente a todos os clichês que você certamente já ouviu sobre aquela época. Durante a Revolução Industrial, os aluguéis cobrados sobre a terra permaneceram praticamente inalterados, o que significa que os ganhos da industrialização não foram absorvidos pelos proprietários de terra. As taxas de juros permaneceram praticamente inalteradas, o que significa que os ganhos da industrialização não foram absorvidos pelos capitalistas. Já os salários -- principalmente da mão-de-obra de baixa qualidade -- explodiram. Tudo em decorrência da acumulação de capital.

O capital é o que aumenta a produtividade, os salários e, consequentemente, o padrão de vida de uma sociedade. A acumulação de capital, ao tornar o trabalho humano mais eficiente e produtivo, é o que permite aumentos salariais e um maior padrão de vida para todos. Trabalhar menos, produzir mais e ter mais qualidade de vida é o resultado direto da acumulação e do uso do capital.

Prestando a devida homenagem

Somos realmente abençoados de viver nesta era. A expansão do capital nos permitiu chegar a um nível de conforto jamais sonhado até mesmo por monarcas e imperadores de alguns séculos atrás. Com efeito, vivemos hoje muito melhor que um bilionário americano há 100 anos. 

É hora de repensar este incorretamente rotulado "dia do trabalhador" e prestar o devido reconhecimento e homenagem àquilo que realmente torna a nossa vida mais fácil e prazerosa: o capital.

Porém... alguns "ignorantes" poderão dizer:

- Ah..., mas as principais descobertas científicas, que proporcionaram e ainda proporcionam tantas tecnologias e inovações, foram financiadas e organizadas principalmente pelos governos (estados). Por exemplo: os satélites, antenas transmissoras, etc.

- Ah..., mas a mão-de-obra "escrava" e mal remunerada é que consegue proporcionar ao resto do mundo esses confortos todos, sem falar nos lucros exorbitantes dos empresários (capitalistas).

Portanto, é um assunto que se deve esclarecer com mais detalhes, para que não surja dúvidas ou especulações dos leitores novatos

Logo, feliz dia do capital!


Scott Kjar

É Ph.D. em economia pela Universidade de Auburn, mestre em Política Pública pela Universidade de Rochester, e professor de economia da Univesidade de Dallas.

sexta-feira, 25 de abril de 2025

O financiamento público das universidades é imoral e ineficiente

 Recentemente, o presidente da Universidade de Princeton, Christopher Eisgruber, publicou no The Atlantic sua defesa do financiamento federal para universidades de pesquisa com o título O custo do ataque do governo à Colômbia. Quais são seus argumentos?



Eisgruber afirma que o sucesso do sistema universitário americano se baseia em dois fatores. Primeiro, "o desenvolvimento de fortes princípios de liberdade acadêmica" antes da Segunda Guerra Mundial, que impulsionou o progresso científico por meio da competição de ideias. Segundo, o financiamento federal às universidades de pesquisa após a guerra que acelerou os avanços acadêmicos.

Não vejo razão para contestar o primeiro argumento de Eisgruber, em princípio.

A segunda afirmação de Eisgruber não tem base racional nem moral. Subsídios governamentais podem melhorar a oferta de um bem em casos em que o setor privado sistematicamente não investe o suficiente em sua produção. A explicação econômica para esse problema está no conceito de “bens públicos”. Alguns bens beneficiam automaticamente toda a sociedade assim que são disponibilizados para apenas uma ou algumas pessoas. Dois exemplos clássicos de bens públicos são a defesa nacional e as transmissões de rádio. Se algumas pessoas pagam para defender as fronteiras de um país, aqueles que não contribuem ainda assim se beneficiam. Da mesma forma, se algumas pessoas financiam transmissões de rádio, quem sintoniza gratuitamente também aproveita. Coletivamente, todos estaríamos em melhor situação se cada um contribuísse com sua parte. No entanto, o problema dos caronas ["free riders" no termo utilizado na teoria econômica para classificar aqueles que se beneficiam de algo sem arcar com os custos] leva a um financiamento insuficiente e, consequentemente, a uma oferta abaixo do ideal de bens públicos. A tributação obriga os caronas a pagar por esses bens, desde que o governo utilize os recursos de forma eficiente na provisão desses serviços.

Esse debate sobre o financiamento público das universidades levanta duas questões óbvias. Primeiro, a pesquisa universitária é realmente um bem público? Segundo, se assumirmos que ela é, o financiamento federal investe na quantidade certa de pesquisa universitária?

As pesquisas em áreas de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) atraem financiamento privado porque são economicamente viáveis. Para evitar o problema dos caronas na pesquisa de físicos, engenheiros ou químicos, basta a aplicação da lei de patentes. Além disso, as universidades também formam alunos, e aqueles que estudam nessas áreas conseguem arcar com os custos de sua educação.

O mesmo vale para estudantes de direito, administração e economia, que podem pagar por sua formação. Mas e a pesquisa nessas áreas? Como economista, posso afirmar com total confiança que o valor marginal da pesquisa em economia é inferior a zero. Pesquisadores dessa área, tanto em universidades públicas quanto privadas, produzem milhares de artigos por ano, publicados em centenas de periódicos acadêmicos. No entanto, não há um avanço significativo na ciência econômica há mais de 50 anos. Economistas fazem pequenos ajustes em modelos teóricos existentes e atualizam estudos empíricos com novos dados. Porém, se ao menos 5% dos novos artigos de economia trouxessem insights realmente importantes, seria necessário revisar profundamente todos os livros didáticos da área a cada ano.

Os livros didáticos de economia mudaram pouco nos últimos 50 anos porque a teoria econômica também mudou pouco nesse período. Embora economistas contemporâneos publiquem alguns estudos relevantes, o financiamento estadual e federal acaba reduzindo a "relação sinal-ruído", tornando mais difícil encontrar as poucas pesquisas realmente valiosas em meio a uma crescente massa de publicações irrelevantes.

Não posso avaliar o valor líquido atual da pesquisa em direito, administração ou ciência política, mas os mesmos princípios se aplicam. As pessoas investem dinheiro privado em pesquisas que têm potencial de gerar benefícios práticos e patenteáveis. Muitos professores de faculdades de Artes Liberais conduzem pesquisas com financiamentos externos ou até sem nenhum financiamento. O financiamento público para as "principais universidades estaduais" já deve ter atingido retornos decrescentes. Se os benefícios marginais da pesquisa nessas áreas ainda não caíram abaixo dos custos marginais, isso acontecerá em breve. Além disso, algumas universidades privadas de pesquisa, como Princeton, onde Eisgruber é presidente, possuem fundos patrimoniais que chegam a dezenas de bilhões de dólares.

Eisgruber reconhece que o financiamento federal das universidades de pesquisa traz o risco de imposições políticas atreladas, mas ignora os graves vieses políticos e ideológicos que já existem entre os professores universitários. Hoje, muitas universidades funcionam como verdadeiras fábricas de propaganda. O problema mais sério, porém, é que marxistas conquistaram influência em diversas áreas das ciências sociais e humanas. Economistas rejeitam universalmente o marxismo porque ele é logicamente incoerente e empiricamente refutado. Se os marxistas estivessem apenas promovendo mitos inofensivos, essa questão não seria tão relevante. No entanto, a verdade é que o movimento marxista do século XX foi responsável pela criação dos piores regimes totalitários da história, o que não foi acidental.

A crença de Eisgruber na livre concorrência de ideias entre acadêmicos é admirável, mas também irrelevante para o ensino superior contemporâneo. Os marxistas de áreas como Sociologia, História ou Estudos de Gênero não conseguiram envolver os economistas em um debate sobre os “méritos” da análise marxiana. A competição sobre pontos muito delicados da teoria econômica continua entre os economistas. Muitos outros acadêmicos continuam a disseminar ideias que não estão apenas erradas, mas são perigosas.

Os contribuintes dos EUA estão sendo forçados a apoiar financeiramente a disseminação de propaganda de esquerda por professores universitários, grande parte da qual é neomarxista. A maioria dos americanos se opõe ao marxismo, mas não tem se oposto ao financiamento estadual e federal de professores marxistas. Os protestos anti-judaicos em Columbia desencadearam uma reação contra as universidades de “pesquisa”. O financiamento público de instituições educacionais que têm como alvo um único grupo religioso ou étnico é imoral. Entretanto, o financiamento público de uma agenda política partidária ou de um movimento ideológico é igualmente imoral.

Devemos observar também que houve um enorme aumento nas burocracias das faculdades americanas nas últimas décadas. Antes da recente expansão burocrática, as faculdades ofereciam melhor educação a custos mais baixos de mensalidades.

As faculdades modernas têm financiamento excessivo e estão gastando dinheiro de forma insidiosa. A solução para esses problemas não é simplesmente cortar o financiamento público da Universidade de Columbia. O financiamento público da pesquisa e da educação universitária não é necessário por motivos econômicos práticos nem defensável por motivos morais. Ele deve ser 100% cortado.

 

D.W. MacKenzie

É professor assistente no Carroll College, em Montana, EUA.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Era da Covid....A falácia do virus.

 


Em algum momento no início da “Era do Vírus”, meu termo para o desastre de vários anos que enfrentamos do início de 2020 até algum momento de 2023 ou 2024, decidi arquivar alguns posts de rede social sobre esse momento peculiar da história global.

Talvez eu tenha pensado, na época, que um registro escrito poderia me ajudar a entender a base e os resultados do que poderia se tornar uma era histórica, o que acabou se revelando prudente, já que passamos de “duas semanas para achatar a curva” para o que agora equivale a quatro ou cinco anos eternos, dependendo de como se conta a passagem do tempo.

A revisão desses posts arquivados hoje revela algumas das principais questões e diferenças de opinião que afetaram a todos nós. Algumas delas se concentram na mera tolice da Era dos Vírus, outras na loucura que afetou muitos.

Uma estudante de faculdade, moradora nativa de Nova Iorque que mora no centro de Manhattan, descreveu como considerava arriscado demais sair de seu pequeno apartamento compartilhado de um quarto, por isso mandava entregar as compras e lavava tudo com água sanitária antes de guardar na cozinha. Ela não se aventurou a sair do apartamento durante todo o tempo, nem mesmo para tomar um pouco de ar fresco. Aparentemente, ela não sofre de claustrofobia.

Outra cidadã, que mora no norte da Califórnia, relatou que teve seu cabelo cortado por uma cabeleireira que manteve seu salão aberto, desafiando as regulamentações de lockdown do governo estadual, continuando a ganhar a vida quando tantos trabalhadores foram forçados a ficar desempregados como “não essenciais”.

Outra cidadã, que mora em Connecticut, reagiu com resistência quando mencionei as liberdades e direitos que os americanos perderam durante os lockdowns. “Que liberdades e direitos?”, ela perguntou, aparentemente sem entender o ponto. “Bom,” respondi, “que tal a liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda, o direito de participar de cerimônias religiosas à escolha de cada um, o direito de se reunir pacificamente e de fazer petições ao governo para reparar injustiças?”. Nunca mais tive notícias dela depois disso.

No começo de 2021, quando as primeiras vacinas começaram a ser disponibilizadas, observei meus vizinhos no sul da Califórnia, onde moro, lutando para conseguir um dos primeiros horários disponíveis. Alguns chegaram a dirigir mais de 160 quilômetros para receber uma injeção experimental de uso emergencial que, mais tarde, se provou ineficaz para impedir a transmissão do vírus e ainda causou efeitos colaterais prejudiciais em determinados grupos da população, além de aparentes efeitos de longo prazo semelhantes à síndrome da fadiga crônica ou fibromialgia.

Quando me perguntavam se eu havia me vacinado, respondia com educação que era uma questão pessoal, mas que pretendia confiar no meu próprio sistema imunológico, que sempre funcionou bem ao longo da minha vida, já tendo chegado aos 70 e tantos anos naquela época. Fiz isso corretamente e consegui evitar qualquer sintoma durante toda a Era do Vírus, embora vários amigos e vizinhos que ouviram minha explicação tenham recuado diante de meus comentários, alguns deles se afastando visivelmente de mim, como se a regra da distância de quase 2 metros não fosse suficiente para evitar que eu os infectasse.

Durante os anos restantes das restrições impostas na chamada Era do Vírus, eu basicamente ignorei os decretos e ordens oficiais, evitei usar máscara sempre que possível e me perguntava até que ponto eu ficaria irritada se alguém tentasse, de fato, me tocar fisicamente para impor alguma regra.

Foi realmente uma época de loucura e tolice ao mesmo tempo, em que o comportamento humano normal simplesmente desapareceu. Tentando entender aquilo tudo, cheguei à conclusão de que quase todo mundo foi lançado em modo “luta ou fuga”, uma reação fisiológica do corpo diante de uma ameaça percebida, liberando hormônios como a adrenalina que preparam o organismo para enfrentar o perigo (“lutar”) ou escapar rapidamente (“fugir”). Em essência, um mecanismo de sobrevivência diante de uma situação que o cérebro entende como perigosa.

Entrar nesse modo significa que as pessoas deixaram de usar o córtex cerebral, a parte pensante do cérebro, e passaram a agir com base em uma espécie de “cérebro reptiliano”, uma região mais primitiva do cérebro. O bom senso e o julgamento equilibrado se tornaram praticamente impossíveis para muita gente, porque elas mesmas desligaram sua capacidade de raciocínio mais elevado e passaram a viver sob um estado constante de medo. Imaginei que essa entrega coletiva ao medo pode ter sido uma das formas mais disfuncionais de comportamento humano já vistas fora de contextos de guerra ou desastres naturais. Superar esse medo exigia um esforço pessoal e deliberado de cada indivíduo.

Vários meses após o início desse período, comecei a expressar dúvidas sobre o fechamento de escolas, prevendo com precisão retrocessos para que alunos de todos os níveis alcançassem e mantivessem o desempenho acadêmico. Isso foi comprovado, como confirmaram os resultados dos testes da Avaliação Nacional de Progresso Educacional. Durante toda a Era do Vírus, previ (e ainda prevejo) que os EUA observarão em 10 a 15 anos uma geração de jovens adultos analfabetos ou semianalfabetos que não alcançaram resultados satisfatórios. Se as habilidades de leitura não forem ensinadas em um momento importante da vida das crianças, quando o cérebro humano é receptivo nesse estágio de desenvolvimento, será muito difícil recuperar o tempo perdido posteriormente. Vários vizinhos, professores aposentados do ensino fundamental, se opuseram vigorosamente às minhas opiniões, dizendo que as crianças são resistentes e podem facilmente compensar as deficiências de instrução, o que, obviamente, provou não ser o caso.

Fiquei surpresa com o fato de que uma economia inteira pudesse ser súbita e completamente desativada por medo de um vírus respiratório, forçando tantas pessoas a ficarem desempregados, dependendo da distinção feita pelos órgãos reguladores do governo entre trabalho “essencial” e “não essencial”.

Anthony Fauci declarou audaciosamente que “ataques a mim são ataques à ciência”, como se ele fosse o “Sr. Ciência”, o próprio “Cara da Ciência”. O fato de Trump ter permitido que Fauci basicamente governasse o país por meses a fio não é bom para nenhum dos dois. Parece, no entanto, que ninguém será responsabilizado pelas maldades cometidas em nome da saúde pública e da “ciência”.

Podemos ter esperanças de que nosso país não será submetido a uma repetição desse infeliz evento e das políticas mal elaboradas implementadas em seu rastro. Entretanto, como dizem, esperança não é um plano. Uma vez que tenham conseguido forçar isso na garganta dos americanos, os atores políticos ávidos por poder podem conseguir repetir isso quando algum outro desastre natural ou de saúde pública surgir no futuro.

A Verdadeira História por Trás da Tradição

 Jesus Cristo carregando a cruz

A Páscoa é uma das mais importantes comemorações da tradição cristã, em memória à crucificação e ressurreição de Jesus Cristo. É uma data de muita simbologia para os religiosos e que teve inspirações em uma ainda mais antiga comemoração judaica chamada “Pessach”, que ocorreu na mesma época da morte de Cristo.

Nesse artigo, conheceremos a tradição judaica da Páscoa, sua ressignificação cristã e falaremos sobre uma das maiores mentiras já difundidas a respeito de sua real origem: a de que ela seria uma tradição pagã.

Pessach: A Páscoa e Suas Primeiras Tradições Judaicas

Significando “passagem”, em hebraico, a Pessach é uma tradição importante para o povo judeu. Ela é celebrada de acordo com o calendário hebraico, que é um calendário lunissolar (se baseia nos ciclos da Lua e do Sol), no dia 14 de nissan. Isso acontece pois, há cerca de 3500 anos, quando ela foi comemorada pela primeira vez, era entre os dias 14 e 15 de nissan.

Pessach
Ilustração da Celebração de Pessach

A primeira Pessach ocorreu antes da liberação dos hebreus no Egito, em preparação para a execução da décima e última praga, “O Anjo da Morte”. Essa história é narrada nos cinco primeiros livros da Bíblia do Antigo Testamento, e o nome atribuído à tradição faz menção direta a passagem do anjo da morte pelas terras, eliminando todos aqueles que não seguiram a ordem de Deus.

A Ressignificação da Igreja Católica

É dito que quando Jesus Cristo foi crucificado e ressuscitou, no terceiro dia, estaria acontecendo a Passach para os judeus. Isso contribuiu para a assimilação da tradição aos costumes da Igreja Católica, porém, com modificações e uma ressignificação completa quanto ao que ela representava.

A Páscoa cristã celebra, ao encerramento da Semana Santa, a ressureição de Cristo. Já a própria Semana Santa é uma recordação anual dos últimos dias de Jesus na terra; a Última Ceia com seus apóstolos e amigos, sua crucificação e ressureição.

Sua celebração é realizada em uma data diferente a cada ano, sempre no primeiro Domingo após a lua cheia que ocorre após o equinócio vernal (do Hemisfério Norte), e pode cair entre 22 de março e 25 de abril. Os critérios usados para definir essa data foram estabelecidos pelas autoridades da Igreja Católica durante o Concílio de Niceia, realizado no século IV d.C.

Ostara: Verdades e Mentiras Sobre Influência Pagã

E é agora que veremos as inverdades atribuídas à Páscoa, ligando sua origem ao paganismo. Confesso que, quando pensei em iniciar a escrita desse artigo o título dele seria “A Origem Pagã da Páscoa”, pois é uma coisa que ouvia sempre e, como eu adoro a história dos celtas, mitos e lendas de povos antigos achei que seria interessante pesquisar sobre.

deusa pagã Eostre
Eostre, ou Ostara, Segurando um Coelho

Todavia, à medida que iniciei as pesquisas me dei conta de que não é bem assim. Os argumentos usados para ligar o cerne da Páscoa ao paganismo giram em torno de uma suposta deusa da primavera e fertilidade chamada de Eostre ou, dependendo da região, Ostara. É dito que existia um mês nomeado em sua homenagem, em que os Anglo-Saxões da antiguidade faziam festivais em seu nome e era o mês de Eosturmonath que hoje conhecemos como abril.

E é daí que vem o problema. Em alguns locais de língua inglesa ou germânica, o feriado da Páscoa foi chamado de Easter ou Ostern, ligando-o ao nome do mês em que ocorriam. Isso fez com que alguns historiadores fizessem a incorreta correlação entre o nome dado à celebração diretamente com a deusa Eostre/Ostara. Mas esse elo fraquíssimo vai em terra com dois argumentos que vou falar brevemente.

Primeiro que na maioria dos países o nome da Páscoa vem diretamente do feriado Judeu, sendo Pascha na Grécia, Pasqua na Itália, Paaske na Dinamarca, Paques na França… bem, entre outros! Isso já descredibiliza a ligação direta com o mês em si, e o conecta com o feriado hebreu.

E em segundo lugar, não existem “provas” de que Eostre foi realmente cultuada como uma deusa. Historicamente, ela não é mencionada em quase nenhuma obra na antiguidade exceto em um livro inglês escrito por Bede em 725 D.C. Nesse livro, ele tentava atribuir a ela o nome do mês de Eosturmonath, mas devido a falta de fontes essa atribuição é bastante descreditada atualmente.

Coelho e Ovos da Páscoa e seu Simbolismo

Mas e o coelho e os ovos de Páscoa, de onde vieram? Bom está aí o elo que realmente vem do paganismo. Apesar de não ter absolutamente nada a ver com a origem da comemoração, até porque foi uma tradição atribuída somente mais tarde à Páscoa, o coelho e os ovos eram símbolos usados em alguns lugares durante o mês de abril. Eles significavam uma nova vida, fertilidade e renovação.

Exista quem acredite que ambos os símbolos são diretamente ligados à deusa Eostre. Mas, como dito antes, isso só poderia ocorrer caso ela fosse realmente cultuada pelos antigos, algo que não foi comprovado.

Coelho da Páscoa
Coelho Segurando uma Cesta com Ovos da Páscoa

À medida que a igreja se expandia, alguns costumes de povos locais eram assimilados e esses foram alguns deles. Eles foram incluídos na celebração da Páscoa e ressignificados para refletir valores cristãos, como a ressureição por exemplo.

Então, por essas e diversas outras razões já mencionadas, a Páscoa NÃO é uma celebração de origem pagã e sim religiosa, vinda sim dos Judeus, porém totalmente repaginada para celebrar a ressureição de Jesus Cristo, após ser condenado e morto pelos Romanos.

 Fontes:

https://www.abc.net.au/news/2017-04-15/the-origins-of-easter-from-pagan-roots-to-chocolate-eggs/84401344

https://wedaretosay.com/is-easter-pagan-debunking-every-crazy-myth-and-lie/

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Os indígenas antes da chegada dos imigrantes italianos na Serra há 150 anos

Para contar os 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, celebrados em 2025, é preciso remontar ao período antes da chegada dos europeus, em que o território era povoado por indígenas. Três etnias predominaram sobre a Serra: kaingang, xokleng e guarani.

No maior município da região, os registros desses povos originários partem de cerca de 1.400 anos atrás, aponta o arqueólogo e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Rafael Corteletti. Enquanto os ancestrais kaingang e xokleng habitavam o território onde atualmente está localizada Caxias do Sul, os guaranis ficavam entre o Vale do Caí e o interior do município, em Vila Cristina e Galópolis.

Liliane Giordano / Divulgação
Conforme o antropópologo e professor Rafael Corteletti, fica no Distrito de Criúva, interior de Caxias do Sul, um dos sítios arqueológicos mais preservados do município. Tanto que, neste local, a turismóloga Guadalupe Traslatti Pante vai colocar em ação o projeto Caminhadas ao Patrimônio Arqueológico, apresentando vestígios da etnia kaingang, na Serra.

Para contar os 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, celebrados em 2025, é preciso remontar ao período antes da chegada dos europeus, em que o território era povoado por indígenas. Três etnias predominaram sobre a Serra: kaingang, xokleng e guarani.

No maior município da região, os registros desses povos originários partem de cerca de 1.400 anos atrás, aponta o arqueólogo e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Rafael Corteletti. Enquanto os ancestrais kaingang e xokleng habitavam o território onde atualmente está localizada Caxias do Sul, os guaranis ficavam entre o Vale do Caí e o interior do município, em Vila Cristina e Galópolis.


Conforme o antropópologo e professor Rafael Corteletti, fica no Distrito de Criúva, interior de Caxias do Sul, um dos sítios arqueológicos mais preservados do município. Tanto que, neste local, a turismóloga Guadalupe Traslatti Pante vai colocar em ação o projeto Caminhadas ao Patrimônio Arqueológico, apresentando vestígios da etnia kaingang, na Serra.

— As datas mais antigas da presença dos indígenas em Caxias são, mais ou menos do ano 400, na região de Vila Seca. Os ancestrais kaingang e xokleng, se pegar os registros de Vacaria, Pinhal da Serra, Bom Jesus (nos Campos de Cima da Serra), estão aí há mais de dois mil anos — afirma Corteletti.

Falando de ocupações de povos originários em geral, no Rio Grande do Sul, a data mais antiga é de 12 mil anos atrás. Em sítios arqueológicos de Caxias, por exemplo, é possível encontrar pontas de flecha que sinalizam a presença indígena há cerca de quatro a cinco mil anos.

Domingos Mancuso / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami
Vista parcial da antiga rua Silveira Martins, conhecida também como Rua Grande, atual Av. Júlio de Castilhos, na então Colônia Caxias, em 1878, atual município de Caxias do Sul.