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terça-feira, 1 de abril de 2025

Kosher Nostra

 

Quem não consegue aceitar que uma pessoa de origem judaica – assim como também um membro de outro grupo social qualquer – possa ser um criminoso comum ou extraordinário, este se encontra de forma tendenciosa nos trilhos do anti-semitismo, pois ele quer conferir a este grupo de pessoas um status especial, que por sua vez os isola perante outros grupos sociais.

Gansgters judeus na América 1890 – 1980

Até 25 de abril de 2004, o Museu judaico apresentou sob o título “Kosher Nostra – Gangsters judeus na América 1890 – 1980” a terceira amostra do artista austríaco-israelense Oz Almog, o qual se ocupou com um capítulo da história judaico-americana pouco conhecido na Europa; a história do desenvolvimento do crime organizado nos EUA, onde mafiosos judeus tiveram um papel de destaque.

Entre os crimes podemos encontrar vários ladrões de bancos e assaltos a bancos

A história do desenvolvimento do crime organizado nos EUA teve uma significativa participação judaica. O mito bastante divulgado da dominância da máfia italiana abafou, principalmente para o público europeu, a significância do mafioso de origem judaica neste escuro capítulo da história americana. Mas ninguém que tenta desvendar a história da máfia americana pode negar a existência de homens como Meyer Lansky, Benjamin “Bugsy” Siegel, Dutch Schultz ou Louis “Lepke” Buchalter, que juntamente com seus clássicos “Paten” sicilianos determinavam o destino do submundo.

Em sua nova apresentação artística “Gangsters judeus na América 1890 -1980” o artista Oz almog ampliou sua até então aplicada disciplina de retratar pessoas em imagens e palavras, a uma impressionante apresentação documentária de toda uma época, que ao mesmo tempo é fascinante e assustadora. Sem inclinação romântica, o artista se empenha com a visão aguçada do iluminista desta parte da história judaica e ilumina os atores em todas suas contradições. Como por exemplo o impiedoso chefe de sindicato Louis “Lepke” Buchalter, que adorava sua mãe acima de tudo e por isso foi também muito respeitado pelos sicilianos de tradição familiar. Ou também o gênio estratégico Meyer Lansky, o qual como judeu consciente de suas origens lutava pelos interesses de seu povo, em paralelo a seus diversos negócios. Oz Almog mostra nesta história com retratos pintados e notas detalhadas, não o quadro de uma “guerra limpa”, mas sim oferece também através de sua vasta documentação fotográfica uma imagem angustiada da vida e morte no submundo.

Sobre isso existe também um catálogo:

“Gangsters judeus na América 1890 – 1980”, publicado por Oz Almog.

Da introdução de Erich Metz:

“A dificuldade na reconstrução da história dos gangsters judeus nos EUA se deriva principalmente da escassez acontecimentos comprovados e exatamente documentados. O que aconteceu realmente no submundo é envolto de inúmeros mitos e lendas. Desta forma, a história dos gangsters judeus também pode ser compreendida somente em conjunto com todo o desenvolvimento do crime organizado nos Estados Unidos. Os judeus requereram seu espaço conscientes de seu valor com não menos falta de escrúpulos, junto aos clássicos clãs familiares dos italianos. Seus mais famosos representantes foram: Meyer “Little Man” Lansky, Benjamin “Bugsy” Siegel, Louis “Lepke” Buchalter e Arthur “Dutch Schultz” Fleggenheimer. A maioria deles se diferenciava na mentalidade dos italianos, à medida que conduziam seus negócios ilegais afastados dos laços familiares e evitaram os holofotes da mídia. Eles vieram e se foram como uma geração vem e vai, enquanto os chefões italianos deixavam sua esfera de influência aos seus herdeiros. Os italianos construíram suas dinastias, os chefões judeus fundaram seus impérios.[…]”

vabanque.twoday.net

O poderoso godfather

Jeffrey Bronfman pertence à conhecida e bilionária família Bronfman, ex-proprietária da Seagram’s, uma gigantesca empresa de bebidas alcoólicas com matriz em Montreal, Canadá. As atividades da família no ramo iniciaram-se com Samuel Bronfman, fundador do atual império comercial Seagram’s Company, na década de 20 do século passado, com a comercialização de bebidas alcoólicas, sendo a principal delas uma “inovação” inventada por Aeneas Coffey em 1831: o blend whiskey. Samuel Bronfman dizia: “A destilação é uma ciência, o blending é uma arte”. Veremos mais à frente o que provoca a “arte” de Samuel Bronfman. Stephen Birmingham, autor de The Rest of Us: The Rise of American Eastern European Jews (O Resto de Nós: A Ascensão dos Judeus Americanos da Europa Oriental), relata que “…enquanto o verdadeiro Scotch whiskey levava de dois a doze anos para ser envelhecido, o ‘fenômeno’ Scotch Bronfman poderia envelhecer em dois dias sem que ninguém notasse!”. A coisa se dá através de uma aleatória mistura de álcool com diferentes espécies de malte (cujo número pode variar de quinze a quarenta), dois a três tipos de whiskey de grão e outros ingredientes. Foi por meio de tal líqüido que Samuel Bronfman deu início a um verdadeiro império.

Quanto ao nome de família, é digno de nota o fato de que Samuel Bronfman, tio-avô de Jeffrey, na realidade não nasceu Bronfman, mas tornou-se, uma vez que o mesmo significa “whiskey man” (homem-whiskey) em yiddish.

A Seagram’s é uma empresa de origem canadense, cujo rápido crescimento se deu na época da Lei Seca, ou seja, durante a proibição de bebidas alcoólicas nos EUA, quando Samuel começou a traficar whiskey ilegal do Canadá para os EUA, inundando a América com seus venenos através de negócios milionários com a Máfia de Chicago. Esta, que era por ele fartamente suprida não só com imensas quantidades de blend whiskey, mas também com os famosos licores Seagram’s e outras bebidas, era dirigida, na época, por tipos como Lucky Luciano, Frank Costello e Meyer Lansky (nascido Maier Suchowljansky). Este último acabou transformando a Máfia numa corporação multinacional (graças a fornecedores como Samuel Bronfman) ao abrir casas de jogos em Cuba, nas Bahamas e em Londres, além de internacionalizar o circuito da prostituição. O economista estadunidense Thomas Schelling comparou, com bastante realismo, a máfia com um quase governo. Lansky era um reacionário, fanático sionista, tendo contribuído com milhões de dólares pela causa de Israel, e elegeu como seu epitáfio uma frase que repetia constantemente em vida: “Jamais me ajoelhei ante um cristão”. E assim, com amigos e sócios como esse, as portas do mundo material começaram a se abrir rapidamente para a alcoólica família traficante de bebidas.

Os herdeiros

Sam, o godfather, legou a seu herdeiro, Edgar Bronfman, uma estrutura tal que as bebidas Seagram’s são vendidas em mais de 197 países e territórios. Afiliados e subsidiárias em 41 países formam com eles o maior sistema de distribuição da indústria de bebidas alcoólicas do planeta. A Seagram’s produz, comercializa e distribui mais de 226 marcas de bebidas destiladas, mais de 180 marcas de vinho, champagnes, ports, sherries, e mais de 48 marcas de refrescos, cervejas, misturas e outras bebidas com baixo teor alcoólico. Algumas das marcas mais conhecidas incluem Crown Royal, Captain Morgan, Chivas Regal e Absolut Vodka.

Edgar Bronfman é presidente do Congresso Mundial Judaico desde 1981, apoiador fiel do governo de Ariel Sharon e um dos maiores responsáveis pela gigantesca campanha mundial contra o “anti-semitismo” (apenas em ralação a judeus e não a árabes, obviamente), tendo conseguido colossais indenizações para os judeus chamados “sobreviventes do Holocausto”. Estes, cumpre observar, parecem multiplicar-se surpreendentemente a cada dia, uma vez que, no final da Segunda Guerra o número de sobreviventes era de vinte e cinco mil, e atualmente já são cerca de oitocentos mil! Teria ocorrido com eles o milagre da ressurreição, tal qual aconteceu com o Divino Jesus? De qualquer forma, tal fato ainda tem passado despercebido para a maioria, mas se continuar no ritmo em que está, não tardará o dia em que os alardeados seis milhões de mortos ressuscitem todos, diante das incomensuráveis fortunas que são extorquidas dos povos e nações em seus nomes.

Mas, no momento, o que já é motivo de indignação por parte de muitas pessoas, como o caso que citaremos a seguir, é que as organizações judaicas não agem simplesmente no sentido de se esforçarem para retomar o que de direito lhes pertence, mas sim, segundo inúmeras afirmações, através de uma massiva extorsão, pressões e ameaças em grande escala em prol de seus interesses financeiros.

Em 1996, algumas dessas organizações afirmaram que os bancos suíços mantinham contas bancárias abertas, até então, de judeus ricos nas décadas de 30 e 40 que morreram durante a II Guerra Mundial e que, portanto, não foram capazes de retomar o seu dinheiro; por isso, agora, os sobreviventes estariam exigindo o mesmo. O Presidente da Suíça na época, Jean-Pascal Delamuraz, acusou os sionistas de terem cometido “chantagem” e “extorsão” ao tentarem fazer com que a Suíça lhes desse dinheiro sem qualquer prova de que tinham, para tal exigência, um direito legítimo.

Porém, seu sucessor à presidência não compartilhava dessa opinião e estava propenso a pagar a indenização para evitar problemas. Os banqueiros, por sua vez, não concordavam com a opinião do novo Presidente, e assim, diante dessa resistência por parte da Suíça em pagar indenizações sem provas de qualquer espécie, Edgar Bronfman encontrou-se com o embaixador desse país nos EUA e o ameaçou dizendo que, se a Suíça não liberasse imediatamente US$ 250 milhões de dólares, as próximas reuniões do House Banking Committee seriam, tanto quanto possível, difíceis para ela. Concomitantemente, um grupo de judeus nova-iorquinos que também afirmava ser sobrevivente do Holocausto, entrou com uma ação contra três dos maiores bancos da Suíça e “pediu” ao Federal Reserve Bank de Nova Iorque que suspendesse as licenças destes bancos até a resolução do processo. Israel também entrou na campanha e convocou um boicote mundial contra os bancos da Suíça.

Finalmente, após estas e mais algumas dezenas de pressões e ameaças, a afirmação de que a campanha sionista era extorsiva foi retirada por parte do governo suíço, com melindrosos pedidos de perdão aos judeus, e os US$ 250 milhões de dólares exigidos por Bronfman foram liberados. Porém, os sionistas disseram, depois, que se tratava apenas do primeiro pagamento. E então, sugeriram que US$ 7 bilhões de dólares talvez fosse um total razoável para receberem da Suíça!

Assim, com o tempo, por essas e outras, o herdeiro e ampliador do império Bronfman legou a seu filho, Edgar Bronfman Jr. (primo de Jeffrey Bronfman), todas as condições para que este expandisse as empresas Seagram’s para a área do entretenimento e multimídia de massa e, desta forma, surgiu um imenso conglomerado de mega-empresas que compreende: MCA (empresa de entretenimentos), Universal Pictures (uma das maiores companhias cinematográficas do mundo), Interscope Records (o maior promotor de um novo tipo de música, gangsta rap, cujas letras incitam explicitamente os negros a cometer atos de violência contra brancos), Universal Music e PolyGram (empresas discográficas, sendo esta última a maior da Europa). Com a compra da PolyGram, em 1998, Bronfman apropriou-se também da Deutsche Grammophon, da Decca-London e das empresas discográficas Philips.

Quando a renda da PolyGram se somou às da MCA e da Universal, os Bronfman se tornaram donos do quarto maior império dos meios de comunicação, com renda anual de US$12 bilhões de dólares.

Ao longo dos anos, eles desfizeram-se de algumas empresas, como, recentemente, da própria Seagram’s, mas trataram logo de adquirir outras tão ou mais “poderosas”, como por exemplo a Warner Music, a maior indústria fonográfica do mundo, e subsidiárias. Entre os mais populares veículos de entretenimento que os Bronfman já produziram, controlam ou empresariam, contando “artistas”, parques temáticos e filmes, estão: Madonna, Guns N’ Roses, Led Zeppelin, Metallica, Sheryl Crow, Bee Gees, Dru Hill, Enrique Iglesias, Elton John, Jay-Z, Kirk Franklin, Woody Woodpecker, Motown Live, Blind Date, Linkin Park, The Flinkstones, E.T. – The Extra Terrestrial, Jurassic Park, Xena: Warrior Princess, Bruce Lee, Dionne Warwick e R.E.M.

Como se vê, a afirmação do escritor norte-americano John Whitley de que os Bronfman, juntamente com mais seis detentores da mídia do sistema mundial, controlam os EUA e o mundo, não é de se desprezar. Os Bronfman podem até se dar ao “luxo” de financiar dois candidatos concorrentes à presidência dos EUA ao mesmo tempo! Por incrível que pareça, durante as recentes eleições nos Estados Unidos da América, nas quais Bush venceu de forma fraudulenta, eles doaram a ambos os partidos que disputavam a presidência daquele país – o Republicano e o Democrata – imensas quantias em dinheiro, praticamente iguais. Conforme diz o dito popular, garantia pouca é bobagem… principalmente para quem deve e teme…

Ainda sobre as atividades dos Bronfman, apenas citaremos mais algumas informações que obtivemos a respeito das mesmas, que denunciam a participação da referida família no crime organizado. Além de traficar bebidas, a whiskey family traficaria mulheres russas, as quais são prostituídas e mantidas na escravidão em boates de Israel e em bordéis de outros países; também estaria envolvida com o Mossad (serviço secreto do governo israelense), com o assassinato de John Kennedy, com o narcotráfico e com a prostituição no Canadá.

O resultado de tudo isso, conforme afirmam pesquisadores, é um controle da economia, da política e da mídia internacional pelos Rothschild na Inglaterra, pelos Rockfeller na América e pelos Bronfman tanto no Canadá como também na América, aos quais se somam mais de uma dúzia de Banksters (gangsters da usura), todos com o apoio dos Bilderberger, da Comissão Trilateral, do CFR (Conselho de Relações Estrangeiras), do Comitê dos 300 (as 17 mais ricas famílias do mundo chamadas de “elite”), e da B’nai B’rith, que inclusive é dirigida por Edgar Bronfman, além de todos os governos podres e vendidos. Esse é o sinistro panorama da estrutura do poder material, da mentalidade e cultura de uma “Nova Ordem Mundial”*.

(* O termo “Nova Ordem Mundial” é freqüentemente utilizado para citar a organização das relações internacionais pós-Guerra Fria. Entretanto, o termo se refere aqui ao processo de desculturação e destruição dos povos do mundo, especialmente os de origem européia, iniciado em fins do século XIX e, mais especificamente, à “Grande Onda”: o processo em escala gigantesca de depravação e subversão das bases da civilização ocidental, iniciado nos Estados Unidos na década de 50, e exportado pelo mundo nas décadas seguintes.)

Um vale de lágrimas

No caso dos Bronfman, à custa de quê alcançaram eles tamanho “poder” e fortuna? Sem dúvida alguma, através do sofrimento e da destruição da vida de milhões de pessoas. Existem os lucros provindos de suas megaproduções “artísticas”, as quais influenciaram de forma maléfica milhões de jovens e adultos de todo o mundo, tendo, como protagonistas, artistas por eles patrocinados que estimulam o consumo deliberado de drogas, portam-se como delinqüentes, apresentam-se de forma suja e degradada, e induzem ao sexo promíscuo e homossexual. Com isso, acabaram contribuindo para alastrar pelo planeta a imoralidade, a rebeldia, a pornografia, o desrespeito, o vício, a autodestruição, a superficialidade, a mediocridade e uma moda degradante, atuando como verdadeiros agentes subversivos e corrompedores da humanidade. Porém, não iremos nos estender nesse ponto, mas sim nos ater aos efeitos das bebidas alcoólicas, que foram o carro-chefe e a mola propulsora do império Bronfman.

Estima-se que 90% da população adulta dos países “civilizados”, ou seja, aproximadamente cinco bilhões e meio de seres humanos, bebam álcool com alguma periodicidade, sendo que aproximadamente 50% possuem problemas temporários devido a esse vício e 10 a 15% são alcoólatras crônicos. O alcoolismo social é uma forma de dependência aceita por quase todos e praticada pela maioria dos jovens e adultos nas sociedades modernas; e o alcoolismo, a principal forma de toxicomania da atualidade.

segunda-feira, 31 de março de 2025

Brecker, o Michelangelo do III Reich

 

“Sou escultor do corpo humano, em sua perfeita harmonia com a tríade do corpo, espírito e alma” – assim é o credo de Breker. Este homem, que é tão velho quanto novo nesse século, nunca deixou de glorificar a imagem do homem. E assim suas virtudes de lealdade, honra, perseverança e fé asseguraram a Breker, entre tantos outros escultores do século 20, o título de um verdadeiro “guardião da imagem do homem”.

Arno Breker, o escultor oficial do III Reich

Constantemente meus pensamentos voam para uma tarde memorável, quando me encontrei pela primeira vez com Arno Breker. O longo vôo que cruzava o Atlântico, vindo da América de volta para Europa, a terra dos meus antepassados, me levou à morada de Breker, próxima do aeroporto de Düsseldorf. E enquanto dirigíamos pela Autobahn que dava de encontro com sua casa, seu Prometeu, Deus que deu o fogo divino e a cultura para a humanidade, nos saúda com sua tocha flamejante. Como o antigo personagem mitológico, Breker nos trouxe fogo e luz, e então teve de aceitar a mesma condição de sofrimento vivida por Prometeu. Consiste em um milagre perceber que um mundo tão difícil, repleto de guerras, revoluções e catástrofes das mais diversas, falhou em desencorajar o gênio de Breker e sua crença na divindade da humanidade, bem como em seu futuro.

Os eventos corriam ao nosso encontro através de minha mente, na medida em que chegávamos à casa do mestre em silêncio. Há não muito, o Presidente americano Ronald Reagan havia comemorado, em 1983, o aniversário de 300 anos da imigração alemã para a América, e isto resultou na criação da Sociedade Internacional Arno Breker, nos Estados Unidos, na qual fui o primeiro Presidente. O objetivo principal dessa sociedade cultural, que foi criada em cooperação com artistas como Dali, Peyrefitte, Fuchs, Mourlot, e muitos outros, foi a de fomentar a cooperação entre Europa e América, entre Alemanha e Estados Unidos, nos campos da arte e ciência, por amizade, respeito mútuo e um melhor entendimento. Nesta ocasião, um portfólio, “Salute America”, foi publicado com textos de Ronald Reagan, Helmut Kohl, George Bush e Karl Carstens, junto de muitas litografias criadas por Arno Breker, como um gesto de continuar os ideais de amizade, liberdade e justiça.


Detalhe de “Prometeu”

“Eu temia que não pudesse encontrá-lo”, foram as primeiras palavras do frágil artista, que estava se recuperando após um recente implante de ponte de safena, na hora em que me abraçava. Suas boas vindas calorosas e sinceras, bem como a hospitalidade de sua esposa, Charlotte, fizeram com que desaparecesse minha ansiedade inicial. Ele estava tocado e emocionado com os presentes que eu lhe havia trazido de seus amigos da América – alguns do solo americano e um chapéu de guerra de um chefe indígena, que foi feito especialmente para ele por um Sioux Indígena cheio de sangue. Conversamos então sobre sua arte e vida, sobre seus ideais e planos para o futuro. Ele lembrou de seus amigos artistas e seus modelos. Muitos dos seus bustos estavam à nossa volta, enquanto conversávamos no seu atelier.


Arno Breker contempla a escultura de Salvador Dalí, o qual, segundo León Degrelle, teria sido expulso do Partido Comunista espanhol ao ter admitido sua admiração por Hitler

Ali estavam Konrad Adenauer, Ludwig Erhard, Salvador Dali, Gerhard Hauptmann, Ezra Pound, Ernst Jünger e Roger Peyrefitte, assim como Alexandre o Grande e Richard Wagner. Durante sua vivência, Breker encontrou tanto pessoas conhecidas como desconhecidas, cuja natureza e comportamentos fascinavam-no, para quem ele confessou ser melhor ser imortalizado em bronze. Respondendo a minha pergunta sobre o que tais pessoas tinham em comum, Breker afirmou: “Minha experiência em criar retratos foi em grande parte confirmado por diversas vezes que a grandeza real humana e seu renome estão de mãos dadas com a habilidade, humildade, preparo para servir, modéstia, preparo para o sacrifício, diligência e fé no futuro”.

No curso daquela tarde, fui convidado para me dirigir ao atelier do mestre. E ali estava sua última obra de arte: “A decathele”, Jürgen Hingsen, o qual eu havia distintamente lembrado na medida em que ele corria na vitória no estádio de Los Angeles, levantando uma bandeira alemã, depois de ganhar a medalha de bronze no decatlon, durante os jogos olímpicos. A maravilhosa escultura desse Hércules Alemão é verdadeiramente inesquecível: captura um momento em que imediatamente se segue seu grito de vitória, o atleta veloz eleva suas mãos em direção aos céus e abre seus braços em uma pose de gratidão e felicidade. Sem humildade, ele eleva sua cabeça e olha adiante, seu poderoso corpo é aberto e expressivo. A beleza do corpo humano, que Breker foi abençoado com o talento em retratar com perfeição, não origina a imaginação do artista. Modelos reais são sempre usados para importantes obras de Breker, modelos que ele próprio escolhe. E para Breker, os atletas são os melhores modelos para a escultura.


Breker recebeu de braços abertos a inúmeros artistas estrangeiros em seu atelier, como no caso dos artistas franceses retratados acima

Isso se faz verdade uma vez mais com sua escultura mais recente, “O salteador”, para a qual a “moça dourada”, Ulrike Meyfarth, pousou. Meyfarth conseguiu o incrível fato de ter vencido as medalhas de ouro do salto em altura por duas vezes, em 12 anos. Em direto contraste com o gesto de vitória de decathele, essa escultura mostra a atleta imediatamente diante da competição. A altura, slender figura virtualmente personifica graça e auto-confiança. Todos estes elementos estão combinados. Com o seu braço direito elevado em um gesto de gratidão aos observadores, a boca slighty aberta, e as pernas posicionadas como se estivesse prestes a correr e saltar, e então sente o quieto, a auto-confiança de um atleta que, completamente distante do stress de competição, está totalmente sob controle de mente e corpo, e, portanto, invencível.

E assim, com cada uma de suas novas criações, Arno Breker continua a falar conosco silenciosamente, sem palavras. Ainda que sua linguagem se choque profundamente com a alma e a acorda para o reconhecimento de uma harmonia infinita. Diante de seus modelos, homens ou mulheres, Breker transcende para encontrar sua imagem na realidade da interpretação espiritual. Ao retratar o que é visível, ele captura a essência do que é real e eterno e que herda os valores do Grande Homem. Nunca contentado em limitar seu trabalho à reprodução somente do que os olhos físicos contemplam, Breker infusa em suas criações algo dos princípios eternos através do que o homem aspira.

“Sou escultor do corpo humano, em sua perfeita harmonia com a tríade do corpo, espírito e alma” – assim é o credo de Breker. Este homem, que é tão velho quanto novo nesse século, nunca deixou de glorificar a imagem do homem. E assim suas virtudes de lealdade, honra, perseverança e fé asseguraram a Breker, entre tantos outros escultores do século 20, o título de um verdadeiro “guardião da imagem do homem”.


Breker, o Michelangelo do III Reich, guardião da imagem do homem

Como Breker vê os americanos e a obra da sociedade que carrega o seu nome na América? Esta mensagem é a sua mensagem para o povo americano, em especial para as novas gerações, que ele entende como um grande tesouro e um futuro: “O povo americano é a continuação do desenvolvimento europeu. E nós, na Europa, somos irmãos de vocês. Uma vasta maioria de americanos ainda têm nos dias de hoje suas raízes nos países da Europa. E eu espero que no novo século vindouro chegue uma nova dimensão do pensamento irá chegar, o que é dizer, somos todos criaturas dessa terra. Isto, no entanto, não irá inibir o desenvolvimento das características nacionais e talentos e individualidades de diferentes raças. A Sociedade Internacional Arno Breker deve ter a função de estabelecer uma ponte entre Europa e América. A questão da nacionalidade não se eleva mais como nos velhos dias. Melhor, existe uma singularidade de espírito, uma comunidade em propor os mesmos ideais e metas”.

E ainda que estejamos separados novamente por milhares quando seu aniversário ocorre em 19 de Julho, estamos consigo em espírito. Esta data me inclina para estar junto de si, de seu circulo de amigos, honrando-o como um grande artista, um grande alemão, e desejando-lhe, de todo meu coração, muitos anos vindouros.

B. John Zavrel

Presidente da Sociedade Internacional Arno Breker

Fonte: Arno Breker: Divine Beauty in Art

sexta-feira, 28 de março de 2025

BUNKER DA CULTURA WEB TV


ESTAMOS CHEGANDO! DIA 05/04 EM CARATER DEFITIVO!!!!!
BUNKER DA CULTURA WEB TV - www.iblups.com/bunkerdacultura


 

Quem deve levar a culpa pela recessão que está por vir?

 Recentemente, o Presidente Trump ganhou as manchetes por se recusar, em duas ocasiões, a descartar a possibilidade de os EUA sofrerem uma recessão este ano. Os comentários foram feitos dias depois que o Fed de Atlanta anunciou que agora projeta uma queda de quase -3% no PIB no primeiro trimestre deste ano.

Esses acontecimentos, juntamente com o recente declínio do mercado de ações desencadeado pela reação do mercado aos planos tarifários de Trump, fizeram com que muitos oponentes políticos do presidente se juntassem a figuras do establishment midiático para causar o temor por uma iminente “Trumpcession” [como seria chamada uma recessão supostamente causada por Trump, em inglês].

É comum sentir a tentação de olhar para as últimas décadas de intervenções governamentais na economia e tentar enquadrar o establishment político de Washington dentro de alguma escola de pensamento econômico. Eles poderiam ser keynesianos ou monetaristas, neoliberais da Escola de Chicago ou adeptos iniciantes da Teoria Monetária Moderna.

Na realidade, o establishment político não segue uma filosofia econômica consistente. Não possuem uma explicação única e coerente para fenômenos como inflação ou recessões. E, ao não se comprometerem com uma explicação clara para essas crises econômicas, as figuras do establishment ficam livres para adotar qualquer justificativa que lhes pareça mais conveniente no momento em que tudo começa a desmoronar.

A Grande Depressão é atribuída a Herbert Hoover, que teria insistido cegamente em equilibrar o orçamento em meio a uma recessão severa. A Grande Recessão de 2008, dizem, aconteceu devido à falta de regulamentação adequada do setor financeiro por parte do governo. Já a recessão causada pela Covid-19 em 2020 teria ocorrido porque Donald Trump não restringiu nossas liberdades de forma rigorosa o suficiente para conter a pandemia, nem imprimiu e gastou dinheiro em volume suficiente para manter a economia funcionando normalmente.

Nenhuma dessas explicações chega perto de esclarecer como toda a economia se retraiu ao mesmo tempo. Mas todas elas servem para justificar a concessão de mais dinheiro e poder ao governo, razão pela qual acabam se tornando a narrativa oficial dominante.

Ainda é cedo para dizer se os indicadores oficiais apontarão que estamos, de fato, em uma recessão. No entanto, a reação observada recentemente diante dessa possibilidade revelou claramente qual será a narrativa que o establishment político pretende adotar assim que a recessão for oficialmente declarada.

Eles dirão que tudo estava indo muito bem depois que Biden assumiu e “fortaleceu” o governo federal para resgatar a economia do terrível primeiro mandato de Trump. Apontarão para os indicadores oficiais de crescimento econômico e do emprego divulgados sob Biden e celebrarão a conquista de uma “economia historicamente forte” — mesmo que, como nos disseram [7] na época, as pessoas que realmente viveram esse período fossem burras demais para entender o quão boa era a situação.

Então, Donald Trump voltou e desencadeou o caos com cortes insensíveis em programas do governo e tarifas sufocantes. E, em um esforço imprudente para enriquecer ainda mais seus amigos bilionários, ele afundou toda a economia americana.

O início do mês nos mostrou que a grande mídia está pronta para empurrar agressivamente essa narrativa assim que o limiar oficial da recessão for atingido.

A lição será, mais uma vez, que a economia entrou em colapso porque alguns políticos rebeldes fizeram coisas que o establishment político não aprova. Mas, assim como acontece com a explicação oficial das recessões anteriores, essa também será uma grande bobagem.

Cortar programas do governo é, por natureza, algo muito difícil de fazer sem causar algum caos econômico. E tarifas realmente são impostos destrutivos que são ruins para praticamente todo mundo no país. Mas nenhuma dessas coisas pode, sozinha, gerar o tipo de desaceleração econômica abrangente que define uma recessão.

Só existe uma coisa capaz de causar isso: a expansão artificial do crédito.



Quando novos fundos emprestáveis, que não são baseados em poupança real, entram na economia, toda a estrutura de produção é distorcida, incentivando projetos que não podem ser concluídos com os recursos disponíveis e que não estão alinhados com o que os consumidores realmente desejam. A produção é inflada além do que pode ser sustentado na prática, o que exige uma correção generalizada da economia. Isso é uma recessão.

Quem mais promove esse processo, de forma ampla e eficaz, são os cartéis bancários - também conhecidos como bancos centrais. Esse mecanismo beneficia os grandes bancos, funcionários do governo e empresas com conexões políticas, às custas de praticamente todo o resto da economia. E é um ciclo que a classe política americana mantém há décadas por meio do seu banco central, o Federal Reserve.

Quando a próxima recessão chegar - supondo que já não estejamos nela há anos -, a causa será a enorme expansão do crédito que ocorreu desde a Grande Recessão, sob Obama, Trump e Biden.

Isso não se encaixa bem no jogo simplista de culpa partidária que o establishment prefere que a gente jogue sempre que algo ruim acontece na economia. Mas essa é a verdade.

Não caia nessa quando os mesmos que estão no poder há décadas tentarem vender a próxima recessão, mais uma vez, como consequência de ainda não terem poder suficiente.

 Connor O’Keeffe

quarta-feira, 26 de março de 2025

Da politização do dinheiro aos perigos da CBDC

 Que o estado (ou uma associação de estados, como no caso do Sistema Monetário Europeu) precise de seu próprio banco central é um dos muitos mitos que circulam para justificar a necessidade de um estado. Em vez disso, o dinheiro do estado serve para fornecer ao estado receita adicional e controlar a economia e a sociedade.



Ao declarar um determinado dinheiro – seja o marco alemão no passado ou o euro hoje – como uma "moeda legal", o estado cria outra fonte de receita. A produção de uma nota, quer diga cinco ou 500 euros, custa menos de dez centavos; a produção eletrônica de moeda do banco central não custa praticamente nada.

Na Alemanha Ocidental, o "Bank deutscher Länder" (mais tarde "Bundesbank") foi fundado em 1948. A lei que criou o banco central alemão obrigou a política monetária a buscar a "estabilidade do nível de preços". No entanto, essa cláusula não impediu que a inflação e a estagflação ocorressem na Alemanha no final dos anos 1960 e 1970.

Uma moeda comum foi introduzida na Europa em 1999, e os estatutos que regem o estabelecimento do Banco Central Europeu (BCE) exigiam "autonomia" máxima e uma prioridade clara em favor da "estabilidade de preços" da política monetária. Por alguns anos, isso pareceu funcionar bem. Mas, enquanto isso, não apenas o obstáculo da taxa de inflação de dois por cento está sendo constantemente ultrapassado, mas a liderança do BCE está completamente sujeita à vontade política – a ponto de adotar até mesmo a agenda verde.

O balanço patrimonial do banco central moderno é sombrio. Mesmo se deixarmos de lado catástrofes econômicas e, consequentemente, sociais como a da inflação de Weimar e tomarmos apenas a feliz história dos EUA como prova, podemos ver que o país, com seu banco central bem posicionado, experimentou mais de dez anos de depressão, vários surtos de inflação e mais de uma década de estagflação. O dólar americano perdeu cerca de 95% de seu poder de compra desde a criação do Sistema de Reserva Federal (Federal Reserve System).

A política monetária sofre das mesmas falhas que qualquer política econômica centralizada e, como outras políticas econômicas centralizadas, a política monetária falhará repetidas vezes. Um obstáculo intransponível é o problema da complexidade. No setor privado, a complexidade do tamanho da empresa é um limite. Quanto maior for uma empresa, mais os dados precisam ser compactados, de modo que perdem o significado e se tornam inúteis como auxílio à tomada de decisões. Para a política monetária, que atua como uma autoridade central de planejamento quando se trata de dinheiro e taxa de juros, a desvalorização dos dados é óbvia. Agregados como o produto interno bruto e a taxa de inflação escondem mais do que revelam. O fato de uma economia ter alto crescimento econômico e uma taxa de inflação moderada não significa automaticamente "estabilidade".

Em vez de suavizar os ciclos econômicos, eles são reforçados pela política monetária. Os bancos centrais não apenas intensificam os altos e baixos da economia, mas suas políticas também são um fator importante no boom e na queda do mercado de ações. Se o banco central definir sua taxa de juros muito baixa em comparação com a taxa de juros do mercado livre, ele aumentará artificialmente os preços de títulos, ações e imóveis. Se a política monetária tiver que aumentar as taxas de juros por causa da tendência inflacionária emergente, os preços dos títulos caem e as outras formas de investimento ficam sob pressão. O boom é seguido por vários mini-crashes, até finalmente chegar o mega crash.

Até o final de 1913, os Estados Unidos não tinham banco central, mas um brilhante desenvolvimento econômico. Foi só em 1914 que o Sistema de Reserva Federal dos EUA foi criado e imediatamente preparado para criar as condições monetárias para financiar a entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial, como o banco central fez na Segunda Guerra Mundial e em muitos outros conflitos militares que se seguiram. Na Europa, a primeira consequência do início da Primeira Guerra Mundial foi abandonar o padrão-ouro, transformando assim os bancos centrais em instrumentos diretos de governo e politizando o sistema monetário.

Na década de 1920, a política monetária do Fed criou um enorme boom econômico que abriu as portas para a Grande Depressão. Na Europa, o Deutsche Reichsbank produziu hiperinflação em 1923. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra tentou em vão tirar o país de uma recessão prolongada. Na década de 1930, o aprofundamento da Grande Depressão levou o Federal Reserve dos EUA a inflar o sistema novamente, mas sem sucesso. No início da década de 1930, o domínio político sobre o banco central estava completo. Independentemente do grau de totalitarismo, a politização do dinheiro abrangeu bancos centrais de Moscou a Berlim e de Paris a Washington e Tóquio.

Após a Segunda Guerra Mundial, houve um breve período em que o chamado sistema de Bretton Woods estava firmemente enraizado: com a introdução de uma paridade do dólar americano com o ouro e um sistema de taxas de câmbio fixas para seus países membros. Mas na década de 1960, o keynesianismo se tornou a doutrina dominante do banco central. O governo dos Estados Unidos ignorou seu compromisso de limitar a emissão de dólares ao tamanho de suas reservas de ouro, e o Federal Reserve não interrompeu a expansão da oferta monetária, o que levou diretamente a uma década de inflação e, posteriormente, à estagflação global da década de 1970.

Desde então, os EUA estão tão endividados que a confiança no dólar está diminuindo. A busca por alternativas está em andamento.

Embora as novas tecnologias nas mãos do estado representem uma imensa ameaça à liberdade e à prosperidade, elas abrem muitas oportunidades para o dinheiro privado no sistema monetário. Com base na tecnologia blockchain, novas possibilidades de sistemas monetários privados estão se abrindo. Em condições de livre mercado, após uma fase de experimentação, surgiria uma estrutura viável para o sistema monetário no interesse dos clientes.

Em vez disso, os bancos centrais agora planejam introduzir moedas digitais do banco central (CBDC). Os planos preveem a abolição completa do dinheiro e a realização de todas as transações monetárias por meio do banco central. Como resultado, todos seriam não apenas transparentes, mas também diretamente controláveis, porque os pontos para o sistema de crédito social podem ser registrados detalhadamente por meio das transações monetárias e, com o bloqueio de sua conta, qualquer cidadão pode ser excluído da participação econômica em pouco tempo. 

Dinheiro do estado significa inflação. Devido à inflação monetária, o estado como produtor de dinheiro ganha mais quando mais dinheiro do banco central está em circulação. A inflação também elimina as dívidas do estado e, mesmo com a hiperinflação, o cidadão geralmente percebe tarde demais sua espoliação pelo estado. A desnacionalização do sistema monetário é necessária para evitar o roubo silencioso do cidadão pelo estado por meio da produção de dinheiro estatal. A despolitização do dinheiro também representa um passo decisivo para deter a ameaça do despotismo por meio do dinheiro digital do banco central.


Por Antony Mueller

terça-feira, 25 de março de 2025

Como tirar a riqueza dos ricos sem a sanha socialista da redistribuição

 


É cada vez maior o número pessoas que diz que a solução para o fim definitivo da pobreza está na tributação pesada dos mais ricos.  O fato de haver vários indivíduos com milhões, algumas vezes bilhões, em suas contas bancárias é algo que enlouquece muita gente, especialmente políticos.  Populistas imaginam que estes ricos não fazem absolutamente nada na vida a não ser amontoar dinheiro, contá-lo gostosamente e gargalhar sadicamente ao pensarem nas vantagens que possuem sobre o resto da humanidade.

Sendo assim, munidos de tais imagens mentais, os ativistas da redistribuição de renda propõem vários esquemas para separar, à força, os ricos de seu dinheiro, sempre utilizando o poder da violência governamental.  Trata-se de uma abordagem brutal que envolve um pesado uso da coerção estatal contra pessoas.  Se você acredita na paz, como vários ativistas de esquerda alegam, então tal postura não pode ser defendida.  Violência produz apenas mais violência, e nunca é uma solução.

O outro problema com a tributação -- e este, por si só, deveria bastar para fazer com que a esquerda abandonasse em definitivo a defesa deste método -- é que o dinheiro confiscado é transferido para o próprio estado -- a mesma instituição que suprime a liberdade de expressão, joga as pessoas na cadeia pelo uso de drogas e intimida vários tipos de associação voluntária e consensual entre dois indivíduos.  Não é algo muito esperto tomar dinheiro daqueles que usam sapatos lustrados e transferir para aqueles que usam botas militares.

Certamente tem de haver uma maneira melhor, mais inteligente e mais pacífica de se retirar dinheiro das mãos dos ricos e transferi-lo para as mãos da classe média e dos pobres.  E eu tenho a solução perfeita.

Ela me veio recentemente, quando eu estava caminhando por uma rua da cidade e vi um Rolls-Royce Phantom, estacionado onde qualquer carro normal estacionaria.  Carros absurdamente ostentosos e pomposos podem ser incríveis em termos de luxo e desempenho, mas custam mais de US$320.000.

Inacreditável!  Por que alguém iria querer comprar isso?  O proprietário deste carro poderia ter gasto uma minúscula fração deste valor em um carro bem mais simples (como o meu), suficiente para levá-lo do ponto A ao ponto B; mas, em vez disso, e por razões que ninguém pode realmente explicar, esta pessoa decidiu se desfazer de uma quantia equivalente a vários anos da renda de um trabalhador médio -- tudo por um carro.

O ponto a ser enfatizado aqui é que esta pessoa abriu mão de seu dinheiro.  E onde este dinheiro foi parar?  Ele foi para as pessoas que venderam o carro, para as pessoas que construíram o carro, para as que transportaram o carro e para as que forneceram equipamentos para o carro.  Mas não pára por aí.  O dinheiro foi também para os trabalhadores da indústria de borracha que fizeram os pneus e para os trabalhadores nas siderúrgicas que fizeram o material da luxuosa carroceria.

Ou seja, o dinheiro foi do rico para todo o resto, e ninguém teve de ameaçá-lo de morte, de cadeia ou de espancamento para que isso acontecesse.  Aqueles que receberam o dinheiro não tiveram de fazer lobby por ele, não tiveram de tributar e nem coagir ninguém.  O cara rico abriu mão do dinheiro voluntariamente!  Logo, parece que estamos chegando a alguma conclusão aqui.

Os ricos são um grupo interessante.  Eles gostam de se destacar por meio de atos e posses que o resto de nós considera como apenas absurdas ostentações.  Se não houver coisas com as quais os ricos possam gastar seu dinheiro esbanjadoramente, eles irão apenas entesourar este dinheiro, enviá-lo a um paraíso fiscal ou depositá-lo em obscuros fundos mútuos de outros países.

Thorstein Veblen entendeu tudo às avessas.  As pessoas que se ressentem da riqueza das elites não deveriam de modo algum condenar seu consumo excessivo.  Elas deveriam, ao contrário, encorajar cada vez mais seu consumismo.  A solução é ter uma sociedade que apresente uma vasta proliferação de luxos excepcionalmente caros nos quais os ricos possam gastar seu dinheiro.  Este é o caminho para a expropriação voluntária e para uma eficaz redistribuição de renda -- deles para o resto de nós, do 1% para os 99%.

Considere, por exemplo, uma passagem de primeira classe de um avião.  Para alguns vôos, o preço desta passagem é de quebrar a banca.  Para compras de última hora em alguns vôos internacionais, uma passagem desta pode custar até US$15.000.  E o que este passageiro ganha em troca?  Ele será servido por uma comissária de bordo que acha que ele é o máximo, terá vários drinques à sua disposição e um espaço extra para as pernas.  Mas chegará ao mesmo destino dos passageiros que estão na classe econômica.  Em troca desse pouco, este passageiro rico transferiu milhares de dólares de sua conta bancária para as contas bancárias dos pilotos, dos comissários de bordo, dos operadores de bagagens, dos funcionários que comandam a burocracia da empresa aérea, dos mecânicos da empresa aérea, dos responsáveis pelo abastecimento nos aeroportos, e de todos os demais envolvidos na operação do voo.  Outro detalhe adicional, do qual poucos parecem se dar conta, é que são justamente os altos valores pagos pelos passageiros da primeira classe e da classe executiva que permitem preços mais baratos para a passagem da classe econômica.

O mesmo raciocínio se aplica a hotéis de luxo.  Para mim, um hotel é apenas um local para se dormir quando se está em outra cidade.  Porém, há toda uma classe de hotéis de luxo voltados para fornecer a seus hóspedes momentos inesquecíveis pelo período de tempo em que ficarem ali.  Há hotéis com spas, saunas, piscinas, salas de ginástica, vários tipos de restaurante, bares em todos os cantos, bibliotecas, campos de golfe, espaços para caminhadas, salões de dança e mais luxos do que você seria capaz de usar durante todo o ano.  Estes hotéis chegam a cobrar milhares de dólares por apenas uma noite.

Eu não entendo muito bem a lógica de se fornecer tudo isso, mas vários indivíduos pertencentes ao 1% dos mais ricos mantêm estes lugares sempre cheios.  E isso é ótimo!  O dinheiro deles sai de seus bolsos diretamente para as mãos de recepcionistas, garçons, limpadores de piscina, porteiros, arrumadeiras, cozinheiros, limpadores de chão, pedreiros, operários que fazem reparos em instalações, e todos os outros tipos de profissões puramente manuais que você for capaz de imaginar.

Precisamos de muito mais de tudo isso.  Veja o campeonato mundial de iatismo.  Trata-se de algo absurdamente caro apenas para participar.  Os iates podem custar mais de US$5 milhões.  Apenas a manutenção eleva este valor alguns milhões a mais.  Tal coisa seria absolutamente impensável para a esmagadora maioria dos mortais.  No entanto, os ricos fazem tudo isso, e voluntariamente transferem sua riqueza diretamente para os menos abonados de todas as posições sociais e profissionais.  Principalmente se você considerar toda a atenção dada pela mídia e toda a badalação que ocorre nas redondezas, há centenas de milhares de pessoas que se beneficiam desta extravagância dos ricos.

O que é especialmente louvável neste comportamento dos ricos é que, todos os produtos que eles inicialmente adquirem antes do resto da humanidade, um dia se tornam amplamente disponíveis para todo o mundo, desde que, é claro, a economia de mercado esteja funcionando livremente.  Na década de 1980, um celular era o supra-sumo do luxo.  Hoje, celulares estão disponíveis para todos os pobres do mundo.  O mesmo é válido para computadores.  Eu carrego em meu bolso mais memória RAM e HD do que havia disponível, em conjunto, para os mais ricos e poderosos do mundo duas décadas atrás.

Os ricos são aquilo que chamamos de 'adotantes primários'.  Eles são os primeiros a adotar toda e qualquer tecnologia que surge.  Com o tempo, aquilo que era luxo se torna algo corriqueiro para o resto de nós.  Produtos que antes estavam disponíveis apenas em lojas exclusivas e chiques, daquelas que você tem de marcar hora para poder entrar, acabam nas prateleiras de shoppings populares alguns anos depois.  Os ricos desbravam as novidades, fazendo todo o serviço antes de nós.  Desta forma, eles são os benfeitores da sociedade.

Se quisermos espoliar os ricos de seu dinheiro, temos apenas de criar cada vez mais oportunidades para que eles possam esbanjar milhões, até bilhões, em objetos e serviços que você e eu jamais sonharíamos adquirir.  Precisamos de mais luxo, de mais fausto, de mais magnificência, de mais consumo conspícuo dos ricos, de mais bens e serviços tentadores, exagerados e exorbitantes que incitem os ricos a abrir mão do seu dinheiro.

Porém, é claro que, se quisermos tudo isso, teremos também de ter produtores capazes de fabricar estas coisas e vendê-las para os ricos.  Isto significa uma sociedade trabalhadora, poupadora, acumuladora de capital e investidora.  E isto, por sua vez, significa que não se deve punir o investimento e a acumulação de capital, nem tampouco criar impostos punitivos sobre as receitas geradas por aqueles investimentos voltados para os ricos.  Impostos sobre a renda têm de ser zerados, assim como sobre bens de luxo.  Quaisquer medidas que desestimulem a produção e a venda de bens de luxo têm de ser repelidas caso realmente se queira esvaziar os bolsos dos milionários.

Igualmente, é também preciso acabar com esta crescente ideia de que os ricos devem dar todo o seu dinheiro para amplas e dispersas instituições de caridade.  A quem isto realmente beneficia?  É difícil saber, mas certamente há organizações sem fins lucrativos que não fazem aquilo que alegam estar fazendo.  Um caminho muito melhor seria estimular os ricos a enriquecerem o máximo possível e, depois, saírem gastando desmesuradamente por coisas que, no final, irão beneficiar a todos nós.

Os ricos não levarão seu dinheiro para a cova.  O mercado é a melhor, mais eficiente e mais pacífica maneira de fazer com que toda a riqueza seja distribuída para o resto do mundo.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Brasil a luz da historia mundial, por Marlon Adami


 

Cioran sobre Hitler

 

Emil Cioran

Nenhum político no mundo hoje inspira tanta simpatia e admiração em mim quanto Hitler. Há algo de irresistível no destino deste homem, para quem todo ato da vida tem significância apenas por sua participação simbólica no destino histórico de uma nação. Pois Hitler é um homem que não tem o que se chama de vida privada. Desde a guerra, sua vida é uma abnegação e um sacrifício. O estilo de vida de um político adquire profundidade apenas quando o desejo pelo poder e a vontade imperialista de conquistar estão acompanhados por uma grande capacidade de abnegação.

A mística do Führer na Alemanha é perfeitamente justificada. Até mesmo aqueles que se consideram adversários apaixonados de Hitler, e que dizem odiá-lo, são levados pela fluidez de sua mística que erigiu sua personalidade em um mito. Durante a conspiração de Röhm, quando nada oficial se sabia ainda, ouvi tantas pessoas que, na véspera, criticavam Hitler sem reservas, exclamando: “tenhamos esperança de que nada tenha acontecido com ele!”

Seus discursos são marcados por um pathos e um frenesi que apenas as visões de um espírito profético pode alcançar. Goebbels é mais refinado, mais sutil, tem uma ironia mais discreta, tem gestos nuanciados e toda uma aparência de um muito refinado e habilidoso intelectual, mas ele não é capaz das vulcânicas e torrenciais explosões que te privam de teu espírito crítico. O mérito de Hitler foi ter despojado uma nação de seu espírito crítico. Pode-se dinamizar algo, pode-se criar efervescência apenas enquanto se privar os homens daquela liberdade que é sua distância entre uns e outros e entre si mesmo [entre eux et soi]. A fecundidade de uma visão é revelada apenas por sua habilidade para seduzir. Ser capaz de acusar de irresponsabilidade aqueles que escolheram outro caminho, eis o destino dramático e a responsabilidade de um visionário, um ditador e um profeta.

Com Hitler, a habilidade de seduzir é tanto mais impressionante naquilo que não é assistido pelo charme de uma fisionomia expressiva. Seu rosto nunca expressou nada mais do que energia e tristeza. Porque deve-se apenas saber: Hitler é uma pessoa triste. Esta tristeza deriva de demasiada seriedade. Isto caracteriza todo o povo germânico, um povo desesperadamente sério, comparadas com o qual as nações latinas são de algazarra.

Tive a oportunidade de testemunhar um dia, em Berlim, um tipo de êxtase coletivo diante do Führer. Durante uma celebração, no momento em que Hitler estava passando no Unter den Linden, a população se precipitou e circundou seu carro, sem ser capaz de pronunciar uma única palavra, paralisada. Hitler é tão enraizado na consciência germânica que deveria ser um grande desapontamento para as pessoas terem que deixar adorá-lo. É perfeitamente curioso ver que Hitler ganhou ainda mais confiança da nação depois da crise recente do partido.

Aqueles que falam reservas sobre ele fazem menção à sua “falta de cultura”. Como se, para liderar uma nação, fosse necessário citar Goethe a cada discurso! O que importa é uma infinita vibração da alma, uma absoluta vontade de realização na história, uma intensa exaltação ao absurdo, um élan irracional ao sacrifício da própria vida. Admitamos que, nas ditaduras da Europa hoje esta grande tensão está presente. É necessário se tornar um poder. Nós devemos também seriamente nos questionar se nações pequenas podem avançar sem recorrer [passer par] à ditadura.

É igualmente verdadeiro que as ditaduras representam as crises do espírito. Cada uma marca um vazio no progresso histórico da cultura. Um justo número de Nacional Socialistas concede isto. Carência de universalidade, eis o problema da cultura germânica. E o Nacional-Socialismo fez até mesmo a ilusão de uma universalidade desaparecer. Julgando-a de um ponto de vista estrito, é um movimento de uma magnitude espantosa. Um dinamismo extraordinário dimensionou a nação e imprimiu sobre ela um ritmo de intensidade inaudível. Em apenas um ano, o Nacional-Socialismo criou mais que o Fascismo em dez. Mussolini é talvez mais prendado que Hitler, mas não esqueçamos que Hitler lutou mais, que ele encontrou dificuldades incomparáveis, e que o destino da Alemanha é infinitamente mais complexo e dramático que o da Itália. Uma genuína tragédia social está acontecendo na Alemanha: nas atuais condições, é humanamente impossível derrotar o desemprego. A tensão nacional é tão grande que, dada a impossibilidade de trazer soluções imediatas e concretas para muitos problemas insondáveis no momento, persiste-se em uma atmosfera de “dinâmica perpétua” cujos perigos foram realçados por [Vice Chanceler Franz] von Papen em seu discurso de Marburg, uma dura crítica ao regime feita em nome da oposição católica.

A oposição dos católicos é inegavelmente grande. O papa, tendo proibido os jovens católicos de se unir à Juventude Hitlerista (Hitler-Jugend), a pressão hitlerista e as reações levaram a sérios conflitos com os católicos. Os bávaros, que são fortemente católicos praticantes, não hesitariam um instante se eles tivessem que escolher entre sua fé e o Nacional-Socialismo.

Mas Hitler significa mais para o povo germânico do que não-sei-que papa que se envolve em assuntos internos de um povo em nome de uma cristandade trivializada pela política e chamada de catolicismo.

Hitler apaixonadamente incendiou as lutas políticas e dinamizou por uma inspiração messiânica todo um domínio de valores que o racionalismo democrático tornou chato e trivial. Nós todos precisamos de um místico, pois estamos todos cansados de tantas verdades que não estouram das chamas.

Munique, 4 de julho, 1934.

Emil Cioran, Apologie de la Barbarie: Berlin-Bucarest (1932–1941) (Paris: L’Herne, 2015), “Hitler dans la conscience allemande,” 129–33. Primeiramente publicado em Vremea, 15 de julho, 1934.