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segunda-feira, 31 de março de 2025

Brecker, o Michelangelo do III Reich

 

“Sou escultor do corpo humano, em sua perfeita harmonia com a tríade do corpo, espírito e alma” – assim é o credo de Breker. Este homem, que é tão velho quanto novo nesse século, nunca deixou de glorificar a imagem do homem. E assim suas virtudes de lealdade, honra, perseverança e fé asseguraram a Breker, entre tantos outros escultores do século 20, o título de um verdadeiro “guardião da imagem do homem”.

Arno Breker, o escultor oficial do III Reich

Constantemente meus pensamentos voam para uma tarde memorável, quando me encontrei pela primeira vez com Arno Breker. O longo vôo que cruzava o Atlântico, vindo da América de volta para Europa, a terra dos meus antepassados, me levou à morada de Breker, próxima do aeroporto de Düsseldorf. E enquanto dirigíamos pela Autobahn que dava de encontro com sua casa, seu Prometeu, Deus que deu o fogo divino e a cultura para a humanidade, nos saúda com sua tocha flamejante. Como o antigo personagem mitológico, Breker nos trouxe fogo e luz, e então teve de aceitar a mesma condição de sofrimento vivida por Prometeu. Consiste em um milagre perceber que um mundo tão difícil, repleto de guerras, revoluções e catástrofes das mais diversas, falhou em desencorajar o gênio de Breker e sua crença na divindade da humanidade, bem como em seu futuro.

Os eventos corriam ao nosso encontro através de minha mente, na medida em que chegávamos à casa do mestre em silêncio. Há não muito, o Presidente americano Ronald Reagan havia comemorado, em 1983, o aniversário de 300 anos da imigração alemã para a América, e isto resultou na criação da Sociedade Internacional Arno Breker, nos Estados Unidos, na qual fui o primeiro Presidente. O objetivo principal dessa sociedade cultural, que foi criada em cooperação com artistas como Dali, Peyrefitte, Fuchs, Mourlot, e muitos outros, foi a de fomentar a cooperação entre Europa e América, entre Alemanha e Estados Unidos, nos campos da arte e ciência, por amizade, respeito mútuo e um melhor entendimento. Nesta ocasião, um portfólio, “Salute America”, foi publicado com textos de Ronald Reagan, Helmut Kohl, George Bush e Karl Carstens, junto de muitas litografias criadas por Arno Breker, como um gesto de continuar os ideais de amizade, liberdade e justiça.


Detalhe de “Prometeu”

“Eu temia que não pudesse encontrá-lo”, foram as primeiras palavras do frágil artista, que estava se recuperando após um recente implante de ponte de safena, na hora em que me abraçava. Suas boas vindas calorosas e sinceras, bem como a hospitalidade de sua esposa, Charlotte, fizeram com que desaparecesse minha ansiedade inicial. Ele estava tocado e emocionado com os presentes que eu lhe havia trazido de seus amigos da América – alguns do solo americano e um chapéu de guerra de um chefe indígena, que foi feito especialmente para ele por um Sioux Indígena cheio de sangue. Conversamos então sobre sua arte e vida, sobre seus ideais e planos para o futuro. Ele lembrou de seus amigos artistas e seus modelos. Muitos dos seus bustos estavam à nossa volta, enquanto conversávamos no seu atelier.


Arno Breker contempla a escultura de Salvador Dalí, o qual, segundo León Degrelle, teria sido expulso do Partido Comunista espanhol ao ter admitido sua admiração por Hitler

Ali estavam Konrad Adenauer, Ludwig Erhard, Salvador Dali, Gerhard Hauptmann, Ezra Pound, Ernst Jünger e Roger Peyrefitte, assim como Alexandre o Grande e Richard Wagner. Durante sua vivência, Breker encontrou tanto pessoas conhecidas como desconhecidas, cuja natureza e comportamentos fascinavam-no, para quem ele confessou ser melhor ser imortalizado em bronze. Respondendo a minha pergunta sobre o que tais pessoas tinham em comum, Breker afirmou: “Minha experiência em criar retratos foi em grande parte confirmado por diversas vezes que a grandeza real humana e seu renome estão de mãos dadas com a habilidade, humildade, preparo para servir, modéstia, preparo para o sacrifício, diligência e fé no futuro”.

No curso daquela tarde, fui convidado para me dirigir ao atelier do mestre. E ali estava sua última obra de arte: “A decathele”, Jürgen Hingsen, o qual eu havia distintamente lembrado na medida em que ele corria na vitória no estádio de Los Angeles, levantando uma bandeira alemã, depois de ganhar a medalha de bronze no decatlon, durante os jogos olímpicos. A maravilhosa escultura desse Hércules Alemão é verdadeiramente inesquecível: captura um momento em que imediatamente se segue seu grito de vitória, o atleta veloz eleva suas mãos em direção aos céus e abre seus braços em uma pose de gratidão e felicidade. Sem humildade, ele eleva sua cabeça e olha adiante, seu poderoso corpo é aberto e expressivo. A beleza do corpo humano, que Breker foi abençoado com o talento em retratar com perfeição, não origina a imaginação do artista. Modelos reais são sempre usados para importantes obras de Breker, modelos que ele próprio escolhe. E para Breker, os atletas são os melhores modelos para a escultura.


Breker recebeu de braços abertos a inúmeros artistas estrangeiros em seu atelier, como no caso dos artistas franceses retratados acima

Isso se faz verdade uma vez mais com sua escultura mais recente, “O salteador”, para a qual a “moça dourada”, Ulrike Meyfarth, pousou. Meyfarth conseguiu o incrível fato de ter vencido as medalhas de ouro do salto em altura por duas vezes, em 12 anos. Em direto contraste com o gesto de vitória de decathele, essa escultura mostra a atleta imediatamente diante da competição. A altura, slender figura virtualmente personifica graça e auto-confiança. Todos estes elementos estão combinados. Com o seu braço direito elevado em um gesto de gratidão aos observadores, a boca slighty aberta, e as pernas posicionadas como se estivesse prestes a correr e saltar, e então sente o quieto, a auto-confiança de um atleta que, completamente distante do stress de competição, está totalmente sob controle de mente e corpo, e, portanto, invencível.

E assim, com cada uma de suas novas criações, Arno Breker continua a falar conosco silenciosamente, sem palavras. Ainda que sua linguagem se choque profundamente com a alma e a acorda para o reconhecimento de uma harmonia infinita. Diante de seus modelos, homens ou mulheres, Breker transcende para encontrar sua imagem na realidade da interpretação espiritual. Ao retratar o que é visível, ele captura a essência do que é real e eterno e que herda os valores do Grande Homem. Nunca contentado em limitar seu trabalho à reprodução somente do que os olhos físicos contemplam, Breker infusa em suas criações algo dos princípios eternos através do que o homem aspira.

“Sou escultor do corpo humano, em sua perfeita harmonia com a tríade do corpo, espírito e alma” – assim é o credo de Breker. Este homem, que é tão velho quanto novo nesse século, nunca deixou de glorificar a imagem do homem. E assim suas virtudes de lealdade, honra, perseverança e fé asseguraram a Breker, entre tantos outros escultores do século 20, o título de um verdadeiro “guardião da imagem do homem”.


Breker, o Michelangelo do III Reich, guardião da imagem do homem

Como Breker vê os americanos e a obra da sociedade que carrega o seu nome na América? Esta mensagem é a sua mensagem para o povo americano, em especial para as novas gerações, que ele entende como um grande tesouro e um futuro: “O povo americano é a continuação do desenvolvimento europeu. E nós, na Europa, somos irmãos de vocês. Uma vasta maioria de americanos ainda têm nos dias de hoje suas raízes nos países da Europa. E eu espero que no novo século vindouro chegue uma nova dimensão do pensamento irá chegar, o que é dizer, somos todos criaturas dessa terra. Isto, no entanto, não irá inibir o desenvolvimento das características nacionais e talentos e individualidades de diferentes raças. A Sociedade Internacional Arno Breker deve ter a função de estabelecer uma ponte entre Europa e América. A questão da nacionalidade não se eleva mais como nos velhos dias. Melhor, existe uma singularidade de espírito, uma comunidade em propor os mesmos ideais e metas”.

E ainda que estejamos separados novamente por milhares quando seu aniversário ocorre em 19 de Julho, estamos consigo em espírito. Esta data me inclina para estar junto de si, de seu circulo de amigos, honrando-o como um grande artista, um grande alemão, e desejando-lhe, de todo meu coração, muitos anos vindouros.

B. John Zavrel

Presidente da Sociedade Internacional Arno Breker

Fonte: Arno Breker: Divine Beauty in Art

sexta-feira, 28 de março de 2025

BUNKER DA CULTURA WEB TV


ESTAMOS CHEGANDO! DIA 05/04 EM CARATER DEFITIVO!!!!!
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Quem deve levar a culpa pela recessão que está por vir?

 Recentemente, o Presidente Trump ganhou as manchetes por se recusar, em duas ocasiões, a descartar a possibilidade de os EUA sofrerem uma recessão este ano. Os comentários foram feitos dias depois que o Fed de Atlanta anunciou que agora projeta uma queda de quase -3% no PIB no primeiro trimestre deste ano.

Esses acontecimentos, juntamente com o recente declínio do mercado de ações desencadeado pela reação do mercado aos planos tarifários de Trump, fizeram com que muitos oponentes políticos do presidente se juntassem a figuras do establishment midiático para causar o temor por uma iminente “Trumpcession” [como seria chamada uma recessão supostamente causada por Trump, em inglês].

É comum sentir a tentação de olhar para as últimas décadas de intervenções governamentais na economia e tentar enquadrar o establishment político de Washington dentro de alguma escola de pensamento econômico. Eles poderiam ser keynesianos ou monetaristas, neoliberais da Escola de Chicago ou adeptos iniciantes da Teoria Monetária Moderna.

Na realidade, o establishment político não segue uma filosofia econômica consistente. Não possuem uma explicação única e coerente para fenômenos como inflação ou recessões. E, ao não se comprometerem com uma explicação clara para essas crises econômicas, as figuras do establishment ficam livres para adotar qualquer justificativa que lhes pareça mais conveniente no momento em que tudo começa a desmoronar.

A Grande Depressão é atribuída a Herbert Hoover, que teria insistido cegamente em equilibrar o orçamento em meio a uma recessão severa. A Grande Recessão de 2008, dizem, aconteceu devido à falta de regulamentação adequada do setor financeiro por parte do governo. Já a recessão causada pela Covid-19 em 2020 teria ocorrido porque Donald Trump não restringiu nossas liberdades de forma rigorosa o suficiente para conter a pandemia, nem imprimiu e gastou dinheiro em volume suficiente para manter a economia funcionando normalmente.

Nenhuma dessas explicações chega perto de esclarecer como toda a economia se retraiu ao mesmo tempo. Mas todas elas servem para justificar a concessão de mais dinheiro e poder ao governo, razão pela qual acabam se tornando a narrativa oficial dominante.

Ainda é cedo para dizer se os indicadores oficiais apontarão que estamos, de fato, em uma recessão. No entanto, a reação observada recentemente diante dessa possibilidade revelou claramente qual será a narrativa que o establishment político pretende adotar assim que a recessão for oficialmente declarada.

Eles dirão que tudo estava indo muito bem depois que Biden assumiu e “fortaleceu” o governo federal para resgatar a economia do terrível primeiro mandato de Trump. Apontarão para os indicadores oficiais de crescimento econômico e do emprego divulgados sob Biden e celebrarão a conquista de uma “economia historicamente forte” — mesmo que, como nos disseram [7] na época, as pessoas que realmente viveram esse período fossem burras demais para entender o quão boa era a situação.

Então, Donald Trump voltou e desencadeou o caos com cortes insensíveis em programas do governo e tarifas sufocantes. E, em um esforço imprudente para enriquecer ainda mais seus amigos bilionários, ele afundou toda a economia americana.

O início do mês nos mostrou que a grande mídia está pronta para empurrar agressivamente essa narrativa assim que o limiar oficial da recessão for atingido.

A lição será, mais uma vez, que a economia entrou em colapso porque alguns políticos rebeldes fizeram coisas que o establishment político não aprova. Mas, assim como acontece com a explicação oficial das recessões anteriores, essa também será uma grande bobagem.

Cortar programas do governo é, por natureza, algo muito difícil de fazer sem causar algum caos econômico. E tarifas realmente são impostos destrutivos que são ruins para praticamente todo mundo no país. Mas nenhuma dessas coisas pode, sozinha, gerar o tipo de desaceleração econômica abrangente que define uma recessão.

Só existe uma coisa capaz de causar isso: a expansão artificial do crédito.



Quando novos fundos emprestáveis, que não são baseados em poupança real, entram na economia, toda a estrutura de produção é distorcida, incentivando projetos que não podem ser concluídos com os recursos disponíveis e que não estão alinhados com o que os consumidores realmente desejam. A produção é inflada além do que pode ser sustentado na prática, o que exige uma correção generalizada da economia. Isso é uma recessão.

Quem mais promove esse processo, de forma ampla e eficaz, são os cartéis bancários - também conhecidos como bancos centrais. Esse mecanismo beneficia os grandes bancos, funcionários do governo e empresas com conexões políticas, às custas de praticamente todo o resto da economia. E é um ciclo que a classe política americana mantém há décadas por meio do seu banco central, o Federal Reserve.

Quando a próxima recessão chegar - supondo que já não estejamos nela há anos -, a causa será a enorme expansão do crédito que ocorreu desde a Grande Recessão, sob Obama, Trump e Biden.

Isso não se encaixa bem no jogo simplista de culpa partidária que o establishment prefere que a gente jogue sempre que algo ruim acontece na economia. Mas essa é a verdade.

Não caia nessa quando os mesmos que estão no poder há décadas tentarem vender a próxima recessão, mais uma vez, como consequência de ainda não terem poder suficiente.

 Connor O’Keeffe

quarta-feira, 26 de março de 2025

Da politização do dinheiro aos perigos da CBDC

 Que o estado (ou uma associação de estados, como no caso do Sistema Monetário Europeu) precise de seu próprio banco central é um dos muitos mitos que circulam para justificar a necessidade de um estado. Em vez disso, o dinheiro do estado serve para fornecer ao estado receita adicional e controlar a economia e a sociedade.



Ao declarar um determinado dinheiro – seja o marco alemão no passado ou o euro hoje – como uma "moeda legal", o estado cria outra fonte de receita. A produção de uma nota, quer diga cinco ou 500 euros, custa menos de dez centavos; a produção eletrônica de moeda do banco central não custa praticamente nada.

Na Alemanha Ocidental, o "Bank deutscher Länder" (mais tarde "Bundesbank") foi fundado em 1948. A lei que criou o banco central alemão obrigou a política monetária a buscar a "estabilidade do nível de preços". No entanto, essa cláusula não impediu que a inflação e a estagflação ocorressem na Alemanha no final dos anos 1960 e 1970.

Uma moeda comum foi introduzida na Europa em 1999, e os estatutos que regem o estabelecimento do Banco Central Europeu (BCE) exigiam "autonomia" máxima e uma prioridade clara em favor da "estabilidade de preços" da política monetária. Por alguns anos, isso pareceu funcionar bem. Mas, enquanto isso, não apenas o obstáculo da taxa de inflação de dois por cento está sendo constantemente ultrapassado, mas a liderança do BCE está completamente sujeita à vontade política – a ponto de adotar até mesmo a agenda verde.

O balanço patrimonial do banco central moderno é sombrio. Mesmo se deixarmos de lado catástrofes econômicas e, consequentemente, sociais como a da inflação de Weimar e tomarmos apenas a feliz história dos EUA como prova, podemos ver que o país, com seu banco central bem posicionado, experimentou mais de dez anos de depressão, vários surtos de inflação e mais de uma década de estagflação. O dólar americano perdeu cerca de 95% de seu poder de compra desde a criação do Sistema de Reserva Federal (Federal Reserve System).

A política monetária sofre das mesmas falhas que qualquer política econômica centralizada e, como outras políticas econômicas centralizadas, a política monetária falhará repetidas vezes. Um obstáculo intransponível é o problema da complexidade. No setor privado, a complexidade do tamanho da empresa é um limite. Quanto maior for uma empresa, mais os dados precisam ser compactados, de modo que perdem o significado e se tornam inúteis como auxílio à tomada de decisões. Para a política monetária, que atua como uma autoridade central de planejamento quando se trata de dinheiro e taxa de juros, a desvalorização dos dados é óbvia. Agregados como o produto interno bruto e a taxa de inflação escondem mais do que revelam. O fato de uma economia ter alto crescimento econômico e uma taxa de inflação moderada não significa automaticamente "estabilidade".

Em vez de suavizar os ciclos econômicos, eles são reforçados pela política monetária. Os bancos centrais não apenas intensificam os altos e baixos da economia, mas suas políticas também são um fator importante no boom e na queda do mercado de ações. Se o banco central definir sua taxa de juros muito baixa em comparação com a taxa de juros do mercado livre, ele aumentará artificialmente os preços de títulos, ações e imóveis. Se a política monetária tiver que aumentar as taxas de juros por causa da tendência inflacionária emergente, os preços dos títulos caem e as outras formas de investimento ficam sob pressão. O boom é seguido por vários mini-crashes, até finalmente chegar o mega crash.

Até o final de 1913, os Estados Unidos não tinham banco central, mas um brilhante desenvolvimento econômico. Foi só em 1914 que o Sistema de Reserva Federal dos EUA foi criado e imediatamente preparado para criar as condições monetárias para financiar a entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial, como o banco central fez na Segunda Guerra Mundial e em muitos outros conflitos militares que se seguiram. Na Europa, a primeira consequência do início da Primeira Guerra Mundial foi abandonar o padrão-ouro, transformando assim os bancos centrais em instrumentos diretos de governo e politizando o sistema monetário.

Na década de 1920, a política monetária do Fed criou um enorme boom econômico que abriu as portas para a Grande Depressão. Na Europa, o Deutsche Reichsbank produziu hiperinflação em 1923. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra tentou em vão tirar o país de uma recessão prolongada. Na década de 1930, o aprofundamento da Grande Depressão levou o Federal Reserve dos EUA a inflar o sistema novamente, mas sem sucesso. No início da década de 1930, o domínio político sobre o banco central estava completo. Independentemente do grau de totalitarismo, a politização do dinheiro abrangeu bancos centrais de Moscou a Berlim e de Paris a Washington e Tóquio.

Após a Segunda Guerra Mundial, houve um breve período em que o chamado sistema de Bretton Woods estava firmemente enraizado: com a introdução de uma paridade do dólar americano com o ouro e um sistema de taxas de câmbio fixas para seus países membros. Mas na década de 1960, o keynesianismo se tornou a doutrina dominante do banco central. O governo dos Estados Unidos ignorou seu compromisso de limitar a emissão de dólares ao tamanho de suas reservas de ouro, e o Federal Reserve não interrompeu a expansão da oferta monetária, o que levou diretamente a uma década de inflação e, posteriormente, à estagflação global da década de 1970.

Desde então, os EUA estão tão endividados que a confiança no dólar está diminuindo. A busca por alternativas está em andamento.

Embora as novas tecnologias nas mãos do estado representem uma imensa ameaça à liberdade e à prosperidade, elas abrem muitas oportunidades para o dinheiro privado no sistema monetário. Com base na tecnologia blockchain, novas possibilidades de sistemas monetários privados estão se abrindo. Em condições de livre mercado, após uma fase de experimentação, surgiria uma estrutura viável para o sistema monetário no interesse dos clientes.

Em vez disso, os bancos centrais agora planejam introduzir moedas digitais do banco central (CBDC). Os planos preveem a abolição completa do dinheiro e a realização de todas as transações monetárias por meio do banco central. Como resultado, todos seriam não apenas transparentes, mas também diretamente controláveis, porque os pontos para o sistema de crédito social podem ser registrados detalhadamente por meio das transações monetárias e, com o bloqueio de sua conta, qualquer cidadão pode ser excluído da participação econômica em pouco tempo. 

Dinheiro do estado significa inflação. Devido à inflação monetária, o estado como produtor de dinheiro ganha mais quando mais dinheiro do banco central está em circulação. A inflação também elimina as dívidas do estado e, mesmo com a hiperinflação, o cidadão geralmente percebe tarde demais sua espoliação pelo estado. A desnacionalização do sistema monetário é necessária para evitar o roubo silencioso do cidadão pelo estado por meio da produção de dinheiro estatal. A despolitização do dinheiro também representa um passo decisivo para deter a ameaça do despotismo por meio do dinheiro digital do banco central.


Por Antony Mueller

terça-feira, 25 de março de 2025

Como tirar a riqueza dos ricos sem a sanha socialista da redistribuição

 


É cada vez maior o número pessoas que diz que a solução para o fim definitivo da pobreza está na tributação pesada dos mais ricos.  O fato de haver vários indivíduos com milhões, algumas vezes bilhões, em suas contas bancárias é algo que enlouquece muita gente, especialmente políticos.  Populistas imaginam que estes ricos não fazem absolutamente nada na vida a não ser amontoar dinheiro, contá-lo gostosamente e gargalhar sadicamente ao pensarem nas vantagens que possuem sobre o resto da humanidade.

Sendo assim, munidos de tais imagens mentais, os ativistas da redistribuição de renda propõem vários esquemas para separar, à força, os ricos de seu dinheiro, sempre utilizando o poder da violência governamental.  Trata-se de uma abordagem brutal que envolve um pesado uso da coerção estatal contra pessoas.  Se você acredita na paz, como vários ativistas de esquerda alegam, então tal postura não pode ser defendida.  Violência produz apenas mais violência, e nunca é uma solução.

O outro problema com a tributação -- e este, por si só, deveria bastar para fazer com que a esquerda abandonasse em definitivo a defesa deste método -- é que o dinheiro confiscado é transferido para o próprio estado -- a mesma instituição que suprime a liberdade de expressão, joga as pessoas na cadeia pelo uso de drogas e intimida vários tipos de associação voluntária e consensual entre dois indivíduos.  Não é algo muito esperto tomar dinheiro daqueles que usam sapatos lustrados e transferir para aqueles que usam botas militares.

Certamente tem de haver uma maneira melhor, mais inteligente e mais pacífica de se retirar dinheiro das mãos dos ricos e transferi-lo para as mãos da classe média e dos pobres.  E eu tenho a solução perfeita.

Ela me veio recentemente, quando eu estava caminhando por uma rua da cidade e vi um Rolls-Royce Phantom, estacionado onde qualquer carro normal estacionaria.  Carros absurdamente ostentosos e pomposos podem ser incríveis em termos de luxo e desempenho, mas custam mais de US$320.000.

Inacreditável!  Por que alguém iria querer comprar isso?  O proprietário deste carro poderia ter gasto uma minúscula fração deste valor em um carro bem mais simples (como o meu), suficiente para levá-lo do ponto A ao ponto B; mas, em vez disso, e por razões que ninguém pode realmente explicar, esta pessoa decidiu se desfazer de uma quantia equivalente a vários anos da renda de um trabalhador médio -- tudo por um carro.

O ponto a ser enfatizado aqui é que esta pessoa abriu mão de seu dinheiro.  E onde este dinheiro foi parar?  Ele foi para as pessoas que venderam o carro, para as pessoas que construíram o carro, para as que transportaram o carro e para as que forneceram equipamentos para o carro.  Mas não pára por aí.  O dinheiro foi também para os trabalhadores da indústria de borracha que fizeram os pneus e para os trabalhadores nas siderúrgicas que fizeram o material da luxuosa carroceria.

Ou seja, o dinheiro foi do rico para todo o resto, e ninguém teve de ameaçá-lo de morte, de cadeia ou de espancamento para que isso acontecesse.  Aqueles que receberam o dinheiro não tiveram de fazer lobby por ele, não tiveram de tributar e nem coagir ninguém.  O cara rico abriu mão do dinheiro voluntariamente!  Logo, parece que estamos chegando a alguma conclusão aqui.

Os ricos são um grupo interessante.  Eles gostam de se destacar por meio de atos e posses que o resto de nós considera como apenas absurdas ostentações.  Se não houver coisas com as quais os ricos possam gastar seu dinheiro esbanjadoramente, eles irão apenas entesourar este dinheiro, enviá-lo a um paraíso fiscal ou depositá-lo em obscuros fundos mútuos de outros países.

Thorstein Veblen entendeu tudo às avessas.  As pessoas que se ressentem da riqueza das elites não deveriam de modo algum condenar seu consumo excessivo.  Elas deveriam, ao contrário, encorajar cada vez mais seu consumismo.  A solução é ter uma sociedade que apresente uma vasta proliferação de luxos excepcionalmente caros nos quais os ricos possam gastar seu dinheiro.  Este é o caminho para a expropriação voluntária e para uma eficaz redistribuição de renda -- deles para o resto de nós, do 1% para os 99%.

Considere, por exemplo, uma passagem de primeira classe de um avião.  Para alguns vôos, o preço desta passagem é de quebrar a banca.  Para compras de última hora em alguns vôos internacionais, uma passagem desta pode custar até US$15.000.  E o que este passageiro ganha em troca?  Ele será servido por uma comissária de bordo que acha que ele é o máximo, terá vários drinques à sua disposição e um espaço extra para as pernas.  Mas chegará ao mesmo destino dos passageiros que estão na classe econômica.  Em troca desse pouco, este passageiro rico transferiu milhares de dólares de sua conta bancária para as contas bancárias dos pilotos, dos comissários de bordo, dos operadores de bagagens, dos funcionários que comandam a burocracia da empresa aérea, dos mecânicos da empresa aérea, dos responsáveis pelo abastecimento nos aeroportos, e de todos os demais envolvidos na operação do voo.  Outro detalhe adicional, do qual poucos parecem se dar conta, é que são justamente os altos valores pagos pelos passageiros da primeira classe e da classe executiva que permitem preços mais baratos para a passagem da classe econômica.

O mesmo raciocínio se aplica a hotéis de luxo.  Para mim, um hotel é apenas um local para se dormir quando se está em outra cidade.  Porém, há toda uma classe de hotéis de luxo voltados para fornecer a seus hóspedes momentos inesquecíveis pelo período de tempo em que ficarem ali.  Há hotéis com spas, saunas, piscinas, salas de ginástica, vários tipos de restaurante, bares em todos os cantos, bibliotecas, campos de golfe, espaços para caminhadas, salões de dança e mais luxos do que você seria capaz de usar durante todo o ano.  Estes hotéis chegam a cobrar milhares de dólares por apenas uma noite.

Eu não entendo muito bem a lógica de se fornecer tudo isso, mas vários indivíduos pertencentes ao 1% dos mais ricos mantêm estes lugares sempre cheios.  E isso é ótimo!  O dinheiro deles sai de seus bolsos diretamente para as mãos de recepcionistas, garçons, limpadores de piscina, porteiros, arrumadeiras, cozinheiros, limpadores de chão, pedreiros, operários que fazem reparos em instalações, e todos os outros tipos de profissões puramente manuais que você for capaz de imaginar.

Precisamos de muito mais de tudo isso.  Veja o campeonato mundial de iatismo.  Trata-se de algo absurdamente caro apenas para participar.  Os iates podem custar mais de US$5 milhões.  Apenas a manutenção eleva este valor alguns milhões a mais.  Tal coisa seria absolutamente impensável para a esmagadora maioria dos mortais.  No entanto, os ricos fazem tudo isso, e voluntariamente transferem sua riqueza diretamente para os menos abonados de todas as posições sociais e profissionais.  Principalmente se você considerar toda a atenção dada pela mídia e toda a badalação que ocorre nas redondezas, há centenas de milhares de pessoas que se beneficiam desta extravagância dos ricos.

O que é especialmente louvável neste comportamento dos ricos é que, todos os produtos que eles inicialmente adquirem antes do resto da humanidade, um dia se tornam amplamente disponíveis para todo o mundo, desde que, é claro, a economia de mercado esteja funcionando livremente.  Na década de 1980, um celular era o supra-sumo do luxo.  Hoje, celulares estão disponíveis para todos os pobres do mundo.  O mesmo é válido para computadores.  Eu carrego em meu bolso mais memória RAM e HD do que havia disponível, em conjunto, para os mais ricos e poderosos do mundo duas décadas atrás.

Os ricos são aquilo que chamamos de 'adotantes primários'.  Eles são os primeiros a adotar toda e qualquer tecnologia que surge.  Com o tempo, aquilo que era luxo se torna algo corriqueiro para o resto de nós.  Produtos que antes estavam disponíveis apenas em lojas exclusivas e chiques, daquelas que você tem de marcar hora para poder entrar, acabam nas prateleiras de shoppings populares alguns anos depois.  Os ricos desbravam as novidades, fazendo todo o serviço antes de nós.  Desta forma, eles são os benfeitores da sociedade.

Se quisermos espoliar os ricos de seu dinheiro, temos apenas de criar cada vez mais oportunidades para que eles possam esbanjar milhões, até bilhões, em objetos e serviços que você e eu jamais sonharíamos adquirir.  Precisamos de mais luxo, de mais fausto, de mais magnificência, de mais consumo conspícuo dos ricos, de mais bens e serviços tentadores, exagerados e exorbitantes que incitem os ricos a abrir mão do seu dinheiro.

Porém, é claro que, se quisermos tudo isso, teremos também de ter produtores capazes de fabricar estas coisas e vendê-las para os ricos.  Isto significa uma sociedade trabalhadora, poupadora, acumuladora de capital e investidora.  E isto, por sua vez, significa que não se deve punir o investimento e a acumulação de capital, nem tampouco criar impostos punitivos sobre as receitas geradas por aqueles investimentos voltados para os ricos.  Impostos sobre a renda têm de ser zerados, assim como sobre bens de luxo.  Quaisquer medidas que desestimulem a produção e a venda de bens de luxo têm de ser repelidas caso realmente se queira esvaziar os bolsos dos milionários.

Igualmente, é também preciso acabar com esta crescente ideia de que os ricos devem dar todo o seu dinheiro para amplas e dispersas instituições de caridade.  A quem isto realmente beneficia?  É difícil saber, mas certamente há organizações sem fins lucrativos que não fazem aquilo que alegam estar fazendo.  Um caminho muito melhor seria estimular os ricos a enriquecerem o máximo possível e, depois, saírem gastando desmesuradamente por coisas que, no final, irão beneficiar a todos nós.

Os ricos não levarão seu dinheiro para a cova.  O mercado é a melhor, mais eficiente e mais pacífica maneira de fazer com que toda a riqueza seja distribuída para o resto do mundo.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Brasil a luz da historia mundial, por Marlon Adami


 

Cioran sobre Hitler

 

Emil Cioran

Nenhum político no mundo hoje inspira tanta simpatia e admiração em mim quanto Hitler. Há algo de irresistível no destino deste homem, para quem todo ato da vida tem significância apenas por sua participação simbólica no destino histórico de uma nação. Pois Hitler é um homem que não tem o que se chama de vida privada. Desde a guerra, sua vida é uma abnegação e um sacrifício. O estilo de vida de um político adquire profundidade apenas quando o desejo pelo poder e a vontade imperialista de conquistar estão acompanhados por uma grande capacidade de abnegação.

A mística do Führer na Alemanha é perfeitamente justificada. Até mesmo aqueles que se consideram adversários apaixonados de Hitler, e que dizem odiá-lo, são levados pela fluidez de sua mística que erigiu sua personalidade em um mito. Durante a conspiração de Röhm, quando nada oficial se sabia ainda, ouvi tantas pessoas que, na véspera, criticavam Hitler sem reservas, exclamando: “tenhamos esperança de que nada tenha acontecido com ele!”

Seus discursos são marcados por um pathos e um frenesi que apenas as visões de um espírito profético pode alcançar. Goebbels é mais refinado, mais sutil, tem uma ironia mais discreta, tem gestos nuanciados e toda uma aparência de um muito refinado e habilidoso intelectual, mas ele não é capaz das vulcânicas e torrenciais explosões que te privam de teu espírito crítico. O mérito de Hitler foi ter despojado uma nação de seu espírito crítico. Pode-se dinamizar algo, pode-se criar efervescência apenas enquanto se privar os homens daquela liberdade que é sua distância entre uns e outros e entre si mesmo [entre eux et soi]. A fecundidade de uma visão é revelada apenas por sua habilidade para seduzir. Ser capaz de acusar de irresponsabilidade aqueles que escolheram outro caminho, eis o destino dramático e a responsabilidade de um visionário, um ditador e um profeta.

Com Hitler, a habilidade de seduzir é tanto mais impressionante naquilo que não é assistido pelo charme de uma fisionomia expressiva. Seu rosto nunca expressou nada mais do que energia e tristeza. Porque deve-se apenas saber: Hitler é uma pessoa triste. Esta tristeza deriva de demasiada seriedade. Isto caracteriza todo o povo germânico, um povo desesperadamente sério, comparadas com o qual as nações latinas são de algazarra.

Tive a oportunidade de testemunhar um dia, em Berlim, um tipo de êxtase coletivo diante do Führer. Durante uma celebração, no momento em que Hitler estava passando no Unter den Linden, a população se precipitou e circundou seu carro, sem ser capaz de pronunciar uma única palavra, paralisada. Hitler é tão enraizado na consciência germânica que deveria ser um grande desapontamento para as pessoas terem que deixar adorá-lo. É perfeitamente curioso ver que Hitler ganhou ainda mais confiança da nação depois da crise recente do partido.

Aqueles que falam reservas sobre ele fazem menção à sua “falta de cultura”. Como se, para liderar uma nação, fosse necessário citar Goethe a cada discurso! O que importa é uma infinita vibração da alma, uma absoluta vontade de realização na história, uma intensa exaltação ao absurdo, um élan irracional ao sacrifício da própria vida. Admitamos que, nas ditaduras da Europa hoje esta grande tensão está presente. É necessário se tornar um poder. Nós devemos também seriamente nos questionar se nações pequenas podem avançar sem recorrer [passer par] à ditadura.

É igualmente verdadeiro que as ditaduras representam as crises do espírito. Cada uma marca um vazio no progresso histórico da cultura. Um justo número de Nacional Socialistas concede isto. Carência de universalidade, eis o problema da cultura germânica. E o Nacional-Socialismo fez até mesmo a ilusão de uma universalidade desaparecer. Julgando-a de um ponto de vista estrito, é um movimento de uma magnitude espantosa. Um dinamismo extraordinário dimensionou a nação e imprimiu sobre ela um ritmo de intensidade inaudível. Em apenas um ano, o Nacional-Socialismo criou mais que o Fascismo em dez. Mussolini é talvez mais prendado que Hitler, mas não esqueçamos que Hitler lutou mais, que ele encontrou dificuldades incomparáveis, e que o destino da Alemanha é infinitamente mais complexo e dramático que o da Itália. Uma genuína tragédia social está acontecendo na Alemanha: nas atuais condições, é humanamente impossível derrotar o desemprego. A tensão nacional é tão grande que, dada a impossibilidade de trazer soluções imediatas e concretas para muitos problemas insondáveis no momento, persiste-se em uma atmosfera de “dinâmica perpétua” cujos perigos foram realçados por [Vice Chanceler Franz] von Papen em seu discurso de Marburg, uma dura crítica ao regime feita em nome da oposição católica.

A oposição dos católicos é inegavelmente grande. O papa, tendo proibido os jovens católicos de se unir à Juventude Hitlerista (Hitler-Jugend), a pressão hitlerista e as reações levaram a sérios conflitos com os católicos. Os bávaros, que são fortemente católicos praticantes, não hesitariam um instante se eles tivessem que escolher entre sua fé e o Nacional-Socialismo.

Mas Hitler significa mais para o povo germânico do que não-sei-que papa que se envolve em assuntos internos de um povo em nome de uma cristandade trivializada pela política e chamada de catolicismo.

Hitler apaixonadamente incendiou as lutas políticas e dinamizou por uma inspiração messiânica todo um domínio de valores que o racionalismo democrático tornou chato e trivial. Nós todos precisamos de um místico, pois estamos todos cansados de tantas verdades que não estouram das chamas.

Munique, 4 de julho, 1934.

Emil Cioran, Apologie de la Barbarie: Berlin-Bucarest (1932–1941) (Paris: L’Herne, 2015), “Hitler dans la conscience allemande,” 129–33. Primeiramente publicado em Vremea, 15 de julho, 1934.

sexta-feira, 7 de março de 2025

Porque o Nazismo não é co-irmão do Socialismo

 Este artigo sobre o Nacional-Socialismo foi extraído do livro “A revolução de Hitler”, de Richard Tedor. A versão em inglês está disponível na internet, por exemplo na Amazon ou no Archive.org.



O Socialismo

Entre o Socialismo de Hitler e aquele dos marxistas existe uma profunda diferença. Segunda a revista Die SA, o objetivo de um Estado socialista “não é para a maior possível felicidade de um indivíduo ou de um determinado partido, mas sim a felicidade da totalidade de seu povo.” [62]

O Socialismo marxista era de uma natureza puramente materialista e “era hostil à propriedade privada”. [63] Marx considerava o Socialismo como um movimento internacional que unia os trabalhadores tratados em seu próprio país como excluídos da sociedade. Por isso ele considerava o Nacionalismo, o qual prezava pelos interesses e independência das respectivas nações, como incompatível com os ideais socialistas. A revista Die SA, para a qual o “socialismo” era um sinônimo de “bem estar social do povo”, partia disso como:

“O Socialismo marxista dividia as pessoas e enterrava com isso todas condições necessárias para se atingir verdadeiros objetivos sociais.” [64]

Hitler via o Nacionalismo como uma força patriótica que movia as pessoas a colocar o bem estar de seu país à frente da realização de seus objetivos pessoais. Para ele, o Socialismo era um sistema político, social e econômico, que exigia colocar o bem comum acima de interesses próprios. Em 1927, ele formulou o seguinte:

“Ambos são uma coisa só, Socialismo e Nacionalismo. Eles são os maiores batalhadores em prol do próprio povo, os maiores batalhadores na luta pela sua existência sobre a Terra e, com isso, não mais gritos de guerra entre si, mas sim o clamor para a formação de sua vida segundo esse lema.” [65]

Die SA resumiu assim:

“Enquanto o Marxismo partia da diferença entre ‘proprietário e não-proprietário’ e exige a eliminação do primeiro para que todas as propriedades sejam consideradas públicas, o Nacional-Socialismo coloca em primeiro plano o princípio fundamental da Comunidade do Povo… O bem estar de um povo não é conquistado pela aparente distribuição igualitária de toda sua riqueza, mas sim pelo reconhecimento prático de que o bem comum antecede o interesse particular.” [66]

Aqui vale a pena lembrar que o regime do primeiro Estado marxista da história, a União Soviética, foi muito mais dura com aquela parcela da população que não pertencia ao proletariado, do que o sistema capitalista durante a Revolução Industrial junto à oprimida classe trabalhadora. Um membro de destaque do partido soviético, Martyn Latsis, determinou a seguinte prática para avaliação de dissidentes:

Não procure por provas, se ele se levantou através de armas ou palavras contra o regime soviético. Em primeiro lugar deve-se perguntar a qual classe trabalhadora ele pertence, qual é sua proveniência, qual sua formação e qual é sua profissão. Essas perguntas devem servir como baliza para o destino do acusado.”

Segundo o historiador russo, Dmitri Wolkogonow, o expurgo soviético atingiu “os mais capazes, aplicados, econômicos e mais criativos membros da sociedade. “A impiedosa fome imposta sistematicamente, assim como as prisões, deportações e execuções em massa dizimaram a população russa tão drasticamente no Estado da utopia marxista, que levou o ditador Josef Stalin a não divulgar o censo populacional de 1937. Segundo o Schulungsbrief:

“O extermínio em sentido de toda intelligentsia e habilidade, a substituição de qualquer expoente de personalidade pela apática massificação destruiu e eliminou todos dispositivos criativos [da Rússia].”

Hitler entendia que a política econômica marxista era incompatível com o verdadeiro Socialismo, assim como o conceito da luta de classes. Marx pregava a estatização de todos os meios de produção assim como de toda propriedade privada. Através do controle estatal, segundo sua receita, deveria ser garantida uma igualitária distribuição de bens e alimentos, e a população deveria ser protegida da exploração capitalista. Por sua vez, Hitler era a favor da propriedade privada e da liberdade empresarial. Ele estava convencido de que a concorrência assim como as possibilidades para o desenvolvimento pessoal eram propulsores da iniciativa individual. Desta forma ele se pronunciou em 1934:

“Por uma lado deve-se garantir para o livre desenvolvimento das forças a mais ampla e possível liberdade de ação, porém, por outro lado, que esse livre desenvolvimento das forças deve estar contido dentro das necessidades da comunidade, a qual denominamos Povo e Comunidade do Povo. Somente através deste caminho podemos atingir aquilo que devemos atingir, ou seja, a mais alta produtividade humana.”

Schulungsbrief encontrou palavras contundentes para a absurda exigência de distribuição igualitária de todos bens do Povo e o mesmo salário para todos, levantados por Marx. Tais medidas, considerava o jornal, iriam paralisar a iniciativa pessoal:

“Os mais produtivos não teriam qualquer interesse em desenvolver por completo seu potencial, caso ele veja que o preguiçoso recebe o mesmo que ele… Toda iniciativa pessoal e predisposição em assumir responsabilidades devem morrer sob este sistema.”

Já há muitos anos antes de chegar ao poder, Hitler teve que lidar com aquelas correntes dentro de seu próprio movimento, que cortejavam o socialismo marxista. Em novembro de 1925, líderes partidários de Hannover cogitavam a ideia de parcelar grandes propriedade e distribuir as parcelas entre os trabalhadores rurais. O Estado, assim exigiam eles, deveria forçar cada trabalhador do campo a ingressar em uma cooperativa. A livre venda de produtos alimentícios deveria ser proibido. “Indústrias fundamentais” como usinas de energia, bancos e indústrias de armamentos deveriam ter 51% de suas ações como “propriedade da nação”, ou seja, submetidas ao controle estatal. Segundo o mesmo programa, o governo deveria ter 49% de participação em outras grandes empresas. Em maio de 1930, Hitler se encontrou com o notório nacional-socialista berlinense, Otto Strasser, que defendia um programa parecido. Hitler disse a ele que sua ideia era “puro marxismo” e levaria à ruína toda a economia. Em julho do mesmo ano, ele expulsou Strasser do partido, o que ilustrou mais uma vez sua aversão ao socialismo marxista. Para Hitler, a possibilidade de se atingir o bem estar era o motor da iniciativa pessoal criativa. Quem oferecia a chance a uma pessoa talentosa para desenvolver todo seu potencial, contribuía desta forma ao desenvolvimento da sociedade, a qual ela pertencia e servia.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Versão dos fatos em relação à ação do deputado Rubens Paiva em movimentos subversivos

"Quando será que farão um filme contando esse lado da história??

Rubens Paiva - o Mártir que Matou Muita Gente 

         


   

Pouca coisa pode ser mais hedionda do que a Tortura. A tortura é a máxima expressão da Patifaria, da Vilânia, da Covardia. Costumo dizer que o torturador não tem alma. É um ser que perde sua centelha divina.

O caso Rubens Paiva (que só andava armado ) voltou a mídia através do laureado filme "Ainda estou aqui".  Mas quem era esse personagem, cujo o filme retrata um mártir, um Tiradentes moderno que morreu pela nossa Liberdade. Nada mais falso. O deputado Rubens Paiva, eleito pelo MDB, na verdade era um militante do PCB (Partido Comunista Brasileiro), Paiva além de político, era engenheiro de formação, e por ter uma empresa, que possuía fluxo de caixa rotativo, foi designado como "lavador de dinheiro" do Partido Comunista. 

Para quem não sabe, o PCB era na verdade um partido subsidiado, ou seja uma filial, do Partido Comunista da União Soviética (PCUSS). Essa agremiação recebia dinheiro de Moscou, via Montevideu. 

Mas entre 1965 e 1973, existiram no nosso país trinta e três (33) grupos guerrilheiros que foram à luta para combater o Regime Militar. Eles promoveram uma série de ataques a instalações militares, atentados terroristas, explosões em aeroportos, sequestro de diplomatas, sequestro de aviões, que foram desviados para Cuba. Eles mataram diversos trabalhadores em filas de banco, entre outras ações de guerrilha urbana. Formaram grupos de guerrilha rural, no Araguaia (FOGUERA) do PCdoB (Partido Comunista do Brasil, uma dissidência do PCB financiado pela China) e no Vale do Ribeira,  a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) de Carlos Lamarca. E foi justamente com a VPR, que Rubens Paiva se envolveu. Como lavador de dinheiro do Partido Comunista Brasileiro, Paiva passou "a financiar" as ações da VPR, uma das mais ousadas e terríveis organizações de esquerda.

 A Vanguarda Popular Revolucionária foi responsável por atentados, explosão no consulado americano em São Paulo, assassinatos, ataques a sedes da PMSP, assaltos com morte a bancos entre outros atos. A VPR tinha como base, um sítio de Paiva na região de Juquitiba, uma área de floresta fechada, no sul do Estado de São Paulo. Juquitiba é um lugar isolado. Um resto de Mata Atlântica que ainda existe no Brasil. Região de lagoas, de pequenas propriedades, onde a vida selvagem coabita. Nessas matas é possível encontrar sucuris, cervos e onças. Um paraíso ecológico muito perto da BR-116, um local perfeito para se montar um grupo guerrilheiro. 

As ações de Lamarca chamaram a atenção das autoridades e logo o Exército e a Polícia Militar começaram a fazer buscas na região. Apavorado com a chegada dos militares, Rubens Paiva pediu que Lamarca deixasse o sítio, o que enfureceu o guerrilheiro. Na discussão o terrorista ameaçou Rubens Paiva de morte. O que Paiva argumentou; "... se Moscou descobrir que eu desvio dinheiro, para financiar tuas ações, nós dois seremos homens mortos, se não pelas autoridades brasileiras, pela justiça soviética." Indignado Lamarca deixou o refúgio, se embretou na selva, deu combate à tropa da Polícia Militar, justiçou (matou) o tenente PM  Alberto MENDES Junior. O Diógenes do Jogo do Bicho (militante petista) também participou do crime.

Mas além da luta no campo, outro braço da VPR sequestrava aviões, eles desviavam aeronaves que faziam voos de longa distância, geralmente do nordeste para São Paulo. Logo depois de decolar, os terroristas anunciavam o sequestro e desviavam o voo para Cuba, a fim de exigir do governo a troca dos passageiros por prisioneiros políticos. Dezenas de aviões foram alvos da VPR. E foi por esse motivo que o CISA (Centro de Inteligência e Segurança da Aeronáutica) prendeu Rubens Paiva. 

Sim ele foi detido em casa. Sim ele foi preso e torturado. Provavelmente morreu na prisão. Seu corpo jamais foi encontrado. Uma vilania, um sofrimento sem fim para a família. Mas longe do mártir que o filme tenta criar. Rubens Paiva foi um agente comunista que financiou o terror. O pior do Comunismo não é o Estado Totalitário, o cerceamento de direitos, o fim das individualidades, o controle estatal do modo de vida. O pior do Comunismo é ser um Regime Antropófago que para se manter precisa "matar, matar, matar e matar" por diversas gerações até que ele se sobreponha aos direitos individuais, se transformando no espírito coletivo. Era o que teria acontecido ao Brasil, se a turma do Rubens Paiva tivesse vencido a guerra. Tão hedionda quanto a Tortura é a Mentira Coletiva que tenta mudar a História construindo falsos heróis. Criando mártires para promover uma narrativa falsa e perigosa.

Braulio Flores