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domingo, 22 de março de 2026

Como Hitler enfrentou o desemprego

 

Nós permanecemos camaradas

Para lidar com o desemprego massivo e a paralisia econômica da Grande Depressão, ambos os governos dos EUA e Alemanha lançaram programas inovadores e ambiciosos. Embora as medidas do “New Deal” do presidente Franklin Roosevelt ajudaram apenas marginalmente, as políticas muito mais focadas e compreensivas do Terceiro Reich provaram-se notavelmente eficazes.

Como Hitler enfrentou o desemprego e reviveu a economia da Alemanha.

Dentro de três anos o desemprego foi banido e a economia da Alemanha estava florescendo. E enquanto o recorde de Roosevelt ao lidar com a Depressão é muito bem conhecido, a excepcional história de como Hitler enfrentou a crise não é amplamente conhecida ou apreciada.

Hitler se tornou chanceler da Alemanha em 30 de janeiro de 1933. Poucas semanas mais tarde, em 4 de março, Franklin Roosevelt tomou posse como presidente dos Estados Unidos. Cada homem permaneceu como o chefe executivo de seu país pelos próximos doze anos – até abril de 1945, pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. No início de 1933, a produção industrial em cada país havia caído para cerca de metade do que ela tinha sido em 1929. Cada líder rapidamente lançou novas e fortes iniciativas para enfrentar a terrível crise econômica, acima de tudo o flagelo do desemprego em massa. E, entretanto, existirem surpreendentes semelhanças entre os esforços dos dois governos, os resultados foram muito diferentes.

Um dos economistas americanos mais influentes e amplamente lidos do século vinte foi John Kenneth Galbraith. Ele foi um assessor para muitos presidentes e, por um tempo, serviu como embaixador na Índia. Ele foi o autor de várias dúzias de livros e por anos ensinou economia na universidade de Harvard. A respeito do recorde da Alemanha, Galbraith escreveu:

“… A eliminação do desemprego na Alemanha durante a Grande Depressão, sem inflação – e com respaldo inicial em atividades civis essenciais – foi uma realização significante. Ela raramente tem sido louvada e não muito notada. A noção de que Hitler não podia fazer algo bom estende-se à sua economia, como também, mais plausivelmente, a tudo o mais.”

A política econômica do regime de Hitler, Galbraith continua, envolvia “empréstimos de larga escala para despesas públicas, e em primeiro isto era principalmente para trabalho civil – ferrovias, canais e as Autobahnen [malha rodoviária]. O resultado era um ataque muito mais efetivo contra o desemprego do que em algum outro país industrial.” [1] “Ao fim de 1935,” ele também escreveu, “desemprego estava acabando na Alemanha. Em 1936 a alta da renda estava puxando os preços para cima ou tornando possível aumentá-los… Alemanha, ao final da década de trinta, tinha a todos empregados com os preços estáveis. Isto era, no mundo industrial, uma realização absolutamente única.” [2] “Hitler também antecipou a moderna política econômica,” o economista observou, “ao reconhecer que uma rápida aproximação ao desemprego zero era somente possível se ela fosse combinada com controle de salário e preço. Que uma nação oprimida por temores econômicos responderia a Hitler como os americanos fizeram a Roosevelt não é surpreendente.” [3]

Outros países, Galbraith escreveu, falharam em compreender ou aprender da experiência alemã: “O exemplo alemão era instrutivo, mas não persuasivo. Conservadores ingleses e americanos olhavam para as heresias financeiras dos Nazis – o empréstimo e o gasto – e uniformemente previam um colapso… E os socialistas liberais americanos e britânicos olhavam para a repressão, a destruição dos sindicatos, os camisas-marrom, os camisas-negra, os campos de concentração, e a oratória estridente, e ignoravam a economia.” Nada bom [eles acreditavam], nem mesmo desemprego zero, poderia vir de Hitler.” [4]

Dois dias depois de tomar posse como chanceler, Hitler se dirigiu à nação por rádio. Apesar de ele e outros líderes de seu movimento tivessem feito claras as suas intenções de reorganizar a vida social, política, cultural e educacional da nação de acordo com os princípios Nacional-Socialistas, todo mundo sabia que, com cerca de seis milhões de desempregados e a economia nacional em paralisia, a grande prioridade do momento era restaurar a vida econômica da nação, acima de tudo por enfrentar o desemprego e prover trabalho produtivo.

“A miséria de nosso povo é horrível de se observar!” disse Hitler neste discurso inaugural. [5] “Juntamente com a fome de milhões de trabalhadores industriais desempregados, há o empobrecimento de toda a classe média e dos artesões. Se este colapso finalmente também destruir os agricultores alemães nós enfrentaremos uma catástrofe de dimensões incalculáveis. Pois isto não seria apenas o colapso de uma nação, mas de uma herança de dois mil anos de algumas das maiores conquistas da cultura humana e civilização…”

O novo governo, disse Hitler,

“efetuaria a grande tarefa de reorganizar a economia de nossa nação por meio de dois grandes planos de quatro anos. O agricultor alemão deve ser resgatado para manter o suprimento de alimento e, em sequência, a fundação vital da nação. O trabalhador alemão será salvo da ruína com um ataque combinado e abrangente contra o desemprego.”

“Dentro de quatro anos,” ele garantiu, “desemprego deve ser decisivamente superado… Os partidos marxistas e seus aliados tiveram 14 anos para mostrar o que eles podem fazer. O resultado é um monte de ruínas. Agora, povo da Alemanha, nos dê quatro anos e então nos julgue!”

Rejeitando as visões econômicas nebulosas e impraticáveis de alguns ativistas radicais em seu partido, Hitler se voltou para homens de provada habilidade e competência. Mais notavelmente, ele recrutou a ajuda de Hjalmar Schacht, um proeminente banqueiro e financista com um impressionante recorde em ambos, serviço público e serviço privado. Apesar de que Schacht não fosse certamente nacional-socialista, Hitler nomeou-o Presidente do Banco Central da Alemanha, o Reichsbank, e então como Ministro da Economia.

Após tomar o poder, escreve Prof. John Garraty, um proeminente historiador americano, Hitler e seu novo governo “imediatamente lançaram um assalto total contra o desemprego… Eles estimularam a indústria privada através de subsídios e descontos de impostos, encorajaram o consumidor a gastar, por meios tais como, empréstimos para casamentos, e lançaram-se no programa massivo de trabalho público, que produziu as Autobahnen [sistema de rodovias], e habitação, ferrovias e projetos de navegação.” [6]

Os líderes do novo regime também lograram em persuadir antigos céticos e mesmo alemães hostis de sua sinceridade, resolução e habilidade. Este crédito e confiança promovidos, que por sua vez encorajou empresários a contratar e investir, e consumidores a gastar com um visão para o futuro.

Como ele prometeu, Hitler e seu governo Nacional Socialista baniu o desemprego dentro de quatro anos. O número de desempregados caiu de seis milhões no início de 1933, quando ele tomou poder, para um milhão em 1936. [7] Tão rapidamente a taxa de desemprego foi reduzida que, por 1937-38, havia uma escassez nacional de mão de obra. [8]

Para a grande massa de alemães, salários e condições de trabalho melhoraram prontamente. De 1932 a 1938, o ganho bruto semanal aumentou 21 por cento. Após levar em conta taxas e deduções de seguro e ajustes ao custo de vida, o aumento de ganho semanal real durante este período era de 14 por cento. Ao mesmo tempo, os aluguéis se mantiveram estáveis, e houve um relativo declínio no custo de aquecimento e luz. Preços realmente caíram para os bens de consumo, tais como aparelhos elétricos, relógios, tanto como para alguns alimentos. A renda dos trabalhadores continuou a aumentar mesmo após a eclosão da guerra. Em 1943, a média de ganhos por hora dos trabalhadores alemães havia aumentado em 15 por cento, e os ganhos semanais em 41 por cento. [9]

O dia de trabalho “normal” para a maioria dos alemães era de oito horas, e o pagamento por hora extra era generoso. [10] Em adição à altos salários, benefícios incluíam, notavelmente, melhoradas condições de trabalho, tais como melhores condições de saúde e segurança, cantinas com refeições quentes subsidiadas, campos para atletismo, parques, performances de teatro e concertos subsidiados, exibições, grupos de esporte e caminhadas, danças, cursos para educação de adultos, e turismo subsidiado. [11] Uma já extensiva rede de programa de bem-estar social, incluindo seguro para a velhice e um sistema nacional de assistência médica, foi expandida.

Hitler queria que os alemães tivessem “os mais altos padrões de vida,” ele disse em uma entrevista com um jornalista americano no início de 1934. “Em minha opinião, os americanos estão certos em não querer fazer de todos o mesmo, mas pelo contrário, defender o princípio da escada (N.T.: de progressão na vida). Entretanto, à toda pessoa deve ser garantida a oportunidade de ascender na escada.” [12] Em consonância com este panorama, o governo de Hitler promoveu a mobilidade social, com amplas oportunidades para melhorar e avançar. Como Prof. Garraty observa: “Está além de argumento que os Nazis encorajavam a mobilidade econômica e social da classe trabalhadora.” Para encorajar a aquisição de novas habilidades, o governo expandiu grandemente programas de treinamento vocacional, e ofereceu incentivos generosos para maior avanço de trabalhadores qualificados. [13]

Ambos, a ideologia Nacional Socialista e a perspectiva básica de Hitler, escreve o historiador John Garraty, “inclinavam o sistema a favorecer o alemão comum sobre qualquer outro grupo de elite. Trabalhadores… tinham um lugar honrado no sistema.” Em acordo com isto, o regime providenciava uma substantiva margem de benefícios para os trabalhadores, o que incluía habitação subsidiada, excursões a baixo custo, programas de esportes, e instalações mais agradáveis nas fábricas. [14]

Em sua detalhada e crítica biografia de Hitler, o historiador Joachim Fest reconheceu: “O regime insistia que não havia o domínio de uma classe social acima das outras, e que por garantir a todos oportunidades de se erguer, ele de fato demonstrava neutralidade de classe… Essas medidas, de fato, romperam as velhas, petrificadas estruturas sociais. Eles nitidamente melhoraram as condições materiais de grande parte da população.” [15]

Uns poucos números dão uma ideia de como a qualidade de vida melhorou. Entre 1932, o ultimo ano da era pré-Hitler, e 1938, o ultimo ano completo antes do início da guerra, o consumo de alimento aumentou por um sexto, enquanto que o volume de negócio têxtil e de vestuário aumentou por mais de um quarto, e de mobília e artigos domésticos em 50%. [16] Durante os anos de paz do Terceiro Reich, o consumo de vinho aumentou em 50%, e o de champanhe cinco vezes. [17] Entre 1932 e 1938, o volume de turismo mais que dobrou, enquanto que a propriedade de automóveis durante a década de 30 triplicou. [18] A produção alemã de motores de veículos, o que incluía carros produzidos pelas americanas Ford e General Motors, dobrou nos cinco anos de 1932 a 1937, enquanto que as exportações da Alemanha de motores para veículos aumentaram oito vezes. O tráfego de passageiros aéreos na Alemanha mais que triplicou de 1933 a 1937. [19]

Negócios alemães reviveram e prosperaram. Durante os primeiros quatro anos da era Nacional Socialista, o lucro líquido de grandes corporações quadruplicou, e a renda do setor gerencial e empresarial aumentou aproximadamente 50%. “Coisas estavam para ficar ainda melhores,” escreve o historiador judeu Richard Grunberger, em seu detalhado estudo, The Twelve-Year Reich (N.T.: O Reich de Doze Anos). “Nos três anos entre 1939 e 1942, a indústria alemã expandiu tanto quanto nos cinquenta anos precedentes.” [20]

Apesar dos negócios alemães florescerem, ganhos eram controlados e por lei, foram mantidos dentro de limites moderados. [21] Começando em 1934, dividendos para acionistas de corporações alemães eram limitados a seis por cento anuais. Lucros não distribuídos eram investidos em títulos do governo do Reich, que tinham um rendimento anual de juros de seis por cento, e então, após 1935, de quatro e meio por cento. Esta política tinha o efeito previsível de encorajar a reinvestimento e autofinanciamento, e desse modo, reduzir empréstimos de bancos e, mais amplamente, de diminuir a influência do capital comercial. [22]

Taxas de impostos sobre corporações foram gradualmente elevadas, de 20% em 1934 para 25% em 1936, e para 40% em 1939-40. Diretores de companhias alemães poderiam conceder bônus aos gerentes, mas somente se estes fossem diretamente proporcionais aos lucros e eles também autorizavam bônus correspondentes ou “contribuições sociais voluntárias” aos empregados. [23]

Entre 1934 e 1938, a renda bruta tributável dos empresários alemães aumentou cerca de 148%, e o volume fiscal total aumentou durante este período cerca de 232%. O número de contribuintes na mais alta faixa de renda – aqueles ganhando mais de 100.000 Marcos anualmente – aumentaram neste período cerca de 445%. (Em contraste, o número de contribuintes na mais baixa faixa de renda – aqueles ganhando menos de 1500 Marcos anualmente – aumentou apenas cerca de 5%.) [24]

Tributação na Alemanha Nacional Socialista era nitidamente “progressiva”, com aqueles de maior renda pagando proporcionalmente mais que aqueles de menor renda. Entre 1934 e 1938, a taxa fiscal média sobre rendimentos de maiores que 100.000 Marcos aumentou de 37,4% para 38,2%. Em 1938, alemães nas mais baixas faixas de imposto eram 49% da população e tinham 14% da renda nacional, mas pagavam apenas 4.7% de carga tributária. Aqueles na categoria de renda mais alta, que eram apenas um por cento da população, mas com 21% da renda, pagavam 45% de carga tributária. [25]

Judeus compunham cerca de um por cento do total da população da Alemanha quando Hitler chegou ao poder. Enquanto o novo governo agiu rapidamente para removê-los da vida cultural e política da nação, judeus foram permitidos continuar na vida econômica, ao menos por vários anos. De fato, muito judeus se beneficiaram das medidas de recuperação do regime e o reavivamento econômico geral. Em junho de 1933, por exemplo, Hitler aprovou um investimento de larga escala de 14,5 milhões de Marcos na firma de propriedade de judeus Hertie, uma cadeia de lojas de departamento de Berlim. Este “bail out” foi feito para prevenir a ruína dos fornecedores, financiadores, e, acima de tudo, dos 14.000 empregados da grande firma. [26]

Prof. Gordon Craig, que por anos ensinou história na Stanford University, aponta: “Em vestuário e mercado de varejo, firmas judias continuaram a operar proveitosamente até 1938, e em Berlim e Hamburgo, em particular, estabelecimentos de conhecida reputação e gosto continuaram a atrair seus antigos clientes, apesar de sua propriedade por judeus. No mundo da finança, nenhuma restrição foi colocada sobre as atividades de firmas judias na Bolsa de Berlim [mercado de ações], e até 1937 as casas bancárias de Mendelssohn, Bleichröder, Arnhold, Dreyfuss, Straus, Warburg, Aufhäuser, e Behrens ainda estavam ativas.” [27] Cinco anos após Hitler ter chegado ao poder, o papel judaico na vida empresarial era ainda significativo, e judeus ainda mantinham considerável patrimônio imobiliário, especialmente em Berlim. Isto mudou notavelmente em 1938, entretanto, e ao fim de 1939, judeus haviam sido largamente removidos da vida econômica da Alemanha.

A taxa de crime na Alemanha caiu durante os anos de Hitler, com significantes quedas nas taxas de homicídio, roubo, furto, fraude e pequeno estelionato. [28] Melhorias na saúde e no panorama dos alemães impressionou muitos estrangeiros. “Mortalidade infantil tem sido grandemente reduzida e é consideravelmente inferior à da Grã Bretanha,” escreveu Sir Arnold Wilson, um membro do parlamento britânico que visitou a Alemanha sete vezes após Hitler ter chegado ao poder. “Tuberculose e outras doenças notavelmente diminuíram. As cortes criminais nunca tiveram tão pouco para fazer e as prisões nunca tiveram tão poucos ocupantes. É um prazer observar a aptidão física da juventude alemã. Mesmo as pessoas mais pobres estão melhores vestidas que estavam antes, e suas faces alegres testemunham a melhora psicológica que tem sido forjada dentro delas.” [29]

A melhoria do bem estar psicológico emocional dos alemães durante este período também foi notada pelo historiador social Richard Grunberger. “Pode haver pouca dúvida,” ele escreveu, “que a tomada de poder [Nacional Socialista] engendrou uma generalizada melhoria na saúde emocional; isto não foi apenas um resultado da ascensão econômica, mas da elevação do senso de identificação de muitos alemães com o propósito nacional.” [30]

Áustria experimentou uma dramática ascensão após se unir ao Reich alemão em março de 1938. Imediatamente após o Anschluss (“união”), oficiais agiram rapidamente para aliviar a aflição social e revitalizar a moribunda economia. Investimento, produção industrial, habitação, construção, gastos dos consumidores, turismo e o padrão de vida subiram rapidamente. Entre junho e dezembro 1938 apenas, a renda dos trabalhadores da Áustria subiu cerca de 9%. O sucesso do regime Nacional Socialista em banir o desemprego foi tão rápido que o historiador americano Evan Burr Bukey chamou-o de “uma das mais notáveis realizações econômicas na história moderna.” A taxa de desemprego na Áustria caiu de 21,7% em 1937 para 3,2% e, 1939. O PIB austríaco subiu de 12,8% em 1938, e um surpreendente 13,3% em 1939. [31]

Uma importante expressão de confiança nacional foi o aumento acentuado na taxa de nascimentos. Dentro de um ano após Hitler chegar ao poder, a taxa de natalidade alemã pulou para cerca 22%, elevando-se a um alto ponto em 1938. Ela se manteve mesmo alta em 1944 – o último ano completo da Segunda Guerra. [32] Na visão do historiador John Lukacs, este salto na taxa de natalidade foi uma expressão do “otimismo e confiança” dos alemães durante os anos de Hitler. “Para cada duas crianças nascidas na Alemanha em 1932, três nasceriam quatro anos mais tarde,” ele nota. “Em 1938 e 1939, a mais alta taxa de casamentos em toda a Europa foi registrada na Alemanha, superando mesmo aquelas entre os prolíficos povos da Europa oriental. A fenomenal alta da taxa de nascimentos alemães na década de 30 foi até mais acentuada do que o aumento na taxa de casamentos.” [33] “A Alemanha Nacional Socialista, sozinha entre países povoados por brancos, sucedeu em alcançar algum aumento na fertilidade,” registra o excelente historiador americano, escocês por nascimento, Gordon A. Craig, com um acentuado aumento na taxa de natalidade após Hitler chegar ao poder, e uma elevação regular nos anos seguintes. [34]

Em um longo discurso ao Reichstag no início de 1937, Hitler relembrou os compromissos que ele havia feito quando seu governo assumiu o poder. Ele também explicou os princípios sobre os quais sua política estava baseada, e olhou para trás ao que ele havia realizado em quatro anos. [35] “… Aqueles que falam sobre ‘democracias’ e ‘ditaduras’,” ele disse, “simplesmente não entendem que uma revolução foi realizada neste país, os resultados do que pode ser considerado democrático no mais alto senso do termo, se democracia tem algum significado real… A revolução Nacional Socialista não objetivou em tornar uma classe privilegiada em uma classe que não terá direitos no futuro. Seu objetivo tem sido dar direitos iguais para aqueles que não têm direitos… Nosso objetivo tem sido fazer possível para todo o povo alemão ser ativo, não somente na economia, mas também no campo político, e garantir isto por envolver as massas organizacionalmente… Durante os últimos quatro anos nós aumentamos a produção alemã em todas as áreas a um grau extraordinário. E este aumento na produção tem sido para o benefício de todos os alemães.”

Em outro discurso, dois anos mais tarde, Hitler falou brevemente sobre as realizações econômicas de seu regime: [36] “Eu superei o caos na Alemanha, restaurei a ordem, aumentei enormemente a produção em todos os campos de nossa economia nacional, por árduos esforços produzimos substitutos para numerosos materiais que nos falta, encorajamos novas invenções, desenvolvemos tráfego [N.T.: de veículos], fizemos a construção de poderosas estradas e cavamos canais, erguemos fábricas gigantes, e ao mesmo tempo empenhamo-nos para favorecer a educação e cultura de nosso povo para o desenvolvimento de nossa comunidade social. Eu logrei em encontrar trabalho útil uma vez mais para o todo de sete milhões de desempregados, o que tão tocou nossos corações, em manter o camponês alemão em seu solo apesar de todas as dificuldades, e em preservar a terra ela própria para ele, em restaurar o próspero comércio alemão, e em promover o intercâmbio comercial ao máximo.”

O historiador americano John Garraty comparou as respostas alemãs e americanas para a Grande Depressão em artigo muito discutido publicado no American Historical Review. Ele escreveu: [37] “Os dois movimentos [isto é, no EUA e na Alemanha], entretanto reagiram à Grande Depressão de formas similares, distintas daquelas de outras nações industriais. Dos dois, os Nazis foram os mais bem sucedidos em curar as doenças econômicas dos anos 30. Eles reduziram o desemprego e estimularam a produção industrial mais rápido que os americanos fizeram e, considerando seus recursos, manejaram seus problemas monetários e de comércio com mais sucesso, certamente mais imaginativamente. Isto foi em parte porque os Nazis empregaram o déficit financeiro em uma escala muito maior e em parte porque seu sistema totalitário melhor se prestava para a mobilização da sociedade, ambos por força e por persuasão. Por 1936 a depressão estava substancialmente acabada na Alemanha, e muito distante de terminar nos Estados Unidos.”

De fato, a taxa de desemprego nos Estados Unidos permaneceu alta até que o estímulo de larga escala de produção de guerra teve lugar. Mesmo tão tarde quanto em março de 1940, a taxa de desemprego nos EUA ainda estava quase 15% da força de trabalho. Foi a produção para a guerra, não os programas do “New Deal” de Roosevelt, que finalmente trouxeram todos os empregos. [38]

Prof. William Leuchtenburg, um proeminente historiador americano, melhor conhecido por seus livros sobre a vida e carreira de Franklin Roosevelt, resumiu o recorde misto do presidente em um altamente aclamado estudo. “O New Deal deixou muitos problemas não resolvidos e mesmo criou alguns perplexamente novos,” concluiu Leuchtenburg. “Ele nunca demonstrou que ele poderia alcançar prosperidade em tempos de paz. Tão tarde quanto 1941, o desemprego ainda contava seis milhões, e não até o ano de guerra de 1943 o exército de desempregados finalmente desapareceu.” [39]

O contraste entre os registros da economia alemã e a americana durante os anos 30 é tão mais impressionante quando se leva em conta que os EUA tinham uma riqueza de recursos naturais vastamente maiores, incluindo grandes reservas de petróleo, tanto quanto uma densidade populacional mais baixa, e vizinhos não hostis e bem armados.

Uma comparação interessante das abordagens americana e alemã para a Grande Depressão apareceu em 1940 em um artigo do semanário berlinense Das Reich. Intitulado “Hitler e Roosevelt: Um Sucesso Alemão, Uma Tentativa Americana,” o artigo citava o “sistema parlamentar democrático” dos Estados Unidos como o fator chave na falha dos esforços da administração Roosevelt para restaurar a prosperidade. “Nós [alemães] começamos com uma ideia e levamos adiante medidas práticas sem levar em conta as consequências. América começou com muitas medidas práticas que, sem coerência interna, encobriu cada ferida com um curativo especial.” [40]

Poderia as políticas econômicas de Hitler funcionar nos Estados Unidos? Essas políticas são provavelmente mais manobráveis em países tais como Suécia, Dinamarca, e a Holanda, com uma população bem educada, autodisciplinada e étnica-culturalmente coesiva, e um tradicionalmente forte caráter “comunitário” com um alto nível de confiança social. As políticas econômicas de Hitler são menos aplicáveis nos Estados Unidos e outras sociedades com uma população étnica-culturalmente diversa, um marcado individualismo, tradição “laissez-faire” [N.T.: total liberalismo econômico], e um espírito “comunitário” correspondentemente mais fraco. [41]

Hitler ele próprio uma vez fez uma impressionante comparação dos sistemas social-político-econômico dos Estados Unidos, União Soviética e Alemanha. Durante um discurso no final de 1941 ele disse: [42]

“Nós agora viemos a conhecer dois [social-político] extremos. Um é aquele dos estados capitalistas, que usam mentiras, fraude e embuste para negar a seus povos os direitos vitais mais básicos, e que estão inteiramente preocupados com seus próprios interesses financeiros, pelos quais eles estão prontos para sacrificar milhões de pessoas. De outro lado nós temos visto o extremo comunista [na União Soviética]: um estado que trouxe miséria indescritível para milhões e milhões, e que, seguindo sua doutrina, sacrifica a alegria de outros. Disto [conscientização], em meu ver, há para todos nós somente uma obrigação, nominalmente, de empenharmo-nos mais do que nunca em direção a nosso ideal nacional e socialista… Neste estado [alemão] o princípio prevalecente não é, como na Rússia Soviética, o princípio da tal chamada igualdade, mas ao contrário, somente o princípio de justiça.”

David Lloyd George – que tinha sido primeiro ministro britânico durante a Primeira Guerra Mundial – fez uma extensa tour pela Alemanha no final de 1936. Em um artigo publicado mais tarde em um dos principais jornais de Londres, o homem de estado britânico recontou o que ele tinha visto e experimentado. [43] “O que quer que alguém possa pensar de seus [Hitler] métodos,” escreveu Lloyd George, “e ele são certamente não aqueles de um país parlamentar, não pode haver dúvida que ele realizou uma maravilhosa transformação no espírito do povo, em sua atitude acerca de um para com o outro, e em seu panorama econômico e social.

“Ele com direito clamou em Nuremberg que em quatro anos seu movimento tinha feito uma nova Alemanha. Ela não é a Alemanha da primeira década que seguiu a guerra – quebrada, desanimada e encurvada com um senso de apreensão e impotência. Ela é agora cheia de esperança e confiança, e de um renovado senso de determinação que conduz sua própria vida sem interferência de qualquer influência do exterior de suas próprias fronteiras.”

“Há pela primeira vez desde a guerra um senso geral de segurança. As pessoas estão mais alegres. Há um grande senso de alegria geral de espírito por todo o país. É uma Alemanha mais feliz. Eu vi isso em todos os lugares, e ingleses que eu conheci durante minha viagem e que conheciam bem a Alemanha estavam muito impressionados com esta mudança.”

“Este grande povo,” o experiente estadista passou a avisar, “trabalhará melhor, sacrificará mais, e, se necessário, lutará com maior resolução porque Hitler lhes pede que o façam. Aqueles que não compreendem este fato central não podem julgar as presentes possibilidades da moderna Alemanha.”

Apesar do preconceito e ignorância ter impedido o entendimento e uma compreensão mais ampla das políticas econômicas de Hitler e seu impacto, seu sucesso na política econômica tem sido reconhecido por historiadores, incluindo estudiosos que são geralmente muito críticos do líder alemão e das políticas de seu regime.

John Lukacs, um historiador húngaro-americano cujos livros tem gerado muitos comentários e elogios, escreveu: “As realizações de Hitler, doméstica em vez de estrangeiras, durante os seis anos [de paz] de sua liderança da Alemanha foram extraordinárias… Ele trouxe prosperidade e confiança aos alemães, o tipo de prosperidade que é o resultado da confiança. Os anos 30, após 1933, foram anos dourados para a maioria dos alemães; algo que permaneceu nas memórias de uma geração inteira entre eles.” [44]

Sebastian Haffner, um influente jornalista e historiador alemão que também era um feroz crítico do Terceiro Reich e sua ideologia, comentou a vida e legado de Hitler em livro muito discutido. Apesar de sua representação do líder alemão em The Meaning of Hitler (N.T.: O Significado de Hitler) ser áspera, o autor escreve todo o mesmo: [45]

“Entre as realizações positivas de Hitler a que resplandece sobre todas outras foi seu milagre econômico.” Enquanto o resto do mundo estava ainda atolado na paralisia econômica, Hitler fez da “Alemanha uma ilha de prosperidade.” Dentro de três anos, Haffner continua, “necessidade gritante e dificuldade em massa geralmente se tornou em prosperidade modesta, mas confortável. Quase igualmente importante: desamparo e desesperança deram lugar à certeza e autoconfiança. Mesmo mais miraculoso foi o fato que a transição da depressão ao boom econômico foi realizada sem inflação, em salários e preços totalmente estáveis… É difícil de descrever adequadamente a grata admiração com que os alemães reagiram àquele milagre, que, mais particularmente, fez vastos números de trabalhadores alemães trocarem dos social-democratas e comunistas para Hitler após 1933. Esta gratificante surpresa dominou o humor das massas alemãs durante o período de 1936 a 1938…”

Joachim Fest, outro proeminente jornalista e historiador alemão, examinou a vida de Hitler em uma aclamada e compreensiva biografia. “Se Hitler tivesse sucumbido em assassinato ou um acidente no final de 1938,” ele escreveu, “poucos hesitariam de chamá-lo de um dos maiores estadistas alemães, o consumador da história alemã.” [46] “Nenhum observador objetivo da cena alemã poderia negar as consideráveis façanhas de Hitler,” notou o historiador americano John Toland. “Se Hitler tivesse morrido em 1937 no quarto aniversário de sua chegada ao poder… ele indubitavelmente teria caído como uma das maiores figuras da história da Alemanha. Por toda Europa ele tinha milhões de admiradores.” [47]

Mark Weber

Fonte: http://www.ihr.org/other/economyhitler2011.html

Tradução livre e adaptação por Viktor Weiß

Notas:

[1] J. K. Galbraith, Money (Boston: 1975), pp. 225-226.

[2] J. K. Galbraith, The Age of Uncertainty (1977), pp. 214.

[3] J. K. Galbraith em The New York Times Book Review, Abril 22, 1973. Citado em: J. Toland, Adolf Hitler (Doubleday & Co., 1976), p. 403 (nota).

[4] J. K. Galbraith, The Age of Uncertainty (1977), pp. 213-214.

[5] Hitler discurso na rádio, “Aufruf an das deutsche Volk,” Feb. 1, 1933.

[6] John A. Garraty, “The New Deal, National Socialism, and the Great Depression,” The American Historical Review, Oct. 1973 (Vol. 78, No. 4), pp. 909-910.

[7] Gordon A. Craig, Germany 1866-1945 (New York: Oxford, 1978), p. 620.

[8] Richard Grunberger, The Twelve-Year Reich: A Social History of Nazi Germany, 1933-1945 (New York: Holt, Rinehart and Winston, 1971), p. 186. Primeiro publicado na Inglaterra sobre o título, A Social History of the Third Reich.

[9] R. Grunberger, The Twelve-Year Reich (1971), p. 187; David Schoenbaum, Hitler’s Social Revolution (Norton,1980 [softcover]), p. 100.

[10] David Schoenbaum, Hitler’s Social Revolution (Norton,1980), p. 101.

[11] David Schoenbaum, Hitler’s Social Revolution (Norton,1980 [softcover]), pp. 100, 102, 104; Historiador Gordon Craig escreve: “Em adição a estes inegáveis ganhos [isto é, na qualidade de vida], trabalhadores alemães recebiam significantes benefícios suplementares do estado. O partido conduziu uma campanha sistemática e impressionantemente bem sucedida para melhorar as condições de trabalho em instalações comerciais e industriais, com vistorias periódicas projetadas não somente para ver que regulações de saúde e segurança foram aplicadas, mas para encorajar algum alívio da monotonia do trabalho diário por meios de amenidades tais como música e crescimento de plantas e prêmios especiais por realizações.” G. Craig, Germany 1866-1945 (Oxford, 1978), pp. 621-622.

[12] Entrevista com Louis Lochner, correspondente da Associated Press em Berlim. Citado em: Michael Burleigh, The Third Reich: A New History (New York: 2000), p. 247.

[13] G. Craig, Germany 1866-1945 (Oxford, 1978), p. 623; John A. Garraty, “The New Deal, National Socialism, and the Great Depression,” The American Historical Review, Oct. 1973 (Vol. 78, No. 4), pp. 917, 918.

[14] J. A. Garraty, “The New Deal, National Socialism, and the Great Depression,” The American Historical Review, Oct. 1973, pp. 917, 918.

[15] Joachim Fest, Hitler (New York: 1974), pp. 434-435.

[16] R. Grunberger, The Twelve-Year Reich (New York: 1971 [hardcover ed.]), p. 203.

[17] R. Grunberger, The Twelve-Year Reich (1971), pp. 30, 208.

[18] R. Grunberger, The Twelve-Year Reich (1971), pp. 198, 235.

[19] G. Frey (Hg.), Deutschland wie es wirklich war (Munich: 1994), pp. 38. 44.

[20] R. Grunberger, The Twelve-Year Reich (1971), p. 179.

[21] D. Schoenbaum, Hitler’s Social Revolution (1980), pp. 118, 144.

[22] D. Schoenbaum, Hitler’s Social Revolution (1980), pp. 144, 145; Franz Neumann, Behemoth: The Structure and Practice of National Socialism 1933-1944 (New York: Harper & Row, 1966 [softcover] ), pp. 326-319; R. Grunberger, The Twelve-Year Reich (1971), p. 177

[23] R. Grunberger, The Twelve-Year Reich (1971), p. 177; D. Schoenbaum, Hitler’s Social Revolution (Norton,1980), p.125.

[24] D. Schoenbaum, Hitler’s Social Revolution (1980), pp. 148, 149.

[25] D. Schoenbaum, Hitler’s Social Revolution (1980), pp. 148, 149. (Por comparação, Schoenbaum observa, a média de imposto de renda para a faixa mais alta em 1966 na República Federal da Alemanha era cerca de 44 por cento.)

[26] D. Schoenbaum, Hitler’s Social Revolution (1980), p. 134.

[27] G. Craig, Germany 1866-1945 (Oxford, 1978), p. 633.

[28] R. Grunberger, The Twelve-Year Reich (1971), pp. 26, 121; G. Frey (Hg.), Deutschland wie es wirklich war (Munich: 1994), pp. 50-51.

[29] Citado em: J. Toland, Adolf Hitler (Doubleday & Co., 1976), p. 405. Fonte citada: Cesare Santoro, Hitler Germany (Berlin: 1938).

[30] R. Grunberger, The Twelve-Year Reich (1971), p. 223.

[31] Evan Burr Bukey, Hitler’s Austria (Chapel Hill: 2000), pp. 72, 73, 74, 75, 81, 82, 124. (Bukey é um professor de história em University of Arkansas.)

[32] R. Grunberger, The Twelve-Year Reich (1971), pp. 29, 234-235.

[33] John Lukacs, The Hitler of History (New York: Alfred A. Knopf, 1997), pp. 97-98.

[34] G. Craig, Germany 1866-1945 (Oxford, 1978), pp. 629-630.

[35] Discurso de Hitler no Reichstag de Jan. 30, 1937.

[36] Discurso de Hitler no Reichstag de Abril 28, 1939.

[37] John A. Garraty, “The New Deal, National Socialism, and the Great Depression,” The American Historical Review, Oct. 1973 (Vol. 78, No. 4), p. 944. (Garraty ensinou historio na Michigan State University e na Columbia University, e serviu como presidente da Society of American Historians.)

[38] John A. Garraty, “The New Deal, National Socialism, and the Great Depression,” The American Historical Review, Oct. 1973 (Vol. 78, No. 4), p. 917, incl. n. 23. Garraty escreveu: “Certamente, desemprego zero nunca se aproximou da América até que a economia estivesse totalmente alterada para a produção de guerra… Desemprego americano nunca caiu muito abaixo de oito milhões durante o New Deal. Em 1939 cerca de 9.4 milhões estavam fora de trabalho, e à época do censo de 1940 (em março), desemprego estava em 7.8 milhões, quase 15% da força de trabalho.”

[39] William E. Leuchtenburg, Franklin Roosevelt and the New Deal (New York: Harper & Row, 1963 [softcover]), pp. 346-347.

[40] De Das Reich, May 26, 1940. Citado em John A. Garraty, “The New Deal, National Socialism, and the Great Depression,” The American Historical Review, Oct. 1973, p. 934. Fonte citada: Hans-Juergen Schröder, Deutschland und die Vereinigten Staaten (1970), pp. 118-119.

[41] Durante uma visita à Berlim nos anos 30, o ex-presidente americano Herbert Hoover se encontrou com o Ministro de Finanças de Hitler, Conde Lutz Schwerin Von Krosigk, que explicou em detalhes as políticas econômicas de seu governo. Enquanto que reconhecendo que essas medidas eram benéficas para a Alemanha, Hoover expressou a visão de que elas não eram adequadas para os Estados Unidos. Políticas de preço e salário dirigidas pelo governo, ele acreditava, seriam contrárias à noção americana de liberdade pessoal. Veja: Lutz Graf Schwerin von Krosigk, Es geschah in Deutschland (Tübingen/ Stuttgart: 1952), p. 167; O influente economista britânico John Maynard Keynes escreveu em 1936 que suas políticas “Keynesianas”, que em alguma extensão foram abraçadas pelo governo de Hitler,” “podem ser muito mais facilmente adaptadas às condições de estado totalitário” do que em um país onde “condições de livre competição e um grande grau de laissez-faire” prevalecem. Citado em: James J. Martin, Revisionist Viewpoints (1977), pp. 187-205 (Veja também: R. Skidelsky, John Maynard Keynes: The Economist as Savior 1920-1937 [New York: 1994], p. 581.); Pesquisas em anos recentes mostram que maior diversidade étnica reduz os níveis de confiança social, e a funcionabilidade de políticas de bem estar social. Veja: Robert D. Putnam, “E Pluribus Unum: Diversity and Community in the Twenty-first Century,” Scandinavian Political Studies, June 2007. Veja também: Frank Salter, Welfare, Ethnicity, and Altruism (Routledge, 2005)

[42] Discurso de Hitler em Berlim, Oct. 3, 1941.

[43] Daily Express (London), Nov. (or Sept.?) 17, 1936.

[44] John Lukacs, The Hitler of History (New York: Alfred A. Knopf, 1997), pp. 95-96

[45] S. Haffner, The Meaning of Hitler (New York: Macmillan, 1979), pp. 27-29. Primeiro publicado em 1978 sob o título Anmerkungen zu Hitler. Veja também: M. Weber, “Sebastian Haffner’s 1942 Call for Mass Murder,” The Journal of Historical Review, Fall 1983 (Vol. 4, No. 3), pp. 380-382.

[46] J. Fest, Hitler: A Biography (Harcourt, 1974), p. 9. Citado em: S. Haffner, The Meaning of Hitler (1979), p. 40.

[47] J. Toland, Adolf Hitler (Doubleday & Co., 1976), pp. 407. 409.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Congresso Mundial Judaico pela primeira vez na Argentina

 


Em março deste ano (este artigo é de 2016 – NR) ocorreu, em Buenos Aires, a reunião anual do Congresso Mundial Judaico (WJC). O presidente argentino Maurício Macri abriu o evento de três dias, juntamente com o presidente do WJC, Ronald Lauder. Foi a primeira vez que a principal reunião é realizada na Argentina. A comunidade judaica do país é a maior da América Latina, com cerca de 200 mil “eleitos por D’us”.

Mauricio Macri participará em Buenos Aires de reunião de cúpula da liderança judaica mundial

Mais de 400 líderes de comunidades judaicas de 100 países se reunirão de 15 a 17 de março em Buenos Aires para a sessão especial da Assembleia Plenária do Congresso Judaico Mundial (CJM), a mais importante instituição representativa das comunidades judaicas.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, discursará na abertura da Assembleia, e o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, será homenageado com o Prêmio Shalom do Congresso Judaico Latino-Americano por seu trabalho em prol da paz. Também falará o ministro israelense de Educação e de Assuntos da Diáspora, Naftali Bennett. A delegação brasileira será composta por Fernando Lottenberg, presidente da Conib; Gilberto Meiches, vice-presidente; Milton Seligman, diretor; Chella Safra, tesoureira do Congresso Judaico Mundial; e também o jovem Richard Sihel.

Segundo Claudio Epelman, diretor executivo do CJL, um dos motivos para a escolha da realização do evento na Argentina, é “a nova etapa de construção de pontes entre a comunidade judaica local e o governo argentino”.

O presidente do CJM, Ronald S. Lauder falou sobre o encontro: “Esta será a maior reunião de líderes judeus do mundo que acontecerá na América Latina, nas últimas décadas. Esperamos um debate frutífero e mostraremos a solidariedade com a comunidade judaica da Argentina, a maior do continente”.

Ele e Jack Terpins, presidente do CJL, complementaram: “Deixaremos claro que não é aceitável que, mais de duas décadas depois dos terríveis atentados terroristas contra a Embaixada de Israel na Argentina e contra a AMIA, não se tenha feito justiça!”

Lauder está satisfeito com a decisão de Macri em findar o memorando de entendimento entre Argentina e Irã e espera que o governo aja com rapidez para garantir a punição dos responsáveis pelos atentados.

PROGRAMAÇÃO

4ª feira, 16 de março de 2016

9h – Convocação para a Assembleia Plenária Especial; informes do presidente e CEO do CJM, Ronald S. Lauder e Robert Singer, respectivamente, entre outros; discussão das resoluções institucionais

11h – Discurso de Adalberto Rodríguez Giavarini, presidente do Conselho Argentino de Relações Exteriores, e discussão sobre o tema ‘Diferentes percepções de Israel’

11h30 – Discussão sobre medidas para contestar o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel

12h15 – Intervenção de Luis Almagro Lemes, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), sobre o conflito no Oriente Médio.

12h45 – Entrega do Prêmio Shalom do Congresso Judaico Latino-Americano ao presidente do Paraguai, Horacio Cartes.

14h45 – Discurso do ministro israelense de Educação e de Assuntos da Diáspora, Naftali Bennett

15h15 – Sessão sobre a ameaça do terrorismo internacional para as comunidades judaicas, com intervenções do embaixador da França na Argentina, Jean-Michel Casa e o testemunho da Irmã Guadalupe sobre sua vida em Aleppo (Síria); discussão e votação de resoluções sobre terrorismo internacional e o atentado à AMIA

17h – Intervenção de Omar Abboud, líder laico da comunidade muçulmana da Argentina

17h30 – Homenagem ao falecido Alberto Nisman, fiscal especial na investigação do atentado à AMIA 2004-2015

5ª feira, 17 de março de 2016

10h30 – Homenagem às vítimas do atentado à AMIA (1994), com testemunhos pessoais dos sobreviventes; colocação de coroas de flores feita pelos líderes do CJM e CJL

14h30 – Cerimônia oficial pelo aniversário dos ataques terroristas de 1992 contra a Embaixada de Israel

14h42 – Minuto de silêncio, seguido dos discursos do presidente do CJM Ronald S. Lauder e pelos representantes dos governos da Argentina e Israel.

Conib, 11/03/2016.
http://www.conib.org.br/noticias/3197/mauricio-macri-participar-em-buenos-aires-de-reunio-de-cpula-da-liderana-judaica-mundial

A falta de esclarecimento dos dois atentados contra a comunidade judaica do país é tida como “inaceitável” pela liderança judaica. Tanto o atentado contra a embaixada israelita que deixou 22 mortos, assim como a explosão terrorista ocorrida dois anos depois, em 1994, na Associação Mutual Israelita-Argentina (AMIA), onde morreram 85 pessoas, ainda não foram esclarecidas. Não devemos também esquecer que o promotor Alberto Nisman, que liderava as investigações do atentado contra a AMIA, foi assassinado com um tiro na cabeça em janeiro do ano passado.

A ministra do exterior da Argentina, Susana Malcorra foi bastante aplaudida em seu pronunciamento, indicando que os judeus não perceberam o golpe de pelica desferido. A ministra salientou a boa convivência que a Argentina desenvolveu entre todas as culturas e religiões presentes no país:

“Nós aprendemos a conviver em paz e a fundir nossas culturas de tal forma, que poderia ser exemplo a muitos países no mundo.”

Pena que Israel não consegue assimilar tais mensagens, muito ao contrário, continua com sua habitual chutzpa (cara de pau): “Forma de antissemitismo contra a única e verdadeira democracia do Oriente Médio” foi a reação dos delegados em relação à campanha BDS – “Boycott, Divestment and Sanctions” contra Israel – NR.

terça-feira, 17 de março de 2026

QI dos acusados alemães e seu juízo sobre Hitler

 

Esperando o julgamento em Nuremberg, os principais acusados alemães foram submetidos a testes psicológicos, entre outros de QI, pelo norte-americano Dr. Gilbert. Dentro deste processo, eles fizeram uma avaliação sobre Adolf Hitler e que reproduzimos aqui com o intuito de ajudar as pessoas nos dias de hoje a terem uma idéia mais condizente com a realidade dos fatos, em oposição às tolas adjetivações que o líder alemão angariou para si ao longo dos anos, fruto da propaganda de guerra aliada e repetidas à exaustão por toda sorte de tolos.

“Ele tinha sacadas que outras pessoas nem imaginavam”

Werner Maser foi um famoso historiador alemão e biógrafo de Hitler. Ele foi o primeiro historiador a avaliar os documentos do principal arquivo do NSDAP e em seu livro Adolf Hitler. Legende – Mythos – Wirklichkeit, ele se dedica a desmistificar as lendas em torno de Hitler e sua representação como psicopata. No livro Nürnberg – Tribunal der Sieger (Nuremberg – Tribunal dos vencedores), Maser apresenta à página 411 et seq as declarações dos principais acusados no Tribunal de Nuremberg sobre o Führer. Abaixo transcrevemos este relato.

Werner Maser, Nürnberg – Tribunal der Sieger, Edition Antaios, 2005.

Após os testes conduzidos pelo psicólogo americano, Dr. Gustav M. Gilbert, aos quais foram submetidos os principais acusados alemães em Nuremberg, Hjalmar Schacht, Seyß-Inquart, Hermann Göring e Karl Dönitz foram considerados “gênios”. Schacht e Seyß-Inquart apresentaram um quociente de inteligência que somente um por cento da população mundial pode requerer para si.

Que Adolf Hitler teria em tal teste pelo menos algo semelhante, pode ser dado como certo pelos até então comprovados fatos. [1]

Considerando que estavam diante da forca, os juízos de valor dos principais acusados sobre Hitler tomam outra dimensão e julgamos oportuno reproduzí-los abaixo:

Hjalmar Schacht (avaliado por Gilbert com 143 pontos e classificado como um gênio)


Hjalmar Schacht caminha ao lado de Hitler

“(Hitler) leu muito, angariou um vasto conhecimento e brincava com esse conhecimento de forma virtuosa em todos os debates e apresentações. Sem dúvida alguma ele era uma pessoa genial em determinado aspecto. Ele tinha sacadas que outras pessoas nem imaginavam e eram adequadas para encontrar com certeza a saída de uma situação, às vezes de enorme dificuldade através de uma espantosa simplicidade, às vezes também através de uma brutalidade estupenda. Ele era um psicólogo das massas de uma diabólica genialidade.” […] “Eu acredito que no início ele não tenha sido levado somente por um ímpeto maligno. Ele acreditou originalmente, sem dúvida alguma, querer algo de bom; mas ele próprio sucumbiu diante desse feitiço que provocava nas massas… Ele era um homem de uma energia inquebrantável, de uma vontade que dissipava todas as resistências à sua frente. Somente a essas duas qualidades de psicologia das massas e sua vontade enérgica, Hitler tem que agradecer… que pôde então colocar atrás de si até 40% e depois quase 50% de todo o povo alemão.” [IMT, Bd. XII, pág. 492]

Hjalmar Schacht foi presidente do Reichsbank durante os anos iniciais do Nacional-Socialismo e levou a cabo com sucesso as diretrizes do partido para eliminação do desemprego.

Hermann Göring (138 pontos)


Hermann Göring e Hitler em Carinhall, 1934

“Depois de um tempo quando eu tive uma melhor percepção da personalidade do Führer, eu lhe dei a mão e disse: ‘Eu uno meu destino ao seu na prosperidade e na ruína… nos bons e maus períodos, e (eu) … não retiro minha cabeça’”. [IMT, Vol. IX, pág. 489] “À vista da personalidade dinâmica do Führer, um conselho não solicitado não era de forma alguma recomendado, e dever-se-ia ter uma boa relação com ele, exercer uma grande influência, como eu… tive dele…por muitos anos…” Ele deixava de lado “as recomendações e as consultas, onde ele já tinha tomado suas decisões” ou “não queria que o consultor chegasse a uma influência ou posição tão influente”. [IMT, Vol. IX, pág. 413] “Sobretudo a política externa era a área mais intrínseca do Führer … a política externa de um lado e a liderança da Wehrmacht de outro, exigiram o maior interesse e a maior parte do trabalho do Führer”. [IMT, Vol. IX, pág. 446] “Ele se preocupou aqui extraordinariamente com os detalhes”. [IMT, Vol. IX, pág. 446] “Em alguns casos, ele mandava que buscassem documentos, sem que os especialistas pudessem reconhecer os motivos; em outros casos ele comunicou aos seus conselheiros sobre o que tinha em mente, e recebia deles os documentos e avaliações concernentes. Ele próprio… decidia”. [IMT, Vol. IX, pág. 684] “… minha opinião é que o Führer não estava informado sobre os detalhes dos Campos de Concentração, sobre as… atrocidades; assim como eu lhe conheço, eu não acredito certamente nisso…”. [IMT, Vol. IX, pág. 678]

[1] Compare para isso Werner Maser, Adolf Hitler. Legende – Mythos – Wirklichkeit. Munique e Eßlingen, 1971.