Bunker da Cultura Web Rádio

>

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Estados Unidos, seu PNB e seu impacto de ultradominância mundial.




O mundo ainda está tentando entender o que é poder. A maioria olha para o tamanho do exército, o número de habitantes, a quantidade de portos ou a balança comercial. Mas isto é visão de colônia. De peão. De quem pensa que estatística faz império.

Poder de verdade não está no que você tem, mas no que você não precisa pedir.

Os Estados Unidos são a única nação do planeta que, se quiser, pode desligar o mundo. Não no botão da guerra, mas no da produção. Porque enquanto os analistas aplaudem o PIB, o verdadeiro trono está no PNB — o Produto Nacional Bruto. E ele não é só número. É o retrato de um império que lucraria mesmo se estivesse em coma.

Trinta trilhões de dólares. Este é o PNB dos EUA. Trinta trilhões produzidos, investidos ou controlados por americanos — mesmo quando a fábrica está em Xangai, o chip em Taiwan e o navio ancorado em Singapura. Agora pare e imagine: e se metade disso fosse trazido de volta? Não o lucro, não os dividendos — mas a linha de produção inteira. As fábricas. O maquinário. Os operários. O suor. O aço. A inteligência. O código. Não é repatriação de capital. É repatriação do mundo.

Coloca isto dentro das fronteiras americanas e você cria uma economia de 45 trilhões de dólares, com base energética própria, consumo interno inigualável, inovação autogerada, inteligência artificial a serviço da fábrica — e tudo isto blindado por porta-aviões e pelo dólar.

A China? Sufoca. Porque o milagre chinês não foi criado em Pequim. Foi criado em Michigan, Silicon Valley, Kansas, Indiana — quando empresas americanas decidiram terceirizar a espinha dorsal do mundo para reduzir custos. O que Trump propõe agora é simples: a espinha dorsal volta para casa. E com ela, o comando central.

Enquanto isto, o chinês médio ainda vive com mil reais por mês. O yuan continua sendo uma moeda que ninguém quer guardar. E a população, que é gigantesca no número, continua rasa no poder de compra. É uma economia de escala sem densidade. Um colosso estatístico de pés comunistas e caixa ocidental.

E aqui está o truque: os EUA não precisam exportar para sobreviver. Eles exportam por esporte. O consumo interno americano movimenta 70% do próprio PIB — algo que nenhum país sequer ousa sonhar. Isto significa que eles podem produzir, vender e lucrar sem sair do próprio quintal. E quando exportam, exportam para aliados que dependem deles militarmente, diplomaticamente, energeticamente, tecnologicamente — em tudo.

Japão? Protetorado elegante.

Alemanha? Satélite OTAN com vinho e culpa.

Brasil? Buffet de commodities esperando bênção alfandegária.

Coreia do Sul? Base militar com Wi-Fi.

Europa? Museu com bandeira azul.

China? O fornecedor descartável da festa para a qual não foi convidado.

Isto não é arrogância. Isto é estrutura. Isto é o que acontece quando um país descobre que pode dominar o mundo sem invadir ninguém, apenas trazendo tudo de volta e dizendo: “agora é daqui pra fora”.

E quando o mundo perceber que está preso ao dólar, à proteção militar, ao algorítmo americano, ao suprimento de semicondutores, às redes sociais, à cultura e ao sistema financeiro, já será tarde demais.

Não haverá terceira via. Não haverá BRICS. Não haverá multipolaridade. Só haverá órbita. E no centro estará um país que parou de emprestar sua produção para os outros e decidiu trabalhar para si.

Esta não é uma revolução. É uma retomada divina do que sempre foi deles. O império está de volta. Mas desta vez, sem pedir desculpas.


Diego Muguet




quinta-feira, 17 de julho de 2025

Não há progresso sem liberdade... Mas a censura está se espalhando cada vez mais

 A liberdade é um fim e um meio. A liberdade é um valor em si mesma, mas é também a base do progresso econômico. Inovação é a aplicação de novas ideias ao processo de produção. Isso inclui novos produtos, novos métodos de produção, a abertura de novos mercados e a implementação de novas formas de organização. As ideias levam a novos produtos, a produtos melhores, a produtos mais baratos e a uma maior variedade e qualidade de produtos. Inovação é mais do que invenção ou pesquisa e desenvolvimento. É a realização empreendedora de ideias de negócios. Os empreendedores têm a função de realizar essas ideias que aumentam a produtividade. A inovação é, portanto, uma expressão da criatividade humana. O progresso técnico é intangível. Em última análise, são ideias, lampejos de inspiração que impulsionam o progresso econômico ao serem realizados por empreendedores enérgicos. O crescimento econômico depende da capacidade da economia e da sociedade de produzir inovações comercializáveis. Sem liberdade, o progresso econômico é bloqueado.


A acumulação de capital combinada com o conhecimento é a chave para a produtividade e, portanto, para a prosperidade. O progresso técnico é um fenômeno intelectual. A liberdade de pensamento e a liberdade empresarial são seus fundamentos. Na acumulação de capital humano, parte do tempo é gasto em treinamento. A inovação vem de experimentar novas ideias em vez de usar os mesmos processos repetidamente ou produzir os mesmos produtos repetidamente.

O conhecimento tecnológico serve como instruções para o uso de como o trabalho humano pode ser aumentado em sua interação com o capital físico. O crescimento econômico não é apenas encontrar ideias, mas também realizá-las de forma lucrativa no mercado. Apenas o teste comercial mostra se a inovação é útil ou não. O mercado mostra se a receita é boa ou não. Sem um teste de mercado, ninguém pode saber exatamente o valor de um novo produto. Portanto, o estado é inadequado para moldar com sucesso a chamada "gestão de investimentos" ou para servir como força motriz para o progresso econômico por meio de mais gastos governamentais.  

O crescimento econômico ocorre quando são feitos desvios na produção produtiva. Em vez de produzir um bem diretamente, a produção do bem de consumo ocorre por meio de bens intermediários, os chamados bens de produção, que juntos representam o capital de uma economia. Capital real são bens de capital usados para a produção de outros bens. O capital humano engloba a qualidade do trabalho humano, que é aprimorada por meio de treinamento e aquisição de habilidades.

A acumulação de capital ocorre estendendo um método simples de produção por um desvio produtivo da produção, a fim de alcançar um melhor resultado no uso dos fatores de produção. Para fazer um desvio na produção, são necessárias reservas de poupança. Para fazer isso, é necessário não gastar toda a sua renda atual em consumo. A renda não utilizada é utilizada para a realização de atividades cujo rendimento só é alcançado posteriormente. Este fato também revela o problema da dívida nacional. Excluindo os empréstimos contraídos no estrangeiro, os empréstimos líquidos contraídos pelo setor público devem ser cobertos pela poupança privada. A dívida pública significa, assim, poupança negativa e reduz o montante da poupança na economia no seu conjunto. Para financiar o estado, o setor privado deve alcançar um excedente de poupança. Isso pode ser feito em parte reduzindo o consumo na forma de austeridade forçada, mas, em grande medida, é verdade que o aumento da dívida pública ocorre às custas do investimento. O excedente de poupança no setor privado é então causado pela restrição do investimento privado. A longo prazo, haverá uma redução no crescimento econômico e na produtividade futuros e, portanto, na prosperidade.

A inovação requer liberdade em todas as suas formas, tanto para a iniciativa privada quanto para a informação. Meras ideias não são suficientes. Para que a inovação aconteça, as ideias devem ser realizadas e sua realização deve ser divulgada. A inovação precisa de comunicação. A troca de ideias pressupõe que haja a possibilidade de tornar públicas novas ideias, discuti-las livremente e desenvolvê-las sem restrições. Por um lado, trata-se de um problema técnico e que toca na questão de saber quais os meios de comunicação disponíveis. O progresso econômico anda de mãos dadas com a liberdade empresarial. Ambos prosperam onde a liberdade de expressão também prevalece. A inovação deve ser divulgada para encontrar um mercado. Se uma inovação pode prevalecer depende, entre outras coisas, da rapidez com que ela pode se tornar um sucesso de vendas. É por isso que anunciar novos produtos não é um desperdício, mas essencial para que as inovações prevaleçam. Além dos pioneiros da produção, os pioneiros do consumo também têm uma tarefa central.

A este respeito, a invenção da impressão com tipos móveis foi um precursor decisivo da Revolução Industrial, porque tornou a produção de livros e, portanto, a distribuição de textos subitamente mais barata. Hoje, isso se aplica aos meios eletrônicos de comunicação. A Internet expandiu enormemente o potencial de comunicação. Assim como os países que suprimiram a impressão de livros há cerca de quinhentos anos perderam contato com a era moderna, hoje os estados que suprimem a liberdade da Internet perderão contato com o futuro.

Inovação significa destruição criativa e, como tal, encontra resistência. Quanto mais o poder econômico e político estiverem conectados, mais fácil será para os detentores do poder econômico bloquear inovações por meios políticos. Este foi o caso em todo o mundo no passado. Os Estados Unidos foram a primeira grande exceção.

O triunfo econômico dos Estados Unidos baseia-se, entre outras coisas, no fato de que há menos obstáculos à disseminação de ideias nos EUA do que em outros países. Já no século XVIII, como consequência da liberdade fundamental de religião, havia também liberdade de opinião e de publicação, enquanto a censura política ainda prevalecia em muitos casos na Europa. A indústria da imprensa floresceu nos EUA desde o início. Os Estados Unidos também foram líderes em alfabetização e educação universal muito antes de o estado agir nesse campo. Afinal, os EUA foram o país que introduziu a liberdade de comércio com sua independência e, assim, criou a base para o empreendedorismo americano. Quanto mais um país ou região se comprometer com a economia de livre mercado, mais cedo e mais claramente experimentará o avanço econômico.

Nos EUA, a liberdade de religião, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa prevaleceram, juntamente com a liberdade de atividade empresarial, à qual se opunha pouco ou nenhum poder político significativo. Aqueles que não gostaram na costa leste mudaram-se para o oeste, escapando dos poderes estabelecidos a cada quilômetro.

Após o fim da Guerra Civil Americana (1861-1865), iniciou-se uma longa fase de crescimento econômico, que levou a uma longa série de inovações voltadas para o consumidor, especialmente na virada do século.

Enquanto no Velho Continente as invenções inovadoras ainda estavam em grande parte limitadas ao setor de bens de capital, nos EUA já havia inovações significativas no mercado de bens de consumo na virada do século. Em pouco tempo, a realidade da vida das grandes massas mudaria fundamentalmente, começando com telefones, geladeiras, rádios e filmes até o carro como produto de massa e cadeias de hotéis e restaurantes.

O crescimento econômico trouxe coisas para as mãos de pessoas comuns com as quais nem mesmo os governantes mais poderosos do passado podiam sonhar. Hoje, o assalariado médio nos países industrializados desenvolvidos vive muitas vezes melhor do que as pessoas mais ricas e poderosas antes da Revolução Industrial. Mesmo as famílias pobres possuem os bens padrão que caracterizam uma família moderna. A razão para esse sucesso é a manutenção estrita da liberdade de expressão e da atividade empresarial que é o mais desinibida possível. Ambos estão sempre e em todos os lugares em perigo.

Os Estados Unidos também não estão imunes a uma recaída na censura. Este foi o caso durante a Guerra da Independência e durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Hoje, uma nova forma de censura é desenfreada, restringindo a liberdade de expressão na esteira do politicamente correto e da influência de interesses especiais. Além disso, há uma jurisprudência anti-negócios e anti-inovação. Não é surpreendente que a liberdade econômica também esteja diminuindo ao mesmo tempo em que a liberdade de expressão está sendo restringida. Nos EUA de hoje, também, a atividade empresarial está em perigo. No ranking internacional de liberdade econômica, os EUA estão em declínio. Quanto mais os Estados Unidos ficarem para trás no crescimento no futuro, mais outros países virão à tona se tiverem a coragem de dar rédea solta à plena liberdade de expressão, liberdade de imprensa e atividade empresarial.

Pesquisa da Heritage Foundation mostram uma correlação clara entre liberdade econômica e renda e entre liberdade econômica e progresso social. Quanto mais livre for a economia de um país, mais pronunciada será a mobilidade social e mais favoráveis serão outros critérios de progresso, como saúde, melhor meio ambiente, desenvolvimento humano, participação e redução da pobreza. A cadeia causal vai da liberdade econômica ao crescimento econômico e daí para uma renda mais alta e mais prosperidade, com a liberdade geral de pensamento e especialmente a liberdade de expressão sendo os fundamentos da liberdade econômica.

Antony Muller


domingo, 13 de julho de 2025

TIROLESES NO BRASIL

 Santa Catarina e Rio Grande do Sul são os estados do Brasil com o maior número de descendentes de tiroleses. No estado vivem milhares de brasileiros que possuem antepassados vindos do Tirol. Apresentamos a lista com os sobrenomes tiroleses presentes no estado catarinense.

Incluímos os nomes originais das listas de imigrantes com as variações de registro ocorridas no Brasil. Esta lista se baseia em três critérios:

1 – Sobrenomes existentes em SC até a presente data (2025). Não estão incluídos os sobrenomes de imigrantes que não existem mais nos dias atuais, nem sobrenomes de famílias que se transferiram do estado.

2 – Sobrenomes existentes nas áreas de colonização tirolesa em Santa Catarina (Rodeio, Rio dos Cedros, Timbó, Vale do Itajaí, Nova Trento, Guabiruba, Orleans, Treze Tílias).

3 – Sobrenomes tiroleses de imigrantes que se estabeleceram em outros estados (RS, PR, SP etc), cujos descendentes se transferiram posteriormente para Santa Catarina. Um exemplo são os sobrenomes tiroleses existentes na Serra Gaúcha que também são encontrados no oeste catarinense.



Todos os sobrenomes abaixo são tiroleses, mas alguns deles também existem em demais regiões da Europa, principalmente em países como a Alemanha, a Áustria, a Itália e a Suíça. Por exemplo, sobrenomes como BauerFuchs e Grott não existem apenas no Tirol, mas em praticamente toda a Áustria e Alemanha; sobrenomes como BrunelliMarchiori Rossi ocorrem tanto no Tirol como em outras regiões da Itália. Portanto, não necessariamente quem tenha um sobrenome presente nesta lista será descendente de tiroleses.

A região do Tirol entre a Áustria e a Itália.

Vale lembrar que o Tirol é uma região da Europa que esteve unida à Áustria de 1363 até 1918, e que desde o final da Primeira Guerra Mundial (1918), a parte sul do Tirol foi anexada à Itália como conquista de guerra, de modo que a região tirolesa se encontra hoje dividida entre a Áustria (Tirol do Norte e Leste) e a Itália (Trentino-Tirol do Sul). Por ser uma região onde se falam os idiomas alemão, italiano e ladino, os sobrenomes tiroleses podem ter origens germânicas ou latinas.

A região do Tirol histórico atualmente entre a Áustria e a Itália.

A maior parte dos sobrenomes tiroleses no Brasil são oriundos da região trentina do Tirol, pois os trentinos (tiroleses de língua italiana) formavam a maioria dos imigrantes, chegados ao estado sobretudo a partir de 1875. Muitos sobrenomes trentinos têm origem germânica, mas foram italianizados no decorrer dos séculos ainda na Europa, de modo que a grafia já estava modificada quando os imigrantes chegaram ao Brasil; alguns registros brasileiros preservaram a grafia “italianizada” que já era usada no Império Austríaco (Friz ao invés de FritzCheller ao invés de Keller), mas alguns cartórios catarinenses, provavelmente por conta da forte presença alemã no estado, “recuperaram” a antiga grafia germânica de alguns sobrenomes, como no caso de Visentainer que também aparece como Wiesenteiner, ou de Eccher que se torna Ecker. Há, também, os casos de sobrenomes que foram modificados no Brasil, como Hüller que se tornou Uller, entre outros. A lista apresenta as variações encontradas.

 SOBRENOMES TIROLESES 


ADAMI
Agostini
Aigner
Albani
Albasini
Alessandrini
Altenburger
Altmayer
Alviser
Amadori
Ambrosi
Amistadi
Ancher
Anderle
Andreatta
Andreis
Andreoli
Andrighetoni (Andrighettoni)
Andriolo
Anesi
Angeli
Angheben
Anrain
Antoniati
Archel
Archer
Armelini
Aste
Auer
Auffinger
Avi
Avosani
Azzolini
= B =
Bachler
Bagattini (Bagatini)
Bagattoli
Baldesarelli (Baldisarelli)
Baldessari
Baldo
Ballista
Bampi
Barato
Baratter (Barater, Baratieri)
Baroni
Bartolomè
Bassi
Bastian(i)
Battisti
Battisti-Archer
Battistotti
Bauer
Baudini
Bazzanella
Beber (Bebber, Weber)
Becca (Beca, Becka)
Belli
Bellin(i)
Benini
Benoni
Benvenuti (Benvenutti)
Bergher (Berger)
Berlanda
Berloffa
Bernabè
Bernardi
Bersani
Bertagnoli
Berté
Bertella
Berti
Bertoldi
Bertoli
Bertolini
Bertotti
Bettega
Bianchi
Bianchini
Boller
Bolognani
Bolzani
Bombasaro
Bona (Boni)
Bonatti
Boneccher (Bonecher, Bonecker)
Bonfioli
Bongiovani
Bonvecchio
Borghetti
Borgogno
Borinelli
Bort
Bortolini
Bortolotti
Boschetti
Boso
Bottamedi (Bottamelli)
Bottesi
Botticelli
Boz(z)
Bridarolli
Bridi
Brighenti
Broch (Brock)
Brol
Brugger
Brugnara
Brum
Brunelli
Bruner (Brunner)
Buratti
Burtscher
Busarello
= C =
Cadore
Cagliari (Caliari)
Cagol
Calai (Callai)
Caldonazzi
Calmesini
Campani
Campestrini
Campregher
Cappelletti (Capeletti)
Capraro
Caracristi
Caresia
Carissimo
Carli
Carlin(i)
Casagranda
Casagrande
Casali
Caset
Casetti
Cattani
Cattoni
Cavalieri
Cazzaniga
Ceccato
Cechin
Cechini
Celva
Cembrani
Cembranelli
Cemin
Ceola
Cestari
Cheller (Keller)
Chiarani
Chiarelli
Chiogna
Chistè
Cipriani
Cobbe (Cobe)
Colla (Kolla)
Conci
Concini
Comper
Conti
Conzatti
Corn
Corradini (Coradini)
Corrati
Corrente
Coser (Cozer)
Costamilan
Costante
Crepaz (Crepatz)
Cristelli
Cristofoletti (Christofoletti)
Cristofolini
Cucco
= D =
Dadam
Daicampi
Dalbosco
Dalcanale
Dalcastagnel
Dalfovo
Dallabona
Dallabrida (Dalla Brida)
Dall’Agnolo (Dallagnolo, Dell’Agnolo)
Dallago
Dallapicola
Dall’Astra (Dallastra)
Dalla Rosa (Dallarosa)
Dalledonne
Dalmaso
Dalmonico
Dalnegro
Dalpiaz
Dalponte
Dalprà
Dalrì
Dalsass(o)
Dalsenter
Daltrozzo
Dalzocchio (Dalzochio, Dalsochio)
Dandrea
Daniz
Danna
Debiasi (De Biasi)
Decampi
Decarli
Degasperi
Delait
Delcastagnel
Dellai (Delai)
Dellagnolo
Deluca (Delucca)
Demarchi
Demattè
Demonte
Demozzi
De Nadal
Densati
Depinè
Devigili
Dialer
Dolzani
Dorigatti
Dossi
Dummer
Duregger
= E =
Eberl
Eccel
Ecchel (Echel, Eccheli, Eckel)
Eccher (Echer, Ecker)
Eckardt
Eder
Emer
Enderle
Erlacher
Erharter
= F =
Fachini
Fadanelli
Faes
Fait
Faitini
Fankhauser
Fantini
Fattore
Fava
Fedrizzi
Feldkircher (Feldchircher, Felchircher)
Felicetti
Feller
Ferrari
Fiamozzini (Fiamoncini, Fiamonzini)
Fiedler
Fiemazzo (Fiamazzo)
Filigrana
Filippi (Felippi)
Filz (Filtz)
Flaim (Flain)
Floriani
Focel
Fogolari
Foidl
Fontana
Fontanelli
Forti
Fracalossi
Frainer
Franceschini
Franz (Frantz)
Franzoi
Frisanco
Friz (Fritz)
Frizzera
Fronchetti
Froner
Fronza
Fruet
Fuchs
Furlan(i)
= G =
Gabrielli
Gadenz
Gadotti
Gaigher (Gaiger)
Gaio
Galter
Galvagni
Galvani
Gandin
Garbari
Gasperi
Gastl
Gatti
Geiger
Geisler
Gerola (Girola)
Gezzele (Gessele)
Ghesla
Ghezzi
Ghiotti
Giacomini
Giacomelli
Giacomozzi
Giampicollo
Gianesini
Gilli
Giongo
Gionta (Giunta)
Giordani
Giori
Giosele
Giovanazzi
Giovanella
Girardi
Girardelli
Girolla
Giusti
Golli
Gomig
Gottardi (Gothardi)
Grander
Grando
Gratt
Gretter
Gritsch
Groff
Grosselli
Grott
Gründler
Gschwendtner
Gubert
Gwiggner
= H =
Haas
Hafner
Hanser
Hausberger
Hechenblaickner (Heckenblaickner, Hechenblaichner)
Hillebrand
Hohlrieder
Huber
Hueller (Hüller, Huller, Ueller, Uller)
= I =
Iagher (Iager, Jagher, Jager)
Igo
Iob (Job)
Iori
= J =
Jagher (Jager, Iagher, Iager)
Job (Iob)
Jobstraibizer
Juen
= K =
Kafmann
Kandler
Karrer
Keller (Cheller)
Kerschbaumer
Kisner
Klein
Klotz
Knolseisen
Kohl
Kohler
Kompatscher
Kranz
= L =
Lampert(i)
Lanner (Laner)
Lasta
Larentis (Laurentis)
Lazzeri
Lecher
Leitempergher (Leitemperger)
Leitner
Leonardelli
Lenzi
Leoni
Leopoldini(o)
Libardi
Libardo
Lindner
Lira
Lolata
Longhi
Longo
Lonner (Loner)
Lorenz(i)
Loss
Lover
Lunelli
Luxner
= M =
Maestri
Maffei
Maffezzoli
Maiochi
Maiola
Mairhofer
Malfatti
Manfrini
Manica
Mansueto
Maoli
Maraner
Marasca
Marchetti
Marchi
Marchiori
Marcola
Marega
Margreiter
Martinelli
Martinello
Martini
Marzani
Masera
Massalai (Mazzalai)
Mattedi
Mattei
Matuella
Mayrhofer
Maule
Mazzalai
Mazzurana
Menegaz
Menegazzi
Meneghel (Menegel)
Meneghelli
Meneghini
Menestrina
Mengarda
Mengon
Menon
Metzler
Michei
Micheli
Minati (Minatti)
Minini
Miorandi
Mitterer
Mittersteiner
Mogentale (Morgentale)
Molinari
Molter
Moltrer
Montagna
Montibeller
Moratelli
Morelli
Moser
Mosna
Mott(a)
Motter
Moz
Mozzi
Murara
= N =
Nadalin
Nagel
Nardelli
Navarini
Nazzari
Negherbon
Negri
Neuhauser
Nichelatti
Nicoladelli
Nicoletti
Nicoletto
Nicolodelli
Nicolodi
Nicolussi
Nones
Noriller
= O =
Oberleitner
Oberosler
Oberziner
Obojes
Ochner
Odorizzi
Omenigrandi
Ongaro
Onzi
Orben
Orler
Orsi
Oss
Oss Emer (Oss-Emer, Ossemer)
Osterer
Osti
= P =
Pacher (Packer)
Paissan
Palaoro
Pandini
Paniz
Panizza
Paolazzi
Paoletto
Paoli (Pauli)
Parisi
Passamani
Pasquali
Pasqualini
Paterno
Paternolli
Paternoster
Patti
Pattis
Pedarnig
Pedò
Pedrelli
Pedri
Pedrini
Pedron
Pedrotti
Pegoretti (Pegoratti)
Peratoner
Pernlochner
Perottoner
Perottoni
Pergher (Perger)
Perini
Peterlini
Peterlongo
Pezzato
Pezzi
Pezzini (Pezzin)
Pianezzer
Piazza
Piazzera
Piccinini
Piccoli
Pietro
Piffer
Pilati
Pilecco
Pincigher (Pinsigher)
Pinotti
Pintarelli
Pinter
Pisetta
Piva
Pizzolati
Plank
Platzer
Ploner
Plotegher
Poffo
Pojer (Poyer, Poier)
Polli
Pompermayer
Pontaldi
Pontalti
Ponticelli
Portolan
Possamai
Postai
Postal
Postighel (Postingel)
Postingher (Postinger)
Potrich (Putrich)
Prada
Pradi
Prandi
Prandini
Praxmarer
Pretti
Primon
Proner
Prosser
Puel
Puelacher
Purin
= Q =
Quaiato
= R =
Raffaelli
Raizer (Raiser, Reizer, Raizer)
Rampelotti
Rautta (Rauta)
Regensburger
Reiter
Richter
Rieder
Rigo
Rigoni
Rigotti
Rinaldi
Riva
Riz (Rizz, Rizzi)
Roberti (Ruberti)
Rofner
Rohrer
Roman(i)
Roncador
Ronchetti
Ropelato
Rosà
Rosanelli
Rossaro
Rossi
Rosso
Rover
Rovigo
Rozza
Ruberti (Ruperti)
= S =
Sadler
Saggioni
Salla (Sala)
Salvatore (Salvatori)
Sandri
Sani
Santini
Santuari
Sardagna
Sartori
Sasella
Savegnani
Sborz
Scarpa
Scartezzini
Schatz
Schmidlinger
Schneider
Schöll
Schroll
Schienza
Scola
Scottini
Scoz
Seeber
Segala
Segatta
Seisl
Senter
Setti (Sette)
Sevegnani (Sevignani)
Sgrott
Sieberer
Simeoni
Simion
Simoni (Simon)
Simonini
Slomp
Soini
Sordo
Sottopietra
Sottoriva
Spagnolli
Spagolla
Sperandio
Speranzoni
Spiller
Sporer
Spörr
Stedile
Steffani (Stefani, Stefan)
Steinwandter
Stelzer
Stengari
Stengher (Stenger)
Stenick
Stenico
Stinghen (Stingen)
Stis (Stiz)
Stoch
Stock
Stöckl
Stofella
Stolf
Stricher
Stringari
Stulzer
Suem
Suster
Svaizer
Svaldi
= T =
Tabarelli
Tafner
Tais
Tait
Tamanini
Tambosi
Tartarotti
Tarter
Taufer
Tell
Thaler
Tieccher (Tiecher, Tiecker)
Tiso
Tison
Tisot (Tissot)
Tizianel
Toller
Tolomeotti
Tomaselli
Tomas(i)
Tomasini
Tomasoni
Tomelin
Tomio
Tommasi
Tommaso
Tonetta
Tonezzer
Toniatti
Tonidandel
Tonina
Tonini
Toniolli
Toniotti
Tonolli
Torresani
Tovazzi
Trainotti
Travaglia
Trentini
Trettel
Tretter
Trisotto
Tschurtschenthaler
Turra
= U =
Uber (< Huber)
Ueller (Uller, Hueller < Hüller)
Ungericht
Unterberger
= V =
Valandro
Valcanaia
Valduga
Valentini
Valgoi
Valle
Valler
Vanin (Vanini)
Vannini
Varner (Warner)
Varnier
Vasselai
Vender (Venderi, Wender)
Veneri
Veronesi
Vettori
Vicentini
Vicenzi
Vigliotti (Viliotti)
Vinotti
Visintainer (Wiesentainer, Wisenteiner, Wisentainer)
Vitti
Volani
Voltolini
= W =
Walder
Warner (Varner)
Weber
Wender (Vender)
Wiesentainer (Wisentainer, Wisenteiner, Visintainer)
Wieser
Winkler
Wolf (Wolff, Volf)
= Z =
Zagonel
Zambiasi
Zampedri
Zancanella
Zandonai
Zanetti
Zanghelini
Zani
Zanluca
Zanluchi
Zanon
Zanotelli
Zanoto
Zanotti
Zateli
Zecchini
Zeissler
Zen (Zeni)
Zencher (Zencker, Zenker)
Zendron
Ziller
Zinelli
Zini
Zobel
Zoller
Zommer (Zomer, Sommer)
Zoner (Sonner)
Zonta
Zorer
Zortea
Zottele (Zottel)
Zulberti


sábado, 12 de julho de 2025

Israel ataca Irã, Líbano, Iêmen, Síria e Gaza. Por quê? E o que vem depois?


Israel bombardeou o Irã na sexta-feira, 13 de junho. O ataque ocorreu no mesmo dia em que as tropas israelenses completavam 616 dias de guerra ininterrupta contra a Faixa de Gaza. Essas duas ações foram intercaladas por bombardeios israelenses contra o sul do Líbano, a Síria e o Iêmen nos últimos meses.

Note que no espaço de um parágrafo, cinco países foram citados – Israel, Líbano, Síria, Iêmen e Irã – além de um território, Gaza, que muita gente sequer sabe dizer que status possui. Não é à toa que é difícil entender o que acontece; a situação é mesmo complicada.

Como o conflito começou

A guerra no Oriente Médio acontece por causa de Israel. O país foi criado em 1948, mas a população israelense – embora não tivesse ainda esse gentílico nacional – já habitava esse mesmo espaço geográfico muito antes. Os registros estão na Bíblia ou na Torah. O próprio Muro das Lamentações é uma evidência concreta que os israelitas antigos deixaram de sua existência nessa mesma terra.

Da mesma maneira, os árabes viviam lado a lado com os israelitas. Não havia um Estado nacional para um povo e outro. Toda a zona passou a ser chamada Palestina e a denominação “palestinos” dizia respeito a ambos povos. No século XIII, árabes e israelitas passaram a viver dentro das fronteiras do que se tornou o gigantesco Império Turco Otomano, que abrangia partes da Europa, da Ásia e da África. Quando esse império ruiu, após o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a zona passou a ser controlada então pelos britânicos, que só se retiraram depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

POR QUE ISSO IMPORTA?

Desde 2023, o Ministério da Saúde de Gaza estima que mais de 50 mil palestinos morreram. Do lado israelense, mais de 1,2 mil morreram no ataque inicial do Hamas. Já o governo do Irã divulgou que a quantidade de mortos passou de 220 devido aos bombardeios israelenses.

O fim da Segunda Guerra levou à saída de potências coloniais europeias que controlavam a região e, com isso, foram formados os Estados nacionais que conhecemos hoje no Oriente Médio – o Líbano, em 1943, e a Síria, em 1945, se libertaram do domínio colonial francês, por exemplo, ao longo desse processo.

No caso de Israel, o país foi criado pelas Nações Unidas em 1948. O Holocausto, ocorrido poucos anos antes, foi um argumento dramático para selar esse reconhecimento, mas o projeto sionista – o projeto de criação de um Estado israelense – existia muito antes disso; havia nascido, como teoria contemporânea, pelas mãos de um judeu austro-húngaro chamado Theodor Herzl (1860-1904), que já falava na remoção forçada dos árabes que viviam na região, como forma de viabilizar o espaço geográfico em que seria criado o Estado de Israel.

O nascimento de Israel, como país, foi motivo de celebração para os sionistas, incluindo os judeus que, naquele momento histórico, estavam marcados pelo pânico e pelo trauma do risco existencial vivido na Segunda Guerra. Só que, esse mesmo fato representou também o “nakba”, palavra que significa “catástrofe” ou “desastre” para todos os árabes que perderam suas terras e suas posses no processo de criação desse novo Estado de Israel.

No fim dos anos 1940, já havia milícias judaicas se confrontando com milícias árabes nessas mesmas terras, numa disputa que evoluiria para a primeira guerra de Israel como Estado-nação, em 1948. Em seguida, vieram em diversas outras guerras com países vizinhos – a mais importante delas em 1967 –, ao longo das quais os israelenses foram redesenhando à força seu próprio mapa, incorporando novos territórios e colonizando ilegalmente terras que deveriam fazer parte de um Estado Palestino jamais criado.

A Faixa de Gaza seria, junto com a Cisjordânia, parte desse Estado Palestino todo retalhado pelo expansionismo israelense. O problema é que Gaza vive sob um bloqueio tão cerrado de Israel que é impossível constituir uma vida minimamente autônoma nesse território. Israel diz que deixou de ocupar Gaza em 2005, mas o bloqueio naval, aéreo e terrestre que impõe ao território segue configurando ocupação, de acordo com o direito internacional.

A solução de dois Estados – um israelense e outro palestino, com fronteiras demarcadas e reconhecidas internacionalmente – é a única possível para a região, no que diz respeito às soluções pacíficas. Mas radicais dos dois lados trabalham contra isso.


Em 1995, um ultranacionalista judeu chamado Yigal Amir matou a tiros o então primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, num atentado que enterrou a mais promissora iniciativa até então para a constituição de dois Estados. Rabin vinha negociando essa saída com Yasser Arafat, membro do Fatah e primeiro presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Se do lado israelense o radicalismo veio na forma do atentado contra Rabin, do lado palestino, os radicais que lutavam contra a solução de dois Estados se agruparam em torno do Hamas, que, em 2007, expulsou o Fatah de Arafat da Faixa de Gaza e assumiu o controle da região, a partir da qual viria a lançar, em 7 de outubro de 2023, o maior ataque contra Israel desde sua fundação.

De acordo com o Centro para Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS, em inglês), o 7 de outubro foi o terceiro maior ataque terrorista da história em número de vítimas, com 1.139 mortos. O pior foi 11 de setembro de 2001, contra as Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, com 2.996 mortos. Só que os EUA têm mais de 333 milhões de habitantes, enquanto Israel tem 9,5 milhões. Dá para imaginar a escala de um atentado como o de 7 de outubro num país cuja população é 35 vezes menor.

A situação atual

A resposta israelense foi a guerra que já passa de 600 dias e deixou mais de 50 mil mortos em Gaza, onde ainda estão escondidos mais de 50 reféns israelenses capturados pelo Hamas no 7 de outubro.

A extensão e a profundidade da destruição produzida por Israel em Gaza fizeram com que a África do Sul tenha apresentado à Corte Internacional de Justiça, em Haia, uma acusação de crime de genocídio – que diz respeito à intenção de destruir total ou parcialmente um grupo humano. Ao mesmo tempo, o Tribunal Penal Internacional emitiu uma ordem de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por ele usar a fome como uma arma de guerra contra os palestinos de Gaza.

Do outro lado, o ataque contra Israel não é movido apenas pelo Hamas e não diz respeito apenas à dinâmica da causa palestina. Nos países vizinhos, grupos armados como o Hezbollah, no Líbano, e, mais distantes, os Houtis, no Iêmen, também se contrapõem a Israel, que já não demora para realizar pesados bombardeios em resposta.

Dentro de Israel, há pluralidade de visões. Judeus socialistas, que migraram da Europa, optaram por fazer de Tel Aviv a capital. Eles eram partidários de uma cidade que tivesse menos camadas de significados religiosos e de disputas simbólicas que Jerusalém. Mas os judeus mais religiosos e fervorosos prevaleceram, sobretudo depois da ocupação de Jerusalém Oriental após a Guerra dos Seis Dias, em 1967. A cidade sagrada foi proclamada capital de Israel, desrespeitando o compromisso de neutralidade e de administração compartilhada que havia sido assumido com a comunidade internacional.

Essas divisões internas são visíveis ainda hoje, em várias camadas. Tel Aviv, por exemplo, presencia há meses marchas multitudinárias que pedem todos os dias, mas especialmente aos sábados – ao cair da noite, no fim do shabat – a libertação dos reféns do 7 de outubro e a saída de Netanyahu do poder. Uma grande parte da população israelense odeia o primeiro-ministro e demonstra isso com faixas, cartazes e megafone nas ruas. De acordo com uma pesquisa publicada em 29 de março pelo Canal 12 de Israel, 70% da população simplesmente não confia em Netanyahu. Outra pesquisa, feita pelo mesmo canal, em 24 de maio, mostra que metade da população acredita que Netanyahu está interessado em prolongar indefinidamente o conflito com os palestinos para se manter no poder e evitar os tribunais.

As marchas de rua contra o governo israelense só pararam depois do reinício dos ataques ao Irã, porque, com a aplicação da lei marcial, todas as reuniões públicas e protestos estão temporariamente proibidos no país, por razões de segurança. ‘Bibi’, como Netanyahu também é chamado, lidera uma coalizão instável, que se apoia nos elementos mais radicais do Knesset, o Parlamento israelense. Se sair do poder, ele será confrontado pela continuidade de processos judiciais por fraude e suborno em assuntos internos, que podem levá-lo à prisão.

Netanyahu é líder de um governo radical cercado de grupos radicais nas fronteiras, como no Líbano, na Síria, e, mais distante, no Iêmen e no Irã, sem contar a Faixa de Gaza. Embora grupos como o Hamas, a Jihad Islâmica e o Hezbollah tenham sido fundados de maneira independente, é fato que, desde a Revolução de 1979, que levou os aiatolás xiitas ao poder, o Irã inspira e auspicia esses grupos, que são declaradamente contrários à existência do Estado de Israel.

O bombardeio realizado no dia 13 de junho contra alvos iranianos não pode ser compreendido, portanto, sem entender a história que trouxe a situação até este ponto e as contradições das sociedades e dos atores envolvidos, incluindo a própria sociedade israelense.

O maior temor israelense é com o fato de o Irã ter um programa nuclear, que pode ser convertido num programa com fins militares. Mas Israel também tem um programa nuclear militar, o que pouco se diz. Por causa disso, os dois países se enxergam mutuamente como ameaças existenciais, e, como nos filmes de faroeste, a questão era quem sacaria a arma primeiro. Israel decidiu puxar a pistola, enquanto, por diversas vezes, em várias instâncias, os EUA e as potências europeias – inclusive com tentativa de participação do Brasil, em 2010 – vinham tentando negociar garantias nucleares com o Irã.

Quando Israel atacou o Irã na sexta-feira 13 de junho, Netanyahu estava em seu momento de maior isolamento internacional desde o início do conflito com o Hamas, em 2023. A constatação de que a fome vinha sendo usada como arma de guerra contra os palestinos fez com que aliados tolerantes, como França, Reino Unido, Espanha e Alemanha, começassem a fazer críticas públicas a Israel. Os espanhóis falaram em embargo na venda de armas, os britânicos travaram um acordo de livre comércio, os franceses puxaram o debate sobre a solução de dois Estados na ONU e os EUA, mesmo com Donald Trump, vinham levando ‘Bibi’ em banho-maria.

Antes de atacar o Irã, Netanyahu havia estado duas vezes em Washington, onde tentou, sem sucesso, obter apoio irrestrito da Casa Branca para um ataque ao Irã. Trump não só se mostrou evasivo como, na sequência, engatou uma viagem ao Golfo Pérsico para conversar com os países árabes da região, à revelia de Israel. Ele também retomou as conversas atômicas com o Irã, demonstrando que ainda tinha verba para gastar antes de comprar a tese israelense de que um ataque imediato era a única solução.

Do ponto de vista do direito internacional, nenhuma ação de força deveria ser tomada contra o Irã sem anuência do Conselho de Segurança da ONU, mas pelo menos dois dos cinco membros permanentes, Rússia e China, bloqueariam qualquer ação nesse sentido. Além do mais, num plano mais amplo, os Brics – que têm encontro marcado para o início de julho, no Rio de Janeiro – também devem se manifestar contra as ações israelenses, seja pela pressão de russos e chineses, seja pela aderência brasileira à tese de fazer contrapeso às potências.

Dentro de Israel, a pressão internacional é pouco sentida. Anos de ações à revelia do direito internacional tornaram a sociedade impermeável às posições da ONU e de outras instâncias. “Não dá para ignorar que a população israelense teme o projeto nuclear iraniano, e os considera um alvo absolutamente legítimo, porque o Irã arma, financia e treina grupos como o Hamas, o Hezbollah e a Jihad Islâmica, e comanda alguns deles”, diz João Koatz Miragaya, mestre em história pela Universidade de Tel Aviv, que mora no norte de Israel, de onde apresenta, em português, o podcast Do Lado Esquerdo do Muro.

Miragaya é um bom exemplo da diversidade política que existe entre os judeus e em Israel. Ele considera que “Netanyahu usou um objetivo legítimo aos olhos da sociedade para benefício próprio, e pode virar o jogo agora, sobretudo se conseguir destruir o reator nuclear de Natanz”, no Irã. Miragaya concluiu a conversa dizendo uma frase reveladora: “Como de praxe, o ataque é popular desde que dê certo. Se der errado, vira impopular.” A frase é boa porque mostra uma característica da atual retórica israelense, segundo a qual Netanyahu é o responsável por tudo de mau e cruel que Israel faz nas guerras, mesmo quando o resultado dessas ações coincide com o que a sociedade quer – tenha ela a coragem de dizer abertamente ou não.

De outro lado, há leituras como a de André Lajst, mestre em Ciências Sociais e Políticas, e presidente, no Brasil, de uma organização sionista chamada Stand With Us. Lajst está à direita de Miragaya no espectro político israelense e considera que o ataque ao Irã “é uma ação que pode mudar para sempre a dinâmica no Oriente Médio porque escancara uma necessidade de muitos países da região, que é de não conviver com um Irã nuclear”.

Ele diz que o Irã “trabalha há 46 anos (desde a Revolução de 1979, que levou os aiatolás ao poder) para expandir sua influência através de grupos terroristas na região. O regime é contra a existência de Israel em qualquer quilômetro quadrado da região. É contra a existência de dois Estados, é contra o sionismo”.

Mas outro pesquisador do tema, Bruno Huberman, professor de Relações Internacionais da PUC de São Paulo e autor do livro Colonização Neoliberal de Jerusalém e da newsletter Palestina em Transe considera que uma das saídas possíveis é que o Irã tenha armas atômicas, tanto quanto Israel tem: “o equilíbrio atômico asseguraria a estabilidade regional.” Huberman reconhece que “isso é uma coisa muito infeliz, mas, do ponto de vista realista, dá para entender a necessidade iraniana”, levando em conta a ideia de que uma Israel nuclear também é percebida como uma ameaça existencial pelo Irã.

A outra saída, ele diz, seria negociar a extinção mútua dos programas atômicos de Israel e do Irã, e promover finalmente a solução de dois Estados na Palestina.

Para Huberman, o Irã e os grupos armados apoiados pelo regime na região “ainda almejam que todo território se torne o Estado palestino”, o que implica na extinção do Estado de Israel. Porém, ele chama a atenção para o elemento de realismo que vem pautando algumas ações dos aiatolás nos últimos anos. O Irã e os atores que orbitam ao seu redor talvez aceitassem, como tática, uma solução de dois Estados, assim como o movimento sionista também aceitou a Partilha da Palestina em 1947. “Sempre devemos desconfiar de declarações políticas, mas elas ainda valem algo na política”, conclui.