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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Retrato de um país falido

 O governo central – formado pelo governo federal e pelo Banco Central – registrou um deficit primário de R$ 73,8 bilhões em março de 2026. O valor é o maior saldo negativo para o mês desde o início da série histórica, em 1997.

Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29).

Em março de 2025, as contas públicas tinham registrado um superavit (saldo positivo) de R$ 1,5 bilhão.



Receitas cresceram, mas despesas dispararam

A receita total subiu 5,1% em março, em comparação com o mesmo mês do ano passado, totalizando R$ 235 bilhões. O crescimento foi puxado principalmente por:

  • IPI (Imposto de Importação): R$ 9,5 bilhões (+32,7%)

  • IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): R$ 8,4 bilhões (+49,7%)

No entanto, as despesas subiram 49,2% no período. O principal motivo foi o pagamento de precatórios – despesas judiciais que não podem mais ser contestadas.

Os benefícios previdenciários tiveram uma alta expressiva: saíram de R$ 80 bilhões para R$ 109,5 bilhões – um crescimento de 35,4%. E a distribuição de dinheiro público é a ferramenta do sistema.

As despesas com sentenças judiciais e precatórios somaram R$ 26,1 bilhões, sendo R$ 24 bilhões a mais do que em março de 2025.

Resultado do primeiro trimestre

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, as contas públicas apresentaram um déficit primário de R$ 16 bilhões. O maior para o período desde 2018quando o rombfodR$ 19,4 bilhões.

Meta fiscal

A meta do governo para 2026 é de um superávit primário de 0,25% do PIB, o que equivale a um saldo positivo de R$ 34,3 bilhões. Há uma tolerância de 0,25 ponto percentual – o que permite que o governo entregue as contas com saldo zero.

A equipe econômica estima um superávit primário de R$ 3,5 bilhões em 2026 ,valor R$ 30,8 bilhões abaixo do centro da meta.

Sem as deduções previstas em lei (como pagamento de precatórios e despesas temporárias com educação e saúde), o governo federal teria um deficit de R$ 59,8 bilhões em 2026.

Arrecadação recorde com petróleo

As contas públicas estão sendo ajudadas pela arrecadação federal com royalties do petróleo. Em março, a arrecadação total da União somou R$ 229,2 bilhões – o maior valor para o mês na série histórica.

A extração de petróleo e gás natural teve alta de 170,1% em relação a março de 2025, atingindo R$ 9,2 bilhões.

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