O governo central – formado pelo governo federal e pelo Banco Central – registrou um deficit primário de R$ 73,8 bilhões em março de 2026. O valor é o maior saldo negativo para o mês desde o início da série histórica, em 1997.
Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29).
Em março de 2025, as contas públicas tinham registrado um superavit (saldo positivo) de R$ 1,5 bilhão.
Receitas cresceram, mas despesas dispararam
A receita total subiu 5,1% em março, em comparação com o mesmo mês do ano passado, totalizando R$ 235 bilhões. O crescimento foi puxado principalmente por:
IPI (Imposto de Importação): R$ 9,5 bilhões (+32,7%)
IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): R$ 8,4 bilhões (+49,7%)
No entanto, as despesas subiram 49,2% no período. O principal motivo foi o pagamento de precatórios – despesas judiciais que não podem mais ser contestadas.
Os benefícios previdenciários tiveram uma alta expressiva: saíram de R$ 80 bilhões para R$ 109,5 bilhões – um crescimento de 35,4%. E a distribuição de dinheiro público é a ferramenta do sistema.
As despesas com sentenças judiciais e precatórios somaram R$ 26,1 bilhões, sendo R$ 24 bilhões a mais do que em março de 2025.
Resultado do primeiro trimestre
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, as contas públicas apresentaram um déficit primário de R$ 16 bilhões. O maior para o período desde 2018, quando o rombo foi de R$ 19,4 bilhões.
Meta fiscal
A meta do governo para 2026 é de um superávit primário de 0,25% do PIB, o que equivale a um saldo positivo de R$ 34,3 bilhões. Há uma tolerância de 0,25 ponto percentual – o que permite que o governo entregue as contas com saldo zero.
A equipe econômica estima um superávit primário de R$ 3,5 bilhões em 2026 ,valor R$ 30,8 bilhões abaixo do centro da meta.
Sem as deduções previstas em lei (como pagamento de precatórios e despesas temporárias com educação e saúde), o governo federal teria um deficit de R$ 59,8 bilhões em 2026.
Arrecadação recorde com petróleo
As contas públicas estão sendo ajudadas pela arrecadação federal com royalties do petróleo. Em março, a arrecadação total da União somou R$ 229,2 bilhões – o maior valor para o mês na série histórica.
A extração de petróleo e gás natural teve alta de 170,1% em relação a março de 2025, atingindo R$ 9,2 bilhões.
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