Bunker da Cultura Web Rádio

>

sábado, 20 de março de 2021

A SAGA DOS BRUMMERS

 No entardecer do ano 1850, o governo imperial do Brasil despachou para Hamburgo, na Alemanha, o tenente-coronel Sebastião do Rego Barros, incumbido da missão de contratar uma legião de mercenários e lhes adquirir o correspondente em armamento e equipamento. Rego Barros atuou dentro do espírito do parágrafo do artigo 17 da lei nº 586/1850, que consistia no seguinte: “Fica autorizado o governo, para em circunstância extraordinária, fazer as despesas necessárias a fim de elevar a 26 mil homens a tropa de primeira linha, podendo contratar nacionais e estrangeiros, e distribuir-lhes terras segundo o contrato”.  

A tal circunstância extraordinária era a preparação para a guerra iminente contra Oribe, do Uruguai, e Rosas, da Argentina, que ameaçavam a integridade e a soberania brasileira no Sul.

Na Alemanha, contudo, persistia a aversão à imigração para o Brasil. A maior parte dos estados alemães reagiu contrariamente ao recrutamento brasileiro. Mas Rego Barros havia recebido autorização para agir da maneira que melhor lhe conviesse, fazendo uso, inclusive, de agências de recrutamento clandestinas.

D. Pedro I, imperador do Brasil / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além disso, o Império oferecia, pelo prazo de quatro anos, a quem quisesse se alistar, polpudas vantagens, incluindo: fornecimento de transporte pelo governo do Brasil, ajuda de custo na hora do embarque e pagamento de 67.600 réis (já incluídas as rações). Ao final do contrato, cada legionário ainda receberia um lote de 25 mil braças quadradas, ou transporte para voltar à Alemanha com um prêmio em dinheiro. Aos oficiais mais graduados, eram estendidos benefícios ainda mais irresistíveis. Rego Barros pretendia atingir seus objetivos com essas promessas.

Os mercenários alemães eram em grande parte voluntários recrutados para a guerra alemã contra a Dinamarca; outros haviam participado como atiradores, na Revolução de 1848, contra os ideais medievais de Frederico Guilherme IV. Mas ao final dos conflitos, com a desmobilização do Exército alemão, milhares de jovens com treinamento militar primoroso ficaram sem emprego. Nesse contexto, muitos assinaram o contrato de Rego Barros – uns por idealismo ou espírito de aventura, outros por motivos menos honrosos.

O típico mercenário alemão era rixento, turbulento, indisciplinado, não se submetia e reagia por vias de fato, indiferente aos riscos. Assim, recebia a alcunha de resmungão – brummer, em alemão.

Dom Pedro II em uma das pinturas oficiais / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas os resmungões deram conta do recado.

Chegaram ao Rio de Janeiro na manhã de 21 de junho de 1851. Em 17 de dezembro do mesmo ano, embarcaram em Montevidéu, subiram o Rio Paraná e desembarcaram em Diamante, após terem forçado a passagem por Tonelero. Dali atravessaram o rio com o auxílio da esquadra brasileira e marcharam por terra até travarem a batalha em Monte Caseros, em 3 de fevereiro de 1852.

Avançaram com seus fuzis Dreyse de agulha, certeiros e de longo alcance, com os quais caçaram à bala os artilheiros inimigos que bloqueavam o avanço brasileiro. Ação que foi considerada a mais decisiva naquela última batalha.


M.R. Terci

sexta-feira, 19 de março de 2021

Quando a Europa era Fascista

 Um quarto de século depois da catástrofe da Europa fascista na Rússia, se existem algumas obras moderadamente corretas sobre Mussolini, não existe um só livro objetivo sobre Hitler.

Centenas de trabalhos lhe têm sido consagrados, todos superficiais, sensacionalistas ou inspirados por uma aversão visceral. Porém, o mundo ainda espera uma obra equilibrada, que estabeleça um balanço sério da vida do principal personagem político da primeira metade do século XX.

O caso de Hitler não é um caso isolado. A história – se é que se pode chamar assim – tem sido escrita, desde 1945, em uma só direção.

Na metade do universo, dominado pela URSS e a China vermelha, nem mesmo passa pela mente de alguém a possibilidade de dar a palavra a um escritor que não seja um conformista ou um adulador. Na Europa ocidental, se o fanatismo tem mais nuances, não é menos certo que é, também, mais hipócrita. Jamais um grande periódico francês, ou inglês, ou estadunidense, publicará um trabalho no qual se pudesse destacar o que possa ter havido de interessante, de limpidamente criador, no Fascismo ou no Nacional-Socialismo. Somente a idéia de semelhante publicação pareceria aberrante. Tachar-se-ia de sacrilégio!

Um aspecto tem sido, especialmente, objeto de apaixonadas atenções: se tem publicado, com gigantesca montagem publicitária, centenas de reportagens, freqüentemente exageradas, às vezes grosseiramente falsas, sobre os campos de concentração alemães e sobre os fornos crematórios, únicos elementos que se achou por bem divulgar, dentre a imensa criação que foi, durante dez anos, o regime hitleriano.

Até o fim do mundo se continuará evocando a morte dos judeus nos campos de Hitler, sob os narizes de milhões de leitores espantados, pouco exigentes em matéria de cifras exatas e de rigor histórico.

Também sobre esse tema, estamos esperando um trabalho sério sobre o que é que realmente ocorreu, com cifras verificadas metodicamente e comprovadas; um trabalho imparcial, não um trabalho de propaganda; nada de datas e detalhes sobre o que se diz ter visto e não visto; sobre tudo, de “confissões” atormentadas de erros e improbabilidades, ditadas por torturadores oficiais – como teve que reconhecer uma comissão do Senado americano – a uns acusados alemães a que disputavam a cabeça, e dispostos a assinar o que fosse para escapar do carrasco.


Benito Mussolini e Alessandro Pavolini, juntos escreveriam o Manifesto de Verona, o qual demonstra a verdadeira natureza do fascismo

Essa confusão incoerente, historicamente inadmissível, fez efeito, sem dúvida alguma, em uma massa inculta e sentimentalóide. Porém não é mais que a caricatura de um problema angustiante e, desgraçadamente, tão velho como a humanidade. Esse estudo está ainda por se escrever – e, por suposto, nenhum editor “democrático” o publicaria! –, expondo os fatos exatos de acordo com métodos científicos, repensando-os em seu contexto político, inserindo-os honestamente em um conjunto de acontecimentos históricos e considerando os paralelos absolutamente indiscutíveis: o tráfico de negros organizado e explorado pela França e Inglaterra nos séculos XVII e XVIII, pelo que se pagou o preço de três milhões de vítimas africanas que sucumbiram no transcurso de capturas e de terrível transporte; o extermínio, por ganância, dos peles vermelhas, sitiados até a morte em suas próprias terras que hoje são os Estados Unidos. Os campos de concentração ingleses na África do Sul, onde os Bóers foram empilhados como bestas, sob o olhar complacente do Sr. Churchill; as horripilantes execuções dos cipaios na Índia, pelos mesmos servos de sua Graciosa Majestade; o massacre, pelos turcos, de mais de um milhão de armênios; a liquidação de dezesseis milhões de anti-comunistas na União Soviética; a carbonização pelos Aliados, em 1945, de centenas de milhares de mulheres e de crianças nos maiores fornos crematórios da História: Dresden e Hiroshima; a série de extermínios de populações civis que não faz mais que prosseguir e crescer desde 1945: no Congo, no Vietnam, na Indonésia, em Biafra.

Haverá de se esperar ainda muito tempo, creiam-me, antes que tal estudo, objetivo e de alcance universal, pontue sobre os problemas citados e pese-os imparcialmente. Inclusive sobre assuntos muito menos ardentes, toda explicação histórica é ainda, na hora atual, quase impossível, se já teve a desgraça de cair, politicamente, no lado maldito.

É desagradável personalizar sobre si mesmo, porém de todos os chefes chamados fascistas que tomaram parte na Segunda Guerra Mundial, sou eu o único sobrevivente. Mussolini, após se assassinado, foi enforcado. Hitler disparou uma bala em sua cabeça e, em seguida, foi incinerado. Mussert, o líder holandês, e Quisling, o norueguês, foram fuzilados. Pierre Laval, após sofrer um breve julgamento-espetáculo, se envenenou em sua cela francesa; mal foi salvo de morrer assim, lhe mataram, estando paralítico, dez minutos mais tarde. O general Vlasov, o chefe dos russos anti-soviéticos, enviado à Stalin pelo general americano Eisenhower, foi enforcado em um cadafalso erguido na Praça Vermelha moscovita.

Inclusive em seu exílio, os últimos sobreviventes foram selvagemente perseguidos: o chefe do estado croata, Ante Pavievic, foi crivado de balas na Argentina; eu mesmo, acuado de todas as direções, escapei somente por milímetros das diversas tentativas de liquidação, umas vezes por assassinato e outras por sequestro.


Anton Mussert, líder do Movimento Nacional Socialista nos Países Baixos

Entretanto, até o momento não fui eliminado. Ainda vivo. Existo. É dizer, ainda poderia contribuir com um testemunho suscetível de despertar certo interesse histórico. Conheci Hitler de muito perto e sei que classe de ser humano era verdadeiramente; como pensava, o que queria, o que projetava, quais eram suas paixões, suas mudanças de humor, seus preferências, suas fantasias. Igualmente eu conheci a Mussolini, tão diferente em sua impetuosidade latina, seu sarcasmo, suas efusões, suas debilidades, sua veemência, seu arrebatamento, mas, ele também, extraordinariamente interessante.

Mais ainda, se houver historiadores objetivos, eu poderia ser um testemunho de valor para completar seus arquivos. Quem, entre os sobreviventes políticos de 1945, conheceu a Hitler ou a Mussolini mais diretamente que eu? Quem poderia, com mais precisão que eu, explicar que tipos de homens eram, nem mais nem menos que homens, homens tal como eram?

Isto não evitou que até agora eu não tenha tido outro direito que o de estar calado. Inclusive em meu próprio país.

Que eu publicasse na Bélgica um trabalho sobre o que tem sido minha atuação pública durante um quarto de século, era simplesmente impensável; entretanto, eu havia sido antes da guerra o chefe da oposição daquele país, o chefe do Movimento Rexista, movimento legal, que aderia às normas do sufrágio universal e que arrastou massas políticas consideráveis e a centenas de milhares de eleitores.

Eu comandei, durante os quatro anos da Segunda Guerra Mundial, os voluntários belgas da frente do leste, quinze vezes mais numerosos do que foram seus compatriotas que elegeram ao lado inglês para combater. O heroísmo de meus soldados nunca se discutiu. Milhares deles deram sua vida pela Europa, é certo, mas sobre tudo e antes de tudo, para lograr a salvação e preparar a ressurreição de seu país.

E, entretanto, não existe para nós a menor possibilidade de explicar às gentes de nosso povo o que foi a atuação política do REX antes de 1941 e sua ação militar depois deste ano.

Uma lei me proíbe formalmente de publicar uma linha dentro dos limites da Bélgica. Proíbe a venda, difusão, o transporte de todo texto que eu possa escrever sobre aqueles temas.

Extrato do segundo capítulo do livro “Hitler por mil anos”, escrito por Léon Degrellé em finais dos anos 60.

Fonte: http://www.elministerio.org.mx/blog/2013/07/degrelle-europa-fascista/

Tradução livre e adaptação por Viktor Weiß

O mesmo clima começa a existir novamente – viver para se dedicar a algo grande e puro – e a tendência é que este sentimento aumente. O descaso que os ditos “DEMOcratas” lidam com a coisa pública, em contraste com sua impressionante vontade em valorizar tudo que é degenerado; a inversão dos valores, onde os interesses individuais sobrepõem ao interesse da coletividade; a exploração da população através da sua escravização através dos juros bancários; a crescente barbárie urbana presente nas ações corriqueiras do dia-a-dia, no trânsito, na procura do lucro a qualquer custo; a transformação da personalidade humana em meros organismos vivos condicionados ao consumo mecânico. Inevitável, todas estas ações geram uma reação. Uma lei natural – NR.

CHAUKE STEPHAN FILHO: BERTOLT BRECHT REATUALIZADO

No tempo em que Hitler levantava a Alemanha, um pastor luterano foi contra ele, contra o seu povo e contra seu próprio país, ainda quando os inimigos se preparavam para destruir a Alemanha.

Esse traidor chamava-se Martin Niemöller (1892-1984). Por sua traição, tal figura transformou-se em herói da esquerda.

Nos anos trintas, ele repisava certa parte de seus sermões, que ficou famosa e até hoje emociona toda a esquerdice. Dizia que ele não tinha feito nada quando prenderam comunistas, quando prenderam socialistas, quando, depois, prenderam sindicalistas e, finalmente, quando prenderam judeus. Então, ele continuava, quando os nazistas foram prender ele mesmo, não havia sobrado ninguém para protestar.

Outro opositor do Nacional-socialismo, o teatrólogo e também alemão Bertolt Brecht (1898-1956) autor do texto igualmente popular intitulado “O analfabeto político”, ele escreveu um poema que chamou de “Intertexto”. O Intertexto era isso mesmo, um intertexto, ou seja, cópia modificada de texto original, uma paráfrase. No caso, o texto original era aquele de Niemöller.

 Brecht começa assim: “Primeiro levaram os negros/Mas não me importei com isso./Eu não era negro”. Na continuação, foram levados operários, desempregados, miseráveis, ante a indiferença do narrador, que então conclui o texto da seguinte forma: “Agora estão me levando,/Mas já é tarde./Como não me importei com ninguém,/Ninguém se importa comigo”.

Um outro poema que encanta os “editores” do Supremo Tribunal Federal (STF), como também os censores do sindicato paraestatal dos advogados (OAB), é do poeta e escritor natural de Niterói Eduardo Alves da Costa (1936- ), autor também inspirado naqueles dizeres das prédicas de Niemöller. A segunda estrofe:

Na primeira noite eles se aproximam/e roubam uma flor/do nosso jardim./E não dizemos nada./Na segunda noite, já não se escondem:/pisam as flores,/matam nosso cão,/e não dizemos nada./Até que um dia,/o mais frágil deles/entra sozinho e nossa casa,/rouba-nos a luz e,/conhecendo nosso medo,/arranca-nos a voz da garganta./E já não podemos dizer nada.

Esse texto intitula-se “No caminho, com Maiakóviski” e na campanha do século passado (1984) pelas eleições diretas ganhou massiva divulgação entre esquerdistas, que então achavam-se os campeões da libertação nacional. Ironicamente, os ministros do “nosso” STF estão hoje entre os maiores ladrões que “arrancam a nossa voz da garganta”.

 Aliás, também não terão sido fascistas os que mataram Brecht. Logo depois da criticar a polícia secreta da Alemanha Oriental, o poeta morreu “do coração”. Terá sido mera coincidência?

A fonte que deu de beber aos autores citados está em Maiakóvski (1843-1930), poeta russo, cantor do comunismo, apologista de Lênin. Dado o campo ideológico em que brotaram esses textos como flores vermelhas, eles estão cobertos de bolor histórico, nestes nossos dias, quando o comunismo desmoralizou-se ao cair do Muro de Berlim. Sua comum mensagem política dirigida contra a direita antiliberal não mais corresponde a situação atual da política mundial. Inverter o sentido dessa mensagem é como esses textos podem ser atualizados. Este escrevinhador tenta fazer isso no poema abaixo. A esquerda deu ao texto de Niemöller o título de “E não sobrou ninguém”. O famoso intertexto de Brecht é aqui reatualizado, subvertido e estendido pela pena deste modesto autor. Confira:

E não sobrou alemão

Primeiro levaram os racistas,
Mas não me importei com isso
Eu achava que não era racista.

Em seguida levaram alguns machistas.
Não fiquei preocupado.
Eu até gostava de viado.

A seguir detiveram transfóbicos.
Pouco se me deu:
Antes eles do que eu.

Após, dos fascistas foi a vez.
Manifestantes antidemocráticos
Acabaram no xadrez.
Mas isso nem me estremecia,
Eu era pela democracia.

Depois prenderam jornalistas
Mas não me importei com isso
Porque eu não estava na lista.

Depois agarraram um deputado
Também não me importei,
Mesmo tendo mandato.

Aí chegou a minha hora.
Colocado na prisão,
Ninguém me deu a mão.
Fiquei desesperado,
Não me restava aliado.

Era tarde demais.
Eu gritava “Não!”,
E ninguém mais.

Começara todo o caso
Na guerra sem ocaso.
Meninos, é assim:
A guerra não tem fim.

Havendo o inimigo falado
Que a guerra tinha acabado,
Armou-se em Berlim
Da mentira o camarim.

Quando a Alemanha
A guerra perdeu,
Fê-la sua o judeu.
Então, a toga de ternura
Encobriu a ditadura.

Na cabeça dos juízes
O mal criou raízes.
Armou-se a magistratura
Com o poder da censura.

Cada magistrado, sem nenhum asco,
Tinha em si um carrasco.
Em Nuremberg, da morte no circo,
Sob a pele de um agno,
Ali reinou o hirco.

A dissimulada vingança no apogeu
Os maiores patriotas abateu.
Grandes generais e honrados
Foram todos enforcados.
Começavam assim, desumanos,
Os tais direitos humanos.

O invasor indecente
Simulou ser boa gente.
Mas a verdade nua e crua
É que a guerra continua.

O vencedor imundo
Para si tomou o mundo.
E o hebreu, à dourada nação,
Levou desolação.

O Führer foi demonizado.
O inimigo, na sua fabulação,
Da gordura do judeu,
Até fez sabão.

Câmaras de gás,
Em campos de concentração,
Foi outra invenção.

Da cabeça dos finórios
Também rebentaram
Fornos crematórios.

Na segunda invasão,
Afundou-se a Alemanha
No mar fundo e negro
Da imigração.

Do holocausto alemão,
Não se falou.
Esse segredo
A mídia guardou.

Depois que Hitler caiu,
O mal de bem se vestiu.
Derrubado o nacional-socialismo,
Abriu-se a era do cinismo.
E das ditaduras a mais abjeta
Chamou-se politicamente correta.

Do historiador no futuro,
Sobre toda essa história,
Terrível será a conclusão:
― E não sobrou alemão!

Chauke Stephan Filho 

quarta-feira, 17 de março de 2021

MODERNIDADE E A IGNORÂNCIA DAS MASSAS

 O mundo nos últimos duzentos anos sofreu mudanças extremas no paradigma comum. O anseio por fazer valer a “liberdade” acabou levando o homem à verdadeira ruína individual e social. Os liberais do pós-guerra lograram êxito na busca pelo seu “paraíso da liberdade”, onde homens são iguais em valor e respeito, onde a maioria é a primazia política, onde a informação circula tão depressa que formamos centenas de pseudofilósofos em questão de horas, onde tudo fora democratizado e universalizado, “toda expressão é arte!”, dizem os comuns, “toda opinião é válida”, dizem os medíocres. Ora, se toda expressão, não importando o quão baixo e ruim isto é, se torna arte, aqui o homem praticamente destrói todo sentido da mesma, que em sua essência é a forma de embelezar o feio, o titanídeo, dando formosura às piores catástrofes na qual o homem está necessariamente submetido no mundo aparente. E a outra questão é sobre opiniões. “sou um cidadão”, dizem o populacho, “tenho pleno direito de exercer a minha manifestação”. É incrível como a sociedade moderna desonra os mais capazes e preparados colocando no palanque verdadeiros palhaços, tolos e malucos para proferir suas “sábias” palavras de populacho!

Este é o mundo moderno com a sua liberdade! Ah, bela palavra, belos princípios liberais. O homem moderno não conhece o significado espiritual deste vocábulo que, em suma, simboliza o eterno devir da luta pela conquista do direito de supremacia, ora; realcem a palavra luta, aqui notamos a base espiritual para adquirir um direito, através de um dever. O direito que vem antes da luta não é liberdade, é um fraco senso moral de utopia e de mansidão da carne. Vemos mulheres de dezoito, dezenove anos gritando nas ruas, com os seios à mostra, “liberdade para as mulheres!”, “queremos ser livres dos homens!”, dizem as pós-modernas. Elas querem ser livres dos maridos para serem escravas do patrão.

Mas nesta competição de degenerados, quem vence são os pacifistas! Antes de tudo, não podemos confundir a verdadeira paz com está abominação ocidental. Existem campos de batalhas no mundo de hoje onde famílias sofrem sem benefício, é um sofrimento horroroso e portanto, nossos olhos e corações devem estar voltado a estes povos, como os sírios, por exemplo, em uma guerra santa com a Hidra moderna do Ocidente, o sionismo internacional.

Dito isto, podemos elencar de maneira crítica o horroroso pensamento do Pacifismo. É um anseio comum de pessoas frustradas, incapazes resolverem as próprias labutas e, portanto, antinatural da paz eterna e duradoura! Todos querem ir para o céu, mas ninguém quer morrer, é uma forma até perspicaz de disfarçar a própria debilidade, embebedando-se nessa parafernalha moralista dos organismos bípedes que se nomeiam homens. Queres encontrar o antro máximo da degenerescência vigente? Vá nas carreatas de paz.

O verdadeiro valor de liberdade vem da conquista verdadeira da mesma e o engraçado e belo de tudo isso é o próprio fator da conquista, quando consumida em seu mísero instante, se torna algo comum, ou seja, a liberdade é um devir, é a incessante busca pela expansão do organismo, que em outras palavras, traduzimos literalmente em luta eterna. Homens liberais deixaram de sê-lo a partir do momento em que conquistaram seus caprichos proveniente da moral dos mascates, tornando seres incrivelmente acomodados, preguiçosos, acumuladores de gorduras e de pensamentos degenerados. A comunidade que encontra na refrega a sua eterna redenção, dominará céus e mares, o acomodar, o sentar para tomar fôlego é a principal causa da Queda do mundo.

Precisamos reavivar o espírito viril do Agon em busca da eterna mortificação de nossos corpos em direção a uma meta de expansão! A guerra é a melhor escola que o homem já criou, é a estufa humana da excelência artística, corporal e espiritual, é a seleção natural elevada à condição altiva!

Meus caros, cultivem o espírito antigo da virilidade guerreira, seja nobre em altivez e, principalmente, em atitude. Que estes valores nasçam novamente no seio da melhor estirpe brasileira, elevando este nosso povo acima de tudo e de todos, erigindo o sentido da arte, da tradição, da masculinidade, da competitividade e da camaradagem como Normas Superiores de nossa comunidade.


Fonte: Alerta Nacionalista

"O Grande Reset"

 O confinamento (lockdown) imposto na esteira da pandemia do novo coronavírus acelerou a implementação de antigos planos para estabelecer a chamada "nova ordem mundial". 

E isso não é teoria da conspiração. Já se tornou um objetivo abertamente declarado.

Sob os auspícios do Fórum Econômico Mundial (WEF - World Economic Forum), os formuladores de políticas globais estão abertamente defendendo um plano intitulado "O Grande Reinício" (The Great Reset), com a explícita intenção de criar uma tecnocracia global. 

Não é por acaso que, em 18 de outubro de 2019, na cidade de Nova York, o WEF participou do "Evento 201", uma "conferência de alto nível", sobre reações à pandemia, organizada pelo John Hopkins Center for Health Security.

Pelo que se depreende do manifesto, essa vindoura tecnocracia envolverá uma estreita cooperação entre os chefes da indústria digital e os governos. Com programas como "renda mínima garantida" e "assistência médica para todos", o novo tipo de governança combina um estrito controle da sociedade com a promessa de "justiça social abrangente".

Essa nova ordem mundial organizada por uma tirania digital virá com um abrangente e astuto "sistema de crédito social". A República Popular da China é pioneira neste método de vigilância e controle de indivíduos, corporações e entidades sociopolíticas. Para o indivíduo, sua identidade seria reduzida a um aplicativo ou chip que registra praticamente toda sua atividade pessoal. Para obter alguns direitos individuais, como o de viajar para um determinado local, a pessoa terá de contrabalançar esses privilégios aparentes com sua sujeição a uma rede de regulações que define em detalhes o que vem a ser um "bom comportamento", o qual deve ser considerado benéfico para a humanidade e para o meio ambiente. 

Por exemplo, durante uma pandemia, esse tipo de controle se estenderia desde a obrigação de usar uma máscara e praticar o distanciamento social até vacinações compulsórias para poder se candidatar a um emprego ou viajar.

Trata-se, em suma, de um tipo de engenharia social que é o oposto de uma ordem espontânea. É a antítese daquilo que se pode considerar 'desenvolvimento'. Como o engenheiro mecânico com uma máquina, o engenheiro social — ou tecnocrata — trata a sociedade como um objeto. Diferentemente das brutais supressões do totalitarismo de épocas anteriores, o engenheiro social moderno tentará fazer a máquina social funcionar por conta própria, de acordo com o projeto original. 

Para esse propósito, o engenheiro social deve aplicar as leis da sociedade da mesma maneira que o engenheiro mecânico segue as leis da natureza. A teoria comportamental atingiu um estágio de conhecimento que tornou possível praticamente todos os sonhos da engenharia social. As maquinações da engenharia social operam não pela força bruta, mas sutilmente por meio de "cutucões", como sempre apregoou seu papa, Richard Thaler.

Sob a ordem imaginada pelo "Grande Reinício", o avanço da tecnologia não visa a aprimorar as condições das pessoas, mas sim a submeter o indivíduo à tirania de um estado tecnocrático. "Nossos especialistas sabem o que é melhor" é a justificativa.

A Agenda

O plano para uma revisão e uma reforma geral do mundo é criação de uma elite de megaempresários, políticos e sua comitiva intelectual que costumavam se reunir em Davos, na Suíça, em janeiro de cada ano. Criado em 1971, o Fórum Econômico Mundial (WEF) tornou-se um evento megaglobal desde então. Mais de três mil líderes de todo o mundo participaram da reunião em 2020 .

Sob a orientação do Fórum, a agenda do "Grande Reinício" afirma que a concretização da atual transformação industrial requer uma renovação completa da economia, da política e da sociedade. Dado que uma transformação tão abrangente requer a alteração do comportamento humano, o "transhumanismo" obviamente faz parte do programa.

O Grande Reinício será o tema da 51ª reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, em 2021. A agenda proposta será o compromisso de direcionar a economia mundial para "um futuro mais justo, mais sustentável e mais resiliente". O programa clama por "um novo contrato social" que seja centrado na igualdade racial, na justiça social e na proteção da natureza. 

Segundo o documento, as "mudanças climáticas" exigem que "descarbonizemos a economia" e que o pensamento e o comportamento humano passem a estar "em harmonia com a natureza". O objetivo é construir "economias mais iguais, inclusivas e sustentáveis". Essa nova ordem mundial deve ser implementada "urgentemente", pois a pandemia "deixou nua a insustentabilidade do nosso sistema", que carece de "coesão social".

Os defensores do Reinício afirmam que a ONU falhou em estabelecer ordem no mundo e não foi capaz de impor forçosamente sua agenda de desenvolvimento sustentável — conhecida como Agenda 2030 — por causa de sua maneira burocrática, lenta e contraditória de trabalho. 

Por outro lado, as ações do comitê organizacional do Fórum Econômico Mundial são rápidas e inteligentes. Quando um consenso é formado, ele pode ser rapidamente implantado pela elite global em todo o mundo.

Engenharia social

Esse projeto do Grande Reinício é engenharia social na mais pura definição do termo. No entanto, vale ressaltar que a ideologia do Fórum Econômico Mundial não é nem de esquerda nem de direita, nem progressista e nem conservadora; também não é fascista ou comunista. Ela é tecnocrática. Como tal, inclui muitos elementos de ideologias coletivistas anteriores.

Nas últimas décadas, o consenso que surgiu nas reuniões anuais de Davos é o de que o mundo precisa de uma revolução e que reformas sempre demoram muito tempo. Por isso, seus membros querem uma profunda transformação a curto prazo. O intervalo de tempo deve ser tão breve que a maioria das pessoas dificilmente perceberá que está acontecendo uma revolução. A mudança deve ser tão rápida e dramática que aqueles que reconhecerem que uma revolução está acontecendo não terão tempo para se mobilizar contra ela.

A idéia básica do "Grande Reinício" é o mesmo princípio que conduziu as transformações radicais das revoluções francesa, russa e chinesa. É a idéia do racionalismo construtivista incorporado ao estado. Só que projetos como o "Grande Reinício" não oferecem resposta para a pergunta: quem governa o estado? O próprio estado não governa. Ele é apenas um instrumento de poder. Não é o estado abstrato que decide, mas sim os líderes de partidos políticos específicos e de certos grupos sociais.

Os antigos regimes totalitários precisavam de execuções em massa e campos de concentração para manterem seu poder. Hoje, acredita-se que, com a ajuda de novas tecnologias, os dissidentes poderão ser facilmente identificados e marginalizados. Aqueles que não se ajustarem serão silenciados; opiniões que divirjam do "consenso da maioria" serão desqualificadas como moralmente desprezíveis (tipo como já ocorre hoje).

Os lockdowns de 2020 possivelmente oferecem uma prévia de como esse sistema funciona. O lockdown funcionou tão perfeitamente — no sentido de condicionar a população a adotar uma mentalidade bovina — que parece ter sido orquestrado — e talvez tenha sido. Como se seguissem um único comando, os líderes de grandes e pequenas nações — de diferentes estágios de desenvolvimento econômico — implementaram medidas praticamente idênticas.

Muitos governos não apenas agiram em uníssono, como também aplicaram essas medidas com sem ter qualquer consideração pelas terríveis consequências de um bloqueio  econômico global.

Meses de paralisia econômica imposta pelos estados destruíram a base econômica de milhões de famílias. Conjuntamente com o distanciamento social, os lockdowns produziram uma massa de pessoas incapazes de cuidar de si mesmas. Primeiro, os governos destruíram o direito ao próprio sustento; depois, os políticos (os próprios destruidores) se ofereceram como salvadores. A demanda por assistência social não está mais limitada a grupos específicos, mas tornou-se uma necessidade das massas.

Antigamente, dizia-se que a guerra era o que alimentava e dava forças ao estado. Agora, é o temor de doenças. O que temos pela frente não é o aparente aconchego de um benevolente e abrangente estado de bem-estar social, com uma renda mínima garantida e assistência médica e educação para todos. O lockdown e suas consequências trouxeram um aperitivo do que está por vir: um estado de permanente medo, de controle comportamental rigoroso, de perda maciça de empregos e de crescente dependência da "benevolência" de políticos.

Para concluir

Com as medidas tomadas no rastro da pandemia de Covid-19, foi dado um grande passo para "reiniciar" a economia global (nas palavras de seus próprios proponentes). 

Se não houver resistência popular, o fim da pandemia não significará o fim dos lockdowns, das quarentenas e das medidas de distanciamento social. No momento, porém, os oponentes dessa nova ordem mundial organizada por uma tirania digital ainda têm acesso à mídia e a plataformas para discordar. No entanto, o tempo está se esgotando. Os criadores da nova ordem mundial são espertos. Declarar o coronavírus como uma pandemia foi útil para promover a agenda de seu "Grande Reinício". 

Somente uma maciça e contínua oposição pode desacelerar e, quem sabe, interromper a ampliação do poder dessa tecnocracia tirânica que está em ascensão.

Antony Muller

terça-feira, 16 de março de 2021

PRÍNCIPE HARRY: A EPÍTOME DO HOMEM BRANCO DESARRAIGADO

 O príncipe Harry e Meghan Markle, o duque e a duquesa de Sussex, têm uma grande quantidade de seguidores na mídia como vítimas do racismo da família realMeghan, que supostamente tem DNA afro-americano, parece tudo menos afro-americana e tem uma cor de pele muito mais clara do que as loiras americanas de olhos azuis bronzeadas que vejo na praia no norte da Flórida. Eles fizeram de Meghan uma duquesa, e isso é racismo.

Diga-me, esse alguém é afro-americano? A Duquesa de Sussex é uma vítima de racismo ou simplesmente uma vítima de seu mau julgamento?

A mídia está radiante com o ângulo do racismo expresso por Meghan na Oprah [programa The Oprah Winfrey Show, o talk show com maior audiência da história da televisão norte-americana]. A CNN até tem um departamento de notícias sobre “UK Royals” e faz o que pode para derrubar os Windsor junto com todos os outros brancos, assim como o New York Times faz com seu Projeto 1619.

Créditos: Tattoo no toco

Até a RT [Russia Today, rede de televisão internacional fundada na Rússia e financiada pelo Estado russo] teve que atacar a família real “racista” com um artigo vergonhoso de David Matthews, que odeia a hierarquia social, mas apenas se ela for aristocrática. Nirpal Dhaliwal, um escritor britânico cuja ancestralidade é a ex-colônia britânica da Índia, diz que Meghan prova que “a celebridade negra agora eclipsa a realeza britânica. O pacto Meghan-Oprah reflete como, na Nova Ordem Mundial, os negros americanos são agora um bloco mais poderoso do que a aristocracia britânica”.

De alguma forma, a rainha Elizabeth e o príncipe Phillip, duque de Edimburgo, conseguiram representar a Grã-Bretanha de maneira digna desde seu casamento em 1947. Mas alguns de seus filhos e netos não tiveram disciplina. Assistir à desintegração da família real britânica é como ver o desmoronamento do mundo ocidental. Claro, para usar um termo antiquado, Meghan carece de uma educação de família real. Ela é uma corista de Los Angeles (EUA), no caso dela uma pequena atriz de cinema, que se casou bem. Mas o Príncipe Harry teve uma educação real. Então, qual é a sua desculpa?

A desculpa de Harry é que ele cresceu em uma cultura que demoniza os brancos como colonialistas/imperialistas/ racistas. Ele cresceu em uma cultura em que os primeiros-ministros britânicos e seus governos davam tratamento preferencial aos invasores imigrantes em relação aos cidadãos étnicos britânicos. Ele cresceu em uma cultura na qual as universidades de Oxford e Cambridge abominam a “brancura” como racista e derrubam estátuas de seus benfeitores.

A família real britânica é um símbolo, como uma bandeira, não um centro de poder. A rainha não tem capacidade de regular ou controlar a cultura, em grande parte importada dos Estados Unidos. A cultura ocidental foi subvertida e se voltou contra si mesma. O Príncipe Harry simplesmente reflete esse fato.

A razão pela qual o Ocidente não tem futuro é que apenas as gerações mais velhas foram aculturadas para apreciar a longa luta para alcançar a liberdade civil e um governo responsável. Para muitos das gerações mais jovens, isso nada mais é do que o uso de palavras para encobrir o racismo branco.

Ao acusar a realeza britânica de racismo, por implicação Meghan está acusando os britânicos de racismo. Isso a torna uma heroína da mídia. A Política de Identidade usará Meghan para desacreditar a família real e a Grã-Bretanha, juntamente com os brancos em geral.

Como Meghan pode justificar seu título de “brancura” de Duquesa de Sussex? Ela não deveria renunciar, ou está esperando por mais munição contra a família real ao ser privada de seu glorioso título por causa de sua indiscrição?

A comentarista negra Candice Owens diz sobre Meghan Markle: “Você olha para ela e não consegue perceber, só de olhar para Meghan Markle, que ela é negra”.


Fonte: freewestmedia.com

quarta-feira, 10 de março de 2021

Por que sempre subestimaram os socialistas?

 Trecho extraído do livro Ação Humana, de 1948


As massas, as legiões de indivíduos comuns, não concebem ideias, sejam elas verdadeiras ou falsas. Elas apenas escolhem entre as ideologias elaboradas pelos líderes intelectuais da humanidade. No entanto, essa escolha é decisiva e determina o curso dos eventos. Se preferirem doutrinas ruins, nada poderá impedir o desastre.

A filosofia social do Iluminismo não se deu conta dos perigos que poderiam advir da prevalência de ideias falsas. As objeções habitualmente apresentadas contra o racionalismo dos economistas clássicos e dos pensadores utilitaristas eram inconsistentes; no entanto, havia uma deficiência nestas doutrinas: elas ingenuamente pressupunham que tudo quanto fosse lógico e razoável prevaleceria. 

Não chegaram a imaginar a possibilidade de a opinião pública apoiar ideias espúrias cuja aplicação viesse a ser danosa à prosperidade e ao bem-estar, e que levasse à desintegração da cooperação social.

Atualmente, é moda desmerecer aqueles pensadores que criticavam a fé que os filósofos liberais depositavam no homem comum. Apesar disso, foram pensadores como Edmund Burke e Karl HallerLuis de Bonald e Joseph de Maistre que chamaram atenção para o problema essencial que os liberais não haviam percebido. Foram eles que souberam avaliar o comportamento das massas mais realisticamente do que os seus adversários.

Esses pensadores conservadores, sem dúvida, iludiam-se ao pensar que o sistema tradicional de governo paternalista e a rigidez das instituições econômicas pudessem ser preservadas. Louvavam o Ancient Régime pela prosperidade que havia proporcionado e por haver até mesmo humanizado a guerra. Mas não perceberam que precisamente essas realizações haviam dado lugar a um aumento demográfico e, portanto, a um excedente populacional para o qual não havia mais espaço no antigo sistema de restricionismo econômico. 

Ignoraram o surgimento de uma classe de pessoas que não poderia ser absorvida, se prevalecesse a ordem social que desejavam perpetuar. Não conseguiram oferecer uma solução para o mais sério problema que a humanidade teria de enfrentar às vésperas da "Revolução Industrial".

O capitalismo deu ao mundo aquilo de que ele precisava: um melhor padrão de vida para um  população em constante crescimento. Mas os liberais, os pioneiros e os defensores do capitalismo, não chegaram a perceber um ponto essencial: um sistema social, por mais benéfico que seja, não pode funcionar sem o apoio da opinião pública. Não previram o êxito que a propaganda anticapitalista teria.

Depois de haverem destruído o mito de que reis sagrados estavam a mando de Deus em uma missão divina, os liberais se deixaram seduzir por outras doutrinas não menos ilusórias: o poder irresistível da razão, a infalibilidade da volonté générale, e a divina inspiração das maiorias. 

A longo prazo, pensavam eles, nada pode impedir a melhoria progressiva das condições sociais. Ao desmascarar antigas superstições, a filosofia do Iluminismo havia, de uma vez por todas, implantado a supremacia da razão.

Os resultados das políticas pró-liberdade seriam uma demonstração irresistível das vantagens da nova ideologia; nenhum homem inteligente se atreveria a questioná-la. Estava implícita na convicção desses filósofos que a imensa maioria das pessoas é inteligente e capaz de pensar corretamente.

Não ocorreu aos antigos liberais que a maioria poderia interpretar a experiência histórica com base em outras filosofias. Não imaginaram a popularidade que viriam a ter, nos séculos XIX e XX, ideias que eles considerariam como regressivas, supersticiosas e inconsistentes. Estavam tão convencidos do fato de que todos os homens são dotados da faculdade de raciocinar corretamente, que não souberam interpretar adequadamente os presságios. 

Consideravam todos esses maus augúrios apenas como recaídas passageiras, episódios acidentais, sem importância para o filósofo que contemplava a história da humanidade sub specie aeternitatis. Os defensores do atraso poderiam dizer o que quisessem, mas havia um fato que não poderiam negar: que o capitalismo propiciou a uma população em rápido crescimento um padrão de vida cada vez melhor.

Pois foi precisamente este fato que a imensa maioria contestou. 

O ponto essencial das teses de todos os autores socialistas, e particularmente das de Marx, é a afirmativa de que o capitalismo resulta no progressivo empobrecimento das massas trabalhadoras. Em relação aos países capitalistas, o equívoco desse teorema é explícito e não tem como ser negado. Em relação aos países subdesenvolvidos, que só foram afetados superficialmente pelo capitalismo, o crescimento demográfico sem precedentes não parece confirmar a interpretação de que as massas estão cada vez mais em pior situação. Esses países são pobres em comparação com outros mais avançados. Sua pobreza é fruto do rápido crescimento populacional. Preferem ter mais filhos do que elevar o seu padrão de vida. A decisão é deles. 

Mas não se pode negar o fato de que tiveram os recursos necessários para prolongar a duração média de vida. Teria sido impossível criar tantas crianças sem que tivesse ocorrido um aumento dos meios de subsistência.

Apesar disso, não apenas os marxistas, como também muitos autores "burgueses" seguem afirmando, sem grande oposição, que a previsão de Marx quanto à evolução do capitalismo foi, de um modo geral, confirmada pela história dos últimos cem anos.

Positivismo no Brasil

 O Positivismo no Brasil.

Sem dúvida alguma que, entre as correntes filosóficas em ascensão nas últimas décadas do século XIX, o Positivismo foi a que mais repercussão teve no seio do pensamento brasileiro. A razão fundamental desse fato radica na pré-existente tradição cientificista que se iniciou com as reformas pombalinas, à luz das quais estruturou-se todo o sistema de ensino superior, em bases que privilegiavam a ciência aplicada e a instrução estritamente profissional. Isso explica a tardia aparição da ideia de universidade (entendida como instância de cultura superior e de pesquisa básica), no contexto cultural brasileiro. Efetivamente, só a partir da década de 1920 ganharia corpo a ideia de universidade, como reação contra o Positivismo reinante.

O Positivismo teve no Brasil quatro manifestações diferentes: a ortodoxa, a ilustrada, a política e a militar. A corrente ortodoxa teve como principais representantes Miguel Lemos (1854-1917) e Teixeira Mendes (1855-1927), os quais fundaram, em 1881, a Igreja Positivista Brasileira, com o propósito de fomentar o culto da “religião da humanidade”, proposta por Comte (1798-1857), no seu Catecismo positivista.

A corrente ilustrada teve como principais representantes Luís Pereira Barreto (1840-1923), Alberto Sales (1857-1904), Pedro Lessa (1859-1921), Paulo Egydio (1842-1905) e Ivan Lins Monteiro de Barros (1904-1975). Esta corrente defendia o plano proposto por Comte na primeira parte da sua obra, até 1845, antes de formular a sua “Religião da Humanidade”, e que poderia ser sintetizado assim: o Positivismo constitui a última etapa (científica) da evolução do espírito humano, que já passou pelas etapas teológica e metafísica e que deve ser educado na ciência positiva, a fim de que surja, a partir desse esforço pedagógico, a verdadeira ordem social, que foi alterada pelas revoluções burguesas dos séculos XVII e XVIII.

A corrente política do positivismo teve como maior expoente Júlio de Castilhos (1860-1903) [cf. Vélez, 1980], que em 1891 redigiu a Constituição do Estado do Rio Grande do Sul, que entrou em vigor nesse mesmo ano. Segundo essa carta, as funções legislativas passavam às mãos do poder executivo, sendo os outros dois poderes públicos (legislativo e judiciário) tributários do executivo hipertrofiado. Para Castilhos, deveria se inverter o dogma comteano de que à educação moralizadora seguiria pacificamente a ordem social e política. O Estado forte deveria impor, coercitivamente, a ordem social e política, para depois educar compulsoriamente o cidadão na nova mentalidade, ilustrada pela ciência positiva. Esta corrente ganhou maior repercussão do que as outras três, devido a que obedeceu à tendência cientificista de que já se tinha impregnado o modelo modernizador do Estado consolidado pelo marquês de Pombal.

Assim, as reformas autoritárias de tipo modernizador que o Brasil iria experimentar ao longo do século XX deram continuidade à mentalidade castilhista do Estado forte e tecnocrático. Este modelo consolidou-se na obra de um seguidor de Castilhos, Getúlio Vargas (1883-1954), que sofreu também a influência organicista da sociologia saint-simoniana, conhecida por ele através da obra literária de Émile Zola (1840-1902). Aconteceu com o castilhismo algo semelhante ao ocorrido no México com o porfirismo: ambas as doutrinas cooptaram a filosofia positivista como ideologia estatizante e reformista.

A corrente militar positivista teve como principal representante Benjamin Constant Botelho de Magalhães (1836-1891), professor da Academia Militar e um dos chefes do movimento castrense que derrubou a monarquia em 1889. Esta corrente estruturou-se paralelamente à ilustrada, projetando, ao longo das últimas décadas do século XIX, o ideário cientificista pombalino, conforme destacou Antônio Paim [1980: 259]: “A adesão às doutrinas de Comte por parte dos líderes da Academia Militar deu-se no estreito limite em que contribuiu para desenvolver as premissas do ideário pombalino, quer dizer, a crença na possibilidade da moral e da política científicas. Para comprová-lo, basta comparar as funções que Comte destinava às forças armadas e o papel que Benjamin Constant atribui ao Exército”.

A filosofia positivista foi vigorosamente criticada pela corrente denominada de “Escola do Recife” [cf. Paim, 1966]. O fundador e mais destacado representante dessa corrente de pensamento foi Tobias Barreto (1839-1889). Outras figuras dignas de menção são Sílvio Romero (1851-1914), Clóvis Beviláqua (1859-1944), Artur Orlando (1858-1916), Martins Júnior (1860-1909), Faelante da Câmara (1862-1904), Fausto Cardoso (1864-1906), Tito Lívio de Castro (1864-1890) e Graça Aranha (1868-1931).

A denominada “Corrente Culturalista” retomou, hodiernamente, em bases neokantianas e liberais, com Miguel Reale (1910-2006), Antônio Paim (1927-) e outros, a crítica ao Positivismo iniciada pela “Escola do Recife” no final do século XIX, abrangendo a tradição estatizante legada pelo Castilhismo. A principal crítica levantada pelos culturalistas diz relação à fusão, no início do século XX, entre Positivismo e Marxismo, realizada por Leônidas de Rezende (1889-1950), que terminou dando ensejo a uma vulgata pedagógico-doutrinária de positivismo marxista que, com o auxílio de teóricos de inspiração gramsciana como Paulo Freire (1921-1997) e Moacyr Gadotti (1941-), terminou encampando a pedagogia e o sistema educacional ao longo dos últimos trinta anos, com sério comprometimento, para o Brasil, na busca de horizontes abertos a um desenvolvimento capitalista realizado em bases liberais [cf. Freire, 2013; Gadotti, 1983].

A longa passagem do Partido dos Trabalhadores pelo poder terminou fortalecendo esse viés corporativista e estatizante, agravado pela pesada onda de corrupção que terminou levando o nome genérico de “O Mecanismo” (com generalizada articulação burocrática e corporativista, que tem conduzido o Brasil à perigosa beira da imobilidade e da incompetência, neste início de milênio) .