Bunker da Cultura Web Rádio

sábado, 16 de setembro de 2023

O combate à liberdade de expressão no Brasil

 

No ano de 2023, o cenário nacional tem sido marcado por um esforço crescente dos agentes estatais em direção a tentar, de diversas formas, limitar a liberdade de expressão. Tudo começou com indicativos de um verdadeiro vilipêndio à Constituição Federal por parte de uma entidade que é definida pela própria Carta Magna como responsável por ser sua guardiã.



Houve um tempo em que professores universitários, como aqueles das cadeiras de Direito Constitucional, de Direito Penal e de Direito Processual Penal, denunciavam os desmandos causados ao arrepio da Constituição Federal por diversos agentes estatais, políticos, legisladores e juristas, apontando-os como autoritários ou antidemocráticos.

É significativa a indignação, e a saudade, por parte de muitos de nós brasileiros, de um período em que a violação dos Direitos Fundamentais não passava despercebida. Há uma sensação de abandono em relação àqueles que teciam críticas fundamentadas àqueles órgãos e aosrepresentantes estatais que fizessem uso de uma interpretação demasiadamente alargada ou de uma ponderação forçada entre princípios constitucionais visando atingir interesses escusos.

A crítica feroz aparecia justamente pelos métodos de “interpretação” utilizados o serem atingindo, de forma contraditória, a essência daqueles próprios princípios que se afirmava implementar. Ninguém, afinal, considera algo de uma certa excentricidade tentar preservar a democracia a partir da limitação estatal à liberdade de expressão dos cidadãos aos quais este existe para servir?

São tempos sombrios. Existem, há muito, mecanismos penais e processuais penais suficientes para combater crimes de difamação, injúria ou calúnia, ou crimes contra a honra em geral. Não se trata de combater atentados contra a honra de indivíduos, trata-se de punir a mentira, pura e simplesmente. Há um potencial danoso considerável na empreitada em questão. É trabalhoso encontrar algo mais subjetivo, ou sujeito a manobras ocultas, do que um controle estatal daquilo que poderia vir a ser de caráter mentiroso.

A interpretação da Constituição Federal, dos Direitos e das Garantias Fundamentais, hoje, varia conforme o grupo político que está no poder, assim como as leis são interpretadas conforme quem está sendo submetido a julgamento. Há uma clara fuga, do objeto levado à análise, para o sujeito sob julgamento. O pretenso combate às “fake news” (notícias “falsas”) é mais um exemplo de uma conhecida tática utilizada por inúmeros regimes ditatoriais no decorrer da história.

A sociedade tem regredido, atingindo o momento em que ouvir o outro não é mais prioridade. O pretexto é o de combater o “discurso de ódio”, o decombater as “fake news”. Boa parte da sociedade e dos pretensos intelectuais fecham os olhos, no entanto, para quem costuma ser aquele que é acusado de proferir o discurso de ódio, para quem costuma ser o acusado de propagar “fake news”.Os mesmos agentes esquecem-se de verificar se determinado grupo político convenientemente não se encontra isento de acusações semelhantes.

A disposição de atacar criticamente e de forma fundamentada tendências autoritárias, por parte de determinados “intelectuais”, parece ser reduzidaquando tais tendências provêm de grupos políticos de seu interesse. O aspecto subjetivo, o agente, subitamente passa a interessar mais do que o objetivo, suas ações. Não é só: Quando o grupo político em questão assume o poder, parece que também aqueles que atuam ao seu redor, no seu interesse, ou prejudicando o grupo político contrário, ganham uma carta branca para violar o diploma constitucional. É a defesa “intelectual” da violação da democracia “em prol da democracia”.

Eis que pergunto: Até quando “os fins justificam os meios”? Um jogo de palavras que se encaixa muito bem na temática em questão. Afinal, é equivocadamente atribuído à obra prima de Nicolau Maquiavel, “O príncipe”. Mais um exemplo das danosas “fake news”. Talvez devamos procurar o responsável pelo equívoco e excluí-lo das redes sociais.

É inadmissível que um sujeito ofusque a verdade, mais um mentiroso em meio à sociedade. Aparentemente, não há como permitir que o cidadão brasileiro, ao que indicam as pretensas medidas, um autômato desprovido de senso crítico,leia o conteúdo em questão e o interprete de forma equivocada. É impressionante como muitos indivíduos têm a tendência a ver a verdade como algo absoluto e de fácil acesso, não como algo relativo, ou, muito menos, como algo que pode ser manipulado visando a preservação de interesses escusos.

A imagem de uma figura central infalível, quase sobre-humana, bondosa, desprovida de interesses materiais, escusos, sem nenhum interesse contrário ao bem-estar do “povo”, da “sociedade”, ainda se faz muito presente entre as massas. Não teria sido justamente esta a visão de muitos alemães durante a Alemanha de Hitler, de muitos Soviéticos durante parte da União Soviética de Lenin e de Stalin, de boa parte da Cuba de Fidel Castro? Sim, a visão endeusada, de infalibilidade e bondade ilimitada por parte de determinadas figuras políticas. Uma visão, no mínimo, perigosa.

Dar o poder de separar a verdade da mentira não seria uma dádiva pertencente apenas aos deuses? Sim, no entanto, na terra, no Brasil, vivem apenas humanos, perfeitos apenas na universalidade de sua imperfeição. Às vezes, esquecemos disto. Em algumas ocasiões, como em Cuba, na União Soviética e na Alemanha Nazista, com efeitos desastrosos.

No século XV, um padre dominicano e pregador de Florença, Girolamo Savonarola, promoveu aquelas que ficaram conhecidas como “fogueiras das vaidades”, termo que, desde então, não sem razão,passou a ser usado em sentido pejorativo. O mencionado padre liderou uma queima maciça, por parte de seus seguidores, tanto de livros quanto de obras de arte, e de tudo aquilo que representasse o sacrilégio em que consistiriam itens tidos como luxuosos. Entre tais aspectos, destaque-se o próprio “luxo” de diversos e selecionados livros, o “luxo” do acesso ao conhecimento. Há algo aparentemente pecaminoso em itens que permitam que o povo escape de ser transformado em massa de manobra.

Hoje, o que se promove, em discursos políticos, projetos de lei e decisões judiciais no mínimo duvidosas, mais uma vez, é a criação de várias fogueiras da vaidade. As chamas, hoje, começam a atingir a democracia e a liberdade de expressão, sob os aplausos dos pretensos “intelectuais”. A polarização política atingiu um ponto em que até alguns abolicionistas penais, defensores do Direito Penal Mínimo e constitucionalistas rigorosos defendem a restrição à liberdade de expressão. O cenário é de cegueira deliberada. Em alguns casos, de má-fé, pautada por claros interesses políticos. A hipocrisia é comparável a um caso hipotético de feministas que hoje em dia defendessem a antiga queima das bruxas de Salém.

Ora, atualmente, quem são as bruxas? Quem virá a ser queimado? A cegueira deliberada atinge, no momento, apenas interesses de um grupo político contrário àquele que ocupa o coração dos pretensos “Intelectuais”. Esquecem-se que a liberdade de expressão é um direito fundamental de caráter amplo, e inclui a liberdade dos próprios. Pelo menos, por enquanto. Afinal, a titularidade de ditar o que pode ou não ser expressado vem se tornando cada vez mais estatal. Até quando os próprios “intelectuais” serão imunes às possíveis arbitrariedades estatais?

É preciso que os pretensos “intelectuais”, os“especialistas”, se recordem e entendam, de uma vez por todas, que Galileu Galilei e Giordano Bruno não foram perseguidos por expressarem opiniões falsas. Eram falsas apenas para aqueles que tinham o poder de escolher a verdade mais conveniente, Eram falsas apenas para aqueles que detinham o poder de assim defini-las. As “fakenews” eram punidas desde aquele período tão distante. Não se pode esquecer, assim, que nossa civilização já sofreu muitos efeitos do combate às “fake news”. Giordano Bruno, as bruxas de Salém, e tantos outros acusados de heresia terminaram em cinzas.

Não é difícil, usando inúmeros exemplos históricos, demonstrar em quantas ocasiões uma política voltada à restrição da liberdade de expressão levou a regimes autoritários e verdadeiramente ditatoriais. Também não é difícil pesquisar no “google” sobre Holodomor ou sobre a carnificina das perseguições da Santa Inquisição. É possível, ainda, partir para uma abordagem literária e, ao mesmo tempo, metafórica. Cabe falar sobre hipocrisia, e, para tanto, usemos um conto de Edgar Allan Poe.

Em 1842, Edgar Allan Poe, o autor de “O Corvo”, publicou o conto denominado “O Baile da Morte Vermelha”. Começa apresentando a peste conhecida como “a morte vermelha”, que devastava o país, sendo que nunca “nenhuma praga jamais fora tão fatal ou tétrica”, “provocava dores agudas, torturas repentinas e, por fim, uma profusa hemorragia”, sendo que, durando apenas meia hora para dar início aos sintomas e matar os contaminados, era vermelha como o sangue que fazia jorrar.

O protagonista da obra, o “Príncipe Próspero”, observando a desgraça que recaía sobre os cidadãos ao seu entorno, menosprezando seus efeitos, construiu uma fortaleza com muros altos e fortificados para se isolar junto com parte da nobreza, com seus favoritos, escolhidos à dedo, deixando o restante da população para sofrer com os horrores da peste dos lados de fora de suas altas muralhas fortificadas. Após aguardar a entrada dos seus cortesãos, trancou os cadeados do castelo, deixando que a população se virasse com a peste.

Em sua fortaleza, o príncipe próspero realizava diversas celebrações, vivendo em estado de fartura junto a seus protegidos, com bailarinos, músicos, e gostos considerados excêntricos, tudo regado à “Beleza e vinho”. Toda a fartura ocorria enquanto a morte vermelha atingia a população que se encontrava dos lados de fora de sua construção fortificada, com altas taxas de transmissibilidade. Não havia esforço algum para tentar buscar uma cura para a peste. Havia apenas a sensação de segurança, de privilégio, e uma vontade voltada à celebração constante.

Em uma determinada ocasião, no ápice de seu contentamento, o Príncipe resolve convidar os seus mil membros da nobreza para participarem de um luxuoso baile de máscaras, com cômodos de diversas cores, além de tudo o que sua alta posição social e sua excentricidade pudessem lhe garantir. Houve, no entanto, um participante inesperado, que se vestia de forma bastante excêntrica até mesmo para o curioso príncipe. Era uma figura de porte esquelético, trajando “da cabeça aos pés as vestes da morte”, com um figurino que terminava em uma máscara de trejeitos cadavéricos.

Para enorme surpresa do príncipe, ao ordenar, indignado com a ousadia do suposto convidado, que o estranho indivíduo retirasse sua máscara, constatou, com horror, que o visitante era a própria morte vermelha, que finalmente se infiltrara em suailusória fortaleza. A morte vermelha havia atingido toda a população alijada dos muros construídos pelo príncipe, para, após seis meses, levar a vida do príncipe próspero e de todos os seus convidados, que, por muito tempo, imaginaram-se inatingíveis pela peste.

O conto em questão tem o potencial de trazer muitas reflexões e questionamentos interessantes. Apenas um desses bons questionamentos, fazendo jus à liberdade, pelo menos temporária, de poder se expressar de forma metafórica, é aquele referente à quando os “intelectuais” se levantarão contra a peste que circunda seus muros.Continuarão em silêncio, isolados em suas fortalezas, sentindo-se inatingíveis, esperando a chegada da morte vermelha? Fica a lição: não endeusem a si ou a outros, a liberdade é preciosa. Na omissão, na inércia, o autoritarismo, a arbitrariedade, a peste, sempre chega para todos.

*André Polido

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Cruzando o Rubicão

 

Ao final de sua declaração, o professor estava atônito. Nunca havia recebido uma objeção deste tipo. Então apelou para acusar o estudante de racista, anti-semita e outros porretes lingüísticos. Mas de nada adiantou, já que Júlio se manteve como um colosso, inflexível em sua postura. Vendo-se sem saída, o comunista saiu de sala ameaçando que não toleraria tal afronta e que informaria o fato à reitoria. Os colegas de turma olhavam perplexos. Uma minoria de alma lavada, pois nunca tiveram tal coragem e desenvoltura.

“Seus ouvidos doíam com as besteiras marxistóides…

Júlio era um rapaz como tantos outros no Brasil. Era o filho mais novo de uma família de origem portuguesa. Estava no auge de seus 25 anos de idade e era um jovem dedicado aos pais e aos estudos. Havia alguns anos, trabalhava em um escritório de administração para ajudar nas despesas domésticas e estudava à noite. Cursava universidade de história em busca de seu sonho: tornar-se um renomado historiador, autor de livros reconhecidos no meio acadêmico.

Na faculdade, Júlio era tido como um dos mais aplicados e inteligentes da turma. Com uma perspicácia afiada, muitas vezes conseguia inquirir e encurralar seus professores em vários temas. Diversas foram as vezes em que ele os havia deixado até mesmo em uma situação constrangedora perante os outros alunos. Dois assuntos estavam dentre os seus preferidos: história romana e a segunda grande guerra.

No ambiente acadêmico, ele era exposto às mais absurdas adversidades. Seus ouvidos doíam com as besteiras marxistóides que muitos de seus professores vociferavam. O sangue lhe fervia nas acaloradas discussões que ocorriam, quando, muito a contra gosto, era forçado a constatar os supostos mestres colocando seus controversos ideais a frente da verdade histórica.

Certa tarde, em um ensolarado sábado, Júlio atentamente degustava um livro sobre a vida de Júlio Cesar. Do grande ditador, ele herdara o segundo nome e a vontade de sempre ir além. O livro contava toda a trajetória do Cônsul romano, desde seu nascimento, passando por suas proezas militares até o episódio em que retornou a Roma e preparou o caminho para a glória imperial e a era dos Césares.

Dias depois, estava ele assistindo atentamente a uma aula sobre as guerras do século XX. Naquele dia, em particular, o tema seria o desenrolar da 2º Guerra Mundial. Sendo este um dos assuntos que mais lhe aguçavam a curiosidade, seus sentidos estavam totalmente concentrados nas palavras do mestre. Em dada altura da aula, iniciou-se um debate sobre o holocausto e as atrocidades cometidas pelos alemães. O professor, um notório comunista, era incisivo em suas afirmações de que o povo alemão era, como um todo, culpado pelas barbaridades perpetradas contra as minorias étnico/sociais e, particularmente, o povo judeu.

Um ou outro aluno tentava argumentar contra o acadêmico filo-comunista, mas de nada adiantava. Por mais que esses alunos falassem em um tom de voz normal e mesmo com uma fraca argumentação, o sujeito, furioso, esbravejava. Foi então que, segundo suas próprias palavras, “para silenciar e acabar com toda dúvida”, o mesmo apagou a luz da sala e iniciou uma exposição de slides. As cenas chocavam. Pilhas de corpos caídos no chão. Prisioneiros esqueleticamente debilitados. Fotos dos sapatos das supostas vítimas e etc. A tenebrosa exibição seguiu por quase 15 minutos. Quando as luzes acenderam, não houve ninguém a argumentar – fosse a dúvida ou a coragem havia se dissipado.

Quando argumentos racionais e lógicos desaparecem, entra em cena a emoção num claro exemplo de aplicação daquela “técnica infalível” – NR.

Já era tarde da noite quando Julio retornou para casa. Sentado à mesa, jantava. Seu olhar se dissipava no vazio. Ele sentia certa vergonha de ter ficado calado no debate, pois não possuía conhecimento suficiente, fosse para concordar com o professor ou para discordar dele. Refletindo, percebeu que tudo o que conhecia sobre o suposto extermínio de judeus era o que tinha lido em livretos de escola e revistas penduradas em bancas de jornal. Outra coisa que atormentava seu pensamento era se realmente todas aquelas atrocidades eram verdade ou não e, se fossem, que tipo de gente era capaz de algo assim.

Um novo dia amanheceu e ele estava decido: iria estudar por sua própria conta sobre os fatos que lhe perturbaram o sono na noite passada. No intervalo para almoço, foi diretamente a uma livraria e procurou livros sérios sobre o holocausto. Encontrou dois títulos consagrados mundialmente, impressos por grandes editoras. Questionando o idoso dono da loja se havia algum outro material disponível, este lhe apresentou uma edição simplória. A capa, de cor cinza, era bem modesta. O autor, assim como a editora, desconhecidos para Júlio. Porém, devido à recomendação do velho italiano, levou-o juntamente com os outros dois.

Era quase final do semestre e o período de recesso universitário encaixava-se perfeitamente com as férias no trabalho. Além do mais, seria uma ótima oportunidade para ler as três novas aquisições. Aproximadamente vinte dias depois, Júlio concluía a leitura de dois volumes. Os mais famosos, dos quais ele já havia ouvido falar antes. Apesar da imensa quantidade de páginas, parecia que algo não se encaixa perfeitamente.

Foi então que ele tomou o último e anônimo artefato. O livro parecia apresentar outra face das alegadas atrocidades nazistas. A argumentação era racional e lógica. O autor realizava o cruzamento de informações e apresentava os grosseiros absurdos contidos nos outros dois livros que Júlio havia lido. Erros grotescos que lhe passaram despercebido. Página após página, as palavras lhe soavam como relâmpagos iluminando a cortina de treva intelectual em que vivia.

Desde então, Júlio se tornou obcecado em buscar a verdade dos fatos. Ele sabia, devido a sua formação religiosa, que a verdade liberta. Mas, porém, se esta traz a liberdade, quem teria interesse em escravizar através da mentira? Que diabólica determinação moveria os discípulos da falsidade e do engano? E foi justamente em busca de tais respostas, e pela realidade histórica que ele se aprofundou nos estudos.

As férias terminaram e assim se dava o retorno à rotina diária. As atividades universitárias recomeçaram a todo vapor. Logo na primeira semana, ele assistiria novamente às aulas do bolchevique tupiniquim. O tema agora seria especificamente o holocausto. Apesar de apreensivo, Júlio não vacilou. Decidiu que ouviria atentamente e dessa vez contestaria com a luz do conhecimento e da razão.

A aula já se iniciaria com um pequeno vídeo e em seguida, a tradicional tortura com a sessão de fotos. O assecla de Lênin sabia muito bem o que estava fazendo. Esta era uma ótima tática para quebrar toda barreira racional e preparar o ânimo da audiência. Deixar a todos em um clima extremamente emocional, essa era a chave para o triunfo de suas idéias sobre o público presente.

Terminado o circo de horrores, perguntou se alguém tinha dúvida ou questionamento a fazer. Com acelerado batimento cardíaco, Júlio ergueu a mão. Era o único. Falou sobre o que aprendera nos livros. Denunciou as várias fotos falsificadas. Interrogou sobre a procedência do vídeo, da falta de proposições lógicas e sobre o estado de estupor que essas exibições macabras, porém desprovidas de evidências, causavam nas pessoas.

Ao final de sua declaração, o professor estava atônito. Nunca havia recebido uma objeção deste tipo. Então apelou para acusar o estudante de racista, anti-semita e outros porretes lingüísticos. Mas de nada adiantou, já que Júlio se manteve como um colosso, inflexível em sua postura. Vendo-se sem saída, o comunista saiu de sala ameaçando que não toleraria tal afronta e que informaria o fato à reitoria. Os colegas de turma olhavam perplexos. Uma minoria de alma lavada, pois nunca tiveram tal coragem e desenvoltura. Outros fitavam o estudante, com um tenso olhar de reprovação.

O temor de represálias rondava os pensamentos de Júlio, mas, naquele momento, ele tinha uma certeza – tal qual Cesar, há mais de dois mil anos atrás – acabara de cruzar o Rubicão e não havia mais retorno…

Viktor Weiß

Nota: Em 50 a.C., o senado liderado por Catão ordenou o regresso de César e a desmobilização de todas as suas legiões, ao mesmo tempo que o proibia de se candidatar ao segundo cargo de cônsul in absentia. César sabia que, sem o seu imperium de procônsul e o poder das suas legiões, seria processado e eliminado da vida política assim que regressasse a Roma. Por este motivo, César recusou obedecer e atravessou o rio Rubicão, no norte da península Itálica, a 10 de Janeiro de 49 a.C., dizendo, segundo a lenda, “alea jacta est” (“a sorte está lançada”). Era o primeiro ato da guerra civil que haveria de pôr fim ao normal funcionamento das instituições políticas da República. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Julio_cesar

terça-feira, 12 de setembro de 2023

11 de setembro – A lenda do aço derretido

 Mais de 1.500 arquitetos e engenheiros duvidam da explicação oficial sobre os desabamentos. Certamente dois aviões atingiram as torres. Mas o que nós não sabemos é o tipo de avião, pois o FBI se nega a identificá-los. E o WTC 7 não foi atingido por qualquer avião, mas ele foi o terceiro arranha-céu que desabou naquele dia. Ou seja, a teoria “o fogo enfraqueceu o aço” não vale neste caso.

“Na apuração, edição e publicação de uma reportagem, seja ela factual ou analítica, os diversos ângulos que cercam os acontecimentos que ela busca retratar ou analisar devem ser abordados. O contraditório deve ser sempre acolhido, o que implica dizer que todos os diretamente envolvidos no assunto têm direito à sua versão sobre os fatos, à expressão de seus pontos de vista ou a dar as explicações que considerar convenientes” [Princípios Editoriais das Organizações Globo]

Devido à proximidade do 10º aniversário dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001, eu gostaria de relembrar alguns fatos, os quais contradizem completamente a explicação oficial do governo norte-americano. Por exemplo, a afirmação de que o choque dos aviões e o fogo originado pelo combustível teriam enfraquecido a construção metálica e por isso as torres desabaram.

A afirmação de que a queima do querosene seria tão forte, ocasionando a perda de rigidez dos perfis metálicos e até seu derretimento, é uma tolice completa e fisicamente impossível. Em primeiro lugar, grande parte do combustível já se queimara durante a primeira explosão e em grande parte fora do prédio. Pode-se observar a bola de fogo em todas as imagens exibidas. O restante que permaneceu queimou durante 5 minutos, e então restou apenas o material de escritório. Para queimar 100.000 toneladas de aço seriam necessários vários dias e muita energia, pois o aço é um bom condutor de calor, e este se dissipa rapidamente.

Segundo, a afirmação de que um fogo normal derrete o aço é tão absurda, que me leva a perguntar por que minha churrasqueira não derrete, quando a aqueço por horas a fio? As chamas são até otimizadas pelo bico. Ou por que um motor de carro não derrete ou então uma turbina onde o combustível é queimado sob alta pressão? Isso não acontece e por isso esta afirmação – o combustível dos aviões e o material de escritório levaram as espessas barras de aço ao colapso – é totalmente ridícula.

Mas o que esperar deste espetáculo hollywoodiano, encenado em plena Nova York, reduto maior das Altas Finanças e do “Santo Holocausto”? Mais uma vez devemos relembrar as proféticas palavras do judeu Vidal-Naquet: “Não se deve perguntar como foi tecnicamente possível um extermínio em massa. Foi tecnicamente possível porque aconteceu. Este é o ponto de partida obrigatório para toda investigação histórica sobre este tema. Esta verdade queremos simplesmente lembrar: não existe debate sobre a existência das câmaras de gás, e não deve haver nenhum.”. Portanto, senhores, todos nós devemos engolir bravamente os esclarecimentos do honesto governo norte-americano. E se armaram um circo após a Segunda Guerra que deixaria vermelho de vergonha até o Barão de Münchhausen – e o mundo todo acreditou – por que oras não deveria funcionar agora? – NR.

Antes e depois do 11 de setembro, inúmeros edifícios pegaram fogo de cima a baixo, durante horas a fio, e nenhum entrou em colapso. Em 1946, um bombardeio quadrimotor colidiu com o Empire State Building, em Nova York, e alguns andares superiores se danificaram e se incendiaram. O edifício está em pé até hoje.

Existem boas provas de que a temperatura nos andares onde os aviões se chocaram, era bem baixa, sim, até haveria tido um resfriamento. Pois pessoas apareceram nos buracos e acenaram da fachada. Isso seria impossível se dominassem temperaturas propícias para o derretimento do aço. O ponto de fusão do aço, segundo o tipo de liga metálica, pode chegar até a 1.536 ºC. O porém é que não se desenvolveu qualquer alta temperatura e o período de alguns minutos também foi muito breve para abalar a estrutura.

E caso aqui residisse o motivo, então apenas a parte superior teria se inclinado e a intacta parte inferior teria permanecido. Massas se movimentam na direção de menor resistência; isso é um princípio físico. Quando se serra uma árvore ao meio, então a parte superior se inclina e a base permanece. A parte superior não desaba sobre a inferior, restando apenas serragem. Isso eles nos contam, assim deve ter acontecido.

Nas fotos seguintes nós podemos notar uma mulher em pé, no canto do local do impacto na Nordturm, olhando para fora. Isso significa que nunca houve temperaturas tão altas neste andar, ao contrário do que nos dizem, pois senão a sola de seus pés estaria queimada e ela nunca teria conseguido estar naquele local.

Onde está o inferno no local do impacto? O fogo praticamente não existe. Bem ao centro podemos observar a mulher em destaque no contorno vermelho:

Aqui o destaque ampliado:



Segundo seu marido, acenando na foto se trata de Edna Cintron, uma secretária da empresa Marsh & McLennan. Ela até sobreviveu ao impacto do avião no seu escritório:

Aqui nós podemos até ver outro homem em pé, à esquerda, com Edna à direita:



Nós vemos que aquilo que afirmam o governo dos EUA, os meios de comunicação e os chamados especialistas, é completamente falso e não aconteceu.

Nestes próximos dias teremos a oportunidade de ver novamente as mentiras sendo repetidas à exaustão pelo Sião-Eletrônico. No caso das Organizações Globo, é com bastante satisfação que recebemos seus Princípios Editoriais, onde declaram aquilo que qualquer bicho de jornalismo já sabe: tem que ter correção, isenção, pluralismo!

E sendo assim, durante o 10º aniversário dos atentados de 11 de setembro, podemos esperar um indignado Sr. Bonner anunciando as mentiras do governo dos EUA. Alguém duvida? – NR.

Só pode ter ocorrido uma implosão planejada e as inúmeras explosões ouvidas pelas testemunhas confirmam isso. Somente assim poderia ser criada a enorme quantidade de energia suficiente para derrubar ambos gigantescos prédios e transformá-los em pó.

Caso seja verdade aquilo que afirmam o governo dos EUA e o NIST, ou seja, um simples fogo pode amolecer estruturas metálicas e levar um arranha-céu ao colapso, por que não reagiram imediatamente as companhias de seguro e as autoridades para prevenção a incêndios? Por que não foram evacuados imediatamente todos os prédios do mundo para reformá-los, pois não são inseguros? Estas conseqüências deveriam ser levadas a sério. Isso não aconteceu e o motivo reside no fato de que nenhuma destas empresas acredita na lenda.

Mas não somente a afirmação, onde a explicação oficial alega que o fogo teria derrubado as torres gêmeas, é falsa, mas também aquilo que afirmam certos extremistas da cena do 11 de setembro (No-Planer) é totalmente absurdo. A saber, não havia qualquer avião, eles foram inseridos depois nos vídeos. Uau, mas que trabalho. Mas como foram então encontrados tantos fragmentos de aviões nos escombros? Claro, alguém os espalhou posteriormente. Ridículo.

Partes dos aviões foram parar bem no interior das torres, pois alguns trajes de salvamento e assentos foram encontrados no teto do banco Trust. Um trem de pouso foi parar na esquina da West e Rector Street, cinco quadras ao sul do WTC.

Aqui uma parte da fuselagem do vôo 175 sobre o teto do WTC 5:

Parte do trem de pouso:

Uma turbina na Murray Street, próximo ao Ground-Zero:

Certamente dois aviões atingiram as torres. Mas o que nós não sabemos é o tipo de avião, pois o FBI se nega a identificá-los. E o WTC 7 não foi atingido por qualquer avião, mas ele foi o terceiro arranha-céu que desabou naquele dia. Ou seja, a teoria “o fogo enfraqueceu o aço” não vale neste caso. Nós necessitamos e exigimos uma nova investigação, para que seja esclarecido o que realmente aconteceu neste dia.

Mais de 1.500 arquitetos e engenheiros duvidam da explicação oficial sobre os desabamentos. 

Alles Schall und Rauch, 17/08/2011.

Federal Reserve: prejudicando a economia americana há mais de um século

Desde a sua fundação em 1913, os burocratas planejadores centrais não eleitos do Federal Reserve (Fed - banco central dos Estados Unidos) têm o incrível privilégio de legalmente criar dinheiro a partir do nada, o que meros mortais como nós não estão autorizados a fazer. Foi-lhes dado também a tremenda responsabilidade de manter (i) o pleno emprego, (ii) um nível de preços estável e (iii) as taxas de juros baixas.



Como eles se saíram até agora?

Desde 1913, os burocratas do Fed ajudaram a causar:

  • Mais de 20% de inflação de preços ao imprimir dinheiro para a Primeira Guerra Mundial;
  • A depressão no início da década de 1920, com uma deflação de preços superior a 15%;
  • A Grande Depressão da década de 1930, com 25% de desemprego e um colapso de mais de 10% no produto interno bruto (PIB) dos Estados Unidos;
  • A “estagflação” dos anos 1970, com inflação e juros de dois dígitos;
  • A bolha imobiliária da primeira década do século XXI;
  • A Grande Recessão de 2008-09;
  • Um aumento de 40% na oferta monetária em resposta ao Covid;
  • Aumentos agressivos das taxas de juros ao longo do ano passado, o que provavelmente causará a vigésima primeira recessão desde a fundação do Fed.

É claro que houve ciclos econômicos de expansão e queda antes da criação do Fed, devido às leis governamentais que permitiam aos bancos com reservas fracionárias criarem dinheiro a partir do nada, bem como em função das várias intervenções governamentais nos setores monetário e bancário.

No entanto, dizem-nos que o Fed foi criado para ajudar a suavizar o ciclo econômico e a criar uma economia mais estável e próspera.

Abaixo, analiso alguns dados econômicos importantes antes e depois da criação do Fed para ver cinco formas importantes pelas quais o Fed tornou a economia pior do que seria sem ele.

 

O desemprego tornou-se muito maior

Infelizmente, os dados sobre o desemprego não estão disponíveis durante a maior parte do século XIX, mas os dados disponíveis mostram que o desemprego era geralmente muito baixo, uma vez que todos os que quisessem trabalhar poderiam arranjar um emprego se estivessem dispostos a aceitar salários de mercado.

Normalmente, não havia restrições legais que proibissem transações de trabalho voluntário. Assim, permitiu-se que os salários flutuassem de acordo com a oferta e a procura, tal como qualquer outro preço no livre mercado, o que geralmente conduzia ao pleno emprego.

O gráfico abaixo mostra as taxas de desemprego dos EUA de 1890 a 1988. A principal conclusão é que, antes da criação do Fed, o desemprego nunca atingiu os níveis incrivelmente altos observados durante a Grande Depressão da década de 1930, que ocorreu mais de 17 anos após a criação do Fed com o objetivo de “suavizar” o ciclo de negócios. Não esqueçamos também que o desemprego aumentou para 10% ou mais durante a Grande Recessão de 2008-2009 e o pânico da Covid de 2020.

A inflação se tornou muito maior

A inflação é onde o histórico de fracasso do Fed é mais óbvio.

O gráfico abaixo mostra o Índice de Preços ao Consumidor dos EUA de 1775 a 2012. Fora os breves picos inflacionários impulsionados pela impressão de dinheiro para financiar guerras, a inflação era praticamente inexistente antes da criação do Fed, em 1913. Desde então, a inflação disparou, particularmente depois que todos os laços entre o dólar americano e o ouro foram cortados, em 1971. Como resultado dessa inflação de preços devido à criação de dinheiro pelo Fed, o dólar perdeu 97% do seu valor desde 1913.

As taxas de juros se tornaram muito mais altas

O gráfico abaixo mostra as taxas de juros de longo prazo dos EUA entre 1790 e 2011. Embora as taxas de juros sempre tenham sido voláteis antes do Fed, nunca atingiram os níveis recordes que atingiram no início da década de 1980. Essas taxas de juros elevadas foram a reação do mercado à inflação de dois dígitos da década de 1970, causada pela criação agressiva de moeda por parte do Fed.

O crescimento econômico tem sido mais lento

Embora seja difícil comparar a economia em séculos diferentes, o fato é que o crescimento econômico foi maior antes da criação do Fed. O gráfico abaixo mostra o crescimento real do PIB entre 1800 e 2020. O crescimento foi maior de 1800 até a criação do Fed, como mostra a inclinação mais acentuada do crescimento real do PIB antes de 1913 em comparação com depois de 1913.

Durante este período de liberdade econômica sem precedentes (exceto para os óbvios males da escravatura) e de tributação mínima, os EUA deixaram de ser um país atrasado economicamente para se tornarem talvez o país mais rico da história do mundo.

Embora outras intervenções econômicas governamentais e impostos tenham contribuído para um crescimento mais lento desde 1913, o Fed partilha grande parte da culpa. O Fed contribui para um crescimento econômico mais lento ao ajudar a provocar o ciclo econômico de boom e bust, que provoca o desperdício de recursos escassos em maus investimentos, reduzindo a produtividade dos trabalhadores e o crescimento dos salários reais abaixo do que teria sido de outra forma.

 

Os déficits e a dívida governamental dispararam

Ao criar dinheiro do nada para comprar a dívida do governo dos EUA, o Fed permite ao governo federal gastar muito mais do que arrecada com impostos.

Os gráficos abaixo mostram os déficits e a dívida do governo dos EUA como porcentagem do PIB desde 1857. Antes da criação do Fed, em 1913, déficits orçamentários consideráveis ​​só ocorriam durante guerras, como a Guerra Civil. Houve excedentes orçamentários (sim, excedentes!) na maior parte dos outros anos.

No entanto, desde a criação do Fed, os déficits orçamentários têm sido a regra, atingindo 30% do PIB durante a Segunda Guerra Mundial e 15% durante o pânico da Covid. Os déficits estão atualmente em 5,4% do PIB. Antes de 1913, esse nível só foi ultrapassado durante a Guerra Civil.

Como resultado de toda esta despesa deficitária, a dívida dos EUA em relação ao PIB disparou desde a criação do Fed. A dívida em relação ao PIB aumentou para 30% durante a Guerra Civil, antes de retornar a 0% antes da Primeira Guerra Mundial. Ela tem sido superior a 30% durante a maior parte dos anos desde 1913, ultrapassando os 112% durante a Segunda Guerra Mundial. A dívida pública em relação ao PIB está atualmente em 93% e segue aumentando.

Conclusão

Junto com a União Soviética, o Federal Reserve prova que o planejamento central da economia por um pequeno grupo de burocratas governamentais não funciona.

O fato é que o Fed não foi criado para ajudar a economia. Foi criado por banqueiros para ajudar os bancos com reservas fracionárias a criarem ainda mais dinheiro do nada e para salvá-los quando se deparam com problemas.

A moeda e as taxas de juros são a força vital do nosso sistema econômico e fornecem sinais fundamentais para os consumidores e as empresas. Ao manipular constantemente tanto a oferta monetária como as taxas de juros, na crença de que se tem mais conhecimento do que milhões de pessoas, o Fed cria uma tremenda instabilidade econômica, que desperdiça recursos escassos e reduz os padrões de vida, especialmente para os mais pobres entre nós.

O dinheiro é apenas um meio de troca para tornar a vida mais fácil e produtiva do que o escambo. A oferta de dinheiro que temos agora realiza esse trabalho. Não há necessidade de alterar a oferta monetária.

Com 100% de reservas bancárias, não teríamos de nos preocupar com corridas bancárias, declínio na oferta monetária, como na década de 1930, com inflação ou ciclo econômico de boom bust. Também não precisaríamos de burocratas governamentais como Jerome Powell fingindo que podem planejar centralmente a economia.

Se a economia algum dia fosse libertada da manipulação constante do dinheiro e das taxas de juros por parte do Fed e dos bancos com reservas fracionárias, isso levaria a uma estabilidade e prosperidade econômica sem precedentes.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

MIDIA, O 4º PODER DO ESTADO

 Aqueles que impedem isso e criam todos os problemas do mundo, não são apresentados através das mídias. Nós somos levados ao estado de dormência, somos distraídos, controlados e manipulados, e as mídias são as ferramentas, elas são nosso inimigo comum. Enquanto nós não tomarmos consciência deste fato, os criminosos do mundo irão nos governar e nos trarão somente desgraça.

É um show para entreter o público, uma ilusão.

Chamada de quarto poder no Estado, a mídia é protegida através da Constituição na maioria dos países democráticos do Ocidente. O motivo para isso é que os pais da Constituição assim quiseram, pois o objetivo principal da imprensa é justamente proteger esta Constituição.

A razão de ser da imprensa livre dentro de uma sociedade livre é fiscalizar as lideranças governamentais, pois indiferente como possa parecer, governos e aparatos estatais são compostos de pessoas e estas têm suas fraquezas, por exemplo, elas sucumbem ante a ambição por cada vez mais poder. Portanto, é tarefa da imprensa informar o povo sobre as atividades dos detentores do poder, seja nos aparatos estatais ou na economia. Porém, elas não cumprem esta tarefa; elas fracassaram totalmente.

A definição de uma mentira é de fato bem simples. Uma mentira é quando se deixa uma falsa impressão. Do ponto de vista dos poderosos, é tarefa da mídia construir uma falsa impressão sobre a realidade. Ela protege a elite estabelecida diante do povo, à medida que ela não permita às pessoas saberem o que a elite realmente faz.

Nós somos levados a acreditar que o problema da mídia é pressuposição e parcialidade. Notícias deveriam ser reportadas imparcialmente. A opinião dos jornalistas não deveria ser visível em suas notícias. Mas isso não é o real problema. O problema real é como funciona o sistema de notícias.

Fatos importantes são noticiados, os quais são chocantes por si só, e deveriam levar alguém a fazer algo. Estas notícias são partilhadas a todos de alguma forma, mas dependendo da forma como ela é compartilhada e distribuída, elas desaparecem no mar de informações. Os jornalistas reportam mais ou menos uma descrição exata dos acontecimentos, mas através da colocação e entonação pode-se sugerir sua importância. Desta forma, elas são escondidas em lugares menos importantes e exibidas uma única vez.

Isso funciona então na percepção pública exatamente como no conto “A roupa nova do Rei”. Por exemplo, a gente vai a uma reunião de cem pessoas, todos estão dispersos e conversam entre si, mas uma pessoa no salão está completamente nua. As pessoas vêem aquela que está nua, olham ao redor e notam que ninguém está chocado, todos se comportam como se nada tivesse acontecido. Então a gente pensa que se isso não incomoda ninguém, então eu também vou fazer de conta que tudo está normal. É óbvio que eu não devo me irritar com isso.

Assim funciona o engodo midiático. Lê-se e ouve-se uma notícia, se revolta com seu conteúdo, mas nota-se que os meios de comunicação se comportam como fosse algo sem importância, ou seja, a opinião da sociedade é levada nesta direção a respeito do fato. Além disso, isso é denominado de politicamente correto.

Exemplo de manipulação e leviandade midiática foi o episódio da brasileira na Suíça, que se cortou toda com o intuito de pedir indenização junto ao governo daquele país, bem aos moldes da Indústria do Holocausto – NR.

Análogo ao episódio dos crimes de guerra de Israel na Faixa de Gaza. Durante mais de três semanas a indefesa população civil foi bombardeada e alvejada, onde 1.350 palestinos foram assassinados, dentre eles 850 crianças, 5.450 feridos, 4.000 construções destruídas e 21.000 avariadas, dentre elas 40 mesquitas, 50 escolas e diversos hospitais, tudo isso foi reportado pela mídia, mas foi tudo. Embora as notícias fossem mais do que chocantes, nada aconteceu, a mídia continuou com a pauta do dia.

Toda pessoa pensante e com sentimento de solidariedade e consciência deve-se perguntar, o que está acontecendo afinal? Um genocídio acontece e a mídia se comporta como se isso fosse normal, os crimes são simplesmente ignorados, até mesmo justificados com a mentira da legítima defesa. Aqueles que criticaram o regime israelense foram destratados e difamados. Ninguém exigiu que os responsáveis fossem punidos. É feito de tal forma, como se a matança de civis fosse algo sem importância, fica tal impressão generalizada e as pessoas absorvem esta idéia.

Por isso, não importa quão importante seja para alguém, o que a gente pensa sobre os problemas do mundo ou como nós nos engajamos perante a fome na África, ou a preservação de espécies animais em extinção, ou evitar que as florestas seja desmatadas, exploração do terceiro mundo, ou ser contra as guerras ou se posicionar lutando contra o sistemático desmantelamento da liberdade individual e contra a tirania, todos nós estamos sentado no mesmo barco, temos o mesmo inimigo, e este é a mídia estabelecida. Pois a mídia é o escudo dos criminosos que criaram os problemas na sua gênese, que são responsáveis pela injustiça neste mundo. Eles nos mentem diariamente e escondem a realidade.

O que acontece aqui é claramente um direcionamento daquilo que podemos saber e como devemos pensar. Quem se ocupa um pouco mais com a mídia percebe como as mídias noticiam sempre a mesma coisa, da mesma forma e em seqüência semelhante. Quase não existe diferença. Seria exatamente se todos os alunos fornecessem a mesma resposta na prova. Aqui tem algo podre e foi copiado de uma fonte. Isso acontece diariamente na indústria da informação.

Durante todo o dia, as mídias recebem uma enxurrada de centenas de notícias. Somente quando a gente observa o que eles escreveram, todos se concentraram em cinco ou seis manchetes,… e eles ignoram as mesmas notícias. Existe pouca diferença, eles salientam a mesma declaração, avaliam as notícias da mesma forma e divulgam a mesma opinião sobre o acontecimento, se silenciam mortalmente sobre outros temas. Não é necessário ser adepto de teorias da conspiração para enxergar que a formação da opinião pública é dirigida a partir de uma central.

Eu já trabalhei para um jornal e por isso conheço o sistema como as reportagens são codificadas pelas agências de notícias. São necessárias apenas algumas poucas pessoas nos lugares importantes para direcionar as mídias na direção desejada. Quem controla o fluxo de informações, controla a percepção dos acontecimentos. Além disso, adiciona-se a influência que recebem editores e redatores através do sistema, sejam dos partidos, governos, militares, serviços secretos ou conglomerados. Quem tem dinheiro e poder, este dita o que a opinião pública deve ou não saber.

Mas o importante não é quem faz ou por que fazem, mas sim antes de tudo, que nós sejamos conscientes da ilusão, manipulação e mau direcionamento, e por isso devemos analisar as mídias de forma crítica. Tudo que a gente lê, ouve e vê, e também o contrário, aquilo que a gente não percebe, o que eles abafam e deixam de lado, isso eles fazem de propósito. Uma coisa tem que estar clara, as mídias não reportam enredos reais, mas mostram o mundo como a elite reinante quer que nós acreditemos.

Seria condizente alterar a descrição das mídias, não mais rotulando-as como agências de notícias ou organizações de jornalismo, mas sendo sincero e dizer que elas compõem o departamento de Relações Públicas dos conglomerados e órgão de propaganda do governo. Os jornais e revistas devem ser chamados de catálogos e os noticiários na TV de intervalo comercial ad eternum e Infotainment.

Tudo isso pode ser comparado à Luta-Livre (Wrestling). Cada um sabe que os lutadores não lutam de verdade lá no ringue, mas eles proporcionam apenas um passatempo. São atletas bem treinados que se enfrentam, que simulam serem adversários, mas onde tudo é combinado e calculado. Após a “luta”, eles saem para beber cerveja como bons amigos que são. É um show para entreter o público, uma ilusão. Exatamente assim funcionam as mídias perante o Establishment. Elas estão na mesma cama sob o mesmo cobertor. As mídias não cumprem sua tarefa no interesse da população, mas servem os poderosos da elite governante.

Por isso, o que a imprensa e as emissoras de TV apresentam é apenas uma pequena parcela da informação real, na maioria das vezes trata-se fazer a cabeça, tomando a população por tola e distraindo-a dos temas que realmente importam.

Um bom exemplo disso é o que acontece nos EUA devido ao pagamento de bônus aos diretores da AIG. Uma senhora histeria é promovida por causa dos 165 milhões de dólares, todas as mídias mostram sua indignação diante desta injustiça, mas o tema principal é ignorado, onde foi parar os bilhões em dinheiro dos contribuintes, usados para salvar os bancos? Trata-se de milhares de bilhões! Por que justamente o banco Goldman Sachs recebe a maior parte da grana, onde o antigo secretário do tesouro de Bush Jr., Henry Paulson, foi ex-diretor? É surpresa, a maior parte da doação para a campanha eleitoral de Obama ter vindo do Goldman Sachs?

Ou é noticiado detalhadamente sobre o Zé da Esquina, mas que também naquele momento o presidente de Israel é acusado por múltiplos estupros, abusou sexualmente de suas secretárias e assistentes por anos a fio, isso é mencionado somente à margem, quando chega a ser noticiado. Diante de todos os atos desprezíveis que Zé da Esquina cometeu, ele é apenas uma centelha insignificante quando comparado aos crimes de um graduado político e governante de um país. A história de um é divulgada ao máximo, a do outro, silenciada.

Também quanto aos 50 bilhões surrupiados por Madoff e que desapareceram, parece não interessar às mídias nem um pouco. Ninguém quer saber quem o ajudou a executar esse gigantesco golpe e aonde foi parar o dinheiro. A suspeita repousa na hipótese de políticos e banqueiros terem encoberto e ajudado Madoff, pois só assim este golpe seria possível. Ao invés disso discute-se sobre a doméstica que roubou um pacote de manteiga (colocamos aqui um exemplo similar ao referido no artigo original – NR). Aqui se vê a dupla moral e como banalidades são utilizadas para distrair a população dos acontecimentos mais importantes cometidos ou encobertos pela elite dirigente.

Nós vemos que o pequeno é atacado com uma fúria devastadora, seu caso descrito em pormenores, mas sobre os comportamentos criminosos dos poderosos é dito pouco ou até mesmo nada. Ninguém da mídia estabelecida exige que Bush e Cheney respondam pela ilegal guerra ofensiva contra o Iraque, baseada em mentiras descaradas sobre armas de destruição em massa e até o momento custou a vida de 1,3 milhões de pessoas. Como silenciar-se diante de tal genocídio?

Por isso mesmo, pessoal, parem de lutar uns contra os outros, não se trata aqui de esquerda contra a direita, ou de verde, amarelo, vermelho ou preto; ou ateísta, muçulmano ou cristão, o que nós ouvimos durante todo dia só serve para nos dividir. Existem temas muito mais importantes que são abafados, mas que atingem a todos. Em princípio, todos nós queremos a mesma coisa, nós queremos um mundo mais saudável, nós queremos liberdade e auto-determinação, nós queremos paz e justiça.

Aqueles que impedem isso e criam todos os problemas do mundo, não são apresentados através das mídias. Nós somos levados ao estado de dormência, somos distraídos, controlados e manipulados, e as mídias são as ferramentas, elas são nosso inimigo comum. Enquanto nós não tomarmos consciência deste fato, os criminosos do mundo irão nos governar e nos trarão somente desgraça.