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    quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

    O “Caso Malmedy”


    A suposta execução de prisioneiros de guerra norte-americanos e civis belgas não passa de mais um fruto da propaganda de guerra dos aliados. Na atual realidade mentirosa, relativista e preguiçosa em que vivemos, nada mais natural que um relato tendencioso e inverídico ainda permaneça vivo. Se depender de nós, não por muito tempo…
    Jochen Peiper: exemplo no cumprimento do dever
    Malmedy é uma pequena cidade na região fronteiriça entre Alemanha e Bélgica, que foi separada do Reich alemão após a Primeira Guerra Mundial. Após o término das lutas na Segunda Guerra, ela angariou uma triste fama devido a um infeliz incidente a 17 de dezembro de 1944, no decorrer da Batalha das Ardenas, onde 71 soldados norte-americanos encontraram a morte sob circunstâncias obscuras. A mídia dos EUA aproveitou o episódio após a primeira notícia a 20 de dezembro de 1944, ainda durante a guerra, para iniciar uma inusitada campanha onde o adversário alemão, neste caso a Waffen-SS, foi estampado como um grupo de assassinos frios e sanguinários. O processo conduzido após a guerra pelos americanos contra os alegados criminosos tornou-se posteriormente um dos maiores escândalos judiciais do mundo ocidental.
    A ofensiva
    Mas vamos retornar aos acontecimentos reais da Batalha das Ardenas, focando no incidente em Malmedy, até onde seja possível reconstruí-lo. Com esta ofensiva no meio de dezembro de 1944, Hitler tentou pela última vez alterar o curso da guerra. Para golpear as tropas de assalto aliadas, ele planejou uma grande ofensiva na frente ocidental. Se a condição nesta frente se estabilizasse, assim pensou, ele teria as costas livres para se concentrar na frente oriental. Para não se deixar abater pela supremacia aérea norte-americana, o alto-comando alemão aguardou por um período de mau tempo.

    Kampfgruppe Peiper recebeu ordem para se deslocar da Floresta de Blankenheim,
    até o alvo primário Antuérpia, passando por Malmedy.

    16 de dezembro de 1944: Mais uma vez as tropas alemãs tomavam a iniciativa e
    conseguiram uma última limitada vitória sobre as tropas anglo-americanas.
    As Tropas de Peiper se aproximam de Malmedy.
    Dentre as organizações colocadas a postos para esta ofensiva, estava a 1ª Divisão de tanques da SS, a “Leibstandarte Adolf Hitler”, onde o Standartenführer (coronel) Joachim Peiper comandava uma unidade de tanques, o chamado “Kampfgruppe Peiper”.

    Joachin “Jochen” Peiper
    Comandante do regimento de tanques da “Leibstandarte”
    A 14 de dezembro de 1944, o comando de tanques se reuniu na floresta de Blankenheim, próximo à fronteira belga, onde após dois dias de espera, às 5:30 hs, colocou-se sob intensa neblina em posição de combate e rumou na direção de Antuérpia.
    O incidente no cruzamento
    Após um promissor sucesso inicial, o Kampfgruppe Peiper se deparou a 17 de dezembro, lá pelas 12:30 hs, ao sul de Malmedy junto ao cruzamento de Baugnez, com uma coluna de caminhões do 285º batalhão norte-americano de observação de artilharia, que dirigia-se para St. Vith. Os cinco tanques alemães abriram fogo, e os fuzileiros americanos pularam em pânico de seus veículos em chamas. Alguns caíram, outros se renderam, outros revidaram o fogo, e um quarto grupo tentou escapar pela floresta. Os tripulantes dos tanques alemães da ponta conduziram os prisioneiros americanos a uma clareira e ordenaram que eles aguardassem os transportes das tropas principais alemãs que viriam na sequência. Quando Peiper alcançou o lugar pouco depois, ele ficou irritado que seus veículos ainda estivessem no cruzamento vigiando os americanos, pois ele queria seguir com eles em direção a Engelsdorf.
    Resumindo e sob consideração de todas as informações, forma-se o seguinte cenário: ao seguir para Engelsdorf, os tripulantes dos tanques ordenaram aos prisioneiros de guerra que se movimentassem desarmados em direção à próxima infantaria alemã. Depois que os tanques partiram, os americanos sobreviventes se reuniram e pelo menos parte deles recuperaram novamente as armas que haviam deposto. Após uns 15 minutos, ao invés da infantaria, aproximou-se a vanguarda do próprio batalhão de tanques alemães. Como eles nada sabiam do episódio anterior, eles consideraram os americanos andando do outro lado da estrada como agressores, que foram prontamente combatidos. Nesta troca de tiros, aconteceram várias mortes do lado americano. Os sobreviventes se renderam por uma segunda vez. Os tanques alemães se puseram a rolar novamente. Um pouco mais tarde, quando uma terceira coluna de carros de combate alemães passou pelo cruzamento e dois veículos escorregaram na vala lateral da estrada, os americanos aproveitaram a situação para tentar uma nova fuga. Ao impedir esta tentativa, mais GIs foram abatidos. A turbidez destes acontecimentos foi ainda elevada através do confirmado comportamento dos prisioneiros americanos. Diversas testemunhas atestam que muitos soldados dos EUA, apesar das repetidas ordens em inglês e alemão para se renderem, procuraram fugir pela floresta adjacente. Outros tomaram as armas que foram jogadas ao chão e revidaram o fogo.
    O “Caso Malmedy” envolve também outros locais onde soldados e civis belgas teriam sido executados pelas tropas da SS. Os números variam bastante, o que tira do suposto holocausto judeu mais uma “singularidade”. Todas as acusações contra os soldados da SS basearam-se apenas nos testemunhos dos próprios acusados.
    Como exemplo, citamos aqui o incidente em Stavelot, onde alegadamente 8 soldados e 93 civis teriam sido executados. Acusados foram Briesenmeister, Coblenz, Hennecke, Knittel e Tonk. Contra Coblenz, a promotoria apresentou duas testemunhas (Mahl e Gärtner), os quais foram forçados a prestar falso testemunho. Quanto à declaração de Gärtner, temos o testemunho juramentado de Heinz Tremmel:
    “Eu sei com certeza que através de condições similares, um membro de minha companhia, o Rottenführer Reinhard Gärtner, produziu um testemunho incriminador que não corresponde à verdade. Eu me recuso a participar deste jogo falso como testemunha de acusação. E para me coagir e também aos demais, eles ameaçaram nos entregar aos belgas. Além disso eu não pude me apresentar como testemunha da defesa para Knittel e Coblenz.”
    A história da Segunda Guerra Mundial está repleta destas lendas e mitos da propaganda de guerra, repetidas ad nauseam pelos historiadores do quintal palaciano como Norman Davis et caterva – NR.
    A propaganda de guerra entra em ação
    Muitos detalhes deste trágico desenvolvimento não estão esclarecidos até hoje, mas um massacre específico ordenado pelos oficiais da “Leibstandarte” contra prisioneiros de guerra norte-americanos desarmados, certamente não existiu.
    Este também foi o resultado de uma das primeiras investigações alemãs a 26 de dezembro de 1944 e de uma comissão militar de investigação norte-americana, que se apoiou no relato de sobreviventes e fugitivos. O general Eisenhower, por sua vez, que conhecia estes relatos, reconheceu imediatamente as possibilidades propagandísticas do episódio. O lado alemão foi informado poucas semanas depois, através da imprensa suíça, sobre 150 prisioneiros norte-americanos assassinados. Numa das primeiras investigações, a comissão de investigação da Wehrmacht não pode verificar qualquer indício de execução de prisioneiros. Também uma segunda, após nota oficial de protesto dos americanos, não pode encontrar em dois meses e meio nenhum aspecto incriminador. Entrementes, decorreram quatro semanas após os incidentes e 71 corpos congelados de soldados americanos foram encontrados no cruzamento em Baugnez por civis belgas. Como entre os mortos se encontrava o filho de um senador, assim como outro de um grande industrial, uma extraordinária campanha midiática teve início nos EUA. Neste contexto foi afirmado que a maioria dos cadáveres apresentava buracos no crânio, foram roubados e executados na condição de prisioneiros. Como autor do crime foi estampada – sem dúvida alguma – “a SS”.

    Foto dos cadáveres de soldados norte-americanos,
    congelados na neve.
    A realidade era bem diferente. Embora muitos soldados dos EUA não portassem seus “dog-tags”, suas placas de identificação, eles puderam ser identificados imediatamente com base nos papéis, fotos e conteúdo das carteiras encontradas. Tiros na cabeça com rastros de pólvora – indicação de execução a curta distância – não foram verificados em nenhum dos cadáveres.
    Ao contrário disso, os americanos conduziram após o incidente em Malmedy diversos fuzilamentos de prisioneiros de guerra alemães, tanto da Waffen-SS quanto de pára-quedistas, o que foi assinalado com pesar pelo general Patton em seu diário.
    Um outro, talvez o mais importante indício, contra uma alegada ordem da Waffen-SS ou, neste caso especial, do Standartenführer Peiper para execução de prisioneiros, é o fato de que Peiper, após os incidentes no cruzamento de Baugnez, avançou ainda com seus tanques até La Gleize, onde fez prisioneiros outros 150 norte-americanos. Como o tempo abriu, eles se colocaram em segurança num porão do vilarejo contra o ataque dos aviões inimigos. Os prisioneiros foram interrogados nesse local, e quando foi decidido pela retirada, ao invés de fuzilá-los, todos foram libertados. Tratam-se aqui dos soldados do major Hal McGown, que apesar de ter sido levado por Peiper, ainda na mesma noite pode fugir. Antes disso, McGown pode conversar durante 5 horas com Peiper. Após a guerra, o já então tenente-coronel e funcionário do Pentágono, McGown, voou por conta própria para a Alemanha e, no processo, descreveu Peiper como “oficial impecável” com “homens descentes, corajosos e corretos”, cujos “crimes alegados contra ele não pode de forma alguma concordar”.
    A vingança
    Depois da bancarrota da Ofensiva das Ardenas, Peiper e seus soldados participaram dos combates na Hungria e Áustria, destruíram ao final da luta seus tanques, armas pesadas e veículos, e voltaram à Alemanha em pequenos grupos. A 22 de maio, na Bavária, condecorado com a Cruz de Cavaleiro com folhas de carvalho e espadas, Peiper caiu nas mãos dos americanos. Estes tinham vasculhado em todos os campos de prisioneiros de guerra por integrantes do regimento de tanques da “Leibstandarte”, principalmente do “Kampfgruppe Peiper”, e estes foram levados para um campo especial, de onde os cerca de 1.100 homens foram transportados para a prisão da pequena cidade Schwäbisch Hall. Esperavam lá por eles alguns especialistas da “War Crimes Comission”. Com extrema violência e uma inacreditável variação de métodos de tortura de terceiro grau, eles tentaram, principalmente o tenente Perl, forçar dos ainda jovens soldados a confissão de fuzilamento de prisioneiros, assim como declarações que incriminavam os oficiais da Waffen-SS. Vários soldados torturados cometeram suicídio.
    Mais detalhes sobre a ação destes fanáticos torturadores sionistas em Schwäbisch Hall podem ser obtidos na leitura do artigo Confissões sob tortura – NR.
    Já a 9 de maio de 1945 foi retirado dos soldados alemães o status de prisioneiros de guerra, onde a Cruz Vermelha não tinham então mais acesso nem ao campo nem aos prisioneiros, a quantidade de ração foi reduzida ao extremo e o correio controlado ou podia ser suspenso. Nas semanas seguintes, os membros da Waffen-SS foram mantidos na solitária, usando um capuz com crostas de sangue e algemados, eles foram levados ao interrogatório, de 139 prisioneiros 137 tiveram as genitálias esmagadas, muitos cigarros foram apagados contra o corpo, dentes arrancados e queixos quebrados. Os detentos foram espancados com cassetetes de borracha, com socos e chutes até sangrarem, palitos de fósforos foram inseridos abaixo das unhas e incendiados, ossos quebrados com tacos de beisebol, muitos foram ameaçados com o assassinato de parentes, foram chantageados ao extremo e, não trazendo nada disso algum resultado, na presença de um suposto sacerdote, o qual era um oficial dos inquisidores, foram simuladas execuções através do estrangulamento até ficarem inconscientes.. E se tudo isso ainda não produzisse uma “confissão”, os protocolos foram simplesmente falsificados e providos de falsas assinaturas.
    A 16 de maio de 1946, aconteceu no simbólico local do antigo campo de concentração de Dachau a abertura do processo chamado “Case Malmedy”, contra exatamente 71 membros do “Kampfgruppe Peiper”; além disso, adicionalmente 3 generais da Waffen-SS foram levados ao tribunal.
    Os promotores foram os mesmos homens que quatro meses torturaram e interrogaram os prisioneiros alemães. Devido ao um acordo determinado pelos próprios vencedores, os juízes atuavam em um “Tribunal Internacional”, contra o qual não era possível qualquer apelação. Nenhum dos 74 casos foi tratado isoladamente, ou seja, segundo o grau individual da culpa, mas sim de forma coletiva. Na verdade tratava-se aqui de um tribunal militar norte-americano, cujo presidente era um general. O único oficial com formação jurídica, o coronel Abraham Rosenfeld, determinou, portanto, o decorrer do processo segundo seu bel prazer. Como não existia qualquer material incriminador, a não ser as confissões obtidas sob tortura, as quais em alguns trechos eram idênticas e foram revogadas pelos acusados durante o processo, tudo isso continuou a não incomodar a promotoria. No decorrer do processo, que teve longas sessões filmadas, ficou claro sob quais condições “as confissões” foram obtidas. A defesa estava em todos os aspectos, pessoal, material e financeiramente, sem condições adequadas. Mesmo assim o defensor norte-americano, Coronel Willis Everett, conseguiu em inúmeros casos a argumentação e provas necessárias para desmontar a tese da acusação. Certamente isso em nada alterou o veredicto e a natureza das penas.
    Como preparação para o “Tribunal dos Principais Criminosos de Guerra” em Nuremberg e na intenção de declarar toda Waffen-SS, nesta oportunidade, como uma “organização criminosa”, necessitava-se de um veredicto e de uma pena severa. Esta tarefa política foi seguida pelo Tribunal de Dachau de foram irrestrita. Ao final, a 16 de junho de 1946, 43 homens da Waffen-SS foram condenados à morte, 22 à prisão perpétua e oito a uma longa pena de reclusão em regime fechado. Para proclamação do veredicto, o tribunal precisou de exatas duas horas e 20 minutos. Nem ao menos dois minutos para cada réu. Nenhum dos veredictos anunciados foi justificado, nem durante a proclamação dos veredictos nem posteriormente. Portanto, se tratou aqui de um típico espetáculo processual (show-trial), análogo apenas àqueles que conhecemos da União Soviética: atuando também como promotor, o investigador determina a direção e o decorrer do processo; os juízes apenas decidem sobre a natureza das penas.
    Depois que o veredicto de Dachau cumpriu sua missão em Nuremberg diante do “Tribunal Militar Internacional”, declarando os 900.000 soldados da Waffen-SS como membros de uma “organização criminosa” e ao mesmo tempo a URSS se apresentava como o grande inimigo, se levantaram as vozes nos EUA que queriam uma investigação deste processo. Seguiram-se várias CPIs, onde todas chegaram ao resultado de que o Processo-Malmedy foi uma grande farsa com grave distorção jurídica. Numa das comissões, a maioria judaica dos investigadores e acusadores foi descrita como “quadrilha criminosa”.

    Dachau, 16 de julho de 1946
    Peiper recebe sua condenação: morte por enforcamento
    À direita: Advogado de Peiper, o Coronel Willis Everett.
    Ainda assim os defensores norte-americanos e seus colegas alemães conseguiram suspender as execuções neste processo, sendo que nenhum dos condenados em Dachau foi executado em Landsberg, ao contrário de muitos outros inocentes enforcados pelos aliados em decorrência de processos semelhantes.
    Anos a fio recaiu sobre os condenados a pesada aflição de ser possivelmente executado a cada sexta-feira, no pátio da prisão de Landsberg. Somente a partir de 14 de abril de 1948 e com ajuda de bispos alemães, pouco a pouco as penas de morte foram transformadas em penas de reclusão, até que no natal de 1956, como último prisioneiro condenado injustamente neste processo, Peiper foi libertado sob regime condicional. Isso significava nenhum reconhecimento de falso veredicto, mas sim um perdão que pressupunha aos perdoados, que estes nunca poderiam mais falar com quem quer que fosse, sobre o decorrer dos interrogatórios e do processo. [1]

    Com pichações nas ruas (aqui a 22 de junho de 1976),
    iniciou-se a caçada na França contra Jochen Peiper.
    Peiper foi caçado por toda sua vida pelos chamados “democratas” e antifascistas, muitas vezes pressionado em sua atividade profissional, até que se viu obrigado a mudar para a França, onde a 14 de julho de 1976, em Traves, foi assassinado em sua casa por comunistas.

    Uma das últimas fotos de Jochen Peiper
    As circunstâncias dos métodos de tortura dos norte-americanos na Alemanha após o final da guerra retornou novamente à consciência coletiva, quando estes métodos foram utilizados pelos EUA em 2003 e depois no Afeganistão, no Iraque e em Guantánamo. Teve-se que reconhecer repentinamente, que as torturas norte-americanas têm tradição nos países ocupados pelos EUA desde 1945, que elas são preparadas e protegidas pela política e que estas torturas são levadas a cabo principalmente por pessoal “capacitado”.
    Apesar de nos EUA as CPIs tenham exposto os métodos dos interrogadores no “Caso Malmedy” e embora elas também tenham os desaprovado duramente e declararam nulo o resultado do processo, os institutos educacionais financiados pela “Central Federal” e a “Central estadual para educação”, na Alemanha, “esclarecem” seus alunos da seguinte forma:
    “… no massacre de civis franceses em Oradour em 1944 [2] e no assassinato de prisioneiros norte-americanos em Malmedy em dezembro de 1944, os membros da Waffen-SS se tornaram clara e desonrosamente culpados. Este e outros atos cruéis tiveram como conseqüência, que o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg, em 1946, declarou além da SS em geral, também expressamente a Waffen-SS não apenas pelos crimes ordinários, mas também devido aos crimes contra a humanidade como ‘organização criminosa’.” [3]
    “Lendas, mentiras, preconceitos” chama-se esta obra-prima. Um título mais perfeito não podiam ter encontrado.

    segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

    Os 10 piores políticos do Rio Grande do Sul em 100 anos

    Cresci com um conceito totalmente equivocado enraizado em minha mente. Acreditava que o Rio Grande do Sul era o estado “mais politizado do país”. Sem entrar nos detalhes pra não alongar o texto, em um determinado momento da vida acordei e meus olhos se abriram para a realidade, indo contra a corrente narrativa: a maioria dos livros de história que li apresentavam revolucionários facínoras como heróis. Alguns deles, infelizmente, gaúchos. Nesse sentido, elaborei um lista com os dez piores políticos que esse estado já teve. Refiro-me às pessoas públicas, políticas, obviamente – que são e foram sustentadas com dinheiro dos contribuintes. De forma mais ou menos cronológica, vamos à lista.
    1) Luiz Carlos Prestes (1898 – 1990): é impossível não começar a lista com um homem acusado de trair a Pátria. Isso ocorreu após ele afirmar que, numa guerra entre Brasil e URSS, lutaria por seu herói: Stálin. Prestes recebeu treinamento em Moscou e voltou para o Brasil, onde promoveu uma série de barbáries.
    Antes, com a Coluna Prestes e o tenentismo, de 1925 a 1927, marchou por 25 mil quilômetros. Diziam querem destituir as oligarquias, o que era em parte verdade, mas acabaram levando terror ao interior do Brasil. Há extensos relatos de saques, mortes de inocentes e estupros. Por onde a coluna passou, houve terror.
    O herói da esquerda também tentou nos transformar em União Soviética tropical na Intentona Comunista. E tem mais: Prestes foi condenado à prisão pela morte da jovem Elza, em verdade Elvira Cupello Colônio, no ano de 1936. A garota, acusada de ser espiã nos quadros do partido comunista, terminou esquartejada, colocada num saco e enterrada no quintal da casa no bairro de Guadalupe (RJ). Tudo a mando de Prestes. Obviamente, essa parte é silenciada e camuflada quando contada pelos professores de história e historiadores brasileiros. O certo é que Prestes tentou a todo custo implantar o bolchevismo soviético no Brasil, propondo a ditadura do proletariado. No entanto, com todo esse histórico carniceiro – pasmem! – o Cavaleiro da (des)Esperança foi homenageado pelos porto-alegrenses com um Memorial milionário.

    2) Getúlio Vargas (1882 – 1954): o ditador populista gaúcho de São Borja foi o precursor das amarras trabalhistas burocráticas que atrasaram o Brasil ao longo de 80 anos. Como ditador à frente do Estado Novo, perseguiu opositores, fechou jornais e impediu o livre pensar com repressão vergonhosa. Isso para resumir.
    3) João Goulart, o “Jango” (1918 -1976): também nascido em São Borja, o 24° presidente do país (1961 a 1964) foi um frouxo entreguista. Colocou a soberania nacional em risco ao flertar com comunistas carniceiros como Fidel Castro. É adorado por um sociólogo de Porto Alegre que, evidentemente, também foi apaixonado por Fidel.
    4) Leonel Brizola (1922 – 2004): é impossível deixar de fora da lista outro entreguista, esse nascido em Carazinho. Fez escolas, é verdade. Mas também recebeu dinheiro de Cuba para comprar armas e tocar uma revolução no Brasil, o que, sabemos, nos transformaria num Camboja de tamanho continental. Isso o absolve? Lógico que não. Como governador do Rio de Janeiro fez acordos com bicheiros e também deixou a zona livre para os traficantes crescerem. A polícia ficou de mãos amarradas para combater o crime. No fim, ainda foi o último a desembarcar do famigerado governo Collor de Mello, outro oligarca que terminou impichado. Defendeu o alagoano quase até os estertores, apesar da roubalheira que vinha à tona.
    5) Dilma (Ha)Vana Rousseff: não adianta nós, gaúchos, tentarmos jogar a bomba aos mineiros, onde a Sra. Pasadena nasceu. Aquela que veio a ser a 36ª presidentE do Brasil até sofrer um justo (mas demorado) impeachment em 2016, teve toda sua formação política e ideológica no Rio Grande do Sul. Formou-se na UFRGS. Não adianta. Nós criamos esse Frankenstein político. Como revolucionária, juntou-se a tudo o que não presta: foi membro do Comando de Libertação Nacional, que depois se juntou à Vanguarda Popular Revolucionária, comandada por Carlos Lamarca. Depois, criaram a VAR-Palmares. Todos grupos violentos e terroristas. Dilma foi presa após promover terrorismo no Rio de Janeiro. Assaltou banco, roubou caminhão de carga. Como presidente fez a pior gestão já vista no Planalto. Erro após erro. Escândalos de corrupção ocorrendo embaixo de sua mesa. Mas ela, para variar, não sabia de nada.

    6) Tarso Genro: não vou citar que o petista fez a pior gestão entre todos os governadores na história do Rio Grande do Sul. Poupá-los-ei de lerem tanta desgraça. Em 2009, o então ministro da (in)Justiça concedeu asilo ao terrorista Cesare Battisti (que já cumprira pena na Itália em 1972, por furto, e em 1974, por assalto a mão armada). Genro cuspiu na soberania nacional. Agora, o sanguinário italiano está preso, após confessar suas barbáries e assassinatos cometidos em favor da revolução enquanto era líder do violento grupo marxista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), da Itália. Tarso não teve honra para pedir perdão ao país.
    7) Luciana Genro: ganhando como política e morando melhor ainda, mas contra o capital financeiro e a favor de invasão de propriedades privadas, conseguiu envergonhar os gaúchos durante os debates para a presidência da República em 2014. Creio que até os militantes de esquerda ficaram corados.
    8) Maria do Rosário: preciso escrever sobre ela? Se fizer uma eleição dentro de uma penitenciária, quem venceria, a deputada petista ou Jair Bolsonaro?
    9) Olívio Dutra: o Mujica gaúcho tem jeito de bom senhor, mas jamais fez qualquer crítica às barbáries petistas. Há alguns dias, disse que o chefe do mensalão não “roubou nada. Não acumulou riqueza”. Sim, ele disse isso. Como governador do Rio Grande do Sul mandou a Ford embora, impedindo a geração de muitos empregos. Jogou no lixo uma grande oportunidade de desenvolvimento para o estado.
    10) Manuela D’Avila: a política do PCdoB iniciou sua vida pública num local estratégico: dona do bordão blza blza, cativou jovens incautos à militância de esquerda. Filiada a um partido com um passado obscuro, sombrio (que ceifou mais de 120 milhões de vidas no mundo – de acordo com documentos do Livro Negro do Comunismo), sempre foi braço de apoio do PT. Sim, o partido que saqueou o Brasil. É admiradora do condenado Lula. Tem envolvimento no atual e escandaloso caso The Intercept. Jamais fez nada produtivo pelo país; pelo contrário, se alimenta promovendo a luta de classes, de gêneros e de raça. Tentou ser vice-presidentE, sendo deixada de lado pelo poste. Contra Israel e contra os princípios judaico-cristãos, na campanha eleitoral foi à missa, a mando de algum líder do partido, um homem.
    O ranking se refere aos políticos, não às pessoas (físicas). Contudo, deixo perguntas ao leitor: um mau político pode ser uma boa pessoa? Um político envolvido em assassinato pode ser uma boa pessoa? Um político que apoia um partido que rouba pode ser uma boa pessoa? A resposta fica com você, caro leitor.
    Esses são, incontestavelmente, políticos que não poderiam mais estar na vida pública ou não deveriam ter estado (aos que partiram ou deixaram a política).
    O Rio Grande do Sul, diferentemente do que eu pensava quando jovem, não é um estado politizado. É, na verdade,, uma havaninha brasileira que sofre com décadas de doutrinação marxista, começando nas escolas básicas, tendo seu auge nas universidades, e findando nos sindicatos e nos militantes disfarçados de jornalistas.
    Dentro desse processo, invariavelmente, surgem novas aberrações políticas, além de se manterem os atuais na vida pública. Ou seja, é um ciclo que se retroalimenta.
    “Estado politizado”, acreditava eu. Tasc tasc tasc (onomatopeia para risos)…
    Bobinho…
    Ianker Zimmer

    quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

    Conversações falsificadas de Rauschning com Hitler


    Mark Weber
                Uma das fontes de informações mais amplamente citadas sobre a personalidade de Hitler e de suas intenções secretas são as supostas memórias de Hermann Rauschning, o Presidente Nacional-Socialista do Senado de Danzig[1] em 1933 – 1934 que foi expulso do movimento de Hitler pouco tempo depois e então seguiu por si mesmo uma nova vida como um anti-nazi profissional.


                No livro conhecido na Alemanha como Conversações com Hitler (Gespraech mit Hitler) e publicado pela primeira vez nos EUA em 1940 como The Voice of Destruction, Rauschning apresenta página após página do que é alegado ser as mais íntimas opiniões de Hitler e seus planos para o futuro, supostamente baseado em dezenas de conversas privadas ocorridas entre 1932 e 1934. Depois da guerra as memórias foram introduzidas como o documento do processo Aliado URSS-378 no principal julgamento de “crimes de guerra” em Nuremberg.  


                Entre as citações condenatórias atribuídas à Hitler por Rauschning estão estas memoráveis declarações: 
    “Nós devemos ser brutais. Nós devemos recuperar uma clara consciência sobre brutalidade. Somente então podemos expulsar o carinho de nosso povo... Não me proponho a exterminar nacionalidades inteiras? Sim, isso irá dar resultados... Eu naturalmente tenho o direito de destruir milhões de homens das raças inferiores que aumentam como vermes... Sim, nós somos bárbaros. Nós queremos ser bárbaros. Isso é um título honroso.” 
                Hitler é também suposto ter confidenciado para Rauschning, um quase desconhecido oficial provincial, fantásticos planos para um império mundial germânico que iria incluir África, América do Sul, México e, eventualmente, os Estados Unidos.


                Muitos historiadores prestigiosos, incluindo Leon Poliakov, Gerhard Weinberg, Alan Bullock, Joaquim Fest, Nora Levin e Robert Payne, utilizaram citações escolhidas das memórias de Rauschning em seus trabalhos de história. Poliakov, um dos mais proeminentes escritores do Holocausto, especificamente elogiou Rauschning pela sua “excepcional precisão”, enquanto Levin, outro historiador do Holocausto vastamente lido, chamou ele de “um dos mais penetrantes analistas do período nazi.”


    {Léon Poliakov (1910-1997) e Nora Levin (1916-1989)
    Historiador e historiadora judaicos que recorreram  à falsificação
    histórica de Hermann Rauschning e a difundiram pelo mundo.
    O revisionismo histórico desvelou tal falsificação}


                Mas nem todos têm sido tão crédulos. O historiador suíço Wolfgang Haenel passou cinco anos investigando diligentemente o livro de memórias antes de anunciar suas descobertas em 1983 em uma conferência de história revisionista na Alemanha Ocidental. A renomada Conversations with Hitler [Conversações com Hitler], declarou ele, são uma fraude total. O livro não tem valor “exceto como um documento da propaganda de guerra Aliada.”


                Haenel foi capaz de estabelecer de forma conclusiva que as alegações de Rauschning de ter se encontrado com Hitler “mais que uma centena de vezes” é uma mentira. Os dois se encontraram, de fato, somente quatro vezes, e nunca a sós. As palavras atribuídas para Hitler, ele mostrou, foram simplesmente inventadas ou levantadas de muitas outras diferentes fontes, incluindo escritos de Junger[2] e Friedrich Nietzsche. Um relato de Hitler ouvindo vozes, andando a noite com gritos convulsivos e, aterrorizado, apontando para um canto vazio enquanto gritava “lá, lá no canto!” foi tomado de um conto do escritor francês Guy de Maupassant[3].


                 O livro de memórias falsas foi designado para incitar a opinião pública nos países democráticos, especialmente nos Estados Unidos, em favor da guerra contra a Alemanha. O projeto foi ideia do jornalista, nascido na Hungria, Emery Reves, que dirigia uma influente agência de imprensa e propaganda anti-alemã em Paris durante os anos 1930. Haenel tem também encontrado evidência que um proeminente jornalista britânico chamado Henry Wickham-Steele ajudou produzir o livro de memórias. Wickham-Steele foi um braço direito de Sir Robert Vansittart, talvez a figura mais veementemente anti-alemã na Grã-Bretanha.


                Um relatório sobre as descobertas sensacionais de Haenel apareceu na edição de outono de 1983 no The Journal of Historical Review. Mais recentemente, os jornais periódicos semanários   mais influentes da Alemanha Ocidental, Die Zeit, e Der Spiegel (7 de setembro de 1985), têm feito longos artigos sobre a histórica farsa. Der Spiegel concluiu que as Conversations with Hitler de Rauschning “são uma falsificação, uma distorção histórica da primeira até a última página... Haenel não somente prova a falsificação, ele também mostra como a impressionante montagem foi rapidamente compilada e quais ingredientes foram misturados juntos.”


                  Existem algumas valiosas lições a serem aprendidas da história desta sórdida farsa, a qual levou mais de 40 anos para finalmente ser desmascarada: Ela mostra que mesmo as mais descaradas fraudes podem ter um tremendo impacto se ela serve a importantes interesses, que é mais fácil inventar uma grande mentira histórica que desmascarar uma e, finalmente, que todos devem ser extremamente cautelosos diante de “autorizados” retratos da emocionalmente carregada era Hitler.


                Uma nota de rodapé: Leitores interessados em um autêntico registro da personalidade e das opiniões pessoais de Hitler devem olhar para o fascinante e abrangente livro de memórias de  Otto Wagener, publicado em agosto de 1985 pela Yale University Press sobre o título de Hitler: Memoirs of a Confidant. Wagener foi o primeiro chefe do Estado Maior da SA (“tropas da tempestade”) e Diretor do Departamento de Política Econômica do Partido Nacional Socialista. Ele passou centenas de horas com Hitler entre 1929 e 1932, muitas destas horas a sós.


    Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander




    Notas


    [1]    Nota do tradutor: Danzig é uma cidade que durante o período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial foi o centro de muitas disputas, de teor histórico e de questões urgentes na época, entre o Reich Alemão e a Polônia. O insucesso em resolver estas disputas pacificamente resultou no conflito entre o Reich Alemão e a Polônia, resultando na reincorporação de Danzig ao território alemão.

    [2]    Nota do tradutor: Ernst Jünger (1895 – 1998) foi um escritor e ex-combatente alemão da Primeira Guerra Mundial. No período nazista serviu no exército e também como administrador de uma província da França quando esta estava ocupada pelas forças alemãs. Esteve perifericamente envolvido com a oposição à Hitler que havia dentro do Reich, e, anteriormente, em 1938, foi proibido de publicar livros.

    [3]    Nota do tradutor: James Herbert Brennan que, ao contrário de muitos acadêmicos que rejeitam absolutamente temáticas não-materialistas, se aventura em considerar algumas possibilidades não-materialistas, neste caso, forças não compreendidas na maior parte da ciência contemporânea, pisou em quase todas armadilhas da desinformação e manipulação sobre o tema nazista. Neste caso, então, citações com teor macabro tiveram passagem livre, já que davam um tom de obscurantismo ou patologia mental na imagem de Adolf Hitler.
    Em seu livro Occult Reich  de 1974 (publicado no Brasil como Reich Oculto, Editora Madras, São Paulo, 2007, tradução Julia Vidili), entre um mar de distorções, Brennan cita (página 65 da edição brasileira) Hermann Rauschning ao colocar a passagem que Hitler histericamente gritava para o canto vazio, passagem a qual Wolfgang Haenel desvelou como sendo um plágio que Hermann Rauschning fez de um conto de Guy de Maupassant. Além disso, Brennan utiliza durante seu livro muitas citações do livro Hitler, a Study in Tyranny, de Alan Bullock, o qual, por sua vez, também se sustenta em muitas passagens do trabalho de Hermann Rauschning, e tudo isso, lastimavelmente, com o aviso na contracapa, tanto da edição em inglês quanto da edição em português, de que o livro cita informações de fontes autênticas (na edição inglesa ainda colocam como investigado a partir de fontes de inquestionável autenticidade).

    segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

    Queima de livros durante o Nacional-Socialismo






    A queima de livros ocorrida em 1933 foi um ato simbólico realizado pela União dos Estudantes Alemães e recebeu o título de “Ação contra o espírito anti-alemão“.

    Introdução

    A 10 de maio de 1933 na Opernplatz em Berlim, e também em algumas outras cidades alemãs, diversos exemplares de livros e escritos judaicos e de autores marxistas foram jogados simbolicamente às chamas, os quais haviam sido avaliados como “imorais e destrutivos”. Ao contrário do consenso atual moldado pela Rede Globo e pela propaganda de guerra aliada, não se tratou aqui de uma iniciativa estatal!
    No geral, os alunos fizeram nove demandas, cada uma associada a uma pequena seleção de autores possivelmente representativos. O romance imoral e na época considerado pornográfico de Erich Kästner – “Fabian” – também foi atirado ao fogo. No entanto, seu livro para crianças – “Emil e os detetives” – não foi queimado, como frequentemente é afirmado. Este livro foi inclusive expressamente excluído da “lista negra”, que supostamente era a base da campanha de incineração (“Kaestner, Erich: tudo, exceto: Emil”).[1][2]


    Um membro da SA joga livros confiscados na fogueira durante a queima pública de livros “não alemães” na Opernplatz em Berlim. [Créditos: United States Holocaust Memorial Museum]

    As doze teses contra o espírito anti-alemão

    O gatilho da ação aconteceu a 12 de abril de 1933, através das “12 teses contra o espírito anti-alemão”, as quais resumiam as posições e os objetivos da “ação” e denunciavam as ideias judaicas, social-democratas e liberais, assim como seus representantes. Elas foram fixadas em letras góticas vermelhas nas universidades alemãs e publicadas por muitos jornais [3]:
    1. Língua e literatura estão enraizadas nas pessoas. O povo alemão é responsável pelo fato de que sua língua e sua literatura são a expressão pura e inalterada de sua nacionalidade.
    2. Hoje existe uma contradição entre literatura e folclore alemão. Essa condição é uma vergonha.
    3. A pureza da linguagem e da literatura depende de você! Seu povo lhe deu a linguagem para sua fiel preservação.
    4. Nosso adversário mais perigoso é o judeu e aquele que é obediente a ele.
    5. O judeu só pode pensar “judaicamente”. Se ele escreve alemão, então ele mente. O alemão que escreve alemão, mas que pensa de forma anti-alemã, é um traidor. O aluno que fala e escreve de forma anti-alemã, também é desprovido da razão e infiel à sua tarefa.
    6. Queremos erradicar a mentira, queremos marcar a traição, queremos para o aluno não lugares desprovidos de pensamento, mas de multiplicação e educação política.
    7. Queremos respeitar o judeu como estrangeiro e queremos levar a sério as tradições do povo. Por isso, exigimos da censura: as obras judaicas aparecem em hebraico. Se aparecerem em alemão, deverão ser marcadas como tradução.
    Intervenção mais severa contra o uso indevido da escrita alemã. A escrita em alemão está disponível apenas para alemães. O espírito anti-alemão é erradicado das bibliotecas públicas.
    8. Exigimos do estudante alemão vontade e capacidade de reconhecimento e decisão independentes.
    9. Exigimos do estudante alemão vontade e capacidade para preservar a língua alemã.
    10. Exigimos do estudante alemão vontade e capacidade de superação do intelectualismo judaico e os consequentes fenômenos liberais associados à decadência na vida intelectual alemã.
    11. Exigimos a seleção de estudantes e professores para a segurança do pensamento no espírito alemão.
    12. Exigimos que a universidade alemã seja um refúgio da nacionalidade alemã e um campo de batalha do poder do espírito alemão.


    Panfleto com as demandas dos estudantes alemães. Créditos: www.inacreditavel.com.br.

    Exigências

    1. Contra a luta de classes e o materialismo, a favor da comunidade do povo e modo de vida idealista!
    Eu entrego às chamas os escritos de Marx e Kautsky.
    2. Contra decadência e bancarrota moral! Pela procriação e bons costumes dentro da família e do Estado!
    Eu entrego às chamas os escritos de Heinrich Mann, Ernst Glaeser e Erich Kästner.
    3. Contra a indolência e traição política, pela devoção ao Povo e ao Estado!
    Eu entrego às chamas os escritos de Friedrich Wilhelm Förster.
    4. Contra a supervalorização dos instintos corrosivos da alma, pela nobreza da alma humana!
    Eu entrego às chamas os escritos de Sigmund Freud.
    5. Contra a falsificação da História e diminuição de seus grandes personagens, pela admiração de nosso passado!
    Eu entrego às chamas os escritos de Emil Ludwig e Werner Hegemann.
    6. Contra o jornalismo estrangeiro de matiz democrático-judaica, pela colaboração responsável em prol da reconstrução nacional!
    Eu entrego às chamas os escritos de Theodor Wolff e Georg Bernhard.
    7. Contra a traição literária junto aos soldados da Primeira Guerra Mundial, pela educação do Povo dentro de um espírito de resistência!
    Eu entrego às chamas os escritos de Erich Maria Remarque.
    8. Contra a corrupção teimosa da língua alemã, pela atenção ao bem mais precioso de nosso Povo!
    Eu entrego às chamas os escritos de Alfred Kerr.
    9. Contra insolência e presunção, pelo respeito e reverência diante do imortal espírito do Povo alemão!
    Devore, chamas, também os escritos de Tucholsky e Ossietzky!


    Jornal alinhado ao governo elogiando a ação dos estudantes. Créditos: www.inacreditavel.com.br.

    Avaliação

    Tratou-se de uma ação dos estudantes que queriam que suas reivindicações seguissem a tradição do Festival de Wartburg, e não tem coisa alguma a ver com uma posição hostil generalizada contra os autores mencionados. As obras selecionadas deveriam representar as exigências da União dos Estudantes Alemães em prol da renovação da Alemanha. Claramente a escolha das obras não aconteceu segundo a alegada Lista Negra. Os estudantes tinham pois sua própria lista. Isso é comprovado pelo fato dos livros de Sigmund Freud, Theodor Wolff, Georg Bernhard e Carl von Ossietzky estarem na lista, mas não figuravam na Lista. [4][5]
    Joseph Goebbels disse em seu discurso na Opernplatz, em Berlim:
    “Caros colegas estudantes! Homens e mulheres alemães! A era do intelectualismo judaico exagerado terminou agora, e o avanço da revolução alemã também liberou o caminho para o modo de vida alemão. […] Mas nós, seres espirituais, estamos cientes disso: as revoluções políticas pelo poder devem ser preparadas espiritualmente. No começo existe a ideia, e somente quando a ideia se une ao poder, então floresce aqui o milagre histórico da transformação. Vocês, jovens estudantes, são os portadores, guerreiros e defensores da ideia jovem e revolucionária deste Estado.
    […] Tudo deve ser possível a um revolucionário: ele deve ser tão bom em destruir a indignidade quanto em construir os valores! Se vocês, estudantes, se dão ao trabalho de jogar a sujeira espiritual às chamas, vocês também devem assumir o dever de substituir o lixo para libertar o caminho de um verdadeiro valor alemão. O espírito aprende durante a vida e nas salas de aula, e o próximo alemão não será apenas um homem do livro, mas também uma pessoa de caráter. […]
    E assim vocês fazem bem em confiar o espírito da meia-noite do passado às chamas. Trata-se de uma ação simbólica forte, grande e […] , uma ação que deve documentar diante de todo o mundo: aqui a base espiritual da República de novembro afunda, mas a partir dessas ruínas subirá a fênix vitoriosa de um novo espírito – um espírito que carregamos, que promovemos e que damos o peso decisivo e imprimimos as características decisivas! […]
    Nunca houve um jovem estudante com esse direito, orgulhoso da vida, orgulhoso de sua missão e orgulhoso de seu dever. E nunca houve jovens como agora o direito de chamar Ulrich von Hutten: Ó século! Ó ciências! É um prazer viver! […]
    O velho está nas chamas, o novo ressurgirá da chama de nossos próprios corações! Onde permanecermos juntos e onde estivermos juntos, lá sentiremos comprometidos com o Reich e seu futuro.”
    Em contraste com a “ação contra o espírito anti-alemão”, que tinha como único objetivo a limpeza cultural na política interna da Alemanha após a notória decadência durante o período de Weimar, seu simbolismo por nada pode ser comparável à destruição de livros por parte dos Aliados desde 1945. O objetivo desta destruição de livros após o término da Segunda Guerra foi a total anulação cultural do seu concorrente em política externa, a Alemanha. Nenhum alemão jamais ousou atacar a herança cultural de outro país ou mesmo destruí-la deliberadamente de uma maneira como foi realizada contra a Alemanha. Durante o bombardeio terrorista anglo-americano contra cidades alemãs, milhões de livros foram queimados, incluindo tesouros culturais irrecuperáveis.


    Queima de livros durante o Nacional-Socialismo. [Reprodução]
    Em contraste à versão atualmente propagada, fruta da reeducação imposta pelos aliados aos alemães, a queima dos livros em 1933 não foi um ato de barbárie cultural, mas sim um alerta para preservar a cultura alemã.

    Citação

    Sobre a queima de livros, Thomas Mann escreveu em seu diário a 12 de maio de 1933:
    “Mas devemos estar cientes de que, dentro de uma perspectiva histórica das nações, os acontecimentos alemães devem ser avaliados positivamente.” [6]
    Notas:
    [1] “Emil und die Detektive”, como o próprio Kästner afirmou mais tarde, foi uma exceção; ele escreveu o livro em tempo recorde. Seu trabalho principal foi, no entanto, em obras obscenas, às vezes imorais (artigos para jornais, romances, poemas etc).
    [2] Veja o Índice dos Livros Classificados da Faculdade de Braunschweig, pág. 4
    [3] Nota do autor: Percebam que não é a pessoa do judeu como ser humano que está em jogo – como claramente expresso no item 7 – mas sim a “ideia judaica”, que para os nacional-socialistas era considerada nociva à cultura e identidade alemã
    [4] Anselm Faust: As universidades e o “espírito anti-alemão” – A Queima de Livros a 10 de maio de 1933 e seus antecedentes, em: Academia das Artes: Foi apenas um ato simbólico… a queima de livros na Alemanha em 1933 – Requisitos e consequências, Berlim 1983, Pág. 31–50, página 38
    [5] Gerhard Sauder: Preparativos da “Ação contra o espírito anti-alemão”, em: Gerhard Sauder (Hg.): A Queima de Livros, Hanser, Munique 1983, Pág. 69–102
    [6] Thomas Mann: Diário 1933–1934