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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Controlando a mídia já controlada?

Por Jorge Serrão

O chefão $talinácio, sempre em ritmo da saideira, não perde a chance de dar uma estocadinha na imprensa que tenta ser livre no País em que a atividade midiática sobre do mal de estadodependência. Ontem, na África, Lula atacou o jornalismo, em seu mais recente malabarismo retórico para alegar que o Exame Nacional de Ensino Médio foi “um sucesso” – quando até o mais midiota neto da Velhinha de Taubaté constatou que o MEC falhou, para variar, na aplicação do Enem.

Tese do $talinácio: “O que houve é que um jornal de Pernambuco, um jornalista, tentou fazer, para demonstrar uma fraude ou uma fragilidade do sistema. É muito difícil você lidar com seriedade quando você tem pessoas que não agem com seriedade”. Lula é mesmo o mestre em enxergar e interpretar a realidade conforme suas conveniências. Agora, enquanto o governo tenta – e deve conseguir - reverter a decisão da Justiça que suspendeu o Enem, a turma do Palhaço do Planalto se compromete a entregar à presidenta eleita Dilma Rousseff, em meados de dezembro, o tão aguardado anteprojeto de lei sobre Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias.

Ontem, o bolcheviquepropagandaminister Franklin Martins só faltou jurar, numa coletiva, que o anteprojeto não vai prever formas de censura ou atentados à liberdade de imprensa. Franklin garantiu que o objetivo do governo é “um projeto que trate do ambiente de convergência de mídias, que trate uma regulação moderna, flexível a velocidade das transformações”. O governo promove hoje e amanhã, em Brasiília, o Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias. Vale ficar de olho no encontro.

Franklin Martins admitiu a possibilidade de ser criada uma agência reguladora para tratar de conteúdo. Defendeu que o novo organismo deveria ajudar a zelar pelos “princípios gerais de equilíbrio e respeito à privacidade”. O que vem por aí é algo semelhante ao Conselho Federal de Jornalismo, que a petralhada tentou criar, para “melhor regular a atividade da imprensa”. Agora, eles preparam um modelo parecido para atingir, de forma mais ampla, a mídia, principalmente a eletrônica, sob a qual o controle é sempre mais complicado.

O bolcheviquepropagandaminister avisou que a meta inicial do governo é a regulamentação dos artigos 220 e 221 da Constituição, no que diz respeito à produção regional, nacional e independente. Que se cuidem as grandes redes de televisão (que economizam com programação majoritariamente nacional, em vez de regional). A Rede Globo será a mais afetada com sua grade de programação nacional imutável. Também se cuidem os políticos (não alinhados ao governo) que são “donos” de concessões públicas de rádio e TV (que têm suas emissoras como meras repetidoras de redes ou que veiculam conteúdo apenas de interesse político particular).

A presidenta Dilma terá muito com que se divertir, criando complicações para a mídia e para os jornalistas, em nome da cínica proposta de “democratização dos meios de comunicação” sempre defendida pela petralhada. O irônico será fazer um projeto para mídia em um país cujos meios de comunicação sofrem da doença da “estadodependência” e cujo conteúdo político já se deixa controlar, para sempre agradar quem ocupa eventualmente o poder.

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