Bunker da Cultura Web Rádio

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    segunda-feira, 3 de maio de 2021

    Consumistas, capitalistas e dívidas como alavanca de empobrecimento

     

    Podemos dividir as pessoas em dois grupos de acordo com a forma como lidam com o próprio dinheiro.

    De um lado, temos um grande grupo de pessoas que consomem tudo que ganham. Muitas vezes fazendo dívidas para que possam consumir mais do que ganham, mesmo que isso limite o consumo no futuro devido ao pagamento de prestações e juros. 

    Podemos chamar essas pessoas de consumistas.

    Do outro lado, temos algumas poucas pessoas que consomem só uma parte do que ganham para que possam capitalizar, mesmo que isso limite o consumo no presente devido aos investimentos que fazem para receberem juros. 

    Podemos chamar essas pessoas de capitalistas.

    Capitalizar significa literalmente juntar dinheiro ou equivalente a dinheiro para então auferir ganhos exponenciais sobre esse capital acumulado. Se você está juntando dinheiro, acumulando bens de valor ou bens que fazem o seu patrimônio crescer com o objetivo de ter um futuro mais próspero, você é um capitalista, mesmo que seja um pequeno capitalista.

    Geralmente, as pessoas escondem quanto ganham, poupam e investem. É muito comum entre as pessoas que conseguiram acumular um bom patrimônio sentirem vergonha por isso. Em alguns casos, até possuem um sentimento injustificado de culpa pelo sucesso financeiro.

    O mesmo tipo de vergonha, porém, não existe entre os consumistas. Os mais consumistas adoram falar sobre o que compraram e sobre o que pretendem comprar. Tiram até fotos comprando e depois que compram para exibir na internet. As pessoas se orgulham quando mostram para as outras que compraram bens caros ou desejados. Algumas pessoas até se orgulham e gostam de falar sobre as enormes faturas que pagam no cartão de crédito e sobre as dívidas de financiamentos de carros e imóveis.

    Por isso, é importante entender a relação que existe entre o capitalista e o consumista.

    Ambos se ajudam, mas só um prospera

    Geralmente, o que o capitalista faz com o dinheiro que capitaliza ajuda o consumista a manter o seu estilo de vida. 

    Já o que o consumista faz com o dinheiro ajuda o capitalista a construir um novo estilo de vida.

    Vale ressaltar que não há nada de moralmente errado neste arranjo. Os dois se complementam.

    Vejamos alguns exemplos. 

    Imagine um consumista. Tudo que ele ganha é gasto mensalmente com todas as coisas de que ele precisa e com tudo aquilo que ele gosta de fazer com o dinheiro. O problema é que, ao gastar tudo que ganha, falta dinheiro para realizar grandes objetivos. Ele recorre a bancos e financeiras para conseguir um empréstimo ou um financiamento para realizar esse grande sonho. 

    O dinheiro que o banco ou financeira empresta para o consumista é exatamente o mesmo dinheiro que os clientes capitalistas do banco ou da financeira aplicaram em CDB, LCI, LCA, poupança, LC e outras modalidades de investimento.

    Os bancos e as financeiras lucram intermediando essa relação entre consumistas e capitalistas.

    O consumista aceita pagar juros para ficar com o dinheiro do capitalista temporariamente. O capitalista aceita receber juros para ficar sem o próprio dinheiro temporariamente. Um paga juros e o outro ganha juros.

    O banco ou a financeira cobra juros maiores dos consumistas e paga juros menores para os capitalistas. Esse "spread" se deve ao risco que a instituição assume, já que o banco é que se torna o devedor do capitalista e o credor do consumista. Além do risco, ele assume também a responsabilidade da intermediação.

    Embora pareçam estar em lados opostos, capitalistas e consumistas são complementares. Mas, no longo prazo, apenas um prospera.

    O consumista vai utilizar o dinheiro que pegou emprestado no banco ou na financeira para fazer compras. Os bancos e as financeiras oferecem empréstimo, crédito e parcelamentos de compras emprestando o dinheiro dos clientes que acumulam capital no banco (capitalistas).

    Esse consumista irá visitar lojas que possuem ações listadas na bolsa e que fazem parte da carteira de ações dos capitalistas. Existem muitas empresas do varejo na bolsa em diversos segmentos como eletrodomésticos, vestuário etc.

    Já o capitalista vai ganhar juros, por ter sido ele que emprestou o dinheiro para os bancos e financeiras quando fez um investimento de renda fixa (exemplo: CDB e LC). O capitalista também vai receber os dividendos e os ganhos de capital das ações que ele comprou aos poucos no passado, com a fatia do dinheiro que ganhou e resolveu investir.

    É possível que o consumista tenha esperado o ano inteiro para comprar o que desejava com desconto em uma Black Friday. Ou então ele pode parcelar em várias vezes.

    O capitalista também gosta de fazer compras, mas ele terá o ano todo para comprar aquilo que deseja sem precisar esperar a Black Friday e sem precisar tirar dinheiro do bolso. Por meio dos juros, dividendos e ganhos de capital que ele receberá dos seus investimentos, ele poderá realizar as compras que desejar.

    Outras relações entre consumistas e capitalistas

    O consumista trabalha para receber uma renda fixa (salário). Com efeito, um emprego nada mais é do que um investimento de renda fixa. Você investe o seu tempo e a sua força de trabalho no emprego e recebe uma renda fixa no final do mês na forma de salário e direitos trabalhistas. É uma renda segura e previsível.

    Muitas vezes, os consumistas trabalham nas empresas que fazem parte da carteira de ações dos capitalistas. Enquanto os consumistas trabalham em troca de uma renda fixa (salário), os capitalistas apenas recebem dividendos e ganhos de capital destas empresas em que os consumistas trabalham. 

    Observe que quem trabalha para o capitalista é o dinheiro que ele investiu na empresa. O capitalista, em vez de uma renda fixa, prioriza os ganhos (lucros), mesmo que isso represente riscos. Os ganhos de capital, dividendos e demais proventos recebidos por aqueles que possuem ações de empresas são fontes de renda variável, sem qualquer estabilidade ou garantia de recebimento. Você investe o seu dinheiro e recebe uma renda variável, sem garantia de ganho. É uma renda sem limites, porém incerta e imprevisível.

    Os consumistas, portanto, trabalham pelo dinheiro. Os capitalistas fazem o dinheiro trabalhar para eles.

    Muitas vezes, os consumistas também pagam aluguéis para os capitalistas. É comum em muitos países a pessoa juntar dinheiro durante a vida para comprar ou construir imóveis que geram renda oriunda de aluguéis na aposentadoria. É um investimento em imóveis muito comum.

    Já o consumista que mora em um imóvel financiado está pagando juros para os bancos, os quais remuneram os capitalistas que investiram em LCI ou na poupança.

    As parcelas que os consumistas pagam nas prestações dos carros financiados também remuneram os capitalistas que investem em renda fixa (CDB).

    Qualquer um pode ser capitalista

    Entendido esse básico, é importante ressaltar que, nos dias de hoje, qualquer pessoa pode ser capitalista, caso queira.

    Para se capitalizar (juntar dinheiro e bens que geram renda), você tem necessariamente de gastar menos do que ganha, e investir essa diferença para obter retornos exponenciais. Trata-se majoritariamente de uma questão da adquirir o hábito de poupar (gastar menos do que se ganha) e de obter o conhecimento necessário para investir esse dinheiro que você salvou do consumismo.

    Tudo isso também vai exigir paciência, já que pode demorar muito tempo para se acumular capital. No entanto, quanto mais cedo você começar, mais cedo irá usufruir.

    Ser consumista ou capitalista é uma escolha. Não é uma questão de certo ou errado. Ambos estão corretos, desde que escolhidos conscientemente.

    O único erro é você não entender a sua escolha. Toda escolha tem o seu preço (custos). Ser consumista tem seus ganhos e seus custos. Ser capitalista tem seus ganhos e seus custos. Encontrar um equilíbrio entre os dois também é uma escolha.

    Opte por ser capitalista: fuja das dívidas

    Não existiriam empresas, produtos, serviços, empréstimos, financiamentos, Black Friday e a sociedade como conhecemos hoje se não existissem pessoas que poupam e que acumulam capital e bens que geram capital — ou seja, capitalistas.

    A vida dos consumistas sem os capitalistas seria difícil. 

    Igualmente, a vida dos capitalistas sem os consumistas seria menos fácil.

    E este é um ponto crucial: para quem acumula capital, é bom haver pessoas que gastam tudo que ganham e que ainda solicitem empréstimos para que possam gastar tudo que podem ganhar no futuro.

    Quanto mais consumistas existirem, maiores serão os ganhos dos capitalistas.

    O que nos leva à crucial questão do endividamento.

    Embora endividar-se para consumir traga uma sensação inicial de bem-estar e satisfação, é importante entender que, se voltadas para o consumo, dívidas são alavancas de empobrecimento. 

    Os juros e as taxas que você paga durante uma vida para sustentar bancos e financeiras poderiam ser utilizados para aumentar o seu patrimônio e para gerar renda passiva (juros sobre juros) nos seus investimentos. Isso poderia melhorar a qualidade de vida da sua família.

    Dívidas são alavancas de riqueza quando você é o credor, e não quando é o devedor. Você enriquece quando as pessoas devem para você, e não quando você deve para as pessoas. Banqueiros enriquecem emprestando o seu dinheiro para os outros. São os outros que precisam trabalhar mais para pagar os juros que você recebe quando faz um investimento financeiro (emprestando dinheiro para os bancos ou para o governo).

    É exatamente por isso que, no Brasil, vender produtos passou a ser um pretexto para vender crédito. Grandes lojas de eletrodomésticos, grandes lojas de moda e fabricantes de automóveis lucram mais vendendo crédito do que vendendo produtos. Isso explica por que as grandes lojas possuem cartão próprio, e por que as grandes concessionárias têm suas próprias financiadoras. Elas estimulam que você compre parcelado ou financiado em vez de comprar à vista. Agindo assim, elas podem ganhar duas vezes: ganham vendendo o produto e ganham emprestando o dinheiro para que você compre.

    Sempre que você compra qualquer coisa por meio do crediário de uma loja ou por meio de financiamentos, você está pagando duas vezes. Isso faz você empobrecer se comparado a quem poupa, recebe juros e paga à vista negociando descontos. As pessoas não percebem que passam a vida toda trabalhando para pagar juros e taxas, transferindo sua riqueza para os outros — os capitalistas.

    Seja o capitalista.

    O governo também gosta dos consumistas - mas só existe por causa dos capitalistas

    Políticos vivem atacando as pessoas que poupam, investem e empreendem. São chamados de "rentistas", de "especuladores" ou de capitalistas mesmo, já que a palavra ganhou sentido pejorativo. 

    Os políticos preferem os consumistas, pois eles pagam mais impostos. São tributados quando recebem a renda, são tributados quando fazem as compras e quando pegam empréstimos para consumir mais.

    Entretanto, os governos dependem dos capitalistas. São as empresas — frutos de investimentos de capitalistas — que produzem e vendem produtos e serviços que geram lucros, ganhos de capital e salários para serem tributados. Se nada fosse produzido e vendido, nada seria tributado. E aí nem haveria governo.

    Sim, os próprios governos não existiriam sem pessoas e empresas acumulando capital. Os governos, nas sociedades em que as pessoas são livres, são mantidos por cobranças de impostos. Quando os impostos são insuficientes, os governos emitem dívida por meio da venda de títulos públicos. E são as pessoas que acumulam capital que compram esses títulos.

    Um mundo sem capitalistas

    Como seria o mundo se só existissem consumistas? 

    Imagine um mundo no qual ninguém acumula nada. Todas as pessoas consomem tudo que produzem. Ninguém produz nada em excesso para fazer trocas ou comércio. Ninguém acumula nada que possa ser alugado ou vendido. Não existem empresas. Não há visão de longo prazo. Não há frugalidade.

    Não é difícil visualizar que, neste mundo, não existiriam empréstimos, financiamentos, produtos, serviços e empregos oferecidos por empresas. Empresas são necessariamente investimentos de longo prazo; são o conjunto de bens e capitais que pessoas investiram.

    Em um mundo inteiramente voltado para o consumismo não teria como haver nada cuja existência dependesse de investimentos de longo prazo

    Por isso, naquela época em que as pessoas só trabalhavam para o próprio consumo, o mundo era muito parecido com isso:

    caverna.png

    Felizmente, existem os capitalistas - e eles seguem crescendo

    Neste momento existem diversas empresas de capital aberto (ações negociadas na bolsa) que estão investindo dinheiro de pequenos e grandes capitalistas para a construção do futuro. 

    Se você está consumindo e se endividando, sim, você está fazendo a sua parte desse processo. Porém, se além de consumir, você está acumulando capital e investindo, então você não apenas faz parte do processo, como também será remunerado por isso. 

    Seja essa pessoa.

    Leandro Ávila
    é formado em administração de empresas e se especializou em educação financeira e de investimentos.

    MAQUIAVEL, INSTRUTOR DE POLITICOS CORRUPTOS

    03 de Maio de 1469: Nasce o filósofo, escritor, político e historiador italiano Nicolau Maquiavel, autor da obra: "O Príncipe"

    O filósofo, escritor, político e historiador italiano Niccoló Machiavelli – Nicolau Maquiavel – nasceu a 3 de Maio de 1469. Patriota durante a vida toda e acérrimo defensor de uma Itália unificada, Maquiavel tornou-se um dos pais da moderna teoria política.
    Maquiavel entrou para a política na sua terra natal, Florença, quando tinha 29 anos. Como secretário de Defesa, distinguiu-se ao executar políticas que acabaram por fortalecer Florença politicamente. Logo lhe foram designadas missões diplomáticas em nome do Principado florentino para se encontrar com personalidades centrais da época, como o rei Luis XII de França e talvez a mais importante para Maquiavel, o príncipe dos Estados Pontifícios, César Bórgia. O hábil e astucioso Bórgia inspirou mais tarde o personagem título do famoso tratado de Maquiavel O Príncipe (1532).
    A vida política de Maquiavel sofreu um pesado baque após 1512, quando perdeu os favores da poderosa família Médici. Foi acusado de conspiração, preso, torturado e temporariamente exilado. Foi numa tentativa de reconquistar o importante posto político e as boas graças da família Médici que Maquiavel escreveu O Príncipe que se tornou a sua obra mais conhecida .
    Embora tenha sido lançado postumamente em formato de livro em 1532, a obra foi primeiramente publicada como um panfleto em 1513. Nele, Maquiavel traça a sua visão de um líder ideal: um amoral, tirano calculista, para quem os fins justificam os meios.
    O pensamento de Maquiavel tem uma importância ímpar nos estudos políticos pelo facto de estabelecer uma nítida separação entre a política e a ética, bem como por deixar de lado a antiga concepção de política herdada da Grécia antiga, que visava compreender a política como ela deve ser. Maquiavel preferia estudar os factos como eles são na realidade. Nesse sentido, a sua obra teórica constitui uma reviravolta da perspectiva clássica da filosofia política grega, pois o filósofo partiu "das condições nas quais se vive e não das condições segundo as quais se deve viver". A sua teoria desmascarou as pretensões morais e religiosas em matéria de política.


    O Príncipe não só fracassou em ganhar os favores da família Médici como o afastou do povo florentino. Maquiavel nunca mais foi bem recebido ao retornar à vida política. Morreu em 1527, amargurado e praticamente expulso da sociedade florentina à qual havia devotado a sua vida.
    Os conceitos de virtù e fortuna são empregues várias vezes por Maquiavel nas suas obras. Para ele, a virtùseria a capacidade de adaptação aos acontecimentos políticos que levaria à permanência no poder. A ideia de fortuna representa as coisas inevitáveis que acontecem aos seres humanos, para o bem ou para o mal.
    Embora Maquiavel tenha sido associado amplamente com práticas diabólicos no reino da política consagradas em O Príncipe, as suas verdadeiras visões não eram tão extremadas. De facto, em textos mais longos e detalhados como Discursos sobre os dez primeiros livros de Livy (1517) e História de Florença (1525), ele mostra-se um político moralista baseado em princípios. Não obstante, mesmo nos dias de hoje, a expressão‘maquiavélico’ é utilizada para descrever uma acção empreendida para o próprio benefício sem olhar para o certo ou errado ou a que se caracteriza pela astúcia, duplicidade, má-fé e ardil.
    Maquiavel escreveu, no entanto, obras literárias e peças teatrais que pouco tinham a ver com o seu pensamento filosófico e político, embora revelassem uma inteligência brilhante e refinamento estilístico, como na peça "A Mandrágora" e no divertido conto "Belfegor" - que faz uma crítica ao consumismo da época.

    01 de Maio de 1500: Carta de Pêro Vaz de Caminha a D. Manuel sobre o achamento do Brasil

     


     Carta de Pero Vaz de Caminha, escrita a D. Manuel I em 1500, por altura da descoberta do Brasil pelo navegador Pedro Álvares Cabral. Este é um documento essencial e curiosíssimo de um momento supremo da História e da cultura portuguesas, e, como tal, um paradigma da literatura de viagens do Renascimento e da cultura nova, de base experimental e tendência crítica, na qual, segundo Jaime Cortesão, está contido o «fermento crítico» responsável pelo espírito filosófico do século XVIII.

    Trata-se de uma verdadeira carta-narrativa, na qual são descritos a geografia, a fauna, a flora do Brasil, a aparência e a psicologia dos nativos, os métodos e experiências de contacto dos portugueses e as reações mútuas, obviamente a partir de uma perspetiva etnocêntrica que estuda a nova terra e a população com o objetivo de colher algum proveito: «[Nesta terra] não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro, nem lho vimos. A terra, porém, em si é de muito bons ares [...]. Mas o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente».
    A própria «salvação» religiosa da população nativa é capitalizável, na medida em que os portugueses acalentavam então a noção de que a grandiosidade dos seus empreendimentos derivaria do facto de os feitos da sua História se relacionarem com a expansão da fé cristã, e portanto beneficiarem sempre da proteção de Deus. É a mesma conceção providencialista da História portuguesa que encontramos em Os Lusíadas. A expansão era encarada, não só como o alargamento da civilização e da cultura em que o Homem de então mais perfeitamente realizava as suas potencialidades - a portuguesa -, mas também Deus mais dilatava no mundo a sua lei. Numa perspetiva humanista e neoplatónica, portanto, era através da expansão portuguesa que o Homem se aproximava cada vez mais do estatuto divino, o qual, aliás, se cumpre metaforicamente nos cantos finais de Os Lusíadas.
    Deste modo, a Carta do Achamento do Brasil é um documento fundamental para a compreensão do Renascimento português, logo, também da História do mundo.
    Carta do Achamento do Brasil. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
    wikipedia (Imagens)

    Ficheiro:Reading of the letter of Caminha.jpg
    Pero Vaz de Caminha lê a  Pedro Álvares Cabral,  Frei Henrique de Coimbra e Mestre João, a carta que será enviada a D.Manuel I - Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo
    Ficheiro:Carta-caminha.png
    Reprodução da Carta de Pero Vaz de Caminha
    "Senhor,
    posto que o capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães, escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei também de dar minha conta disso a Vossa Alteza (…)
    (…) do que hei de falar começo e digo: a partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março. Sábado, 14 do dito mês, entre as oito e as nove horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grã-Canária, onde andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas (…)
    E assim seguimos nosso caminho por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram vinte e um dias de abril (…) topámos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topámos aves a que chamam fura-buxos. Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra!
    Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome, o Monte Pascoal, e à terra, a Terra de Vera Cruz (…)
    Pela manhã fizemos vela e seguimos direitos à terra (…) avistámos homens que andavam pela praia.
    Afonso Lopes (…) meteu-se logo no batel e tomou dois deles.
    Um deles trazia um arco e seis ou sete flechas (…) Trouxe-os logo ao capitão em cuja nau foram recebidos com muito prazer e festim. A feição deles é serem pardos (…) avermelhados, de bons rostos e bons narizes (…) Andam nus (…) os seus cabelos são corredios (…) e um deles trazia uma espécie de cabeleira de penas de ave (…)
    O capitão (…) estava com um colar de oiro ao pescoço. Um deles pôs o olho no colar do capitão e começou de acenar com a mão para terra e depois para o colar como que nos dizendo que ali havia ouro. Também olhou para o castiçal de prata e assim mesmo acenava para terra (…) Mostraram-lhes um papagaio; tomaram-no logo na mão e acenaram para terra (…) Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela (…)
    Estavam na praia (…) obra de 60 (…) Vieram logo para nós sem se esquivarem (…) Pareceu-me gente de tal inocência que se homem os entendesse e eles a nós seriam logo cristãos (…)"
    Carta de Pero Vaz de Caminha (adaptação)

    domingo, 2 de maio de 2021

    CARTAS {QUESTIONANDO A VERACIDADE DO ALEGADO HOLOCAUSTO} AO “NEW STATESMAN” (QUE NUNCA FORAM PUBLICADAS) – POR DR. ARTHUR R. BUTZ

     As seguintes cartas foram endereçadas ao editor do New Statesman, 10 Great Turnstile, Londres WC1V 7HJ, Grã-Bretanha, seguindo a publicação de um artigo atacando o Revisionismo em 2 de novembro de 1979, por Gitta Sereny.

    18 de novembro de 1979

    {editorial do Journal for Historical Review}


    {Carta nº 1, por Arthur R. Butz}

    Caro senhor:

    Em geral, os poucos argumentos substantivos de Gitta Sereny {escritora judia *a} (New Statesman, 2 de novembro) são respondidos em meu livro The Hoax of the Twentieth Century. Aqui, desejo focar em um ponto que, em vista de suas observações, pode ser desenvolvido com proveito: supostas “confissões” de funcionários alemães, seja em julgamentos ou na prisão após os julgamentos.

    O ponto chave é que o objetivo servido por tais declarações deve ser presumido ser interesse pessoal e não a verdade histórica. Em um “julgamento,” alguma coisa específica é para ser julgada, ou seja, o tribunal deve começar tratando essa coisa como uma questão em aberto.

    A alegação de “extermínio” nunca tem estado em questão em nenhum sentido prático em nenhum dos julgamentos relevantes e, em alguns, não tem sido aberta à questão em um sentido jurídico formal. A questão sempre foi somente responsabilidade pessoal em um contexto no qual a alegação de extermínio era inquestionável. Assim, as “confissões” dos alemães, que em todos os casos buscavam negar ou mitigar a responsabilidade pessoal, eram meramente somente defesas que eles podiam apresentar em suas circunstâncias.

    Isso não é exatamente “barganha de pena,” onde há negociação entre acusação e defesa, mas está relacionada. Tudo se resume a apresentar uma estória que foi possível para o tribunal aceitar. O dilema lógico é inescapável, uma vez que o réu resolva tomar o “julgamento” seriamente. Negar a lenda não era a maneira de ficar fora da prisão.

    Além disso, não é verdade, como Sereny afirma implicitamente, que esse dilema lógico não se sustenta mais quando o réu está cumprindo uma sentença de prisão perpétua. Se ele está buscando perdão ou liberdade condicional, ele não tentará fazer uma reviravolta no que tem já sido decidido no tribunal; não é assim que o caminho do perdão ou da liberdade condicional funcionam. Por exemplo, no “julgamento de Auschwitz” de Frankfurt de 1963-1965, os supostos atos de Robert Mulka {um importante comandante SS no campo de concentração de Auschwitz} foram tão monstruosos que muitos acharam sua sentença a 14 anos de trabalhos forçados indevidamente leve. Então, em um desfecho que surpreenderia a todos que não estudaram esse assunto de perto, Mulka foi discretamente libertado menos de quatro meses depois. Contudo, se Mulka tivesse alegado em qualquer fundamento (como ele poderia ter feito com sinceridade), seja em seu julgamento ou depois, que não houve extermínios em Auschwitz e que ele estava em posição de saber, então ele teria cumprido uma sentença de prisão perpétua no primeiro caso e os quatorze anos completos no último, se ele vivesse tanto tempo.

    A escritora judia Gitta Sereny (1921-2012). Créditos: Huffpost.

    Não é amplamente conhecido, mas tem havido muitas dessas instâncias – o assunto é difícil de investigar. [1] Em nenhuma instância teria feito qualquer sentido, em termos de interesse próprio imediato, negar os extermínios. Essa não era a maneira de sair da prisão.

    Um ponto relacionado é que pode ser bastante perigoso, para dizer o mínimo, para qualquer alemão questionar a lenda do Extermínio. Por exemplo, o Dr. Wilhelm Stglich, que estava estacionado perto de Auschwitz em 1944 em uma unidade antiaérea, tem publicado tal opinião e tem sido sujeito a perseguição legalmente formulada desde então. [2]

    Mesmo eu, um americano, tenho sido vítima da repressão oficial na Alemanha. [3] Há também a considerável repressão extralegal que, por exemplo, fez com que Axel Springer, “czar da imprensa” da Alemanha Ocidental e supostamente um homem poderoso, retirasse a primeira edição da Geschichte der Deutschen {História dos Alemães} de Hellmut Diwald, como Sereny mencionou.

    Nós não precisamos de “confissões” ou “julgamentos” para determinar se os bombardeios de Dresden e Hiroshima, ou as represálias em Lidice após o assassinato de Heydrich, realmente ocorreram.

    Agora, a lenda do extermínio não reivindica  umas poucas instâncias de homicídio, mas alega eventos continentais em escopo geográfico, de três anos em escopo temporal e de vários milhões no escopo de vítimas. Quão lúdicra, então, é a posição dos portadores da lenda, que em última análise tentarão “provar” tais eventos com base em “confissões” proferidas sob o tecido da histeria, censura, intimidação, perseguição e ilegalidade flagrante que envolve este assunto há 35 anos.

    Anexei fotocópias da documentação referenciada para seu exame.

    Sinceramente

    Dr. Arthur R. Butz


    Fonte: Letters to the “New Statesman”, por Arthur R. Butz, The Journal of Historical Review, inverno de 1982 (Vol. 1, nº 2), página 153. Tradução e palavras entre chaves por Mykel Alexander em World Traditional Front


    Notas

    *a Nota de Mykel Alexander: Gitta Sereny (1921-2012) foi uma ativista e escritora judia que teve em seus livros uma relativamente grande popularidade no Ocidente do pós-Segunda Guerra Mundial, e sua própria pessoa também gozou de popularidade sobre biografias e controvérsias relativas ao regime da Alemanha de Hitler e ao alegado Holocausto. Ver:

    – The woman who tried to humanise monsters: Gitta Sereny wrote brilliant books trying to explain the evil of murderers. She also helped create today’s cult of victimhood, por Tom Bower, 20 de junho de 2012, Daily Mail. Disponível em https://www.dailymail.co.uk/news/article-2161909/Gitta-Sereny-The-woman-tried-humanise-monsters.html

    – Gitta Sereny obituary, por Isabel Hilton, 19 de junho de 2012, The Guardian. Disponível em https://www.theguardian.com/books/2012/jun/19/gitta-sereny  

    – Into That Darkness, Again, por Gabriel Schoenfeld, 23 de dezembro de 2001, The New York Times. Disponível em https://www.nytimes.com/2001/12/23/books/into-that-darkness-again.html#:~:text=Of%20Hungarian%2DGerman%20parentage%20and,saw%20the%20unfolding%20terror%20firsthand.

    [1] Nota de Arthur Butz: Los Angeles Herald Examiner, 2 de setembro de 1979, página E2.

    [2] Nota de Arthur Butz: Die Zeit, 25 de maio de 1979, página 5.

    [3] Nota de Arthur Butz: Frankfurter Allgemeine Zeitung, 16 de junho de 1979, página 23.

    sábado, 1 de maio de 2021

    O que Bill Gates tem a ver com mosquitos editados geneticamente?

    A empresa britânica de biotecnologia Oxitec está avançando no projeto de liberar milhões de mosquitos da espécie Aedes aegypti, geneticamente modificados (GM) em laboratório, no estado norte-americano da Flórida. Com a iniciativa, o objetivo é controlar doenças tropicais na região, como zika, dengue e chikungunya. Inclusive, a Fundação Bill e Melinda Gates já financiou a empresa em outras pesquisas.

    A ideia por trás da atual empreitada é introduzir uma versão geneticamente modificada do mosquito da dengue na região dos Estados Unidos. Nessa versão da Oxitec, os machos geneticamente modificados são liberados, eles se reproduzem com mosquitos fêmeas selvagens, e a geração seguinte não sobrevive até a idade adulta, o que reduz a população de mosquitos. Isso porque os insetos carregam genes “autolimitantes” para os seus descendentes.


    No Brasil, a empresa já realizou diversos experimentos do tipo com o Aedes do Bem — como são intitulados —, desde 2010. Inclusive, uma das iniciativas ainda está vigente no interior de São paulo, na cidade de Indaiatuba. Por aqui, o estudo foi aprovado pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).

    Fundação Gates e os mosquitos geneticamente modificados 

    Cofundador da Microsoft e filantropo da área da saúde, Bill Gates já esteve envolvido no financiamento da empresa, através da Fundação Bill & Melinda Gates, em duas ocasiões com aportes financeiros para estudos científicos, de acordo com uma apuração do Futurism. No entanto, a iniciativa buscava o desenvolvimento de outros mosquitos geneticamente modificados, aqueles que transmitem a malária.

    “Os mosquitos geneticamente modificados estão se mostrando promissores no controle de outras doenças transmitidas por vetores [como é o caso da dengue ou da malária, por exemplo], então esperamos explorar seu uso com intervenções complementares para a malária”, afirmou um dos diretores da Fundação Gates, Philip Welkhoff, em um comunicado para imprensa em 2018. Inclusive, estas pesquisas foram turbinadas pelo conhecimento já adquirido com o mosquito da dengue.

    Vale destacar que a dengue e a malária são causadas por vetores diferentes. No caso da Flórida, o que se estuda é o uso de versões geneticamente modificadas do Aedes aegypti, conhecido por ser um vetor da dengue. No caso específico da malária, seria necessário o investimento em versões modificadas do mosquito Anopheles, popularmente conhecido no Brasil como mosquito-prego.

    Fonte: Futurism e PR Newswire