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    quinta-feira, 26 de setembro de 2019

    A História das Drogas

    Studio 54 Vol.1 - mix dj Oba Tundis

    Até quando vai durar este ”democrático sistema de perseguição”?

    O engenheiro austríaco Wolfgang Fröhlich foi condenado a quase dez anos de prisão por ter declarado que não teria havido qualquer gaseamento de prisioneiros nas alegadas instalações do complexo de campos de concentração alemães em Auschwitz e Birkenau.
    Wolfgang Fröhlich é um perito juramentado que apresentou seu laudo técnico na ocasião do processo contra o revisionista Jürgen Graf, em 1998. No laudo judicial, o perito deixou claro a impossibilidade do suposto gaseamento de milhões de pessoas. A partir deste momento, o engenheiro tornou-se alvo da “justiça” austríaca, culminando em diversas condenações por duvidar do dogma imposto pela atual “ordem democrática”.
    Em dezembro de 2014, Fröhlich escreveu a carta abaixo:
    “Ao Ministério Público Federal
    Perseguição por delitos econômicos e corrupção
    Dampfschiffstrasse 4
    A-1030 Viena
    Objeto: Há 20 anos vítima do terrorismo político na Áustria devido à expressão de opinião! Entrementes cumprindo o 10º ano na prisão em total desrespeito aos direitos humanos, ratificado pela República da Áustria na ‘Covenant on Civil and Political Rights’ (Pacto sobre Direitos Civis e Políticos) das Nações Unidas!
    Complementação do processo criminal de 16 de dezembro de 2014. Devido à surpreendente revelação de mais de uma década e meia de repressão política de fatos históricos, solicito o encaminhamento deste requerimento à instância competente:
    1. Anulação de todos os veredictos contra pessoas que foram difamadas, aterrorizadas pela justiça e condenadas à prisão na Áustria segundo os parágrafos 3g e 3h da Lei de Proibição (das Verbotsgesetz) em afronta aos direitos humanos!
    2. Libertação imediata de todas as vítimas que se encontram presas!
    3. Retratação pública para todas estas pessoas e suas famílias!
    4. Indenização para todas estas pessoas e suas famílias!

    Justificativa

    Se estiver bem informado, já no ano 2000, o “Instituto para História Contemporânea” de Munique publicou o documento “Ordens locais e da direção do Campo de Concentração de Auschwitz, 1940-1945”.
    Este documento foi reprimido por mais de uma década e meia pela Política e pela Justiça!
    Os motivos estão claros, pois ele refuta veementemente a suposição superficial baseada nas declarações das testemunhas oculares, de que Auschwitz teria sido um “campo de extermínio”! Com isso desaparece a “notoriedade judicial” desta hipótese, base para inúmeras condenações criminais.
    Juntamente com as falsas câmaras de gás testemunhadas, os juízes do Supremo Tribunal Federal da República da Áustria aceitaram sem qualquer comprovação – em claro abuso do poder – as fantasias das testemunhas oculares e as classificaram como ‘juridicamente notórias’!
    Provas técnicas fundamentadas – condição imprescindível para uma notoriedade forense – não existe!
    Para absurdos científicos como as testemunhadas câmaras de gás, logicamente não pode existir qualquer prova técnica.
    Imaginemos o desenrolar dos acontecimentos: um renomado instituto histórico do Estado destrói o mito do campo de extermínio de Auschwitz, sustentado por todo o aparato estatal (e com brutal violência), e o termo ‘Mentira de Auschwitz’ se transforma repentinamente no contrário de sua proposta inicial!
    E o cume da perfídia: omite-se da opinião pública este importante acontecimento, evitando-se assim a confrontação com a pesquisa histórica séria, mantendo ao poder estabelecido a prerrogativa de enviar inocentes para atrás das grades por mais várias décadas!
    Resta esclarecer o motivo para este monstruoso crime. Os juízes agiram por si próprio ou foram forçados? E em caso afirmativo, por quem?
    A partir de agora, o que vem a ser “juridicamente notório” para a justiça política austríaca? Seria aquilo afirmado até o presente ou sua antítese? A justiça política levará agora aos tribunais por tentativa de reerguer o Nacional-Socialismo, o Instituto para História Contemporânea de Munique e todos os coautores do documento mencionado – entre eles a Professora universitária Dr. Sibylle Steinbach, entrementes diretora do Instituto para História Contemporânea da Universidade de Viena, e com isso sucessora do falso perito, o professor universitário Dr. Gerhard Jagschitz?
    A famosa historiadora judia, Gitta Sereny, tem razão quando ela escreveu no Times, Londres, 29/8/2001, um artigo intitulado “The German Trauma: Experiences and Reflections”: Auschwitz foi um lugar horrível, mas não foi um campo de extermínio”.
    Diante da consumação de todas as decisões dos tribunais sob escassa apresentação de provas e sob desrespeito daquilo estabelecido no CCPR das Nações Unidas, e ainda por cima sob o fato de que a acusação imputada aos “criminosos” (na realidade são as vítimas) evaporou-se no ar, só pode haver agora a consideração das consequências expostas acima!
    Dr. Wolfgang Fröhlich”

    Conclusão

    70 anos após a “libertação” do campo de Auschwitz, a Holo-estória está cambaleante. Como no caso da passeata encenada pelos carismáticos e incorruptíveis “chefes de Estado” em Paris, após o ataque à decadente revista Charlie Hebdo, esta inquestionável liderança se reuniu no último dia 27 de janeiro em seus diferentes currais, para prestar homenagem aos supostos milhões de judeus que morreram durante a Segunda Guerra. Pura ação de propaganda, encenação atrás de encenação…
    Líderes mundiais desfilam ao lado do presidente francês François Hollande durante a marcha republicana de homenagem às vítimas do suposto “ataque terrorista”. FOTO: RFI/Pierre René-Worms.
    Com o desaparecimento terreno das testemunhas dos relatos de terceiros, cada vez mais a emoção cede lugar à razão e por isso se faz necessário aumentar a pressão sobre os historiadores: ameaçam, constrangem, difamam e, finalmente, mandam prender os revisionistas, pois em uma discussão honesta sobre o alegado genocídio, este não resiste por mais de 4 horas. Se fazem então necessárias tais ações de marketing da Indústria do Holocausto. Por isso somos torpedeados quase que diariamente por artigos e notinhas nos mais diferentes meios de comunicação.
    A trajetória da verdade não pode ser alterada, talvez refreada, mas um dia ela se revelará ao mundo, límpida e desimpedida. E quando este dia chegar, estará comprovado de uma vez por todas o repugnante caráter dos nômades parasitas. Que justiça seja feita!
    Fonte original: National Journal

    O Darwinismo Social nos Nacionalismos do Século XX

    Compreender o valor historiográfico de Charles Darwin e, por conseguinte, sua influência no devir histórico dos séculos que o sucederam, é indispensável no entendimento das concepções que chancelaram determinados ideais fundadoras de correntes filosóficas as quais em muito colaboraram para a ascensão de ideias nacionalistas no decorrer do século XX. Para além da biologia, a obra de Darwin foi também interpretada à luz das ciências sociais e da filosofia, de tal forma que suas contribuições às ciências humanas, embora não tenham sido por ele expressas, decorrem diretamente de sua obra.
    É evidente que Charles Darwin, enquanto um homem de seu tempo, deve ser analisado no contexto do romantismo europeu dos séculos XVIII e XIX. Contudo, a transposição de suas ideias para o consciente coletivo de gerações inteiras, transcendeu infinitamente o período em que passou sobre a terra, moldando sobretudo as concepções sociais do século XX em diante. Portanto, visa-se compreender, no decorrer deste artigo, tanto mais as aferições darwinistas de ordem sociológica e filosófica transpostas para determinados nacionalismos do século passado, que propriamente as considerações biológicas contidas nas obras de Darwin.
    Tendo em vista a fidelidade à obra do autor, os extratos a seguir foram transcritos de A Origem das Espécies tal qual a tradução do original e a interpretação desconsiderará o anacronismo de possíveis juízos de valor, transpondo ao darwinismo social, apenas os valores expressos com suficiente clareza na obra de Darwin.

    Quanto à concepção teleológica do darwinismo 

    “É, de fato, uma verdade maravilhosa – que costumamos deixar de perceber por nos ser tão familiar – que todos os animais e todas as plantas através de todos os tempos e espaço, devem estar relacionados entre si em grupos oriundos de outros grupos, de tal maneira que vemos por toda a parte, variedades de uma mesma espécie […]“
    Considerando o caráter evolucionista da seleção natural, como expresso em “A Origem das Espécies”, pode-se aferir que Darwin era partidário de uma cosmovisão teleológica na qual compreende-se que todas as espécies que “evoluíram e continuam a evoluir”, compõe um quadro geral de diferentes estágios de um mesmo processo de desenvolvimento cujo fim, embora desconhecido, é comum a todos. Deduz-se invariavelmente, a superioridade evolutiva de determinadas espécies em detrimento de outras, uma vez que, segundo Charles Darwin, todas partiram de um mesmo princípio e visam um mesmo fim. 
    O entendimento da cronologia enquanto um processo teleológico se expressa, também, nos valores defendidos por Benito Mussolini e Giovanni Gentile no decorrer da obra “A Doutrina do Fascismo”, na qual os autores prescrevem uma união do indivíduo a um corpo histórico invisível no qual faz-se valer a vocação de cada nação. É difícil determinar se tais idéias são oriundas de Charles Darwin ou de Julius Evola, mas em matéria de cronologia, ambos os autores estariam em consonância, tanto entre si, quanto com o fascismo clássico.  

    Quanto à contraposição de povos 

    “Quando viajamos para o sul e observamos uma espécie decrescendo em número, podemos ter a certeza de que a causa se deve tanto ao favorecimento de outra espécie como ao desfavorecimento da espécie em decréscimo […]. Não há exceção à regra de que todo ser orgânico reproduz-se em proporção tão alta que, se não for contido, a terra em breve estará coberta pela progênie de um único par […]”
    É invariável a conclusão de que Darwin incute na Teoria das Espécies, uma concepção de guerra constante e generalizada que pode, sem grandes modificações, ser transposta a um entendimento racial do conflito, como professado pelo fundador do partido nacional-socialista estadunidense, George Lincoln Rockwell, que também prescrevia a contraposição racial como um sintoma de evolução das espécies. Segundo Rockwell, que abordava a unidade nacional, sobretudo, à luz de distinções raciais, “o nacional-socialismo é a aplicação das leis da natureza ao ser humano”.
    Portando, dentro de uma cosmovisão evolucionista, as conclusões biológicas de Darwin, enquanto constantes universais, não podem se restringir tão somente à análise laboratorial, mas devem agir em função de assegurar a continuidade evolutiva de todas as espécies em suas respectivas ocupações. Lincoln Rockwell, bem como seu rival intelectual, Malcom X, concordaria com esta aferição, uma vez que apresentou em seu escrito “White Power” (1968), uma proposta de construir uma nação americana apartada de etnias oriundas de continentes que não o europeu – Malcom X, defensor do chamado “separatismo racial”, também tomou parte na causa de Rockwell.
    Destoante das apologéticas nacionalistas, porém, Darwin parecia não ver como anti-natural a eliminação de espécies inteiras, como bem expresso quando o cientista escreve que: A seleção natural, […] leva a divergência dos caracteres e à extinção exagerada de formas de vida menos aperfeiçoadas e intermediárias. […] Seleção implica extinção.

    Quanto à transcendência na “Teoria da Evolução”

    Muito embora, corolário do secularismo, esteja em vigência no senso comum uma suposta contraposição entre criacionismo e evolucionismo, Darwin nunca se propôs a explicitar uma visão cientificamente embasada acerca da origem da vida, mas apenas da origem de espécies distintas a partir de uma primeira. Em verdade, Darwin concluiu A Origem das Espécies retomando o caráter transcendente da criação: “Há uma grandeza nessa noção de vida, com seus tantos poderes, tendo sido originada por um sopro de vida do Criador em algumas tantas formas ou em apenas uma”. O próprio conceito de “seleção natural”, implica um agente ativo, atuante no processo de “seleção” o qual, por procuração, deve ser exterior ao processo. Portanto, Darwin abre margem para se aferir que a diversidade das espécies pode derivar de um preterimento transcendente. 
    Logo, a lógica da chamada “religiosidade” fascista, a despeito do anacronismo, também opera em consonância com o darwinismo no sentido de que ambos pressupõe um plano transcendente, com a distinção de que, para Darwin, o restante da evolução opera aparte de qualquer intervenção sobrenatural, ao passo que, para Mussolini, o plano material é indissociável do mundano e ambos atuam sobre o indivíduo visando um fim comum. Como expresso em A Doutrina do Fascismo, “A concepção fascista da vida é religiosa, na qual o homem é visto em sua relação imanente com uma lei superior, dotado de um arbítrio objetivo que transcende o indivíduo e o eleva à comunhão consciente em uma sociedade espiritual.”
    Fontes:
    [1] “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin
    [2] “A Doutrina do Fascismo”, de Benito Mussolini e Giovanni Gentile
    [3] “Darwin, Nietzsche e as Consequências do Darwinismo”, de João Constâncio
    Eduardo Salvatti

    quarta-feira, 25 de setembro de 2019

    A Deformação Das Noções De Educação E Cultura No Pensamento Progressista

    A mudança do significado das palavras e dos conceitos é uma das técnicas mais utilizadas pelos marxistas da velha guarda e pela nova esquerda foucaultiana. Termos como educação e cultura, por exemplo, foram deformados, perdendo quase que completamente seu sentido original. Busca-se com este tipo de manipulação semântica – intencional e calculada – mudar e manejar a percepção e o aparato cognitivo dos indivíduos e das coletividades, suscitando ambiguidades, confusões e sofismas. De uma maneira difusa e tênue, a mentalidade e a linguagem marxista e desconstrucionista propagam-se. O que se pretende, através da manipulação e controle da linguagem, é difundir e impor furtivamente determinadas posturas, valores e visão de mundo.
    No pensamento progressista há uma politização total da educação e da cultura. Ambas são instrumentalizadas, sendo vistas como canais para a propagação e a irradiação de ideias e mensagens emancipadoras, e como ferramentas essenciais para o exercício da crítica social corrosiva. Educação e cultura deixam de ser formas de aprimoramento da inteligência, procura do conhecimento, busca da verdade e modos de contemplação do real; transformam-se em mera praxis a serviço da revolução libertadora, e instrumento para a remodelação da sociedade e construção do homem novo, desvinculado de preconceitos, crenças, hábitos e tradições. A finalidade primordial das atividades educacionais e culturais já não é mais a formação da personalidade e o cultivo do espírito, mas a luta contra todos os tipos de opressão e alienação social. Deste modo, associa-se o mundo do espírito e da cultura com a procura pressurosa pela libertação e conscientização das classes e grupos sociais oprimidos e marginalizados.
    Lançar-se contras todas as estruturas de dominação da sociedade burguesa, contestar todos os valores e instituições tradicionais, disseminar e estimular por todos os meios e nos variados ambientes sociais os conflitos e tensões,  demolir todas as resistências “conservadoras” e obstáculos regressivos que impedem o surgimento de uma nova cultura igualitária e emancipada, transfiguram-se nos objetivos máximos da educação e cultura de orientação progressista e neomarxista.
    A educação, na linguagem e na doutrina marxista e da esquerda desconstrucionista, é percebida como um mecanismo de revolução cultural no sentido gramsciano. Apresenta desta maneira, três fases ou processos, conforme explica o filósofo espanhol Rafael Gambra. Na primeira etapa ambiciona-se, sobretudo, a crítica do mundo mental do aluno principiante (espécie de lavagem cerebral prévia), na qual se desmitifica e se problematiza tudo que enraíza e vincula os indivíduos e coletividades ao universo dos valores, instituições e crenças. Uma vez implantado o espírito de indiferença e ceticismo nas mentes das novas gerações, passa-se a segunda etapa. Nesta, procura-se mostrar que todos os imperativos e laços morais e religiosos são no fundo discriminatórios e repressores. Sendo assim, a indiferença transforma-se rapidamente em aversão e ódio. Neste momento, os engenheiros sociais e agentes revolucionários colocam em ação a terceira e última fase do projeto da educação emancipadora. Esvaziadas as mentes de qualquer forma de crença, amor, respeito e devoção, mobilizadas emocionalmente e eriçadas em relação a tudo o que diga respeito às relações de dominação, discriminação e opressão, emerge a possibilidade de uma massificação dos espíritos que, transmutados em uma matéria plástica facilmente maleável, serão psicologicamente condicionados, galvanizados e dirigidos por meio de slogans e “palavras de ordem”. São, assim, irrefletidamente arrastados pela elite iluminada a realizar a meta final de aniquilação dos sistemas de exploração existentes na sociedade burguesa.
    Neste sentido, cabe recordar que o educador marxista Paulo Freire, autor da famosa Pedagogia do Oprimido, defendia uma nova forma de “educação crítica e radical” voltada aos “esfarrapados do mundo” e aos oprimidos, que, em linhas gerais, pretendia apresentar uma orientação verdadeiramente liberadora e que, dentre outras finalidades, ambicionava a construção de um “homem novo”. Em síntese, no sistema pedagógico de Freire, cuja influência em nossa estrutura educacional é significativa, as atividades intelectuais e culturais deixam ser concebidas como meios do ser humano observar, interpretar e compreender com cuidado e amplitude a vida, a natureza, o mundo e a sociedade, pois são tomadas, especialmente, como mecanismos de intervenção e modificação da realidade. O educador e os educandos tornam-se agentes de transformação social, forças revolucionárias em luta contra as elites sociais e políticas dominantes. Sem qualquer tipo de receio e cautela, o teórico da pedagogia da autonomia, introduziu a categoria revolução no campo da educação. A modificação social que se almeja é evidentemente a instauração de uma sociedade marxista. O fim da educação deixa de ser a formação integral do ser humano. O desígnio primordial é a “conscientização” das condições de exploração e, portanto, a alteração das estruturas sociais fundadas na dominação. Nesta empreitada o homem é apenas um meio, uma ferramenta para concretizar esta mudança.
    A “revolução das vítimas” do sistema e o estudo das forças repressoras que, dentre outras selvagerias, são responsáveis por manter as situações de injustiça e desigualdade social, são elevadas ao status de conhecimento sociológico e prática pedagógica. Neste curioso e inovador sistema de educação, figuras como Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tsé-Tung e Lênin são erigidas em modelos de formação e plenitude humana, em razão de seu engajamento e comprometimento com as “classes populares despossuídas” e a causa redentora.
    A educação e a cultura além de instrumentalizadas ideologicamente, e fortemente impregnadas pelo vocabulário marxista e foucaultiano, acabam por adquirir as características de uma espécie de arma psicopolítica. Vale sublinhar que a psicopolítica, conforme os estudos do investigador Kenneth Goff, é uma arte e uma ciência cujo propósito principal é modificar as convicções dos indivíduos por meio de técnicas sofisticadas de persuasão e sugestão mental.  É um modo de ação empregado na guerra cultural, psicológica e semântica que visa em última instância: a definição dos conceitos e a delimitação dos sentidos e significados dos termos e palavras. Intenciona-se transmitir certas ideias, criar uma determinada atmosfera cultural e modificar substancialmente atitudes, hábitos e comportamentos, não através do uso da força física e da violência, mas por meio da conquista das mentes. Busca-se controlar o que as pessoas dizem, pensam e acreditam. Controlar a linguagem e as ideias. O objetivo derradeiro é exercer um domínio sutil sobre os estratos subconscientes da psique humana.
    Na atualidade, ideias e noções “progressistas” como a ideologia de gênero, o feminismo radical, o abortismo, o ambientalismo, a descriminalização das drogas, o garantismo penal, o animalismo e o multiculturalismo ganham cada vez mais força e influência nos ambientes culturais, educacionais e midiáticos, moldando o imaginário das novas gerações e configurando modos de pensar, perceber e, sobretudo, o vocabulário de boa parte dos indivíduos das sociedades contemporâneas. Forma-se por contágio e modismo um consenso artificial, um modo mecânico e uniforme de pensamento, inteiramente baseado em slogans e clichês. Com o apoio de poderosas fundações internacionais, organizações mundialistas e grandes corporações multinacionais, a agenda ideológica desconstrucionista e diversitária do progressismo radical chic penetra no tecido social, conquistando espaços e espíritos. Trata-se, utilizando o jargão esquerdista, de infundir nas mentes incautas a “consciência da opressão”, problematizando e desconstruindo as estruturas de dominação. Pretende-se, deste modo, suscitar os conflitos e lutas sociais, politizar todas as relações e esferas sociais, bem como a substituição do antigo ideal socialista da luta de classes, pela nova bandeira redentora da liberação sexual e do combate contra o fascista e regressivo sistema patriarcal heteronormativo. As políticas de identidade e de “desconstrução contracultural” assumem o lugar das políticas de combate ao sistema econômico capitalista. O “fetiche da diversidade” suplanta o messianismo da classe proletária. Ademais, tudo se torna uma questão de construção social e de discurso. A natureza, a realidade, os valores e a verdade são demolidos. Não existe mais nada que possua um caráter sagrado, eterno, imutável e perene. Ao implantar estas ideias e pensamentos desestabilizadores na mente das pessoas, o agente psicopolítico enfraquece e desmantela as crenças e “lealdades primitivas”, fazendo com que, com entusiasmo juvenil, os indivíduos aceitem e assumam novas lealdades grupais forjadas artificialmente.
    Indubitavelmente, a mutação semântica é uma das armas mais eficazes na guerra psicológica pelo controle e o domínio da mente e da alma dos seres humanos. O pensamento de esquerda e seus agentes conseguiram sufocar na consciência das novas gerações as noções de verdade e falsidade, certo e errado, bem e mal; em seu lugar instauraram como novos critérios cognitivos e morais as noções de avançado ou retrógrado, progressista ou reacionário, tolerante ou fascista, preconceituoso ou aberto, discriminador ou inclusivo. Como consequência prática desta mudança das mentalidades e da cultura, ao invés da avaliação racional e prudente de uma ideia ou postura, se desqualifica e se demoniza o interlocutor por conta de suas crenças “fundamentalistas”, obscurantistas, conservadoras e autoritárias. As palavras, os termos, as noções e conceitos não são mais ferramentas para a captação do real e compressão das coisas, mas forças mágicas, “totens e tabus” que encantam emocionalmente ou então provocam um automático rechaço de fundo passional. Determinadas palavras e expressões são exaltadas, outras ocultadas, reprovadas e estigmatizadas. Como explica o cientista político Jean Ousset, para os progressistas as palavras não tem sentido real, não servem para expressar o pensamento, servem para a ação, para dirigir e mobilizar as pessoas. Ao desconstruir e deformar palavras e conceitos, destroem, também, determinadas possibilidades humanas e o acesso a certas realidades. Aniquila-se lentamente a capacidade da inteligência humana de estabelecer distinções, de diferenciar e hierarquizar valores, fatos e coisas.
    Estes mecanismos de intoxicação mental somente podem ser combatidos e neutralizados através de uma dura e paciente empreitada de restauração do sentido original das palavras, e através de um longo e árduo trabalho de esclarecimento conceitual. Além disso, em antítese ao pensamento progressista, é fundamental recordar que para o pensamento clássico e cristão, a verdadeira educação fundamenta-se em uma ascese, em uma disciplina interior. Em uma tentativa de dar uma forma e uma ordem ao nosso espírito, em uma luta heroica no sentido de construir uma personalidade equilibrada e madura. Educação esta que não se confunde com a mera erudição e o intelectualismo abstrato, mas que têm como metas e objetivos principais: o fortalecimento do caráter, o exercício das virtudes e o domínio sobre si mesmo.
    Cesar Alberto Ranquetat Júnior

    quarta-feira, 18 de setembro de 2019

    AYN RAND E A CARIDADE

    Ayn Rand diz que caridade só é caridade de verdade quando a doação ou ajuda observa alguns princípios morais, tanto no que se refere ao doador quanto no suposto beneficiado: racionalidade, honestidade, produtividade, independência e principalmente, justiça.
    Racionalidade, no sentido de que é preciso identificar o ser necessitado e as causas de sua necessidade a partir do uso da razão, não por capricho nem por incompreensível emoção; honestidade, no sentido de que é preciso lidarmos com a realidade do beneficiado e da nossa própria como ela é, quais os efeitos da nossa ajuda e de que maneira ela impacta na nossa própria vida; produtividade e independência, no sentido de que é preciso ajudar a quem necessita de forma que ele possa se restabelecer e deixar de ser um ser improdutivo e dependente; justiça, no sentido de que o beneficiado precisa merecer a ajuda que lhe é oferecida ou que por ele é requisitada.
    Ayn Rand critica a confusão que se faz entre caridade, benemerência, benevolência e altruísmo, ou seja, aquela doação que resulta em sacrifício e sofrimento do próprio doador que inadvertidamente abre mão de um valor maior para receber um valor menor ou valor algum. Exemplo, tirar comida do prato do próprio filho para dar a qualquer estranho que aparece no caminho.
    Ser caridoso não é um vício quando a caridade não gera sacrifícios que possam prejudicar a criação e a manutenção de valor para a existência e a felicidade do doador nem possibilitar a perpetuação de um estado de dependência ou degradação do suposto beneficiado.
    Ayn Rand também entendia e eu compartilho dessa ideia de que mais nobre do que a caridade em si é a criação de riqueza e de oportunidades que somente a atividade criativa, inovadora e empreendedora proporciona. Entenda, Bill Gates, por exemplo, que com sua atividade empresarial beneficiou a humanidade de forma extraordinária proporcionando um grau de produtividade gigantesco que melhorou a vida de bilhões de pessoas, deve ser reverenciado mais por isso do que quando ele criou a Fundação Bill & Melinda Gates. Com Steve Jobs, foi a mesma coisa. O que a Apple agregou de valor para a humanidade possibilitou que centenas de milhões ou bilhões de pessoas tivessem incremento na qualidade das sua vidas. Interessante que Bill Gates só passou a ser considerado um santo quando passou a doar a sua fortuna que poderia ser reinvestida no seu negócio para criar ainda mais benefícios para a humanidade, o que só não acontece porque o governo o trata como um criminoso. Steve Jobs tem tido o seu passado vasculhado para que seja possível descobrir se ele doava anonimamente ou não. Há os que pensam que ele só terá lugar no Hall dos Salvadores da Humanidade se surgirem evidências de que ele, em algum momento da sua vida, se sacrificou.
    Altruísmo é um termo criado por Auguste Comte, criador do Positivismo, doutrina que pregava que o ser humano nobre era aquele que se sacrificava pelos outros. Nós, seres humanos, somos, como indivíduos, um fim em si mesmo no sentido de que nossa vida nos pertence, que somos racionais e por isso, por esse fato da natureza, devemos ser deixados livres para agir, criando e dispondo dos valores que entendemos serem necessários para atingir os propósitos da nossa própria vida. Caridade pela caridade pode resultar em um valor espiritual ao percebemos que a vida em geral e a felicidade dos outros podem contribuir com o nosso próprio bem estar, mas isso não pode ser colocado acima da nossa própria existência e nem pode subordinar a nossa felicidade às necessidades alheias.
    O benefício que todos queremos deve ser proporcionado através da criação de valor e da troca voluntária desses valores para mútuo benefício. Sim, é verdade que ás vezes o sorriso de uma criança pobre ao receber uma doação é enternecedor, cria um estado temporário de satisfação, mas para se dar algo é preciso que este algo seja criado, para se propiciar o bem para os outros o preço disso não pode ser o nosso próprio mal estar. Abnegação não é uma virtude e nunca foi capaz de criar valor e riqueza material, intelectual e espiritual como aquela criada através do auto interesse racional no qual cada um estabelece o seus propósitos, busca florescer como indivíduo e relacionar-se socialmente engajando-se em relações ganha-ganha, ou seja, relações cujo benefício é mútuo, de curto, médio e principalmente de longo prazo. Nesse caso, a felicidade e não o sacrifício será o motor para a prosperidade geral de forma que aqueles que viriam a precisar da caridade sejam realmente os vulneráveis por sua condição psico-motora e não por uma debilitante visão moral que prega que o sacrifício é virtuoso e o desejo de buscar a própria felicidade criando valor para os demais em trocas interessadas é imoral.
    Sobre o governo distribuir riqueza coercitivamente, bem, nem é necessário comentar porque como liberal, usar a força contra inocentes é um crime e uma imoralidade, principalmente vindo de uma instituição que deveria evitar que isso pudesse acontecer ou reagir contra aqueles que praticam tal violência. A propósito, eu doo dinheiro e tempo para ajudar aqueles que precisam da minha ajuda, sem sacrifícios.

    BRIZOLA, UM COMUNISTA INTERNACIONAL.

    Leonel Brizola incomodava tanto os generais do regime militar brasileiro que foi expulso até do Uruguai, onde estava exilado após o golpe de 1964. Ele foi um dos mais notórios políticos da história do Brasil. Nascido e radicado no Rio Grande do Sul, foi governador do estado por uma vez e do Rio de Janeiro por duas. 
    De esquerda e ferrenho defensor do trabalhismo, tornou-se um dos maiores opositores do regime militar de 1964, inclusive antes mesmo dele existir. Quando o então presidente Jânio Quadros renunciou e o país passou por uma intensa crise política, Brizola liderou a Campanha da Legalidade, em 1961, que visava garantir que o vice, seu cunhado João Goulart, assumisse a presidência, frustrando os planos de muitos oficiais do exército.
    Os esforços para evitar o golpe apenas o adiaram e, quando aconteceu, Brizola foi imediatamente considerado um dos maiores inimigos do novo regime. Assim, exilou-se no Uruguai logo em maio de 1964, de onde tentou comandar uma resistência armada em vez de se unir a outros dissidentes como Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e o próprio Jango na Frente Ampla, mas não obteve sucesso.
    Manteve-se no Uruguai sob vigia da inteligência do governo militar brasileiro, que pressionava os vizinhos para que o deportassem. Ao final da década de 1970, quando os uruguaios passaram por um golpe de Estado que também inaugurou uma ditadura militar no país, Brizola recebeu uma carta dizendo que tinha cinco dias para sair. Na época, os órgãos repressores dos países latino-americanos colaboravam entre si para a perseguição de seus opositores na chamada Operação Condor.
    Sem saída e assustado depois das mortes quase seguidas de Lacerda, JK e Jango, Brizola resolveu, em suas próprias palavras, testar a política de apoio aos direitos humanos do presidente Jimmy Carter, pedindo asilo político à embaixada dos EUA. Para sua surpresa, os norte-americanos atenderam seu pedido.
    Havia um obstáculo, porém. Na época, não se tinha vôos do Uruguai para o país. Brizola teria que ir para o Brasil ou para a Argentina para pegar o avião ou, ao menos, fazer escala. Ele sabia que se colocasse os pés em qualquer um dos dois países, seria preso. Com ajuda da CIA, foi para Buenos Aires, onde passou uma noite num apartamento não marcado de posse da própria organização. De lá, rumou para Nova Iorque em vôo sem escalas.
    Brizola passou, ainda, por Portugal antes de poder retornar ao Brasil em 1979, com a Lei de Anistia. TENTOU ROUBAR A LEGENDA DO PTB, mas criou o Partido Democrático Trabalhista, existente até hoje, e concorreu nas eleições presidenciais de 1989, terminando em terceiro lugar. Foi candidato a vice de Luís Inácio Lula da Silva em 1998, mas também saiu derrotado. Morreu em 2004 no Rio de Janeiro, vítima de infarto.

    Investidor paga para emprestar ao governo

    Hoje, um título público alemão, com vencimento daqui a 10 anos, está pagando juros de -0,51% ao ano. Isso mesmo, juro negativo.
    Já um título público suíço, também de 10 anos, está ainda mais negativo: paga -0,75% ao ano.
    Ou seja, hoje, um investidor tem de *pagar para emprestar* dinheiro por dez anos para estes governos.
    A título de ilustração, quem emprestar hoje 1.000 francos suíços para o governo da Suíça receberá de volta, daqui a 10 anos, 927 francos suíços.
    Quem emprestar 1.000 euros para o governo da Alemanha receberá de volta, daqui a 10 anos, 950 euros.
    E isso não vale só para estes dois governos. Um investidor também tem de *pagar* para emprestar dinheiro por dez anos para os governos da Dinamarca, da Holanda, da Áustria, da Finlândia, da França e da Bélgica.
    Quem emprestar para o governo da Suécia não pagará nada, mas também não receberá nada a mais após 10 anos.
    Já quem emprestar para os governos de Espanha e Portugal receberá juros de 0,41% e 0,48% ao ano, respectivamente. Ou seja, se você emprestar 1.000 euros para o governo espanhol, receberá daqui a 10 anos a impressionante soma de 1.041,76 euros. E isso desconsiderando o imposto de renda.
    Para prazos menores que 10 anos, o número de países com juros negativos em seus títulos públicos passa a incluir Suécia, Irlanda, Espanha (!), Portugal (!!) e Itália (!!!). Portugal e Espanha pagam juros negativos até os títulos de 5 anos de prazo. A Itália, até os de 1 ano.
    Já o governo da Alemanha, por outro lado, paga juros negativos até os títulos de 15 anos de prazo.
    Mas ninguém supera o governo da Dinamarca, que está prestes a bater um recorde bizarro: falta 0,01 ponto percentual para ele se tornar o primeiro governo do mundo a usufruir juros negativos em todos os seus títulos públicos.
    Sobre isso, eis uma estatística espantosa: o volume de dinheiro aplicado em títulos públicos com juros negativos atingiu um recorde histórico: há simplesmente 17 trilhões de dólares aplicados nestes títulos, segundo o jornal “Financial Times”.
    Tal idéia seria completamente inconcebível no mundo anterior à crise financeira de 2008. Mas aquele era outro mundo. Hoje, como consequência de todos os programas de “afrouxamento quantitativo” realizado pelo Banco Central Europeu, a prática de pagar para emprestar dinheiro ao governo já se tornou norma na Europa.
    O que leva à pergunta é inevitável: por que, afinal, alguém aceitaria *pagar* para que o governo pegasse seu dinheiro emprestado? Tal prática não vai contra toda a lógica financeira e, até mesmo, da preferência temporal?
    A realidade espantosa, no entanto, é que tal prática faz total sentido no mundo atual.

    terça-feira, 17 de setembro de 2019

    A Superclasse que domina o Mundo explicada em Dez Pontos


    Michel Geoffroy, colaborador regular de Polémia, publicou recentemente La Super-classe contre les peuples. Esta obra, com prefácio de Jean-Yves Le Gallou, trata de desmascarar aqueles que detêm o poder no mundo moderno. Ao desvendar de forma magistral a superclasse mundial, Michel Geoffroy estabelece as bases para cometimento fundamental: a reconquista de nossa liberdade. No texto a seguir, Michel Geoffroy, decisivo apoiador de Polémia, anatomiza em dez partes a superclasse mundial, que é capaz de tudo para a dominação do mundo.
     – 
    Polémia.

    1

    A superclasse mundial (SM) não é um simulacro: ela existe realmente e tomou o poder no Ocidente, principalmente na Europa Ocidental.
    Ela é proprietária da mídia, ela financia o microcosmo cultural, as ongues e os grupos de pressão e ela impõe uma política que vai de encontro à vontade do eleitorado em toda parte. Na França, ela conseguiu eleger o seu candidato na eleição presidencial de 2017: Emmanuel Macron.

    2

    A SM corresponde à dominação sem limites da economia e das finanças, prevalecente contra a sociedade e a soberania política desde o fim do século XX. A SM reúne os super-ricos desejosos de acumular ainda mais riqueza, graças à desregulamentação econômica e financeira, graças também às mudanças das leis fiscais, conforme o interesse deles, e graças, enfim, ao “socialismo dos ricos”, consistente em sobrecarregar a sociedade com os custos do livre-cambismo, enquanto a oligarquia reserva os benefícios dele exclusivamente para si.
    A SM encarna o vale-tudo sob a lei do dinheiro, daí a redução dos homens à condição de simples recurso ao dispor dos mais ricos.
    Por tal razão a SM não poderia tomar um contravapor sem que fossem regulamentadas a economia e as finanças mundiais.

    3

    A SM representa também o reavivamento de antiga escatologia: a pretensão herética da construção do paraíso na Terra e da unificação da espécie humana, sem esperar a vinda ou o retorno do Messias, pretensão que foi retomada pelo messianismo protestante e sua crença no “destino manifesto” dos anglo-saxões. Essa escatologia é a base do projeto cosmopolítico ou mundialista da SM, que se quer eleita para cumprir tal desideratum. Tal projeto consiste numa cabala contra a liberdade, a soberania e a humanidade do homem. Assim é porque, na verdade, o governo mundial não abriria nenhuma via para a “democracia planetária” mas, ao contrário, seguiria no rumo para a ditadura mundial da oligarquia. Quando acusa os outros de conspiracionismo, o que a SM faz é, na verdade, uma inversão acusatória.

    4

    A SM é uma classe social: trata-se de uma oligarquia transnacional com grupos mais identificados com outros grupos dela mesma do que com suas populações de origem. Essa classe acredita-se suficientemente esclarecida para promover o bem dos povos, apesar deles mesmos. Ela corresponde ao partido de Davos: aquele que se reúne todos os anos no Fórum Econômico Mundial de Davos. Seus membros compartem uma mesma visão liberal,  libertária e cosmopolítica, a qual impõem aos governos.

    5

    A SM tomou o poder no Ocidente devido à conjunção de três mudanças históricas da maior importância no século XX, quais sejam a emergência da superpotência anglo-saxã, o fim do socialismo e do comunismo e, por fim, a globalização econômica. Com o fim do socialismo e do comunismo, os super-ricos sentiram-se muito aliviados, pois não mais temeriam a ameaça de uma revolução no Ocidente contra os seus privilégios e interesses:  por meio da imigração, das deslocalizações e, logo mais, da inteligência artificial, eles pensam dispor dos meios para substituir os povos, livrando-se da dependência deles. E a globalização fez das grandes empresas transnacionais organizações com mais poder do que muitos Estados, estes cada vez mais depauperados. Os milionários anglo-saxões sempre sonharam em governar o mundo. No fim do século XX, eles julgaram  possível transformar o sonho em realidade.

    6

    A SM opera mediante a sinergia de quatro círculos ou engrenagens: o círculo da riqueza financeira e econômica transnacional, o círculo da mídia e da cultura, o círculo das organizações não governamentais e da sociedade civil, além, por último, do círculo das elites públicas. A engrenagem da riqueza financeira e econômica transnacional é aquela com mais concentração de poder e opacidade: ela dirige, influencia e venaliza todas as outras. Essa primeira engrenagem abarca alguns milhares de indivíduos, enquanto as outras engrenagens ocupam muito mais gente, até porque reúnem os inocentes úteis.
    Eis por que a superclasse assenta-se sobre poder impessoal, desencarnado, colegial e daí elusivo (por oposição ao tradicional caráter encarnado do poder na Europa).

    7

    A SM é uma oligarquia, não é uma elite: ela prefere sempre se valer da influência de outros a se engajar ela mesma de forma pessoal e direta. Por isso sua atividade e seu projeto podem ser assimilados a uma conspiração, pois ela não aceita submetê-los ao veredicto democrático: ao contrário, ela busca impô-los, sub-repticiamente, como coisa inevitável. Em vista disso, ela se tornou reitora do poder midiático no Ocidente, o qual serve para manter a população distraída, para difundir a ideologia liberal, libertária e cosmopolita e para demonizar todos que resistem ao projeto da SM.

    8

    A SM executa o seu projeto e a sua agenda conforme a dialética do caos e do controle. Ela semeia o caos de tudo quanto é lado, a fim de destruir a resistência psicológica e a homogeneidade dos povos: essa, a função principal que atribuiu à farra migratória na Europa. Nesse mesmo sentido opera o caos econômico decorrente da desregulamentação sistemática, a qual lança os povos na insegurança econômica e social crescente. Paralelamente, lança mão do caos moral para desestruturar as personalidades. Finalmente, a SM não tem preconceito contra a guerra como meio de geração do caos.
    Instalado o caos, ele serve de pretexto para a imposição do controle: a SM substitui a soberania nacional pelo controle da população, o que corresponde à instauração da pós-democracia no Ocidente. A pós-democracia exemplifica o caráter totalitário do governo mundial que a SM busca estabelecer em seu benefício: um sistema no qual os povos veem-se privados do poder para mudar de política, um sistema no qual os juízes colocam-se acima dos legisladores e do qual a União Europeia é o laboratório.

    9

    A ideologia liberal-libertária e cosmopolítica foi o principal vetor da instauração do caos para proveito da SM no Ocidente. Assim foi porque ela contribuiu para destruir toda a regulamentação que embaraçava a instituição do reino do dinheiro. E também porque ela concorreu para difundir um individualismo radical, que destrói toda ordem social e que abre caminho para a mercantilização do mundo e, enfim, do próprio homem.
    Entretanto, a prática da SM leva a marca permanente da duplicidade: no seu comportamento interno, ela faz tudo ao contrário da doxa liberal-libertária que  preconiza para o resto da população: ela é hierárquica, patriarcal e aspira ao monopólio, ao poder opaco e ao controle, não à liberdade, à transparência e à concorrência.

    10

    A SM conseguiu fazer da Europa a sua serva e enriqueceu extraordinariamente. Não obstante, ela não conseguirá dominar o mundo no século XXI. A SM não é, pois, onipotente: de fato, o mundo está escapando dos mundialistas, particularmente porque o núcleo duro da SM, ou seja, os países anglo-saxões, está em declínio, e porque o mundo está se tornando multipolar. A ideologia da SM encontra resistência em todo lugar e mesmo na Europa depara-se-lhe oposição cada vez mais forte. A oligarquia sabe disso e  não descarta a guerra mundial para manter o seu poder, custe o que custar. Também por isso os europeus devem se libertar da tutela da SM, que só pode levá-los à sua própria destruição. Então estarão livres para transformar a Europa num polo de poder autônomo.
    Publicado originalmente em 30/3/2019.
    Tradução: Chauke Stephan Filho.