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sábado, 12 de março de 2022

A morte dos filósofos do Iluminismo

 O antigo ministro do Reich, Alfred Rosenberg, foi morto cruelmente pelo tribunal dos vencedores em Nuremberg, juntamente com outros 10 alemães. O carrasco judeu “Woods” ajustou o laço da forca de forma calculada com um comprimento mais curto, para que a morte acontecesse apenas dentro de 40 a 45 minutos. Após a queda através do alçapão abaixo da forca, os delinquentes foram libertos da corda e colocados um ao lado do outro no chão do recinto reservado ao carrasco.

Naquela época foi Alfred Rosenberg. Hoje é Horst Mahler

Alfred Rosenberg e Julius Streicher foram mortos desta forma em 16 de outubro de 1946, apenas devido ao seu trabalho literário durante o Terceiro Reich. Eles morreram por que fizeram uso de seu direito à liberdade de expressão, que ainda era possível durante o Terceiro Reich. “O veredicto contra Rosenberg se baseou na conspiração em torno de sua função como ‘reconhecido filósofo do partido’.” [1]

Alfred Rosenberg foi um humanista, como comprovam sem dúvida alguma suas obras e suas ações. Diante do tribunal dos vencedores em Nuremberg, os alemães não podiam se defender com provas. O promotor judeu Robert Kempner até conseguiu enviar os diários de Rosenberg para os EUA, e com isso evitar qualquer confrontação com informações favoráveis à sua defesa. [2]

Hoje podemos considerar Horst Mahler como um dos mais reconhecidos humanistas do mundo. Mahler é um idealista nato e por isso, assim como Alfred Rosenberg, um grande filósofo do Iluminismo. Alfred Rosenberg morreu através da crueldade dos vencedores em Nuremberg. Horst Mahler foi deixado apodrecendo na prisão da RFA (República Sionista de Berlim), até que teve uma perna amputada, não restando agora qualquer chance de sobrevivência. Ele está morrendo. Após o jornal suíço Weltwoche ter noticiado esta crueldade como único jornal do sistema, este parece querer agora deixar Mahler morrer em sua casa. Mas apenas – se for o caso – quando o homem foi irremediavelmente executado nas masmorras.

A 12 de julho de 2015, o irmão de Mahler, Peter, declarou publicamente:

“Eu visitei hoje meu irmão na Klinikum de Brandenburg. Ele é mantido na UTI e o quarto é vigiado dia e noite por um policial, o que para ele é uma grande carga emocional. Meu irmão deve ser operado na próxima segunda-feira. Segundo informação do médico, seu estado de saúde é crítico. Os médicos da Klinikum lutam pela sua vida. Eles fazem o que podem, todavia os médicos da penitenciária ‘não veem no momento qualquer motivo para sua saída da prisão’ – citação da circular expedida pela penitenciária em 7/7/2015.”

Possivelmente o mais antigo prisioneiro da Alemanha, ele sofre, segundo os médicos, de uma grave diabete, fibrilação ventricular e uma crônica insuficiência renal (grau 3). Além disso ele tem uma perna gangrenada, o que é característico para diabéticos, limitada movimentação e precário tratamento médico.

A esposa de Mahler, Elzbieta, seu irmão Peter e seus filhos Wiebke e Axel, fizeram no início de julho um dramático apelo público : “Meu marido de 70 anos se encontra em um estado crítico de saúde”, escreveu Elzbieta aos antigos amigos de Mahler como Otto Schiller (ex-ministro do interior 1998-2005, SPD) e ao “caro Hans-Christian Ströbele” (desde 1998 deputado federal pelo partido verde). Para o ex-chanceler Gerhard Schröder, no passado amigo íntimo de Mahler, Elzbieta nem quis escrever. “Por surdos se fazem também as mídias alemãs, como se Mahler nunca tivesse existido. O idoso de 70 anos apodrece literalmente na prisão”, foi como a corajosa revista suíça Die Weltwoche acusou a RFA.

Qual foi o crime de Mahler para que ele venha a morrer dessa forma? Mahler esclareceu a enorme influência do lobby mundial judaico, sobre o programa mundial dos judeus poderosos para consolidação e ampliação de sua atuação sobre o globo, assim como da mentira contra o povo alemão.

O trabalho de esclarecimento do então famoso advogado Mahler não se resumiu apenas no excelente trabalho jurídico, mas se ampliou para um magnífico pensamento filosófico. E justamente isso fez de Mahler um “perigo” para o sistema, assim como no passado a força espiritual de Rosenberg tornou-se um perigo para o sistema mundial.

Um camarada de Mahler dentro do espírito filosófico, o artista, autor e pensador israelita exilado em Londres, Gilad Atzmon encontrou as seguintes palavras para acusar o regime totalitário da RFA diante do destino de Mahler:

“A 18 de novembro de 2014, eu tinha uma visita agendada para visitar Horst Mahler na prisão, e discutir os temas históricos e filosóficos citados acima. A visita foi aprovada inicialmente pelas autoridades alemãs. Mas poucos dias antes do planejado encontro, eu fui avisado que a direção da prisão mudou de ideia. Chegaram à conclusão que minha visita ‘ameaça o objetivo principal do encarceramento de Horst Mahler’. Pelo menos isso foi dito ao sr. Mahler pela direção do presídio como justificativa.

Eu presumo que o ‘objetivo principal’ em manter Mahler como um prisioneiro de pensamento atrás das grades, consiste em manter o estado de opressão e esconder a vergonha. Mas em que consiste esta vergonha, que faz com que o governo alemão se silencie por quase sete décadas? Eu tenho uma resposta simples. Os alemães temem a grandeza ou devemos citar as grandezas alemãs: as grandes sinfonias, a excelente filosofia. Parece que isso cabe aos alemães, uma simples e normal inerência; o ‘ser eleito’ eles deixam aos judeus…

Mas aqui reside a raiz do problema, cujo significado vai além das fronteiras da nação alemã – há mais de sete amorfas décadas falta a participação alemã para a cultura mundial. Nenhuma única grande sinfonia ou apenas a sombra de um relevante texto filosófico apareceu neste período. Eu imploro ao governo alemão, em nome do espírito humano, da beleza, humanidade e ademais: soltem as amarras, avancem. A humanidade precisa de um homem como Horst Mahler, ela não pode abrir mão do ‘espírito alemão’. Sociedades saudáveis e vivazes tendem a considerar com receio e agradecimento os revolucionários, controversos anarquistas e aqueles que procuram a verdade. A Alemanha decidiu, porém, colocar sob quarentena este ‘perigo’, mantendo Horst Mahler atrás das grandes”.

O produtor cinematográfico Gerard Menuhin (filho do famoso violinista judeu Yehudi Menuhin) escreveu à direção da prisão a 20 de fevereiro de 2015:

“É sempre constrangedor, ter que explicar coisas claras a pessoas supostamente bastante esclarecidas. O advogado Horst Mahler não é um ladrão de carteiras ou um criminoso, onde o cumprimento da pena resultaria numa reforma de sua pessoa. Não se trata para Mahler de um ato cometido, mas de uma dinâmica intelectual. A maioria esmagadora dos cidadãos comuns da Europa, mesmo se não compartilham da mesma opinião de Mahler, não são favoráveis a prender uma pessoa devido à expressão de seus pensamentos. Como pessoa civilizada, você certamente não acredita, prezada diretora, que um ‘crime de opinião’ seja um delito.”

A genialidade de Horst Mahler consiste em levar ad absurdum as mentiras do holocausto tanto por meio de incontestáveis provas jurídicas, assim como esclarecendo através de uma concepção filosófica o programa de estelionato global do lobby judaico.

“Nos anos 1990, Horst Mahler atuou novamente como advogado. Em uma entrevista para o jornal ‘Jungen Freiheit’, ele passou a régua radicalmente no comportamento ‘antidemocrático’ da geração 68, a qual teria ‘esbravejado com pessoas com outra opinião’. Ele lutou insistentemente para o livre debate de ideias: ‘Nenhuma posição deve ser discriminada antecipadamente; devemos estar mútua e democraticamente consolidados para encontrar a confiança para um debate’. […] Mahler tentou explicar que seu ataque verbal contra a judiaria não era contra o judeu como pessoa ou raça, mas sim contra uma religião. […] Ele recomendava aos judeus uma superação espontânea e pacífica de sua religião, que para ele continua sendo uma obra do diabo.” [3]

Podemos pensar no gênio mundial Richard Wagner, quando Mahler escreve:

“A ideia atual que começa a permear entre os povos, que os judeus como associação cultural são a incorporação do mau e a ruína dos povos na irmandade com Mammon, irá retirar do judaísmo o poder opressor que ele possui hoje. Esta linha sagrada de desenvolvimento histórico – sobre isso não se deve ter nenhuma ilusão – irá ser escrita na história mundial somente através de uma árdua luta, que também pode acontecer se forma sangrenta. Finalmente, os judeus irão morrer de dor no coração. Sua morte como judeu, todavia, será sua ressurreição como ser humano.”

Hermann Levi, o então dirigente judeu da corte, foi a escolha natural de Wagner para dirigir Parsifal. Sobre este episódio, a esposa de Wagner, Cosina, anotou em seu diário o seguinte diálogo de seu marido com Levi: “Muito agitado, ele disse em uma conversa com Levi, que como um judeu ele deveria aprender apenas como morrer, mas que Levi entendeu bem.” O também historiador judeu Paul Lawrence Rose esclareceu as palavras de Wagner: “Quando Wagner disse a Levi que ‘como um judeu ele deveria aprender apenas como morrer’, então ele fez isso como metáfora. Você deve destruir o judeu dentro de si. […] Se ele queria que Levi morresse de fato? Claro que não. Eu não acredito que Wagner quisesse matar alguém.” [4]

Da mesma forma como Wagner não queria matar os judeus, tão pouco Mahler que matar os judeus, da mesma forma Alfred Rosenberg não queria matar os judeus. Rosenberg queria, como Hitler, que os judeus se libertassem de suas “leis” e se estabelecessem como família humana em seu próprio território. Ainda na prisão Rosenberg escreveu:

“O Nacional-Socialismo foi uma resposta europeia à questão de um século. Foi a mais nobre ideia, para a qual um alemão podia aplicar sua energia.”

E Horst Mahler escreveu em 2005:

“O povo alemão irá se libertar deste domínio estrangeiro e criará na Europa as pré-condições para uma reconciliação entre as nações e os povos europeus e estes irão se orientar no Reich, pois eles também deverão se defender do domínio global da Plutocracia, caso queriam sobreviver, e juntos irão vencer este inimigo.”

E todos os verdadeiros humanistas, livres pensadores e filósofos, artistas e autores de fato exigem a superação da “lei judaica”, a “superação da religião de Jeová”, assim como Mahler transmitiu brilhantemente, através da redenção dos judeus de sua religião, eles vivenciarão “sua ressuscitação como seres humanos”.

“Há quase vinte anos, Elzbieta Mahler se preocupa com o bem estar de seu marido, que sem ela estaria perdido. E o que ela pensa sobre suas teorias? Bem, ela diz, como polonesa ela tem uma sensação estranha na barriga, quando ela defende Horst Mahler. […] Porém, os ideólogos vêm e vão, Elzbieta também aprendeu isso em sua pátria. Mas colocar uma pessoa na prisão, apenas por que ela defende uma opinião que não é permitida, que por mais torpe que seja, isso provoca ainda mais resistência.” [5]

O grande pensador e filósofo Horst Mahler definiu seu ideal em 2005, da seguinte forma:

“Uma história mais pura como levante em prol da verdade, eu não posso imaginar. E as armas que nós empregamos: é a verdade. Isso tem um significado completamente diferente do que em uma guerra material, que através de cada argumento que nós ‘disparamos’, nosso arsenal não se reduz. Se eu disparo um tiro de pistola, meu pente ficou com uma bala a menos, e em algum momento vai estar vazio. E então acabou a munição.”

Horst Mahler está morrendo, após ser levado a isso nas masmorras, com a certeza que ele mantém a razão, que lutou por uma boa causa e despertou novamente o espírito alemão, como foi até mesmo confirmado por um juiz republicano. “A associação de juízes alemães vê a justiça alemã reprimida pela política.” [6] E o então juiz do tribunal de Stuttgart, Frank Fahsel, declarou como são promulgadas as sentenças na RFA: “Eu conheci inúmeros juízes e promotores que podem ser denominados ‘criminosos’. Eu vivenciei da mesma forma inúmeros e inacreditáveis desrespeito e descumprimento das leis e do Direito, organizados pelo sistema, contra os quais nada é/foi feito, pois atendem aos interesses do sistema. Quando eu penso na minha profissão (agora estou aposentado), então me vem à tona um profundo nojo de meus ‘semelhantes’.” [7]

National Journal, 23/7/2015.

[1] http://de.wikipedia.org/wiki/Alfred_Rosenberg

[2] “Rosenberg fazia parte dos principais acusados no processo dos criminosos de guerra em Nuremberg. No processo fazia parte uma coleção de anotações sobre os materiais da acusação. Quando estes deveriam ser encaminhados à defesa para apreciação, o defensor de Rosenberg, Alfred Thoma anotou: ‘Não encaminhado por Kempner’ […] Robert M. W. Kempner, que fugiu da Alemanha por ser judeu, participou do lado norte-americano na promotoria. Kempner, diz-se, foi quem levou ilegalmente os documento para os EUA.” (Welt.de, 14.06.2013)

[3] DIE WELTWOCHE; Nummer 28 – 9. Juli 2015

[4] “Richard Wagner und die Juden” (WDR-TV-Dokumentation, 19.05.2013)

[5] DIE WELTWOCHE; Nummer 28 – 9. Juli 2015

[6] Hamburger Morgenpost, Mittwoch 30.01.2002

[7] Carta do leitor do ex-juiz Frank Fahsel no Süddeutsche Zeitung de 9/4/2008

quinta-feira, 10 de março de 2022

O perigoso avanço dos tentáculos do Leviatã nas crises

 Leviatã é o nome que se atribui a um “monstro marinho” citado na Bíblia, de medidas e proporções gigantescas, que simboliza o caos. Já no livro O Leviatãde Thomas Hobbes, o autor descreve um Estado que detém todo o poder da sociedade. Na obra, todos se tornam súditos do Estado e ele o soberano, representante da vontade do povo, detentor da autoridade delegada pelos próprios indivíduos, sendo um enorme contraponto ao liberalismo.

É comum que ocorra uma centralização de poder em crises ou guerras, junto com maior intervenção estatal, para facilitar a rapidez de tomadas de decisão. A população, em geral, costuma aceitar esse aumento de intervenção sem maiores protestos, afinal, está preocupada com sua saúde, família, entre outras coisas, de valor individual, mais importantes nesses momentos. O governo tende a gastar mais nesses períodos também, passando a ter menor preocupação com austeridade fiscal, pois o pensamento de curto prazo sempre prevalece em qualquer emergência. Vale aqui o instinto de sobrevivência do ser humano.

Entretanto, deve-se tomar muito cuidado com esse aumento do poder do Estado nesses períodos e sua capacidade de intervencionismo. Na mais recente crise do coronavírus, temos observado, no mundo inteiro, tentativas de medidas intervencionistas que desrespeitam contratos, criando assim uma enorme insegurança jurídica no país, além de consequências econômicas futuras possivelmente catastróficas.

Já presenciamos diversos confiscos de materiais e equipamentos médicos por parte de governos estaduais e prefeituras, como, por exemplo, o governo de São Paulo, que já confiscou mais de 500 mil máscaras de uma só empresa. Há uma guerra para ver quem consegue confiscar primeiro, inclusive com o governo Federal em alguns casos. O resultado mais provável disso será um desincentivo à produção desses produtos por essas fábricas, pois elas não sabem quando receberão pelo que lhes foi retirado e nem a qual preço. Além disso, quem já havia comprado o produto agora ficará sem, já que seu destino mudou.

Outra medida muito comum, principalmente em países sul americanos, é a de congelamento de preços. Com o aumento da demanda por certos produtos na crise, naturalmente há um aumento de preços. Para impedir isso, governos anunciaram a proibição desse aumento. Entretanto, tal acréscimo é saudável, para que haja maior oferta de produtos, além de um incentivo à produção deles, pois haveria maior lucratividade nesse setor. Esse congelamento impede que haja o incentivo de fábricas a produzirem esses produtos, algo que, com a demanda alta, em questão de semanas acaba nas prateleiras, não havendo reposição futura, pois sua produção não compensa mais. Já vimos, inúmeras vezes, que o tabelamento de preços não funciona, gerando escassez de produtos, sendo que temos como exemplos o Plano Cruzado, durante o governo de José Sarney, ou, atualmente, na Venezuela e na Argentina.

Tributação sobre grandes fortunas é outra ideia comum em tal período. Ao taxar as grandes fortunas, cobrando mais impostos do que esses indivíduos já pagam, o que acontece é uma provável saída dos mais ricos daquela nação, junto com a retirada de seu dinheiro. Isso já aconteceu em diversos lugares, como na França, que, em 2012, com a intenção de taxar grandes fortunas e diminuir a desigualdade social, chegou a alíquotas tributárias de 75% O que aconteceu lá foi que milhares de franceses ricos saíram em busca de uma nova cidadania. O país perdeu renda, empregos e deixou de arrecadar impostos. O mesmo raciocínio vale para a tentativa de empréstimo compulsório. Ao tirar dinheiro das empresas e de sua lucratividade quando mais elas precisam, menos empresas e menos investimento teremos em nosso país.

Devemos tomar muito cuidado com o aumento do tamanho do Estado nesse período de crise, sendo que o quanto antes sairmos dela, mais rápido deveremos unir esforços para voltar à redução do mesmo e diminuir seus poderes. No Brasil, esse enorme poder que permitem ao Estado é sempre danoso aos indivíduos.

*Caio Ferolla

segunda-feira, 7 de março de 2022

O reconhecimento de um líder nacional

 


A carta de Houston Stewart Chamberlain para Hitler, em 7 de outubro de 1923

Muito respeitado e querido Sr. Hitler,

Você tem todo o direito de se surpreender com esta intrusão, tendo visto com seus próprios olhos como é difícil para mim poder falar. Mas eu não posso resistir ao desejo de lhe dirigir algumas palavras. Eu vejo isso, no entanto, como um ato totalmente unilateral, ou seja: eu não espero uma resposta de você.

Eu estive pensando por que foi que, dentre todos, e justo você que é tão extraordinário em fazer despertar da letargia as pessoas e tirá-las de suas rotinas monótonas, que recentemente me deu o sono mais longo e mais revigorante que eu tenho experimentado desde aquele dia fatídico, em agosto de 1914, quando eu era pela primeira vez atingido por esta doença insidiosa. Agora eu acredito compreender justamente que é isto que o caracteriza e define o seu ser: aquele que verdadeiramente faz os outros despertarem é ao mesmo tempo o concessor da paz.

Você não é, de forma alguma, como o tem sido descrito para mim: um fanático. Na verdade, eu diria que é o completo oposto de um fanático. O fanático inflama a mente, você aquece o coração. O fanático quer sobrecarregar as pessoas com palavras, você quer convencer, apenas convencê-los (e é por isso que tem sido bem sucedido). Na verdade, eu também o descreveria como o oposto de um “político”, no sentido vulgar da palavra, pois a essência de toda a “política” é a adesão de um partido, enquanto que com você todas os partidos desaparecem, consumidos pelo calor de seu amor à pátria. Era – penso eu – a infelicidade do nosso grande Bismarck que ele tenha se tornado, como quis o destino (jamais em razão de uma predisposição inata), em parte demasiadamente envolvido na politicagem. Que você possa ser poupado desse destino.

Você tem imensas realizações à sua frente, mas por toda a sua força de vontade eu não o considero um homem violento. Você sabe a distinção de Goethe entre força e vigor. Existe a força que se origina e por sua vez leva ao caos, e não é esta a força criativa do universo… É apenas neste sentido criativo que eu quero dizer quando o incluo dentre os homens construtivos, e não aqueles que são violentos.

Eu sempre me pergunto se a pobreza de instinto político pela qual os alemães são tão frequentemente acusados não pode ser sintomática de um talento muito mais profundo para a construção do Estado. Em todo caso, as competências organizacionais do alemão são insuperáveis e sua capacidade científica é inigualável. No ensaio “Ideais Políticos”, concentrei minhas esperanças sobre isso. O tipo ideal de política é não ter nenhuma. Mas esta “não-política” deve ser francamente reconhecida e imposta ao mundo por meio do exercício do poder. Nada será alcançado enquanto o sistema parlamentarista dominar, pois para isto os alemães, Deus sabe, não têm uma centelha de talento! Eu considero a prevalência desse sistema a maior desgraça, e que só pode nos arrastar continuamente na lama e arruinar todos os planos para uma pátria saudável e revitalizada.

Mas estou divagando, pois eu queria me ater a você. O quanto você me trouxe a paz está relacionado muito com seu olhar e gesticulação. Seus olhos atuam quase como uma mão: eles prendem e detêm uma pessoa, e você tem a qualidade singular de ser capaz de concentrar suas palavras em um ouvinte específico, em um dado momento. Quanto às suas mãos, elas são tão expressivas em seu movimento, que rivalizam com os seus olhos. Tal homem traz descanso a um pobre espírito sofredor! Especialmente quando ele se dedica a servir à pátria.

Minha fé no Germanismo nunca vacilou por um momento, mas minhas esperanças tinham – confesso – chegado a um nível muito baixo. Em apenas um golpe você pôde transformar o meu estado de espírito. Que a Alemanha, em sua hora de maior necessidade, tenha dado à luz um Hitler, é uma prova de vitalidade; e a sua capacidade de agir oferece mais provas de que a personalidade de um homem e suas ações caminham juntas. O magnífico Ludendorff abertamente apóia e abraça seu movimento: mas que combinação maravilhosa!

Pude então dormir sem me preocupar. Nada atormentou meu sono novamente. Que Deus o proteja!

FONTE: World Future Fund

A história predecessora à invasão russa na Ucrânia é abafada pela atual histeria


A comissária da União Europeia (EU), Ursula von der Leyen, anunciou que a EU irá proibir as agências de notícias russas Sputnik e Russia Today. Somente assim o governo russo “não poderá mais disseminar suas mentiras, e justificar a guerra de Putin na Europa com suas venenosas desinformações”, alegou von der Leyen.

Com isso a EU instaurou oficialmente o Ministério Orwelliano. Através do banimento da memória, a história é reescrita. Qualquer um que não repita a verdade transmitida pela Voz da América, a agência oficial do governo norte-americano, será hostilizado. O portal dos EUA acusa a Rússia de ter iniciado um “ataque aterrorizante e totalmente deliberado contra a Ucrânia”.

Por eu mesmo ter me hostilizado, eu reportei aqui (…) sobre a história dos últimos 30 anos, que foi apagada da memória coletiva. Após a dissolução do Pacto de Varsóvia e da União Soviética, o governo dos EUA desencadeou, através da segunda Guerra do Golfo, o primeiro conflito armado após o final da Guerra Fria. Eles anunciaram ao mundo naquele momento, que “não existe substituto para a liderança dos Estados Unidos, que permanece como a única potência com atuação e influência mundial”.

Três anos depois, em 1994, a OTAN executou a primeira e direta operação de guerra na Bósnia sob liderança americana. Em 1999 eles atacaram a Iugoslávia: 78 dias voaram 1.100 aviões, principalmente a partir de bases italianas, 38.000 ataques e dispararam 23.000 bombas e mísseis. Os ataques destruíram pontes e instalações industriais na Sérvia, com inúmeras baixas principalmente da população civil.

Enquanto a guerra destruía a Iugoslávia, a OTAN iniciou sua expansão em direção ao leste, apesar da promessa feita à Rússia, de que “não iriam se expandir a leste nem um centímetro”. A expansão aumentou em vinte anos o número de países membros da OTAN de 16 para 30.

Vieram para a aliança muitos países do antigo Pacto de Varsóvia, da então União Soviética e da antiga Iugoslávia. Além disso a OTAN se preparava para receber oficialmente na aliança a Ucrânia, Geórgia e a Bósnia-Herzegovina.

O governo dos EUA e a OTAN entram e saem das guerras e atacaram e invadiram o Afeganistão em 2001 e o Iraque em 2003. Em 2011 eles destruíram a Líbia (…) Somente no Iraque morreram nas duas guerras e pelo embargo, cerca de dois milhões de pessoas diretamente, dentre elas meio milhão de crianças. Em fevereiro de 2014, a OTAN (…) executou um golpe de estado na Ucrânia através de um formação de neonazistas, especialmente treinados e armados, contra um presidente eleito legitimamente.

A estratégia do golpe de estado: atacar a população russa da Ucrânia. Com isso conseguir-se-ia uma reação da Rússia e uma profunda cisão na Europa. Depois que a população pró-Rússia da Criméia decidiu pela aproximação à Rússia, a guerra escalou. Kiev bombardeou com fósforo a população russa do Donbass.

A EU apoiou o governo de Kiev. 21 dos 27 países membros pertencem à OTAN sob comando norte-americano. Nos últimos oito anos, as forças da EUA-OTAN e seus arsenais nucleares na Europa se aproximaram cada vez mais em direção à Rússia, ignorando os alertas de Moscou.

Para aliviar esta situação, o governo de Putin encaminhou aos EUA, a 15 de dezembro de 2021, um esboço de um acordo. Os EUA não apenas recusaram esta iniciativa, mas também começaram ao mesmo tempo a formar no Donbass uma força de ataque ucraniana sob o comando da EUA-OTAN, como preparação para uma grande ofensiva contra a Rússia.

Devemos observar as atitudes de Moscou diante desta perspectiva. O governo russo quer contrapor a escalação agressiva da OTAN com o ataque militar à Ucrânia. Se agora acontece uma demonstração contra a guerra, apenas estaríamos aumentando a campanha da OTAN, que tenta pintar a Rússia como um inimigo perigoso. É uma campanha que divide a Europa em prol de planos imperialistas e nos leva à catástrofe.

Manlio Dinucci

terça-feira, 1 de março de 2022

Bunker Podcast - RUSSIA X UCRANIA

UCRANIA X BRASIL

 O móvel da oligarquia financeira para desencadear guerras em grande escala, bem como conflitos localizados, é ganhar mais poder, subordinando países e regiões ao império e enfraquecendo os que poderiam conter essa expansão.

Guerra e depressão

2. Na 1ª e 2ª Guerras Mundiais, respectivamente França versus Alemanha e Alemanha versus Rússia (União Soviética), as potências angloamericanas só se engajaram com intensidade, no final, para ocupar espaços, estando aqueles contendores desgastados.

3. As duas grandes conflagrações eclodiram após longos períodos de depressão econômica e serviram como manobra de diversão em face das consequências sociais e políticas da depressão.

4. No Século XXI, os conflitos armados grandemente destrutivos estão tornando-se mais frequentes após o golpe preparatório: a implosão das Torres Gêmeas, em setembro de 2001.

5. Os principais alvos têm sido países islâmicos, envolvendo a geopolítica da energia. Desde 2001 o Afeganistão está sob agressão. Em 2003, destruição e ocupação do Iraque. Ataques a Sudão, Somália e Iêmen. Em 2011 a brutal
agressão e intervenção da OTAN na Líbia. Durante todo o tempo, pressão e hostilização a Síria e Irã.

6. Em 2013, a agressão à Síria foi intensificada com a invasão por mercenários e extremistas, grandemente armados, com participação das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, lideradas pela Arábia Saudita, e colaboração da Turquia e de outros membros da OTAN.

7. Mas, na Síria, o governo conseguiu resistir, com seus recursos e disposição e com apoio militar e político da Rússia, inclusive no Conselho de Segurança da ONU.

Ucrânia

8. O êxito, até o momento, dessa resistência, levou a potência hegemônica retornar a ataques mais incisivos contra a ex-superpotência, que busca reconstruir-se. Daí, o recente golpe de Estado na Ucrânia.

9. Ademais, Putin fortaleceu os laços econômicos e políticos da Rússia com a China e países da Ásia Central, frustrando a estratégia angloamericana de manter divididas e vulneráveis as potências capazes de alguma resistência a seu projeto de governo mundial absoluto.

10. Claro que os EUA nunca deixaram de reforçar o cerco à Rússia, desde a desmontagem da União Soviética, instalando bases de mísseis em ex-aliados de Moscou, com destaque para a Polônia. Teleguiaram a “revolução laranja” na Ucrânia, em 2004, mais um marco no enfraquecimento desse país de consideráveis dimensões e recursos naturais e população em grande parte russa.

11. Ao verem contida a intervenção na Síria – e presenciar o Irã muito pouco abalado pelas sanções e incessantes hostilizações – os EUA trataram de atingir o flanco da própria Rússia.

12. Instaram a União Europeia (UE), sua virtual satélite, a fazer ingressar nela a Ucrânia, visando a pô-la na OTAN, colocando bases militares contra a Rússia virtualmente dentro desta.

13. Entretanto, o presidente da Ucrânia, Yanukovych, constitucionalmente eleito, não concordou em aderir à UE sem discutir as draconianas condições impostas: adotar as medidas econômicas do figurino do FMI: cortar em metade
o valor das pensões, suprimir benefícios sociais, demitir funcionários, privatizar mais patrimônio público em favor de plutocratas, tudo para pagar dívidas com bancos ocidentais.

14. Essas são as medidas às quais estão amarrados os pífios empréstimos que UE e EUA acabam de conceder após o golpe, desencadeado a partir de conversa telefônica entre a Subsecretária de Estado dos EUA, Victoria Nuland, e seu Embaixador na Ucrânia.

15. Utilizaram-se as redes sociais e outros meios de arrebanhar massas descontentes e as levaram à praça Maidan, ignorando elas que suas lastimáveis condições de vida vão piorar muito após o golpe.

16. A polícia foi acusada de autora dos disparos feitos por gangs neonazistas e outras extremistas, como foi constatado pela chefe das relações exteriores da União Europeia e pelo ministro do exterior da Estonia, conforme conversação telefônica entre ambos, cuja autenticidade foi confirmada pelo ministro:
<http://rt.com/news/ashton-maidan-snipers-estonia-946/>

17. Isso é evidentemente omitido pela grande mídia, que só publica o que interessa aos governos dos EUA, aliados e satélites, todos subordinados à alta finança e ao big business.

18. Ninguém deveria desconhecer que ela mente, 24 horas por dia, e ainda mais desde a destruição, por dentro, das Torres Gêmeas em Nova York, golpe a partir do qual os EUA institucionalizaram mais instrumentos totalitários
de repressão.

19. Mas engana muita gente, mesmo após ter sido desmascarada inúmeras vezes, como quando se comprovou ter o Secretário de Estado de Bush, Colin Power, mentido descaradamente sobre a existência de armas de destruição de massa no Iraque, negada pelo próprio observador das Nações Unidas.

20. É ao big business que agrada o golpe na Ucrânia, após já vir lucrando, antes dele, em negócios com os oligarcas corruptos atraídos para a órbita da oligarquia financeira, principalmente britânica.

21. De fato, anunciam-se novos acordos com as petroleiras angloamericanas (Chevron etc.) para extrair xisto, pelo processo altamente poluente fracking, bem como a cessão de terras ao agronegócio norte-americano, Monsanto à frente, com intenso uso dos letais transgênicos e agrotóxicos, nas grandes extensões férteis da Ucrânia.

22. O destino dos ucranianos, se confirmado o ingresso na UE, não diferirá do que assola a Grécia, e se abaterá também sobre os russos e outras nacionalidades que vivem em territórios cedidos à Ucrânia pelo bêbado Kruchev.

23. Putin está agindo com extrema cautela, tendo-se limitado a apoiar o parlamento da Crimeia em seu desejo de unir-se à Rússia, reforçando efetivos militares na península e no mar.

24. A China manifestou-se solidária à Rússia, inclusive por estar investindo na Ucrânia, como faz em todo lugar suscetível de exportar alimentos e outras matérias-primas.

25. A renda por habitante da Ucrânia equivale a 1/3 da russa, que não é alta, e a Rússia já acolheu três milhões de ucranianos em seu território. O agravamento das condições sociais levará a maior êxodo para a Europa Ocidental, que já tem enorme desemprego.

Brasil

26. O processo aqui em curso tem semelhanças com o da Ucrânia: insatisfação com as condições de vida e com a corrupção; ignorância das causas desses males.

27. Na nova ágora da internet e redes sociais, circulam versões absurdas como a de que o governo petista tem por objetivo implantar o comunismo.

28. Na realidade, esse governo, como seus predecessores, depende do big business transnacional, cujo domínio intensifica os problemas do País: concentração, desnacionalização e desindustrialização da economia; dependência tecnológica.

29. Difundiu-se muito no Brasil vídeo em que uma jovem ucraniana defende liberdade e democracia no errado contexto das massas iludidas na Ucrânia pelos mobilizadores do golpe. Na realidade, uma peça produzida por empresa de marketing político, sob os auspícios da agência norte-americana “National Endowment for Democracy”.

30. Este e outros braços do império acionaram as ONGs a seu serviço, a par dos nazistas, conforme a tradição da CIA, desde o final da 2ª Guerra Mundial. O que se vê na Ucrânia são homicídios, vandalismo e torturas, reiteradas agora com tiros sobre manifestantes pró-Rússia.

31. O objetivo da oligarquia financeira angloamericana no Brasil, até para prosseguir apropriando-se de seus recursos de toda ordem, é intensificar a desnacionalização e demais instrumentos para enfraquecê-lo.

32. Os meios de controle da informação – inclusive espionagem eletrônica, hacking – combinam-se com a corrupção de todo o sistema institucional. A presidente é acuada para aumentar o ritmo das concessões.

33. Estão presentes as consequências das falhas estruturais da economia brasileira, que venho, de há muito, denunciando, as quais se poderão manifestar de forma aguda após julho, apesar de haver eleições em outubro.

34. A crise brasileira tem face interna – física e financeira – como o serviço da dívida: R$ 900 bilhões para 2014; e face externa: déficit nas transações correntes com o exterior acumulando US$ 188,1 bilhões em três
anos (US$ 81,4 bilhões só em 2013)

35. Além disso, seus efeitos econômicos e sociais podem ser agravados pelas repercussões do colapso financeiro no Hemisfério Norte, próximo de ressurgir.

Dr. Adriano Benayon

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

RUSSIA X UCRANIA

 

 

O legado partilhado entre estes dois países remonta a mais de mil anos, quando Kiev, agora capital da Ucrânia, estava no centro do primeiro estado eslavo, o Reino de Kiev, berço da Ucrânia e da Rússia. Em 988 d.C., Vladimir I, o príncipe pagão de Novgorod e grão-príncipe de Kiev, aceitou a fé cristã ortodoxa e foi batizado na cidade de Quersoneso, na Crimeia. Daquele momento em diante, como declarou recentemente o líder russo Vladimir Putin: “Russos e ucranianos são um povo, unos num todo.”

Contudo, nos últimos mil anos, a Ucrânia foi repetidamente fustigada por potências estrangeiras. Guerreiros mongóis vindos de leste conquistaram o Reino de Kiev no século XIII. No século XVI, os exércitos polacos e lituanos invadiram a Ucrânia vindos do ocidente. No século XVII, a guerra entre a Comunidade Polaco-Lituana e o czarismo russo deixou as terras a leste do rio Dnieper sob o jugo imperial russo. A região leste ficou conhecida como a “Margem Esquerda” da Ucrânia; e as terras a oeste do rio Dnieper, ou “Margem Direita”, eram governadas pela Polónia.

Mais de um século depois, em 1793, a margem direita (ocidental) da Ucrânia foi anexada pelo Império Russo. Ao longo dos anos que se seguiram, uma política conhecida por russificação proibiu o uso e o estudo da língua ucraniana, e as pessoas foram pressionadas para se converterem à fé ortodoxa russa.

A Ucrânia sofreu alguns dos seus maiores traumas durante o século XX. Após a revolução comunista de 1917, a Ucrânia foi um dos muitos países a travar uma guerra civil brutal antes de ser completamente absorvida pela União Soviética em 1922.

No início da década de 1930, para forçar os camponeses a juntarem-se às quintas coletivas, o líder soviético Josef Stalin orquestrou um plano que matou de fome milhões de ucranianos, este episodio é conhecido como Holomodore além de matar ucranianos serviu para a URSS alavancar sua balança comercial com a produção ucraniana em os anos de 1932/33. Depois, Stalin “importou” um enorme número de russos e outros cidadãos soviéticos – muitos sem capacidade para falar ucraniano e com poucos laços com a região – para ajudar a repovoar o leste.

A campanha brutal do líder soviético Josef Stalin para coletivizar a agricultura levou à fome generalizada na década de 1930, matando milhões de ucranianos. No rescaldo da fome – que veio a ficar conhecida por Holodomor, que significa “morrer de fome” – foram levados colonos da Rússia para a Ucrânia para repovoar os campos.

Este legado histórico criou divisões duradouras. Como o leste da Ucrânia ficou sob o domínio russo muito antes do oeste da Ucrânia, as pessoas no leste têm laços mais estreitos com a Rússia e têm tido mais propensão para apoiar os líderes russos. A Ucrânia Ocidental, por outro lado, passou séculos sob o controlo inconstante de potências europeias como a Polónia e o Império Austro-Húngaro – uma das razões pelas quais os ucranianos na região oeste tendem a apoiar mais os políticos de tendências ocidentais. A população de leste tende a falar mais russo e a ser mais ortodoxa, enquanto que no oeste as pessoas falam mais ucraniano e são católicas.

Em 1991, com o colapso da União Soviética, a Ucrânia tornou-se uma nação independente. Mas unir o país não foi uma tarefa fácil. Por um lado, “o sentimento de nacionalismo ucraniano não é tão profundo a leste como é a oeste”, diz Steven Pifer, ex-embaixador na Ucrânia. A transição para a democracia e o capitalismo foi dolorosa e caótica, e muitos ucranianos, sobretudo no leste, ansiavam pela relativa estabilidade das épocas anteriores.

Tal conflito se mostra secular e exibe uma falta de unidade da nação com a mistura de várias etnias, sendo este um dos fatores.

Interesses econômicos nas riquezas do território, sua posição estratégica no leste europeu sempre foi de importância de outros países vizinhos.

O que temos é um conflito regional, mas que com a atuação da ONU e o sistema globalizado acaba por envolver inúmeros países em um conflito regional, secular e que é necessário um estudo profundo para entender como começou e qual a melhor a saída para encerrar tal conflito, que dificilmente será pela diplomacia.

 

Prof. Marlon Adami - Historiador

 

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Quero mudar o mundo e quero pra já!

 Essa ideia de “mudar o mundo” é, na melhor das hipóteses, juvenil e imatura. Na pior, é completamente perigosa.

Repare: há séculos as pessoas vêm querendo “criar um mundo melhor”.

Revolução Francesa visava a um “mundo melhor”. Em três meses, matou mais gente que a Inquisição espanhola matou em quatro séculos.

Para corrigir os “vícios burgueses” da Revolução Francesa, criou-se o socialismo internacionalista, também para melhorar o mundo. Matou 170 milhões de pessoas.

Recentemente, inventaram o bolivarianismo, também para melhorar o mundo. A comida e o papel higiênico acabaram, cachorros, pombas e animais de zoológico viraram alimentos, vacas eram mortas a pedradas, e crianças e bebês se desmancharam em ossos.

Com este histórico, a pergunta inevitável é: quando é que as pessoas irão, finalmente, parar de querer “um mundo melhor”?

Nenhuma mudança benéfica pode ser alcançada por políticas de engenharia social implantadas por políticos e por outros burocratas do governo.

Sim, tenho certeza de que há muita coisa no mundo que poderia ser mudada para melhor. Mas estou igualmente certo de que nenhuma mudança benéfica será alcançada por políticas de engenharia social implantadas por políticos e por outros burocratas do governo.

O mundo muda para melhor por meio de pequenos gestos imperceptíveis, e não por meio de arranjos anti-naturais e arrogantes. O mundo muda para melhor gradualmente, pouco a pouco, e de maneira experimental. Nada é planejado. Não existe um comitê planejando centralizadamente a construção de um mundo melhor.

João abre um novo restaurante para concorrer com o restaurante já estabelecido de Paulo, e os consumidores — gastando voluntariamente seu próprio dinheiro — é que irão decidir, em última instância, qual dos dois continuará operando. Ou se ambos continuarão funcionando. Ou se ambos irão à falência. Essa concorrência muda o mundo de uma maneira quase insignificante: as opções de restaurante naquela cidade são aprimoradas.

Guilherme abandona seu vício em álcool, volta ao mercado de trabalho e se especializa em uma profissão. Ele consegue um emprego como eletricista ou mecânico, e se torna bem sucedido. Ele melhora o mundo.

Ricardo inventa um novo aplicativo de celular para ajudar os ornitólogos e os observadores de pássaros a se manterem atualizados sobre locais interessantes nos quais há belos pássaros. Essa criação, também, muda o mundo.

Mudança silenciosa ou mudança para pior

Com raras exceções, cada evento que de fato melhora o mundo é pequeno demais para ser detectado nas estatísticas. Ele não é suficientemente digno de nota para lançar o nome do seu efetuador nas manchetes de jornais. É apenas um entre milhões de aprimoramentos que ocorrem diariamente. Cada um deles é ínfimo, mas a soma de todos eles se transforma em uma mudança notável ao longo do tempo.

Aquelas pessoas que querem “mudar o mundo” raramente param para pensar sobre exatamente qual aspecto do mundo precisa ser mudado. Afinal, boa parte de tudo que existe no mundo atual é realmente muito bom, e não deve ficar à mercê dos embustes de qualquer “agente da mudança”.

Pior: as pessoas que querem mudar o mundo têm em mente esquemas que envolvem forçar os outros a se comportarem de uma maneira distinta daquela como se comportariam espontaneamente.

Nosso mundo mudou, maciçamente para melhor, ao longo dos últimos dois ou três séculos. E praticamente todas essas mudanças vieram em doses tão pequenas, que os nomes daqueles que efetuaram cada mudança benéfica jamais se tornaram amplamente conhecidos, e foram hoje perdidos para sempre na névoa espessa da história.

Aqueles “agentes da mudança” — embora não todos — cujos nomes são hoje muito conhecidos foram ou verdadeiros açougueiros humanos — como Hitler, Stálin, Mao Tsé-Tung — ou arrogantes ‘homens do sistema’ — como Franklin Roosevelt e Clement Atlee (ou Lula, Getulio Vargas e Ernesto Geisel) — que oneraram terceiros impondo a eles fardos e restrições contraproducentes, ainda que as destruições trazidas por essas medidas sejam ainda hoje amplamente negadas.

Gotas em uma piscina

A prosperidade material humana é como se fosse toda a água de uma enorme piscina. Quanto maior o nível da água, maior a nossa prosperidade. O nível da água seria o “nível de prosperidade”.

E como essa piscina é enchida? Gota a gota.

Inúmeras pessoas — empreendedores, inventores, cientistas, financiadores, investidores etc. — se aglomeram em torno da piscina, cada uma delas contribuindo com uma gota ou duas de “água” adicional — a prosperidade adicional — de tempos em tempos. Cada uma dessas gotas possui um efeito praticamente imperceptível sobre o nível da prosperidade.

Coisas como novas cores de tinta para as casas, aparelhos de som de melhor de qualidade, novos aplicativos de smartphone, técnicas aprimoradas para alimentos congelados, lâmpadas mais duradouras, novas técnicas culinárias, máquinas de costura mais eficientes, ferramentas que facilitam a abertura de garrafas de vinho, aplicativos de transporte ou de delivery — a lista é praticamente infinita.

Tudo isso gerou um mundo melhor. Tudo isso passou quase que imperceptível quando surgiu. E nada disso foi criado por um comitê que queria criar um mundo melhor.

Algumas pouquíssimas gotas são realmente grandes — por exemplo, a vacina contra a paralisia infantil e a inovação de Henry Ford nas técnicas de montagem de automóveis. Mas praticamente todas as gotas são ínfimas. Essas ínfimas gotas, no entanto, resultam conjuntamente em um incrivelmente alto nível de prosperidade material.

No entanto, os “agentes do mundo melhor” são impacientes. Eles querem mudar o mundo agora, para já! Querem que o nível de prosperidade seja aumentado de maneira repentina e de forma explícita, por meio de uma infusão gigantesca.

Só que, como cada um de nós individualmente, mesmo as grandes corporações, somos ínfimos em relação ao todo, nenhum de nós pode realmente ter a esperança de elevar o nível da prosperidade de maneira imediatamente notável. Consequentemente, os “agentes do mundo melhor” acreditam que não basta “mudar o mundo” contribuindo com pequenas gotas; arrogantemente, querem fazer uma grande esguichada na piscina — uma medida que aumente o nível de prosperidade de maneira imediata e notável.

Ato contínuo, o que eles fazem? Os mais brandos recorrem ao governo, aquela instituição que supostamente pode fazer uma grande esguichada. Os mais radicais inventam modos de produção heterodoxos e anti-naturais, como comunismo, socialismo, fascismo e nazismo.

Para fazer uma grande esguichada, o governo tenta jogar baldes de água na piscina da prosperidade. Infelizmente, dado que burocratas não são guiados por sinais de mercado, dado que eles desconhecem o sistema de lucros e prejuízos, considerando todos os problemas já explicados pela Teoria da Escolha Pública, e considerando que a natureza da prosperidade do mercado é crescer descentralizadamente e de maneira gradual, as grandes infusões que o governo faz são o resultado de galões vazios burocraticamente jogados na piscina.

Esses galões de fato geram uma estrepitosa pancada na água da piscina. Eles frequentemente alteram o nível da prosperidade da piscina — para baixo.

Afinal, pancadas fortes na água da piscina geralmente fazem com que boa parte da água vá para fora da piscina, de onde ela evapora.

E mesmo se o nível mensurado de prosperidade da piscina for maior após o lançamento do galão, esse maior nível se deve ao fato de que agora há um enorme galão na piscina, o qual desloca um equivalente volume de água, dando a impressão de que há mais água na piscina. Mas não há. O real volume de prosperidade é menor.

Pura arrogância

A conclusão é que tentativas de “mudar o mundo” como um todo — mudá-lo de uma maneira que seja perceptível e identificável a uma ação ou a um conjunto de ações — são o ápice da arrogância. Nenhuma mudança, não importa quão bem intencionado seja o agente da mudança, será para melhor.

Esforços benéficos para mudar o mundo quase sempre são sempre pequenos, graduais, e efetuados naquele setor voluntário da sociedade — nas transações comerciais voluntárias (mercado), nas famílias, na sociedade civil. Não ocorre nem dentro do governo nem por meio do governo.

As mudanças benéficas ocorrem ao se acrescentar pequenas gotas à piscina da prosperidade. E não ao se dar grandes pancadas na água da piscina.

Considerando todo o histórico, é fato que o mundo, bem como a história da humanidade, estaria muito melhor se não houvesse tantos intelectuais e ativistas tentando melhorá-lo.

Donald Boudreaux foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University