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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O APEDEUTA BURGUES

O Apedeuta Inimputável é mesmo do balacobaco!
Tenho a impressão de que ele, deliberadamente, vai forçando sempre os limites para saber até onde pode chegar. E deve ter concluído que pode fazer qualquer coisa.
Lula recebe pensão permanente por causa daquele mindinho e como “perseguido da ditadura” — Santo Deus! Somando as duas, R$ 9 mil. Uma faz sentido; a outra escarnece da República. Adiante. Agora o PT decidiu lhe pagar um salário de R$ 13 mil, com carteira assinada — 13, o número de partido, vocês entenderam… Sendo como é, o Babalorixá de Banânia deve ter pensado: “Que pena que a gente não tem o número do PC do B, 65…”
Lula está rico. Quando chegou à Presidência, em 2002, seu patrimônio já era maior do que o de seu oponente tucano, José Serra. Em 2006, idem na comparação com Geraldo Alckmin. É a expressão máxima do que chamo “burguesia do capital alheio”. Este senhor não pega no pesado desde 1975, mas tem um bom patrimônio, muito dinheiro no banco etc. Calculo que a parte conhecida, tudo somado, ronde uns R$ 2 milhões — para cima.
Não há metalúrgico do ABC com igual sorte, naturalmente — extensiva e transferida aos descendentes. Eles têm bem mais do que um passaporte diplomático. Mas sigamos.
Lula poderá faturar uma baba com palestras —  R$ 200 mil por mês é uma estimativa conservadora. E pode fazê-lo sem nenhum esforço. Como sabemos, não precisa nem mesmo se dar ao trabalho de consultar suas anotações ou suas fichas de leitura. Vai falando de cabeça, o que lhe dá na telha. Esses R$ 13 mil do PT evidenciam uma soma de demagogia com mesquinharia, como se ele precisasse disso para sobreviver.
Alguém dirá: “Esse dinheiro é do PT; o partido faz com ele o que bem entender”. Huuummm… Em parte, sim; em parte, não! Já me referi aqui ao fundo partidário. Em 2011, R$ 45 milhões migrarão dos cofres públicos para os petistas. Boa parte da contribuição da militância vem de companheiros nomeados para cargos no governo. Escarafunche um pouco, leitor, e a coisa termina sempre no seu bolso…
Lula, este humanista de quatro costados, este homem permanentemente preocupado com os pobres, deveria, ao menos, doar esses R$ 13 mil a alguma instituição de caridade, não é?  Deveria fazer o mesmo com o “Bolsa Ditadura”. Se é verdade que, nesse caso, o que importa é a questão simbólica —  o reconhecimento do crime de estado —, que ele entregue, então, a parte não-simbólica a quem precisa.
E que se note: desde que se tornou dirigente sindical e, depois, dirigente partidário, ele nunca deixou de receber salário, do sindicato ou do PT. Nas duas frentes de militância, estava pavimentando o seu caminho à Presidência, de modo que até a prisão acabou se revelando um investimento — que vai lhe permitir aqueles 200 paus, no mínimo, em palestras.
O nosso grande socialista, o vanguardista, segundo Hobsbawm do século 19, revelou-se um self made man e tanto… Quer dizer, nem tão “self” assim, não é? Muita gente se ferrou na trajetória para que ele chegasse ao topo. Por isso mesmo, deveria ser mais generoso.
Mas um burguês do capital alheio é assim mesmo: vive obcecado pela idéia de distribuir e de amealhar o que não lhe pertence.
Por Reinaldo Azevedo

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