O cronista Rubens Amador descreve um fato insólito, por ele presenciado há quase 77 anos: a passagem por Pelotas do dirigível Graf Zeppelin em um de seus voos desde a Alemanha até Buenos Aires, de uma semana de duração. Na foto abaixo, visão da Praça da República (hoje Coronel Pedro Osório) desde o Clube Caixeiral, em 1934. Na última imagem, o Zepelim sobrevoando a Avenida de Mayo, em Buenos Aires.
Assim como os seres humanos, as cidades também passam por momentos significativos – uns agradáveis, outros tristes (casos como Chernobyl, New Orleans, Fukushima, Hiroshima e Nagasaki). Para Pelotas, o destino reservou um momento mágico, que ficará para sempre em nossa história citadina: foi no dia 29 de junho de 1934, às 16h40 min, quando o dirigível alemão Graf Zeppelin sobrevoou, majestoso, o centro de Pelotas, em direção de Buenos Aires. O famoso Zeppelin foi criação da empresa do conde germânico que levava esse nome.
Eu tinha sete anos de idade, mas lembro-me muito bem de onde ele surgiu, lá para o lado nordeste, a uma altura de 600 metros. Morador das imediações da hoje chamada Praça Cel. Pedro Osório, eu estava brincando, quando, de repente, vi grupos de pessoas aqui e ali olhando para o céu. Curioso, olhei para cima e vi, aproximando-se da praça, aquele enorme aparelho. Na época eu nem sabia o que era, e por certo já tinha sido anunciado, na imprensa, seu sobrevôo sobre Pelotas. Ao ver o aerostato sobre minha cabeça, podia perceber claramente, a enorme gôndola, local onde os passageiros e tripulantes se acomodavam, acenando-nos de várias janelas, e todos, do solo, retribuíam aos acenos. Viam-se lenços brancos lá do alto.
Passando por sobre a Praça Cel. Pedro Osório, o Zeppelin fez um longo círculo, tomando a direção do bairro Fragata, onde ficava a Sociedade Germânia, entidade então de muita influência social na cidade. A seu pedido, bem como da comunidade alemã, o dirigível fez aquele sobrevôo para nós inesquecível. O brilho de sua superfície prateada de duralumínio era intenso, dado ao forte sol então reinante naquela tarde.
Foi um espetáculo inesquecível, só posso repetir. Os meus contemporâneos deverão ter, vívidos, em suas mentes, ainda hoje, aquela visita famosa, pois então acreditava-se que ali estava o transporte do futuro. Pensava-se que poderia transportar mais de uma centena de pessoas, em vôo sereno, capaz de ir a qualquer parte do mundo, e sobretudo acreditava-se: altamente seguro. Essas eram, basicamente, as razões de o acontecimento ter assumido as proporções que assumiu, marcando definitivamente a própria história do mais pesado que o ar.
Em 1937 veio a decepção, pois um similar do Zeppelin, o dirigível Hindenburg, de maiores proporções do que o que nos sobrevoou, incendiou-se ao descer na cidade americana de Lakehurst, New Jersey, matando inúmeras pessoas; pois então ainda não se conhecia um gás não inflamável como o que fazia pairar o artefato, que era abastecido apenas com hidrogênio, material altamente perigoso. Ali ficou sepultada a idéia dos vôos transatlânticos naquele tipo de nave.
Apesar da tragédia que nos privou dos dirigíveis, o sobrevôo do Zeppelin sobre Pelotas jamais foi esquecido pelos que o viram e viveram naqueles dias de 1934. Colheram-se depoimentos inusitados: Um popular entrevistado na época, no Café Caneca, no bairro do Porto, local de reunião de estivadores que lá bebericavam, disse o seguinte:
— O tal de Zé Pelin me deu um susto danado. Pensei que era uma bomba da Grande Guerra ainda voando.
Houve outras descrições interessantes, como esta:
— Minha mulher dizia que era um grande charuto, reclame de alguma marca nova.
E um punguista uruguaio bateu várias carteiras, ali na praça Cel. Pedro Osório, enquanto as pessoas olhavam maravilhadas para o Zeppelin. Soube-se que acabou preso. No dia imediato ao sobrevôo impressionante (30-06-34), a imprensa local publicou, com certa poesia:
Assim como os seres humanos, as cidades também passam por momentos significativos – uns agradáveis, outros tristes (casos como Chernobyl, New Orleans, Fukushima, Hiroshima e Nagasaki). Para Pelotas, o destino reservou um momento mágico, que ficará para sempre em nossa história citadina: foi no dia 29 de junho de 1934, às 16h40 min, quando o dirigível alemão Graf Zeppelin sobrevoou, majestoso, o centro de Pelotas, em direção de Buenos Aires. O famoso Zeppelin foi criação da empresa do conde germânico que levava esse nome.Eu tinha sete anos de idade, mas lembro-me muito bem de onde ele surgiu, lá para o lado nordeste, a uma altura de 600 metros. Morador das imediações da hoje chamada Praça Cel. Pedro Osório, eu estava brincando, quando, de repente, vi grupos de pessoas aqui e ali olhando para o céu. Curioso, olhei para cima e vi, aproximando-se da praça, aquele enorme aparelho. Na época eu nem sabia o que era, e por certo já tinha sido anunciado, na imprensa, seu sobrevôo sobre Pelotas. Ao ver o aerostato sobre minha cabeça, podia perceber claramente, a enorme gôndola, local onde os passageiros e tripulantes se acomodavam, acenando-nos de várias janelas, e todos, do solo, retribuíam aos acenos. Viam-se lenços brancos lá do alto.
Passando por sobre a Praça Cel. Pedro Osório, o Zeppelin fez um longo círculo, tomando a direção do bairro Fragata, onde ficava a Sociedade Germânia, entidade então de muita influência social na cidade. A seu pedido, bem como da comunidade alemã, o dirigível fez aquele sobrevôo para nós inesquecível. O brilho de sua superfície prateada de duralumínio era intenso, dado ao forte sol então reinante naquela tarde.
Foi um espetáculo inesquecível, só posso repetir. Os meus contemporâneos deverão ter, vívidos, em suas mentes, ainda hoje, aquela visita famosa, pois então acreditava-se que ali estava o transporte do futuro. Pensava-se que poderia transportar mais de uma centena de pessoas, em vôo sereno, capaz de ir a qualquer parte do mundo, e sobretudo acreditava-se: altamente seguro. Essas eram, basicamente, as razões de o acontecimento ter assumido as proporções que assumiu, marcando definitivamente a própria história do mais pesado que o ar.
Em 1937 veio a decepção, pois um similar do Zeppelin, o dirigível Hindenburg, de maiores proporções do que o que nos sobrevoou, incendiou-se ao descer na cidade americana de Lakehurst, New Jersey, matando inúmeras pessoas; pois então ainda não se conhecia um gás não inflamável como o que fazia pairar o artefato, que era abastecido apenas com hidrogênio, material altamente perigoso. Ali ficou sepultada a idéia dos vôos transatlânticos naquele tipo de nave.Apesar da tragédia que nos privou dos dirigíveis, o sobrevôo do Zeppelin sobre Pelotas jamais foi esquecido pelos que o viram e viveram naqueles dias de 1934. Colheram-se depoimentos inusitados: Um popular entrevistado na época, no Café Caneca, no bairro do Porto, local de reunião de estivadores que lá bebericavam, disse o seguinte:
— O tal de Zé Pelin me deu um susto danado. Pensei que era uma bomba da Grande Guerra ainda voando.
Houve outras descrições interessantes, como esta:
— Minha mulher dizia que era um grande charuto, reclame de alguma marca nova.
E um punguista uruguaio bateu várias carteiras, ali na praça Cel. Pedro Osório, enquanto as pessoas olhavam maravilhadas para o Zeppelin. Soube-se que acabou preso. No dia imediato ao sobrevôo impressionante (30-06-34), a imprensa local publicou, com certa poesia:
A alma pelotense viveu, ontem, instantes de infinita satisfação e se deixou maravilhar ante a passagem serena, deslumbrante, majestosa, da grande aeronave alemã “Graff Zeppelin”, que, pela primeira vez (e seria a última), atendendo o seu ilustre comandante, o conspícuo engenheiro Sr. Eckner, aos reiterados reclamos das associações e personalidades de destaque da colônia germânica entre nós, cruzou o céu de Pelotas.
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