Vamos por partes com o vídeo que está causando o delírio de parte da esquerda e de parte da direita, ambas irmanadas contra o Carnaval. Reitero: o "editorial" da moça do SBT é de uma imbecilidade poucas vezes vistas na televisão brasileira. Um "engana bobo" da melhor qualidade. Vamos lá:
1. A moça abre dizendo que o carnaval não é uma festa genuinamente brasileira. Não, não é. Há carnavais excelentes em outras partes do mundo. No entanto, é a maior festa popular do Brasil e isso é inegável. O argumento é petralha roxo: desqualificar o acontecimento para, a partir daí, toda a bobagem dita passar a ter um fundo de verdade.
2. A moça segue dizendo que o carnaval não é uma festa popular, porque os abadás são caríssimos, porque os camarotes são vips, porque a festa virou um negócio. Mentira! Uma minoria dos brasileiros brinca neste tipo de carnaval. A minoria que tem dinheiro para pagar, o que é extremamente saudável, porque o Brasil não é Cuba. Ainda não, se a gente não cair nestes pequenos truques. Aí vem o maior dos absurdos: ela pergunta se o povo que não tem dinheiro para comprar aquela roupinha colorida não tem o direito de ser feliz? É ou não é a mesma coisa que dizer que o todos deveriam ter tudo igual no supermercado, na escola, no estádio de futebol, sem diferenciação alguma? Quer papinho mais comunista! Desde quando o pobre não tem carnaval no Brasil, se ele acontece em todas as ruas, em todos os bares, em todas as lajes, em todos os lugares? Não, ela quer acabar com a divisão de classes. O objetivo é botar todo mundo a ouvir o Fidel na Praça da Revolução.
3. A moça revolta-se com o fato de que os blocos vivem de dinheiro do poder público. Só os blocos? Os sindicatos não vivem do imposto sindical, a nós imposto pelo governo federal? Pode patrocinar a iluminação de natal mas não pode dar auxílio para o carnaval? Se todo o problema da má gestão de recursos públicos fosse o dinheiro investido em carnaval, o Brasil não seria este antro de corrupção. Onde o governo bota mais dinheiro? Na propaganda no SBT ou no bloco Unidos da Gandaia? Tem mais é que patrocinar, é espetáculo cultural, é lazer, é entretenimento.
4. Mais adiante, a moça atinge o climax do seu folhetim. Afirma que milhões são pagos para artistas enquanto a população não tem comida na mesa. Só para artistas? E para juízes? E para promotores? E para políticos? Quer dizer que o Roberto Carlos pode desfilar na avenida d egraçae ser campeão, mas não poderia receber cachê se resolvesse dar um show? Milhões são roubados dos cofres públicos, inclusive pelo Banco Panamericano, que é do mesmo dono da TV onde a moça trabalha.
5. E olhem que primor! A boa música está sendo calada à força por hits do momento. Que absurdo. Teremos todos que cantar a Internaiconal Socialista? Ou o povo não tem o direito de cantar e dançar o Melô da Mulher Maravilha? Desde quando alguém cala alguém no Carnaval?
6. E atenção para o papo tipo Lula: " eu fico indignada de ver o número de ambulâncias para atender bêbados e drogados.." Nas grandes cidades, o carnavala arrasta um milhão, dois milhões, há uma grande concentração de público. Seria uma irresponsabilidade do poder público não oferecer um mínimo de estrutura. O que a moça queria? Que as ambulâncias ficassem onde, com um evento das proporções do carnaval acontecendo? Os bêbados e drogados deveriam morrer sem atendimento médico? Isso também valeria para o velhinho que teve um infarto ao olhar a bunda gostosa (como diria o Jabor) da mulata? Ou entre centenas de milhares de pessoas reunidas num só lugar acontece apenas overdose?
7. Mais uma da moça. Onde está o policiamento que aparece no Carnaval e some no resto do ano? A pergunta deve ser feita durante o resto do ano, porque é lá que não tem polícia em lugar nenhum do Brasil. A culpa é do Carnaval que, por ocorrer em pontos específicos, em concentrações, pode ser melhor policiado, graças a Deus? Quer que falte polícia até no Carnaval?
8. Aí a petralha sai em defesa dos pequenos comerciantes, iludidos com as vendas do Carnaval. Se dependesse do Carnaval, morreriam de fome o resto no ano, segundo ela. O pobre ambulante iludido pode ganhar com a latinha, mas a grande cervejaria, que faz a latinha e patrocina o evento onde o pobre ambulante vende dez vezes mais do que a média, não pode ter lucro.
8. Aí a petralha sai em defesa dos pequenos comerciantes, iludidos com as vendas do Carnaval. Se dependesse do Carnaval, morreriam de fome o resto no ano, segundo ela. O pobre ambulante iludido pode ganhar com a latinha, mas a grande cervejaria, que faz a latinha e patrocina o evento onde o pobre ambulante vende dez vezes mais do que a média, não pode ter lucro.
9. E a xenofobia contra os artistas baianos?
10. Aí ela pula para o trânsito e chora as mortes por acidentes, as vultosas indenizações.No feriado religioso de Páscoa de 2010 morreram 114 pessoas no Brasil, um aumento de 40% em relação a 2009. Parece que as estradas brasileiras são uma maravilha e que só acontecem acidentes por causa dos foliões bêbados do Carnaval. O que deve haver é controle na venda de bebida, como existe em qualquer lugar do mundo. Vai ver se o cara pode tomar um porre na rua em qualquer país civilizado.
11. Por fim, a gravidez indesejada passa a ser culpa do Carnaval e não da falta de educação, de orientação, de base familiar. E parece, pelo discursinho safado, que as DSTs surgem na sexta-feira de carnaval e acabam na quarta-feira de cinzas. Que as bactérias e vírus não estão lá, contraídas durante o ano inteiro. A doença aquela deveria mudar de nome para carnavalorréia.
12. Por fim, a moça diz que bom mesmo eram os carnavais de outrora. É, com certeza. Havia menos gente, não havia a Aids, não havia crack, não havia cocaína, não havia automóvel financiado...
13. Por fim, o verdadeiro motivo da moça ter feito o editorial indignado: o SBT não conseguiu patrocínio de cervejaria no carnaval e nem pôde transmitir os desfiles de São Paulo, do Rio e, provavelmente, de João Pessoa. Fiquem atentos: foi com este tipo de mentira e de demagogia barata que o PT chegou ao poder. Parece que está funcionando cada vez mais
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